Autor: da Redação

  • Procon divulga nova pesquisa de preços da gasolina em Porto Alegre

    O Procon Porto Alegre realizou nessa sexta-feira, 11, nova pesquisa de preços da gasolina comum praticados em 46 postos de combustível da Capital. Os valores encontrados para a gasolina variam de R$ 3,799 a R$ 4,069. Do total, 16 postos reduziram os valores do litro da gasolina comum em relação à segunda-feira, 7. O levantamento de preços é realizado semanalmente pelo órgão municipal.
    Os consumidores que desejam contribuir com a lista podem enviar, nas segundas e sextas-feiras, quando novas pesquisas são realizadas, uma fotografia do preço do posto encontrado para o inbox do facebook do Procon Porto Alegre, ou pelo twitter. Além do preço, o consumidor deve mandar o nome do posto e o endereço do local. Os próprios postos que desejarem ter seu preço divulgado também poderão fazê-lo entrando em contato com o Procon Porto Alegre.
    Reclamações – Os consumidores de Porto Alegre podem registrar suas denúncias também pelo site do Procon municipal. O atendimento presencial fica na rua dos Andradas, 686, sede do órgão. Diariamente, são distribuídas 90 fichas de atendimento, das 9h às 16h. O Procon Porto Alegre é um órgão vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico.

  • Prefeitura restaura sobrado do século 19 após ação do MP

    A Prefeitura de Porto Alegre está concluindo a primeira parte da restauração de um imóvel do século 19, no centro da Capital. O sobrado fica na rua Riachuelo, 645, entre as ruas General Canabarro e General Bento Martins. A obra é resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público em 1999. Foi determinada a limpeza e recuperação estrutural do sobrado. As obras, que estão sendo realizados com recursos do Fundo Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, devem ser concluídas até o final deste ano.
    Em 1977, por meio da Lei 4317, o prédio foi considerado “de valor histórico e cultural e de expressiva tradição na cidade de Porto Alegre”. Porém, o então proprietário, Júlio Zancani de Azevedo, solicitou sua exclusão da Lei para poder demoli-lo e construir um edifício moderno, o que foi indeferido pela Prefeitura. O tombamento aconteceu em 1980.
    A importância arquitetônica do sobrado é motivada por ser um dos poucos prédios remanescentes da arquitetura colonial luso-brasileira com sua técnica construtiva em Porto Alegre, sendo todas as paredes de tijolos assentados com argamassa de barro e as esquadrias com verga em arco.
    “Acreditamos que a recuperação desse imóvel é mais um fator que contribui para a valorização e preservação do centro histórico de Porto Alegre”, afirma a promotora do Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Maria Moreira Marchesan.
    Conforme informações do Município, já foram feitas a consolidação da estrutura do imóvel, a complementação de paredes que haviam sido demolidas, a recuperação, a pintura da fachada e a limpeza interior.

  • Diego Caetano apresenta recital de piano na Casa da Música

    No domingo, 13 de agosto, às 18h, o pianista Diego Caetano fará um recital com obras de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Francisco Mignone (1897-1986) e Frederic Chopin (1810-1849).
    A apresentação é a terceira desse ano da Série Pianíssimo da Casa da Música. O valor do ingresso é espontâneo.
    A Casa da Música localiza-se na Rua Gonçalo de Carvalho, 22, próximo ao Shopping Total.
    Programa
    Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
    Suite Floral, Op. 97 (1917)

    1. Idílio na Rede
    2. A Camponesa Cantadeira

    III. Alegria na Horta
    Francisco Mignone (1897-1986)
    Sonata No.1

    1. Moderato
    2. Andantino, quasi Allegretto

    III. Moderato
    Frederic Chopin (1810-1849)
    Ballade Op.23
    Ballade Op.38
    Ballade Op.47
    Ballade Op.52
     

  • Projetos que mexem nos salários coloca prefeito e servidores em rota de colisão

    Um pacote de medidas enviadas por Marchezan à Câmara esquentou ainda mais a relação entre o prefeito e os municipários. As propostas de alteração da Lei Orgânica do Município e do Estatuto dos Servidores autorizam o parcelamento de salários, retiram a licença-prêmio e mexem com as gratificações dos servidores.
    No dia 1º de agosto, enquanto o prefeito explicava as medidas em entrevistas no gabinete, servidores municipais lotavam a Praça Montevidéu em frente ao Paço Municipal para protestar. Três mil pessoas participaram do ato, segundo o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), que organizou a manifestação.
    O Simpa já encaminhou a presidência da Câmara de Vereadores um pedido de audiência pública para discutir os projetos. O Prefeito justificou que as medidas são necessárias porque a Prefeitura está quebrada. A licença prêmio custa R$ 400 milhões a cada cinco anos, alegou Marchezan.
    O diretor do Simpa, Alberto Terres, diz que o discurso de falência é tática. O prefeito quer desviar a pauta enquanto entrega os serviços públicos para a iniciativa privada.
    Para o sindicato, Marchezan elegeu os municipários como inimigos. Para Marchezan, as críticas são de uma oposição partidária de PT e Psol. A relação é conturbada desde o início da gestão.
    Em março, quando prefeito e Simpa se reuniram pela primeira vez, a primeira discórdia. Marchezan queria apresentar o fluxo de caixa da Prefeitura. O sindicato queria apresentar a pauta de reivindicações aprovada em assembleia.
    No fim de maio, servidores lotaram a sessão de votação na Câmara e o prefeito retirou a proposta que acabava com a reposição automática da inflação nos salários.

    Discussão e votação de projeto do Executivo a respeito do aumento da alíquota da previdência dos servidores municipais. Na foto, manifestantes entram no plenário durante a sessão.

    No início de julho, a vitória foi do governo. Em sessão que teve invasão do plenário e votação a portas fechadas, foi aprovado o aumento de 11% para 14% da contribuição dos servidores para o Previmpa, a previdência municipal.

  • Inaugurado primeiro parque eólico da Região Metropolitana

    Com geração de energia suficiente para o consumo de 140 mil residências, abastecendo cerca de 320 mil pessoas, o Complexo Eólico Pontal, localizado no distrito de Águas Claras, em Viamão, na Região Metropolitana, foi inaugurado nesta sexta-feira (11/08).
    O governador José Ivo Sartori e o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior, participaram da cerimônia.
    Para a construção e a implantação de três parques foram investidos R$ 330 milhões.
    O parque, que teve o apoio do governo do Estado, BNDES e Badesul, conta com 25 aerogeradores, totalizando 59,8 megawatts de potência instalada. A expectativa da Enerplan é chegar a cinco parques, atingindo um investimento na ordem de R$ 600 milhões, propiciando geração de emprego e renda e distribuição de energia limpa.
    “O Complexo Eólico do Pontal simboliza uma mudança de realidade para a região e um novo momento na geração de energia no Rio Grande do Sul e no Brasil”, afirmou o governador. Sartori disse que essa é uma grande vitória para o estado e para os empreendedores. Também lembrou que o país ocupa a nona colocação no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica.
    Setor em crescimento
    De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), nos últimos seis anos o investimento feito pelas empresas da cadeia produtiva de energia eólica somam R$ 48 bilhões. Os recursos são calculados em relação aos megawatts instalados.
    De 2017 a 2020, estima-se um investimento de cerca de R$ 50 bilhões, considerando o que ainda está previsto para ser instalado. Em 2016, a geração de energia eólica cresceu 55% em relação a 2015, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

  • Carlos Araújo e a luta armada: "Foi uma rebeldia cega"

    Morreu neste sábado, 12/08, o ex-deputado Carlos Franklin Paixão Araújo, 79 anos.
    Araújo foi um dos fundadores do PDT, partido no qual foi ligado a Leonel Brizola e pelo qual se elegeu deputado estadual por três vezes. Era advogado trabalhista e tinha escritório em Porto Alegre. Ele deixa uma única filha, com a ex-presidente Dilma, Paula Rousseff de Araújo.
    Durante da ditadura militar, ele foi militante da organização Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-Palmares), onde conheceu a ex-presidente Dilma Rousseff, com quem foi casado.
    A Santa Casa de Porto Alegre confirmou o falecimento, na madrugada deste sábado. Ele estava internado desde o dia 25, com problemas pulmonares crônicos e uma infecção das vias aéreas, na unidade de terapia intensiva do Pavilhão Pereira Filho.
    O velório será na Assembleia Legislativa, das 15h às 21h deste sábado. Em seguida, o corpo será cremado em cerimônia privada com a família. 
    A ex-presidente Dilma estava no Rio de Janeiro quando soube da notícia, mas já retornou para Porto Alegre. 
    Para lembrar o pensamento e a trajetória de Araújo, o JÁ republica a entrevista para a edição especial da revista sobre os 50 anos da ditadura de 1964
    ELMAR BONES
    A esquerda que pegou em armas contra a ditadura de 1964 acreditou que poderia queimar etapas e pular direto para o socialismo. Sem apoio popular, os guerrilheiros ficaram isolados e foram trucidados.
    Esta é a síntese que se pode extrair de uma conversa com Carlos Araújo sobre esse período de trevas, que a história rotulou de Anos de Chumbo (1969/1975), quando muitas organizações pegaram em armas para derrubar o regime militar.
    Ele tem autoridade para falar. Filho de um advogado comunista, viveu infância e adolescência em meio a reuniões políticas e a conspirações. Em 1964, estava mergulhado até o pescoço nos movimentos sociais que pressionavam o governo Jango por reformas.
    Com Francisco Julião, o líder das Ligas Camponeses, percorreu a América Latina, conheceu Fidel Castro e Che Guevara.
    Foi preso por alguns meses depois do golpe e voltou à ativa, organizando trabalhadores e defendendo sindicatos em Porto Alegre.
    Depois do AI-5, convenceu-se de que o caminho para enfrentar a ditadura era a luta armada. Nesse período conheceu e casou com Dilma Rousseff. Preso e torturado, tentou o suicídio para se livrar dos suplícios.
    Amargou quatro anos de cadeia e, com a redemocratização, retomou a vida política, ajudou a fundar o PDT, foi eleito deputado estadual três vezes e foi candidato a prefeito de Porto Alegre, onde vive e, aos 77 anos, ainda cumpre sua rotina de advogado trabalhista.
    Ele recebeu o repórter duas vezes em sua casa para falar das experiências do guerrilheiro Max. O que segue é um resumo dessas conversas.

    Não está na hora de uma autocrítica sobre a luta armada?

    É importante fazer essa revisão. É o momento de mexer nisso, mas com muito cuidado, tem muita gente viva e são pessoas corretas, embora equivocadas politicamente.
    Foi equívoco de quem?
    É preciso ver um pouco da formação da esquerda brasileira e latino-americana. Até 1956, por aí, rigorosamente a esquerda era só o partido comunista, em vários países. Tinha uma esquerda trotskista, pouco expressiva. O “Partidão” era tão respeitado socialmente nessa época que o cara que saía ou “era saído” ficava malvisto, ficava “queimado”. Eu pude acompanhar isso tudo, entrei para o partido comunista com 14 anos. Meu pai era comunista e veio para Porto Alegre para ser advogado dos sindicatos. Foi o primeiro advogado no Brasil a defender só trabalhadores.
    Nessa época, os comunistas faziam forte oposição a Vargas…
    Totalmente contra. Lembro que fizeram uma reunião do partido na minha casa, de manhã… eu estava curando uma pneumonia… De repente nós ouvimos tiros, saímos para ver. Era uma multidão nas ruas quebrando tudo e partindo pra cima do Exército. O Getúlio havia se matado… e nós preparando um manifesto contra ele.
    Era o 24 de agosto de 1954…
    A multidão, sem ninguém que orientasse, foi de jornal em jornal quebrando tudo… Rádio Farroupilha, Diário de Notícias, a imprensa que atacava o Getúlio. Eu fui junto, de repente a massa se dirige para a sede da Tribuna Gaúcha, o jornal do Partidão… A multidão foi lá e quebrou tudo. Fiquei chocado, louco com aquilo… algo estava errado! O povo está de um lado e nós estamos de outro!
    O povo estava com Vargas…
    Aí veio o relatório do (Nikita) Kruschev, O Estado de S. Paulo publicou na íntegra, num caderno especial. Fomos questionar a direção do Partidão, na época: o Luiz Carlos Prestes, o Giocondo Dias (que era quem mandava mesmo), o Mário Alves, o Jacob Gorender, o João Amazonas, o Carlos Marighella, os caciques. O Partidão respondeu dizendo que era tudo falso.
    Coisa da imprensa burguesa…
    Exato. Aí, em 1957, no 5º Festival da Juventude, em Moscou, quase 40 mil pessoas de vários países, a delegação brasileira foi com 500 pessoas. Lá, vimos que o povão estava com o Stalin. Custamos a entender esse processo, mas, quando voltamos, fomos questionar a direção do partido. Aquilo não era coisa da imprensa burguesa, nós vimos lá dentro do Kremlin. Houve um debate, acabamos saindo do Partidão.
    Foi a primeira dissidência…
    Formamos a Associação de Estudos e Debates Castro Alves, que reuniu uma gurizada, quase mil jovens. Alugamos uma sala grande na Galeria do Rosário, que estava em construção. Foi um período de grande agitação e iniciativas precursoras. Mas o problema era o seguinte: não tinha pra onde ir, não tinha mais esquerda. Não ia aderir aos trotskistas, não ia voltar para o Partidão. Então caiu do céu a Revolução Cubana. Ficamos fidelistas, debraystas. Então vamos estudar Debray (Regis Debray), a teoria do foco, a guerrilha. “Somos cubanos”. Quando começamos a ativar os focos, em Goiás e Mato Grosso, o Jango assumiu o governo e com isso desviamos o nosso foco. Como iríamos fazer guerrilha com o Jango no poder?
    Como era a esquerda nesse momento?
    Havia o Partidão, com muitas dissidências, os trotskistas, o PCdoB e nós, os debraystas, os foquistas. Quer dizer, chegamos em 1964 com as esquerdas fragilizadas, divididas, sem base teórica, ninguém tinha conhecimento, nunca estudaram a história dos países. Nós fomos ser foquistas porque não tínhamos preparo político. Se tivéssemos maior preparo teórico, conhecêssemos mais o marxismo, não teríamos seguido esse caminho. A nossa ignorância, o exemplo de Fidel…
    Cuba era o grande exemplo…
    A Revolução Cubana era uma coisa maravilhosa, que emocionava a todos nós, na nossa cegueira, parecia o único caminho. A luta armada no Brasil é produto da rebeldia contra a ditadura, mas uma rebeldia cega, mal direcionada. Hoje eu posso dizer que tenho orgulho de ter feito isso, era jovem, desprendido, fomos para o pau, porque achávamos que tínhamos que ir, embora estivesse errado em tudo.
    Não tinham base popular.
    O MDB veio nos mostrar que estavam certos, a realidade mostra isso. Em 1974, com a vitória nas urnas, foi o começo da libertação, da queda da ditadura. Nós, da esquerda despreparada, não tínhamos outro caminho a não ser o esquerdismo, o espontaneísmo. Tinha Cuba, o discurso de Fidel… a ideia de que se ele fosse brasileiro, a ditadura não duraria um dia a mais no Brasil… Ora, aquilo para Cuba estava bem, até para a Nicarágua foi bom; pro Brasil, não.
    O que seria bom para o Brasil?
    A realidade brasileira era uma ditadura violenta e, tentando confrontá-la, uma esquerda muito frágil. Aquilo que o Lênin chamava de a doença infantil do comunismo. Se olhar a história da esquerda brasileira, é um fracasso completo. O Prestes era uma nulidade política. Quando ele acertou foi por oportunismo, mas tão fugaz que não teve significado nenhum. Foi um cara dedicado, um excepcional estrategista militar, um companheiro brilhante, tudo bem, mas essa é outra história. A trajetória política real é um desastre. Em 1934, Getúlio escreveu um bilhete para o Osvaldo Aranha dizendo assim: “Osvaldo, esses comunistas aí são os nossos principais aliados, pena que eles não sabem, porque são muito ignorantes.” E, realmente, um ano depois tentaram derrubar o Getúlio com uma quartelada imbecil.
    Também um grave erro de avaliação.
    Então, a luta armada no Brasil é fruto da violência da ditadura e do confronto com a esquerda espontaneísta. Só podia dar no que deu, fomos destruídos. Quando a ditadura brasileira apertou, em dois anos liquidou com a luta armada. O problema é que não reconhecíamos nossa fragilidade. Dá para contar detalhadamente sobre essa fragilidade, onde ela se revelava. Não agora, talvez…
    Se revelava nos rachas…
    E na cadeia… aí a coisa se revelou da forma mais grotesca, violenta possível, nada ético, nada moral. Porque tu tá fechado numa sala e vem todo o ódio pra cima de ti, 24 horas por dia. Eu estive num cadeião, com 700, 800 presos. O pau quebrava, violência total.
    Qual é a conclusão?
    Nós temos que nos orgulhar por termos ido à luta, desprendidos, alguns perderam suas vidas, mas isso é insuficiente para a vitória. Isso pode ensinar um comportamento, a viver no perigo, mas não ilumina ninguém teoricamente e não faz que entenda a realidade. Claro, discutir isso mais detalhadamente é importante, mas vai atingir pessoas que estão aí, algumas influentes na sociedade, pessoas honestas… E alguns não irão admitir essas coisas, seus comportamentos na cadeia, é compreensível…
    Foste preso em São Paulo?
    Fiquei dois anos preso em São Paulo e fui transferido para Porto Alegre, na Ilha do Presídio. Aquilo era antiga Casa da Pólvora, paredes de pedra bruta, quase um metro, e só tinha uma entrada. Lá dentro botaram um assoalho, e dividiram em celas, abertas, tinha uns 50 presos ali. Aí instituímos uma rotina de estudos, criamos a Associação de Presos da Ilha do Presídio, tiramos CNPJ, e até ganhamos uma licitação da Brigada Militar para fazer cinturão, coldre e outras coisas de couro. Produzíamos muita bolsa de couro, era moda, e os familiares vendiam pra nós no Centro. De manhã nós estudávamos. Ali na ilha eu fiquei pouco tempo, seis meses, depois fomos levados para o Presídio Central. Na verdade eu e um companheiro, o Elói Martins, estávamos marcados para morrer, mas consegui avisar meu pai na noite em que iam nos levar… ele botou a boca no trombone e o plano furou.
    Houve tortura no início?
    No início, lá em São Paulo, me bateram muito, apanhava até desmaiar. Tanto que decidi me matar, inventei que tinha um ponto com o Lamarca (o que eles mais queriam) e quando cheguei na rua me atirei embaixo de uma Kombi. Fui pro hospital todo quebrado, fiquei nove dias, quiseram me torturar no hospital, mas uma freira impediu.
    Por que não houve, até hoje, uma autocrítica sobre a luta armada?
    Porque nós não somos uma esquerda evoluída, embora tenhamos melhorado bastante em alguns aspectos. E também porque uma autocrítica mais profunda envolve referência a pessoas e muitas estão aí vivas. Não querem se envolver mais com isso. Há um infantilismo político também, mas falta distanciamento histórico.
    Por que havia tantos rachas?
    Todos tinham como metas a revolução socialista, a divergência era na tática. Os grupos tinham muitos militares, que não viam motivo para se fazer um trabalho urbano, de organização dos trabalhadores. Eles nos viam como bundas-moles, que queriam ficar na cidade, em vez de ir pra Serra. “Em vez de comprar arma tu quer editar jornalzinho”. Aí começavam os rolos intermináveis.
    Outra fragilidade era a falta de apoio da população.
    Sim. As ações nas cidades eram complicadas por isso. Por exemplo: a gente pegava um caminhão de carne e levava lá pro morro e distribuía com panfletos… ninguém queria saber, só queriam pegar a carne. Abríamos um supermercado pra quem quisesse pegar qualquer coisa, ninguém parava para nos ouvir, pegavam qualquer produto e saíam correndo. Nós fomos assaltar um banco e fizemos discurso em frente ao banco… ninguém parava para nos ouvir. Tinham medo, queriam que aquele assalto acabasse logo. Uma ação desastrosa podia ferir, matar alguém.
    Faltou a base popular, da qual a esquerda tanto fala…
    A gente não fala muito disso porque é hilário, o esquerdismo é hilário. Então a gente tem que ter essa compreensão. O povo desconhecia a nossa existência e, quando conhecia, ficava contra. Porque nós estávamos fora da realidade.
    Qual era a dimensão desses grupos no início?
    Aqui nós tínhamos um grupo com muita gente, uns 200 caras organizados, discutindo e fazendo trabalho de base. Aí começamos ver ações em quartéis, em bancos. E marcamos uma reunião com a turma do Colina, no Rio. Fui à reunião,  conheci a Dilma lá. ​Depois fizemos uma reunião com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e decidimos que o nome seria Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Aí fomos para outra reunião em São Paulo e depois um encontro, grande e demorado, em Teresópolis. Todo mundo com uma metralhadora na mão. As divergências eram muitas e houve momentos de grande tensão. Aí rachou, alguns dos nossos apoiaram a VPR, militarista, e alguns dos deles ficaram ao nosso lado, os “massistas”. E nós ficamos só como VAR Palmares. Não chegamos a fundir com a VPR, cada um foi para um lado.
    O cofre do Ademar de Barros foi depois disso?
    A ação no cofre do Ademar foi da VAR Palmares e tinha dois caras da VPR, convidados por nós a participar. A VPR tinha as armas, e nós tínhamos o dinheiro. A tentativa de fusão fracassou, mas VAR continuou, a VPR também, até matarem todos. Lamarca foi o último, era um socialista espontâneo.
    Havia romantismo?
    Havia. A Beth Mendes era da VAR. Tinha 18 anos, queria coordenar uma ação. Fez todo o planejamento de uma ação na casa de um colecionador de armas e foi. Ela fez todo o levantamento. Ela era a artista mais famosa daquela época. O principal assessor dela nessa ação foi o Pérsio Arida… e o Pedro Farkas.
     
    Getúlio deu o rumo [da aglutinação das forças sociais]. Ele foi um fenômeno. Eu, que pretendo ser marxista, tenho que admirar Getúlio
     
    Havia também um ambiente…
    Nesse período havia a mística das revoluções. Havia um ambiente internacional, as esquerdas todas queriam saber o que fazer. Cuba, Nicarágua, Vietnã, na França, em 68. Uma conjuntura internacional em ebulição. ​​O movimento social que havia no Brasil era trabalhismo, onde estavam os operários, os sindicatos. A direita dizia que eram pelegos, porque apoiavam o governo getulista, e a esquerda entrou nesse papo, mas como fazer o Prestes entender isso? O Getúlio ofereceu ao Prestes o comando militar na Revolução de 30. Se o cara fosse um marxista ele tinha que aceitar na hora. Os dois eram amigos e o Prestes não quis papo. Em 32, o Getúlio mandou chamar o Prestes, ele recusou… Há pouco, fui convidado para uma palestra na USP. Estou pensando em falar sobre o Getúlio Vargas. Era Vargas um marxista?
    Era?
    Talvez. As provas dele na Faculdade de direito estão aí, todas, inteirinhas. Na prova de Economia Política, de 1903, Getúlio, com 21 anos, escreveu: “Minhas referências filosóficas e políticas são Saint Simon, Herbert Spencer e Karl Marx”. Ainda estou pesquisando, mas acho que ele conhecia bem o Marx. No primeiro discurso dele à nação, após a Revolução de 30, ele diz o seguinte: “Meu governo terá por fundamento uma democracia social, uma democracia econômica e uma democracia política. O Estado será o indutor do desenvolvimento. Agora, as rédeas do processo estarão nas mãos firmes das forças sociais”. Ele disse isso, e omitiu a palavra “proletariado”, mas depois ele falava direto a palavra “proletariado”. O governo Lula tinha isso intuitivo. O Lula começou a ler Getúlio, os livros do Lira Neto, e ficou louco, se apaixonou.
    O golpe de 64 dizia-se contra o comunismo. Na verdade, era contra os avanços do trabalhismo.
    Claro. O Getúlio era um homem muito consciente. Quando tomou o poder em 30, ele tinha em mente uma pergunta: como vai se construir o capitalismo brasileiro? E ele respondeu no primeiro pronunciamento à nação: “No meu governo, haverá por fundamento uma democracia social, uma democracia política e uma democracia econômica. O Estado será indutor do desenvolvimento e as rédeas do processo estarão nas mãos firmes das forças sociais”.
    Não há um certo ‘comtismo’ nessa postulação?
    Pode ser, mas nessa época, o Getúlio já havia superado o comtismo. Acho que têm outras coisas no meio disso.
    O Estado como o “conciliador das classes”…
    Ele apostava nisso. Mas o Getúlio rompeu com o comtismo em 1925, 1926. Quando ele criou o Banrisul, em 1928, ele rompeu por completo, porque os comtistas jamais imaginaram que o Estado tivesse um banco. As elites paulistas e mineiras diziam que as tais “forças sociais” não teriam, de forma alguma, condições de conduzir, o processo. Só o capital internacional, que tem experiência e grana. O embate é o mesmo até hoje, só o nível um pouco diferente. Isso foi o que derrubou o Getúlio, em 45. Depois, o levaram à morte em 54, e depois derrubaram o Jango. E levaram o Lula a enfrentar quatro eleições até ser presidente. Porque, de certa forma, o governo Lula deu continuidade àquilo lá.
     
    O Brizola já dizia que, na América Latina, a social-democracia é uma revolução. É isso mesmo
     
    A linha trabalhista, nesse sentido de aglutinar as forças sociais, é a mesma?
    Sem dúvida nenhuma. Getúlio deu o rumo. Ele foi um fenômeno. Veja o seguinte: em 1866, veio a primeira eleição na Inglaterra, o inglês não sabia o que era voto. Sabiam o que era rei. Dois candidatos: um representante do capitalismo que estava nascendo e, o outro, do feudalismo que estava morrendo. O Marx era presidente da 1ª Internacional dos Trabalhadores. Os jornais fizeram a pergunta: em quem os trabalhadores devem votar? O capitalismo na época era aquele negócio terrível das pessoas trabalhando horas e horas sem descanso semanal, crianças trabalhando durante horas, morrendo. O Marx reponde: os trabalhadores devem votar no capitalista, porque é a nova sociedade, que vai trazer progresso, um passo adiante daquela que está morrendo, vai criar uma classe operária forte, aí depois essa classe saberá conduzir uma nova sociedade.
    Os marxistas, de modo geral, sempre foram hostis a Vargas…
    Sim, porque eles não eram marxistas, achavam que eram. Achavam…
    Voltando à ditadura de 1964, o País ainda se ressente daqueles 21 anos, não?
    Um dos piores legados da ditadura foi acabar com a vida política estudantil. Uma geração inteira não fez política. Há uma retomada agora, mas é muito difícil. Eu dou palestras em colégios, e noto que querem aprender a fazer política. Eu digo que, com a idade deles, eu já participava de grêmio estudantil, a escola nos obrigava a ter um pensamento político. Uma menina de 17 anos me perguntou o que meus pais diziam de tudo aquilo que nós fazíamos.Isso mostra certa ingenuidade.
    O decreto 477 foi para acabar com o movimento estudantil.
    Aquilo foi um atraso significativo para o Brasil. E está ligado ao atraso tecnológico, porque nossos principais cientistas foram estudar fora do País. É um milagre que a Embrapa tenha sobrevivido. O descaso com o conhecimento e a tecnologia foi um crime do regime militar quase tão grave como o que aconteceu no campo político. Ficamos para trás. Ainda hoje estamos longe de recuperar o terreno.
    Queria retomar… às primeiras tentativas de resistência…
    Eu comecei a participar de 1966 pra frente. Eu fazia movimento operário, clandestino. Sem partido. Só organizando o movimento operário. Fizemos a primeira greve na ditadura. E nós tínhamos um grupo forte em Porto Alegre, com pessoal das fábricas, tinha operários, estudantes e muitos seminaristas de Viamão. Tínhamos jornal e tudo, e daqui a pouco começamos a ver pelo Brasil muitas organizações armadas, em Minas, São Paulo.
    Vocês tinham contato com eles?
    Fizemos contato com o pessoal da organização Colina, de Belo Horizonte, e fomos num encontro em janeiro de 69, teve um encontro no Rio, nos identificamos com eles, mas já estavam muito fragilizados, muitos presos, até mortos, mas tinha muita gente de várias partes do País, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Rio. Fizemos uma reunião e decidimos juntar todo mundo. Num encontro lá na serra no Rio de Janeiro.
    E a aproximação com a VPR?
    Nessa mesma época, a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) do Lamarca nos contatou para ver se contava com a gente. Marcamos um encontro em São Paulo e fomos, sete companheiros nossos e sete deles. Parte deles se identificavam com a posição minha e da Dilma, de dar ênfase ao trabalho de base, de organização. Parte do nosso grupo se identificava com os outros da VPR, militaristas. E aí decidimos uma fusão. E, marcamos uma reunião em Teresópolis, reunimos, numa casa, 50 pessoas, era democrático, cada estado vinha com uma representação. Havia muitas divergências e ninguém queria abrir mão de nada. Uns eram militaristas, queriam fazer foco, enquanto outros queriam ficar no trabalho político, nos sindicatos, nos bairros. Metade de um grupo apoiava a metade do outro, era uma confusão geral.
    João Goulart?
    Acho que o Jango foi prisioneiro do Partido Comunista, que teve muita influência. Porque o Jango era um progressista, era preparado para aquilo lá, mas quem o apoiava? Ele coloca ao seu lado o Partidão, não tinha outro, e o Partidão, muito equivocado sempre, começou a cometer mais equívocos.
     
    O Jango era um líder preparado, mas ele ficou isolado. Tentou se apoiar no Partido Comunista, mas o partido sempre equivocado só piorou as coisas
     
    Quais os equívocos?
    O principal deles: não ter organizado uma resistência ao golpe. Não houve reação ao golpe. Por exemplo, o Darcy Ribeiro, um homem preparado, um homem excepcional, mas não para fazer política. O general Assis Brasil, comandante, mas política zero. Então, quem restava ali?
    O Almino Afonso?
    Eu convivi com o Almino, nós somos muito amigos, ele acabava se consumindo, era indispensável. Um grande orador, um grande articulador, mas era uma batalha dia a dia ali no Congresso.
    O Jango estava sozinho.
    O Jango era um gênio. A precocidade do Jango era inacreditável. Mas, era solitário. O Getúlio também, só teve o Osvaldo Aranha para falar. Faltou um Osvaldo Aranha para o Jango. Em 34, o Getúlio diz para o Osvaldo Aranha: “Osvaldo, esses comunistas aí são nossos principais aliados, pena que nem sabem porque, são muito ignorantes”. O que é o PT hoje, o Lula, a Dilma, a hegemonia das forças sociais, está óbvio. Nós estamos discutindo o desenvolvimento capitalista, não outra coisa. Até porque o socialismo vem depois do capitalismo, nós temos que entender isso, que o socialismo vem para dividir fartura, não miséria.
    A revolução é outra?
    Só vontade de fazer não basta. Hoje está colocado na ordem do dia desenvolver o capitalismo. O Brizola dizia: a social democracia na América Latina é uma revolução, vamos tirar milhões de companheiros nossos da miséria. Isso vai criar outra coisa e não sabemos o que vai vir atrás disso aí. É verdade. Aqui a social democracia é uma revolução. Como não? Como tiramos 30 milhões da miséria? Isso não é uma revolução? Claro que é. Só aqui no Brasil que a mídia diz que não é. Em qualquer parte do mundo consideram uma revolução.
     
    Cadeia não é bom para ninguém, mas me fez bem. Eu nunca tinha estudado, fiquei quatro anos lá e foi onde pude estudar
     
    A revolução armada…
    Era um voluntarismo. Mas há um aspecto interessante: nós fomos derrotados, dizimados, nos deram um tapa e nos derrubaram, mas sentimos orgulho daquilo que fizemos. Mesmo porque foi um baita equívoco nosso, a luta militarizada. Mas nós tomamos uma atitude, errada, mas… Pra mim, quem estava certo era o MDB que foi para a eleição em 74 e com voto e voto deu aquela vitória esplendorosa. Eles mostraram que estavam certos e nós errados. Pra nós, que sobrevivemos, foi uma lição muito forte.
    A um custo alto…
    Tem outros aspectos que a gente não fala, porque não dá clima, cadeia não é bom para ninguém, mas me fez bem. Eu nunca tinha estudado, fiquei quatro anos lá e foi onde pude estudar e ler pra valer, estudava 10, 12 horas por dia, um negócio sistemático. Claro que tirando a fase da tortura, mas depois que você vai para o presídio e fica ali estudando, aí a gente não fala isso porque pode ser mal compreendido. Sei que hoje está meio cedo para falar isso tudo. É que você tem que tirar coisas boas das situações ruins e entender que nada é tão bom assim, sempre tem um lado ruim também.

  • Transporte em colapso: menos isenções, mais aumento

    Os ônibus em Porto Alegre perderam 22 milhões de passageiros no ano passado. Para este ano, a estimativa é de que o sistema perca mais 11,5% de passageiros. São pessoas que perderam o emprego ou que simplesmente não conseguem mais pagar os R$ 4,05 da passagem.
    Para as empresas que operam o sistema, segundo elas informam, é um prejuízo que supera os R$ 100 milhões desde o ano passado. É a conta da crise e do desemprego, que chega para todos.
    A situação dos usuários que perderam o ônibus não motivou até agora nenhuma iniciativa importante da prefeitura. Mas a perspectiva de um “colapso financeiro” nas concessionárias do transporte público deu origem a medidas emergenciais.
    Seis projetos chegaram à Câmara Municipal no final de julho, antes mesmo que terminasse o recesso dos vereadores. Eles cortam benefícios dos usuários e aliviam custos das empresas, como o aumento da vida útil dos ônibus e o fim da obrigatoriedade do cobrador.
    Com um decreto, o prefeito retirou a gratuidade da segunda passagem, que vigorava desde 2011. O trabalhador que precisa tomar dois ônibus para chegar ao serviço terá um aumento de 50% na segunda passagem. Segundo a EPTC, eles representam 13% dos usuários. O transporte público em Porto Alegre é um serviço caro e ruim.
    Este ano, a EPTC já aplicou nas concessionárias mais de cinco mil multas por descumprimento de requisitos contratuais, como atrasos nos ônibus e realização de menos viagens que o previsto. As propostas da prefeitura para “evitar o colapso” reduzem as isenções para idosos, estudantes, professores e portadores de necessidades especiais e de doenças crônicas.
    O fim da obrigatoriedade dos cobradores e o aumento do tempo de uso dos veículos também estão entre as propostas.
    Mesmo com os cortes, passagem vai subir acima da inflação
    Mesmo que todas as propostas sejam aprovadas, a empresa pública afirma que a passagem deve subir para R$ 4,40 no próximo ano. Se não forem aprovadas, a estimativa é de ônibus a R$ 4,61 em 2018.
    Inicialmente, a EPTC justificou que os projetos representariam uma economia de R$ 0,78 anuais e que, no melhor dos cenários, a passagem não iria subir. Uma semana depois, a Administração recuou e mudou os cálculos: a economia é de apenas R$ 0,39. Atualmente Porto Alegre é a segunda Capital com passagem mais cara – atrás de Curitiba, com R$ 4,25 – e também a segunda com maior percentual de isenções – 35%, atrás apenas de São Paulo, com 51%.
    O diretor-presidente da EPTC, Marcelo Soletti, não garante que o corte das isenções reflita em redução da passagem. “O que podemos garantir é que se tirar, o impacto será menor”. Soletti faz um paralelo entre o advento da gratuidade da segunda passagem, em 2011, com os prejuízos acumulados pela Carris, que remetem ao mesmo ano.
    Para seu antecessor, Vanderlei Cappellari, o argumento não é válido. “Isso não existe! A segunda passagem está prevista no valor da tarifa”. A gratuidade da segunda passagem foi uma bandeira defendida por Cappellari na EPTC. Em relação ao corte de isenções, sua posição coincide com a atual gestão. “Tem muita injustiça no sistema, temos que corrigi-las.”
    Já o economista André Augustin, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), tem uma leitura mais crítica sobre as medidas. Para Augustin, “a Prefeitura está se esforçando para falir o sistema”. O economista afirma que o corte de isenções vai fazer cair ainda mais o número de passageiros pagantes. As empresas, segundo ele, poderiam contribuir para o equilíbrio do sistema. “Além disso, a prefeitura poderia, por exemplo, fazer auditoria nas empresas e não aceitar que elas apresentem nota fiscal de combustível acima do valor de mercado”.
    Marchezan recua: 4 meses para o debate
    Os projetos enviados pela Prefeitura serão debatidos ao longo dos próximos quatro meses. O prefeito concordou pela suspensão da tramitação após um pedido do líder do governo, o vereador Claudio Janta (SDD), que havia criticado as medidas e a falta de diálogo prévio. Uma comissão especial com doze vereadores irá debater as mudanças nas isenções.
    O recuo do governo também é uma jogada estratégica para evitar uma debandada da base de governo e a perda de apoio para outros projetos. No primeiro semestre, o prefeito só foi derrotado uma vez no legislativo, o que significa, na prática, a maioria a seu favor.
    Vereadores pedem inspeção especial ao MPC
    Um grupo de 16 vereadores pediu inspeção especial do transporte público de Porto Alegre, em função do decreto da segunda passagem. O pedido foi encaminhado ao promotor do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino. Os vereadores argumentam que a medida fere a isonomia do sistema, não garantindo direitos iguais ao usuários e penalizando aqueles que não tem um linha linha direta para seu trajeto normal.
    Outro argumento é que o decreto fere a concorrência pública do transporte público que prevê que “a criação ou extinção de isenções, gratuidades ou outros benefícios dados aos USUÁRIOS deveria ser remetido a recalculo tarifário”. A iniciativa partiu da líder da oposição, vereadora Fernanda Melchionna (PSOL). Além dos sete vereadores da bancada de oposição, assinaram o pedido vereadores do PDT, PSB, PMDB, PSD, DEM e até do PP, partido do vice-prefeito.
    EPTC previa queda de R$ 1,40 sem isenções
    No site da empresa, está disponível um parecer técnico com a estimativa de redução da passagem em até R$ 1,40, em caso de extinção de todas as gratuidades. Neste caso a passagem chegaria a R$ 2,65, uma redução de 34,5%. O documento assinado pelo coordenador de Regulação de Transportes, Márcio Saueressig, foi divulgado em março, após o pedido de reajuste feito pela Sindicato das Empresas de Ônibus. Somente com o corte de isenções proposta pelo governo, a tabela aponta uma redução de mais de R$ 0,50. Entretanto, a empresa pública prevê que, mesmo aprovados os projetos, a passagem vai subir.
    Passagem sobe mais que a inflação há duas décadas
    Estamos em agosto e a EPTC já prevê passagens a R$ 4,61 em 2018, caso o sistema se mantenha como está, sem a retiradas das isenções. O valor representa um aumento de 56 centavos ou 13,8%. O reajuste acima da inflação não é novidade.
    Desde a criação do Plano Real, em 1994, ano após ano, a tarifa do transporte público é reajustada acima da inflação. No período de 23 anos, superou em quase o dobro o índice da inflação. Os dados são do economista da FEE, André Augustin. Neste período, o IPCA foi de 421,40% enquanto os reajustes da passagem foram de 913,51%.

  • Um dia de protestos contra corte de benefícios no transporte coletivo

    A sexta-feira de protestos começou às 5h30, quando ainda estava escuro.
    Um grupo de estudantes bloqueou com pneus queimados o trânsito na Rua Sarmento Leite, junto ao campus central da Universidade do Rio Grande do Sul.

    Conforme a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), cerca de 20 pessoas participaram do protesto. Por volta das 7h30, a Brigada Militar interveio com bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

    Os bombeiros, logo após da ação policial, lavaram a pista e o trânsito foi liberado no local. As oito horas o tráfego fluia normal.

    Mas os protestos continuaram ao longo da manhã, com caminhadas de estudantes por ruas e avenidas na área central. Em frente ao Colégio Parobé, as duas faixas da Avenida Loureiro da Silva foram bloqueadas, por alguns minutos.

    Também foi registrada uma caminhada pela Avenida Venâncio Aires. No trajeto, em direção ao Centro, ruas eram bloqueadas.

    A manifestação terminou em frente à sede da prefeitura, no fim da manhã.

    Os protestos da manhã tiveram por alvo o corte (que não atinge estudantes) da segunda passagem gratuita no caso dos passageiros que precisam utilizar dois ônibus para fazer determinados percursos. Mas também aludiam a cortes na educação e no ensino técnico.

    No fim da tarde, o decreto que acaba com a segunda passagem gratuita foi também alvo do Bloco de Luta Pelo Transporte Público.

     O protesto começou por volta de 18h, no largo da Prefeitura  e durou umas duas horas, quando o grupo se dispersou – a  maioria seguiu até o largo Zumbi dos Palmares onde encerrou a manifestação e uma parte dirigiu-se ao terminal Parobé, ao lado do Mercado Público, para distribuir panfletos marcando um novo protesto contra as medidas do prefeito para o transporte público. Será na terça-feira, 15, às 18 horas.
  • MST desocupa área da CEEE após audiências de conciliação

    Depois de quase nove meses de ocupação e três audiências de conciliação no Ministério Público Federal (MPF), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupou nesta sexta-feira (11/08) o Horto Florestal Carola, da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE), localizado em Charqueadas, na região Metropolitana de Porto Alegre.
    O lugar era utilizado para fabricação de postes de madeira e foi ocupado pela terceira vez dia 14 de novembro de 2016, por cerca de 500 famílias do MST. Segundo o movimento, o objetivo era pressionar para cumprimento de Termo de Compromisso, assinado em 2014 pela CEEE e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para transformar a área, de 1080 hectares, em assentamento.
    Conforme o documento, a CEEE teria que retirar a vegetação e os tocos de árvores do local, onde também haviam embalagens cheias e com resíduos de Arseniato de Cobre Cromatado – produto tóxico que era utilizado na Usina de Preservação de Madeira, que deixou de funcionar em 2013 –, para que o Incra adquirisse a área. À época, a empresa e o Instituto tinham 60 dias para cumprir o compromisso, porém, o prazo não foi respeitado.
    Com a terceira ocupação, o processo tramitou na Comarca de Charqueadas, mas o caso foi remetido em janeiro deste ano para a Justiça Federal, após intervenção do MST e do Incra para declínio de competência. Desde então foram realizadas três audiências de conciliação na 9ª Vara Federal de Porto Alegre, que possui competência exclusivamente ambiental, agrária e residual.
    A última audiência foi realizada dia 13 de julho pela juíza federal substituta Clarides Rahmeier. Ficou acordado que a CEEE cumprirá um cronograma para investigar se há contaminação em parte do horto por produtos tóxicos que utilizava no tratamento dos postes de madeira. Se comprovada a contaminação, a Companhia terá que fazer a recuperação ambiental. O prazo para investigação vence em dezembro de 2018. A CEEE também se comprometeu a ofertar outras áreas ao Incra para criar assentamentos.
    Já as famílias do MST concordaram em desocupar o Horto Florestal Carola em até 30 dias, a contar a partir da data desta última audiência, para dar agilidade ao cumprimento dos acordos estabelecidos na justiça. Por sua vez, o Incra reafirma que ainda tem interesse em adquirir a área para destiná-la à reforma agrária.

  • "Nas Sombras do Coração" em única apresentação no Theatro São Pedro

    Uma das melhores montagens do primeiro semestre no calendário teatral da capital gaúcha, o espetáculo  “Nas Sombras do Coração” (Die Lächerliche Finsternis), de Wolfram Lotz, que estreou em maio, no Instituto Goethe, volta a cena, em única apresentação, no sábado, dia 12, às 21h, no teatro São Pedro. A peça é inspirada no romance “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, e no filme “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola.
    Camilo de Lélis dirige a saga de dois soldados alemães, que viajam por um grande rio na selva do Afeganistão, em busca de localizar e eliminar um oficial renegado que enlouqueceu. Em meio a isso, eles vivenciam o estranhamento dos costumes nativos, o medo arcaico do canibalismo, num universo desconhecido, onde há misticismo misturado à sexualidade; horror em meio ao encantamento. Destaque para a trilha sonora executada ao vivo.
    Com referências à literatura de Joseph Conrad no texto e no cenário; à peça radiofônica de Wolfram Lotz, com seus efeitos sonoros ao vivo; e ao cinema, especialmente ao filme Apocalypse Now, de Francis F. Coppola, a linguagem da peça transita entre o drama, a comédia e a farsa. O púbico poderá rir, refletir e participar da narrativa.
    FICHA TÉCNICA:
    “NAS SOMBRAS DO CORAÇÃO”
    Texto: WOLFRAM LOTZ
    Direção:CAMILO DE LÉLIS
    Elenco: DENIZELI CARDOSO, DIEGO ACAUAN, LUIS FRANKE E MARCO SÓRIO.
    Participação Especial:  ZECA KIECHALOSKI
    Operadores de luz som e performers: DIEGO STEFFANI, JORGE FOQUES, FABRÍZIO RODRIGUES, FERNANDO OCHÔA.
    Trilha Sonora: SÉRGIO ROJAS. Exceto a canção “Silent Leges” de Ricardo Severo
    Figurino: FABRIZIO RODRIGUES –
    Cenografia: FELIPE HELFER
    Iluminação: FERNANDO OCHOA