Onze meses após a Assembleia Legislativa extinguir por lei a Fundação Piratini, que veicula a TVE e a FM Cultura, foram demitidos os primeiros servidores. Nesta quinta, 30/11, 14 profissionais foram notificados que não fazem mais parte da instituição.
Em resposta, os servidores da TVE e FM Cultura decretaram greve geral nas emissoras e divulgaram uma nota em que colocam, que “a decisão (pela greve) ocorre diante do início efetivo do desmonte da TVE e da FM Cultura, com o aviso de demissão de 14 colegas que trabalhavam nas emissoras há mais de 30 anos. A eles expressamos nossa solidariedade, bem como a outros 11 que se encontram também em situação de possível demissão.
A ausência destes profissionais não apenas nos entristece como colegas, mas nos impede de seguir realizando nossas atividades. Um quadro já enxuto, trabalhando desde o início do governo Sartori com condições técnicas mínimas, agora torna-se absolutamente insuficiente, fazendo com que o desempenho de nossas funções e a manutenção das programações da rádio e da TV seja inviável”.
Segundo a direção da Piratini, os servidores demitidos não tinham estabilidade funcional reconhecida pelo Estado porque entraram sem concurso público antes da Constituição de 1988. A assessoria de imprensa da entidade pública confirmou que todos eles atuavam na TVE, no entanto, não divulgou nomes. Para o presidente Orestes de Andrade Jr as programações da emissora de TV e da FM Cultura seguirão normalmente.
Foram as primeiras demissões na Fundação Piratini, extinta conforme a Lei Estadual 14.982/2017, que ainda autoriza o fechamento das fundações Zoobotânica (FZB), Ciência e Tecnologia (Cientec), Economia e Estatística (FEE), Desenvolvimento e Recursos Humanos (FDRH) e Metroplan.
O chamado “Plano de Modernização do Estado (PME)” prevê que os serviços e as atividades desses órgãos sejam incorporados por secretarias ou absorvidos pelo mercado.
Os servidores demitidos não estavam protegidos por liminares que impedem demissões nas fundações.
Autor: da Redação
Fundação Piratini anuncia demissão de 14 e servidores decretam greve
Salão Internacional de Desenho para Imprensa abre nesta quinta
O 25º Salão Internacional de Desenho para Imprensa (Sidi) terá abertura e divulgação dos premiados nesta quinta-feira, 30, às 18h30, no Paço Municipal. Na ocasião serão conhecidas as 62 obras dos artistas selecionados e a exposição “de Iberê para Maqui – anos 1990” do artista Iberê Camargo o homenageado do Sidi. O salão tem o objetivo de estimular e divulgar a expressão gráfica aplicada à imprensa, além de atribuir premiações em cinco categorias: Cartum, Charge, HQ, Caricatura e Ilustração Editorial, além de Menções Honrosas.
Em suas 25 edições, o evento se consolidou como um dos principais meios de promoção e divulgação do produto gráfico brasileiro, além de contar com a participação de artistas gráficos de países como China, Turquia, Alemanha, Ucrânia e Estados Unidos, entre outros.
O artista homenageado é Iberê Camargo, que com o pseudônimo de “Maqui” produziu uma série de charges de cunho político na primeira metade da década de 1990 até sua morte no ano de 1994. Estes trabalhos mostram a veia crítica e a profunda ligação do artista com as demandas sociais de seu tempo. É uma oportunidade de conferir a influência exercida pelas artes gráficas na sua obra. Serão apresentados 25 desenhos originais, além de jornais onde as charges foram publicadas e o conto “Acidente em Angra” e suas ilustrações.
Participaram do júri de seleção: Bruno Ortiz Monllor, Leandro Roberto Bierhals Bezerra, Edgar Luiz Simch Vasques da Silva e Neltair Rébes Abreu, o Santiago, e do júri de premiação Bruno Ortiz Monllor, Edgar Luiz Simch Vasques da Silva e Neltair Rébes Abreu.
O evento é uma realização da prefeitura, por intermédio da Coordenação de Artes Plásticas da Secretaria Municipal da Cultura e tem o apoio do Metro Jornal, que publicará os trabalhos premiados em uma página exclusiva. Uma das apoiadoras do evento, a Viacolor, laboratório fotográfico, irá premiar os artistas vencedores com um álbum de capa fotográfica e 20 páginas no formato 25x25cm. A Fundação Iberê Camargo e GalArt, Galeria de Arte, completam a lista de apoiadores.
25º Salão Internacional de Desenho para Imprensa
Abertura – quinta-feira, 30, às 18h30
Visitação até 9 de março de 2018, de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h
Pinacoteca Aldo Locatelli
Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico – Porto Alegre
Outras informações
Coordenação de Artes Plásticas – Pinacoteca Ruben Berta, rua Duque de Caxias, 973 – 3º andar, 3289-8291Outubro registra aumento no desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre
A taxa de desemprego subiu de 10,3 em setembro para 12% em outubro, segundo dados da PED-RMPA divulgados nesta quarta-feira, 29/11, pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).
Essa intensa elevação do desemprego deveu-se à queda na ocupação de -2,7%. Ou seja, a redução no número de trabalhadores ocupados resultou em um aumento de 29 mil pessoas desempregadas em relação ao mês anterior.
Em outubro, o número total de desempregados foi estimado em 222 mil pessoas. No setor privado, registrou-se retração do emprego com carteira assinada (menos 30 mil, ou -3,3%) e aumento do sem carteira (mais 7 mil, ou 8,4%).
Para a economista da FEE, Iracema Castelo Branco, a mudança que se identificou nos números precisa ser compreendida, comparada e acompanhada. “Uma das hipóteses possíveis é considerar um cenário de ajuste no mercado de trabalho a partir da reforma na legislação trabalhista, que entrou em vigor no início de novembro. Mas esse é um dos fatores que devem ser observados junto aos demais condicionantes do mercado de trabalho”.
Com referência aos setores de atividade econômica, houve redução nos serviços (menos 26 mil ou -2,9%), na indústria de transformação (menos 16 mil ocupados, ou -5,3%), e no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (menos 7 mil ocupados, ou menos 2,1%).
O setor da construção foi o único em que se registrou aumento (mais 4 mil ocupados, ou 3,2%). A economista do DIEESE, Virgínia Rolla Donoso, explica que o setor da construção é muito vinculado ao trabalho autônomo. “O resultado positivo nesse segmento pode estar associado a uma estratégia de sobrevivência, quando não se consegue espaço no trabalho formal”, avalia.
De agosto para setembro de 2017, a massa de rendimentos reais aumentou para os ocupados (2,1%) e para os assalariados (0,9%).16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres
Atualmente, Porto Alegre não conta com uma Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, sua casa abrigo para vítimas de violência não supre a demanda da procura, o Centro de Referência Márcia Calixto não segue a norma técnica nacional e o Conselho Municipal de Direitos das Mulheres não foi empossado e não tem sede. Além disso, o Rio Grande do Sul ainda não aderiu ao Protocolo Latino-Americano de Investigação de Mortes Violentas de Mulheres por Razões de Gênero.
É dentro desse contexto que a Rede Minha Porto Alegre se engajou na Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Uma mobilização anual, a Campanha foi criada em 1991 por mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL) e tem o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.
Mundialmente, os 16 Dias de Ativismo se iniciaram em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher. No Brasil, a Campanha acontece desde 2003 e, para destacar a dupla discriminação vivida pelas mulheres negras, as atividades aqui começaram em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.
No dia 2 de dezembro, a Minha Porto Alegre realizará, dentro da programação da Campanha, a intervenção urbana “Parem de nos matar” a partir das 10 horas, partindo do Viaduto Otávio Rocha. É um evento aberto que faz parte da Campanha Isso é feminicídio e do Projeto Mapa do Acolhimento, ambas iniciativas da Rede Nossas Cidades, da qual a Minha Porto Alegre faz parte.
Além da Minha Porto Alegre, diversos grupos e organizações participam da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres propondo atividades, tais como 8M Porto Alegre, Bloco Não Mexe Comigo Que Eu Não Ando Só, Coletivo Feminino Plural, Movimento de Mulheres Olga Benário, Ocupação Mulheres Mirabal e União Brasileira de Mulheres (UBM), dentre outros.
As atividades da Campanha 16 Dias de Ativismo ocorrem até o dia 16 de dezembro em diversos pontos de Porto Alegre e Canoas. A agenda completa está no paremdenosmatarportoalegre.
A Rede Minha Porto Alegre
A Minha Porto Alegre é uma rede de pessoas conectadas na construção de um processo mais participativo das tomadas de decisão de interesse público da cidade. Por meio de mobilizações e fomento a comunidades de ação, utilizando tecnologias sociais e digitais de maneira estratégica, criativa e humana. Recentemente, sua campanha Isso é feminicídio registrou uma vitória histórica: a partir de janeiro de 2018 todos os boletins de ocorrência do Rio Grande do Sul passarão a contar com o subtítulo “feminicídio”.
Ela faz parte da Rede Nossas Cidades, feita de cidades mobilizadas que já atuam desde 2011 no Rio de Janeiro e desde 2014 em São Paulo. Usando novas tecnologias e novas linguagens, conectam cidadãos que queiram participar mais das decisões sobre o futuro das suas cidades. São mais de 700 mil brasileiras e brasileiros que agem por suas cidades.Jornal JÁ vence prêmio do Ministério Público na categoria web
O Jornal JÁ ganhou o primeiro lugar na categoria Web do Prêmio Jornalismo do Ministério Público 2017, com a série de reportagens “Patrimônio Ameaçado” sobre a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, feita pelo jornalista Cleber Dioni Tentardini.
A série tem mais de 40 reportagens e 350 fotos e ilustrações e traz uma visão ampla das três instituições que estão vinculadas à FZB, destacando o trabalho realizado no Jardim Botânico, Museu de Ciências Naturais e Parque Zoológico e os prejuízos para o Estado frente ao desmonte de uma estrutura de conservação do meio ambiente, fundamental para a pesquisa científica e a conservação da biodiversidade rio-grandense.
O prêmio do MP/RS é a segunda distinção da Série Patrimônio Ameaçado. Em outubro, o jornalista Cleber Dioni foi 2º lugar no 4º Prêmio José Lutzenberger de Jornalismo Ambiental na categoria webjornalismo.
A comissão julgadora do Prêmio Jornalismo do Ministério Público analisou 91 trabalhos inscritos e definiu as matérias jornalísticas ganhadoras do prêmio em 2017.
A premiação será entregue no dia 12 de dezembro, às 9h30min, no Palácio do Ministério Público, na Praça da Matriz, Centro da Capital.
O prêmio promovido pela Instituição tem, ainda, apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS e da Associação Riograndense de Imprensa (ARI).
Lista de ganhadores
Categoria Web
Na categoria Web, o vencedor foi o jornalista Cleber Dioni Tentardini, do Jornal JÁ, com a série de reportagens “Patrimônio ameaçado”, sobre a extinção da Fundação Zoobotânica.
Categoria Impressa
A categoria Impressa foi conquistada pela matéria “Animais silvestres serão protegidos na Rota do Sol”, de autoria da jornalista Carine Krüger, publicada no Jornal Nova Geração, de Estrela. O segundo lugar ficou com a matéria “Concursos fraudados se espraiam pelo RS”, dos jornalistas Humberto Trezzi e Fábio Almeida, publicada no jornal Zero Hora.
Categoria TV
Na categoria TV, venceu a série de reportagens “Fraude nos concursos – MP faz blindagem em concursos públicos para evitar fraudes no RS”, de autoria do jornalista Fábio Almeida e equipe, exibida na RBSTV. A segunda colocação na categoria ficou com a série de reportagens “Filhos do cárcere: Ministério Público cobra a construção de presídio feminino, enquanto filhos são separados das mães por falta de infraestrutura adequada”, da jornalista Dulci Sachetti e equipe, veiculada na RBSTV Passo Fundo e Porto Alegre.
Categoria Rádio
Já na categoria Rádio, venceu a reportagem “Operação Pulso Firme”, de autoria dos jornalistas Cid Martins e Eduardo Matos, da Rádio Gaúcha, narrando a transferência de líderes de facções para presídios federais. Em segundo lugar foi escolhida a reportagem “Série Histórias invisíveis: os desafios de quem vive nas ruas de Porto Alegre”, dos jornalistas Daiane Vivatti e Gabriel Jacobsen, da Rádio Guaíba.
Categoria Fotografia
A categoria Fotografia, o vencedor foi o fotógrafo Frederico Sehn, do Jornal Nova Geração, de Estrela, sobre a proteção de animais silvestres que habitam a mata às margens da Rota do Sol. O segundo lugar foi conquistado pelo fotógrafo do Diário Gaúcho Mateus Bruxel com a reportagem sobre a investigação do Ministério Público da ação que destruiu casas de moradores da Ilha do Pavão.
Categoria Especial
Na categoria Prêmio Especial – destacando a atuação do MP na área da segurança pública – a vencedora foi a jornalista Cristiane Maiara Luza, do jornal Folha do Noroeste, de Frederico Westphalen, com a reportagem “Comissão pró-segurança elenca medidas para conter avanço da criminalidade na região”. Esta categoria terá gravado no troféu oferecido pelo MP o nome de Ricardo Grecellé, jornalista falecido em novembro de 2016.
Categoria Universitária
O Prêmio Jornalismo também conta neste ano com a categoria “Reportagem universitária” (1º e 2º lugar), dedicada a estudantes de jornalismo de universidades reconhecidas pelo Ministério da Educação. Os estudantes da Uniritter Aline Eberhardt, Alberi Neto e Ariadne Kramer foram os vencedores com a reportagem “Degradação e descaso: a trajetória do Rio dos Sinos”, publicada no blog de Jornalismo Ambiental da universidade. Já o segundo lugar ficou com os estudantes Gabriela Gonçalves Santos, Guilherme Engelke e Débora Vaszelewski, da Unisinos, que elaboraram a reportagem “Filhos do sistema”, publicada na plataforma Medium. Todos os estudantes vão receber certificados pela participação no Prêmio Jornalismo 2017.
Brasil tem 30 mil crianças de cinco a nove anos no mercado de trabalho
No Brasil, em 2016, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada hoje (29/11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de um total de 40,1 milhões de crianças e adolescentes no grupo de 5 a 17 anos, 1,8 milhão estavam no mercado de trabalho. O nível de ocupação para esta população foi 4,6%, principalmente concentrado no grupo de idade de 14 a 17 anos. Entre as crianças de 5 a 9 anos de idade, 0,2% encontrava-se ocupada em 2016, ou aproximadamente 30 mil crianças, enquanto no grupo de 10 a 13 esse percentual era de 1,3% ou aproximadamente 160 mil crianças. De 14 a 15 anos, 6,4% dos jovens estavam ocupados (430 mil) e de 16 a 17 anos eram 17% (cerca de 1,2 milhão).
As crianças pretas ou pardas eram maioria entre as ocupadas, representando 64,1%. Entre as crianças ocupadas de 5 a 13 anos, 71,8% eram pretas ou pardas, e para o grupo de 14 a 17 anos, o percentual de pretas ou pardas foi de 63,2%.
Na média, no Brasil, 81,4% das crianças e adolescentes ocupados frequentavam a escola no ano de 2016. A desagregação por grupo de idade mostrou que 98,4% das crianças de 5 a 13 que se encontravam ocupadas frequentavam a escola. Para o grupo de 14 a 17 esse percentual foi 79,5%. Das crianças de 5 a 17 anos ocupadas que frequentavam a escola, 94,8% estudavam na rede pública e 5,2% na rede privada.
Dentre as pessoas ocupadas de 5 a 13 anos de idade, apenas 26% recebiam remuneração enquanto as demais não a recebiam. Já no grupo de 14 a 17 anos, 78,2% recebiam remuneração, enquanto os demais não.
A agricultura era a principal atividade das crianças trabalhadoras de 5 a 13 anos, concentrando 47,6% delas. Já para os ocupados de 14 a 17 anos, a principal atividade era o comércio, com 27,2% deles. Além disso, enquanto 66% do grupo de 14 a 17 estavam ocupados na condição de empregado, 73% das crianças de 5 a 13 anos ocupadas eram trabalhadores familiares auxiliares.
Dentre os ocupados de 14 e 15 anos de idade na posição de empregado, 89,5% não tinham carteira de trabalho assinada. Entre os jovens empregados de 16 e 17 anos, o percentual dos que tinham registro em carteira foi de 29,2% em 2016, os demais não eram registrados.
O rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos pelas pessoas de 5 a 17 anos de idade, ocupadas na semana de referência, com rendimento de trabalho em 2016, foi estimado em R$ 514.
A região com maior proporção de trabalho infantil entre as crianças de 5 a 13 anos de idade foi a Norte, com nível de ocupação deste grupo de 1,5% (aproximadamente 47 mil), seguida pelo Nordeste, com 1% (cerca de 79 mil). Já o trabalho entre os adolescentes de 14 a 17 anos foi proporcionalmente maior na região Sul, com 16,6% no nível de ocupação.
Do total de crianças e adolescentes que estavam no mercado de trabalho em 2016, 34,7% eram mulheres e 65,3% eram homens.
Da Agência Brasil
Vergonha para o Brasil
Luiz Cláudio Cunha
A Itália faz o que o Brasil nunca fez: botou no banco dos réus os militares brasileiros envolvidos com a Operação Condor, a multinacional repressiva que nos anos 1970 coordenou a caçada a dissidentes no Cone Sul do continente, dominado na época pelos generais das ditaduras que assolavam a região.
Nesta quarta-feira, 29, o papel criminoso do Brasil, membro ilustre da Condor, estará sob investigação na Itália, na sala principal da 1a Corte Penal do Tribunal de Roma, que julga três coronéis do Exército brasileiro e um delegado do DOPS envolvidos no desaparecimento de um argentino, Lorenzo Viñas, sequestrado e desaparecido em solo brasileiro desde 1980.
Caçado como militante do movimento guerrilheiro Montoneros, Viñas decidiu sair da Argentina e procurar a segurança de um país europeu. Embarcou em um ônibus em Buenos Aires com destino ao Rio de Janeiro, onde aguardaria a mulher, Cláudia Allegrini, para juntos viajarem à Europa sob a proteção do Alto Comissariados das Nações Unidas (ACNUR). Em 26 de junho, o ônibus atravessou a fronteira de Paso de Los Libres com a cidade gaúcha de Uruguaiana – e ali Viñas desapareceu, aos 25 anos. Tornou-se uma das vítimas sem destino final da Condor, que coordenava a caça, prisão, tortura e morte de dissidentes em todas as fronteiras do Cone Sul.
O time verde-amarelo
No Natal de 2007, quase três décadas após a queda da ditadura do chileno Augusto Pinochet, onde nasceu a Condor, a juíza Luisanna Figliola, do Tribunal Penal de Roma, expediu uma ordem internacional de prisão contra 146 ex-governantes e agentes públicos das ditaduras camaradas do sul do continente. Em sua maioria, eram militares de alta hierarquia, além de policiais e alguns civis, acusados pela detenção ilegal, tortura, morte e desaparecimento de 25 pessoas, italianos ou seus descendentes. Viñas, com pais italianos, era um deles.
Na penca de denunciados, os bandos maiores eram de argentinos (61), uruguaios (32), chilenos (22) e brasileiros (13). O time verde-amarelo de brutamontes era formado por seis generais, quatro coronéis, dois policiais federais e um policial do DOPS. A mão pesada da juíza Figliola atendia a um pedido do procurador-geral da República italiana, Giancarlo Capaldo, que preenchia o renitente vazio de justiça dos países sul-americanos pós-ditadura: “Esse processo nasceu na Itália porque os países unidos em torno da Operação Condor decidiram não abrir investigações sobre o assunto. Queremos evitar a impunidade, para que operações como essa não tornem a acontecer”, justificou Capaldo.
O único fracasso da Condor
O calendário e a inércia livraram os brasileiros do tacão da justiça italiana. Do bando dos 13, dez dos denunciados em Roma já morreram. Entre eles, os quatro mais graduados: João Baptista Figueiredo (o último general-presidente dos cinco da ditadura), Walter Pires (ministro do Exército de Figueiredo), Octávio Aguiar de Medeiros (chefe do SNI) e Antônio Bandeira (ex-comandante do III Exército, em Porto Alegre).
Dos 13, pelo menos dez tiveram algum tipo de envolvimento em alguma etapa do sequestro dos uruguaios Universindo Díaz, Lilián Celiberti e seus dois filhos, na capital gaúcha, em novembro de 1978. Um inédito fracasso da Condor que teve repercussão internacional, quando a operação foi flagrada pela aparição de dois repórteres da sucursal da revista Veja em Porto Alegre, que denunciaram o caso e o envolvimento do DOPS gaúcho na ação binacional da Condor brasileiro-uruguaia.
O diretor do DOPS, na ocasião, era o delegado gaúcho Marco Aurélio Reis, chefe do notório delegado Pedro Seelig, que comandou o sequestro dos uruguaios. Reis, um dos 13 denunciados em Roma, também escapou do juízo italiano ao morrer em junho de 2016, gozando as delícias de uma serena impunidade em uma praia do litoral gaúcho.
Os outros três brasileiros denunciados em Roma, todos coronéis do Exército e também gaúchos, são os únicos sobreviventes da lista original. São o cel. João Osvaldo Leivas (secretário de Segurança do Rio Grande do Sul quando Viñas foi sequestrado em Uruguaiana), o cel. Áttila Rohrsetzer (o temido diretor da DCI, Divisão Central de Informações, que fazia a ligação entre o DOPS e a repressão do III Exército) e o cel. Carlos Alberto Ponzi (chefe da Agência de Porto Alegre do SNI).
O brasileiro que não esquece
A lista original da Condor denunciada em Roma era originalmente maior. Tinha quase 200 autoridades. O quórum foi baixando ao se constatar que o rigor do tempo e a pena de morte natural já havia executado alguns dos futuros denunciados. O rol de brasileiros só chegou lá graças ao empenho de um gaúcho teimoso, incansável, dono de uma respeitável cabeleira branca, Jair Krischke. Aos 78 anos, casado, cinco filhos, Krischke é o mais respeitado ativista de direitos humanos do país, na condição de presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) que ele fundou em Porto Alegre, um ano após o sequestro de Lilián e Universindo.
Depois de ouvir o testemunho de Krischke em Roma, o procurador Capaldo decidiu ampliar sua lista com os brasileiros, a partir dos nomes, postos, datas e conexões fornecidas pelo ativista de Porto Alegre.
Foram suas informações que incluíram o caso de Vinãs entre as vítimas, além de outro ítalo-argentino, Horácio Domingo Campiglia, um líder Montonero sequestrado no aeroporto do Galeão, com o beneplácito da Aeronáutica brasileira, em março de 1980. Alheio à soberania nacional, o governo do general Figueiredo liberou o pouso e decolagem na base aérea do Rio de um Hércules C-130, levando a bordo um comando do Batalhão 601, a tropa de elite que operava como o braço longo da Condor argentina no exterior. Campiglia e sua companheira, Susana de Binstock, também Montonera, foram levadas a Buenos Aires, sem deixar rastros. Foram vistos ainda com vida em El Campito, o centro clandestino de detenção — um dos 600 da ditadura argentina — de Campo de Mayo, o maior quartel do país, onde sucumbiram às torturas e desapareceram para sempre.
Krischke irá contar essas histórias às 10h da manhã desta quarta-feira, 29, no tribunal de Roma. Por vídeo-conferência, vão depor a viúva de Viñas, Cláudia, e a militante Montonera Sílvia Tolchinsky, sequestrada na cidade de Las Cuevas, na fronteira da Argentina com o Chile. Ela é autora de uma cara enviada a Cláudia, anos depois, contando ter encontrado Viñas, ainda vivo, em uma prisão clandestina do país.
São horrores que já não fazem parte da agenda das autoridades brasileiras. Mas, ainda preocupam a atenta Justiça italiana.
Afinal, há juízes em Roma.Caiu na rede é bolsa
Texto: Amanda Zarth, Isabella Mércio e Júlia Krentkoski
Foto: Amanda Zarth e Isabella Mércio
Agência J de Reportagem | Famecos/PUCRS
Pescaria lembra peixe. Lembra pescadores, redes e varas de pescar. Faz lembrar barcos, anzóis, iscas, lagoas e rios. Mas quem diria que pescaria poderia lembrar brincos? Colares? Bolsas? Echarpes, chapéus, carteiras, almofadas…? Esses são os produtos feitos pelas redeiras, grupo de artesãs da Colônia Z-3 de Pelotas, com restos de materiais da pesca local.
Cada rede de pescar camarão é usada pelo pescador por mais ou menos cinco safras, período no qual ela fica na água e no sol por várias horas, sofrendo desgaste e danos. Quando chegam em um estado que não vale mais a pena serem consertadas, Jair Soares, 48 anos, e outros pescadores da região jogam as redes nos fundos da casa, na rua ou até mesmo na beira da praia. Assim, por muitos anos, ao passear pela Colônia, era possível encontrar elas enroscadas, lonas descartadas pelo caminho e couro e escamas dos peixes jogados no lixo. Mas o cenário mudou quando sua esposa, Karine Soares, 43 anos, junto com outras mulheres da Colônia resolveram recolher esses restos.
Início da produção de uma bolsa com rede de pesca
A partir da iniciativa delas, depois de coletadas e limpas, as redes se transformam em bolsas charmosas, carteiras e necessaires, tecidas no tear. O couro dos peixes da região, como corvina, tainha, cascuda e linguado, vira tecido para bolsas criativas, chaveiros e detalhes de outros acessórios e as escamas de peixe se tornam delicadas biojóias: Colares, pulseiras e brincos que misturam escamas e prata, aliando criatividade à elegância. A produção não é fácil. Para poderem utilizar o material, Karine e suas colegas primeiro precisam limpá-lo. “Às vezes leva mais de um mês pra deixar a rede limpa”, explicam.
As últimas safras de pesca de camarão foram ruins por causa da chuva, e o descarte de redes diminuiu. Assim, surgiu uma escassez de material que levou as redeiras a buscarem uma parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Elas pediram para utilizar em seu artesanato as redes que foram apreendidas e iriam ser queimadas. Além das artesãs receberem material para produção de seus acessórios, esse acordo foi uma oportunidade do instituto reutilizar as redes recolhidas pelo país em uma ação que ajuda o meio ambiente.
Redes de pesca utilizadas na confecção de artesanatos
O apoio do Ibama foi imediato, tanto que já doaram para as artesãs várias peças que não seriam mais usadas. Em 2015, foram mais de oito quilômetros de redes reaproveitadas. Hoje, o Ibama é o principal fornecedor dos materiais que as redeiras usam em seus produtos. Após acordo de que elas não iriam deixar esses materiais velhos voltarem a ser utilizados para pesca, ganharam apoio e incentivo para irem mais longe. A demanda pelos produtos aumentou, assim como o trabalho das nove mulheres da comunidade.
Entretanto, o primeiro ano sem a safra de camarão chegou. Em seguida, o segundo. O terceiro. O trabalho delas começou a ser o responsável por pagar as contas, e esse é o cenário em 2016. O que começou como um hobby se transformou em um grande negócio. O que era resto e material poluente hoje significa renda e trabalho. O que era lixo se transformou em moda sustentável. O que era passatempo se tornou a principal renda de nove famílias da Z-3. Vizinhas, amigas e primas se tornaram as redeiras de Pelotas.
Elas mudaram a fonte de renda
Em meio às vielas da Colônia Z-3, está uma casa amarela onde vive Mariângela Motta Lima, mais conhecida como Zuca (58), que cede o espaço para o encontro com as outras oito redeiras. A unha da mão laranja denuncia o uso de produto para inflamação, certamente aplicado para curar algum acidente de trabalho. As demais unhas, do pé e da mão, são pintadas e bem cuidadas. Assim se comporta a maioria das artesãs do grupo. Mulheres de pescadores que dependiam da safra de camarão e da pesca para sobreviver. Ajudavam os maridos no que podiam, mas acabavam sentindo falta de uma atividade.
Zuca coordena encontros e produção do grupo
Após notar esse comportamento, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS) iniciou uma oficina de artesanato na colônia. A oficina mudou a vida daquelas mulheres. Quem não sabia como segurar uma agulha, acabou costurando. Quem já tinha alguma afinidade, apaixonou-se. Assim se deu o início da associação Pescando Arte que mais tarde se transformou no que são hoje as redeiras. O grupo iniciou o trabalho utilizando escamas e couro de peixe, mas logo começaram a criar os produtos com o material que as deixariam conhecidas pelo Brasil inteiro, a rede de pesca.
“A gente já passou por tanta coisa na vida. Achamos que ia ser mais uma canoa furada”, desabafa Zuca. No início do projeto poucos acreditavam que poderia dar certo. Nem os moradores da Colônia, nem a família das artesãs e, principalmente, elas mesmas. Começaram vendendo em feiras de artesanato em 2010 e tinham vergonha de dizer o preço dos produtos, pois achavam muito caro.
Hoje, o trabalho das redeiras se tornou essencial para a renda familiar, ganhando muitas vezes mais do que os maridos arrecadam com a pesca. A atividade deles depende de ciclos, diferentemente das artesãs, que, apesar de dependerem dos subprodutos, recolhem o material e armazenam em estoque para manter constante a produção. “Agora é comum, mas antes era bem difícil ouvir os elogios. A gente não acreditava, ficava sem jeito. Quando perguntamos sobre como as pessoas viam as redeiras antes? Não viam. Ninguém acreditava”, conta Karine Santos, a porta voz do grupo.
Além das redes de pesca de camarão, as redeiras utilizam escamas de peixe como obra prima para fazer brincos, colares e pulseiras para venda
Mas Zuca e Karine não estavam sozinhas. Diva Francisca da Rosa (60), Vilma Palins de Souza (75), Adriana Xavier Sabino (42), Eliani Ayres Ferreira (59), Viviane Ramos (40), Flávia Silveira Pinto (42) e Ana Elizabeth Pedrozo Portela (64) contaram com a ajuda de Rosani Schiller, Nica. A consultora do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) foi a grande incentivadora do trabalho e, mesmo após o rompimento do contrato da empresa com o grupo, seguiu auxiliando voluntariamente.
Diva é a dona da agulha. Dali, as redes, após passarem pelo processo e finalmente estarem prontas para serem trabalhadas, se transformam em echarpes. Flávia e Karine são as principais responsáveis pelo tear. Todas acabam fazendo um pouco de tudo, mas há aquela clássica preferência. Karine, por exemplo, não gosta de costurar. Zuca fica com as escamas. Cada artesã parece criar uma relação íntima e única com o seu produto de trabalho. É sensível o toque, a maneira como falam e manuseiam. Muito porque participam de todo o processo. As famílias ajudam. Tias, primas, sobrinhas e, inclusive, os maridos.
Margem da Lagoa dos Patos é local de acúmulo de lixo e redes de pesca
Como fazem acontecer
Após as oficinas oferecidas pela Emater, em 2008, Karine Faccin, consultora de design e artesanato brasileiro pelo Sebrae, chegou à Z-3. Depois de passar um dia na região em busca de matérias-primas e em contato com as técnicas do grupo, percebeu que havia uma “montanha de redes” ao lado das casas dos pescadores e perguntou: “O que se faz com isso?”. A partir daí, o material que não era muito utilizado pelas artesãs, virou o maior diferencial das redeiras.
Hoje, quem pensa os produtos são elas próprias. As mesmas que antes pouco acreditavam no potencial de seu trabalho. Agora criam, arriscam e erram até acertar. Idealizam cada peça baseando-se em seus gostos. Por saberem que nem tudo o que consideram bonito agrada ao público, fazem da loja Artesanato da Costa Doce, no Mercado Central de Pelotas, um “termômetro”. Se o produto vende, elas seguem produzindo. “Mas, se não vende, partimos para outra”, revelam.
Com tanto esforço, as vendas já cruzam fronteiras e estão em lojas de São Paulo, Pará, do Nordeste, entre outros Estados. Em 2017, a produção aumentou tanto que as redeiras precisaram terceirizar o trabalho de lavagem e recorte das redes. A clientela mais fiel são os lojistas que acreditam no trabalho e levam os produtos para várias cidades do país. O reconhecimento também é internacional, por dois anos, as redeiras mandaram produtos para a França. “Foram mais ou menos 11 remessas, com 200 produtos em cada”, contam orgulhosas.
Em um ambiente cheio de tagarelices, o silêncio surge quando questionadas sobre a moda no seu trabalho. “Moda é estilo”, responde Karine. E Zuca continua: “é um jeito de ser, cada um tem o seu”. Para Karine Faccin, as redeiras fazem moda contemporânea. “Algumas peças têm seis anos, mas continuam atuais”, afirma.
Tendência ou não, cada acessório é único e costuma maravilhar todos aqueles que conhecem a marca. Zuca, remexendo as escamas nas mãos, se diverte contando que, quando elas dizem do que o produto é feito, “a primeira coisa que a cliente faz é cheirar”. Depois disso, vem a percepção da qualidade e da dedicação depositada em cada acessório. Todo esse processo de conquista da forma àquilo que mais orgulha cada uma das nove artesãs, a identidade das redeiras.
Onde comprar
Espaço Sebrae
Mercado Público – QD1 Lojas 2, 4 e 144
Centro Histórico
Porto Alegre, RS
Telefone: 051 3286-1623
Horário de funcionamento: Segunda a sábado, das 10h às 19h
Domingos das 14h às 19h
Histórias na Garagem
Rua Félix da Cunha, 1.167
Moinhos de Vento
Porto Alegre, RS
Telefone: 051 3237-2353
Horário de funcionamento: Segunda a sexta, das 7h30 às 19h30
Sábados das 7h30 às 18h30
Artesanato da Costa Doce
Mercado Central
Praça Coronel Pedro Osório – Banca 43
Centro
Pelotas, RS
Telefone: 053 8121-5596
Horário de funcionamento: Segunda a sábado, das 9h às 19h
Não abre aos domingosItália julga militares brasileiros acusados de assassinato na ditadura
A Corte de Roma, na Itália, vai retomar, nesta quarta-feira (29), o julgamento dos três militares brasileiros acusados de matar o ítalo-argentino Lorenzo Vinãs Gigli, durante os anos da Operação Condor. O crime ocorreu em junho de 1980, quando a vítima tentava cruzar a fronteira da Argentina com o Brasil.
Vinãs sofria perseguição política e tinha a intenção de chegar ao Rio de Janeiro e, então, partir para a Itália, mas acabou sequestrado. O quarto acusado, ex-delegado Marco Aurélio da Silva, morreu em julho do ano passado.
Os militares foram processados à revelia, na Itália. São eles os coronéis João Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi e Áttila Rohrsetzer.
A audiência será às 10h e serão chamados para depor o brasileiro Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, de Porto Alegre, a viúva de Viñas, Claudia Olga Allegrini, e a militante Montonera Silvia Tolchinsky, sequestrada na cidade de Las Cuevas, na fronteira da Argentina com o Chile.
Sumiço
Lorenzo Vinãs era militante da organização Motoneros, que lutava contra a ditadura na Argentina. Ele chegou a ser preso em 1974. Junto com a mulher, decidiu ir para a Itália. Em junho de 1980, o ítalo-argentino saiu de ônibus de Buenos Aires, com destino ao Rio de Janeiro, para, depois, partir para a Europa. No entanto, durante a travessia, na fronteira com o Brasil, ele sumiu, na cidade gaúcha de Uruguaiana.
De acordo com a denúncia do Ministério Público italiano, na época que Binãs foi sequestrado, Leivas Job era secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, Ponzi chefiava a agência do SNI em Porto Alegre, Rohrsetzer era o diretor da Divisão Central de Informações (DCI) do Rio Grande do Sul e Silva, delegado de polícia, exercia o cargo de diretor do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) gaúcho.
Atualmente, Rohrsetzer mora em Florianópolis e os também coronéis Leivas Job e Ponzi vivem em Porto Alegre. Marco Aurélio da Silva, até sua morte, morava em uma praia do litoral gaúcho.
A Operação Condor era uma rede de repressão política e troca de prisioneiros. Era formada pelos serviços de inteligência das ditaduras da Argentina, Brasil, Paraguai, Bolívia e Uruguai. A operação existiu durante as décadas de 1970 e 1980.
Na Itália o réu pode ser processado à revelia, mas o processo pode ser aberto só se as vítimas, ou os acusados, tiverem dupla cidadania, uma delas sendo italiana. O processo “Condor” visa julgar 33 ex-militares e políticos latino-americanos por crimes contra 22 vítimas. Por motivos burocráticos, em fevereiro do ano passado os juízes decidiram que, para os brasileiros, seria feito um julgamento paralelo.
As investigações começaram em 1998 com a denúncia de parentes de vítimas ítalo latino-americanas. Em 2005, o Ministério Público Giancarlo Capaldo apresentou uma primeira lista de indiciados – um total de 140 militares e políticos de toda a América Latina. Para reunir os documentos, foi necessária a colaboração dos países de residência dos réus. Por este motivo entre os acusados estão bolivianos, chilenos, peruanos, uruguaios e brasileiros, mas não há nenhum argentino, já que o país não enviou a documentação.Empresa social já empregou 300 refugiados em São Paulo
A empresa social Planisfério, coordenada pela publicitária Luciana Maltchik Capobianco, inseriu por meio do seu Projeto ESTOU REFUGIADO, mais de 300 refugiados no mercado formal de trabalho em São Paulo, nos últimos 2 anos. “Um número gratificante, pois não queremos fazer doações, queremos que o refugiado tenha garantido seu direito básico ao trabalho e ao emprego para poder sustentar sua família com dignidade”, declara.
Trata-se de um dos maiores resultados quando se fala em colocação de mão-de-obra por ONGs ou empresas sociais. E esses números só foram possíveis com muito trabalho e criativas campanhas desenvolvidas pela agência da publicitária, que investiu em mídias sociais, folders, vídeos e até uma máquina de currículos, que funciona com um totem interativo. A máquina distribuiu milhares de currículos para que o sorteado tenha o compromisso de tentar ajudar a colocar a pessoa do curriculum em um emprego. Já percorreu espaços como o MIS e o Itaú Cultural. E procura outros locais públicos de grande circulação.
Descendente de refugiados judeus, Luciana vivenciou o sofrimento na própria família
Descendente de judeus romenos, que fugiram por causa da perseguição, Luciana e uma amiga resolveram abraçar uma causa humanitária para doar tempo e expertise e escolheram a causa dos refugiados. “Isso aconteceu há 2 anos, quando a situação de deslocamento de pessoas no mundo, vítimas de barbáries e guerra, estava se tornando caótica e sem volta”, relembra Maltchik.
De acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), o número total de solicitações de refúgio aumentou mais de 2.868% entre 2010 e 2015 quando saltou de 986 solicitações para 28.670.
O cenário comoveu Luciana e a qualificação profissional dessas pessoas atraiu a atenção dela. São economistas, contadores, empresários, com dificuldades para se estabilizar no país. “Eu percebi que tinha muito preconceito, muita xenofobia. Na época, ouvia muitos questionamentos do tipo “será que ele é do bem?” só por causa da religião ou porque uma mulher usava o véu islâmico. Tinha muito racismo também. Então surgiu uma vontade de ajudar essas pessoas”. Luciana achou que era o momento de dar voz, visibilidade e dignidade a essas pessoas e idealizou e implantou o Projeto ESTOU REFUGIADO.
O projeto promove e estimula a divulgação de valores, ideias, propostas e conteúdos voltados à compreensão do problema dos refugiados no mundo, combatendo o preconceito e estimulando um processo de aceitação do outro na sociedade.
Também desenvolve ações concretas de ajuda na busca de empregos e a criação de novos negócios para o refugiado. Todas as semanas são publicados conteúdos nas mídias sociais como vídeos divulgando campanhas contra o preconceito, depoimentos de refugiados contratados e seus empregadores, videocurrículos em que os próprios refugiados apresentam suas qualificações profissionais e reportagens sobre as ações do projeto.
Ações e experimento social
Uma das primeiras ações de impacto que o projeto desenvolveu foi um experimento social que usou o app de encontros Tinder para medir o nível de preconceito na nossa sociedade. Foram criados dois perfis para o mesmo refugiado. Um apresento-o como estrangeiro, com formação superior, radicado no Brasil, interessado em conhecer brasileiras. E o outro, como refugiado propriamente dito, embora com as mesmas características do primeiro perfil.
O primeiro perfil atraiu cerca de 30 mulheres enquanto o segundo apenas 2. As reações aos perfis foram transformadas em vídeo no Youtube e também na home do website estourefugiado.com.br e levantou a questão do preconceito .
Os resultados dessa primeira ação foram extraordinários. Antes mesmo de sugerir qualquer ação, o projeto recebeu 40 ofertas espontâneas de emprego.
Luciana não recebe ajuda financeira de nenhuma instituição humanitária e custeia o projeto com recursos da empresa social. Para colocar os refugiados em empregos, Luciana tem contado com a participação de importantes empresas como a GM, o Grupo Accor (Ibis), a Pepsico, a Gradual Investimentos entre outras. “O empresário tem uma função importantíssima, pois estar empregado é vital para que o refugiado possa se reintegrar à sociedade, sair dos abrigos e resgatar sua dignidade”, relata.
Mas ela aponta a falta de recursos, a falta de ofertas de trabalho, principalmente ofertas qualificadas, a questão da língua e da validação dos diplomas como grandes desafios ao projeto.
Empresa social Planisfério / Contatos pelo telefone: 3063-5692
E-mail : contato@estourefugiado.com.br





