Autor: da Redação

  • Mural em São Paulo vai marcar os 100 anos de Nelson Mandela

    No próximo sábado, dia 27 de outubro, um presente será entregue à cidade de São Paulo: um imenso mural em homenagem ao líder sul-africano Nelson Mandela.
    A obra, que mede cerca de 15 por 25 metros, foi criada e está sendo executado ao longo dessa semana pelos artistas Criola e Diego Mouro no Parque do Minhocão, região central.

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    Na altura da estação Marechal Deodoro do metrô, o mural chega para impactar a paisagem da cidade. “É para lembrar de que cada um de nós pode ser o agente ativo das mudanças que desejamos ver – na escola, no trabalho, na vizinhança, na família”, dizem os autores.
    A obra integra a série de ações que está sendo realizada pela South African Tourism, escritório de turismo da África do Sul no Brasil, pela ocasião de celebração do centenário de Mandela em 2018.
    Outras iniciativas são: “Mulheres brilhantes seguindo os passos de Mandela”, viagem para a África do Sul na qual Camila Pitanga, Djamila Ribeiro e Nátaly Neri, acompanhadas da cineasta Carol Rocha e da jornalista Milly Lacombe, visitaram lugares ligados à história de Mandela.
    A exposição “Mandela e sua terra natal”, que fica em cartaz de 25 de Setembro a 31 de Outubro no Mirante 9 de Julho.
    A exibição de quatro filmes atrelados à história do líder na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. E, por fim, o oferecimento de uma formação sobre o legado de Mandela e Direitos Humanos para professores do ensino fundamental.
    Sobre os artistas:
    Criola: Criola é a identidade assumida por Tainá Lima para apresentar o seu trabalho artístico, enquanto mulher feminista e representante negra no mundo do graffiti. Mineira, nascida em Belo Horizonte, faz parte da nova geração de artistas urbanas brasileiras.

    Diego Mouro: Diego Hernandez de Lima, de nome artístico Diego Mouro, é designer por formação, especialista em mídias sociais e artista da nova geração de talentos de São Paulo. Diego é negro e busca retratar personagens negros, apresentar o histórico da sua raça, a luta de sua irmandade e as belezas e vitórias de suas inspirações.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Tail Dragger mostra o blues de Chicago, na Sala do Cofre do Santander Cultural

     A programação musical do Santander Cultural, no final de outubro, traz o bluseiro James Yancey Jones, mais conhecido como Tail Dragger.  O cantor americano divide o palco da Praça dos Cofres do Santander Cultural, sábado, dia 27, às 17h, com os músicos brasileiros Nico Fami na guitarra e Clayton Oliveira na harmônica.
    Nascido em 1940, em Altheimer, Arkansas, James Yancey Jones é um dos mais festejados discípulos do mestre Howlin’ Wolf. Influenciado por Jimmy Reed, Muddy Waters e Elmore James, além de Howlin’ Wolf, o artista começou a tocar em 1966, quando se mudou para Chicago. Vale destacar que o apelido Tail Dragger foi dado por Wolf inspirado em uma de suas canções. O bluseiro seguia Howlin’ Wolf em todas as apresentações, por mais de 20 anos, até se inserir definitivamente na cena do gênero.
    Nos anos 70 e 80, estava tocando em vários clubes nos lados sul e oeste de Chicago, ao lado de Sonny Boy Williamson, Willie Kent, Hubert Sumlin, Carey Bell, Kansas City Red, Little Mack Simmons, Big Leon Brooks e Eddie Shaw. Tem quatro discos gravados, Crawling Kingsnake (1996), American People (1998), Live at Rooster’s Lounge (2009) e Longtime Friends in the Blues (2012).
      SERVIÇO

    DIA: 27/10SÁBADO17HPRAÇA DOS COFRESTAIL DRAGGERR$ 12,00
  • Bolsonaro participa de churrasco com equipe em clima de "já ganhou"

    Recebido ao som do Hino Nacional, Jair Bolsonaro , acompanhado da mulher Michelle, participou na tarde de terça-feira de um  churrasco de despedida da campanha na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.
    Bolsonaro chegou ao local às 16h para a confraternização com a equipe e integrantes da sua campanha, entre eles o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM), articulador político da candidatura.
    O churrasco, na área externa da casa e próximo à piscina, teve ainda a apresentação de músicos tocando violoncelo, que  também gravaram para o programa.
    A cúpula da campanha admitiu o otimismo para a vitória nas urnas no domingo, mas negou que tenha feito uma comemoração antecipada, apesar da festinha.
    (Com informações do G1)

  • "Ato da virada" com Chico e Caetano reúne 70 mil no Rio

    A última pesquisa do Ibope, que mostra pequena queda de Jair Bolsonaro e subida de Fernando Haddad, animou a militância do candidato petista.
    Aos gritos de “Ele, não!” e “Lula presente, Haddad presidente”, cerca de 70 mil pessoas estiveram nos Arcos da Lapa, zona central do Rio de Janeiro, na noite desta terça-feira (23) para o “Ato da Virada – Brasil pela Democracia”, realizado em apoio ao candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad.
    O ato, que teve a participação de artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, foi marcado pelo repúdio às recentes declarações do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que ontem (22) ameaçou seus opositores com “a prisão ou o exílio” e afirmou que colocará as forças de segurança do país para “dar no lombo” dos “petralhas” e dos “bandidos do MST e do MTST”.
    Haddad, que passou o dia no Rio em atividade na Favela da Maré e em reuniões com representantes das comunidades judaica, evangélica e católica, criticou as afirmações de Bolsonaro:
    “Ele disse que depois das eleições eu teria dois destinos: a prisão ou o exílio. Eu fiz uma opção: resolvi derrotar Jair Bolsonaro. Eu não o quero preso nem exilado. O que eu quero é que ele viva com saúde para ver os negros na universidade, as mulheres emancipadas e donas do seus destinos, as terras indígenas demarcadas, os nordestinos progredindo com água, comida, trabalho e educação”, disse.
    Haddad falou também sobre a possibilidade de virar o jogo até o dia da votação e a necessidade de “dar razão às pessoas’ para conquistar as pessoas. “Não estou falando dos coxinhas que sempre nos odiaram, mas das pessoas que estão revoltadas porque estão desempregadas ou deixaram a universidade”, explicou.
    “A essas pessoas nós precisamos abraçar e sentar para conversar daqui até o domingo. Vamos dialogar, eles não são nossos inimigos. Vamos fazer um projeto fraterno e avançar do ponto de vista social. Domingo nós vamos ganhar a eleição. Estou sentido no ar uma virada. Nós começamos a crescer e ele começou a cair. Nós temos cinco dias para fazer crescer ainda mais essa onda positiva.”
    Frente ampla pela democracia
    Representantes de todos os partidos do campo progressista usaram o microfone para confirmar o apoio a Haddad e defender a democracia contra a ameaça representada pelas propostas de Bolsonaro.
    Importantes nomes da política nacional também foram lembradas durante o ato: “Se estivesse vivo, Leonel Brizola certamente estaria neste palco. Nós trabalhistas, brizolistas, nacionalistas votaremos em Haddad no domingo”, disse Vivaldo Barbosa, fundador e militante histórico do PDT.
    Chico e Caetano
    A participação de artistas rendeu momentos emocionantes durante o ato: “Temos que apagar da mente brasileira a ideia de que o cafajeste é quem nos representa. É isso que precisamos negar dentro de nós. Precisamos encontrar meios de dizer àqueles que se deixaram hipnotizar por essa onda. Eu estou aqui por causa disso, para evitar a ‘cafajestização’ do homem brasileiro. A eleição de Fernando Haddad e Manuela D’Ávila representará a dignidade do povo brasileiro, de cada homem brasileiro”, disse Caetano Veloso.
    Chico Buarque afirmou que “a eleição de Haddad é difícil”, mas disse preferir crer que ainda é possível virar o jogo: “Imagino que lá fora, muita gente – cidadãos conservadores, de direita, cristãos, os chamados coxinhas – tenham votado no candidato fascista e agora estejam vendo a onda de boçalidade que toma conta das ruas cada vez mais e que depois do primeiro turno só fez piorar e ninguém sabe onde vai parar a matança de gays, de mulheres, de trans, de estudantes, de capoeiras que ousaram dizer que votaram no PT. Nas periferias, onde afinal está o povo que mais sofre com a miséria e a violência, e votaram por mais miséria e mais violência, eles talvez na última hora virem o voto. Não queremos mais mentiras, não queremos mais força bruta. Queremos paz, queremos alegria, queremos Fernando e Manuela”.
     

  • Restaurante Panorâmico já funciona na Orla do Guaiba

    Foi naugurado nsta terça-feira, 23 de outubro, o restaurante 360 POA Gastrobar  na parte nova da Orla do Guaiba.
    Edemir Simonetti é o permissionário do restaurante flutuante localizado quase em frente ao mirante Olhos Atentos, na Capital Gaúcha.
    Para o presidente do Sindha, Henry Chmelnitsky, a ocasião é de reconhecimento à coragem de empreender. “Investir em um projeto ousado como este, valorizando o setor em um espaço pujante e que deve ser cada vez mais explorado pelos empresários, é um exemplo de bravura. Essa inauguração marca um momento pontual para o setor e proporciona uma experiência inédita de conexão com a nova orla do Guaíba”, avalia.
    “É um empreendimento desafiador e o Sindha prestigia, apoia e está totalmente à disposição de todos aqueles que buscam construir uma cidade cada vez mais ativa, aberta às novas oportunidades para a sua gastronomia e hotelaria abundantes”, completa Chmelnitsky.
    Com um projeto arquitetônico de alto nível, o restaurante panorâmico dá início a um intenso processo de ocupação e, principalmente, de valorização da gastronomia local, já que outros quatro bares passarão a funcionar na nova orla nos próximos meses.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)
  • Fiocruz: "Saúde não é mercadoria"

    Posicionamento da Fiocruz e Conselho Nacional de Saúde para a Global Conference os Primary Health Care, Astana

    Quarenta anos depois da Declaração de Alma Ata, que garantiu o direito humano universal à saúde, vem aí a Declaração de Astana, que resultará da Conferência Global de Atenção Primária à Saúde, realizada 25 e 26 de outubro, no Cazaquistão.
    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS) reafirmam o compromisso da Declaração de Alma Ata com a defesa da justiça social, a saúde para todos e a superação das desigualdades entre e no interior dos países.
    No primeiro dia do encontro será apresentada a declaração final com a incorporação de sugestões de vários países.
    As contribuições da Fiocruz e do Conselho Nacional de Saúde contrapõem alguns pontos defendidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que, caso sejam aprovados, servirão como diretrizes para todos os países.
    A maior preocupação é que a Carta de Astana desvirtue a de Alma Ata: em rascunhos da Carta já divulgados, a ‘atenção primária à saúde” vem sendo tratada como “cobertura universal de saúde”, centrada na cobertura financeira, que não necessariamente garante acesso aos serviços de acordo com as necessidades de saúde.
    Nos primeiros rascunhos da declaração da Carta de Astana observa-se a redução da Atenção Primária à Saúde (APS) à cobertura universal, o que restringe significativamente seu alcance; a ausência do chamado à responsabilidade governamental para garantia do direito à saúde; forte ênfase na participação do setor privado – e certamente há enormes interesses privados de seguradoras, indústria farmacêutica, de equipamentos, entre outros, na expansão de seus mercados pela proposta de cobertura universal, contudo nenhum conflito de interesse é mencionado; ênfase na responsabilidade individual na garantia da saúde e de sua atenção à saúde; não se menciona o problema das desigualdades sociais e a necessidade de redução destas para a garantia do direito à saúde,  e nem se faz menção à justiça social, entre outras   questões.
    Para marcar sua posição, a Fiocruz compôs um grupo de trabalho que elaborou um documento de posicionamento em favor da Atenção Primária à Saúde integral, o direito universal de saúde e sistemas públicos universais de saúde – como o SUS.  O documento foi sintetizado a partir de contribuições de pesquisadores da Fiocruz sobre os temas mencionados nas primeiras propostas da Carta de Astana e outros constantes da programação da conferência em Astana já disponível na internet.  Integrantes deste grupo participarão da conferência em Astana.
    A expectativa é que se consiga pressionar por uma declaração de Astana que reafirme a proposta abrangente de Atenção Primária à Saúde da Alma Ata e os princípios da Carta de Alma Ata de saúde para todos e justiça social.  Que a carta aprovada avance em relação às primeiras proposições e que haja uma defesa mais clara do direito humano universal à saúde ao acesso de serviços de saúde conforme necessidades e da responsabilidade precípua dos governos na garantia deste direito.
    Na região das Américas, a Opas teve que ampliar seu entendimento de cobertura universal para incluir acesso e garantia do direito humano à saúde, e recentemente, durante a reunião do seu conselho diretor, a comissão sobre Saúde Universal, presidida pela ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, apresentou um documento com preocupações como estas.
    Justiça Social
    Já nos objetivos da conferência global de Astana se inclui a Atenção Primária à Saúde à universal health coverage (UHC), cobertura universal de saúde (CUS). A CUS na forma como vem sendo difundida pelo Banco Mundial, Fundação Rockfeller e OMS centra-se na cobertura financeira, isto é, que cada indivíduo tenha um plano de seguro privado ou público, de modo que não incorra em gastos excessivos no ato de uso.
    No entanto, a cobertura apenas financeira não necessariamente garante acesso aos serviços de saúde de acordo com as necessidades de saúde. Serviços de saúde não são distribuídos conforme necessidades de saúde se o governo não planejar e implantar um sistema em rede regionalizada com integração entre todos os níveis assistenciais que possam ser acessados conforme necessidade. Sem um desenho de sistema, se perpetuam desigualdades regionais e populações desfavorecidas não são cobertas.
    Ao mesmo tempo, contratos de seguro implicam em definição de uma cesta de serviços cobertos que pode ser maior ou menor conforme a possibilidade de pagamento de cada um. A experiência de seguros focalizados para pessoas em extrema pobreza incentivada pelo Banco Mundial na América Latina produziu mais segmentação, mais iniquidade. Com seguros de saúde diferenciados por grupo populacional, as desigualdades são cristalizadas! Não se busca mais reduzir desigualdades sociais ou promover a justiça social! Muito diferente da proposta de sistema público universal de saúde que tem como princípio que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Muito diferente do que se propunha em Alma Ata.
     
    Declaração de Alma-Ata
    Aprovada na Conferência Internacional de 1978, o principal legado da Declaração de Alma-Ata foi a concepção abrangente e integral de atenção primária à saúde. Na Declaração de Alma Ata, APS é entendida como estratégia para organizar os sistemas de saúde e garantir o direito humano universal à saúde. Tem três componentes essenciais: 1) é o primeiro ponto de contato e a base de sistemas de saúde de acesso universal e cuidado integral; 2) reconhece a inseparabilidade da saúde do desenvolvimento econômico e social, envolvendo a cooperação com outros setores para enfrentar os determinantes sociais e promover a saúde; 3) promove a participação social para o empoderamento dos cidadãos na defesa e ampliação dos direitos sociais. Em um contexto distinto do atual, de independência de colônias africanas, democratização, organização de países periféricos em movimento dos países não alinhados, a defesa de justiça social, equidade, solidariedade e redução de desigualdades sociais é muito destacada na
    Ainda que logo após a conferência de Alma, a Fundação Rockfeller, o Unicef e a OMS tenham difundido uma concepção seletiva de APS, um pacote mínimo de serviços para o grupo materno infantil e populações em extrema pobreza, esta concepção de APS integral conquistou corações e mentes ao redor de todo mundo na luta em defesa dos direitos humanos e orienta até hoje movimentos sociais locais e globais como o People Health Movement (Movimento pela Saúde dos Povos).
    Em estudo realizado pelo Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde sobre APS nos 12 países da América do Sul, a declaração de Alma Ata era mencionada em quase todos os documentos de políticas de APS como estratégia para reorientar os sistemas de saúde e garantir o direito universal à saúde. Seu legado é a defesa do direito humano universal à saúde e que uma outra forma de cuidado de saúde mais integral é possível.
  • Pelotas sedia final do Torneio Sesi de Robótica

    Nos dias 26 e 27 de outubro, 31 equipes de escolas públicas e
    privadas estarão competindo

    Porto Alegre, 23 de outubro de 2018 – Into Orbit (Em òrbita) é o tema da temporada 2018/2019 do Torneio Sesi de Robótica First Lego League, que terá a final para equipes de escolas públicas, privadas e de garagem nos dias 26 e 27 de outubro (sexta e sábado), na Escola Sesi de Ensino Médio de Pelotas (Av. Bento Gonçalves, 4823). O desafio para estudantes de 9 a 16 anos é pesquisar sobre as questões relacionadas a viver e viajar no espaço. As 31 equipes, com até 10 alunos e um técnico, devem pesquisar e desenvolver projetos sobre como auxiliar a vida dos astronautas no espaço e/ou como melhorar a vida na terra com experiências espaciais.  Os alunos devem explorar temas como foguetes, satélites, comunicação, sobrevivência, aspectos psicológicos de uma viagem espacial e o quanto os astronautas são expostos a situações de estresse.  A final das equipes do Sesi-RS será nos dias 9 e 10 de novembro, em Bento Gonçalves. O evento é aberto à comunidade.
    O Torneio Sesi de Robótica First Lego League é um programa internacional de exploração científica, que promove o ensino de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática no ambiente escolar e contribui para o desenvolvimento de competências e habilidades comportamentais para a vida. A cada ano o torneio estimula o trabalho colaborativo, a criatividade e traz desafios do mundo real para os alunos.
    Em cada torneio, os estudantes precisam realizar quatro tarefas. Uma delas é o Desafio do Robô, quando os estudantes colocam os robôs de Lego para cumprir determinadas missões. Tudo de forma lúdica, simulando situações reais. As equipes têm direito a três rounds, de 2 minutos e 30 segundos cada, para execução. Os robôs, projetados e construídos pelos próprios alunos, também são avaliados na categoria Design do Robô. Os times podem utilizar sensores de movimento, cor, toque, controladores e motores. Os juízes levam tudo isso em consideração, além da estratégia e programação. Conta pontos ainda o Projeto de Pesquisa com uma solução inovadora sobre o desafio da temporada. A solução é apresentada para os outros competidores e o público visitante nos torneios, e será avaliada pelos juízes. Por fim, na categoria Core Values, os estudantes precisam mostrar que sabem trabalhar em equipe.

    Desde 2013, o Sesi é o operador oficial no Brasil do Torneio de Robótica First Lego League. Nesse período, foram quase 17 mil competidores de mais de 1,7 mil escolas públicas e particulares. Atualmente, cerca de 400 escolas do Sesi de ensino fundamental e médio de todo o Brasil contam com o programa no currículo, independentemente da participação no torneio. A competição fortalece a capacidade de inovação, criatividade e raciocínio lógico, inspirando jovens a seguir carreira no ramo da ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.
    Durante os dois dias, estudantes poderão se inscrever para o primeiro ano do Ensino Médio da Escola Sesi de Pelotas.  O processo seletivo para preencher as 50 vagas inicia no domingo, dia 11 de novembro. A inscrição também pode ser feita pelo site (sesirs.org.br/educação/escolasdosesi) , onde também está o edital com todas as informações necessárias. A escola tem bolsa de até 100% para filhos de trabalhadores da indústria. 
    Este ano as equipes que participam desta finaldo Torneio de Robótica  são: Androids (Colégio Coração de Maria, de Esteio), Aureatronik (EMEF Áurea Celi Barbosa,  de Gravataí), Bons Ventos (EMEF Osvaldo Bastos, de Osório), Brain Evolution (Colégio Teresa Verzeri, de Santo Ângelo), Bugs (Escola Horto Madre Raffo, de Porto Alegre), Capão Beach (EMEF Iglesias Minosso Ribeiro, de Capão da Canoa), CEB-LEG (Escola de Ensino Médio Nossa Senhora do Horto, de Dom Pedrito), Construtores SH (EMEF Saint Hilaire, de Porto Alegre), Equipe Game B (Escola de Ensino Fundamental Inácio de Quadros, de Guaíba), Evolutech (Colégio Evolução – AVAEC, de Veranópolis), Farroubots  (Colégio Farroupilha, de Porto Alegre), Future Diamonds (Escola Estadual de Ensino Fundamental Farroupilha, de Horizontina), Galácticos (Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira, de Santa Cruz do Sul), Galilegos (Colégio Santa Inês, de Porto Alegre), GR7Robots (EEEM Guimarães Rosa, de Cachoeirinha), Hu5ky Bot5 (Pan American , de Porto Alegre), Ildobótica (EMEF Governo Ildo Meneghetti, de Porto Alegre),  Just 4 Fun (Colégio Marista Pio XII, de Porto Alegre), Kvutzá Chai (Colégio Israelita Brasileiro, de Porto Alegre), Legol Surdos (EMEF de Surdos Bilingues Salomão Watnick e EMEF José Mariano Beck, de Porto Alegre), Legonautas (Instituto de Educação São José, de Montenegro), Lobóticos (EMEF Heitor Villa Lobos, de Porto Alegre), Operários (EMEF São José Operário, de Horizontina), Reis da Robótica (EMEF Santa Rita de Cássia, de Guaíba), Siybot (EEEF Nehyta Martins Ramos, de Porto Alegre), Smart Bricks (Colégio São Judas Tadeu, de Porto Alegre), Star Destroyers (ADC GM, de Gravataí), Tecnobros (Escola de Ensino Fundamental do Horto, de Uruguaiana), Tecnoway (Rede de Ensino Caminho do Saber, de Caxias do Sul), Titantech (Colégio Anchieta, de Porto Alegre) e Veja (Colégio Marista Aparecida, de Bento Gonçalves).   

  • Jornalista deixa programa após entrevista com Bolsonaro mas continua na Guaiba

    O jornalista Juremir Machado da Silva deixou o programa Bom  Dia com Rogério Mendelski, da Rádio Guaíba, no qual estava há dez anos.
    Ele não pediu demissão da emissora, conforme foi divulgado.
    A saída intempestiva de Juremir do programa foi motivada por uma entrevista com o candidato Jair Bolsonaro, no início da manhã desta terça-feira.
    A entrevista já estava em andamento, quando Rogério Mendelski, que comanda o programa, avisou aos seus colegas de bancada: “O combinado é que só eu faço perguntas”.
    Estavam no estúdio também os jornalistas Jurandir Soares e Voltaire Porto. Ao final da entrevista, durante a qual os três ficaram em silêncio,  Juremir perguntou ao âncora: “Posso dizer que fomos censurados?”.  Mendelski respondeu: “Claro que não…foi uma exigência do Bolsonaro. Normal”.
    Juremir continuou: “Eu achei humilhante e, por isso, estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar aqui por 10 anos” e deixou o estúdio.
    Ele continua com o programa “Esfera Pública”, que criou há nove anos e cuja condução divide com a jornalista Taline Opitz, no horário das 13 horas. “Estou indo pra lá agora”, disse Juremir ao JÁ no fim da manhã desta terça-feira.
    A Rádio Guaiba pertence ao grupo Record, do bispo Edir Macedo que dá apoio explícito a Jair Bolsonaro. Sua entrevista à Guaiba foi a única que o candidato deu até agora neste segundo turno a um veículo do Rio Grande do Sul.

  • Margs mostra documentário e exposição com 60 anos da produção de Edgardo Giora

    O artista Edgardo Giora apresenta, quinta-feira, dia 25,  às 19 horas,
    sua primeira exposição individual na sala Oscar Boeira no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli. No mesmo dia, às 18 h, será exibido um documentário sobre a sua obra.
    Edgardo Giora nasceu na Itália e migrou para o Brasil depois da guerra. Com
    uma obra construída em mais de 60 anos de produção ininterrupta, o artista nunca teve
    uma exposição individual. Esta mostra é organizada a partir dos três gêneros que orbita sua produção: retrato, paisagem e natureza morta. Junto a um conjunto representativo de pinturas a óleo e acrílico, será também exibido uma série de desenhos e dois vídeos de documentação da sua produção. O artista, hoje com 95 anos de idade, segue em plena atividade.
    A exposição fica aberta para visitação até o dia 2 de dezembro.
    Vistas mediadas podem ser agendadas no e-mail educativo@margs.rs.gov.br. O
    MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada franca.
     

    Natureza morta, de Edgardo Giora

    Apresentação
    ” Quando o navio Raul Soares, que partiu do porto de Nápoles em 1948, cruzou a
    linha do Equador houve uma festa entre os seus passageiros no seu convés. Muitos
    deixavam a Europa depois do término da guerra e buscavam trabalho e uma nova vida.
    Edgardo Giora, fantasiado de pirata era um destes que comemoravam a transposição da linha imaginária e projetavam uma aventura no novo continente.
    Edgardo Giora nasceu em Carpi, na Itália, em 1923. Lutou na II Grande Guerra e
    essa imagem permanece viva no labirinto da sua memória com uma profusão de
    acontecimentos e sensações. Terminada a guerra, migrou com a esposa e filhos para o
    Brasil onde foi sócio de uma construtora. Nos anos 1960, com os filhos ainda pequenos, mas já estabilizado no país, foi amigo muito próximo do pintor Aldo Locatelli, o que provavelmente motivou os primeiros desenhos e pinturas. Porém as conversas com o pintor de Bergamo estavam mais ligadas à boemia do que à produção artística.
    De formação autodidata, foi nos livros de história da arte que encontrou interlocução comartistas como Cézanne, André Derain, Matisse, Kokoschka, De Pisis. Há também a
    herança da intimidade com o ambiente cultural que viveu na juventude em Pádua.
    Costumava brincar no terreno entre a arena romana e a capela Scrovegni, repleta dos
    afrescos de Giotto. A partir do final da década de 1960 iniciou uma produção constante, recebendo admiração dos familiares e amigos, principalmente pela sua habilidade como retratista ao captar aspectos singulares de cada modelo. Embora esse gênero domine boa parte da sua produção, como bom pintor modernista também triangulou constantemente pelos gêneros da natureza morta e da paisagem. São mais de mil pinturas e incontáveis desenhos, alguns rabiscados em pequenos pedaços de papel, alguns transpostos para telas. Sua pintura se modificou ao longo das décadas, mas não como um artista que intercala uma sucessão de séries que se alternam em temas, técnicas ou estilos.
    Giora seguiu firme nos seus temas preferidos e modificando lentamente sua maneira pessoal de abordar a forma e a cor. As obras iniciais possuíam uma linearidade mais
    pronunciada que foi cedendo lugar a uma organização mais pictórica. Desenvolveu um
    paladar que pende para contrastes de cores complementares vibrantes entre
    vermelhos e verdes ou azuis e alaranjados. A tinta é macerada em sucessivas e finas
    camadas de aplicação. O gesto modela as formas em volumes construídos de sombras
    luminosas e confere às superfícies intensidade e consistência.
    Aos 95 anos só participou de duas exposições coletivas na cidade. Seu trabalho
    não chegou a obter visibilidade no circuito artístico, mas isto não o impediu de seguir
    pintando. Hoje, mesmo com algum problema de visão, ele pinta regularmente toda a
    manhã e aproveita as tardes para desenhar obsessivamente.
    A obra de Edgardo Giora faz com que se questione o absolutismo de uma
    História da Arte que impõe uma temporalidade linear única, como uma sucessão
    ininterrupta de rupturas. Edgardo paira sobre essa ordem estruturada, criando uma
    obra particular livre desse tipo de competição. Oferece uma vida dedicada ao ofício de
    carregar nas tintas emocionais para enfatizar as coisas simples que lhe fazem sentido:
    seus próximos, seu ambiente e sua memória do Vêneto e da Emília-Romanha.”
    Jailton Moreira

    O EXPOSITOR
    Edgardo Giora. Carpi, itália, 1923. Nascido na Itália, migra para o Brasil em 1947, onde trabalha toda a vida como sócio de uma construtora. Nos anos 60, de formação autodidata nas artes plásticas, inicia sua obra com pinturas e desenhos. Embora o grande foco da sua produção seja a pintura, pintando em mais de 50 anos mais de 1000 telas em óleo e acrílico, também teve experiências com cerâmica e xilogravura.
    Vive e trabalha em Porto Alegre.
    Exposições Coletivas
    2003 Gioras, Via Livia – Galeria de Arte, Porto Alegre, RS;
    SERVIÇO
    Título: Edgardo Giora
    Artista: Edgardo Giora
    Curadoria: Jailton Moreira
    Abertura: 25 de outubro (quinta-fera), às 19h. Vídeo sobre a obra do artista seguido de
    encontro com o artista e a curadoria, às 18h
    Visitação: 26 de outubro a 2 de dezembro de 2018
    Local: Galeria Oscar Boeira do MARGS (Praça da Alfândega, s/n°)-Centro Histórico.

  • Senador morto a facada é tema do novo livro de Pinheiro Machado

    FRANCISCO RIBEIRO
    Muita tinta já correu sobre a vida e a morte do senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado (1851-1915), um dos maiores chefes políticos da República Velha.
    Entrevistas, reportagens, biografias, ficção, pouco importa o gênero. O fato é que a principal pergunta continua sem resposta, cento e três anos após o assassinato do senador: quem foi o mandante do crime que chocou o Brasil e o Rio Grande?
    O jornalista José Antônio Pinheiro Machado tem muitas semelhanças com o ilustre tio-bisavô, que é o personagem de seu novo livro.

    Também é advogado, elegante no vestir, apreciador da boa literatura como atestam os onze mil volumes de sua biblioteca particular. E, principalmente, amante da boa comida e do bom vinho, prazer que o levou a trocar a redação de jornal  pelo estúdio de televisão, onde, como Anonymus Gourmet, executa receitas que já renderam vários livros de gastronomia .
    Mas nem só de boa mesa vive o Anonymus Gourmet. De sua época de repórter, com passagem por grandes redações, manteve o faro e a curiosidade pelos grandes temas.
    E foi na História do Brasil e do Rio Grande do Sul, mais particularmente na sua própria família, que Machado reencontrou o outro, o tio bisavô, uma lenda familiar, espelho de gerações nos quesitos de honra, valentia, senso de economia, valores em falta nestes dias em que o banditismo se confunde com a política.
    Mas que, de certa forma, não são muito diferentes daqueles da  República Velha, também conhecida como a do Café (São Paulo) com leite (Minas Gerais) tempos igualmente ferozes e que levaram o senador  a prever a própria morte: “Matam-me pelas costas… Pena que não seja no senado, como Júlio César”, declarou, dois meses antes, ao jornalista João do Rio.
    Pinheiro Machado foi esfaqueado pelas costas  no Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro, então capital federal.
    “Ah, canalha. Fui apunhalado pelas costas”, foram as palavras do senador. Ele morreu no dia 8 de setembro de 1915.

    Seu assassino, Francisco Manso de Paiva Coimbra, gaúcho – desertor do exército, ex-cabo de polícia, e, na época, padeiro desempregado, disse que agiu por vontade própria.
    Ninguém acreditou nisso e o principal suspeito foi o ex-presidente Nilo Peçanha, adversário político do senador, em cuja casa o assassino pernoitou na véspera do crime..
    Mas nunca houve provas conclusivas. Manso Paiva cumpriu 20 dos trinta anos de prisão a que foi condenado. Solto, tentou vender sua história a diversas publicações, mas ninguém se interessou.
    José Antônio Pinheiro Machado, o Anonymus, começou a prestar mais atenção no velho antepassado quando, em 1968, jovem militante estudantil, foi preso em São Paulo por participar do Congresso da UNE, em Ibiúna.
    Ao declarar-se bisneto do senador, teve sua saída da prisão facilitada por uma casualidade que geralmente só encontramos em mitos.
    Começou ali a idéia de uma biografia que só viria a concretizar-se meio século depois com o livro O senador acaba de morrer: a vida e o assassinato de um dos políticos mais importantes do Brasil (L&PM: 2018), que será lançado na próxima Feira do Livro de Porto Alegre.

    Uma história shakespereana com uma tragicidade grega. Contudo, sendo o autor também o Anpnymus Gourmet, não faltam aspectos saborosos de um Rio de Janeiro Belle Époque. Assim, não faltam palacetes, como o do Morro da Graça, do senador, e comensais assíduos, como Ruy Barbosa,  vinhos franceses e charutos cubanos. A imagem de um senador que, apesar de  gaúcho, fazendeiro e tropeiro, vestia-se como um dândi, rigoroso em suas vestimentas mais íntimas, camiseta e cuecas de seda pura, pois, como antevia: “ se eu for assassinado tenho que estar dignamente vestido na hora da autópsia”. Uma história que José Antônio Pinheiro Machado partilha com os leitores nesta entrevista exclusiva para o JÁ.
    JÁ: O senador Pinheiro Machado é antes de tudo um ídolo familiar, um espelho?
    JAPM:  Me criei ouvindo histórias contadas pelo meu pai que também foi político, chegando a eleger-se deputado pelo Partido Comunista em 1946. Também o meu avô, que foi criado pelo senador quase como um filho, tendo o mandado inclusive para os Estados Unidos estudar Zootecnia. Meu avô, bancado por ele, ficou dois anos por la. Imagina fazer isso naquela época, começo do século XX. Era quase como ir a lua.   Ele era um cara muito rígido em matéria de dinheiro. Era fazendeiro e filho de um cara que também era um grande fazendeiro, muito rico. Era muito empreendedor.
    JÁ: O sr começou a trabalhar no livro  em 2010?
    JAPM: Sim, queria lançá-lo, a princípio, em 2015, ano do centenário de morte do senador. Deu muito trabalho. Pensei, no início em fazer de uma forma romanceada. Mas, como jornalista, profissão que exerci a partir dos 18 anos, percebi que a história real era muito rica, e resolvi simplificar, relatando os fatos. A primeira versão tinha cerca 700 páginas. Aí o Ivan, meu irmão e editor, disse que o primeiro obstáculo seria o tamanho, melhor seria fazer em dois volumes, e que sairia muito caro. Aí fiz esta segunda versão, quase 300 páginas. Acho que ficou no tamanho ideal.
    JÁ: Mas a gênese do livro começa lá em 1968?
    JAPM: Isso, imagina o período aqui no Brasil, uma situação muito difícil, ditadura, e ainda ser preso naquele encontro de estudantes.  Durante o interrogatório, o cara responsável, lá pelas tantas, começou a olhar a minha ficha e a ficar estranho ….. Gelei, pensei, nossa,  o cara descobriu  alguma coisa contra mim…. Aí,  disse: “ O que você é do falecido senador Pinheiro Machado?” Pensei e, menti, bisneto. Ai o cara me contou que o avô dele tinha sido motorista do senador, que, inclusive, tinha ajudado sua avó quando ela esteve doente. Enfim, percebi que havia um sentimento de gratidão. O fato é que acabei sendo liberado e voltei imediatamente para Porto Alegre. Ainda me arrepio quando vejo a emoção do meu pai quando cheguei em casa, maltrapilho.
    : Há outras biografias do senador, o que acha delas?
     JAPM: Usei algumas delas como referência, roteiro. Gosto do livro do Sinval Medina, o romance A faca e o mandarim, no qual ele expõe semelhanças motivacionais entre o suicídio de Getúlio Vargas e o assassinato do senador. Também gosto da maneira que o Erico Verissimo trata dele em O tempo e o vento, no tomo O retrato Mas, na verdade, me impressionavam  mais as histórias, informações que ouvia em casa obtidas através do convívio intenso que tive com o meu pai e o meu avô. Sempre me chamou atenção o fato de que o senador, apesar de pertencer ao Partido Republicano Rio-Grandense, pra lá de conservador, era um homem muito avançado para a sua época. Ele apoiava, por exemplo, manifestações culturais populares, como o samba, algo que era muito malvisto pela elite da época. Enfim, quis retratar, em termos políticos, a grande figura que foi o senador.
    JÁ: Advogado, político, fazendeiro, tropeiro, soldado na Guerra do Paraguai, comandante e general honorário na Revolução Federalista. Em quase 300 páginas o sr não cita nenhum defeito. Trata-se de uma ode ao senador?
    JAPM: Não. Quem faz uma ode é o jornalista Gilberto Amado (primo do Jorge Amado), que era seu inimigo e depois passa a admirá-lo. O fato é que o senador pautou sua vida pela honra, pela retidão. Era um tempo de homens muito duros, mandões. Ele, por exemplo, sempre foi contra a prática da degola, efetuada por chimangos e maragatos contra os prisioneiros. Foi um grande defensor da República, do federalismo, dos interesses gaúchos, já que o estado, e a sua economia pastoril, era frágil diante do poder que tinham São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, aquela política do café com leite que os velhos barões achavam que duraria para sempre. Quis  revelar estes lados desconhecidos.
    JÁ: O senador também era um bon vivant, não é?
    JAPM: Sem dúvida. Era rico e gostava das coisas boas da vida. Vestia-se muito bem, apreciava bons vinhos, como o Chateau d’Yquem, destinado só aos connoisseurs, aqueles sabiam apreciar a boa bebida. Aos outros, que bebiam vinho como se fosse água, destinava aquilo que chamava de zurrapa. Também gostava de charutos cubanos da marca Partagás. O palacete do Morro das Graças, onde morava, reunia muitos comensais, entre eles Ruy Barbosa, fiel apreciador do doce batatas feito pela esposa, Benedita Brasilina, a Dona Nhanã, como era mais conhecida.
    JÁ: E como um aristocrata do século XIX, não se negava a um duelo.
    JAPM: Foi apenas um. Com o proprietário do Correio da Manhã, o jornalista Edmundo Bittencourt, também gaúcho. Bastou um tiro na nádega …. do jornalista, para que tudo se resolvesse.
    JÁ: Mesmo sendo um grande chefe político na República Velha, por que ele nunca postulou sua candidatura a presidência da República?
    JAPM: Era o sonho da vida dele, embora eu não tenha encontrado alguma prova, declaração oficial sobre isso. O que sei sobre isso é das conversas que tive com o meu avô, que era de 1892  e, que, portanto, conviveu com o senador até os 23 anos de idade. Ele contava que no final do governo Hermes da Fonseca, que ele ajudara a eleger, seria o candidato a sucessor. Não foi e a eleição de 1914 foi vencida por Wenceslau Brás, de Minas Gerais.
    JÁ: E é a partir daí que começa a caçada ao senador?
    JAPM: Exato. Os jornais, como o Correio da Manhã, começam a bater muito nele. Atribuíam-lhe declarações que não fizera e intenções que não tinha. Panfletos incendiários travestidos como matérias. É coisa antiga as fake news. Um deputado, diante da quantidade de pressões que o senador sofria, chegou a brincar sobre um futuro projeto de lei: “Art. 1º: Fica extinto o senador Pinheiro Machado; Art. 2º: revogam-se as disposições em contrário”. E o Wenceslau Brás era muito criticado quando, apesar de tudo, fazia acordos com ele. Acusavam-no de repetir atos do governo Hermes da Fonseca.
     JÁ: E  principal causa deste acirramento era o fato dele ser contrário a política “café com leite” da República Velha?
     JAPM: Exatamente. É o momento que esta política se consolida e era muito prejudicial aos interesses do Rio Grande do Sul e outros estados. Havia muita corrupção, gente que por propina se posicionava ou se omitia contra os interesses de seus próprios conterrâneos. E ele, como era um homem rico, não se corrompia.
    JÁ: A carta-testamento do senador destinada a sua esposa, Dona Nhanhã, é uma verdadeira crônica de uma morte anunciada?
    JAPM: Sim. Eu transcrevo a carta no livro. Está tudo ali. Uma fatalidade que talvez fosse evitada se ele voltasse ao Rio Grande do Sul. Mas ele não era de fugir da raia. Como ele dizia ao seu motorista, quando andava, de carro aberto, por aglomerações não muito amistosas: “nem tão devagar que pareça provocação e nem tão depressa que pareça medo”. Era um homem valente.
    JÁ: Ao que parece, nunca uma morte, um assassinato, foi tão previsto, principalmente por ele, não é?
     JAPM: É verdade. Fora algumas pessoas, e a brincadeira que ele fazia em relação as peças íntimas, a de estar bem vestido no caso de uma  autópsia, teve aquela mais shakespereana, que ele disse: ”Morro na luta. Matam-me pelas costas. São uns ‘pernas finas’. Pena que não seja no Senado, como César”.
    JÁ: Manso de Paiva sempre disse que agiu sozinho,  mas foram fortes as suspeitas sobre Nilo Peçanha, ex-presidente da República que era governador do Rio de Janeiro na época…
    JAPM:  Há fatos veementes. Francisco Manso, inclusive, dormiu na véspera do crime no Palacete do Ingá, sede do governo estadual do Rio na época, onde residia Nilo Peçanha. Ao que tudo indica, toda a animosidade – publicada, e não pública, cabe ressaltar – , de que a morte do senador, como diziam alguns, resolveria todos os problemas do país, acabou por construir a vontade homicida do criminoso. E coube a Francisco Manso o papel de sicário.
    JÁ: E pelo crime, Francisco manso foi condenado a 30 anos de prisão.
    JAPM: Mas cumpriu só vinte. Tentei, mas não consegui, encontrar o documento de liberação, saber o motivo da diminuição da pena.
    JÁ: Solto, ele tentou vender a história para jornais e revistas. Como foi isso?
    JAPM: Ninguém deu bola pra ele. Além do mais, se houvesse algum novo culpado, o crime já tinha prescrito. O Millor Fernandes, que a esta altura já trabalhava, conheceu ele. Mais tarde, algumas décadas depois, contou esta história para o meu irmão, Ivan.
    : E teve aquela história de trocar o nome do município de Cacimbinha para Pinheiro Machado. A sua família sempre se posicionou contra. Como é isso?
    JAPM: Nada a ver. Tudo isso só porque o Francisco Manso nasceu lá. Como se o resto da população tivesse culpa. O Nikão Duarte escreveu um trabalho sobre isso. Espero que o município volte a se chamar Cacimbinhas.