Os novos soldados da Brigada Militar, que entram em serviço nesta segunda-feira, 24, vão cumprir um “estágio operacional supervisionado”, por 60 dias.
Eles vão atuar no policiamento ostensivo em Porto Alegre, Região Metropolitana, Vale do Rio dos Sinos, Litoral Norte e Serra.
As atividades serão coordenadas pelos Comandos Regionais de Policiamento Ostensivo (CRPOs) onde estão localizadas as escolas que ministraram a última edição do curso de formação.
O estágio operacional supervisionado parte de uma determinação do secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer. “Queremos que eles se ambientem trabalhando em municípios onde a experiência proporcionará condições de atuação em qualquer outra localidade do Estado”, afirma.
De acordo com o comandante-geral da BM, coronel Andreis Dal’Lago, o efetivo será empregado em operações no modelo Avante, visando dar maior segurança às comunidades e reduzir os indicadores criminais dos municípios selecionados. “Após esta fase, serão encaminhados, gradualmente, aos seus batalhões de destino”, explica.
PMs retornam ao interior
Os PMs que reforçaram o policiamento ostensivo nos últimos meses em Porto Alegre irão retornar ao interior. São 343 policiais do interior atuando na capital.
Com o ingresso dos novos servidores, 204 retornam aos batalhões de origem. Permanecerão apenas integrantes de Batalhões de Operações Especiais (BOEs), estruturas que são subordinadas diretamente ao comando-geral da BM.
Policiamento reforçado no interior
Dando continuidade à política de efetivo mínimo implantada pela SSP, 155 servidores de nível médio que já compõem o quadro da BM serão realocados em 107 municípios do interior. Dessa forma, nenhuma cidade gaúcha terá menos de três PMs e municípios com população superior a quatro mil habitantes terão efetivo mínimo de cinco brigadianos.
Além disso, 30 brigadianos serão deslocados aos comandos rodoviários. “A formação de 1.018 PMs, somados ao efetivo de mais de 500 novos brigadianos que estão fazendo curso de formação e ao novo concurso com 6.100 vagas, nos possibilita ampliar as atenções também para o interior do Estado. Essa atenção começa com os 389 disponibilizados de imediato”, conclui o secretário.
Em 2016, a empresa nomeou para uma investigação sobre seu passado o historiador Christopher Kopper, que confirmou a existência de “uma colaboração regular” entre o Departamento de Segurança da filial e a polícia política do regime.
Espionagem
“O Departamento de Segurança atuou como um braço da polícia política dentro da fábrica da VW”, afirmou Kooper, pesquisador da Universidade de Bielefeld.
“Permitiu as detenções” e pode ser que ao compartilhar informação com a polícia “contribuísse para elas”, acrescentou o historiador.
Segundo os meios citados, a filial brasileira espionou seus trabalhadores e suas ideias políticas, e os dados acabaram em “listas negras” em mãos da polícia política. Os afetados lembram como foram torturados durante meses, após terem se unido a grupos opositores.
Galpões
Conforme estabeleceu a Comissão Nacional da Verdade, que examinou as violações dos direitos humanos cometidas pela ditadura brasileira, muitas empresas privadas, nacionais e estrangeiras deram apoio tanto financeiro como operacional ao regime militar.
No caso da Volkswagen, a comissão constatou que alguns galpões que a empresa tinha em uma fábrica de São Bernardo do Campo (SP) foram cedidos aos militares, que os usaram como centros de detenção e tortura.
Além disso, a comissão sustentou que encontrou provas que a empresa alemã doou ao regime militar cerca de 200 veículos, que depois foram usados pelos serviços de repressão.
(Da Agência EFE/EBC)



