Autor: da Redação

  • Papel da Zoobotânica é insubstituível, diz parecer técnico do Instituto de Biociências da UFRGS

    cleber dioni tentardini
    Professores e pesquisadores dos Institutos de Biociências e de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgaram um Parecer Técnico endereçado ao presidente do Tribunal de Contas do Estado, Marco Peixoto, e aos demais conselheiros do TCE, em defesa da Fundação Zoobotânica.
    O TCE está julgando uma representação do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo Da Camino, que questiona a Lei sobre as extinções e solicita que os processos sejam suspensos.
    O processo envolve as fundações Zoobotânica (FZB), e ainda de Ciência e Tecnologia (Cientec), de Economia e Estatística (FEE), Piratini, de Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) e de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan).
    O julgamento da ação iniciou em 6 de setembro e o primeiro voto, do relator, o conselheiro Cezar Miola, foi favorável ao pleito do procurador Da Camino. Mas a sessão foi suspensa devido aos pedidos de vistas do processo feito pelos conselheiros Pedro Henrique Figueiredo e Estilac Xavier. Não há um prazo para a retomada do julgamento.
    No documento, entregue nesta segunda, 16/10, ao TCE, os pesquisadores do Instituto de Biociências manifestam completo desacordo com a extinção da Fundação Zoobotânica, incluindo a redistribuição de suas funções e demissão de todos seus técnicos. Baseiam-se na avaliação técnica e objetiva dos irreparáveis prejuízos que a consumação desse ato trará para a ciência, educação, documentação, gestão e conservação da biodiversidade gaúcha.
    “As irreparáveis perdas que a extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul imputará à sociedade, especialmente diante do insignificante impacto financeiro resultante, demandam um imediato apelo à racionalidade. Não se conhece iniciativa semelhante em nenhum país do mundo desenvolvido, mesmo naqueles em que se tenha implementado políticas de austeridade em reação à atual crise econômica mundial. Entendemos ser absolutamente necessário reconsiderar tal decisão que julgamos precipitada e inadequada, fruto de amplo desconhecimento das atribuições legais, da relevância, complexidade e dimensão do patrimônio e dos serviços prestados pela Fundação Zoobotânica”, diz parte do documento.
    Assinam a Carta Aberta a diretora, Clarice Bernhardt Fialho, e o vice-diretor Luiz Roberto Malabarba, e outros 48 professores do Instituto de Biociências da UFRGS.
    Leia a íntegra do documento:
    CARTA ABERTA AO PRESIDENTE E CONSELHEIROS DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E À COMUNIDADE GAÚCHA
    Parecer técnico sobre a extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
    Excelentíssimos Senhores,
    Nós, professores e pesquisadores dos Institutos de Biociências e de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vemos com extrema preocupação o desenrolar do processo proposto de extinção de fundações estaduais gaúchas e em especial da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZBRS).
    Esse processo vem acompanhado de uma evidente falta de informações por parte do público geral e da imprensa, agravado pela divulgação de informações equivocadas acerca das funções e importância dessa instituição para o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Sul.
    Tendo em vista que a recente aprovação do PL 246/2016 pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul permite a extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, incluídos a redistribuição de suas funções e demissão de todos seus técnicos, manifestamos nosso completo desacordo com essa decisão, baseados na avaliação técnica e objetiva dos irreparáveis prejuízos que a consumação desse ato trará para a ciência, educação, documentação, gestão e conservação da biodiversidade gaúcha.
    Na condição de parceira de longa data da FZBRS em atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, ou seja, em todo seu espectro de atuação institucional, nossa Universidade acumulou profundo conhecimento acerca da importância e alcance das competências da Fundação para nosso Estado. Tendo em vista as declarações de membros do Executivo gaúcho sobre a destinação de parte das funções da FZBRS para as Universidades ou para a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA), somos obrigados a manifestar nossa avaliação sobre a viabilidade e as reais consequências da extinção da FZBRS, especialmente no que concerne à perda de seu corpo técnico especializado e à conservação de seu inestimável patrimônio científico.
    A FZBRS desempenha inúmeras funções de extrema relevância para a gestão pública do Estado do Rio Grande do Sul que, em seu conjunto, dão respaldo técnico altamente especializado e qualificado para a tomada de decisões dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no âmbito das questões ambientais que impactam diretamente os interesses de nosso Estado.
    A proteção da qualidade ambiental do Rio Grande do Sul, incluindo a conservação de sua fauna e flora, que é do interesse de toda a sociedade e está prevista em nossa constituição, depende de conhecimento técnico e bases de dados altamente especializados.
    O poder público não pode prescindir dessa capacidade técnica em seus quadros, pois assume o risco de tomar decisões que venham a lesar o patrimônio ambiental do Estado, uma vez que não possui tais habilitações em nenhum outro setor.
    O papel da FZBRS nesse sentido é inestimável e insubstituível, não havendo hoje nenhum setor da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA) ou outro órgão do Estado com capacidade de assimilar essas funções. O próprio corpo técnico da SEMA expressou essa realidade em carta pública. O prejuízo técnico que resultaria da efetivação da extinção da FZBRS seria incalculável.
    Complementarmente, a possibilidade de assimilação dessa função de assessoramento do Estado por outros órgãos, instituições ou mesmo entidades não-públicas, não é realista, sendo inviável no curto ou médio prazos. Mais grave ainda seria a perda da autonomia e qualidade técnicas, da isenção, da idoneidade e do compromisso público dos serviços prestados pela FZBRS, caso estes fossem delegados a entidades ou consultorias privadas. Essas questões relacionadas à insubstituibilidade de suas funções essenciais, são, ao nosso ver, um impeditivo intransponível para a extinção da FZBRS, uma vez que o governo não tem como transferir ou assumir tais funções.
    Dentre as atribuições altamente próprias da FZBRS, merece destaque a coordenação e atuação técnica ativa de seus especialistas na elaboração das listas de espécies da fauna e flora ameaçadas no Estado do Rio Grande do Sul. Ainda que o processo de avaliação conte com expressivo apoio técnico da comunidade acadêmica, a FZBRS tem sido a instituição coordenadora desse processo. Essa coordenação somente é possível graças à alta qualificação de seu corpo técnico, formado por vários especialistas em biodiversidade, que detém bases de dados atualizadas e dinâmicas, e conhecimento para orientar todo o processo. A SEMA não possui qualificação técnica para assimilar tais funções, dependendo para tanto do corpo de especialistas da FZBRS.
    Contudo, uma das mais relevantes e insubstituíveis funções desempenhadas pela FZBRS é a manutenção de seus grandes acervos com amostras da biodiversidade, atual e fóssil, em suas várias coleções científicas. Paradoxalmente, essa é uma de suas funções mais importantes e, ao mesmo tempo, a menos conhecida.
    A sociedade em geral desconhece a importância das coleções científicas, uma vez que apenas tem acesso direto a uma pequena parcela dos acervos que são eventualmente expostos em museus: isso promove uma incorreta, ainda que generalizada, impressão de que a importância dos museus se limita apenas a sua exposição. Na verdade, a parcela mais importante dos acervos é aquela guardada por curadores especializados e que serve de testemunho de nossa biodiversidade. Esse acervo, ao contrário daquele exibido em exposições, é elemento essencial ao avanço das ciências da biodiversidade, sendo regularmente utilizado por pesquisadores do Brasil e exterior que visitam a FZBRS, ou eventualmente recebem os exemplares por empréstimo via intercâmbio científico.
    Esses acervos contêm testemunhos insubstituíveis de incontáveis estudos e publicações produzidos ao longo de décadas, pois seus autores depositaram sua confiança na solidez de uma instituição pública histórica, como é o Museu de Ciências Naturais da FZBRS.
    É virtualmente impossível quantificar com precisão, dada sua magnitude, o prejuízo que a descontinuidade dessa curadoria traria para as ciências da biodiversidade, não apenas em nosso Estado, mas em escala global. Neste sentido, a extinção da FZBRS fere de morte a ética científica e a confiança depositada por pesquisadores, coletores, colaboradores, patrocinadores e instituições de fomento que contribuíram para a formação desse acervo público.
    Não cremos ser aceitável o Estado extinguir ou mesmo alienar essa responsabilidade assumida ao longo de tantas décadas. Seria o mesmo que dizer que o Estado do Rio Grande do Sul é inepto para a Ciência e que o patrimônio científico acumulado pelo árduo trabalho de muitas gerações pudesse ser simplesmente descartado.
    A FZBRS é indispensável ao Estado do Rio Grande do Sul para cumprir seu dever de zelar por este patrimônio, do qual é fiel depositário perante a União e toda a sociedade. É fundamental destacar que nosso Código Estadual do Meio Ambiente determina que “Compete ao Poder Público em relação à fauna silvestre do Estado: (…) manter coleções científicas museológicas e “in vivo” de animais representativos da fauna silvestre regional, assim como proporcionar condições de pesquisa e divulgação dos resultados da mesma sobre este acervo”.
    A sociedade pode desconhecer parte da relevância dos acervos científicos da FZBRS, mas o Estado legalmente não pode.
    O conjunto das coleções científicas do Museu de Ciências Naturais (MCN) o qualifica como um dos maiores e mais importantes do Brasil e da América Latina. O Museu conta com mais de 600.000 lotes/espécimes, distribuídos em 58 coleções, contendo exemplares coletados desde o final do século XIX. As coleções científicas e de exposição do MCN estão armazenadas em 15 salas climatizadas e tecnicamente equipadas, que em conjunto ocupam uma área de 1.300 m². De grande e insubstituível importância para a Ciência mundial, merecem destaque os 2.883 espécimes-tipo, utilizados em descrições originais de espécies novas de vários grupos da fauna e flora. Esses exemplares são patrimônio da humanidade e sua manutenção é fundamental para a estabilidade da nomenclatura e contínuo processo de descrição de nossa biodiversidade.
    As coleções científicas do Museu de Ciências Naturais da FZBRS constituem o maior acervo de material-testemunho da biodiversidade dos ecossistemas terrestres e aquáticos do RS, além de ser, em seu conjunto, a mais representativa do Bioma Pampa. Desde 2002, por meio da Deliberação nº 5 do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) do Ministério do Meio Ambiente, o MCN foi credenciado como instituição Fiel Depositária de Componentes do Patrimônio Genético.
    No RS, o MCN é o único órgão Estadual detentor deste credenciamento. Para o credenciamento, é exigida uma série de requisitos (infraestrutura, equipamentos, corpo técnico qualificado, entre outros), habilitando a instituição a receber e conservar amostras do patrimônio genético brasileiro. Apenas instituições públicas nacionais de pesquisa e desenvolvimento podem ser fiéis depositárias de amostra de componente do patrimônio genético brasileiro.
    Algumas coleções do MCN destacam-se no cenário nacional no que se refere à representatividade de espécies e número de exemplares. A coleção de aranhas, por exemplo, é a segunda maior do Brasil em número de lotes, atrás apenas da coleção do Instituto Butantã. A coleção de moluscos representa a terceira maior do Brasil em número de lotes, e a coleção de répteis situa-se entre as dez maiores do país. Apesar do Rio Grande do Sul ocupar uma fração reduzida do território nacional, as coleções do MCN são numericamente expressivas.
    Além de seu valor científico, essas coleções apresentam um indiscutível valor histórico, não apenas por documentarem o trabalho de inúmeros pesquisadores ao longo de gerações, mas por incorporar importantes acervos de outras instituições. Ao longo de sua existência, o MCN (antes Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais) incorporou em seu acervo importantes coleções de exemplares da fauna do Rio Grande do Sul, da América do Sul e até de outros continentes. Alguns exemplos são: as coleções biológicas do Museu Júlio de Castilhos, tombadas pelo IPHAN; a coleção do Instituto Borges de Medeiros de insetos de importância agrícola; a coleção Eliseo Duarte de conchas de todos os continentes e oceanos; e a coleção Mabilde de borboletas da Grande Porto Alegre, que representa um testemunho único da fauna existente na região há mais de um século.
    Em 1989, o herbário do MCN recebeu, para incorporação em seu acervo, em torno de 50.000 exemplares de plantas vasculares do extinto Herbário da Secretaria da Agricultura do RS. A coleção de peixes recebeu material coletado durante as expedições oceanográficas da embarcação Pescal II no Sul do Brasil entre 1959 e 1964.
    Não menos importante que as coleções museológicas são as coleções “in vivo” mantidas pela FZBRS, como é o caso dos bancos de sementes e de plantas do Jardim Botânico e o serpentário do Museu de Ciências Naturais. O serpentário, por exemplo, cumpre papel insubstituível em nosso Estado, recebendo serpentes de todo o território gaúcho para identificação e destinação. Estas serpentes são mantidas em um biotério e têm viabilizado estudos importantíssimos para a melhoria na qualidade do soro antiofídico brasileiro. Não há outra instituição no Estado que mantenha acervos “in vivo” com a abrangência e magnitude das existentes na FZBRS.
    As coleções da FZBRS são fontes permanentes de consulta por pesquisadores e estudantes de pós-graduação, do país e do exterior, para fins de pesquisa científica. Como exemplo, o Herbário do MCN recebeu, apenas em 2016, 105 consultas presenciais ao seu acervo e quase 3 milhões de consultas via acesso eletrônico à Rede Herbário Virtual da Flora e dos Fungos do Brasil (SpeciesLink, http://www.splink.org.br/), plataforma que disponibiliza os dados das coleções botânicas brasileiras.
    Ainda a título de exemplo, somente em 2016, a coleção de Coleópteros (insetos) manteve intercâmbio de espécimes via empréstimo com as seguintes instituições de pesquisa: University of Nebraska, Museo de La Plata, Universidade Federal do Mato Grosso, Universidade de Viçosa, Smithsonian Institution, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Universidade Federal do Paraná e Universidade Federal de Viçosa. A coleção de Répteis, por sua vez, recebeu consultas de pesquisadores e alunos de 10 instituições do Brasil (Universidade de São Paulo, Museu Nacional do RJ, UFRGS, UFMG, UFSM, Universidade Estadual de Londrina, UNIJUI, PUCRS, UNISINOS, Museu Paraense Emílio Goeldi) e uma do exterior (CORBIDI – Peru).
    A coleção de fósseis do MCN, construída ao longo de décadas de trabalho dos curadores e técnicos do Museu, é basicamente formada por fósseis coletados em rochas do Rio Grande do Sul e rivaliza (senão supera), em termos de número de espécimes e infraestrutura, com as maiores coleções do Estado, hospedadas na UFRGS e na PUC/RS. Muitos dos espécimes ali tombados constituem-se em tipos de espécies extintas, os quais são objeto de interesse de vários pesquisadores ao redor do Globo e que tem na FZBRS a referência de localização e curadoria destes materiais. A partir desta coleção, dezenas de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado, sob a orientação dos curadores da coleção, já foram produzidas, as quais resultaram na publicação de inúmeros trabalhos científicos, revelando o papel da FZBRS na formação de recursos humanos qualificados nesta área.
    Cabe ressaltar que a ligação da FZBRS com o patrimônio fossilífero do Estado não decorre apenas de um interesse pessoal dos curadores e técnicos do MCN, mas sim atende a uma diretriz do próprio Estado, cujo Poder Legislativo reconheceu a importância cultural e científica deste patrimônio e legislou sobre o tema. A Lei Estadual Nº 11.738, DE 13 DE JANEIRO DE 2002 (atualizada até a Lei nº 11.837, de 04 de novembro de 2002), declara integrantes do patrimônio cultural do Estado os sítios paleontológicos localizados em municípios do Estado do Rio Grande do Sul. Segundo esta Lei, a FZB é designada como o principal órgão do Estado responsável pelo seu cumprimento e fiscalização nos seguintes artigos:
    Art. 3º – Fica a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul responsável pela administração dos sítios paleontológicos de que trata esta Lei (Incluído pela Lei nº 11.837/02).
    Art. 4º – A supervisão científica dos sítios paleontológicos localizados nos municípios referidos no artigo 1º que não forem de propriedade do Estado fica a cargo da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (Incluído pela Lei nº 11.837/02).
    Parágrafo único – Toda obra de qualquer natureza, inclusive remoção de rochas nos sítios paleontológicos de que trata este artigo, deverá ser submetida ao prévio licenciamento da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler – FEPAM -, bem como à consulta da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. (Incluído pela Lei nº 11.837/02).
    Todas estas tarefas, que requerem um conhecimento altamente especializado, são realizadas pelo corpo técnico do MCN, que constitui o único grupo de profissionais no Estado habilitado atualmente para desempenhá-las. Qualquer solução de continuidade neste processo pode vir a trazer prejuízos irreparáveis ao patrimônio fossilífero (portanto, científico e cultural) do Estado, com a perda e/ou destruição de espécimes únicos e, portanto, insubstituíveis.
    As coleções da FZBRS são indispensáveis para inúmeras pesquisas realizadas em nossa e em outras Universidades, em vários Programas de Pós-Graduação, motivo pelo qual temos clara e balizada convicção dos impactos que sua extinção trará à ciência no Rio Grande do Sul e mesmo do Brasil.
    Conhecendo mais detalhadamente a abrangência e a dimensão histórica e científica dos acervos da FZBRS, fica óbvia a qualificação e alta capacidade técnica do seu corpo de funcionários, admitidos por mérito em concursos públicos.
    Esta que é uma das maiores e mais importantes coleções brasileiras, possui em seus quadros cerca de 24 Analistas Biólogos Curadores, 10 Técnicos de Apoio, 25 Bolsistas de Iniciação Científica e quatro jardineiros. Este é um quadro altamente enxuto para dar conta de toda a tarefa de curadoria e pesquisa realizada na Instituição.
    Não há em nenhum outro setor do governo estadual, quadros minimamente capazes de substituir as funções do corpo técnico da FZBRS. Mais preocupante que isso, não há no Rio Grande do Sul, em nenhuma outra instituição pública ou privada de ensino e pesquisa, quadros de curadores com a quantidade, abrangência técnica e a exclusividade de dedicação necessárias para manter todos os acervos do Museu de Ciências Naturais e Jardim Botânico, que não seja o existente na própria FZBRS. Por conta dessa realidade, consideramos completamente descabida a proposta de demissão do corpo técnico, uma vez que não será possível para o Estado assumir de outra maneira a curadoria desse acervo.
    Os curadores detêm não só o conhecimento técnico do processo de manutenção, mas também o indissociável conhecimento da história de construção e utilização das coleções. Além disso, os curadores são, eles próprios, um elo fundamental da rede de conexões do acervo com seus usuários e as pesquisas em desenvolvimento.
    Por todo o exposto, consideramos inaceitável qualquer medida no sentido de extinguir, desmembrar ou alienar o enorme e inestimável acervo da FZBRS, bem como de demitir seu quadro de técnicos, especialmente dos curadores e técnicos de apoio, pois estes são a única garantia de perpetuação dos acervos.
    É imprescindível, especialmente para o poder judiciário, identificar todas as responsabilidades legais e éticas, assumidas pelo poder público como fiel depositário das coleções da FZBRS, para garantir que não seja proposta destinação alternativa ilegal, antiética e/ou inadequada para os acervos.
    As irreparáveis perdas que a extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul imputará à sociedade, especialmente diante do insignificante impacto financeiro resultante, demandam um imediato apelo à racionalidade.
    Não se conhece iniciativa semelhante em nenhum país do mundo desenvolvido, mesmo naqueles em que se tenha implementado políticas de austeridade em reação à atual crise econômica mundial.
    Entendemos ser absolutamente necessário reconsiderar tal decisão que julgamos precipitada e inadequada, fruto de amplo desconhecimento das atribuições legais, da relevância, complexidade e dimensão do patrimônio e dos serviços prestados pela Fundação Zoobotânica.
    Esperamos que nossa avaliação técnica contribua para dimensionar a extensão das irreparáveis consequências advindas da extinção da FZBRS. Caso concretizada, a extinção da Fundação Zoobotânica, representará o maior retrocesso científico, ambiental e cultural da história do Rio Grande do Sul.
    Sentimo-nos, portanto, obrigados, como especialistas e cidadãos, a emitir nossa avaliação técnica.
    Dra. Clarice Bernhardt Fialho, Diretora do Instituto de Biociências da UFRGS
    Dr. Luiz Roberto Malabarba, Vice-diretor do Instituto de Biociências da UFRGS
    Instituto de Biociências da UFRGS
    Departamento de Ecologia
    Prof. Dr. Andreas Kindel
    Profa. Dra. Luciane Oliveira Crossetti
    Prof. Dr. Demetrio Luis Guadagnin
    Profa. Dra. Sandra Hartz
    Profa. Dra. Teresinha Guerra
    Prof. Dr. Homero Dewes
    Profa. Dra. Mara da Silveira Benfato
    Departamento de Botânica
    Prof. Dr. João Ito Bergonci
    Prof. Dr. Paulo Brack
    Prof. Dr. João Fernando Prado
    Prof. Dr. Jorge Mariath
    Prof. Dr. Rinaldo Pires dos Santos
    Prof. Dr. Geraldo L.G. Soares
    Profa. Dra. Maria Cecilia de Chiara Moço
    Profa. Dra. Alexandra Antunes Mastroberti
    Prof. Dr. João André Jarenkow
    Prof. Dr. Gerhard Overbeck
    Prof. Dr. Rodrigo B. Singer
    Departamento de Genética
    Profa. Dra. Lavinia Schüler Faccini
    Prof. Dr. Aldo Mellender de Araújo
    Prof. Dr. Francisco M. Salzano
    Profa. Dra. Vera Lúcia S. Valente Gaiesky
    Prof. Dr. Roberto Giugliani
    Prof.Dr. Renato Zamora Flores
    Profa. Dra. Eliane Kaltchuk dos Santos
    Prof. Dra. Andreia Carina Turchetto Zolet
    Prof. Dr. Nelson Jurandi Rosa Fagundes
    Departamento de Zoologia
    Prof. Dr. Luiz Roberto Malabarba
    Profa. Dra. Clarice Fialho
    Prof. Dr. Márcio Borges Martins
    Profa. Dra. Laura Verrastro Viñas
    Profa. Dra. Paula Beatriz Araújo
    Profa. Dra. Helena Piccoli Romanowski
    Profa. Dra. Jocélia Grazia
    Prof. Dr. Luiz Alexandre Campos
    Profa. Dra. Maria João Ramos Pereira
    Profa. Dra. Carla Penna Ozorio
    Prof Dr. Ignacio Benites Moreno
    Instituto de Geociências da UFRGS
    Departamento de Geografia
    Prof. Dr. Jafferson Cardia Simões
    Prof. Dr. Roberto Verdum
    Departamento de Geologia
    Profa. Dra. Silvana Bressan Riffel
    Profa. Dra. Ruth Hinrichs
    Prof. Dr. Wolfgang Kalkreuth
    Departamento de Mineralogia e Petrologia
    Prof. Dr. Pedro Luiz Juchem
    Departamento de Paleontologia e Estratigrafia
    Prof. Dr. Cesar Leandro Schultz
    Prof. Dr. Rualdo Menegat
    Profa. Dra. Marina Bento Soares

  • Em nota, Prefeitura diz que pedido de impeachment de Marchezan "não tem sustentação"

    Nesta terça-feira, a Prefeitura de Porto Alegre se manifestou, através de nota, sobre o pedido de impeachment protocolado na última quarta-feira por dois representantes do Sindicato dos Taxistas. A Prefeitura defende que “o pedido não tem sustentação”.

    No pedido, os dois taxistas alegaram que o prefeito não cumpriu a lei 12 162, de 2016, sancionada em março pelo prefeito, e que obriga a prefeitura a cobrar a TGO (Taxa de Gerenciamento Operacional) e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), das empresas operadores de aplicativos e proprietários de veículos autorizados a prestar o serviço.

    Para a Prefeitura, o pedido “baseia-se na hipótese de renúncia de receita, o que não ocorreu por parte do Município”.

    Confira a íntegra da nota:
    A propósito da votação sobre a admissibilidade do processo de impeachment marcada para a próxima quarta-feira, 18, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre reafirma os seguintes aspectos sobre a regulamentação do serviço de transporte por aplicativo:
    – O pedido não tem sustentação, porque baseia-se na hipótese de renúncia de receita, o que não ocorreu por parte do Município;
    – A Taxa de Gerenciamento Operacional (TGO) foi regulamentada pelo Decreto 19.700/17, de março deste ano, e deveria ser cobrada depois de 180 dias da publicação deste decreto. Pela regra, o pagamento deveria ser realizado no décimo dia do mês imediatamente posterior ao mês referência, ou seja, 10 de outubro de 2017;
    – Em 10 de outubro último, a desembargadora Ana Paula Dalbosco, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), determinou a suspensão de 13 artigos da Lei n° 12.162/2016, legislação proposta e sancionada pela gestão anterior;
    – Como a cobrança da TGO deveria ser iniciada em 11 de outubro, ficou comprometida diante da decisão judicial;
    – Sobre a incidência do Imposto Sobre Serviços (ISS), também não houve omissão porque o Município de Porto Alegre cobra o ISS dos serviços de transporte por aplicativo. Embora a definição de qual serviço é prestado (transporte ou intermediação) ainda seja objeto de discussão, o que impacta diretamente o local da incidência do imposto, somente no ano de 2017 já foram recolhidos mais de R$ 5 milhões de ISS, enquanto em 2016 essa receita foi de R$ 1,5 milhão;
    – No que diz respeito aos motoristas, estes se enquadram como autônomos e estão isentos do recolhimento do imposto, assim como os taxistas proprietários de apenas um veículo;
    – Cabe destacar que a atual administração encaminhou em julho deste ano, depois de discussão com os vereadores e o setor, novo projeto de lei que redefine parcialmente o funcionamento adequado dessa modalidade de transporte, e teve pedido de priorização formalizado pelo Executivo na última semana;
    – Mesmo que a lei dos aplicativos estivesse em vigor, a legislação tributária prevê que as receitas municipais, estaduais e federais têm até cinco anos para cobrar taxas e impostos, de acordo com sua estratégia de fiscalização. Portanto, está descaracterizada a renúncia de receita por esta administração;
    – Por fim, a gestão não se omitiu e continua determinada a qualificar a regulamentação de um serviço que já é realidade em nível mundial e precisa de regras e responsabilidades claras para resguardar os direitos dos usuários, dos profissionais e das demais categorias envolvidas no mercado de transporte individual.
    Prefeitura Municipal de Porto Alegre

  • Marchezan não retira projetos e greve de municipários completa 13 dias nesta terça

    Com o salários parcelados e sem entendimento com o governo, os servidores municipais de Porto Alegre completaram doze dias de greve nesta segunda-feira, 16/10. Eles pedem a retirada de três projetos que alteram a forma de pagamento do funcionalismo, além da extinção da licença-prêmio de assiduidade, entre outras coisas.
    Vereadores querem votar e derrotar projetos
    Como o governo já sinalizou que não pretende retirar os projetos, vereadores contrários às propostas querem votá-las e assim atender uma das reivindicações dos servidores.
    A ideia foi exposta pela vereadora Sofia Cavedon (PT) em seu discurso na Tribuna e confirmada por outros vereadores. A estratégia porém pode não dar certo já que dois, dos três projetos, receberam apontamento pela Procuradoria e precisam receber ciência do líder do Governo, Moisés Barboza (PSDB), para seguirem tramitando na casa.
    “É quase impossível que estes projetos sejam votados este ano. Eles não estão em regime de urgência, não chegaram nem na CCJ. Estão criando um cavalo de batalha, é um equívoco do Simpa”, declarou Barboza.
    Segundo ele, a manifestação de boa parte do legislativo contrária aos projetos deveria ser suficiente para que os servidores encerrassem a greve. “Se é esse o motivo eles deveriam voltar urgente ao trabalho”, ressaltou o parlamentar, que por fim ainda lembrou a criação de uma comissão especial para discutir os projetos: “Se eles forem retirados a Comissão será extinta”.
    Na semana passada 24 vereadores pediram oficialmente que Marchezan retire os projetos. Em resposta o governo anunciou a priorização de outras três matérias.
    Uma reunião ainda sem hora marcada deve ocorrer nesta terça.
    Servidores seguem agenda de mobilizações
    O Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre) segue mobilizando o funcionalismo. Nesta terça, uma concentração começa às 8h da manhã em frente a FASC. Depois uma caminhada ocorre em frente ao Paço Municipal onde um ato esta previsto para a tarde. Às 18h uma Assembleia decide pela continuação ou não da greve.
    Segundo o Simpa, 60% dos servidores da saúde estão em greve, 99 escolas tem professores em greve. Na Fasc, 50% estão paralisados e no Dmab a adesão é menor, de 20%.
     

  • União deve mais de R$ 50 bi ao RS em compensações da Lei Kandir

    A Comissão Mista Especial do Congresso Nacional sobre a Lei Kandir promoveu nesta segunda-feira, 16/10, na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, audiência pública para tratar do tema.
    Foi apresentado o histórico da lei, criada em 1996 para estimular as exportações brasileiras. E que em 21 anos de vigência o Rio Grande do Sul acumula R$ 50 bilhões de perdas líquidas, valor que equivale aos R$ 55,7 bilhões da dívida com a União, cenário que vem desestimulando a industrialização gaúcha e acelerando a depressão econômica estadual.
    A recuperação das perdas é o que estão propondo os líderes gaúchos, como o ex-governador Pedro Simon, que conclamou à unidade estadual para exigir da União essa compensação.
    “Devemos R$ 50 bilhões e eles nos devem R$ 50 bilhões”, afirmou Simon, que na sua manifestação ainda lembrou de momentos históricos de unidade do Estado em favor da industrialização, como na conquista da Aços Finos Piratini, e do Pólo Petroquímico, assim como os períodos em que o Estado assumiu as estradas federais.
    Para o ex-senador, o Rio Grande do Sul possui diversos outros créditos com a União, como valores de projetos de reforma agrária e até mesmo a depressão econômica da região da fronteira em decorrência de proibição de instalação de indústrias por conta do acúmulo de quartéis na faixa de fronteira, “a refinaria de petróleo foram fazer em Rio Grande e não em Uruguaiana”. “Temos que fazer a compensação, essa é a grande tese”, disse ele, “não fizemos um acordo leonino com um banco, é com a União”. Pela privatização do Pólo Petroquímico a União deve R$ 1 bilhão ao Estado, salientou, e a Aços Finos Piratini a mesma coisa, completou.
    Já o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edegar Pretto (PT), disse que se trata de decisão política “fazer articulação nacional para tratar da compensação da conta que temos sobre o que deixamos de arrecadar”, movimento que foi comunicado ao governador José Ivo Sartori, com a solicitação de que ao tratar da dívida da União, também fosse incluído o tema da Lei Kandir.
    Os deputados federais Henrique Fontana (PT-RS), Bohn Gass (PT-RS) e o deputado estadual Luiz Fernando Mainardi (PT) também foram na mesma linha e disseram que estados e municípios não devem abrir mão dos créditos passados e apoiaram o “encontro de contas”. “Estou te devendo e você está me devendo. Que negócio é esse de só eu te pagar? Que seja feita a compensação”, disse Mainardi.
    Relator da Comissão Mista Especial da Lei Kandir, o senador Wellington Fagundes (PR-MT) destacou que houve um progresso nas negociações entre a comissão e o Ministério da Fazenda, que admite que os recursos do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX) passem a ser definidos em lei e não anualmente pelo governo. O FEX foi criado pela União para compensar os estados pelas perdas com a Lei Kandir.
    Nova lei deve ser votada em novembro
    O senador Fagundes lembrou que o prazo para o Congresso aprovar a lei complementar sobre compensações da Lei Kandir termina no dia 30 de novembro de 2017. “Há um espaço muito grande entre aquilo que estados e municípios entendem que têm direito e quilo que o governo federal entende que é possível. Precisamos de um relatório que seja possível aprovar e possível de o governo cumprir. Não adianta nada aprovar e o governo não ter como cumprir”, ponderou o Senador.
    Proponente do debate, o senador Lasier Martins (PSD-RS) também disse achar pouco provável que o governo federal tenha condições de compensar as perdas passadas na totalidade. O senador lembrou que a reunião busca sugestões para a comissão que deverá elaborar um relatório sobre a situação dos estados exportadores diante das limitações impostas. Segundo Martins, até 2003 o regramento ofereceu compensações, deixando de ser atrativo nos últimos 14 anos aos estados exportadores de produtos primários e industrializados semielaborados, como é o caso do Pará, que liderou a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão e resultou na manifestação do STF, ano passado, determinando prazo para que o Congresso Nacional regulamente a matéria até o dia 30 de novembro.
    O procurador-geral do Estado, Euzébio Ruschel, fez um balanço das ações jurídicas empreendidas para alterar os efeitos da lei e conclui que “a via é política, a via judicial está esgotada, o foco é político”. Ele espera que o Congresso consiga resgatar esse débito pois “temos valores expressivos a serem ressarcidos”.
    Lei Kandir
    Em vigor desde 1996, a Lei Kandir isenta da incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) as exportações de produtos não industrializados. Até 2003, a Lei Kandir garantiu aos estados o repasse de valores a título de compensação pelas perdas decorrentes da isenção do ICMS, mas, a partir de 2004, a Lei Complementar 115 deixou de fixar o valor, apesar de manter o direito de repasse. Com isso, os governadores passaram a negociar a cada ano com o Executivo o montante a ser repassado, mediante recursos alocados no orçamento geral da União.
    Em 20 anos, a média das compensações ao RS ficou em 18,2% dos impostos que deixaram de ser cobrados sobre as exportações. Nos primeiros cinco anos, a média chegou a 56,4%, porém nos últimos dois exercícios despencou para apenas 8,5%. “Nos dois primeiros anos do nosso governo, as perdas são de R$ 8,47 bilhões, o que se equivale ao nosso rombo financeiro previsto até o final de 2018”, comparou o secretário da Fazendo do RS, Giovani Feltes, que também esteve no debate.

  • Nas ruas a edição de outubro do Já Porto Alegre

    Já nas ruas!
    Saiu a edição de outubro do JÁ Porto Alegre!
    Nesta edição:
    Um bunker no viaduto: 1942, Porto Alegre se prepara para a guerra
    O que levou à morte do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, e porquê o assunto virou notícia velha tão rapidamente
    O guarda chuva do poeta: um dos causos desenhados de Santiago + entrevista exclusiva com o cartunista
    Jaca: o homem que rasgou dinheiro
    Feira da José Bonifácio: a pioneira comemora 28 anos
    E mais!
    Onde tu encontras o JÁ:
    Lancheria do Parque – Osvaldo Aranha, 1086
    Café Coletânea – José Bonifácio, 731
    Café Imprensa – Borges de Medeiros, 915
    Barbearia Joni – Venâncio Aires, 1071
    Drogaria do Porto – Jerônimo de Ornelas, 349
    Boteko República – Rua da República, 429
    Cia Das Empadas – José do Patrocínio, 649
    Jerônimo Café – Jerônimo de Ornelas, 568
    Clube de Cultura – Ramiro Barcellos, 1853
    Banana Verde – Henrique Dias, 106
    Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736
    Usina do Gasômetro – Av. Pres. João Goulart, 551
    E nos principais bares, cafés, restaurantes e estabelecimentos comerciais dos bairros de circulação do JÁ: Centro Histórico, Bom Fim, Santana, Farroupilha, Cidade Baixa, Independência, Santa Cecília, Rio Branco, Petrópolis e Jardim Botânico.

  • Exposição fotográfica homenageia trabalhadores da indústria gaúcha

    A exposição fotográfica Rio Grande do Sul – Homens e Máquinas, do fotógrafo Eurico Sallis, foi lançada nesta segunda-feira, 16/10, no Hall Nobre do Palácio Piratini, às 15h. Com 26 imagens extraídas da obra do autor, a mostra presta uma homenagem ao trabalhador e o uso de máquinas na indústria e na agricultura.
    No acervo disponível ao público, o artista segue uma linha do tempo para narrar a produção de artesãos, escultores, serralheiros, mecânicos e operários das indústrias do plástico e celulose, metal mecânica, do alimento, da extração do minério do carvão e do calcário, a agroindústria e suas gigantescas máquinas agrícolas nas lavouras, a petroquímica e a naval.
    Serviço
    O quê: Exposição fotográfica “Rio Grande do Sul – Homens e Máquinas”
    Onde: Hall Nobre do Palácio Piratini

  • Centro da Juventude de Viamão oferece 300 vagas para qualificação profissional

    O Centro da Juventude Viamão será inaugurado nesta segunda-feira, 16. As atividades de abertura do espaço iniciam às 14 horas e contarão com a presença da secretária de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos, Maria Helena Sartori.
    Nos próximos dias, começam as aulas dos cursos de Beleza e Estética, Assistente Administrativo, Informática e Gastronomia.
    São oferecidas 300 vagas para qualificação profissional, além de oficinas artísticas e culturais, atividades esportivas, reforço escolar, atendimento psicossocial e, quando necessário, encaminhamento para as redes de saúde, educação e assistência social. As atividades são direcionadas a jovens de 15 a 24 anos.
    O Centro da Juventude Viamão integra o Programa de Oportunidades e Direitos (POD), do Governo do Estado do Rio Grande do Sul em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e é gerido pela Renapsi, entidade vencedora da seleção.
    Estão sendo criados centros da juventude nas seis regiões que concentram os índices mais altos de criminalidade e de mortes violentas de jovens no estado.
    Além de Viamão, Alvorada e Porto Alegre, nos bairros Cruzeiro, Lomba do Pinheiro, Restinga e Rubem Berta, também são beneficiados pela iniciativa. O objetivo é reduzir a violência e melhorar a qualidade de vida nessas comunidades por meio do incentivo ao ensino, combate à evasão escolar e aumento da empregabilidade.
    Até 2019, a SDSTJDH investirá 50 milhões de dólares no Programa de Oportunidades e Direitos, em recursos obtidos junto ao BID, com contrapartida de 6 milhões de dólares do governo estadual. Além da implantação dos centros de juventude, os recursos também estão sendo investidos para melhorar a efetividade policial e qualificar o sistema socioeducativo.

  • Marchezan apresenta orçamento que prevê déficit de 700 milhões em 2018

    O Executivo Municipal encaminhará nesta segunda-feira, 16, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) à Câmara Municipal.
    A entrega ao Legislativo será às 10h. A matéria deve ser votada até dezembro e traz um déficit da ordem de R$ 708 milhões.
    As receitas previstas são de aproximadamente R$ 6,5 bilhões, e as despesas, R$ 7,2 bilhões.
    O projeto de lei foi elaborado de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, com o Plano Plurianual (PPA 2014-2017), com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e com as prioridades do Orçamento Participativo (OP).
     

  • Um bunker no viaduto da Borges: o ano em que a guerra chegou a Porto Alegre

    Um abrigo antiaéreo sob o viaduto Otávio Rocha, na Borges de Medeiros?
    Sim, este projeto existiu. Foi em 1942, o Brasil havia entrado na guerra contra o nazismo. Os exércitos italiano e alemão bombardeavam embarcações brasileiras no Atlântico.
    O medo de que a guerra chegasse até aqui era real. A construção de bunkers nos subsolos de edifícios e de caminhos subterrâneos ligando o Centro e a Cidade Baixa era projeto do prefeito Loureiro da Silva, atendendo as determinações da Presidência da República.

    O prefeito Loureiro da Silva / Acervo Boletim Muicipal

    No dia 10 de setembro, foi realizado o primeiro exercício de defesa antiaérea, um blecaute. Uma velha sirene foi instalada na torre da Hidráulica dos Moinhos de Vento.
    Ao aviso, todas as luzes da cidade foram apagadas, quem estava na rua correu para se abrigar, os motoristas pararam os automóveis. Após soar o segundo sinal, as luzes foram acesas e a cidade voltou à normalidade. O exercício foi considerado um sucesso.
    No final daquele mês, Porto Alegre deu início a seu mais ousado projeto na defesa antiaérea: um bunker no Viaduto Otávio Rocha com capacidade para 1.200 pessoas. As arcadas laterais foram cobertas por altos muros. A Prefeitura apontou 22 edifícios da região central da cidade que teriam os subsolos transformados em refúgios para bombardeios. Foram construídos abrigos em instituições de caridade, como o Asilo Providência, o Orfanato Pão dos Pobres e as creches São Francisco e Navegantes, além do Colégio Americano. Porto Alegre tinha capacidade para abrigar cerca de 13 mil pessoas na eventualidade de um bombardeio. A população total da cidade era de 300.000 habitantes
    “Abrigos contra explosões e gases”
    A defesa antiaérea tornou-se “encargo necessário à defesa da Pátria”, pelo decreto 4.098, do presidente da República, em 6 de fevereiro de 1942. Estabelecia obrigações aos cidadãos e órgãos públicos. A União, Estados e Municípios deviam construir “para proteção da população, abrigos contra explosivos e gases”. Edifícios a partir de cinco andares e locais como hospitais, hotéis, escolas e indústrias, tinham que providenciar bunkers.
    As empresas tinham que financiar o material para defesa dos funcionários, dos quais seriam descontados depois. Os homens em idade adulta que não estivessem servindo ao exército deveriam desempenhar as funções “determinadas pelos órgãos executores”, como enfermagem, limpeza pública, policiamento e construção de trincheiras. Jornais e revistas ficavam obrigados a transmitir gratuitamente comunicados do Ministério da Aeronáutica.
    A sociedade porto-alegrense se mobilizou na defesa. Ao menos duas campanhas foram lançadas para arrecadar fundos: uma capitaneada pelo jornal Correio do Povo que buscava fundos para construção de abrigos antiaéreos, e outra, do Sindicato dos Metalúrgicos, que juntava dinheiro para ajudar a FAB a adquirir caças.
    Para o historiador Fernando Cauduro Pureza é difícil precisar o quão espontânea era esta mobilização. “Era época do Estado Novo, um estado autoritário, havia muito controle da imprensa. Então essa mobilização que se vê nos jornais era um discurso muito oficial”, afirma o doutor em história, que abordou em sua dissertação de mestrado os impactos da Segunda Guerra na vida dos trabalhadores de Porto Alegre.
    As contribuições vinham de todas as partes e o jornal fazia o balanço nas edições dominicais. Nas fábricas e locais de trabalho tornaram-se comuns as campanhas para arrecadar doações. Uma comissão de funcionários do Banco do Rio Grande do Sul deu 4:000$000 (quatro contos de réis), a Guarda Civil e funcionários de diversas empresas contribuíram com um dia do ordenado. Os operários da pedreira da Serraria também se somaram à campanha. Ofereceram o resultado de um dia inteiro de trabalho: 1.130 pedras lapidadas para a construção de bunkers. “Havia uma mobilização popular, agora, se ela fazia o cara que tinha seus vencimentos mais constrangidos pela economia de guerra doar, aí já não sei. Podem até ter sido voluntário, mas havia pressão do Estado e dos patrões, principalmente o empresariado alemão, que tentava se desvincular da pecha de apoiadores do Eixo”, questiona o historiador. No final da campanha haviam sido arrecadados 460:521$600 (460 contos, 521 mil e 600 réis). O valor estimado pela interventoria federal para a construção de diversos bunkers em asilos e orfanatos era de 20:000$000.
    A campanha arrecadou um valor muito maior, porém, não se sabe ao certo quantos abrigos foram construídos com o recurso. Como Porto Alegre não foi alvo de nenhum ataque aéreo durante a guerra, o bunker da Borges não chegou a ser testado para sua finalidade original, mas “para fins bem outros que os legítimos”, relatou o jornal Correio do Povo, quando o prefeito Loureiro da Silva mandou desmanchar o abrigo um ano após sua construção. A notícia não deixa claro que fins eram estes, mas fala de razões relacionadas à estética, higiene e bons costumes para o fim do empreendimento.
    Alemães afundam “Porto Alegre”
    No dia 3 de novembro de 1942, os alemães torpedearam por duas vezes e afundaram o Porto Alegre. Desarmado e sem escolta, o cargueiro, batizado com o nome da capital gaúcha, foi atingido no oceano Índico, próximo à África do Sul. Os torpedos foram disparados pelo submarino alemão U-504. O navio ganhou o nome de Porto Alegre ao ser adquirido pela Companhia Carbonífera Sul Rio-Grandense, em 1933.
    Construída em 1921, no estaleiro italiano Cantiere Navale Triestino, a embarcação de 110 metros de comprimento havia sido batizada originalmente como Gilda. O ataque fez apenas uma vítima fatal, o imediato Francisco Lucas de Azevedo. A tripulação era composta por 52 pessoas.
    Em julho de 43, após 16 afundamentos, o carrasco U-504 teve seu fim, atacado por corvetas britânicas, no Atlântico Norte.
    O submarino alemão U-504 / Wikipedia

    Dois dias de quebra-quebra
    Em 15 de agosto, o exército alemão desfechou uma sangrenta onda de ataques a embarcações brasileiras. Se antes os alvos eram cargueiros, agora eram atacados navios de passageiros, próximos à costa. Em três dias, cinco navios afundados, 610 mortos. A notícia despertou revolta.
    Em Porto Alegre, os dias 18 e 19 de agosto foram de quebradeira generalizada. O interventor federal, Cordeiro de Farias, o chefe de polícia do Estado, Aurélio da Silva Py, pouco fizeram para controlar a fúria da massa. Tudo que remetesse aos alemães era alvo. A Casa Guaspari foi depredada e saqueada. Na Casa Lira, na Rua dos Andradas, a coisa foi mais feia. O dono, Reinaldo Langer, era tido como apoiador do Eixo e teria gritado “Viva a Alemanha!”, à chegada dos revoltosos. Entrou para o cacete e a polícia teve de evitar seu linchamento. Só escaparam o Hospital Alemão, que havia adotado a alcunha de Moinhos de Vento, e a fábrica da Renner, que recebeu proteção policial especial. A sociedade Turnerbund tentou desvincular sua origem, mudando o nome para Sociedade Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), o que não impediu a depredação. Na Sociedade Germânica, no Moinhos de Vento, a mobília virou fogueira no meio da rua. No quarto distrito, o povo saiu em marcha.
    Ruas de nome alemão foram rebatizadas com nome de embarcações brasileiras afundadas na guerra. Alguns permanecem. Avenida Napolitana virou Olinda, Rua Italiana virou Arabutan, a Avenida Germânia virou Cairú.

  • Destino dos 18 centros de pesquisa agrícola da Fepagro continua indefinido

    Geraldo Hasse
    Vivendo uma fase de otimismo, a direção da Federação Apícola do Rio Grande do Sul (FARGS) confirma ter interesse na reativação dos equipamentos existentes no parque apícola de Taquari.
    O parque foi fechado por medida de economia há cinco anos, quando ninguém imaginava que o governo do Estado extinguiria várias fundações estaduais, entre elas a Fepagro, que possui 18 centros de pesquisas no interior, um deles no interior de Taquari.

    Dalló, secretário executivo da FARGS, é um dos apoiadores da reativação do espaço / Reprodução Facebook

    Segundo Rogério Dalló, secretário executivo da FARGS, o interesse pelo parque apícola de Taquari foi explicitado há dois anos, quando um grupo de apicultores manifestou a disposição de usar as instalações do parque em parceria com a prefeitura local e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi).
    Os equipamentos mais antigos são de 1940, quando a chamada estação experimental de Taquari mantinha uma ativa parceria com o apicultor Emilio Schenk, criador de um tipo de colmeia bastante difundido e autor do livro ‘O Apicultor Brasileiro’, cuja primeira edição saiu em 1923. Após incorporar (em 1994) o parque apícola criado pelo pioneiro, a estação experimental passou a chamar-se centro de pesquisas Emilio Schenk.
    Entretanto, a suposta parceria (público-privada) não avança porque o Estado está sem recursos para bancar qualquer iniciativa que implique na criação de novas despesas. Pelo contrário, a orientação é no sentido de cortar despesas. Ainda assim, Dalló acredita na possibilidade de fechar um acordo – “no papel, até o final do ano”; na sequência, é impossível saber o que pode acontecer, pois o processo de extinção das fundações virou um imbróglio judicial. A última novidade é uma liminar do STF que autoriza o Governo a retomar o processo de demissões dos servidores.
    Schio, último presidente da Fepagro / Divulgação Fepagro

    “Até agora ninguém veio conversar conosco sobre a reativação do parque apícola de Taquari”, disse ao JÁ o agrônomo Adoralvo Schio, diretor do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa da Seapi, órgão criado no início do ano para assumir as tarefas da Fepagro.
    Último presidente da Fepagro, Schio está empenhado em definir os centros de pesquisas que permanecerão em atividade daqui por diante e em desativar definitivamente as unidades que vinham operando com problemas ou já estavam paradas por falta de recursos ou de pessoal.
    No momento, é quase impossível fazer um balanço da situação em cada uma das unidades da ex-Fepagro porque a maioria das decisões depende da permanência ou não dos funcionários. O site da Fepagro, por exemplo, continua no ar, podendo dar a impressão de que nada mudou. Na realidade, porém, há mudanças formais e informais em andamento.
    Na lista de quase 200 funcionários (todos estáveis) da Fepagro, alguns têm tempo suficiente de serviço para se aposentar, mas continuam “segurando a bandeira da pesquisa agropecuária”. Os que permanecem na ativa podem ser remanejados de um centro para outro, o que nem sempre é fácil, pois implica em mudanças de domicílio.
    Dos 19 centros listados no site da Fepagro, os mais importantes são os de Eldorado do Sul (22 pesquisadores na área de saúde animal), Porto Alegre (10 pesquisadores ocupados em laboratórios e institutos), Santa Maria (6 pesquisadores concentrados em silvicultura), São Gabriel (4 pesquisadores de forrageiras) e Taquari (5 pesquisadores em citricultura, mandioca e sorgo) – os dados de pessoal foram atualizados pela última vez em 2014.
    Em alguns casos, a fusão de centros de pesquisas parece fácil, teoricamente: os de Terra de Areia (aquicultura e pesca) e Maquiné (banana, palmito, consórcios agroflorestais), por exemplo, são tão próximos que têm um único diretor. Na metade norte, são relativamente redundantes os centros de Santa Rosa, Julio de Castilhos, Vacaria e Veranópolis, todos lidando principalmente com sementes de grãos. Na fronteira sudoeste, um único diretor controla três centros situados em Hulha Negra, Livramento e Dom Pedrito, todos voltados para a conservação do bioma pampa. Os centros de São Borja (arroz, trigo e soja) e Uruguaiana (arroz) são próximos e convergentes, mas qual deles será desativado?
    Em alguns casos, pode pesar mais a vontade de um político do que a opção racional dos técnicos. Além disso, não se pode descartar o peso histórico de antigas estações experimentais como a de Veranópolis (a primeira da Serra, criada em 1919) e a de Encruzilhada do Sul (criada em 1942 para mexer com trigo – hoje mais voltada para ovinos e madeira).
    Nesse contexto propício a contemporizações e/ou a degolas, a falta de recursos é tal que, no momento, segundo Adoralvo Schio, nem adiantaria conversar sobre a reativação do parque apícola de Taquari, cujo centro de pesquisas, fundado em 1929, continua operando, concentrado em cítricos, além de mandioca e sorgo.
    Um dos mais antigos do país, hoje com 460 hectares, o centro de pesquisas de Taquari abriga um dos três únicos bancos brasileiros de germoplasma de cítricos – os outros dois ficam em Cruz das Almas (BA) e Limeira (SP) – e só isso basta para que não seja desativado, pois se trata de um ativo biológico reconhecido pela Organização das Nações Unidas, como lembra o pesquisador Raul Fernando Becker, que trabalha ali há 43 anos.
    A pesquisadora Sidia Witter, especialista em abelhas da Fepagro / Solange Brum / Divulgação

    No caso da apicultura, informa Schio, a única pesquisadora lotada em Taquari, a bióloga Sidia Witter, foi autorizada a transferir seus projetos – sobre as famosas abelhas nativas, que não têm ferrão – para o centro de pesquisa (da ex-Fepagro) em Viamão, que se dedica à fruticultura, piscicultura, ovinocultura, culturas protegidas e agroenergia.
    Futuro do Centro ainda é incerto / Divulgação Governo RS