Autor: da Redação

  • Em Porto Alegre, repressão a piquetes, bancos fechados e Trensurb gratuito

    Em Porto Alegre, manifestações ocorreram em diversos pontos da cidade em função da greve geral.
    No início da manhã, a Brigada Militar dispersou as manifestações com bombas de efeito moral em frente à garagem da Carris, aos Campi Central e do Vale da UFRGS. Nas empresas de ônibus Nortran e Trevo foram desmontados os piquetes e liberada a saída dos carros ainda pela manhã.
    Três homens foram detidos em piquete que bloqueava a saída dos ônibus da garagem da Carris, dois são dirigentes da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras), outro é integrante da CSP Conlutas.
    Uma decisão judicial obtida pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) determinou a manutenção de 100% dos serviços de urgência e emergência e 70% dos serviços essenciais na Capital. A decisão é da desembargadora Laura Louzada Jaccottet determinava multa de R$ 50 mil ao Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), em caso de descumprimento.
    O sindicato informou que vai recorrer da decisão, alegando que a Constituição prevê a manutenção de apenas 30% dos serviços e que os trabalhadores estão respaldados pelo departamento jurídico do sindicato.
    Prefeitura diz que decisão foi cumprida
    O balanço parcial realizado pela Prefeitura de Porto Alegre indica que a decisão judicial de manutenção de 100% dos serviços de emergência e urgência e 70% dos serviços básicos foi cumprida.
    Segunda a Prefeitura, apenas duas das 141 unidades básicas de saúde não atenderam: Tijuca, na Zona Leste, e São Cristóvão, na Zona Norte. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a unidade São Cristóvão deve reabrir à tarde e os atendimentos e consultas da manhã foram reagendados.
    A Secretaria Municipal de Educação informou que na manhã desta sexta-feira, 65 escolas funcionaram normalmente, 23 tiveram funcionamento parcial e 11 escolas paralisaram as atividades.
    Os números do Sindicato dos Municipários (Simpa) divergem do balanço da Prefeitura. Segundo Jonas Tarcisio Reis, diretor-geral do Simpa, 70% das escolas paralisaram atividades e os outros 30% funcionaram parcialmente.
    Para Jonas, a adesão dos servidores municipais foi semelhante à da greve realizada no dia 28 de abril. Os municipários realizaram manifestações em frente à Secretaria Municipal de Administração e ao Hospital de Pronto Socorro.
    O transporte público circulou ao longo de toda a manhã pela Capital, ainda assim, o movimento foi reduzido em relação a um dia normal na região central. O Trensurb operou com as catracas liberadas. A empresa alegou falta de funcionários e informou que vai cobrar do Sindicato dos Metroviários a evasão da receita.
    Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região determinou manutenção plena dos serviços nos horários de pico, das 5h30 às 8h30 e das 17h30 às 20h30 e fixou multa de R$ 15 mil ao Sindimetrô-RS por horário de pico não atendido.
    As agências bancárias tiveram atendimento suspenso, e piquetes montados pelos grevistas.

  • Manifestações em todo o país: Em Brasilia, três mil homens policiam a Esplanada

    Manifestações em todos os Estados e no Distrito Federal marcaram o início desta sexta-feira, em consequência da greve geral convocada pelas centrais sindicais.
    Houve bloqueio de rodovias e avenidas em várias capitais, com barreiras e queima de pneus, mas não se registraram incidentes graves.
    O transporte público que em algumas cidades não funcionou no início da manhã estava praticamente normalizado em todo o país já ao meio dia.
    Na Capital Federal, o dia começou sem ônibus e nem metrô, apesar da determinação da Justiça de que pelo menos 50% dos serviços deveriam funcionar.
    Na esplanada dos ministérios o esquema de segurança mobilizou com 2.600 policiais militares e 400 homens da Força Nacional, com restrição ou bloqueio nas vias de acesso.
    Na greve geral de 28 de abril, vários prédios foram alvo de vandalismo. A operação seguirá até o fim do protesto, que têm expectativa de público, segundo a PM, de 5 mil pessoas.
    O prédio do Congresso Nacional também está com as visitas suspensas. O acesso à Câmara e ao Senado só é permitido a parlamentares, servidores e pessoas credenciadas.
    De acordo com a Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), pelo menos 13 categorias devem aderir ao movimento.
    O principal impacto no DF, no entanto, é o do transporte público – 100% dos ônibus e trens do metrô estão parados e os veículos piratas circulam livremente pela cidade.
    Ontem (29), o juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal Cível do DF, determinou que, no mínimo, 30% da frota dos dois meios de transporte sejam mantidos em circulação, mas a determinação não está sendo cumprida. O juiz fixou multa de R$ 2 milhões para cada sindicato que descumprir a ordem.
    A greve geral desta sexta-feira também tem a adesão dos bancários. As agências do Distrito Federal estarão fechadas e só terminais de autoatendimento devem funcionar.
    No Rio de Janeiro, barreiras montadas por manifestantes impediam o acesso ao centro da cidade, desde às cinco da manhã.
    Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), alguns bloqueios foram registrados em duas rodovias. Na BR-356, no distrito de Martins Lage, em São João da Barra, cerca de 50 pessoas interditaram totalmente a pista pouco depois das 5h, colocando objetos na pista e ateando fogo, na altura do km 160.
    Já a BR-101 tinha dois bloqueios. Em um deles, no km 484, em Angra dos Reis, por volta das 5h30, cerca de 40 pessoas interditaram totalmente as pistas. No km 72, em Campos dos Goytacazes, a pista foi interditada às 8h.
    Um protesto paralisou o tráfego na Ponte Rio-Niterói (BR-101). Segundo o Centro de Operações, os manifestantes continuam no local, mas a pista foi liberada por volta das dez da manhã  .
    No km 320, em Niterói, por volta das 5h50, manifestantes também atearam fogo a objetos na rodovia, mas a PRF liberou a via.
    Na Avenida 20 de Janeiro, que dá acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, uma faixa foi ocupada, provocando grande engarrafamento para quem se desloca para o aeroporto. Na Avenida Brasil, também há manifestantes bloqueando pistas na altura de Santa Cruz.
    Mais cedo, manifestantes bloquearam a Linha Vermelha e colocaram fogo em objetos na pista, na altura do Hospital do Fundão.
    Em São Paulo, o transporte público funcionou sem  incidentes permitindo, com isso o acesso da maioria da população aos seus locais de trabalho e outros compromissos. No começo da manhã, foram registrados apenas atos isolados com bloqueios parciais de vias na cidade e pontos de rodovias, próximos a entrada à capital paulista.
    A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, às 9h30, 11 pontos com interdições totais ou parciais por manifestações entre elas na Rua da Consolação, sentido centro, com obstrução de todas as faixas e  na Rua Martinho Prado, onde os ativistas fecharam uma das faixas.
    Apesar desses bloqueios, o trânsito está abaixo do normal sendo registrado até as 10h, como pico máximo, 38 quilômetros de congestionamento.
    A Polícia Militar informou que, por volta das 7h, foi necessário usar bomba de gás lacrimogênio para dispersar um grupo de manifestantes que ocupava parte da Avenida São João, no centro da cidade.
    Também houve bloqueio parcial da Avenida Washington Luís, no acesso ao Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da cidade.
    Pouco antes das 8h, sindicalistas e representantes de movimentos sociais ocuparam o saguão deste terminal, mas o ato não chegou a causar impactos ou prejuízos nos embarques e desembarques de passageiros.
    Por volta das 8h30, os manifestantes fecharam o acesso ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, colocando obstáculos na Rodovia Helio Smidt, provocando lentidão no entorno da Rodovia Presidente Dutra.
    Na Rodovia Régis Bittencourt, os ativistas interditaram a faixa da direita, no sentido capital paulista, provocando lentidão entre os quilômetros 279 e 274, no trecho entre os municípios de Taboão da Serra e Embu das Artes. Segundo a concessionária que administra esta estrada, o fluxo de veículos teve de seguir pela pela faixa da esquerda, e foi necessário acionar a Polícia Rodoviária Federal.Por volta das 9h todas as pistas estavam liberadas.
     

  • Kiss: pais de vítimas chamam de artimanha pedido do MP para absolvição

    Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (20), na sede da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), membros da diretoria da entidade se manifestaram firmemente contra o pedido de absolvição de pais processados por “falta de provas”, depois do que eles chamaram de “tentativa de intimidação dos familiares por meio de ações judiciais”.
    A AVTSM também pretende, depois de conversar com outros assistentes de acusação, pedir a suspeição dos promotores Joel Dutra e Maurício Trevisan, que atuam no processo criminal contra os sócios da Boate Kiss e contra integrantes da Banda Gurizada Fandangueira, pois são os mesmos que processaram pais de vítimas.
    “Nós só queremos que os promotores cumpram a obrigação deles. Eles têm que aprender a receber críticas. Nós falamos sobre a imoralidade do processo, não ofendemos a mãe ou o filho de alguém”, disse o presidente da AVTSM, Sérgio da Silva.
    “Recebi com uma ironia muito grande e uma arrogância maior ainda o pedido de absolvição por parte do procurador-geral quando ele falou que não havia nada de irregular (na manifestação dos pais) e eles decidiram nos perdoar”, comentou o vice-presidente da AVTSM, Flávio José da Silva.
    Foi informado também que o pai processado Flávio José da Silva pretende recorrer à Brasília contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) de não acolher o incidente processual da “exceção da verdade”, quando ele tentava provar que não caluniou o promotor Ricardo Lozza ao dizer que o Ministério Público sabia das irregularidades na casa noturna.
    “Foi uma manobra esperta. Foi estranho. A artimanha foi bem feita, porque restaria claro e nítido que os promotores sabiam das irregularidades. Vamos recorrer aonde tiver que ser. Nós vamos em busca da verdade”, disse Pedro Barcellos Jr, advogado de Flávio  e de Paulo Carvalho, outro pais processado.
    Patrícia Michelon, advogada de Marta Beuren, mãe processada por um advogado particular, disse que aguarda a sentença no processo dela. “Se houver um pedido de absolvição, é uma decisão exclusiva dos autores do processo contra a Marta, não cabe ao Ministério Público”, comentou Patrícia.
    Antes da entrevista coletiva, foi divulgada uma nota oficial da AVTSM sobre os últimos acontecimentos. Ela pode ser acessada AQUI.

  • Ex-ministro Bresser Pereira debate em Porto Alegre um projeto para o Brasil

    O ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira, apresentou o Projeto Brasil Nação na noite desta quinta-feira na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.
    É uma proposta para retomar o desenvolvimento, que ele vem submetendo ao debate em todo o país.
    Um público  qualificado, que quase lotou o auditório Dante Barone, foi ouví-lo nesta quinta-feira: professores universitários, intelectuais, representantes do PT, PC do B, PDT  e movimentos sociais ligados à esquerda.
    Nas cadeiras, políticos do PT como Maria do Rosário e Miguel Rossetto ouviam atentamente a palestra. Na mesa estavam a jornalista Eleonora de Lucena, o economistra Pedro Cezar Dutra Fonseca, o cientista político Benedito Tadeu César, o economista Cláudio Accurso,  representantes de movimentos sociais Berna Menezes (Frente Povo Sem Medo), Vitalina Gonçalves (Frente Brasil Popular), Davi Almansa (UNE) e Emil Silva (Movimento Negro) .
    O movimento de centro-esquerda, encabeçado pelo economista e apoiado por intelectuais de diferentes correntes, quer propor alternativas à atual crise econômica e política vivida pelo país.
    “O grupo nasceu dessa preocupação com o país, não só com a grande crise política e moral dos últimos quatro anos”, diz ele.
    Segundo Bresser, o país está estagnado e perdeu a ideia de nação e parou de crescer desde o final dos anos 80.
    “O Brasil entre as décadas de 1930 e 1990 teve um regime desenvolvimentista” ressaltou. Desde então, segundo ele, devido a crise da dívida externa e a rendição ao capital estrangeiro, o crescimento encolheu. “Nosso crescimento médio era de 4% ao ano e agora é de 1,5%”.
    Na entrevista que concedeu antes da palestra, Bresser Pereira disse que o manifesto é uma alternativa à política liberal de governos como Collor, FHC e Temer e de certa forma uma crítica aos governos de Lula e Dilmar, o qual classificou de “parcialmente incompetente”.
    Bresser Pereira destacou cinco pontos em que o Projeto Brasil Nação se sustenta para mudar a atual realidade.
    O primeiro é a responsabilidade fiscal. O Grupo quer um estado grande, que financie educação, saúde, etc, mas com as contas públicas fiscalizadas. Bresser criticou FHC e Dilma nesse ponto e disse que apenas Lula foi responsável nesse assunto.
    O Segundo é a diminuição das taxas de juros, segundo ele uma das mais altas do mundo, que só beneficia a burguesia.
    O terceiro item é o superávit em conta corrente. Bresser defende uma taxa de câmbio competitiva: “Não precisamos de capitais estrangeiros” defendeu.
    O economista também listou que é importante que o Estado recupere a capacidade de fazer investimentos e, por último, citou a distribuição de renda através de uma reforma tributária que seja progressiva.
    Ainda na coletiva, o ex-ministro defendeu, além das reformas tributária e da previdência, uma reforma política.
    Na palestra, Bresser não poupou críticas ao governo Temer, o qual chamou de ilegítimo. Também salientou que a atual política liberal não resolverá os problemas do país. “Eles querem que o trabalhador ganhe menos, isso não resolverá” exclamou. Também alertou sobre os erros dos governos Lula e Dilma: “Continuamos no liberalismo de Collor e FHC”.
     

  • Memórias da Ditadura: "Vou lhe dar uma notícia, seu marido vai ser governador"

    Em entrevista, no último dia 26, o ex-governador do Paraná, Paulo Pimentel, revelou fatos importantes para a Memória da Ditadura Militar de 1964.
    Pimentel governou o Paraná de 1966 a 1970, conviveu com Castelo Branco, Costa e Silva e Médici, a respeito de quem é categórico: “Era antes de tudo um imbecil”. Reproduzimos o que foi publicado no blog de  Aroldo Murá, um dos jornalistas que entrevistaram  o ex-governador para um livro sobre “Os Construtores do Paraná”.
    O ex-governador do Paraná, Paulo Pimentel, costuma definir aliados e, principalmente adversários, em apenas uma frase. Sobre Jaime Lerner, diz que, como governador, foi um grande prefeito. Já acerca do general Emílio Garrastazu Médici, terceiro presidente na vigência do regime militar, é mais conciso e ácido: “Era um imbecil”.
    Claro que Pimentel faz essa afirmação a uma distância histórica segura. Se repetisse tal comentário no ano de 1971, quando esteve cara a cara com o presidente da República, seria cassado ou, ainda pior, preso.
    A segunda parte do depoimento que a coluna resume foi feita por Paulo Pimentel, dia 26, segunda, aos entrevistadores do livro “Encontros do Araguaia: os grandes construtores do Paraná no século 20″, de que sou o organizador, e cuja edição está prevista para 2018.

    DIRETAS PARA GOVERNADOR

    Que se conte o episódio. Médici convocou Ney Braga e Paulo Pimentel à Brasília. Ney havia ocupado o governo de 1961 a 1965, Pimentel de 1966 a 1970.
    Ambos foram eleitos pelo voto direto. Mesmo com o golpe deflagrado em 1964, Castello Branco, o primeiro presidente militar, havia mantido as eleições do ano seguinte, sem mácula.
    A questão agora era outra. Os próximos governadores seriam indicados pelo Planalto e Ney e Pimentel apostavam em Pedro Viriato Parigot de Souza, um engenheiro, professor da Universidade Federal do Paraná e presidente da Copel por uma década.
    Médici, no entanto, os surpreendeu. O novo governador do Paraná seria Haroldo Leon Peres, anunciou. Ora, eles protestaram, mas não havia o que demovesse o presidente daquela ideia. Era decisão tomada. Como Ney e Pimentel insistiram, ele concordou em nomear Parigot vice-governador.

    PARCERIA DO BARALHO

    O motivo pelo qual Médici queria fazer de Haroldo Leon Peres governador era frugal. Soube-se depois que a mulher do presidente, dona Scila, costumava jogar baralho com a esposa de Leon Peres, dona Helena.
    Da amizade nascida sob o regime militar surgiu o desejo do ditador Médici, um homem da linha dura do Exército, de fazer um “mimo” para a mulher e nomear o marido de sua amiga como governador. Coisa de republiqueta.
    Pimentel diz que foi durante uma recepção no Palácio Itamaraty que a esposa de Perez (dona Helena) recebeu a notícia. Médici parou em frente a ela na fila de cumprimentos e perguntou: “Você sofre do coração?”. Diante da negativa, ele respondeu: “Então eu vou lhe dar uma notícia: seu marido vai ser governador do Paraná”.

    UM MILHÃO

    Era uma situação bizarra que, segundo Pimentel, mostra quanto danoso foi o regime militar em seu aspecto político. Nomeado em 1971, Peres governaria por apenas 252 dias. Foi obrigado a renunciar depois que o empreiteiro Cecílio Rêgo de Almeida revelou gravação feita durante passeio na praia de Copacabana em que Perez pedia 1 milhão para aprovar uma obra.
    As razões pelas quais Pimentel define Médici como um imbecil (incurável) tem fundo naquela reunião em que ele anunciou sua decisão. Ao citar o nome do político escolhido, Médici se confundiu e disse Leopoldo Perez. Ora, Leopoldo era um político do Amazonas, distante do Paraná por léguas e mais léguas.

    FOI O PRIMEIRO. E O PIOR

    Pimentel encarregou-se de corrigi-lo: “Presidente, o senhor deve estar falando do Haroldo Leon Peres, um deputado de Maringá”. Médici fez um gesto com a mão: “Esse mesmo”. Ele não sabia quem era ele, não sabia a quem estava destinando a administração de um estado, tampouco media as consequências do que significava impor um governador a uma população acostumada a eleger ela mesma os seus administradores. Foi o primeiro governador do Paraná nomeado pela ditadura. O pior.

    Pedro Viriato Parigot de Souza: era o preferido; General Médici: não sabia o nome de quem escolheu no lugar do preferido por Ney e Paulo

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  • Banrisul recebe inscrições de projetos para patrocínios até sexta

    O Programa Banrisul de Patrocínios recebe até sexta-feira (30) as inscrições de projetos interessados em obter patrocínio em 2018. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pelo site do banco. O Programa Banrisul de Patrocínios é um sistema de seleção pública de iniciativas que buscam apoio financeiro execução.

    O processo seletivo é feito por meio de chamada pública, com inscrições pela internet, dando transparência na definição do apoio. Os recursos serão destinados a projetos em áreas comerciais, sociais, ambientais, culturais e esportivas, que tenham início a partir de 1º de janeiro do ano que vem e término até 31 de dezembro de 2018.

  • Soprano Carla Cottini se apresenta em Porto Alegre

    Após protagonizar, em maio, a montagem de “Elisir D’Amore”, de Gaetano Donizetti, em Roma e Rieti (Itália), a jovem cantora lírica brasileira Carla Cottini retornou ao país para uma série de compromissos profissionais em São Paulo e Porto Alegre.
    No próximo dia 2 de julho a soprano chegará à capital gaúcha para um recital de voz e piano na Casa da Música. Na oportunidade, e acompanhada pelo pianista Ricardo Ballestero, Carla interpretará obras românticas assinadas por grandes compositores. No programa,“Ariettes Oubliees” (Claude Debussy), “Mädchenblumen” (Richard Strauss) e “Poema en Forma de Canción” (Joaquin Turina). Para completar, a apresentação ainda incluirá árias especialmente escolhidas de óperas francesas.
    Mas, em agosto, fãs de música erudita do Rio Grande do Sul já podem reservar na agenda: nos dias 26 e 27 Carla voltará a Porto Alegre para dar vida a mais uma personagem de Wolfgang Amadeus Mozart. Desta vez, como Zerlina (papel que debutou no palco do Teatro Municipal de São Paulo em 2013), da ópera “Don Giovanni”, com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, regência de Evandro Matte e direção de cena de Caetano Pimentel. As récitas ocorrerão no Theatro São Pedro. “Don Giovanni” é uma ópera em dois atos, e sua primeira apresentação ocorreu em Praga, em 1787.
    SERVIÇO
    Quando: 2 de julho , às 18h
    Onde: Casa da Música
    Endereço: Rua Gonçalo de Carvalho, 22, Porto Alegre
    Ingressos: valor espontâneo

  • Marchezan assina decreto que regulamenta lei das parcerias

    O prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan Júnior assinou na terça-feira, 27, o decreto Nº 19.775 que regulamenta a Lei Federal n° 13.019. A lei prevê a realização de parcerias entre a administração pública e organizações da sociedade civil. Em vigor desde 1° de janeiro 2017, a lei federal é conhecida como o marco regulatório das organizações da sociedade civil, que são entidades privadas sem fins lucrativos, que desenvolvem ações de interesse público.
    Pelo decreto, a prefeitura deve manter controle total do processo, definindo a abertura de editais, os chamamentos públicos, aplicando penalidades previstas nos editais e  decidindo sobre a prestação de contas, prazos, rescisão, termos de colaboração.
    São três as formas de parceria prevista no decreto:
    1. Termo de colaboração – parcerias propostas pelo município com organizações da sociedade civil para finalidades de interesses recíprocos que envolvam transferência de recursos.
    2. Termo de fomento – parcerias propostas pelas organizações da sociedade civil que envolvam recursos financeiros. Aqui, a própria sociedade civil pode provocar o poder público sugerindo parcerias a serem concretizadas.
    3. Acordo de cooperação – parcerias que não envolvem recursos financeiros.

  • Centrais sindicais convocam greve nacional para esta sexta-feira

    As centrais sindicais convocaram greve geral para esta sexta-feira em todo o país. É a segunda greve realizada neste ano contra as reformas propostas pelo governo do presidente Michel Temer.
    Em Porto Alegre, as manifestações estão programadas para ocorrer desde as primeiras horas da manhã em frente aos portões das garagens das empresas de ônibus, onde serão montados piquetes. Servidores da segurança realizam ato a partir das 10h em frente ao Palácio da Polícia. Ao longo do dia, acontece a concentração das centrais sindicais na Esquina Democrática. O ato inicia a partir das 17h. Por volta das 18h, também na Esquina Democrática, acontece o encontro, convocado através das redes sociais, do Movimento Autônomo e Fórum Social Mundial Autônomo.
    O movimento conta com apoio de diversas categorias de trabalhadores na capital gaúcha, porém não contará com os rodoviários. A Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) informou, por meio de nota, que os trabalhadores terão o dia descontado dos salários caso os veículos não saiam das garagens.
    A CUT (Central Única dos Trabalhadores) confirmou, no entanto, que vai fazer piquetes nos portões das garagens das empresas para impedir a saída dos ônibus. Na greve de abril, a paralisação do transporte público contribuiu com o impacto da greve.
    Já o Sindicato dos Metroviários convocou seus associados a aderirem à greve. O sindicato pretende fazer uma paralisação total de 24 h, a partir da meia-noite.
    Os servidores da segurança pública confirmaram a paralisação de sexta. A partir das 10h, haverá uma manifestação em frente ao Palácio da Polícia reunindo policiais civis, federais, rodoviários federais, peritos e agentes penitenciários.
    O Sindicato dos Bancários também aderiu ao movimento e as agências bancárias da capital não deve ter atendimento ao longo da sexta-feira.
    O Cpers-Sindicato decidiu que não haverá aulas nas escolas estaduais. O Sindicato dos Municipários também vai aderir à greve.
    No ensino superior, as aulas devem ser paralisadas na UFRGS, UFCSPA e Instituto Federal. A Adufrgs-Sindical, que representa os Professores de Instituições Federais de Ensino aprovou greve após consulta virtual. A Assurfrgs-Sindicato, que representa os Técnico-administrativos da UFRGS, UFCSPA e IFRS  também decidiu aderir.
    Na Justiça do Trabalho da 4ª Região (RS), será suspenso o expediente interno e externo de suas unidades administrativas e judiciárias, de primeiro e segundo grau. A realização de audiências e sessões e os prazos processuais e regimentais também estão suspensos.

  • A Crise Política Atual e o Impasse de Desenvolvimento

    Jaime Rodrigues*
    No atual momento é extremamente oportuno e necessário construirmos uma ampla análise sobre a realidade que vivemos em nossa sociedade. É urgente nos prepararmos para a superação da crise política forjada desde muito antes ao golpe realizado com o “impeachment” ao governo de Dilma e sempre com base no ridículo “Fonte para o Futuro”.
    Este governo atual e seus apoiadores tem adotado uma orientação antipopular e antidemocrático, diminuindo os salários dos trabalhadores brasileiros, retirando a segurança no trabalho, terminando com sua aposentadoria. Na Condição de Vida dos cidadãos e cidadãs reduz ou mesmo termina com investimentos em educação, saúde, habitação e muitas outras funções e elementos. Junto enfraquece o Estado com privatização de grande parte de sua estrutura e também descaracterizando a força institucional com atividades do poder executivo, judicial e parlamentar.
    O Meio Ambiente já está sendo afetado. Uma política de “retração” sem necessidade. Muito grave é a descaracterização da Constituição do Brasil. A orientação e atuação da poderosa mídia no Brasil lidera a informação e o poder de análise limitando a mobilização de toda a população. São respostas conservadoras às questões do momento.
    Este debate é importante na trajetória de enfrentamento aos impasses de desenvolvimento no atual “tempo histórico”. Diversas modificações objetivas alteram a estrutura da sociedade e exigem novas soluções em sua dinâmica maior. O domínio atual da condução destas mudanças no país tem sido das forças conservadoras. Um caminho que aproveita deficiências ou vazios nas orientações progressistas que, em outra situação e com outras exigências aplicou um rumo muito positivo. Quais suas características, sua dimensão, a relação que apresenta para as limitações à Democracia atual e qual a capacidade de um país como o Brasil em sua superação destes impasses com benefício popular. São fortes desafios. Um debate que para ser decisivo deve contar neste processo da população a partir das lutas concretas.
     A “transição” que vivemos
    Hoje vivemos em uma transformação da sociedade no mundo todo. Suas mudanças são amplas no sentido que abarcam e articulam sua estrutura entre as pessoas e no seu conjunto. Um fator essencial é a tecnologia bastante inovadora, com renovação rápida e que altera todas as atividades. Seu controle tem sido com domínio do Sistema Financeiro.
    As Relações de trabalho, Relações de Produção, Valores da Ideologia, Sistema da Política, Os Valores da Cultura, Condições de Vida da População, o Meio Ambiente. Foi implementada uma reorganização das estruturas institucionais do Estado e também das empresas, partidos e entidades de comunicação. Afeta todas as funções e elementos de organização da sociedade nas Formas, Valores e Sentimentos nas relações entre cidadãs e cidadãos. Altera e transforma os valores e modifica o individualismo, o medo, aumenta a violência, faz predominar a concorrência em todas relações. Traz novas características de submissão por imposição de quem domina ou é dominado. Estabelece uma “pastagem” na apresentação e no convívio nas diversas realidades, um caminho de indefinição que permite exercer e aumentar o poder.
    No crescimento econômico atual os grandes lucros existem principalmente no Sistema Financeiro. Nas Relações de Produção a rápida mudança da tecnocracia utilizada e a sua complexidade de funcionamento, com seus altos custos   onde pequenos equívocos geram imensas alterações de resultados. Esta enorme insegurança tem sido um dos aspectos para o domínio pelo grande capital. Ao mesmo tempo existem alterações no consumo e do mercado assim como o valor da mão de obra na mercadoria, o que para o capitalismo são conceitos decisivos.
    Da mesma forma a dimensão internacional da economia em toda sua combinação sofreu profundas modificações, atualmente um comércio pequeno. Como podemos ver é um panorama muito complexo e com diferenças com a realidade que havia sido alcançado no passado.
    A exploração da Mão de Obra aumentou agora mesmo quando o salário, por acaso, seja maior porque a sua produtividade é muito maior. Insatisfeitos, entretanto, o capitalismo quer colocar o trabalhador em situação de enorme defensiva e garantir a exploração agregada no valor na produção. É simplesmente usar e jogar fora. As pessoas têm sido condicionadas hoje à concorrência e oportunismo aos demais com a perda da significativa Solidariedade que a trajetória da vida nos trouxe, são valores recente no capitalismo. Qualquer caminho progressista será necessariamente participativo e democrático. Os trabalhadores ficam sem força para questionar e, inclusive, sem capacidade de preparo para sua própria qualificação profissional. Cada caso é específico e em todos os países e regiões guardam dinâmicas próprias. Sua força real de dominação é conduzida pelo Setor Financeiro.
    A sexta economia do mundo
    No Brasil estão bastante presentes estes aspectos de crescimento. Hoje a política conservadora atua para exercer domínio ainda maior mesmo com retração no crescimento. Neste sentido se vale dos participantes do atual governo que sempre foram altamente negativos na sua presença e na formulação de caminhos na história brasileira. Suas presenças são oportunistas e procuram “encostar” nas estruturas existentes, mas sempre diferenciados pelo seu aspecto medíocre. A proposta defendida por estas forças nos conduz para uma realidade de Colônia. Concentra na diminuição do Estado, a redução do preço e garantia do trabalho, desmoraliza toda a política para fortalecer seu domínio direto e, junto estabelece o predomínio em setores como a “agroindústria”, privatiza empresas como a Petrobrás, da mesma forma a exploração da água e extração de outros elementos da natureza. Infelizmente as forças conservadoras de tradição histórica e significado mostram debilidade profunda para alcançar um caminho alternativo e consistente. Infelizmente ainda não abriu espaços e, ou, não conseguem soluções mais sérias.
    Em nossa história desde a República Nova construímos estruturas muito fortes como a indústria, uma forte mão de obra (inclusive qualificada). Igualmente temos soluções de agricultura, comércio e serviços. Nosso Estado é sólido e importante em sua atuação em todos aspectos da sociedade. No processo de desenvolvimento deverá ser atualizado, mas não reduzido.
    Nossos governos recentes foram de sucesso e melhorias na sociedade. É evidente de limites, erros e deficiências, mas nada em que o diálogo aberto e participativo não possa superar e inclusive construir valores novos e necessários. Não temos dívidas no exterior, guardamos uma reserva de 380 bilhões de dólares, somos um país continental, temos uma possibilidade ampla para autonomia e nossos “inimigos” do exterior estão muito débeis. E mais ainda, temos importantes “amigos” no mundo para construir ou avançar. Nós somos fortes, mesmo sendo um país que teve 350 anos de escravidão, mais uns tantos de coronelismo e no entanto alcança ser a sétima potência do mundo, disputando a sexta.
    Esta orientação de querer nos humilhar é reacionário. Ocorre que no atuai momento a política dos “containers” apresenta uma solução de colônia para o tempo atuai. É violenta, não aceita diálogo, é impositiva e autoritária na política e relacionamento. Impõe valores de submissão na relação de toda a sociedade. Ocorre que sua estrutura mostra ser fraca e superada, rapidamente apresenta defeitos. Uma solução progressista, no entanto, não surge sem uma luta clara e sem uma proposta que permita avançar em tempos de domínio do poderoso sistema financeiro.
    Esquerda
    As forças progressistas apresentam políticas de confronto baseado quase que só em questões imediatas de questionamento às desastrosas atitudes do governo e seus sustentadores. Não apareceram valores maiores de autocrítica às suas deficiências e debilidades que facilitaram a realidade atual. Não alcançamos ainda uma avaliação da crise que vivemos e, menos ainda, foram conseguidas alternativas de propostas. O grande mérito já iniciado é o início forte de um Processo Político Progressista. Surgem novas e grandes lideranças, antigos líderes como o do ex-presidente Lula que está renascendo com alto reconhecimento de sua liderança. Junto podemos ver importante organização popular e movimentos com questões novas e acompanhadas de soluções fortes. Muita coragem, acompanhadas de perguntas que exigem determinações em superar nossos limites.
    Um tema muito presente neste questionamento é saber como atingir a chamada “periferia e sua população” de nossas enormes cidades brasileiras. Qual é o caminho para sua inserção na sociedade e como podem se movimentar em nosso país que concentrou uma das maiores quantidades destas Metrópoles no mundo. Fenômeno em parte construído pela recente ditadura a partir de um acelerado êxodo rural em tempo muito curto. Da mesma forma todos nós queremos saber como será a sociedade na época atual.
    É evidente que é impossível previsões antecipadas e absolutas. Mas as perguntas e formulação de diretrizes são elementos necessárias para, na prática e na luta debatermos e construirmos o futuro.
    Mais Democracia
    Nossa luta é complexa e grande. Sua evolução nos ensina que a participação é fundamental. Trata-se de um fator para nos indicar que a luta é para ser construída pela população e por ela decidida. Os caminhos de representatividade não podem pretender a mesma importância prática que representou no passado do Brasil e em diversos países. Este significado é de força e caráter de solução assim como a própria possibilidade de ser revolucionário e transformadora. Soluções amenas são muito limitadas o que não quer dizer o “radicalismo”. O próprio capitalismo encontra dificuldades de definir propostas e ser aceito.
    Esta pontualidade de questões sugeridas é só um exercício. Não tem pretensão de fazer afirmações mais complexas. A proposta progressista mostra ser oposta ao que os conservadores adotam até agora. A definição de Sociedade é inovadora e efetivamente deve ser construída para estruturar sua dinâmica. A Nação que foi extremamente determinante no estabelecimento do capitalismo em tempos mais remotos deve ser retomado, agora para garantir o Desenvolvimento da Sociedade, superar a polarização, modificar a Relação de Trabalho, favorecer a pequena e média empresa, ampliar o diálogo com os mais ricos e qualificar a Condição de Vida do país.
    Para alcançarmos esta situação é fundamental reorganizar a Democracia com Participação e Poder Direto Ampliado. Garantir e qualificar o Estado é fundamental porque esta Sociedade depende de sua presença. Várias questões essenciais aparecem neste sentido, em condições imediatas e na reorganização futura. É decisiva a reforma fiscal, alterar a sistemática dos juros na relação financeira, defender a Nação na relação de comércio externo. As exigências hoje são em grande parte de nova condições técnicas, portanto é necessária sua transformação para beneficiar ao Cidadão e à Cidadã, o que é diferente da simples “modernidade” várias vezes colocado.  É urgente nova Assembleia Constituinte a nosso país e, como coerência de proposta é fundamental que sejam Eleições Diretas.
    * Urbanista/Historiador