Acontece neste final de semana, em São Paulo, o Festival Tango Brasil 2017, evento mais importante do calendário tangueiro no país, que reúne nomes de expressão do ritmo porteño no cenário internacional e também vai escolher os representantes brasileiros no Mundial de Tango de Buenos Aires, em agosto. Ao todo, serão dois dias de competição, além de bailes e aulas com maestros convidados.
Porto Alegre está representada no festival pelos professores e bailarinos Mariana Casagrande e Daniel Oviedo. Junto com duplas campeãs nacionais e mundiais, eles participam do show de encerramento na noite de domingo, com o espetáculo Tangostory – um documentário ao vivo, combinação de cinema e coreografia de palco que fará o público reviver a evolução do tango, desde sua origem até os dias atuais. A direção do espetáculo é de Analia Carreño e Luis Ramirez.
Radicados em Porto Alegre desde 2014, a paulista Mariana e o argentino Daniel são responsáveis pela Tche Tango, escola que trouxe inovações importantes para o tango gaúcho e promove forte intercâmbio com profissionais de nível internacional. A dupla é reconhecida por sua trajetória em Buenos Aires e na Europa e com frequência ministra aulas nos maiores eventos tangueiros do mundo. Recentemente, eles foram jurados no Campeonato Italiano de Tango, que também classifica duplas para o Mundial de Buenos Aires, e por duas vezes já fizeram parte do júri das preliminares brasileiras.
Um dia antes, na sede do Comando Militar do Leste, no centro do Rio, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou a atuação das Forças Armadas no Rio de Janeiro, até dezembro.
“Tempos difíceis e extraordinários requerem medidas difíceis e extraordinárias”, foi a explicação do ministro.
Nesta sexta-feira, 28, ele detalhou o plano militar para fazer frente ao poder armado que toma conta de grandes regiões do Rio de Janeiro, com ramificações por quase todas as capitais do país.
Em seguida, 8.500 militares das Forças Armadas começaram a operar nas ruas e avenidas da Região Metropolitana do Rio.
“Desde o início da tarde, soldados do Exército estavam posicionados em pontos estratégicos, com apoio de motos, jipes e até blindados, fazendo blitzes, parando carros suspeitos e checando documentos”, registrou o Globo.
Segundo Jungmann, a “participação de Exército, Marinha e Aeronáutica” não será feita de uma forma “clássica” de ocupação, como é previsto em decretos de Garantia da Lei e da Ordem, os GLO, como foi nas Olimpíadas de 2016.
Após a explicação, o ministro disse que precisava se dirigir à sociedade civil e alertou para a possibilidade de represálias do crime organizado à atuação dos militares.
“É preciso ter em conta que dado o avanço e o ponto que chegou a criminalidade no Rio, sim, nós vamos ter reações. E é muito importante que a sociedade entenda que é preciso enfrentar”, ressaltou ou ministro.
A intervenção das Forças Armadas no Rio se dá num momento de esgotamento das Forças Públicas estaduais de segurança, com 90 policiais mortos em um semestre.
As intervenções anteriores, no complexo do Alemão e na favela da Maré não alteraram o quadro de domínio do crime organizado. Ele se retraiu e quando as forças se retiraram ele voltou. Jungman disse que foram gastos R$ 400 milhões nessas operações.
E hoje está muito fortalecido. Recentemente ocupou manchetes a apreensão de fuzis ultra-modernos que entravam clandestinamente pelo aeroporto do Galeão. Teriam entrado 28 cargas de 60 fuzis cada uma, antes da apreensão.
O jornalista Elio Gaspari em sua coluna no Globo estimou em 11 mil o número de fuzis que entraram no Rio pelas vias do crime.

