Autor: da Redação

  • Venda de animais na Expointer tem queda de 12%

    A 40ª Expointer recebeu em nove dias de feira mais de 382,6 mil pessoas e movimentou R$ 2.035.790.142,62 em negócios.
    A venda de animais registrou queda em relação à edição anterior. Com R$ 10.613.132,00 em negócios, a redução foi de 12%. O artesanato comercializou R$ 1.100.000,00. Já os negócios no setor de máquinas e implementos agrícolas chegaram a R$ 1.923.226.000,00, um aumento de 0,75% em relação a 2016.
    O volume de negócios da Feira da Agricultura Familiar alavancou as vendas em 6%, em comparação à edição do ano passado. Foram R$ 2.851.010,62 vendidos dos produtos coloniais, um aumento de 40% em comparação com 2016.
    Ao todo, foram promovidos 479 eventos, que receberam mais de 40 mil pessoas. O público pode conhecer a representação também de 19 estados e 11 países.
    Para o secretário do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcisio Minetto, a edição mostrou a força do cooperativismo. “O pavilhão da Agricultura Familiar é um espaço de saudade da avó e do avô, onde o público se sente à vontade e onde estamos recuperando o consumo pelos produtos das agroindústrias”, constatou.

  • Prefeitura de Porto Alegre deposita parcelas de R$ 650 e R$ 1 mil aos servidores

    A Prefeitura de Porto Alegre realiza nesta segunda e terça-feira, 04 e 05 de setembro, os depósitos de mais duas parcelas referentes aos salários do funcionalismo do mês de agosto. Nesta segunda-feira serão creditados R$ 650 e, na terça-feira, parcelas de R$ 1.000, integralizando os salários de 65% dos servidores (20.828 matrículas).
    Com mais esses depósitos, o total pago para cada servidor será de R$ 4.950, contando com a primeira parcela já paga em 31 de agosto.
    Segunda a Fazenda municipal, os valores somam R$ 22,8 milhões e correspondem à segunda e à terceira parcelas dos salários.
    O saldo restante de R$ 35,4 milhões (35% das matrículas) será pago até 15 de setembro, conforme o ingresso de receitas nos cofres municipais.
    O secretário municipal da Fazenda, Leonardo Busatto, diz que todos os recursos que ingressarem nas contas do município estão destinados ao pagamento dos salários dos servidores. “A prefeitura está realizando todos os esforços para quitar a folha do funcionalismo no menor tempo possível”, disse Busatto.
    Este é o terceiro mês consecutivo que a prefeitura parcela os salários dos servidores municipais. E em evento na semana passada, o prefeito Nelson Marchezan Júnior avisou que a situação vai piorar nos próximos meses. “Vai piorar. Vamos pagar menos no dia 30 e atrasar mais a segunda parcela”, disse no lançamento do projeto do hospital Santa Ana. Para Marchezan somente a contenção de despesas e a aprovação de projetos na Câmara de Vereadores, como os de revisão de gratificações e da revisão do IPTU, podem amenizar as contas do município. — avisou o prefeito, que no mês passado parcelou o salários dos servidores,

  • Maia defende privatizações e questiona estabilidade no emprego público

    O presidente da República em exercício, o deputado federal Rodrigo Maia, defendeu hoje, 04/09, a privatização das empresas públicas durante o Fórum Exame, voltado a empresários, em São Paulo. “Não precisamos privatizar para zerar o deficit público, mas para ter certeza de que sabemos que, nas mãos do setor privado, [as empresas] são mais eficientes”, disse.
    Maia levantou também a questão da estabilidade do emprego no setor público. “Existem áreas em que será necessária alguma estabilidade, outras não são necessárias”. O presidente em exercício citou como argumento para uma possível mudança no status dos servidores a falta de recursos para a Previdência pública não apenas em âmbito federal, mas também nos estados brasileiros.
    Da Agência Brasil

  • Fotógrafo Otávio Teixeira expõe "Pampianas Paisagens", na sala J.B. Scalco

    O Pampa e suas nuances é o tema da exposição “Pampiana Paisagens”, do fotógrafo Otávio Aguiar. O conjunto de 10 fotografias em papel fotográfico, em preto e branco, está exposto na sala JB Scalco, no Solar dos Câmara da Assembleia Legislativa e integra o projeto Pampa Gaúcho, que lança um olhar sobre as belezas do bioma, principalmente para a parte meridional do Estado.
    O expositor
    Otávio Teixeira é natural de Viadutos (RS), Otávio Teixeira é graduado em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e dedica-se à fotografia desde 1996. Foi colunista e fotógrafo do jornal eletrônico “Baguete Diário” entre 1999 e 2002. Recebeu Menção honrosa e exposição no 1º concurso fotográfico do Mercado Público de Porto Alegre. Participou da 1ª Mostra Fotográfica coletiva na cidade de Melo, Uruguai, e nas cidades de Bagé e Rio Pardo, Brasil, pelo Núcleo de Jornalistas de Imagem de RS; 2ª Mostra do Núcleo de Jornalistas de Imagem – Museu de Comunicação – Porto Alegre.
    É também co-autor do Projeto Mosaicografia na Casa de Cultura Mario Quintana – Porto Alegre; Mostra Coletiva, Instantes Urbanos II – Fórum do Imaginário, RS; Curadoria, Organização e Produção Executiva, Mosaicografia 2016, Largo Glênio Peres – Porto Alegre; Curadoria e edição de imagens na exposição fotográfica “Por Onde Andei”, de Jorge Aguiar; Exposição “Estelar, Sobre os Céus do Pampa” no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.
    Serviço
    Exposição fotográfica “Pampianas Paisagens”
    Local: Sala JB Scalco, do Solar dos Câmara da ALRS
    Data: 04 a 20 de setembro
    Visitação de segundas às sextas-feiras, das 8h30 às 18h30

  • S.O.S. Amazônia

    Não é por acaso que o slogan S.O.S. Amazônia correu as redes sociais nas últimas semanas. As medidas provisórias sobre a Renca – uma reserva ambiental entre os estados do Pará e Amapá. As MPs idealizadas pelo Governo Federal por meio do Ministério de Minas e Energia com a chancela do presidente da República, foram editadas sem muita discussão e sem muito debate. Elas reduzem essa área de proteção, permitindo explorações como as realizadas pela indústria da mineração. O que mais chamou a atenção é que a dimensão territorial desta redução é maior que a extensão da Dinamarca e, além disso, a exploração poderá ser feita por empresas de outros países, em especial, da Ásia e da União Europeia.
    Como disse Cristovam Buarque quando esteve nos Estados Unidos: “Se a Amazônia, sob a ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizaremos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. E ainda: Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país”.
    Junto a este importante debate, por determinação do governo, esse processo se paralisará por 120 dias até que seja encontrada uma solução mais “adequada”. Pelo menos foi o que afirmou o Ministro de Minas e Energia. Talvez isso também se deva aos grandes protestos e debates contrários, além de uma importante informação noticiada pela WWF – Fundo Mundial da Natureza, sobre novas descobertas científicas na Amazônia: 381 novas espécies, entre plantas, peixes, anfíbios, répteis, mamíferos e alguns fósseis.
    Entre os encontrados e catalogados estão 216 novas plantas, 93 peixes, 19 répteis, 18 mamíferos e dois mamíferos fósseis. A cada dois dias, uma nova espécie de ser vivo é descoberta na Amazônia. Neste sentido, vem a ecoar como o grito dos livres o protesto contra a “venda ilegal da Amazônia”.
    É sabido que toda a exploração mineral nesta região causa profundos impactos naturais, culturais, econômicos e também deixa marcas nas populações locais. Diante disso, não basta apenas editar uma medida provisória para liberar ou não a exploração. O que se deve fazer são estudos que venham a comprovar o que o governo diz na mídia de que não haverá prejuízos ao meio ambiente. Hoje, mais de 90% da mineração realizada na Amazônia e em outros estados não cumprem as medidas socioambientais, e além disso, na desativação das lavras o ambiente degradado não é recuperado, tornando-se, em alguns locais, verdadeiras paisagens lunares.
    Como cidadãos preocupados com o meio ambiente e com a qualidade de vida das futuras gerações, devemos questionar tudo aquilo que nos é apresentado de forma superficial e sem pesquisa científica, ainda mais quando oferece o que temos de melhor para organizações internacionais que querem apenas a exploração. Com todos esses fatos, parece-me que estamos vivendo novamente o período de colonização do Brasil.
    Rodrigo Berté é diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades, do Centro Universitário Internacional Uninter.

  • A fala de Dilma na ABI

    Para quem é normalmente considerada uma figura pouco afeita à política, Dilma Rousseff mostrou na última quinta-feira, 31 de agosto, que não é bem assim. Em um discurso pausado e calmo, de quase uma hora e meia, na Associação Brasileira de Imprensa, a ex-presidente da República deixou claro que está longe de ignorar algumas algumas relações bastante sutis da política.
    É interessante destacar, por exemplo, sua avaliação sobre a (aparente?) divisão no seio do grupo golpista que tomou o poder de assalto, no golpe consumado em 31 de agosto de 2016, mas que havia sido desfechado com sucesso, e desde então definitivamente, em 17 de abril na Câmara dos Deputados: “Tem uma cisão (entre os golpistas), mas tem também uma unidade entre eles: unidade pela reforma da Previdência, pela reforma trabalhista, pela entrega das terra férteis, pela entrega da Petrobras”, disse, no evento “descomemorativo” de um ano do golpe.
    Dilma parece ter politicamente amadurecido anos no último ano. Deve ter aprendido muito com seus erros políticos e as justas críticas que recebeu sobre sua condução da política econômica a partir de 2014, cujo clímax foi a nomeação de Joaquim Levy para comandar a Fazenda no segundo mandato. Críticas como a de Luiz Gonzaga Belluzzo, que me disse em dezembro de 2014: “O país está entregue à ignorância dos macroeconomistas (…) Eles vão cortar renda e emprego. Só que isso vai ser feito com uma recessão.”
    Ou como disse André Singer esta semana: “Sou crítico a Dilma, principalmente pela nomeação de Joaquim Levy (ao ministério da Fazenda), um grande equívoco, mas faço questão de fazer justiça a ela, porque ela foi corajosa no sentido de implementar um programa que decidi chamar de ensaio desenvolvimentista”
    É certo que Dilma errou e não errou pouco. Só que errar ou conduzir equivocadamente as políticas de Estado estão longe de justificar a estupidez golpista que assola este país desde que se tornou uma República. No evento da ABI, a ex-presidente afirmou que o golpe que a derrubou mostra “por que temos a mais egoísta, atrasada e irresponsável elite”. As elites de outros países, acrescentou, “pensaram em sua nação, perceberam que seu destino seria maior se elas incorporassem o destino de seu povo. No nosso caso, tivemos sempre uma imensa dificuldade de fazer os processos mais simples de inclusão”, disse ela. Para mim, o país-paradigma dessa observação de Dilma chama-se Estados Unidos da América.
    Essas avaliações podem parecer óbvias, mas não são. Vi analistas políticos destacarem a divisão que haveria entre os líderes do golpe, ou pelo menos a falta de coesão que poderia comprometer o próprio sucesso de seus planos a médio prazo. O “racha” que dentro do PSDB seria um dos mais importantes. Tudo ledo engano.
    A avaliação de Dilma (“tem uma cisão, mas tem também uma unidade entre eles”) é muito mais lúcida. Me faz lembrar o que disse o cientista político Vitor Marchetti, da UFABC, há um mês, quando o assunto do momento era a divisão dos tucanos entre os que queriam ficar e os que defendiam abandonar o barco de Temer: “Acredito que essa divisão do PSDB tenta dialogar com as duas pontas da sociedade: a daqueles que não toleram a corrupção e mantêm esse discurso de ‘fora todos, não aceito corrupção’ etc., mas também dialoga com a parcela para a qual o que importa é que as reformas avancem. Até a divisão do PSDB pode ter sido orquestrada”, disse Marchetti. “O partido não fechou com Temer, mas apoia a agenda de desenvolvimento segundo a agenda liberal. Eu acho, inclusive, que eles fizeram as contas, sobre quem vota a favor e quem vota contra.” Embora circunscrita ao PSDB, a análise é a mesma que Dilma faz em relação ao conjunto mais amplo dos golpistas para além do PSDB.
    A fala de Dilma na ABI me parece, em certos aspectos, mais precisa do que os discursos do próprio Lula, que, apesar de seu carisma, sua liderança, sabedoria e genialidade política, às vezes soa como um populismo ultrapassado e cansativo.
    Outro aspecto que tem me impressionado é a maneira como Dilma tem sido recebida pela militância e mesmo por setores mais amplos do que o próprio PT. Ela é recebida com enorme receptividade. Torturada por covardes na ditadura, primeira mulher presidente do Brasil e deposta pela “mais egoísta, atrasada e irresponsável elite”, Dilma é um símbolo. Um símbolo guerreiro em um país colonizado e pusilânime.
    Como já escrevi em post no ano passado: “Minha imaginação me leva, conduzido por Platão, a uma situação. Imaginemos que o Brasil fosse hoje um país que, com todas as suas características (a diversidade principalmente), estivesse no patamar de uma nação desenvolvida e politicamente respeitada, na qual as oligarquias espúrias tivessem sido reduzidas a sombras da história e não mais influenciassem a vida do país.
    “Nessa hipótese platônica, governando um país que tivesse superado sua triste vocação a colônia, Dilma Rousseff seria uma presidente e líder sofisticada”.
    No caso brasileiro, temos ainda o congênito problema da apatia de um povo que não reage e que é tratado pela esquerda como pobre vítima. “Por que o povo está tendo seus direitos e interesses massacrados e ainda não entrou em cena aqui no Brasil, eu ainda não sei”, me disse o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) recentemente.
    Mas falar o povo brasileiro é outro assunto. Fica para outra oportunidade.
    (Publicado originalmente com o título “Dilma Rousseff, símbolo de resistência num país colonizado e pusilâmine”, no blog do autor FatosEtc).

  • Empoderamento de minorias é tema de aula inaugural no Instituto de Física da UFRGS

    O Instituto de Física promove no dia 5 de setembro, às 16h, no anfiteatro do Instituto de Geociências, uma aula inaugural com o tema “Empoderamento de minorias e inclusão na sociedade e no mercado de trabalho”.
    A palestrante é Tania Consentino, presidente da Schneider Electric para América Latina. Aberta à comunidade em geral.
    Anfiteatro do Instituto de Geociências fica no prédio 43128, na avenida Bento Gonçalves, 9.500 – Campus do Vale.

  • “A base governista aumentará a chantagem sobre Temer”, diz cientista político

    Para o cientista político Benedito Tadeu César, a votação da madrugada da quinta-feira, dia 31, na qual o governo Michel Temer não conseguiu aprovar a ampliação do déficit fiscal para R$ 159 bilhões em 2018, decorreu mais de um vacilo da base governista e do empenho da oposição do que de uma fadiga no apoio a Temer. “A base de Temer é fisiológica e oportunista. Com o desgaste crescente do governo, que não consegue entregar o que prometeu, ou seja, com a manutenção da estagnação econômica e, ainda, com a eminência da apresentação de uma nova denúncia contra Temer por parte de Janot, a base governista aumentará a chantagem, aumentando o preço do apoio. Penso que a base está sinalizando neste sentido”.
    Benedito é mestre em antropologia social e doutor em ciências sociais. Professor aposentado e especialista em análise política, comportamento eleitoral e partidos políticos. Atualmente integra as coordenações do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito e do Comitê Gaúcho do Projeto Brasil-Nação.
    Fórum – O governo atual não conseguiu aprovar a ampliação do déficit fiscal para 2018. Na sua avaliação, esse fato é um sinal de que a base de Michel Temer no Congresso Nacional está dando sinais de fadiga?
    Benedito Tadeu César – Acredito que a votação da madrugada de quinta-feira (31) decorreu mais de um vacilo da base governista e do empenho da oposição do que de uma fadiga no apoio a Temer. A base de Temer é fisiológica e oportunista. Com o desgaste crescente do governo, que não consegue entregar o que prometeu, ou seja, com a manutenção da estagnação econômica e, ainda, com a eminência da apresentação de uma nova denúncia contra Temer por parte de Janot, a base governista aumentará a chantagem, aumentando o preço do apoio. Penso que a base está sinalizando neste sentido, indicando que o preço do apoio aumentou.
    Quais as razões para essa suposta fraqueza, uma vez que Temer distribuiu emendas parlamentares para escapar do processo de impeachment e, aparentemente, cooptou grande número de parlamentares?
    Acrescento ao aumento do preço da chantagem também o fato de que a base governista está preocupada com sua própria reeleição. Com a proximidade das eleições de 2018, os deputados e senadores governistas ficam cada vez mais preocupados com a sua própria reeleição do que com a sustentação de um governo impopular como o de Temer. Isso, aliás, faz com que o preço do apoio se eleve ainda mais.
    Analisando sob uma perspectiva mais ampla, o senhor acredita que o governo Temer, apesar de ter evitado o impedimento, mostra desgastes que ainda podem levá-lo a não finalizar o mandato, em uma nova denúncia da Procuradoria-Geral da República?
    Acredito que a não autorização de investigação de Temer em decorrência de uma nova denúncia de Janot depende, mais uma vez, da quantidade e do valor das emendas que ele liberará aos parlamentares da sua base. Dificilmente Temer não terminará o mandato, pois o tal do “mercado” não tem ninguém com mais cacife do que ele para colocar no seu lugar. Meirelles, que é o presidente de fato e que representa os interesses do mercado financeiro, não tem traquejo para o trato com a base e não saberia conduzir as negociatas com a maestria que Temer e sua troupe detêm. A deposição de Temer traria, portanto, mais instabilidade econômica e atrapalharia os negócios do mercado financeiro.
    Além disso, nada garante que o STF, dominado por Gilmar Mendes e seus acólitos, vá fundo na investigação de Temer, caso a autorização acabe passando no Congresso Nacional. As próprias ruas não têm dado sinais de reação efetiva. Sem uma imensa pressão popular, não acredito que seja possível haver qualquer abalo significativo no atual governo.
    O trabalho da grande mídia corporativa no sentido de construir o descrédito com a política e, principalmente, com os políticos e os partidos políticos de esquerda foi muito grande e eficiente. As pessoas estão atônitas e apáticas, pois lhes falta uma bandeira, uma liderança e uma estrutura político partidária e social capaz de organizar e dar direção a uma forte reação popular. Foram estes os motivos que fizeram com que não tenha vingado, até aqui pelo menos, a campanha das Diretas Já e da antecipação das eleições. Por meio das instituições da República, todas mancomunadas de alguma forma e em algum nível com o golpe, não me parece que seja possível ocorrer a interrupção do mandato de Temer.
    O senhor acredita que o governo ainda encontrará força para conseguir aprovar a reforma da Previdência?
    Parece-me que há uma grande chance de a reforma da Previdência não ser aprovada, pois ela é muito impopular. As pessoas comuns entenderam mais rapidamente os efeito nefastos da reforma da Previdência, atualmente proposta, do que os que advirão com a reforma trabalhista e, por esse motivo, reagiram. A base parlamentar está preocupada antes de tudo com sua reeleição, como já afirmei. Assim, quanto mais se aproxima o final do atual mandato e mais próximo fica o momento em que os parlamentares terão que buscar o voto dos seus eleitores, mais difícil fica a aprovação da reforma da Previdência. Todo cuidado é pouco, no entanto, pois a ameça não está afastada.
    Em face desse cenário no Congresso, como projeta os próximos passos do governo Temer?
    Penso que Temer tentará acelerar as privatizações e a entrega das reservas naturais do país às grandes corporações internacionais, quase todas controladas por grandes financeiras. Talvez seja mais fácil conseguir a aprovação das privatizações e da modificação nas leis de terras e de exploração mineral do que aprovar a reforma da Previdência. Isso se deve ao fato de que o cidadão comum não se sente atingido prejudicialmente com essas medidas. Pelo contrário, a grande mídia corporativa consegue fazê-los crer que as empresas públicas são cabides de empregos e nefastas ao país. Temer e sua base política, tanto parlamentar quanto aqueles setores financeiros que os colocaram no poder, tentarão impedir que Lula ou alguém indicado por ele, no caso do seu impedimento em decorrência da condenação em 2ª Instância, seja eleito presidente da República.
    Depois de tudo o que fizeram e do desmonte que estão promovendo, não correrão o risco de deixar o poder, decorridos apenas dois anos, e ver tudo começar a ser revertido. Por esse motivo, não hesitarão um instante em aprofundar o golpe, seja aprovando a toque de caixa o sistema parlamentarista, seja encontrando algum meio para suspender ou adiar a eleição presidencial de 2018. Esta, parece-me, é a maior prioridade de Temer e de todos os que, de alguma forma, se envolveram com o golpe, sejam parlamentares, empresários, grandes investidores, da grande mídia corporativa ou de parcela significativa dos integrantes do Ministério Público e do Judiciário.
    O cenário que vivemos hoje me lembra o de 1965, quando muitos ainda acreditavam nas intenções democráticas dos militares que haviam dado o golpe e tomado o poder e pensavam que as eleições presidenciais daquele ano seriam realizadas. O que ocorreu foi a edição do Ato Institucional nº 2, que prorrogou o mandato de Castelo Branco até 1966, extinguiu os partidos políticos e impôs a eleições indireta do seu sucessor. Cabe, portanto, ao campo democrático popular se organizar e se mobilizar, desde já, em torno de uma grande aliança democrática para resistir e impedir que novas etapas do golpe sejam desfechadas.
    Lucas Vasques/Revista Forum

  • Governador Sartori lança Plano Estadual de Saneamento na segunda-feira, 4

    O governo do Estado lança nesta segunda-feira, dia 4, pela manha, o Plano Estadual de Saneamento. O documento vai estabelecer as diretrizes e as ações prioritárias para o saneamento em todo o Rio Grande do Sul, levando em consideração a realidade e as peculiaridades de cada região. O evento será no Palácio Piratini, com a presença do governador José Ivo Sartori.
    Coordenado pela Secretaria de Obras, Saneamento e Habitação (SOP), o plano será desenvolvido ao longo de dois anos e abrangerá os quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais urbanas.
    Na parte da tarde, na Assembleia Legislativa, será realizada a primeira edição do ciclo ‘Os desafios do saneamento no RS – construindo o Plano Estadual de Saneamento’, com a participação de técnicos da área, representantes de municípios, entidades, professores, estudantes e público em geral. O evento é uma realização do governo do Estado e Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes).
     

  • Agricultura Familiar atrai grande público da Expointer

    O Pavilhão da Agricultura Familiar, um dos espaços mais visitados durante a 40ª Expointer, que encerra neste domingo, dia 3, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, oferece qualidade e diversidade de produtos. Queijos, salames e copas, geleias e mel, bolachas, artesanato, plantas e flores, sucos, vinhos e cachaças são alguns dos produtos que os visitantes encontram desde a primeira edição da feira, mas, a cada ano, novas opções chamam a atenção do público.
    Desta vez, três novidades despontam no mercado gaúcho, trazidas por empreendimentos familiares assessorados pela Emater/RS-Ascar: o Rancho das Cabras, de Taquara; o Sabores do Rancho, de Estância Velha; e a Cervejaria Stein Haus, de Picada Café.
    Produtos do leite de cabras
    Há 13 anos, Cláudia e Eduardo Almeida, pais da então bebê Vitória, hoje com 14 anos, moradores de Canoas, decidiram morar no interior e, em Taquara, conheceram criadores de cabras e passaram a adquirir o leite, revendido para amigos e conhecidos na região. As vendas foram aumentando e o casal, há dois anos e meio e com um plantel de quase 120 cabras, buscou assessoramento da Emater/RS-Ascar para abrir o laticínio, liberado pela vigilância há um mês.
    “Nossa primeira leva fabricada é a que está na Expointer”, comemora Cláudia, ao citar que a Rancho das Cabras produz leite pasteurizado, iogurtes não adoçados e com polpa de frutas, e queijos variados e finos, como o boursin (cremoso e temperado com ervas), o feta (grego, na versão com apenas leite de cabra, ao contrário do tradicional, que é com leite de cabra e de ovelha) e o curado fresco e meia-cura. “Tudo sem conservantes nem corantes ou essências”, destaca Cláudia.
    Na Expointer, o empreendimento, muito visitado, teve os produtos saboreados por três alunos do Colégio Tiradentes de Porto Alegre, que degustaram o iogurte de cabra. “É muito bom”, avaliou Victor Calcanhotto, 16 anos. “É diferente e está aprovado”, disse Felipe Aprato, 17 anos. Já para Angelo Dambroz, também de 17 anos, que frequenta o Pavilhão da Agricultura Familiar há quatro anos, esse é o espaço preferido na feira. “Os produtos são muito bons”, elogia.

    Expositores apostam na diversidade de produtos e na apresentação de novidades aos visitantes Foto: Sofia Wolff/ Especial Palácio Piratini

    Picolés artesanais
    A Sabores do Rancho Laticínios Artesanais traz como novidades picolés artesanais, elaborados a partir do leite produzido pelas vacas Jersey da propriedade situada na localidade de Morro Agudo, em Estância Velha. Chama a atenção a variedade de sabores: morango e melancia, à base de água, e os cremosos, com o leite do sítio, nos sabores morango, banana caramelizada com canela, nata e o de chocolate 50% cacau, além de sorvetes de milho e mirtilo.
    Para a sobrinha da proprietária, Júlia Blauth, que auxilia nas vendas, os picolés estão fazendo sucesso, “pois as pessoas têm curiosidade em experimentar esses sabores diferenciados”. Além dos picolés, a proprietária Rafaela Jacobs, com auxílio do marido, o veterinário Eduardo Blauth, produz iogurtes, como o grego nos sabores morango e mel com nozes, e queijos coloniais.
    Rafaela conta que, apesar de viver na cidade, sempre foi apaixonada pelo meio rural. “Tanto que vim morar no interior e aqui tenho meu trabalho”, explica a produtora, que, apesar de ser técnica de enfermagem, deixou o emprego para elaborar queijos e iogurtes e legalizar, com o apoio da Emater/RS-Ascar, a agroindústria Sabores do Rancho, através do Programa Estadual de Agroindústria Familiar.
    Hoje, com quase sete anos, a agroindústria está cadastrada no Programa Sabor Gaúcho e no Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agroindustrial (Susaf), comercializando seus produtos na Feira do Produtor, realizada aos sábados, das 7h às 11h, e nas quartas-feiras, das 14h às 19h, no Centro de Estância Velha e em exposições e feiras no Estado, como a Expointer.
    Para até o final do ano, Rafaela projeta expandir a produção de picolés e lançar sorvetes naturais, com 100% frutas e, claro, produzidos a partir do leite das vacas de sua propriedade, onde hoje 21 estão em lactação, de um rebanho de 48 animais.
    Espuma orgânica
    O mercado das cervejas artesanais está em expansão e não poderia ser diferente no RS, terra de imigrantes alemães e também de apreciadores de cervejas e chopes. É um tipo de bebida emergente nesse mercado diferenciado, pelos produtos utilizados na elaboração.
    No caso da Cervejaria Stein Haus, de Picada Café, o casal empresário Loiva Jung Fritsch e Ricardo Fritsch estão desde 2014 investindo em um produto cada vez mais procurado por seus atributos artesanal e orgânico. Hoje, para fabricar as seis cervejas da marca, são utilizados grãos de trigo e cevada estritamente da agricultura familiar, cultivados por agricultores orgânicos de Santo Antônio do Palma e de Vacaria, assim como a aveia e o centeio.
    “Produzimos cerveja com sabor daqui, incluindo, nessa cadeia produtiva, os agricultores familiares orgânicos de nossa confiança”, ressalta o empresário, ao comparar que 90% dos cervejeiros artesanais brasileiros fazem a bebida com malte importando da Bélgica e da Alemanha. “Fazemos o mesmo sabor das bebidas de lá”, diz Fritsch, ao reafirmar que a Stein Haus se diferencia no sabor e na proposta de utilizar grãos orgânicos cultivados no RS.
    Até o início da primavera, em meados de setembro, novas cervejas serão lançadas pela família, que também produz suco e vinho. “Vamos ter mais três tipos de cerveja”, diz Fritsch, ao destacar que o registro foi liberado há pouco mais de 20 dias.
    Serão lançadas uma cerveja Helles Mangaba, à base de malte pilsen, com frutas do norte da Bahia e de Sergipe (incluídas na bebida no terceiro dia de fermentação); a Rauchbier, cerveja de trigo defumado à base de lenha de laranjeira velha; e a Blonder, servida há dois anos em chope, mas que será engarrafada pela Stein Haus pela primeira vez.
    Os 600 litros de cerveja produzidos incialmente pela cervejaria artesanal de Picada Café passaram para 2.600 litros por mês, e a previsão para novembro é de 5.600 litros de cerveja orgânica por mês. “Estamos ampliando para atender à demanda  crescente”, avalia Fritsch.
    Na Expointer, as cervejas artesanais da Stein Haus são comercializadas no Pavilhão da Agricultura Familiar com auxílio de Dionei Brum, que trabalha há pouco mais de um ano com o casal empreendedor e participa de feiras divulgando o produto.
    Adriane Bertoglio Rodrigues/Governo do Estado