Autor: da Redação

  • A fé e os negócios: viajando de avião com executivos e etnografando o cotidiano

    Marília veríssimo Veronese
    Cenário: voo de São Paulo para Porto Alegre, cedo da manhã. Entro no avião, sento e me recosto na poltrona, sonolenta. Três executivos de terno, conversando em forte sotaque paulistano, estão sentados atrás de mim. A princípio, penso que espero que se calem, porque quero descansar e o ‘conversê’ me incomoda. Mas a um ponto do assunto deles, a conversa chama a atenção da pesquisadora – que nunca dorme e sempre tem caneta e papel na bolsa. Começo a achar de tanto interesse sociológico que anoto algumas partes para não esquecer, pensando em registrar aquela curiosa confabulação. O registro que segue é proto-etnográfico e do cotidiano, mas achei-o deveras espantoso. Porque as gentes são mesmo espantosas, não é mesmo? Segue abaixo um registro empírico ainda sem análise. Aceitam-se contribuições e dicas de análises do discurso, pois ando sem tempo para abrir novas frentes.
    Vou enumerar os 3 sujeitos falantes pela sua posição nas 3 poltronas que ocupavam no avião da LATAM, contando do corredor para a janelinha. Dilemas éticos não me parecem existir com esta publicização, pois eles não são identificados; não sei seus nomes e sequer gravei a imagem de seus rostos. Em 1 hora e 15 min de viagem isso nem seria possível. Chamavam-se pelos primeiros nomes que, obviamente, não repetirei. Espiei-os ao levantar da poltrona, eles que nem desconfiavam que eu anotara algumas das suas frases e expressões, e enxerguei três homens de negócios de terno e gravata, com smartphones e notebooks modernosos em punho. Vamos a alguns fragmentos interessantes da conversa:
    1-Em Porto Alegre não vai ter heliporto… (muxoxo). Cara, estou gastando quarentão por mês só pra ir e voltar do escritório.
    2-Mas agora acabou o stress…
    1-Sim, com isso acabou o stress.
    [Nota da pesquisadora: Fico pensando se “quarentão” é 40 mil reais, sem ter certeza disso. Desperto e fico escutando, os tons de voz se elevam acima do barulho do avião.]
    Tagarelam sobre vários tópicos dos negócios e das empresas, até que chegam no tema da “religiosidade” como parte da vida de um empresário. A controvérsia se estabelece entre eles: “Universal” ou “Assembleia de Deus”? O participante 2 prefere a Assembleia, ao que o 3 lhe responde:
    3-Vc pode julgar a Universal, mas eu só te peço que vá na segunda-feira ao templo de Salomão… é um congresso, tem toda a segunda-feira as 10:30h. Segundo andar. É um congresso para o sucesso, claro que baseado na Palavra. Busca a sabedoria para os negócios. Vc sai de lá pronto pra batalha! Trabalha na mente, não no coração. Age direto na mente e ela desperta: Isso é revelação. Faz sentido, é racional, uma fé racional. Abre a visão, é voltado à mente, à racionalidade do fiel. Isso liberta a mente.
    2-Mas eu acho umas coisas lá meio exageradas… assim, no meu entender, não fecham com racionalidade!
    3-É que na quarta-feira já e outra coisa, voltado a baixar o espirito santo, aí pode parecer exagerado. Pra vc tem de ser o da segunda-feira. Vai, vc não vai se arrepender. Deus responde, leva poucos dias. Revelação que vem da palavra, da pregação, mas voltada à pratica e aplicada aos negócios. É como nós falamos nas empresas: quem está dentro, não vê a realidade com clareza, quem vem de fora, vê. O gerente está imerso nos problemas, não identifica; a gente vem de fora e aponta, verifica com mais facilidade o problema e a solução. É assim com o seu problema, no congresso; o pastor enxerga e mostra, através da Palavra.
    2-Mas e a coisa do dinheiro, não é meio exagerada?
    3-Tem fiel que vai todo dia e pega desafio todo dia. Aí claro que gasta muito; não dá pra fazer na emoção, tem de calcular. Eu pego um desafio e espero uns 20 dias, espero ser respondido – e sempre sou, Jesus e o Espírito Santo não falham nunca! -, aí pego outro… vou dosando [deduzo que “pegar desafio” é dar dinheiro por alguma realização]. O próprio pastor critica a ideia de “barganha”. Até o bispo Edir já criticou. Isso não é uma barganha, é para a obra do SENHOR e ele te responde. Eu penso assim, a cada desafio: “Senhor, É para a sua obra e serei recompensado”. E sou, e volto. É questão de despertar, orar…! Mas tem de se controlar, não pode dar assim na emoção, que depois pode fazer falta se o fiel é humilde.
    2-[meio em dúvida] é, respeito seu ponto de vista. Aquilo lá eu acho que é uma empresa, e com disciplina militar. Tem muita hierarquia, “sim sr., não sr.”; Todo mundo uniformizado… ainda acho meio exagerado…
    3-E só admiração, só respeito, só devoção, o que te parece militarismo.
    2-Mas essa parte dos desafios, a graça… a gente vai receber a graça assim, automático? Não seria uma espécie de barganha?
    3-Quando Salomão pega o reinado ‘quebrado’ de Davi, o que ele faz? Um desafio! No mesmo instante Deus apareceu para Salomão. Tá na bíblia, cara, claro como água! Só não vê quem não quer! Quem está estragado pelas empulhações… Satanás mata a fé, as pessoas estão enfermas na fé… Hoje não é morte real, como nos tempos bíblicos, mas morte espiritual. Morrem espiritualmente. Veja bem, a bíblia mostra que é de Deus “dar para as obras”. E o que é o altar? Lugar de doação! Mas hoje quem doa no altar é criticado, quase apedrejado! Quem pede doação no altar é chamado de desonesto! Tanta champanhe pra Iemanjá e ninguém fala nada… Já vi pai de santo dando 15.000 reais de champanhe pra Iemanjá e ninguém falando nada dele! Tem certas coisas que são satânicas! Mas a gente entende…, sabe como é… emoção, fundo de poço, inferno, quando a gente não vê o espirito santo? O templo tá lá pra isso, cara! É transformador! Qualquer um pode ir e se descobrir. Redirecionar a mente e a vida.
    1-Eu sou judeu e fico fora dessa conversa aí! (rindo).
    3-Nós vamos levar o F. lá! (bem humorado).
    2-Uma coisa é negócio, outra coisa… (inaudível). Mas tem lugar que eu não piso nem morto. Na igreja católica eu não piso! Nem pra assistir casamento!
    3-Olha, eu piso e não me contamino. Depende do que tá dentro de vc. Fui convidado pra padrinho de casamento de uma parente, eu fui. É a fé dela, eu respeito. Eu tenho tudo muito firme e certo dentro de mim, posso ir sem ter problemas por isso. Mas enfim, cara, se vc for no congresso e obedecer, tudo vai fazer sentido, você vai ver. Como eu falo pra alguns irmãos que têm lá, pra despertar sua racionalidade, digo: “Irmão, isso não é racional. A fé tem de ser racional”.
    Depois voltam a falar de negócios, programa das visitas às empresas, onde o carro os buscaria etc.
    Resumindo a ópera matinal, era isso. Aguardo os psicólogos, sociólogos e antropólogos da religião para comentários elucidativos sobre a conversa. Eu ainda estou meio zonza.
     
     
     

  • Da Camino vai à Assembleia falar sobre extinção das fundações

    A Assembleia Legislativa autorizou a realização de audiência pública com o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo Da Camino, sobre a Lei que autorizou a extinção das fundações estaduais.
    O requerimento do deputado Pedro Ruas (PSOL), solicitando audiência pública para ouvir Da Camino, foi aprovado com sete votos favoráveis e quatro contrários. Ainda não foi marcada a data.
    Na metade de maio, Da Camino entrou com uma representação pedindo que o Tribunal de Contas do Estado suspenda o processo de extinção de seis fundações: Fundação Piratini, Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, Fundação Zoobotânica, Fundação de Economia e Estatística, Metroplan e Cientec.
    O documento pede que uma medida cautelar suste o processo e ainda determine a “instauração de inspeção especial no âmbito da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, visando ao acompanhamento e à averiguação integral dos fatos suscitados, bem como quanto ao cumprimento dos termos da cautelar requerida”.
    O MPC solicitou ao secretário-chefe da Casa Civil a remessa das cópias dos estudos e justificativas que teriam embasado o Projeto de Lei nº 246/2016 (convertido na Lei nº 14.982/2017).
    Da Camino reforçou que a decisão da Justiça do Trabalho quanto às demissões e o novo posicionamento da PGE em relação à estabilidade dos empregados públicos “ensejam alterações no quadro traçado quando da publicação da lei, reforçando a necessidade de estudos que embasem as decisões sobre as extinções das fundações públicas”.

  • Projeto amplia censo de papagaios-de-peito-roxo, espécie ameaçada de extinção

    De abril a maio deste ano, pesquisadores do Projeto Charão concluíram mais uma etapa para identificar a população total da espécie do papagaio-de-peito-roxo.
    Conhecido cientificamente como Amazona vinacea, o papagaio-de-peito-roxo é uma das espécies da fauna silvestre típica da Mata Atlântica que vem preocupando pesquisadores. Por causa da perda do seu habitat, principalmente das Florestas com Araucárias que possui menos de 3% de sua área original de cobertura original, essa ave está ameaçada de extinção.
    A fim de pensar em estratégias de conservação da espécie, o Projeto Charão iniciou em 2015 censos anuais para determinar a população total dessas aves, como parte do Programa Nacional para a Conservação do papagaio-de-peito-roxo, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
    Com a contribuição de pesquisadores, observadores de aves e colaboradores, no primeiro ano o projeto identificou apenas 2.857 indivíduos, contemplando regiões que vão do Rio Grande do Sul até Minas Gerais, o que preocupou estudiosos da área, pela possibilidade de desaparecimento do papagaio. Porém, os censos de 2016 e 2017 revelaram um aumento significativo no número papagaios avistados e de sua área de ocupação.
    Na última coleta de dados, realizada entre abril e maio deste ano, mais de quatro mil aves foram localizadas, sendo a maioria delas na Região Sul do Brasil, e cerca de 64% deles apenas em Santa Catarina. Foram identificados papagaios-de-peito-roxo também em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e em países como a Argentina e o Paraguai.
    De acordo com Jaime Martinez, coordenador do Projeto Charão e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a cada ano é possível chegar mais perto da atual área de distribuição geográfica do papagaio-de-peito-roxo. “O programa aproximou a participação de um grande número de pessoas e instituições ao longo do território brasileiro, onde a espécie ocorre. Nesse período, foi possível novamente estabelecer e atualizar o conhecimento sobre o tamanho de uma população que vem preocupando a todos que atuam na conservação da diversidade biológica do Brasil”, afirma Martinez.
    Além da coleta de dados, a estratégia de proteção da espécie incluiu instalar caixas-ninho nas florestas, enfatizar a importância da manutenção das árvores velhas e ocadas aos proprietários de terras, para auxiliar na reprodução da espécie, além de incentivar a criação de áreas naturais, principalmente na forma de RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural).
    A diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes, acrescenta que iniciativas como o Programa Nacional para a Conservação do Papagaio-de-peito-roxo são prioritárias para receber o apoio da instituição, por contribuir para a conservação de um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil – a Floresta com Araucárias –, proteger espécies em risco de extinção e promover a criação de unidades de conservação. “As ações desse programa estão entre as necessidades indicadas no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica, o chamado PAN dos Papagaios, que envolve o papagaio-de-peito-roxo e outras quatros espécies de papagaios (papagaio-charão, papagaio-de-cara-roxa, papagaio-verdadeiro e chauá) – sendo que todas elas já tiveram iniciativas apoiadas pela Fundação”, destaca Nunes.
    Sobre a Fundação Grupo Boticário
    A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.510 projetos de 496 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Na internet: www.fundacaogrupoboticario. org.br, www.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/ fundacaogrupoboticario.

  • Documentário sobre a Liga dos Canelas Pretas tem sessão única no Capitólio

    Matheus Chaparini

    O filme abre com um poema de Oliveira Silveira seguido por dados estatísticos sobre a população no Rio Grande do Sul e no Brasil, deixando claro que o mote é o futebol, mas a discussão é mais ampla, sobre racismo e a inserção do negro na sociedade gaúcha. O documentário “A Liga dos Canelas Pretas” tem pré estreia nesta quarta-feira na Cinemateca Capitólio. A exibição será às 19h30 com entrada franca. O documentário tem duração de 26 minutos e foi financiado pelo BRDE através da Lei Rouanet.
    No início do século XX, os negros não eram aceitos nos clubes de futebol comandados por brancos. Surgiu assim, em Porto Alegre, aquela que ficou conhecida como a Liga dos Canelas Pretas. “Era a Liga de Futebol Porto-Alegrense, que a imprensa branca sacana na época apelidou de Liga dos Canelas pretas. E essa liga não era aceita pelos brancos”, explica Antonio Carlos Textor, roteirista e diretor do documentário.
    Os clubes que integravam a liga eram de redutos negros de Porto Alegre como a Colônia Africana, hoje ironicamente chamada de bairro Rio Branco e a região da Ilhota – onde hoje estão o centro cultural batizado Lupicínio Rodrigues, criado naquela região, e o Ginásio Tesourinha, que tem o nome do importante jogador de futebol, negro, que foi ídolo do Sport Club Internacional, dos Eucaliptos e do Grêmio Foot Ball Porto-Alegrense, do Estádio da Baixada. A liga foi criada na década de 1910 e durou até 1924.
    O documentário tem como foco a liga criada em Porto Alegre, mas resgata também os primórdios do futebol no Brasil.“O início do movimento negro em relação ao futebol foi em Rio Grande. Os marinheiros que vinham nos navios ingleses buscar e trazer carga no porto, nas horas vagas, pegavam uma bolinha e iam para um campo. Como eram poucos, eles convocavam os estivadores para completar o time e os caras começaram a tarar pelo futebol. E formaram um time deles”, conta Textor.
    A maior dificuldade enfrentada por Textor foi conseguir imagens. “Ninguém tem”, sentenciou o cineasta após muita pesquisa. O filme se baseia em depoimentos, fotografias e algumas imagens encenadas. O senador Paulo Paim, o músico Giba Giba e o Joaquim Lucena, que foi coordenador de Manifestações Populares da Secretaria Municipal de Cultura, são alguns dos entrevistados.
    Antônio Carlos Textor é cineasta há mais de 50 anos. Em 1963, lançou seu primeiro curta-metragem, “Um homem e seu Destino”, pelo Foto Cine Clube Gaúcho. De lá pra cá, são cerca de 30 títulos em sua filmografia.
    “Minha preocupação sempre foi abordar temas sociais, principalmente temas urbanos, da população marginal, população pobre.”
    Após o pré-lançamento, Textor planeja uma temporada de exibições do documentário, fora do circuito das salas de cinemas, em escolas e pontos de cultura. Outro projeto são cópias do filme, com legendas em espanhol, para distribuir para outros países da América Latina.

  • Inquérito irá investigar ação da Guarda Municipal

    Um inquérito será aberto na Secretaria Municipal de Segurança para apurar a ação da Guarda Municipal, durante uma manifestação de pais e professores em frente ao Paço Municipal na última segunda-feira,12.
    A informação foi dada pelo secretário Kleber Senisse durante audiência pública nesta terça-feira na Câmara Municipal. O objetivo da audiência era justamente para discutir ações da Guarda Municipal durante outros protestos e durante a Greve Geral do dia 28 de abril.
    Curiosamente a reunião aconteceu um dia depois de um novo episódio: uma mãe que participava do ato, teve sua mão torcida, por um guarda municipal. O fato ocorreu já no final do ato, quando o carro do Simpa (Sindicato dos Municipários) foi cercado pela Guarda Municipal para ser guinchado, sob alegação de que estava parado em local irregular. Pais e professores tentaram impedir.
    Norma Regina, de 52 anos, mãe de um aluno falou sobre o episódio na reunião. “Era um movimento pacífico, até a Guarda chegar”, relatou ela, que disse estar apoiada no carro por ter problemas na coluna, quando foi retirada pelo guarda de maneira violenta. Norma deu queixa na Polícia Civil e seguiu para o HPS onde recebeu atendimento.  Um vídeo foi postado na Internet. 

    Norma Regina, mãe de um aluno, foi agredida por um guarda municipal no último dia 12. Foto: Luiza Dorneles

    Vereadores e municipários também deram sua contribuição para o debate. A greve do dia 28 de abril foi pauta no encontro. Os servidores que protestavam a frente de um prédio da Administração Municipal na Praça Montevidéu, acusam a Guarda de uma ação truculenta. “Não é um fato isolado”, criticou o municipário Ivan Martins.
    Segundo ele, o estatuto da Guarda Municipal não vem sendo aplicado, se referindo a um caráter de prevenção. Martins também questionou que tipo de formação um policial municipal está recebendo.
    Um vídeo em que mostra a Guarda Municipal utilizando gás de pimenta e afastando os servidores da porta do prédio com cacetadas, foi exibido a todos presentes no debate. “Queria que mostrasse eu sendo agredido”, rebateu o secretário Senisse, que aparece no vídeo.
    Segundo o Comandante da Guarda, Roben Martins, os policiais do seu comando foram acionados para garantir o acesso ao prédio de outros servidores, que queriam trabalhar. Martins respondeu a alguns questionamentos. Disse que o curso de formação de um policial tem 280 horas e que a cada dois anos os policiais realizam um exame psicotécnico.
    Para Roben a ação dos policias, na ocasião, foi adequada. “Conseguiram manter o equilíbrio”, avaliou o Comandante que não viu exageros no procedimento. As vereadoras Comandante Nádia (PMDB) e Mônica Leal (PP), em suas falas também se mostraram a favor da ação da Guarda durante a greve geral.
    Já o vereador Professor Alex Fraga lamentou o episódio. Também alertou que durante uma outra manifestação de professores em frente a SMED (Secretaria de Educação) um guarda sacou a arma.
    Senisse encerrou dizendo estar procurando soluções para a cidade. Sobre o ocorrido de segunda, disse que o veículo do Simpa ficou durante o dia todo em local proibido e recebeu uma notificação, como não saiu, foi guinchado. Quanto a agressão “vai ser aberto um inquérito”, garantiu.
    Ao final da audiência, o secretário falou com outros presentes na reunião e com a mãe agredida. Pediu ao Simpa que comunique quando for ocorrer alguma manifestação para que não aconteça algo mais grave. “Eu poderia estar com 15 homens combatendo o crime ao invés de ficarem lidando com pais e professores”, afirmou Senisse no encerramento.
    A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), proponente do encontro, informou que irá acompanhar o caso. ” Viemos ouvir as partes e procurar o entendimento”, declarou o presidente da comissão, o vereador Cassiá Carpes (PP).
    O Secretário de Segurança, Kleber Senisse, conversou com os municipários e com a mãe agredida ao fim da reunião. Foto: Jornal Já

  • HPS precisa de doadores de sangue de todos os tipos

    Os profissionais do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS) aproveitam a passagem do dia mundial do doador de sangue, nesta quarta-feira, 14, para alertar sobre a importância desta ação de cidadania e, também, para a necessidade de reposição dos estoques da instituição, que estão baixos. O clima, nesta época do ano, afasta os doadores e já alerta a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). “Uma bolsa de sangue poderá salvar até quatro vidas, é um fator determinante em casos de emergência”, destaca o Secretario Erno Harzheim, titular da SMS.
    A Unidade de Coleta e Transfusão do HPS funcionará, nesta quarta-feira, 14, com horário estendido, das 8h às 17h, na rua Venâncio Aires, 1.116, 2º andar. Interessados em colaborar devem procurar o hospital levando documento com foto, além de observar alguns critérios, como estar alimentado e em bom estado de saúde, dormir pelo menos seis horas na noite anterior e evitar fumar duas horas antes da doação.
    Orientações para doar sangue:
    – Pessoas entre 18 e 65 anos em bom estado de saúde, que não tenham tido hepatite depois dos 10 anos.
    – Pesar acima de 50 quilos, descontando o vestuário.
    – Estar alimentado e não fazer exercícios físicos antes da doação.
    – Evitar fumar duas horas antes da doação.
    – Não ser usuário de drogas e não ingerir bebida alcoólica nas últimas 12 horas.
    – Ter dormido pelo menos seis horas na noite anterior à doação. A qualidade do sono é importante, por isso, plantonistas não devem doar sangue no dia em que saírem do plantão.
    – Não ter colocado piercing ou feito tatuagem nos últimos 12 meses.
    – Não ter realizado endoscopia nos últimos 12 meses.
    No momento da doação, é necessário apresentar um dos seguintes documentos com foto: carteira de identidade, profissional, habilitação ou passaporte.

  • Vacinação contra gripe é mantida até término de estoque

    A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre vai manter a vacinação nas unidades de saúde que possuem sala de vacinas, até o final dos estoques. Atualmente, existem 130 salas com vacinas à disposição da população.
    Estão reservadas as doses necessárias para gestantes e para as crianças cujo esquema vacinal preveja aplicação de mais uma dose da vacina.
    Ao final do período de prorrogação da campanha de vacinação contra a gripe, Porto Alegre registrou um total de 606.865 pessoas imunizadas, entre grupos prioritários e população fora de grupos. Nos grupos prioritários, o percentual ficou em 83,9%, com 487.418 pessoas que receberam a vacina.
    Os locais com vacinas em 13/06:
    Unidades de Saúde que mantêm vacinação contra a gripe:
    Gerência Distrital Leste-Nordeste (Leno)
    Batista Flores
    Jardim da Fapa
    Jardim Protásio Alves
    Safira Nova
    Timbaúva
    Wenceslau Fontoura
    Laranjeiras
    Mato Sampaio
    Milta Rodrigues
    Jardim Carvalho
    Tijuca
    Vila Brasília
    Vila Pinto
    Vila Safira
    Chácara da Fumaça
    Morro Santana
    Vila Jardim
    CS Bom Jesus
    Centro Extensão Puc Vila Fátima
    GHC Barão de Bagé
    GHC Coinma
    GHC Divina Providência
     
    GD Glória-Cruzeiro-Cristal (GCC)
    Rincão
    Glória
    Graciliano Ramos
    Belém Velho
    Santa Tereza
    São Gabriel
    Vila Cruzeiro
    Santa Anita
    Vila Gaúcha
    Nossa Sra de Belém
    Estrada dos Alpes
    Cristal
    Divisa
    Vila dos Comerciários
    Orfanotrófio
    Tronco
    Cruzeiro do Sul
    Alto Embratel
    Primeiro de Maio
    Aparício Borges
    Osmar Freitas
    Jardim Cascata
     
    GD Norte Eixo Baltazar (NEB)
    Asa Branca
    Assis Brasil
    Domênico Feoli
    Esp Cordeiro
    Nova Gleba
    Jenor Jarros
    Planalto
    Nova Brasília
    P Pedras II
    Santa Fé
    P Pedras I
    Ramos
    Rubem Berta
    Santa Fé
    Sta Maria
    Santa Rosa
    Sto Agostinho
    Sarandi
    Vila Elizabeth
    Parque Maias
    Jardim Leopoldina
    Costa e Silva
     
    GD Centro
    Santa Cecília
    Centro de Saúde Modelo
    Santa Marta
     
    GD Navegantes Humaitá Noroeste Ilhas (NHNI)
    Floresta
    Pavão
    Nazaré
    Pintada
    Marinheiros
    IAPI
    Ipiranga
    Navegantes
    Diretor Pestana
    Mario Quintana
    Fradique Vizeu
    Farrapos
    Conceição
     
    GD Restinga
    Restinga
    Macedonia
    Núcleo Esperança
    Paulo Viaro
    Lami
    Pitinga
    Castelo
    Belém
    Ponta Grossa
    Chapéu do Sol
    5 Unidade
     
    GD Sul-Centro/Sul
    Ipanema
    Camaquã
    Tristeza
    Beco do Adelar
    Vila Nova Ipanema
    Monte Cristo
    Campo Novo
    Calábria
    Alto Erechim
    Cidade de Deus
    Morros dos Sargentos
    Jardim das Palmeiras
    Nonoai
    Guarujá
    São Vicente Mártir
    Moradas da Hípica
    Campos do Cristal
    Cohab Cavalhada
     
    GD Partenon – Lomba do Pinheiro (PLP)
    São Carlos
    São José
    Ceres
    São Miguel
    Bananeiras
    Mapa
    Panorama
    Pitorescca
    Vila Vargas
    Esmeralda
    Santo Alfredo
    São Pedro
    Viçosa
    Ernesto Araújo
    Morro da Cruz
    Herdeiros
    Lomba do Pinheiro
    Santa Helena
     
    Unidades sem vacinação:
    GD Leste-Nordeste (Leno)
    GHC SESC
    GD Glória Cruzeiro Cristal
    Nossa Senhora das Graças
    GD Norte Eixo Baltazar (NEB)
    Beco do Coqueiro
    São Borja
    São Cristóvão
    Nª Sra Aparecida
    Santíssima Trindade
    GD Navegantes Humaitá Noroeste Ilhas (NHNI)
    Itu
    GD Restinga
    Chácara do Banco

  • Tarifa de energia aumenta 5% em mais da metade dos municípios gaúchos

    As tarifas de energia elétrica vão aumentar em média 5% nas regiões norte e nordeste, atendidas pela Rio Grande Energia, que cobre 54% dos municípios gaúchos. 
    Para os clientes residenciais, o aumento será de 5,84%. Para os clientes de baixa tensão, indústrias, o acréscimo será de 3,81%.
    As novas tarifas valem a partir do dia 19 de junho.
    Concessionária é controlada pela maior estatal chinesa
    A Rio Grande Energia (RGE) é a distribuidora da região norte-nordeste do Estado do Rio Grande do Sul. Atende a 255 municípios, representam 54% do total de municípios do Estado, com um polo em Passo Fundo e outro em Caxias do Sul.
    A RGE opera no Estado desde a privatização da CEEE, em 1997. Em 2006, foi comprada pela Companhoa Paulista de Força e Luz (CPFL), o maior grupo privado do setor elétrico brasileiro.
    Há 104 anos no setor elétrico brasileiro, atuando nos segmentos de distribuição, geração, comercialização e serviços,  a CPFL, desde janeiro de 2017, é controlada pela State Grid, estatal chinesa que é a segunda maior organização empresarial do mundo e a maior companhia de energia elétrica, atendendo 88% do território chinês e com operações na Itália, Austrália, Portugal, Filipinas e Hong Kong.
    Com 14,3% de participação no mercado brasileiro, a CPFL Energia é líder na distribuição, totalizando mais de 9,1 milhões de clientes em 679 cidades, entre os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná.
     

  • Justiça garante salário-maternidade para meninas Mbyá-Guarani

    As indígenas Mbyá-Guarani tornam-se mães bem cedo, normalmente ainda na adolescência. Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região beneficia jovens da etnia, entre 14 e 16 anos, em mais de 30 cidades do noroeste gaúcho.
    O TRF4 acatou pedido do Ministério Público Federal e determinou que o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) admita o ingresso na Previdência Social e, portanto, aceite requerimentos de salário-maternidade formulados por jovens entre 14 e 16 anos, da etnia Mbyá-Guarani, que vivem nas cidades que compõem a Subseção Judiciária Federal de Santo Ângelo/RS (veja a lista abaixo). O MPF ainda garantiu que o tempo de trabalho anterior aos 14 anos, quando comprovado, seja computado para fins de carência.
    A decisão unânime da 6ª Turma do TRF4 confirma pedido de ação civil pública (ACP) ajuizada pelo MPF: que o INSS admita o ingresso e abstenha-se de indeferir, exclusivamente por motivo de idade, os requerimentos de salário-maternidade formulados pelas seguradas Mbyá-Guarani da região.
    Histórico
    O Inquérito Civil nº 1.29.010.000067/2013-84 apurou que o INSS indeferia pedidos do referido benefício às indígenas menores de 16 anos. A autarquia argumentava que elas eram seguradas especiais, pelo exercício de atividade em regime de economia familiar, e deveriam  ter a idade mínima de 16 anos para fazer jus ao salário-maternidade.
    O INSS também considerava que o menor de 16 anos não pode ser considerado trabalhador, pois existe proibição constitucional ao trabalho da criança e do adolescente.
    O MPF ingressou com a ação civil pública, assinada pelo procurador da República Osmar Veronese, na qual apontou as diferença entre a cultura indígena e a não-indígena (sociedade envolvente).
    Estudo antropológico juntado ao caso mostrou que, a partir dos dez anos, meninos e meninas Mbyá Guarani gradativamente assumem responsabilidades próprias e que as jovens, com a chegada da menstruação, iniciam a vida sexual, o que as leva a casar e ter filhos cedo.
    Por isso, o artigo 55 da Lei nº 6.001/1973 (Estatuto do Índio) estabelece que “o regime geral da previdência social será extensivo aos índios, atendidas as condições sociais, econômicas e culturais das comunidades beneficiadas”, um direito também garantido pelo artigo 231 da Constituição Federal, que reconhece “aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”.
    No parecer encaminhado ao TRF4, o procurador regional da República Claudio Dutra Fontella lembrou que os tribunais vêm reconhecendo, para fins previdenciários, o tempo de serviço rural respectivo, ainda que a idade de exercício desse trabalho indígena contrarie a Constituição e a lei no tocante à idade. “A norma editada para proteger o menor não pode prejudicá-lo naqueles casos em que efetivamente trabalhou”, escreveu.
    Já na sustentação oral durante o julgamento, o procurador regional da República Maurício Pessuto defendeu que o tempo de trabalho anterior aos 14 anos fosse computado para fins de carência, devido às peculiaridades da cultura da etnia. A solicitação foi incluída no voto do relator e acompanhada por toda a Turma no acórdão.
    Cidades da Subseção Judiciária Federal de Santo Ângelo:
    Ajuricaba, Augusto Pestana, Bozano, Caibaté, Catuípe, Cerro Largo, Chiapetta, Coronel Barros, Dezesseis de Novembro, Entre Ijuís, Eugênio de Castro, Giruá, Guarani das Missões, Ijuí, Inhacorá, Jóia, Mato Queimado, Nova Ramada, Pirapó, Porto Xavier, Rolador, Roque Gonzales, Salvador das Missões, Santo Ângelo, Santo Antônio das Missões, Santo Augusto, São Luiz Gonzaga, São Miguel das Missões, São Nicolau, São Pedro do Butiá, São Valério do Sul, Senador Salgado Filho, Sete de Setembro, Ubiretama e Vitória das Missões

  • Ocupação Lanceiros Negros enfrenta nova ordem de reintegração de posse

    As famílias que ocupam o prédio localizado na esquina das ruas General Câmara e Andrade Neves, no Centro de Porto Alegre, se mobilizam para enfrentar mais uma reintegração de posse.
    Já é pelo menos a terceira ordem de despejo em um ano e sete meses de ocupação do imóvel (desde novembro de 2015).
    A Justiça expediu nesta segunda-feira, 12, ordem de reintegração de posse do imóvel, pertencente ao Governo do Estado. Desde que as famílias ocuparam o prédio.
    A decisão da 7ª Vara da Fazenda Público do Foro Central orienta que a ordem seja cumprida fora do horário comercial, em final de semana ou feriado, “evitando ao máximo o transtorno ao trânsito de veículos e funcionamento habitual da cidade”, e autoriza o “uso da força policial, caso necessário.” Há também a orientação ao acompanhamento pelo Conselho Tutelar, em função dos menores.
    Os integrantes da ocupação prometem resistir. “Tem criança, gestante, recém nascido. É uma barbaridade. Inclusive familiares de moradores da ocupação tiveram de vir para cá em função das chuvas. As pessoas que mais precisam, quando conseguem um teto, são despejadas”, afirma Priscila Voigt, integrante do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas). Ela defende que, para a desocupação do prédio, o Estado deveria realocar as famílias.

    Priscila, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas/Ramiro Furquim

    Com o feriado de Corpus Christi nesta quinta-feira, os moradores estão em alerta. “Estamos esperando hoje, quarta, no feriado, porque a reintegração pode acontecer a qualquer momento”, afirma Priscila.
    Nesta terça, a ocupação realiza assembleia com movimentos apoiadores e na quarta-feira acontece audiência pública sobre a ocupação na Assembleia Legislativa.
    Até o início da tarde, os moradores da ocupação não haviam sido notificados da ordem de reintegração de posse. No local, residem cerca de 70 famílias.
    No imóvel residem muitas crianças/Ramiro Furquim

    A Procuradoria-Geral do Estado afirma que tentou a conciliação e não obteve êxito. Segundo a PGE, foi iniciada uma reforma no imóvel para que abrigasse uma secretaria de Estado evitando o pagamento mensal de um aluguel de R$ 60 mil.