Sob a regência de Evandro Matté, a Ospa prepara um concerto gratuito no Auditório Araújo Vianna com uma seleção de música instrumental feita no Rio Grande do Sul de compositores de diferentes gerações.
No repertório, obras de Tasso Bangel, Matheus Kleber, Arthur de Faria e Pedro Figueiredo.
Serviço:
Domingo, às 18h, no Auditório Araújo Vianna (Avenida Osvaldo Aranha, 685), com entrada franca. Retirada de senhas no local, a partir das 9h.
Autor: da Redação
Ospa no Araújo Vianna
Instituto de Saúde da Família abre seleção para médicos
O Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf) está com inscrições abertas para processo seletivo destinado à contratação de médicos para atuar no município de Porto Alegre. Os profissionais serão contratados mediante contrato temporário, conforme artigo 21 da Lei Municipal nº 11.062, de 6 de abril de 2011, para cumprirem carga horária de 20 e 40 horas semanais.
As inscrições podem ser feitas até 17 de julho de 2017, somente através de formulário online. Não será permitida a participação de candidato que manteve, nos últimos seis meses anteriores à publicação deste edital, contrato temporário de trabalho com o Imesf oriundo de processo seletivo.
O candidato deverá acompanhar a publicação de todos os atos, editais, avisos e comunicados referentes a este processo seletivo que sejam divulgados no Diário Oficial do Município, pelo site http://www2.portoalegre.rs.gov.br/dopa/, ou no site www.portoalegre.rs.gov.br/imesf.
Mais informações podem ser obtidas no edital de seleção.Ainda tem arriá neste sábado no Bairro Floresta
Ainda a festa junina para curtir neste sábado, 08/07, a partir das 16h ocorre o Arraiá Duas Roda, na Rua Sete de Abril, Bairro Floresta.
O evento terá bandas ao vivo em palco na rua, chope artesanal e brincadeiras típicas. Pipoca, quentão e pinhão também não devem faltar. O evento é aberto à comunidade e a entrada é franca.Festival no Centro Municipal de Cultura
O Festival Cultura em Movimento vai ocupar o estacionamento do Centro Municipal de Cultura neste sábado, com uma diversificada programação integrando shows musicais, grafite, exposições de artes plásticas, feira de alimentos e cervejas artesanais.
Ao longo do dia, o público vai acompanhar a construção de uma obra de arte ao ar livre, com a intervenção de Moisés Tupinambá, o Motu. Graduado em Design Gráfico pelo SaddlebackCollege na Califórnia, Motu é conhecido pelo trabalho icônico e linhas urbanas. Influenciado pela cultura pop e com traço bem humorado, ele deixará sua arte em um grande painel de 5 metros x 4 metros na lateral do prédio, colorindo e modernizando a fachada do Centro Municipal de Cultura.
Ainda no estacionamento também estarão alunos do Atelier Livre Xico Stockinger, levando sua produção para fora da sala de aula, dividindo espaço com outras atividades e com as músicas da Banda Municipal. A partir das 16h, os músicos que integram o grupo executarão composições de MPB, entre outros repertórios. Já às 18h o som dominante será outro: o da roda de samba com Marcio Barbosa.
Programação
Onde: Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues (Av. Erico Verissimo, 307)
Quando: sábado dia 8/07, das 16 às 20h
Atividades
14h – Live painting grafite com Motu – Pax Art
16h – Banda Municipal de Porto Alegre
17h – Roda de Capoeira
18h – 20h roda de samba Marcio Barbosa e bandaDois dias depois da confusão na câmara, vereador e servidor trocam agressões
Na tarde desta sexta-feira, 07/07, o vereador Valter Nagelstein (PMDB) e um assistente administrativo lotado na Secretaria Municipal de Urbanismo de Porto Alegre (SMURB), trocaram agressões, dentro do órgão.
Segundo o vereador, ele teria ido fazer uma visita na Smurb e teve um desentendimento com o assistente administrativo. “Ele questionou minha atuação na votação de quarta-feira e veio pra cima de mim e para me defender o empurrei. Tudo aconteceu no corredor”, disse Nagelstein.
O vereador foi à Polícia Civil e registrou queixa contra o servidor. Nagelstein diz que também está processando por agressão o presidente do Simpa (Sindicato dos Muncipários de Porto Alegre), Jonas Tarcísio Reis, que o teria agredido durante sessão plenária que votaria o aumento da contribuição previdenciária dos funcionário municipais, na última quarta-feira. “Lamento tudo isso, O Simpa parece estar estimulando esse tipo de atitudes e agressões”.
Já o assistente administrativo José Augusto Marchand tem uma versão distinta do caso. Segundo um vídeo disponibilizado pelo Simpa no Facebook, o vereador, que já foi secretário na Smurb, o questionou sobre mensagens postadas no Facebook a respeito da votação e depois partiu pra cima dele e lhe deu três tapas no rosto. O assistente e outras testemunhas também registraram o caso na polícia.
Servidor postou nas redes sociais foto mostrando a agressão que sofreu por parte do parlamentar. Foto: Divulgação
O Simpa diz que também analisa ajuizar o vereador por sua postura agressiva.Usina do Gasômetro vira Usina do Rock no sábado
A Usina do Gasômetro, no sábado, 8, será o local da apresentação de seis bandas que farão uma homenagem ao Dia do Rock, comemorado em 13 de julho. Batizado de Usina do Rock, o evento vai reunir música, gastronomia, artesanato, exposição de arte e cerveja artesanal, a partir das 13 horas. Os participantes também poderão aderir à Campanha do Agasalho 2017 da prefeitura, levando roupas e calçados para serem doados.
Entre as bandas, todas do Rio Grande do Sul, se apresentarão o Império da Lã, banda porto alegrense sem formação fixa e que desde 2014 tem um bloco de carnaval com o mesmo nome, Stella, Aukera e Tarcísio Meira’s Band. Também terá a exposição das obras do artista Lipe Albuquerque, desenhista e cartunista que tem como marca os traços modernos e irônicos representando personagens e ações do cotidiano, além de personalidades do mundo da música, do cinema e outros temas. A entrada é gratuita.Vereadores apresentam relatório sobre a "precarização da saúde em Porto Alegre"
Felipe Uhr
Vereadores da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) apresentam nesta tarde de sexta-feira ao secretário da saúde Erno Harzheim um relatório de visitas a hospitais e unidades da saúde de Porto Alegre feitos no primeiro semestre.
“Há uma precarização no setor”, avalia o presidente da Comissão, vereador André Carús (PMDB).
As visitas foram realizadas em dois hospitais; HPS e Presidente Vargas, três unidades de Pronto Atendimento; Cruzeiro, Bom Jesus e Lomba do Pinheiro e seis unidades básicas de saúde;Glória, 1º de maio, Guarujá, Jenor Jarros, Aparício Borges e Santa Marta.
Foram constatados problemas gerais em comum em todos as unidades como falta de recursos humanos, materiais hospitalares e remédios.
Nos hospitais, o principal problema é o déficit de profissionais. Faltam pelo menos 60. “No Presidente Vargas, há 4 salas prontas de atendimentos fechadas pois não há profissionais” afirmou Carús.
No HPS, a situação não é diferente: pelo menos 180 técnicos estão aguardando aposentadoria. Ou seja, compõe o quadro funcional e não podem ser repostos pois ainda não há vagas liberadas. Diferenciação no percentual de insalubridade dos funcionário – Vereadores da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) apresentam nesta tarde de sexta-feira ao secretário da saúde Erno Harzheim um relatório de visitas a hospitais e unidades da saúde de Porto Alegre feitos no primeiro semestre – alguns ganham 20%, outros, 40% – também é outro problema.
Nos postos de Pronto Atendimento visitados há um problema maior: a insegurança. Tiroteios, violência e falta de guarda municipal foram relatados. Uma maior efetividade da Guarda Municipal já foi cobrada para reforçar a segurança.
Nas unidades básicas de saúde a situação não é diferente. Além da falta de pessoal, de materiais e de remédios, alguns reparos estruturais precisam ser consertados.
A Comissão pretende cobrar da Prefeitura soluções para esses problemas. “Vamos cobrar melhorias, mais nomeações e saber quais as medidas de segurança estão sendo adotadas” finalizou Carús.
O presidente da Comissão também lembrou que Executivo ficou de mandar, até o dia 15, para ser votado com urgência um projeto no qual altera a autorização da contratação de 70 auxiliares em enfermagem para técnicos de enfermagem. Profissionais dessa área estão se aposentando até o final do ano e, por isso, a aprovação do projeto se faz necessária até dezembro.
Leia aqui o relatório
Por que o Congresso ignora os sentimentos populares?
Roberto Amaral
Reforma da legislação eleitoral não é reforma política, e é desta que carecemos para reconstruir a República.
A crise política, que se desenvolve no corpo de aguda crise institucional, em progresso, denuncia o esgotamento do nosso modelo de democracia representativa, aquela que deriva da soberania popular, cuja única voz é o voto livre.
Não se trata, porém, de fenômeno ‘natural’, resultado do mau humor dos astros, pois decorre da captura, pelo poder econômico, do sistema de representação, maculando-a de forma letal. Exemplo desta distonia é oferecido pelo Poder Legislativo, em sua maioria esmagadora composto por parlamentares que não representam o eleitorado, mas sim os interesses do empresariado, o grande “eleitor”, pois é o financiador das eleições. Evidentemente, a manipulação do voto pelos donos do dinheiro e seus servidores (como os meios de comunicação de massas) ditaria a composição de nossas casas legislativas, absurdamente descompassadas da sociedade brasileira.
Vejamos o perfil da Câmara dos Deputados fornecido pelo Dieese: 42% dos deputados são empresários (incluindo fazendeiros) e apenas 22% são assalariados; 49% são homens e 12% mulheres, num país em que as mulheres representam 51% da população, e apenas 10% são negros, que, no entanto, somam 54% da população.
De cada três parlamentares, dois estão com o nome inscrito na Dívida Ativa da União, um total de 337 num colégio de 513 representantes, e respondem por um débito de quase 3 bilhões de reais. Diz o dono da JBS que seu conglomerado financiou a campanha eleitoral de algo como 1,8 mil candidatos. E não são, ainda, públicas, as cifras da Odebrecht, da OAS, da Camargo Correia et caterva.
A quem pertencem os mandatos assim adquiridos?
Só a carência de representação pode explicar o parlamento de hoje, cego e surdo aos sentimentos e necessidades da população. Não se trata, porém, de autismo político, mas do reconhecimento, pelo parlamentar, da fonte real de seu mandato: o poder econômico.
A consciência prática dessa origem explica por que em um poder dependente do voto, pode o parlamentar, sem medo de perder o mandato ou de não renová-lo, aprovar a “reforma” trabalhista e a “reforma” da Previdência. E, ainda, tornar-se cão de fila de um governo ilegítimo, afundado em fraude e corrupção – cujo chefe é o próprio presidente da República, rejeitado por 93% da população, segundo o Datafolha.
Se o eleitor não se vê representado pelo representante, se ele não vê na política o meio de defesa de seus direitos e interesses (e os de sua comunidade), por que levaria a política a sério?
A desmoralização da política é a grande via que o autoritarismo percorre para atingir a democracia tout court, mesmo em se tratando de uma democracia para poucos, como a nossa.
A Procuradoria-Geral da República anuncia para breve mais duas denúncias contra o presidente. Somam-se, assim, em Michel Temer, presidente perjuro, a incompetência, o mandonismo, o autoritarismo e o desvio de funções, acentuando sua ilegitimidade.
Hoje amargamos mais um anúncio de queda do PIB, o aumento da dívida, a queda da arrecadação e a agudização do déficit fiscal. Fracasso absoluto dos “salvadores da Pátria”. Em apenas dois pontos avança o governante: no desmonte de nosso país (compreendendo a desnacionalização da economia) e na tentativa de revogação de direitos dos trabalhadores. E o primeiro-ministro Henrique Meirelles (chegado do Banco de Boston e do Conselho da holding dos irmãos Batista) já anunciou para breve o aumento dos impostos, diante do silêncio da Fiesp, que não sabe onde enfiar seu pato.
Mas não é este, ainda, o caráter mais danoso da famiglia que tem no presidente da República o seu capo e no Palácio do Jaburu sua caverna. O mais deletério está no projeto, em curso avançado, de, para além de destruir com os direitos dos trabalhadores e aposentados, promover em trote apressado, a desconstrução nacional, demonizando a política, privatizando a preço de banana empresas estatais essenciais ao nosso desenvolvimento, fomentando a desnacionalização da economia, abrindo generosa e irresponsavelmente nosso território e nossas fronteiras ao capital privado estrangeiro, renunciando, por fim, à defesa de nossa soberania e ao exercício de uma política externa condicionada pelos interesses nacionais.
É este o governo sustentado pela grande maioria dos meios de comunicação de massa e pelo Congresso Nacional, transformado em cartório do Executivo.
Mas não só por eles, pois ainda mais eficazmente está a sustentá-lo o Poder Judiciário, que não titubeia quando lhe cabe negar a ordem constitucional, rasgada inumeráveis vezes pelo STF, cuja existência só se justifica como seu guardião. A presidente Cármen Lúcia – que parece não ver a crise ética do STF – diz estar atenta “às vozes das ruas”.
Em uma das votações da reforma da Previdência, o Congresso, cego e surdo aos anseios da população, precisou de ajuda da polícia para votar
Não sei a quais ruas se refere sua excelência, sei é que as ruas devem ser ouvidas, mas pelo Poder Legislativo, que no entanto diante delas faz ouvidos de mercador. O Poder Judiciário deve cuidar de outras vozes, como as da Constituição e do Direito. No frigir dos ovos, a quem ouve a alta Corte?
O Poder Judiciário comporta-se ora como partido da classe dominante, ora como partido corporativo, para manter seus privilégios antirrepublicanos.
A ilegitimidade de um Poder está imbricada na ilegitimidade de outro (interdependentes como irmãos siameses), e ela se completa no triste quadro de partidarização do Judiciário, do piso à mais alta Corte. A ilegitimidade caminha como rio por entre vasos comunicantes e expõe a crise da representação, sem a qual não há democracia sustentável.
Em face de tal quadro, os que o reconhecem apontam como saída uma reforma band-aid, que é simplesmente uma reforma eleitoral, por isso mesmo limitada, necessária mas insuficiente, incapaz de atingir o âmago de nosso desarranjo.
O que no Congresso e fora dele é identificado como reforma ‘política’ não passa, até aqui, de mera reforma das regras das disputas eleitorais. Ora a questão crucial, voltemos, é a crise, profunda, de nossa democracia representativa, que pede uma reforma política, compreendida esta como reforma do Estado (não me refiro ao estamento burocrático). O refazimento da legislação eleitoral deverá estar embutido na reforma política, que terá de rever as competências e as estruturas dos poderes da República (Legislativo, Executivo e Judiciário), carentes, os três, em níveis diversificados, de legitimidade, afastados que estão daquela vontade emanada pela soberania popular.
As reformas são interdependentes porque a reforma maior e substantiva, a reforma política, não será possível sem a reforma da legislação eleitoral. Mas essa reforma não tem vindo a lume porque algo digno desse nome ferirá interesses estabelecidos, dos quais os parlamentares são delegados.
Como romper o círculo vicioso?
As discussões relativas à reforma da legislação eleitoral não têm merecido o eco da grande imprensa, que elege seus temas segundo os interesses de seus donos. Os partidos se prendem aos aspectos menores, preocupados todos eles em garantir o melhor proveito. E assim, circunscrito o debate aos gabinetes da Câmara e do Senado, simplesmente se empurra com a barriga questão tão crucial, embora todos concordem com a necessidade de um novo ordenamento legal.
Uma alternativa é trazer o debate para a sociedade, abrindo caminho para uma mobilização popular em condições de influenciar o Poder Legislativo, esse que temos.Feira Agroecológica Frutos da Resistência acontece neste sábado
Neste sábado, a partir das 14h, acontece a 10ª edição da Feira Agroecológica Frutos da Resistência, na calçada da Rua Olavo Bilac, em frente a sede da Núcleo Amigos da Terra, 192, entre a Lima e Silva e José do Patrocínio.
A Feira existe como um mecanismo de encontros, de troca de informações dos enfrentamentos e resistências que se dão no Bioma Pampa, na Mata Atlântica e na metrópole de Porto Alegre. Além de debates, acontece a exposição de frutos de diversos territórios que resistem pelo Estado.
Frutos são oriundos de diversos territórios
O tema da 10ª edição é Justiça Climática: a questão climática na conjuntura política brasileira e seus impactos nas comunidades e territórios.
O assunto também é pauta, na manhã desta sexta-feira, no mini-curso Políticas Climáticas, participação da sociedade civil e impactos nos territórios. A atividade, que acontece no IAB, é gratuita e promovida pelo Amigos da Terra Brasil, em parceria com o Amigos da Terra e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS). Mais informações > http://bit.ly/ MiniCursoPolíticasClimáticas

Na décima edição da Feira Agroecológica Frutos da Resistência, são presenças confirmadas assentados da reforma agrária do município de Herval – que se articulam através do Grupo Biodiversidade -, agricultores agroecológicos de Maquiné, indígenas Kaikangs do Morro do Osso, guaranis do Cantagalo, quilombolas da Família Silva (primeiro quilombo urbano titulado no Brasil), coletivo Somos Soma (que se articula através do Quilombo do Sopapo), além da presença de diversas outras pessoas que lutam pela terra e pela perpetuação dos saberes ancestrais.

A proposta é difundir a agroecologia, a economia solidária, através dos produtos, mas também que a feira sirva para informar a quem passa, que sirva como um espaço de trocas e articulações. Às 17h, acontece ensaio aberto com o grupo de tambores do Quilombo do Sopapo.

Na Feira também terá uma banca informativa sobre o caso do Rafael Braga, jovem negro preso injustamente nos protestos de 2013 e reencarcerado novamente por um enxerto da Polícia Militar. Um caso emblemático do encarceramento da população negra e do racismo institucional do nosso país. Também estará sendo recolhidas doações para os Mbya Guarani que retomam uma terra ancestral no município de Maquiné, RS.

Está marcando sol, mas mesmo com chuva acontece a Feira. A entrada é gratuita.
Servidores da TVE e FM Cultura denunciam retaliação e censura
Tiago Baltz
Um dia depois de ser publicada a entrevista do presidente da Fundação Piratini Orestes de Andrade Jr, um grupo de funcionários procurou o JÁ para manifestar a “perplexidade” que tiveram ao ler o texto e rebater o que foi classificado como “inverdades”, ditas por Orestes.
Com medo de represálias, pediram para serem identificados como representantes do Movimento dos Servidores em Defesa da TVE e FM Cultura.
Segundo o grupo, as alterações nas grades para acabar com os desvios de funções é uma retaliação contra a denúncia feita pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão de que o próprio presidente da Fundação e outros contratados em cargos de confiança, os Ccs, estariam desempenhando atividades ilegais nos estúdios das emissoras.
“O que ocorreu é que o sindicato fez uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho do Estado, (MPT)”, apontando que Ccs, incluindo o presidente Orestes, praticavam atividades-fim não autorizadas, como apresentação e produção de programas. O Orestes chegou a participar do programa de entrevista Faces, segundo funcionários.
Depois da denúncia, o clima no alto do morro Santa Teresa, já tenso desde que o governador Sartori sancionou a Lei que autoriza a extinção da Fundação Piratini, azedou de vez. Quase não existe diálogo entre os servidores e a nova direção.
Os funcionários relatam que, em uma reunião no dia 8 de março, Orestes chegou a falar: “por hora, esqueçam os desvios”. Mas, voltou atrás, assim que a denúncia no MPT saiu.
“Na entrevista ao JÁ, Orestes diz que desde o começo avisou que enfrentaria os desvios, e não é verdade. Houve, inclusive, rodízio de apresentadores na TVE, promovido pela direção. E ninguém questionou se estavam fazendo desvios ou não”, relata um funcionário da tevê. E lembrou que uma pessoa da direção chegou a comentar: “Vocês denunciariam a direção. Agora irão atrás de vocês”.
Em junho, com o embate em andamento, servidores tiveram uma reunião em que Orestes avisou que iria, a partir daquele momento, ser 100% legalista, e iria mexer com os que estavam em desvios de função. Servidores gravaram parte da reunião.
Os funcionários admitem que há desvios de função, devido às legislações antiquadas em que os contratos dos funcionários concursados foram baseados. Sugerem que a solução é uma discussão séria, onde a gestão, o MPT e os sindicatos pudessem sentar e rever os contratos e adequar as funções a que cada um estaria apto a realizar. “Mas não pode ser como agora, uma imposição”, criticam.
Mudanças na FM Cultura foram impostas
Os servidores contestaram também o que disse Orestes sobre a realocação de funcionários e, depois, dos apresentadores. “Não foi como ele disse, que mexeu por último com os apresentadores, foi ao contrário. Pouquíssimos outros servidores foram deslocados. Temos aqui editores que estão na chefia de reportagem e foi uma escolha da direção, e não mudou”.
Os funcionários falam ainda que algumas pessoas foram trocadas de função para serem colocadas na “geladeira”.
“Havia cinco repórteres na rádio e dois foram recentemente transferidos para TV. Um deles está há duas semanas encostado, praticamente sem função. Ë papo furado essa história que valorizaram o jornalismo. Como a rádio passou a fazer isso se retiraram repórteres?”; questionam.
Sobre as mudanças na grade da rádio, não teria ocorrido um diálogo aberto, como foi colocado por Orestes. O que houve é que os funcionários teriam conseguido “salvar” alguns programas, O caso mais marcante é o ‘Conversa de Botequim’, cujo o apresentador Luiz Henrique Fontoura foi retirado da função porque estaria em desvio de função. Os funcionários dizem que convenceram a direção a manter o programa com outro apresentador, o Demétrio Xavier.
Já o Estação Cultura acabou. “Não concordamos com a grade proposta, e nem a troca dos apresentadores da Casa por terceirizados (três foram contratados). Mudaram o horário dos Clássicos, inventaram novos programas, não é à toa que sofrem críticas dos ouvintes” coloca um radialista, que completa: “E é ridículo ele dizer que foi traído pelos servidores pelas críticas na internet. Foi criado um evento no Facebook, “Salve a programação da FM Cultura”. Nasceu espontaneamente de ouvintes. Pode ver que 95% dos comentários na página da própria rádio sobre a nova programação são negativos. Isso não foi criado pelos servidores e sim por ouvintes”.
“Presidente desrespeita ouvintes”
Os servidores ainda questionam o fato de o presidente Orestes achar a rádio elitista e pouco plural. “Como ele sabe que é elitista. Sem estudo. Não assinamos o Ibope, não há pesquisa. Se existe um público, estão sendo patrolados, para criar o novo, pisoteia nos ouvintes fiéis. Temos que atingir novas pessoas, todas as classes sociais, jovens, mas sem destruir o que temos hoje”, ponderam os trabalhadores das emissoras públicas.
Direção censura cobertura jornalística
Um dos pontos mais criticados pelos concursados é a posição de que a atual gestão permite ampla cobertura dos acontecimentos, inclusive de assuntos contrários ao governo estadual.
Foram relatados ao menos três assuntos em que houve cobertura pouco plural.
No dia do anúncio das vendas das estatais, uma equipe deu a notícia e falou com o secretário de Minas e Energia. E ainda foram ouvidos alguns funcionários contrários à venda. A matéria foi ao ar no jornal da TVE. Mas, ainda naquela noite, ocorreu uma entrevista ao vivo do secretário, ele falou durante 15 minutos, sem nenhum contraponto.
Já, no caso da desocupação dos Lanceiros, havia uma equipe na Assembleia Legislativa, que não foi autorizada a cobrir a desocupação.
“A coordenação não permitiu, eles estavam perto do local. E, dois dias depois, os repórteres pediram para cobrir os desdobramentos do caso, mas foi autorizada apenas uma matéria básica. Sem nenhum debate sobre o ocorrido. Qual a linha da TVE, matéria, entrevista sobre o fato e debate, era o assunto da semana, e não houve nada disso”, lamenta uma servidora.
Outro caso de censura, de acordo com a jornalista, foi quando a TVE teve que se retratar sobre uma nota em que comentava justamente uma denúncia no TCE, que investiga o possível desvio de função de Ccs. “Foi noticiado uma nota feita às pressas, mal escrita. O resultado é que no dia seguinte o TCE pediu e ganhou uma retratação no ar, ficou péssimo pra Fundação”, conta.
Ao contrário do que dizia a primeira nota lida no ar, o TCE não indeferiu o pedido de instauração de inquérito. O órgão juntou o caso a um outro já aberto e, por isso, não houve nova investigação, mas continuação de uma já existente.
“É um absurdo a história de que agora não há nenhuma censura. Na época do PT, demos ampla cobertura da CPI do jogo do bicho. No governo Ieda o caso do Detran, agora isso”, desabafa outro servidor.
Prédio da Fundação no morro Santa Teresa/ Divulgação
Funcionários entram na Justiça por direitos e não dinheiro
Outro fator questionado da entrevista do presidente da Fundação Piratini, Orestes Jr, trata das ações trabalhistas. “De onde ele tirou que são quase 500 ações. Temos que explicar também que tipos de ações são essas. Muitas ações cobram, por exemplo, 15 minutos que a gente tinha direto de intervalo, e que chegou a ser retirado por gestões anteriores. Há concursados que entraram para a mesma função em concursos distintos e têm cargas horárias diferentes, aquelas que trabalham mais horas entraram na justiça. São questões de erros das gestões que os funcionários buscam seus direitos, ninguém quer fazer poupança”, justificam.
“Querem enfraquecer os servidores. Acabar com a Fundação é, sim. enfraquecer a TV e a Rádio. São patrimônios dos gaúchos. Rádio e TVs comerciais têm muitas, mas educativas e de caráter publico, nós fazemos, com orgulho. Só queremos que nos deixem continuar a fazer isso”, finaliza uma jornalista.








