O Metrópole Xadrez Clube vai comemorar 80 anos no próximo sábado, dia 7 de outubro, com a realização de um torneio e um coquetel.
As inscrições para o torneio são individuais ou em equipe. Podem ser feitas diretamente na sede do clube (na rua Vigário José Inácio, 263, 3º andar, no Centro Histórico), por e-mail (diretor.mxc@gmail.com), por telefone (51) 3092-0711, ou Whats: 981316975. Limitadas aos primeiros 100 participantes que confirmarem o pagamento de sua inscrição.
Enviar e-mail informando: NOME, DATA NASC, ID FIDE, ID CBX, CIDADE, SE É ASSOCIADO do MXC e TELEFONE CELULAR.
Após este procedimento, acessar o Site do MXC, www.mxc.org.br, e confirmar na lista de inscritos, a sua pré-inscrição e o valor exato da taxa de inscrição a ser depositada no Banco Banrisul, Ag: 0062. CC: 060275710-8, em nome de Metrópole Xadrez Clube CNPJ: 89270938/0001-35. Os centavos servirão para identificar perfeitamente seu depósito e garantir sua vaga.
Após o depósito sua inscrição constará como “PAGO” na lista de inscritos e estará confirmada.
Inscrições de equipes: Agremiações enxadrísticas e grupos de cidades de fora da região metropolitana poderão inscrever equipes com 4 participantes ao preço de associados que concorrerão a medalhas e premio em dinheiro. Será considerada vencedora a equipe que acumular maior número de pontos no somatório individual de seus participantes. Em caso de empate, será somado o 2° critério de desempate (buchholz com o corte do pior resultado). Persistindo o empate, sorteio.
Autor: da Redação
Metrópole Xadrez Clube comemora 80 anos com torneio e coquetel, no sábado
Assembleia Legislativa terá feira de orgânicos nesta quarta-feira
Nesta quarta-feira, a Assembleia Legislativa promove uma feira orgânica em sua esplanada. O evento faz parte da programação do Seminário Políticas Públicas para Agroecologia na América Latina e Caribe, que acontece nos dias 4, 5 e 6 de outubro, no Teatro Dante Barone. A iniciativa servirá de piloto para a implantação de uma feira semanal no local.
De acordo com o Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável (Organis), 39% da população de Porto Alegre inclui na dieta produtos livres de agrotóxicos. O percentual é mais que o dobro da média nacional, que é de 15%. A tendência vem sendo reforçada pela proliferação das feiras na Capital gaúcha. Já são 14, instaladas em praças, parques, escolas, shoppings e, agora, no prédio do Legislativo.
A feira funcionará das 14h às 20h, contará com 13 barracas com produtos hortifrutigranjeiros e alimentos agroindustrializados sem agrotóxicos, pesticidas ou substâncias sintéticas de produtores ligados a entidades como Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Copernatural, Associação de Produtores da Rede Agroecológica Metropolitana (Rama), Cooperativa Central dos Assentados da Reforma Agrária do Rio Grande do Sul (Coceargs), Organismos Participativos de Avaliação de Conformidade (Opac), Rede Ecovida e Econativa.Thiago Ramil e espetáculo de dança são as atrações do Bar do IAB
Todas as primeiras quartas-feiras do mês o Bar do IAB abre suas portas para uma atração cultural, sempre com entrada franca.
A edição de 04 de outubro começará a partir das 19 horas e promete ser muito especial, pois terá duas atrações artísticas. O show musical de Thiago Ramil e o espetáculo de dança contemporânea “Duo para dois perdidos”, que tem criação e direção de Ivan Bernardelli.
O jovem cantor e compositor gaúcho Thiago Ramil apresenta reportório da turnê “Leve Embora”, com músicas de sua autoria: “Casca”, “Desculpa”, “Amora”, “Pó”, “Deixa passar”, “Suspiro”, “Leite e nata”, “Dizharmonia”, “Show me”, “Salar”, “Canto” e “Gira-Sol”.
Em 2106, o álbum “Leve Embora” foi indicado ao 17º Latin Grammy Awards, na categoria Melhor Álbum Pop.
No dia 1º de novembro do mesmo ano, o cantor também recebeu, em Porto Alegre, o Prêmio Açorianos de Música 2016, nas categorias de Artista Revelação e Melhor Intérprete de Gênero Pop.
Dois perdidos – Baseado no universo do texto teatral “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de Plínio Marcos, o espetáculo Duo Para Dois Perdidos aborda a relação entre dois mundos corporais extremamente distintos em choque e diálogo a partir de suas singularidades. O espetáculo propõe uma interface com o teatro e lança olhares sobre a desigualdade, a exploração e a injustiça social.
O Bar do IAB ainda contará com as comidas da “Nunca Pensei – Cozinha Rural Contemporânea” e a cerveja artesanal da “Bugio”.
SERVIÇO
Bar do IAB apresenta Thiago Ramil e o espetáculo de dança contemporânea “Duo para Dois Perdidos”.
Quando: Dia 04 de outubro / Quarta-feira;
Horário: Bar estará aberto a partir das 19 horas;
Onde: IAB RS (Rua General Canabarro 363, Centro Histórico de Porto Alegre)
Entrada Franca.Governo apresenta proposta para demissões de servidores de Fundações e Corag
Na reunião de mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, nesta terça-feira, 03/10, o governo do Estado apresentou uma proposta de demissão dos funcionários das fundações que tiveram sua extinção aprovada pela Assembleia Legislativa do RS em dezembro do ano passado.
Além de um acordo de demissão em massa dos trabalhadores não estáveis, a procuradoria do Estado adicionou o programa de desligamento voluntário (PDV) para funcionários estáveis, sendo que ambas as propostas precisam ser aceitas em conjunto, mesmo que não dependam diretamente uma da outra.
A proposta prevê indenização dos trabalhadores sem estabilidade e o PDV para os servidores estáveis. E tanto na demissão dos não estáveis quanto no PDV, os trabalhadores receberiam o correspondente a um salário, conforme valor bruto constante na folha de pagamento de julho de 2017, para cada cinco anos trabalhados.
A Frente Jurídica em Defesa das Fundações, formada por advogados dos sindicatos que representam as categorias afetadas, recebeu o novo documento e terá até 7 de novembro para avaliá-lo – ficou marcada para essa data novo encontro no TRT.
A reunião começou com a participação da deputada estadual Juliana Brizola (PDT), que entregou nas mãos do desembargador João Pedro Silvestrin os dois projetos de lei formulados por ela em defesa da Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (Corag) e das fundações: Zoobotânica, Cientec, FEE, Piratini, FDRH e Metroplan.
O projeto de lei nº 202/2017 revoga a Lei nº 14.979, de 16 de janeiro de 2017, que dispõe sobre a extinção da Corag.
Já o projeto de lei nº 203/2017 revoga a Lei nº 14.982, de 16 de janeiro de 2017, que autoriza a extinção de fundações de direito privado da administração pública indireta do Estado do Rio Grande do Sul.
Ambas as propostas ainda deverão passar por apreciação na Assembleia Legislativa.
A reunião de mediação foi conduzida pelo vice-presidente do TRT-RS, desembargador João Pedro Silvestrin, e contou com a participação do procurador Paulo Eduardo Pinto de Queiroz, representando o Ministério Público do Trabalho (MPT).
Margs promove palestra sobre 20 anos da Bienal do Mercosul
No dia 2 de outubro foi completado 20 anos da abertura oficial da primeira Bienal do Mercosul, que aconteceu no Margs.
A exposição foi um marco para o Estado, que concretizou uma reunião de arte contemporânea, colocando Porto Alegre no mapa das grandes mostras internacionais. A Bienal do Mercosul entrou para a história como a maior exposição já realizada sobre Arte Latino-Americana.
Para relembrar e comemorar este grande feito, a Fundação Bienal do Mercosul e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul convidam para uma palestra, que será realizada nessa quarta-feira, 04, no auditório do Margs. Será falado também sobre a edição da 11ª Bienal do Mercosul.
A celebração desta data na história das bienais é uma iniciativa conjunta da Fundação Bienal do Mercosul e do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – Margs.
José Francisco Alves, professor do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, vai abordar o projeto curatorial da primeira edição, que envolveu exposições em 14 espaços da cidade (instituições culturais e locais adaptados) e inúmeros locais ao ar livre, com intervenções urbanas temporárias em parques.
Entre as heranças culturais da primeira Bienal está um dos resultados mais importantes para a capital gaúcha: o “redescobrimento” do Cais do Porto, que foi aberto para um evento cultural. A festa ainda vai contar com a exibição de um vídeo inédito, com momentos registrados pelo ministrante: as exposições e intervenções urbanas do evento.
Serviço:
Palestra: “20 anos de Bienal do Mercosul”.
Ministrante: José Francisco Alves, Doutor em História da Arte e curador.
Dia 4 de outubro de 2017.
Horário: 16h.
Local: Auditório do Museu de Arte do Rio Grande do Sul.
Entrada franca.
Promoção: Fundação Bienal do Mercosul e Museu de Arte do Rio Grande do Sul.Especialistas de 11 países debatem políticas públicas para agroecologia, na AL
A partir desta quarta-feira, 04/10, a Assembleia Legislativa do RS recebe um debate internacional sobre agroecologia.
Nos dias, 4, 5 e 6, o Seminário Políticas Públicas para Agroecologia na América Latina e Caribe reunirá no Teatro Dante Barone 42 especialistas de onze países para tratar da relação entre a agroecologia e a alimentação saudável.
Estarão em debate as concepções que norteiam a elaboração de políticas públicas para o segmento, as propostas para impulsionar a atividade e as experiências locais e continentais de produção autossustentável social, econômica e ecologicamente. “Queremos que a alimentação saudável e a segurança alimentar da população sejam uma causa do Parlamento gaúcho”, afirma o presidente da Assembleia Legislativa, Edegar Pretto (PT).
Autor de três projetos de lei que tramitam no Legislativo para restringir o uso de agrotóxicos nas lavouras gaúchas, Pretto considera que o atual modelo agrícola, baseado no uso intensivo dessas substâncias, está vencido. Ele defende a busca de outras possibilidades que permitam a produção em larga escala sem colocar em risco a saúde da população e o meio ambiente. “É possível abrir mão do uso de veneno e adotar soluções tecnológicas em bases razoáveis de produtividade, sem agredir a natureza e sem colocar a saúde das pessoas em risco. E os agricultores familiares são fundamentais neste processo”, defende Pretto.
Abertura reúne FAO/ONU, Via Campesina e Bela Gil
Os nove painéis que integram o evento contarão com representantes de 24 entidades internacionais ligadas à produção agroecológica e ao consumo consciente de alimentos.
O painel de abertura do seminário abordará a relação entre agroecologia e alimentação saudável.
A atividade, que ocorrerá dia 4, reunirá na mesma mesa o pesquisador francês Patrick Caron, presidente do Painel de Alto Nível de Especialidades (HLPE) do Comitê de Segurança Alimentar da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a chef de cozinha natural e apresentadora do canal GNT, Bela Gil, e o dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Via Campesina, frei Sérgio Göergen.
O seminário é promovido pelo Parlamento gaúcho, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Red Políticas Públicas y Desarrollo Rural em America Latina e Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
A maior rede de certificação participativa de produtos orgânicos do Brasil, a Ecovida, também terá participação, assim como a Coordenação das Organizações dos Produtores Familiares do Mercosul (Coprofam), o Movimiento Agroecológico de America Latina y el Caribe (MAELA) e a Via Campesina, todos vinculados aos produtores orgânicos e agroecológicos. Além disso, assentados da Reforma Agrária no Rio Grande do Sul terão espaço para mostrar a experiência que os transformou nos maiores produtores de arroz orgânico da América Latina.
Brasil é campeão mundial em uso de agrotóxicos
O tema vai ao encontro de uma preocupação histórica de movimentos populares, que cada vez mais encontra eco junto à sociedade civil organizada, à área médica e à população em geral, que é o uso abusivo de agrotóxicos na produção agrícola convencional.
O temor não é à toa. Desde 2008, o Brasil ocupa o posto de campeão mundial no uso de agroquímicos nas lavouras. Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), cada brasileiro consome 4,5 litros do produto por ano. A média sobe para 8,3 litros anuais no Rio Grande do Sul, sendo a Região Noroeste, onde estão localizadas as principais lavouras de soja do estado, a líder na utilização dessas substâncias.
Os últimos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelaram amostras com resíduos de agrotóxicos em quantidades acima do limite máximo permitido e com presença de substâncias químicas não permitidas para o alimento pesquisado. Além disso, apontam para a presença de agrotóxicos em processo de banimento ou que nunca tiveram registro no Brasil.
Adepto do princípio da precaução e defensor de ações para a redução progressiva e sustentada do uso de agrotóxicos, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) lançou uma nota de posicionamento, em abril de 2015, alertando para os riscos que estas substâncias representam para a saúde humana. Conforme a entidade, além das intoxicações agudas, que afetam pessoas expostas em seu ambiente de trabalho, essas substâncias produzem intoxicações crônicas, que podem atingir toda a população e são resultado de exposição múltipla, permanente e, geralmente, em doses baixas. Os efeitos envolvem infertilidade, impotência, abortos, malformações, desregulação hormonal e câncer.
As inscrições para o Seminário são limitadas e devem ser feitas neste link.
Confira a programação completa:
Quarta-feira (4)
18h30 – Fórum dos Grandes Debates: Agroecologia e alimentação saudável: desafios para a intervenção do Estado. Coordenação: deputado Edegar Pretto (presidente da ALRS). Palestrantes: Patrick Caron (HLPE-FAO/ONU, CIRAD, França); Bela Gill (Chef de cozinha, Brasil); Frei Sérgio Görgen (OFM, MPA, Via Campesina, Brasil)
Quinta-feira (5)
8h30 – 9h – Abertura e apresentação do estudo da Red PP-AL. Participantes: deputado Edegar Pretto (presidente da ALRS); Gabriela Coelho de Souza (coordenadora do PGDR-UFRGS); Jean-François Le Coq (coordenador da Rede PP-AL); Maria Mercedes Patrouilleau (INTA, Red PP-AL)
9h – 11h – Concepções e coalizões na construção de políticas públicas a favor da agroecologia: os casos de Brasil, Costa Rica e Chile. Coordenação: Doris Sayago (CDS-UnB, Brasil). Palestrantes: Fernando Saenz (UNA-CINPE, Costa Rica) e Muriel Bonin (CIRAD, França); Cláudia Job Schmitt (CPDA-UFRRJ, Brasil) e Paulo Niederle (PGDR/PPGS-UFRGS, Brasil); Constanza Saa (INDAP, Chile) e Mina Namdar-Irani (INDAP, Chile)
11h – 12h30 – Trajetória dos movimentos e políticas a favor da agroecologia: os casos de Cuba, Nicarágua e Brasil. Coordenação: Sergio Schneider (PGDR/PPGS-UFRGS, Brasil). Palestrantes: Luís Vásquez (INISAV, Cuba) e Eric Sabourin (CIRAD, França – UnB, Brasil); Sandrine Fréguin-Gresh (CIRAD, França e UCA, Nicarágua); Mario Lucio de Ávila (FUPUnB, Brasil) e William Santos de Assis (PPGAA-UFPA, Brasil)
14h – 15h40 – Os instrumentos de políticas públicas a favor da agroecologia: os casos de Argentina, El Salvador e México. Coordenação: Alberto Bracagioli Neto (PGDR-UFRGS, Brasil). Palestrantes: Eduardo Cittadini (INTA, Argentina) e Maria Mercedes Patrouilleau (INTA, Argentina); Gonzalo Chapela (Universidade de Chapingo, México); Wilfredo Moran (PRISMA, El Salvador) e Jean-François Le Coq (CIAT, Colômbia e CIRAD, França)
16h – 17h30 – As políticas públicas a favor da agroecologia na América Latina e Caribe: conclusões e perspectivas do estudo. Coordenação: Hermes Morales (IPA, Uruguai). Palestrantes: Eric Sabourin (CIRAD, França – UnB, Brasil); Valter Bianchini (FAO, Brasil); Paulo Petersen (ASPTA, Alianza por la Agroecología, Brasil)
Sexta-feira (6)
8h30 – 10h45 – Experiências e propostas de políticas públicas para a agroecologia das organizações de agricultores e movimentos sociais da América Latina e Caribe. Coordenação: Flávia Charão Marques (PGDR-UFRGS, Brasil). Palestrantes: Guido de Soto (MAELA, Chile); Fernando Lopes (COPROFAM, Uruguai); Adalberto Martins (Via Campesina-CLOC, Brasil); Ticiana Imbroisi (REAF, SEAD-Brasil)
10h45 – 12h30 – Experiências e propostas de políticas públicas para a agroecologia das organizações internacionais de desenvolvimento da América Latina e Caribe. Coordenação: Marie-Gabrielle Piketty (CIRAD, França). Palestrantes: Dulclair Sternadt (FAO, Chile); Byron Miranda (IICA, Costa Rica); Jean-Luc Battini (CIRAD, Brasil e Mercosul); Frédéric Goulet (CIRAD, França e INTA, Argentina)
14h – 17h30 – Experiências locais em políticas públicas para a agroecologia. Coordenação: Catia Grisa (PGDR-UFRGS, Brasil). Palestrantes: Clenio Pillon (Embrapa Clima Temperado); Marcos Regelin (RedeCoop); Alvir Longhi (Rede Ecovida de Agroecologia); Agda Regina Ikuta (SDR, Comitê Gestor PLEAPO); Juliano Ferreira de Sá (Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável); Emerson Giacomelli (Grupo Gestor do Arroz Agroecológico do MST)Deputado quer ouvir presidente do Banrisul sobre fechamento de agências
O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, deputado estadual Zé Nunes (PT), protocolou pedido na Assembleia para que o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mottas, seja convidado a prestar esclarecimentos sobre denúncia apresentada pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do RS (Fetrafi/RS) sobre o fechamento e/ou extinção de agências do banco fora do estado e transformação de agências locais em salas de autoatendimento.
O documento foi encaminhado às comissões de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo e de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (03/10).
As comissões devem avaliar o requerimento ainda esta semana. Zé Nunes entende que a extinção de agências foi referendada pelo governo estadual e segue a lógica e a intenção de vender empresas estatais no processo de alinhamento ideológico com o governo de Michel Temer e de implantação do Estado Mínimo. “A sociedade deve ser informada sobre as decisões que dizem respeito ao banco mais presente na vida dos gaúchos e gaúchas, com agências ou postos de atendimento em 98,5% dos municípios do RS, sendo que em 96 deles é a única instituição financeira disponível”, sentencia o deputado.
De acordo com a Fetrafi, o calendário de encerramento de agências inclui:
Recife- 15/12/2017
Salvador- 15/01/2018
Fortaleza- 15/02/2018
Belo Horizonte- 09/03/2018
Cascavel (PR) – Sem data
Unificações – em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina as agências serão fundidas em um único estabelecimento.Deputada propõe leis que suspendem extinção das Fundações
A deputada estadual Juliana Brizola (PDT) protocolou na Assembleia Legislativa do RS dois projetos de lei que propõem a revogação da extinção das fundações estaduais, que foi aprovada pelo legislativo estadual em dezembro do ano passado.
O primeiro PL, número, 203/2017, revoga a lei nº 14.982, de 16 de janeiro de 2017, que autoriza a extinção de fundações de direito privado da administração pública indireta do Rio Grande do Sul. São elas: a Fundação Zoobotânica, a Fundação de Economia e Estatística (FEE), Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), a Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH), e a Fundação Piratini, responsável pela emissora TVE e pela Rádio FM Cultura.
Já o PL 202/2017 revoga a lei nº 14.979, que extinguiu a Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas – CORAG.
Deputada Juliana Brizola não acredita que extinções tragam economia ao Estado / Marcelo Bertani / Agência ALRS
Para a deputada trabalhista, os PLs dão a oportunidade aos deputados de corrigirem um erro histórico. Ela acredita que os parlamentares foram enganados pelo governo, e votaram por uma economia que não existirá. “Não faz sentido dispensar servidores capacitados e contratar consultorias para fazerem o mesmo serviço, não há justificativa, muito menos econômica”, completa Brizola.
Os projetos foram protocolados na AL/RS no dia 29 de setembro, não há uma data para eles entrarem na pauta da casa. Para serem aprovados, são necessários 28 votos a favor.
Tribunal do Trabalho faz hoje nova mediação
Hoje, 03/10, a Frente Jurídica em Defesa das Fundações volta a se reunir com a procuradoria do Estado, com mediação do Tribunal Regional do Trabalho, para a retomada das negociações sobre o processo de desligamento dos servidores.
A deputada Juliana Brizola pretende aproveitar o encontro para apresentar os projetos ao desembargador João Pedro Silvestrin, que media a situação.
A proposta da Frente é, basicamente, uma Programa de Demissão Voluntária (PDV) para todos aqueles que desejarem ser desligados. Mas o governo estadual não concorda, ressaltando que não abre mão de demitir aqueles que considera não-estáveis, que, na conta do Estado, são 611 servidores. A deputada Brizola também defende o PDV.
Entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, decisões da Justiça do Trabalho gaúcha suspenderam as demissões em massa nessas instituições até que sejam concluídas as negociações com os sindicatos que representam as categorias.
Hoje, a partir das 13h30, ocorrerá nova reunião no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), em Porto Alegre.
Há ainda um julgamento em andamento no Tribunal de Contas do Estado, que analisa a representação do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo Da Camino, questionando a lei que autoriza as extinções e solicita a suspensão do processo. Nesse julgamento, dois conselheiros, Pedro Henrique Figueiredo e Estilac Xavier, pediram vistas do processo. Até agora houve um voto, do relator Cezar Miola, que foi contra a extinção das Fundações.Existe amor em São Paulo! Ou: a importância da microsolidariedade
Marília Veríssimo Veronese
Estive em São Paulo neste último fim de semana e, como sempre, me assustei com a brutal desigualdade, tão visível na capital paulista. Não que nas outras capitais não seja assim, mas a forma com que se mostra na metrópole paulistana sempre me choca. Muitos moradores de rua em situação de extrema miserabilidade ao lado de carros e lugares luxuosos e ostentatórios são uma visão, para mim, quase insuportável. Tudo aquilo que eu não aceito como natural me grita na cara e me ofende os olhos e a sensibilidade.
Nesta ocasião, eu e meu marido André precisamos comprar algumas coisas esquecidas e fomos até o supermercado Extra, na Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Quando saíamos apressados, sacolas na mão, chuva caindo, sem guarda-chuva, André foi esperar o Uber na calçada, e ao passar vejo um homem, morador de rua, que chorava copiosamente abraçado ao seu fiel amigo cão, preto como ele, com olhar resignado perdido ao longe. Olhei pra eles e, entre lágrimas, o homem me pediu ajuda. Falei pra ele esperar um pouco que iria dar uma ajuda, corri para pegar minha bolsa que André levava a tiracolo, peguei 10 reais e voltei para alcançar a ele. Olhei-o nos olhos e as lágrimas lhe escorriam enquanto chorava um choro gemido, sentido, triste de cortar o coração, acariciando o cão como a se consolar da tristeza. Estendi o dinheiro, falei algumas palavras de esperança, acariciei o cão e me virei, pois o Uber tinha chegado e André já estava entrando no carro. Chovia e a umidade encharcava tudo ao redor. Virei as costas e caminhei sem olhar pra trás, me sentindo a escória do mundo. Tão pouco fazemos, tão pouco podemos. Contra essa indignidade cotidiana do sofrimento social, do sofrimento ético-político, étnico-racial, de classe, de gênero, do vergonhoso roubo de direitos e de dignidade humana básica, tão pouco… Nós, pesquisadores, manejamos os conceitos[1] na pesquisa participativa e etnográfica, mas em pouco eles auxiliam aqueles que inspiram sua formulação: as pessoas que choram na chuva, abraçados a seus cachorros, em situação de total abandono e desesperança.
Não é só uma questão socioeconômica, é uma questão filosófica que envolve nossa dignidade individual e coletiva. Não era pra ser assim, não pode ser aceito assim. Chorei no trajeto de volta ao hotelzinho simples que ficamos na rua Sílvia, pensando que aquelas acomodações que eu considerei ruins – para nosso padrão classe média – seriam um luxo para a dupla que eu acabara de deixar pra trás. O rapaz repetiu duas ou três vezes, “muito obrigado, moça, muito obrigado…”, e eu envergonhada não via razão alguma para ele me ser grato. Queria pedir-lhe desculpas, gritar perdão!, a angústia crescia e fomos dormir com imagens desoladoras da megalópole mais rica do país. Que não consegue proporcionar um mínimo de decência e dignidade a tantos de seus moradores. “Não existe amor em São Paulo”, pensava e sentia eu, dolorosamente, não conseguindo me esquecer deles… somos ligados às outras pessoas (ou a seres sencientes como os animais) por fios invisíveis, que são a matéria etérea dos vínculos sociais que conformam a humanidade enquanto comunidade e envolvem amor em diversos formatos. Os vínculos são a nossa essência. E não o egoísmo, como acreditam alguns equivocadamente[2].
No dia seguinte – desde os 15 anos de idade, quando li “E o vento levou…”, a máxima da egoísta Scarlett O’hara me inspira, “amanhã é um outro dia!”, – seguimos a vida e fomos a feiras de rua, eventos artísticos, tivemos contato com uma incrível diversidade cultural e de modos de ser e estar no mundo, que talvez só as grandes cidades multiculturais abriguem. Ao cair da noite, caminhando na Av. Paulista tomada de gente, de todos os tipos e jeitos, uma quantidade imensa de casais gays em completa liberdade e carinho (em duas horas, provavelmente vi mais deles do que vejo em um ano inteiro em Porto Alegre), shows, performances, artesanato e brechós ao ar livre, comidas e bebidas sendo preparadas na rua, tempos e espaços híbridos em ritmos e interações alucinantes, de repente me chama a atenção um “acampamento” de moradores de rua, catadores de materiais recicláveis. Eram pilhas de papelão ao lado do carrinho de tração humana, gente em cima de cobertores simples e… um carrinho de supermercado com seis filhotinhos minúsculos de gato, irresistivelmente fofos, aninhadinhos em cima dos panos que forravam o carrinho.
Paramos para conversar com os catadores (nesse caso também moradores de rua) e me encantei com os gatinhos. Conversa vai, conversa vem, eu acarinhando os fofíssimos felinos, e o zeloso tutor da mãezinha dos filhotes, uma gata bonita, altiva, bem cuidada e com uma coleirinha charmosa, me conta que uma mulher na rua entregou a gata pra ele e não contou que estava prenhe. Ele levou na veterinária – nos explicou que tem ONGs com veterinárias voluntárias que ajudam os moradores de rua a cuidar de seus animais, – e quando ela foi castrar, descobriu a gravidez. Ele ficou assustado, pois não tinha como manter os gatinhos. A veterinária disse que precisavam mamar 45 dias e só então poderiam ser doados. Já comem sachê, estão com um mês. Alcancei um dinheiro e ele agradeceu, dizendo que ajudaria no sachê. O cuidado com os gatinhos e a mãe deles era comovente. Todos muito bem cuidados e saudáveis. Continua ele:
-“O pessoal da zoonose também ajuda, leva a gente de carro quando a coisa aperta. Preciso comprar sachê, e quando não tem dinheiro tenho de caminhar muito até uma petshop que ajuda a gente também, mas é longe. Aqui na rua o pessoal ajuda, doa ração. Mas preciso de sachê pra filhote, agora! Só tô ganhando ração seca de adulto! A veterinária vai castrar eles e aí vou poder doar os filhotes. Não posso ficar com eles, se tivesse casa, ficava… mas na rua não dá. Se tivesse uma casa… quem tem casa pode ficar com eles.” O mundo pra ele é assim, dividido entre quem tem e quem não tem casa.
No meio daquele caleidoscópio cultural de muitas tendências, sabores e saberes, cheiros, gostos, cores, afetos e desejos, carros, gentes, fogos de artifício (até isso teve!) e alucinante movimento, ali ficamos um bom tempo, conversando com o catador sob os olhares e acenos de cabeça de uma mulher e um idoso, integrantes do grupo. Que moram ali na Paulista, dormem sobre cobertores e sob marquises e contam com a ajuda preciosa de voluntários. De qualquer modo, me senti um pouco melhor depois daquela conversa. Consegui até pensar/sentir, ao saber da rede de auxílio que eles têm com seus gatos, que existe sim amor em São Paulo.
E uma ideia ficou me martelando na cabeça e ainda continua, por isso a compartilho com vocês, concordem ou não (pois a esquerda tende a desprezar o micro e valorizar o macro, no campo da ação social): a enorme importância da solidariedade miúda, cotidiana, face-a-face, micro social e micropolítica, em tempos de retrocessos dantescos como o que vivemos. Urge estender a mão para aqueles que nos rodeiam nas marquises da vida, na chuva que cai e gela corpo e alma, corpos humanos abraçados aos não humanos, por vezes os únicos que lhes dão calor e afeto incondicional. Nas ruas das megalópoles contemporâneas homens e mulheres sem dentes, sem banho diário e sem refeições decentes e certas, abraçam cães e gatos também desvalidos e soltos na vida. Se entendem. Se apoiam. Se somam.
Como país, saímos de aproximadamente dez anos de crença relativamente otimista na macro política. Apesar dos pesares, dos mensalões, das alianças com Jucás e Sarneys e Cabrais, o Brasil saía do mapa da fome da ONU; as universidades se pintavam um pouco mais de negro e pardo; a água chegava aos sertões nas cisternas (que agora Temer quer secar); os pobres (incluindo alunos meus com seus depoimentos comoventes) podiam cursar a universidade e ter direito à ascensão social. Eu me sentia pessoalmente mais digna com isso; mais humana, mais feliz, mais gente.
Quando tudo se esboroou rapidamente, em coisa de dois anos mais ou menos, e fomos assaltados por uma quadrilha de bandidos, saindo das tocas no legislativo, executivo e judiciário (este último aparelhado pelo conservadorismo de direita de uma forma acachapante), por movimentos de extrema direita que condenam exposições de arte ao mesmo tempo em que direitos sociais (os parcos que foram conquistados) são retirados diuturnamente, nos vemos sem chão. Deprimidos, atordoados, desesperançados. E é aí que se destaca a possibilidade que existe nas miudezas do cotidiano: a solidariedade que impede a morte por inanição e o suicídio existencial.
Destacam autores, nas ciências sociais, como os que sugeri acima, que somos seres de vínculos. E que isso é o que vem nos mantendo vivos por milênios. A solidariedade – relações sólidas, – nos pode salvar da desesperança. Pratiquemos, pois, as solidariedades anônimas, cotidianas, aparentemente pequenas, mas hoje soberbamente importantes.
Amigos que passarem pelo Extra da Av. Bigadeiro Luiz Anatonio em Sampa, levem ração pra cachorro, comida para o homem triste, palavras amistosas e quem sabe até um abraço. Não tenham medo das pessoas nas ruas. Elas conversam, apertam a mão, recebem doações, trabalham, dividem o pouco que têm, são honestas e inacreditavelmente resilientes. Pelo menos a grande maioria delas. A vida de muita gente, em tempos que minguam os salários, empregos, auxílios, renda mínima, pode depender disso. E ficamos todos mais gente, mais dignos, mais completos. Porque somos seres de vínculos; também capazes de egoísmo e indiferença em nosso potencial diverso, contraditório e ambíguo, mas que sem a solidez das relações sequer sobreviveriam nesse mundo.
Pessoal que andar pela Paulista nas imediações do MASP, levem sachês para gatos filhotes na bolsa. Nosso amigo catador tem mais 15 dias para alimentar os filhotes antes de poder oferecê-los pra doação. Quem sabe vocês até adotam um, depois desse tempo?
Quando forem ali, numa exposição de arte contemporânea, ao enfrentar a caterva pseudo-moralista que hoje grassa, uma forma possível de resistência será auxiliar àqueles que, do outro lado da rua, lutam para criar gatos saudáveis. Para vocês verem como as nossas vidas são ao mesmo tempo ridiculamente pequenas e algo grandiosas; nossa existência, comezinha, vertiginosamente rápida, insignificante, pode guardar alguma importância na sua trajetória frágil; nossos grandes projetos, coletivos e pessoais, a maioria sob constante ameaça de desagregação e morte, são contudo vitais, inadiáveis. As solidariedades, pequenas e grandes, tais como a vida humana. Micro, mas também macropolíticas: porque haveremos de, um dia, retomar as instituições e fazer desse país um lugar minimamente decente. Até lá, a vida nos pede coragem, muita luta e alguns sachês de filhote de gato na bolsa.
[1] Sofrimento ético político e sofrimento social, ver respectivamente: [MIURA, Paula; SAWAIA, Bader. Tornar-se catador: sofrimento ético-político e potência de ação. Psicologia & Sociedade, 2013, 25.]
[VICTORA, Ceres. Sofrimento social e a corporificação do mundo: contribuições a partir da Antropologia. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, v. 5, n. 4, dec. 2011.]
[2] Sobre vínculos sociais, ver: GAIGER, Luiz. A descoberta dos vínculos sociais. Os fundamentos da solidariedade. Ed. Unisinos, 2016.Margs expõe "Planeta Vermelho" – Desenhos de Fábio André Rheinheimer
O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli apresenta a exposição “Planeta Vermelho – Desenhos de Fábio André Rheinheimer”, a partir da terça-feira, 03/09, às 19h, com entrada franca.
A mostra pode ser visitada de 4 de outubro a 26 de novembro nas Salas Negras. São 16 obras que celebram o imaginário do artista, representado em uma topografia do seu universo poético, por meio de técnica apurada e subjetividade.
O Margs distribuiu o seguinte texto sobre a mostra:
Aquilo que se insinua sem se afirmar“O esforço em desvendar o espaço para compreender seus modos de representação acompanha a História da Arte desde suas mais remotas manifestações. Nessa busca, tanto artistas como arquitetos foram levados a explorar soluções por diversas vias, porém imbuídos de um mesmo objetivo: planificar em uma superfície como o papel ou a tela o que se dava a ver na tridimensionalidade do espaço — e também o seu inverso. Foi assim, por exemplo, que se desenvolveram os saberes do desenho geométrico projetivo e dos tratados de perspectiva da Idade Média e do Renascimento.
Esse desejo de dominar o espaço pela sua representação encontrou no desenho o meio privilegiado de apreensão do real. A abordagem científica que é própria à razão conduziu ao domínio dos códigos visuais da realidade segundo os princípios rígidos das leis da matemática.
Daí, ao mesmo tempo, ter-se desenvolvido a formação de um olhar naturalista que logo impôs um estatuto visual que concedeu privilégio à interpretação mimética da realidade, no sentido de reprodução e fidelidade ao que se vê e da maneira como se vê.
O que as correntes modernas da abstração trouxeram com o século XX foi, entre outras coisas, a possibilidade de desnaturalizar esse olho que por séculos disciplinou-se a criar sentidos somente por fidedigna correspondência a um referente real externo. Ao se voltar ao que é específico à planaridade do meio, a orientação abstrata liberou o olhar da servidão naturalista a que fora submetido, confrontando o observador a experenciar o fenômeno visual a partir de novos entendimentos.
A realidade não mais se encontrava necessariamente lá fora, na feição das coisas como elas se apresentam, mas, sim, dentro de uma realidade própria ao sujeito na sua capacidade de conferir sentido às formas em um processo interior e mental. Uma realidade enquanto imaginário, fruto da possibilidade de se criar imagens a partir do que ainda não era nem estava dado, mas somente concebível enquanto pensamento.
No campo da arte, o impacto não foi algo menos que tremendo, pois ao artista não cabia mais oferecer a representação do mundo conforme se aparentava ao olhar. Seu estímulo passava a ser a possibilidade de poder ver tudo de outro jeito, muitas vezes radicalmente diferente. Foi então que o artista se viu lançado a percorrer uma realidade que era somente sua, porque localizada no interior de seu imaginário, ao qual a chance de acesso era dada somente a ele. Assim, esse novo entendimento “do ver” logo levou ao desafio “do mostrar”. Ou melhor, “do como mostrar”. Eis a empreitada encarada por diversos artistas desde então, como é agora o caso de Fábio André Rheinheimer em seu mais novo trabalho.
“Planeta Vermelho” é a reunião de uma série de trabalhos de inegável orientação abstrata. O caminho até eles é conduzido pelo interesse do artista em tornar expresso um imaginário que antes existe apenas como ideia e conceito em sua poética. Estamos falando de um universo particular ficcional que convoca o desenho como recurso para estabelecer comunicação sobre algo que inicialmente habita apenas o universo criativo do artista — que se é real ao sujeito, é abstrato para o outro. Nesse sentido, o desenho não deixa também de corresponder a um desejo de projeção das profundezas da subjetividade individual para a exterioridade comum ao mundo e aos outros.
Para Fábio André Rheinheimer, seus desenhos oferecem visões de relevo, como parte integrante de um imaginário sobre a superfície do referido Planeta Vermelho. É como se ele estivesse esboçando a topografia do terreno de pouso para onde nos leva em um plano de voo pelo seu universo poético. Embora o artista veja apenas pedras sobre pedras em seus desenhos, em um ato talvez de modéstia sobre o seu trabalho, aceitar essa visão de pronto seria reduzir a abertura que a arte pode proporcionar ao desestabilizar percepções.
Sendo arquiteto de formação, Fábio André Rheinheimer já havia tido no passado uma relação instrumental com o desenho geométrico. Recentemente, reencontrou os lápis de cor e se viu experimentando um tipo de desenho um tanto diverso do que praticara na arquitetura. Ele continuava se valendo das formas geométricas, mas a rigidez do pensamento matemático cedera lugar à liberdade do criar. Se acompanharmos as linhas, perceberemos que elas fingem ser perspectiva, pois o que está contido nelas é algo de indisciplina e desvio, que sempre escapa à regra ou não a confirma. Ao observarmos as tramas que resultam das composições, também nada nos oferecerá o conforto da explicação do que são ou possam ser.
Esses desenhos estabelecem jogos dinâmicos com os planos e as volumetrias por baralharem nossos códigos visuais pré-figurados. São jogos porque o que Fábio André Rheinheimer busca é extrair sensações pelo recurso da ilusão, interessado nas maneiras como cada percepção é atingida e ativada. Só que não se trata de ilusão de ótica como pode parecer, mas de acionar os artifícios ilusórios do desenho em sua tarefa de representar o tridimensional planificando-o.
São desenhos que não fazem mais do que arquitetar espaços, ainda que tais espaços não sejam reais nem encontrem referentes externos. Apenas o título da série — “Planeta Vermelho” — pode sugerir algo que a cultura se encarregue de nomear. Se abrirmos mão da referência endereçada ao planeta Marte, logo nos veremos desamparados em meio às formas e volumes que se movimentam e confluem no plano do desenho. Aqui, desamparo significa potencialidade, uma vez que somente assim temos a chance de despir o olhar naturalizado para que possamos ver nos trabalhos o que neles se insinua sem se afirmar”.
SERVIÇO
Título: Planeta Vermelho – Desenhos de Fábio André Rheinheimer
Artista: Fábio André Rheinheimer
Texto de apresentação de Francisco Dalcol
Abertura 3 de outubro (terça) de 2017
Visitação: De 4 de outubro a 26 de novembro de 2017
Local: Salas Negras do MARGS (Praça da Alfândega, s./n.)
Entrada Franca

