Autor: da Redação

  • “Reformas são modernizações imprescindíveis”, diz novo presidente da FIERGS

    A Federação e o Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS/CIERGS) estão sob nova direção. Gilberto Porcello Petry assume, oficialmente, a presidência da entidade para a gestão 2017/2020, sucedendo Heitor José Müller após duas gestões consecutivas.
    Nesse período, ele também passa a administrar o Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS) e o Instituto Euvaldo Lodi do Rio Grande do Sul (IEL-RS).
    A troca oficial de comando foi realizada nesta terça-feira (18), em cerimônia para 2 mil convidados no Teatro do Sesi.
    No evento, Petry comprometeu-se a ser um porta-voz dedicado e esforçado do setor. Em seu discurso de posse, ele também destacou que a Federação e o Centro são entidades que não se filiam ou se aliam a qualquer partido político. “Nosso alinhamento é com o setor industrial, com o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Brasil, e com a ética e a decência nos negócios, especialmente para aqueles que digam respeito à administração pública”, afirmou, salientando que as dificuldades das empresas não são virtuais, mas problemas concretos que precisam ser resolvidos.
    Para Petry, o empresariado enfrenta uma lista de situações e imposições contrárias à produção. Entre elas, a enorme burocracia, a tributação elevada, o crédito seletivo caro, os juros elevados e o diminuto investimento na infraestrutura e logística. “Os empresários devem ser entendidos pela sociedade como pessoas que contribuem para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Não podem ser vistos como exploradores porque procuram auferir lucros em seus negócios. O lucro é a alavanca que faz surgir novos empreendimentos que irão gerar novos empregos e recolher novos impostos.”
    No âmbito da governança política, Petry defendeu que a turbulência atual no País há de abrir espaço para um novo modelo e que os líderes no poder público devem enfrentar questões importantes como o número de partidos e ideologias, as coligações e o presidencialismo de coalizão, por exemplo. “Nosso modelo político se esgotou. Nesse processo, instalou-se uma confusão ou, no mínimo, sobreposição dos Poderes Constituídos”, comparou. “Da mesma forma, queremos uma nova governança econômica. Por isto, apoiamos as Reformas da Previdência, Trabalhista e Tributária. São modernizações imprescindíveis que integram o elenco de mudanças necessárias”, declarou. “Nos próximos três anos, vamos trabalhar intensamente no rumo das novas governanças política e econômica que ora propomos”, finalizou.
    O governador José Ivo Sartori também comentou a necessidade de se agir mais coletivamente. “Não é hora de se pensar em nomes, partidos ou vaidades, mas em recolocar o Rio Grande nos trilhos com responsabilidade na gestão fiscal, maior eficiência e voltado para as áreas essenciais, desburocratização dos serviços públicos e valorizando mais o empreendedorismo e a livre iniciativa”.
    Junto com Gilberto Petry tomaram posse também as novas diretorias da FIERGS e do CIERGS.
    Gilberto Petry dirige a Weco S/A – Indústria de Equipamento Termo-Mecânico, de Porto Alegre, e preside o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Estado do Rio Grande do Sul (Sinmetal). Em 1990 passou a integrar as diretorias da Fiergs/Ciergs e desde 2005 já era vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado.

  • Leilão de itens doados para atingidos por barragem em Mariana acaba dia 20

    Os objetos doados por artistas e personalidades aos moradores de Mariana (MG) atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão estão sendo leiloados na internet. Os lances podem ser dados até amanhã (20), às 19h, por meio de uma plataforma virtual.
    A barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015. O episódio é considerado a maior tragédia ambiental do país. Foram liberados mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos que provocaram devastação da vegetação nativa, poluição da Bacia do Rio Doce, destruição de comunidades e a morte de 19 pessoas.
    Em solidariedade, artistas e personalidades enviaram diversos artigos às vítimas que viviam nos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, destruídos pelos rejeitos. Entre os itens, que agora estão sendo leiloados, está um uniforme usado pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982, doado pelo ex-jogador de futebol Zico. Já ofereceram três ofertas pela camisa e seu valor atual é de R$ 1.220.
    Zico também doou um agasalho usado pela delegação brasileira na mesma Copa do Mundo. Para este item, já houve nove lances, o maior deles de R$ 1.020. Outro objeto que também alcança altas cifras é o relógio da marca Marc Coblen enviado pelo apresentador Fausto Silva. Já foram feitas oito ofertas, e quem ainda tiver interesse precisará desembolsar mais de R$ 1.200.
    Há diversas peças com preços mais modestos, a partir de R$ 30. Muitas delas com apenas um ou nenhum lance, como uma caneta do apresentador Fausto Silva, dois aventais do programa de televisão Master Chef, um DVD do cantor Lucas Lucco, CDs de Lô Borges autografados, DVD, CDs, disco vinil e livros de autoria da cantora Fernanda Takai, além de diversos produtos personalizados doados pela apresentadora Ana Maria Braga: um livro de receitas, dois frascos de esmalte, uma faca e uma cafeteira.
    Os participantes que arrematarem algum objeto irão recebê-lo pelos correios. Dos recursos arrecadados, 5% será destinado à comissão do leiloeiro responsável pela plataforma virtual. O restante será depositado em juízo e as famílias afetadas pela tragédia definirão em assembleia a forma como ele será empregado. Todo o processo é acompanhado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
    Histórico
    O leilão dos objetos havia sido prometido pelo prefeito de Mariana, Duarte Júnior, na época da tragédia. Passados seis meses sem que nenhuma iniciativa tivesse sido tomada, o governo municipal começou a ser questionado sobre o engavetamento dos artigos recebidos. Diante da situação, a prefeitura entregou as doações diretamente à comissão dos atingidos, que procurou o MPMG em busca de orientação sobre o que fazer.
    Como os atingidos não tinham condições de garantir a segurança dos objetivos, muitos deles de alto valor financeiro, o MPMG ajuizou uma ação civil pública e obteve uma liminar obrigando a prefeitura a recolhê-los e garantir sua guarda e conservação. Finalmente, em uma audiência realizada em agosto do ano passado, foi celebrado um acordo no qual o município se comprometeu a fazer o leilão e depositar os recursos arrecadados em juízo.

  • Projeto que terceiriza fiscalização de carnes está na Comissão de Justiça

    Já está na Comissão de Constituição e Justiça o projeto do governo Sartori para alterar o sistema estadual de inspeção e fiscalização de produtos de origem animal e permitir a terceirização de parte das atividades.
    A proposta, que tramita em regime de urgência chegou à Assembleia Legislativa no dia 30 de junho, envolta em polêmica.
    Entidades como a Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul (Afagro), o Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado (Simvet/RS) e o próprio Ministério da Agricultura demonstram preocupação com uma eventual mudança nas regras.
    A mudança poderá fragilizar ainda mais o sistema e afetar a qualidade dos produtos, já colocada em xeque por operações como a Leite Compen$ado e a Carne Fraca.
    O setor produtivo, especialmente a indústria de carnes, apoia as alterações. Na prática, se o projeto for aprovado, o fiscal agropecuário (veterinário concursado) não vai mais precisar estar presente nos frigoríficos todos os dias em que há abate.
    A tarefa de examinar o estado dos animais e das carcaças, além do monitoramento dos processos e controles de recebimento, manipulação, preparo, conservação, embalagem, entre outros, ficará sob responsabilidade de um “veterinário habilitado”, contratado de empresa credenciada.
    Segundo o secretário da Agricultura, Ernani Polo, há falta de 160 veterinários no serviço,  sendo 60 na inspeção. Os cortes no orçamento e o arrocho da Lei de Responsabilidade Fiscal impedem contratações.
    A falta de fiscais estaria, segundo o seccretário, impedindo a ampliação e abertura de cerca de 30 indústrias e gerando “prejuízos econômicos e sociais”.
    A presidente da Afabro, Angela Antunes de Souza, não vê como separar a inspeção da fiscalização, como o governo propõe, e diz que os profissionais terceirizados estariam mais sujeitos a pressões. Ela diz que os fiscais mesmo tendo poder de polícia administrativa, sofrem com ameaças e perseguições por lidarem com “interesses econômicos”.
    “Tirar a fiscalização de dentro do estabelecimento é muito mais para agradar o setor agroindustrial do que para resolver o problema do Estado”, diz a presidente.
    O Sindicato dos Tecnicos Científicos do Estado lançou uma campanha para derrubar o projeto que deverá ir à votação  na volta do recesso. Diz o texto da campanha:
    “A Polícia Federal desencadeou a Operação Carne Fraca graças a denúncia de um servidor público, fiscal agropecuário.
    No RS, a Operação Leite Compensado do Ministério Público Estadual descobriu que empresa do setor de leite adicionavam produtos cancerígenos ao produto.
    Mesmo assim, o secretário da agricultura Ernani Polo e o Governador Sartori querem criar um sistema no RS em que as empresas paguem sua própria fiscalização.
    A sociedade está atenta à corrupção entre políticos e empresas do setor de proteína animal”.

  • "Todos fomos esbofeteados", diz Marlon Santos sobre prisão de deputado

    A prisão do deputado Jeferson Fernandes (PT) na noite de 14 de junho, durante a reintegração de posse da ocupação Lanceiros Negros no Centro de Porto Alegre, foi tema da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, nesta terça-feira.
    O parlamentar foi detido pela Brigada Militar, em pleno exercício da presidência do órgão técnico da Assembleia Legislativa, enquanto negociava uma saída pacífica para o conflito.
    O episódio teve repercussão nacional e desdobramentos no governo do Estado, que determinou a abertura de um inquérito policial militar, e no Poder Judiciário, que apura a conduta dos oficiais de Justiça que acompanharam o despejo.

    Na Assembleia Legislativa, a prisão do presidente da CCDH unificou as bancadas na defesa das prerrogativas parlamentares.

    De acordo com o corregedor do Legislativo, Marlon Santos (PDT), que analisou as imagens do conflito, Jeferson Fernandes agiu com legitimidade e cumpriu seu dever.

    “Ele tinha prerrogativas para estar lá e ser respeitado. Todos nós, como deputados, temos que nos sentir esbofeteados”, afirmou na tribuna ao se manifestar sobre o caso.

    O presidente da Assembleia Legislativa, Edegar Pretto (PT), criou uma comissão, integrada por parlamentares de diversos partidos, para acompanhar as averiguações e buscar as devidas responsabilizações. Parlamentares de diversas bancadas manifestaram solidariedade ao petista.

    Orientação política

    Na avaliação do presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, o que aconteceu na noite de 14 de junho simboliza a mudança de orientação política que ocorre no Estado e que permite o uso da força bruta para perseguir movimentos sociais e integrantes de partidos da oposição.

    “Tivemos um precedente perigoso, que foi o sítio à Assembleia Legislativa no final do ano passado para garantir a votação de projetos do governo sem resistência, que naturalizou a prática de agredir a população pobre e militantes de organizações sociais que não se alinham à política do Piratini”, analisou.

    Jeferson considera ainda que “a nova ordem em curso” no Brasil e no Rio Grande do Sul não se restringe ao desrespeito à democracia, mas ataca, frontalmente, os direitos dos segmentos mais vulneráveis da população.

    “A avalanche de reintegrações de posse em áreas públicas que acontecem no Rio Grande do Sul tem uma motivação muito clara e uma relação íntima com a lei aprovada pela maioria parlamentar que permite que o governo ceda, venda ou permute essas áreas sem passar pelo crivo do Legislativo. No mínimo, a transparência foi sacrificada”, acredita.

    Integram a CCDH, como membros titulares, os deputados Jeferson Fernandes (PT), presidente, Miriam Marroni (PT), vice-presidente, Álvaro Boessio (PMDB), Bombeiro Bianchini (PPL), Pedro Ruas (PSOL), Enio Bacci (PDT), Luís Augusto Lara (PTB), João Reinelli (PV), Marcel van Hattem (PP), Manuela d Ávila (PCdoB), Missionário Volnei (PRB) e Lucas Redecker (PSDB).

    (Com informações da Assessoria)

  • Santana e Cidade Baixa: dois assaltos a restaurantes em menos de uma hora

    Três homens assaltaram uma churrascaria na rua Santana, em Porto Alegre, por volta das 21h desta terça-feira (18).  Os clientes, mais de 30, que comemoravam um aniversário tiveram celulares, dinheiro e objetos levados.
    Eles foram surpreendidos por um homem que entrou armado e anunciou o assalto.
    Outros dois recolheram os pertences das vítimas e o dinheiro do caixa. Os três fugiram num Cordoba cinza, ano 2001. A polícia suspeita que o veículo tenha sido roubado cerca de uma hora antes, na Rua Coronel Massot, na Zona Sul.
    Menos de uma hora depois foi a vez do Eletrola Bar, na rua da República, próximo à avenida João Pessoa. Dois homens armados entraram no bar e trancaram o proprietário no banheiro. Levaram o dinheiro do caixa, um notebook e pertences dos clientes. Ninguém foi ferido, a dupla fugiu. A polícia não encontrou relação entre os dois assaltos.
    No último assalto semelhante, no dia 7 de julho, os dois criminosos que assaltaram um restaurante na avenida Independência, foram presos logo após o crime.
    Naquele caso, os assaltantes agiram como clientes, almoçaram no local e, na saída, anunciaram o assalto. Eles roubaram todo o valor que estava no caixa e o equipamento onde constavam as filmagens.
    Durante a ação, os proprietários do restaurante avisaram um policial e, no momento em que os criminosos estavam saindo do estabelecimento, foram abordados por uma viatura da Brigada Militar.
    Todo o material foi recuperado e um revólver foi apreendido. Os criminosos foram encaminhados para a 2ª Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA).
     
     
     

  • Zaffari investe R$ 42 milhões em melhorias nas suas lojas

    O grupo Zaffari está investindo R$ 42 milhões para instalar novos equipamentos em suas principais lojas em Porto Alegre.

    Balcões frigoríficos abertos foram retirados também na loja da rua Fernando Machado, no Centro / JÁ

    Os balcões frigoríficos abertos estão sendo trocados por novos expositores, que são fechados, garantindo conforto térmico para os clientes e temperatura mais estável para a conservação dos produtos.
    Segundo o diretor, Claudio Luiz Zaffari, as novas unidades da empresa, como o Zaffari Hípica, aberto no início deste ano na Zona Sul da Capital, e a segunda loja da Cia Zaffari em Canoas, que será inaugurada no segundo semestre de 2017, já iniciam suas operações com expositores refrigerados de média temperatura com as portas de proteção.
    Outras unidades estão passando pelo processo de substituição dos expositores, como as do Zaffari Ipiranga, o Zaffari Lima e Silva, Zaffari Fernando Machado e o Zaffari Petrópolis, na sua ampliação.
    Avisos nos tapumes prometem aos clientes “concluir os serviços o mais breve possível” / JÁ

    “Num cronograma de aproximadamente 18 meses, deveremos concluir as melhorias possíveis nas demais unidades com troca de expositores e revitalização de sistemas, numa estimativa de investimento de R$ 42 milhões, dentro da capacidade das tradicionais indústrias fornecedoras”, diz a nota do diretor.
    “É importante ressaltar que as duas tecnologias (expositores abertos e expositores com portas), são usuais nas lojas de autosserviço em diversos países, sendo os expositores refrigerados abertos a mais comum. Mas a tecnologia de expositores fechados que está sendo adotada, gera uma sensação de conforto térmico ao cliente e torna mais homogêneas as temperaturas das lojas pela sua maior estabilidade, devido ao fechamento”.
    As reformas incluem novo telhado na área de descarga na loja da rua Fernando Machado / JÁ

    Treinamento aos funcionários

    A necessidade de aperfeiçoar os equipamentos de refrigeração ficou evidente durante o clima quente do verão, quando o serviço de vigilância sanitária da Saúde municipal apreendeu carnes e frios na loja da Ipiranga, 3000, por estarem expostos acima da temperatura ideal nos balcões frigoríficos abertos. Foram duas autuações, em setembro de 2016 e janeiro deste ano.
    Em maio, gerentes gerais de loja, gerentes operacionais, representantes dos departamentos de recursos humanos, comercial e de controle de qualidade das 35 lojas da rede Zaffari na Capital participaram de uma aula de capacitação da Prefeitura: “Dialogando com a Vigilância Sanitária sobre alimento seguro”. O diretor Claudio Luiz Zaffari foi um dos que foram ouvir a médica veterinária Ana Helena Maia, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
    Segundo o secretário adjunto da SMS Pablo Stürmer, a iniciativa terá continuidade no segundo semestre, levando orientação a outras redes supermercadistas e estabelecimentos.
    Na ocasião, Claudio Luiz Zaffari disse que, mais do que uma relação cordial, a capacitação oferecida pela Equipe de Vigilância de Alimentos (EVA) contribui para que os gestores da empresa conheçam com mais profundidade os problemas e irregularidades encontrados para minimizar riscos e garantir a segurança para os alimentos comercializados nas 35 lojas Zaffari da cidade.
    A palestra sobre segurança dos alimentos para gerentes do Zaffari foi na sede administrativa do grupo, dia 4 de maio / Foto: Patrícia Coelho/PMPA

    Na palestra, a veterinária Ana Helena Cunha Maia [foto] citou três regras de ouro a serem perseguidas pelos responsáveis pelas lojas: identificação dos alimentos de risco, controle de temperatura do alimento à venda e controle de tempo que o produto pode ficar exposto à manipulação para minimizar a proliferação de bactérias. Alimentos de origem animal são os que merecem mais atenção: os produtos refrigerados devem ser mantidos abaixo de 5 graus Celsius. Os quentes, acima de 60 graus Celsius. “Na faixa dos 5 aos 60 graus, o risco de proliferação de bactérias e agentes patogênicos é maior”, explicou.
  • Juiz absolve pai de vítima da Boate Kiss

    Foi divulgada nesta terça-feira, 18, a sentença do juiz Leandro Augusto Sassi, de Santa Maria, que absolve o pai de vítima da tragédia da Boate Kiss, Paulo Carvalho. Ele respondia a por calúnia e difamação, em ação criminal  ingressada pelos promotores Joel Dutra e Maurício Trevisan.
    Em seu despacho, o juiz ressalta que não vê como não ser dado ao pai o direito de expor sua opinião. E acrescenta: “Quantas vezes dizemos o que pensamos e vemos ao fim o quão errado estávamos, mas mesmo assim, deve sempre nos ser resguardado o sagrado direito de dizer. Sombrios os tempos em que as liberdades eram tolhidas, os textos censurados, os pensadores exilados, os corajosos torturados e “desaparecidos”. Oxalá esse tempo nunca mais volte!”.
    Com uma sentença fundamentada em 28 páginas, Sassi julgou improcedente a denúncia oferecida contra o réu, com base no artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal (“não constituir o fato infração penal”).
    Paulo é pai de Rafael Paulo Nunes de Carvalho, que morreu aos 32 anos na tragédia da Kiss. As acusações tinham por base dois artigos de Paulo Carvalho publicados em jornal de Santa Maria e uma publicação feita em seu Facebook, com críticas à atuação dos promotores no caso. O processo corria na 2ª Vara Criminal de Santa Maria.
    “Agradeço ao Pedro Barcellos (advogado) da forma mais pura e humana, que é de um pai para um filho. A Justiça foi feita nesse caso, mas ela deve ser estendida a outros pais processados. E nem por isso deixaremos de buscar Justiça para nossos filhos, pois muita gente ficou de fora. Há entes públicos que deveriam ser responsabilizados pela tragédia, não só os quatro réus.”, declarou Paulo Carvalho, após ser informado da sentença.
    “Nunca procurei nada além da Justiça e nunca deixarei de procura-la doa a quem doer e custe o que custar. Nenhuma intimidação me afastará da busca a honra do meu filho e de tantos outros. Eu agradeço a todos que confiam que a nossa luta é pela verdade e tao somente pela verdade. Li as palavras finais da sentença que o juiz declarou: “que os tempos sombrios não voltem e a liberdade de expressão possa ser exercida” e dedico ao meu filho.”completou.
    Outros pais ainda são processados
    Outros três pais de vítimas ainda estão sendo processados. Irá Mourão Beuren, a Marta, mãe de Silvio Beuren Junior, o Silvinho, que morreu na tragédia da Boate Kiss aos 31 anos, responde a processo cível por injúria, difamação e falsidade ideológica. Ela é processada pelo promotor aposentado João Marcos Adede y Castro e pelo filho dele, o advogado Ricardo Luís Schultz Adede Y Castro. O processo foi instaurado devido a um artigo publicado em um jornal de Santa Maria, de autoria de Irá, A ré é defendida pela advogada Patrícia Michelon. O processo tramita na 3ª Vara Cível de Santa Maria.
    Em outro processo, os pais de vítimas Flávio José da Silva, vice-presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), e Sérgio da Silva, presidente da AVTSM, são acusados de calúnia pelo promotor Ricardo Lozza. A ação tramita na 4ª Vara Criminal de Santa Maria.
    No processo, Flávio requereu a chamada “exceção da verdade”. Defendido pelo advogado Pedro Barcellos Jr, ele tenta provar que não caluniou o promotor e que falou a verdade, ao dizer que o Ministério Público sabia que a Boate Kiss funcionava em situação irregular. Esse incidente processual está sendo julgado pelo Órgão Especial do Tribunal Pleno, do Tribunal de Justiça do Estado (TJ/RS), em Porto Alegre.
    Flávio é pai de Andrielle, que morreu na tragédia aos 22 anos. Se o TJ/RS considerar que Flávio não mentiu, o processo principal por calúnia de ter sentido na 4ª Vara Criminal de Santa Maria. Em caso contrário, a ação seguirá normalmente em Santa Maria. Sergio, o outro pai processado por calúnia no mesmo processo, é defendido pelos advogados Ricardo Munarski Jobim e Luiz Fernando Scherer Smaniotto.
    A “exceção da verdade” começou a ser julgada no dia 22 de maio, em Porto Alegre, mas a sessão foi suspensa, após o voto de 20 desembargadores e um pedido de vista. No placar, 20 a zero contra Flávio. Falta o voto de dois magistrados, os desembargadores Rui Portanova e Gelson Rolim Stocker. É difícil, mas ainda pode haver mudanças de posição nos votos que já foram dados.
    O Ministério Público pediu recentemente a absolvição de todos os pais processados por promotores, mas isso não inclui a ação contra Marta, movida por um advogado particular.
    Clique AQUI  para baixar a íntegra da sentença do juiz Leandro Augusto Sassi.

  • Manuela pede a Marchezan volta do passe livre e qualificação da Carris

    A deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB) postou em sua página no Facebook uma carta endereçada ao prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), onde faz uma série de pedidos que abordam desde educação e habitação até a volta do passe livre, diálogo com o servidores públicos e reestruturação da Carris.
    “Acho legal usar a internet para diversão. Eu adoro fazer isso! Mas leve o problema dos moradores de rua, por exemplo, a sério. Tem muita gente mandada embora de sua casa pelo tráfico que amedronta nossa cidade. Atente para isso. Não é casual o número de ocupações na cidade.” diz um trecho do texto.
    Sobre educação, a parlamentar pediu ao prefeito que conversasse com os estudantes atendidos pelo Unipoa.
    Confira abaixo o texto na íntegra:
    Caro Prefeito,
    Não fomos adversários na última eleição para prefeitura, eu não concorri porque tenho uma visão sobre meu papel nos primeiros anos de minha filha. Isso tem me feito viver nossa cidade muito mais intensamente e, por isso, te escrevo.
    Não votei em ti, sei que sabes.
    Ao contrário: me somo àquela parte da população que não te elegeu, afinal, no segundo turno, teu adversário, os brancos, nulos e abstenções foram campeões de voto em nossa capital. Isso deve servir para a reflexão de nós todos. A população quer uma cidade e uma política diferentes.
    Mas isso não muda nada. Afinal, tu és o prefeito da minha cidade e eu sou moradora da cidade que tu governas.
    Por que te escrevo? Escrevo, pois, quero fazer um apelo sincero: não governe para os que te elegeram, apenas. A eleição já acabou. Há tempos.
    Não faça um governo de trabalhadoras e trabalhadores angustiados. Angústia é doença. Estimule os trabalhadores da prefeitura a desfrutarem seu tempo livre em nossa cidade com suas famílias. Certamente, assim, conhecerão melhor Porto Alegre e ajudarão a identificar problemas e a resolvê-los. Quem trabalha feliz, rende mais. Estar feliz não significa estar despreocupado com os problemas seríssimos de nossa população! Sei que tu sabes como as horas livres com os filhos, por exemplo, são capazes de nos encher de energia.
    Acho legal usar a internet para diversão. Eu adoro fazer isso! Mas leve o problema dos moradores de rua, por exemplo, a sério. Tem muita gente mandada embora de sua casa pelo tráfico que amedronta nossa cidade. Atente para isso. Não é casual o número de ocupações na cidade.
    Prefeito, ajude a imunizar todas as crianças de nossa cidade. Garanta passe livre para essas crianças e seus pais, no mínimo, em dia de campanhas de vacinação.
    Melhore nossa educação! Precisamos disso! Mas repense sua ideia de que o problema está nos professores. Converse com os alunos. Entenda a complexidade de suas vidas. O peso do desemprego na família, a ausência do Estado para garantir políticas públicas como saúde. Perceba a baixíssima estrutura do conselho tutelar para identificar limites.
    Ainda sobre educação, prefeito. Converse com estudantes atendidos pelo Unipoa. Tu nunca repetiste uma cadeira? Eu não. Mas não precisava trabalhar aos 17 anos, não criava filhos, era bolsista de iniciação científica. Tinha uma situação privilegiada. Acho que parecida com a tua. E justo por isso, posso imaginar como deve ser difícil ser um estudante diferente de mim.
    Prefeito, não deixe de esclarecer o que está acontecendo na Carris. Ela já foi a melhor empresa de transporte público do Brasil, e precisamos recuperar essa qualidade!
    Sei de tua intenção de privatizar a empresa caso ela não se recupere, mas como fazer isso se sabemos das dezenas de ônibus parados, sem peças? 
    Como fazer isso se for verdade que o presidente do Conselho de Administração está se favorecendo de sua posição como noticiou a imprensa? 
    Será correto um CC trabalhar na Carris e na Procempa ao mesmo tempo? E se ele for sócio de uma empresa de TI que é fornecedora da própria Carris?
    Escute os trabalhadores concursados da prefeitura. É legal a ideia de criar um banco de talentos e permitir que nossa população ajude, com seu conhecimento, a cidade. Também é legal valorizar o voluntariado. Mas políticas públicas precisam de permanência e os/as trabalhadores/as concursados já estavam ali antes de ti. Alguns muito antes de nós dois começarmos a fazer política. E muitos continuarão ali depois do teu governo. Não acredito que eles sejam teus inimigos. Acredito que podem ser teus parceiros na construção de uma Porto Alegre melhor.
    Conte comigo para melhorar nossa cidade.
    Abraço, 
    Manuela d’Ávila

  • Ajuris quer que MP torne lei trabalhista “menos perniciosa”

    Crítica da reforma trabalhista e da posição “homologadora” do Senado, que aprovou na íntegra o Projeto de Lei da Câmara 38/2017, “abrindo mão do papel de revisor” da matéria, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) espera que a Medida Provisória (MP) prometida pelo governo faça ajustes que “tornem o PLC menos pernicioso para os trabalhadores”, diz o presidente da entidade, Gilberto Schäfer.
    O presidente da Ajuris, como outros dirigentes de instituições e entidades ligadas ao direito do trabalho, entende que a reforma deve precarizar os empregos já existentes, além de não criar novos. Outra preocupação é com o enfraquecimento dos sindicatos e inibição da tarefa constitucional da Justiça do Trabalho.
    Entre os pontos polêmicos que constam de minuta de MP já enviada pelo governo aos parlamentares para promover ajustes, conforme noticia a imprensa, estão o trabalho intermitente, a jornada de 12 por 36 horas e o trabalho em condições insalubres das gestantes e lactantes.
    Os sindicalistas, que preparam uma MP alternativa, querem incluir nas mudanças uma cobrança que compense a extinção do imposto sindical obrigatório. O problema todo é que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, contrária à edição de MP, diz que a Casa não reconhecerá qualquer mudança na lei. 
    Analisando a tramitação do PLC, o presidente da Ajuris reitera que foi preocupante e frustrante o fato de uma reforma dessa magnitude não ter sido discutida previa e exaustivamente com a sociedade. “Que pelo menos, agora, haja a possibilidade de minorar os efeitos perniciosos da lei aos trabalhadores, que também sofrem com a crise econômica vivida pelo país. O conteúdo da MP não deve ser limitado ao que o governo quer, mas também ao anseio dos trabalhadores”.
  • MP e BM recomendam proibição de churrascos no Beira Rio

    Os tradicionais churrascos realizados pelos torcedores colorados no entorno do estádio Beira Rio em dias de jogo devem perder espaço a partir desta terça-feira, dia do jogo do Inter com o Luverdense (MT). A informação de que teria sido proibida a realização de churrascos correu em grupos de torcedores colorados ao longo do dia, gerando críticas e algumas manifestações indignadas.
    O promotor Márcio Bressani, do promotoria do torcedor do Ministério Público, enviou um ofício à direção colorada com recomendações de segurança encaminhadas pela Brigada Militar.
    “A partir dos últimos episódios, a Brigada, que é o órgão competente para os laudos técnicos de segurança, foi provocada (pelo MP) e fez alguns apontamentos. Um deles é a não realização de churrascos e isso foi encaminhado para o Internacional para que tomasse providência”, afirmou Bressani.
    Segundo o promotor, há relatos de uso de utensílios para churrasco em confrontos na parte externa do estádio. Bressani esclareceu que se trata de uma medida administrativa, sem punição prevista para o clube.
    A direção colorada confirmou ter recebido as recomendações. “O clube vai acatar. A gente concorda que os ânimos estão acirrados, é uma medida válida. Defendemos a cultura de fazer churrasco antes do jogo, mas dentro da normalidade”, afirmou o diretor do departamento de torcidas e ambiente de jogo do Sport Club Internacional, Ricardo Panéla.
    A recomendação diz respeito à área do Complexo Beira Rio. O ginásio Gigantinho é um dos pontos que concentra churrascos de torcedores em dias de jogo. “No Marinha, na ruazinha perto do posto, como é tradicional, nesse entorno é tranquilo”, esclarece Panéla.
    Entre as recomendações encaminhadas ao clube está o isolamento de determinadas áreas do estádio em caso de maus resultados em campo.