Centrais sindicais, movimentos sociais, estudantis, sindicatos e diversos outros grupos estão em Brasília pedindo a saída do presidente Michel Temer e a realização de eleições diretas. As reformas da Previdência e trabalhista também são alvos do protesto.
A marcha Ocupa Brasília se concentrou desde cedo no estacionamento do estádio Mané Garrincha, onde, segundo a Agência Brasil, estão os cerca de 3,5 mil ônibus que trouxeram os manifestantes para a capital.
A confusão começou quando os manifestantes começaram o deslocamento para a Esplanada dos Ministérios. A policia impediu o avanço dos manifestantes em direção ao Congresso com bombas, gás de pimenta e balas de borracha.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, estima que são aproximadamente 25 mil pessoas na manifestação. A organização fala em mais de cem mil. Vídeos e fotos divulgados pela imprensa durante o dia mostram a truculência por parte da polícia. Ainda não se tem informações sobre o número manifestantes ficaram feridos.
Autor: da Redação
Bombas e truculência da polícia marcam manifestações contra Temer em Brasília
Protesto era pacífico até a chegada ao Congresso Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O passado recente e o futuro próximo
Walmaro Paz
Para entender a crise política atual, isto é, a segunda parte do golpe iniciado com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, precisamos fazer uma leitura da política internacional. Com a queda do muro de Berlim e a suposta “derrota do socialismo”, o neoliberalismo perdeu seu grande opositor bélico e econômico, a União Soviética.
As forças reacionárias do imperialismo, agora disfarçadas sob o manto do processo de globalização, resolveram retomar as colônias perdidas durante a guerra-fria, todas nos antigos territórios dominados chamados por eles de terceiro mundo.
A África teria que ser recolonizada e ou seu povo exterminado através de guerras civis encomendadas pela indústria armamentista e pelas mineradoras. A América Latina deveria se submeter a uma nova fórmula da Doutrina Monroe: América para os americanos do Norte, transformando nossos países novamente em exportadores de commodities e importadores de produtos manufaturados.
No caso brasileiro, ainda no final dos anos 80 tentaram implementar um chamado social liberalismo, com Collor, liderança populista construída pela Globo (esta aliás o instrumento ideológico mais usado no processo). O povo brasileiro resistiu.
Então, ainda nos anos 90, criaram uma liderança com discurso de esquerda, mas totalmente submissa para fazer as privatizações e reformas necessárias. Elegeram Fernando Henrique Cardoso (FHC), um até então respeitável pensador da esquerda brasileira e começaram o processo. Há muito tempo os militares estavam tendo um custo muito elevado politicamente.
Conseguiram mantê-lo durante dois mandatos e iniciaram um processo de corrupção nunca visto no país, retratado fielmente na obra “Privataria Tucana”, comprando deputados de todos os partidos.
Mas o povo elegeu Lula (Lulinha paz e amor), que já havia renunciado ao projeto petista e popular antes da eleição na Carta aos Brasileiros. Assim que eleito, o presidente metalúrgico foi a Washington buscar o beneplácito do presidente Bush e voltou com o Henrique Meirelles nomeado presidente do Banco Central. Ali começou a rendição: Meirelles era o grande nome do consenso de Washington para o Brasil.
Esta figura permaneceu no centro de poder durante este tempo todo, passando pela iniciativa privada, onde foi presidente do conselho de administração do grupo Friboi. Com o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff que, com sua política nacional-desenvolvimentista, mostrara resistência às exigências, Meirelles assume a chefia da política econômica do títere Temer.
Tentaram aprofundar as chamadas reformas com a destruição da CLT e da Seguridade Social. Mas o povo nas ruas fez com que Temer recuasse alguns passos e isto foi insuportável para seus mentores. Chega deste pulha: foraTemer e começou o processo de desestabilização que vai eleger Meirelles presidente por via indireta e, terminando a tarefa iniciada ainda nos anos 80, empurrando goela abaixo do povo brasileiro a sua pior derrota.
Cheguei a esta leitura da conjuntura atual principalmente pelo interesse da Globo na deposição de Temer e nas denúncias contra seus asseclas e a todos os políticos além da campanha pelas eleições indiretas e a colocação de um “técnico” na presidência. Torço para estar errado, vamos esperar pelo futuro próximo para confirmar ou não esta avaliação.Sartori perde a pressa e avalia chances de aprovar privatizações em plebiscito
Ficaram fora de pauta mais uma vez os projetos que completam o ajuste de Sartori.
As reuniões na tarde de segunda-feira e na manhã desta terça foram pró-forma.
O governo já está convencido que não tem os votos de que precisa e está disposto a não se precipitar. Há quem diga que só no dia 13 de junho o assunto voltará ao plenário.
Não se descarta também a hipótese de que o governo encaminha à Assembleia um pedido de plebiscito, que teria que ser aprovado e enviado ao TRE para preparar a consulta popular até 15 de novembro.
Dentro e fora do governo há quem acredite que com o peso do empresariado e da mídia, o governador obtenha no plebiscito autorização para privatizar CEEE, CRM, Sulgás “e outros”.
As privatizações são a contrapartida que o Rio Grande do Sul oferece para um acordo com a União, de suspensão do pagamento da dívida, que aliviaria o Caixa do Tesouro em mais de R$ 3 bilhões por ano nos próximos três anos.
Segundo a lei Nº 9.207, de 1991, que regulamenta a “realização de consultas referendárias e plebiscitárias no âmbito legislativo”, um plebiscito deve obedecer as seguintes regras:- o governador Sartori precisará apresentar um projeto propondo a extinção de cada uma das estatais.
- depois disso, a Mesa ou 1\3 dos parlamentares requisita a realização do plebiscito, que deve ter aprovação por maioria absoluta para seguir para o TRE, que organizará o pleito.
- O plebiscito, em anos não eleitorais, como 2017, deve ocorrer no dia 15 de novembro.
Demais PECs a serem votadas
As PECs dão continuidade às matérias aprovadas pela Assembleia no final de 2016 e promovem alterações na estrutura do Estado, como o tempo de contribuição dos servidores públicos (PEC 261 2016), a extinção do direito aos adicionais por tempo de serviço (PEC 258 2016), assim como a revogação do artigo 35 da Constituição Estadual que fixa prazo para pagamento da remuneração mensal dos servidores públicos até o último dia útil de cada mês e determina o pagamento do décimo terceiro salário até o dia 20 de dezembro (PEC 257 2016). Também consta a extinção da licença-prêmio (PEC 242 2015) e a licença aos servidores para atividades sindicais sem a remuneração (PEC 256 2016).
Entram na ordem do dia desta terça-feira:
PR 4 2017, para aprovar o Relatório Final da Comissão Especial para tratar da Função Social das Igrejas nos Presídios e Centros de Recuperação de Drogadição no Rio Grande do Sul.
PR 5 2017, da Comissão Especial sobre a Sustentabilidade Financeira do SUS.
RCR 1 2017, da Mesa, requer a constituição de uma Comissão de Representação Externa para acompanhar a questão dos Pedágios prevista no programa de concessão de rodovias federais desenvolvido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e que abrange as BRs 101, 290, 386 e 448 do Estado.
PR 8 2016, da Mesa Diretora, que altera a Resolução n.º 2.514, de 30 de novembro de 1993, que institui o Código de Ética Parlamentar.
RDI 65 2017, da Mesa Diretora, indica deputados para comporem a Comissão de Ética Parlamentar para o Biênio 2017-2019.
PL 207 2008, do Poder Judiciário, que cria e aglutina, junto ao Serviço Notarial e Registral do Município de Progresso, o Tabelionato de Protestos de Títulos, o Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o Registro de Títulos e Documentos.
PL 88 2011, do Poder Judiciário, que cria Serventias Extrajudiciais em Alvorada e dá outras providências.
PL 363 2011, do Poder Judiciário, que cria Serventias Extrajudiciais em Erechim e dá outras providências.
PL 235 2012, do Poder Judiciário, que cria, desanexa e aglutina serventias extrajudiciais em Rio Grande e dá outras providências.
PL 367 2015, do Poder Judiciário, que cria Comarca, Vara Judicial, cargos e funções nos Serviços Auxiliares da Justiça de 1º Grau e dá outras providências.
Mostra Jerry Lewis na Sala Redenção
Cinema Universitária faz uma homenagem ao ator, comediante, roteirista, produtor e diretor estadunidense Jerry Lewis. O rei da comédia, como ficou conhecido (e que mais tarde seria o título de um de seus filmes), estilo pastelão, fez enorme sucesso tanto no cinema quanto nos palcos. Joseph Joseph Levitch, filho de um ator de Vandeville e de uma pianista, fez sua primeira atuação quando tinha cinco anos. Atuou com Dean Martin nos palcos e em 16 filmes antes de a dupla acabar e Lewis partir para a carreira solo.
Foi indicado ao prêmio Nobel da Paz em função de sua militância e doações para a causa da distrofia muscular. Escreveu sua autobiografia, e foi eleito pelo Entreitaimente Weekley como um dos maiores diretores de todos os tempos.
Com graves problemas de saúde, ficou 18 anos sem filmar. Em 2013 voltou às telas em Max Rose, que foi exibido no Festival de Cannes no mesmo ano. Dizem que foi Lewis que inventou o video assist system, com o objetivo de ter mais visibilidade como ator e diretor ao mesmo tempo durante a gravação de um filme.
De origem judaica, em 1972 realizou, mas não lançou, The Day the Clown Cried. O filme conta a história de um palhaço que leva crianças judias para a câmara de gás até o dia que entra e morre junto com elas. Em 1983 foi chamado por Martin Scorsese para fazer O rei da comédia, ao lado de Robert de Niro. Em 2016, atua em The trust, junto com Nicolas Cage e Elijah Wood.
Dizem que quem lê Monteiro Lobato na infância nunca mais para de ler. No caso do cinema, acreditamos que quem assiste aos filmes de Lewis nunca mais deixa de assistir a filmes, a bons filmes. Essa é a nossa homenagem a Jerry Lewis, nos 30 anos da Sala Redenção.
O quê: Mostra Jerry Lewis
Quando: 22 a 31 Maio
Onde: Sala Redenção – Cinema Universitário (Rua Eng. Luiz Englert, s/n., Campus Central UFRGS
Quanto: Entrada Franca
Coordenação e curadoria da Sala Redenção – Cinema Universitário: Tânia Cardoso de Cardoso/Departamento de Difusão Cultural da UFRGS
O Mocinho Encrenqueiro (The Errand Boy, EUA, 1961, 92 min) Dir. Jerry Lewis
22 de maio – segunda-feira – 16h
O grande estúdio de Hollywood Paramutual Pictures quer saber onde todo seu dinheiro está indo e contratam Morty para ser seu espião. Mesmo sendo gentil e honesto, Morty tem um dom para arranjar confusão, transformando o estúdio em um pandemônio.
Artistas e Modelos (Artists and Models, EUA, 1955, 109 min) Dir. Frank Tashlin
22 de maio – segunda-feira – 19h
23 de maio – terça-feira – 16h
Rick Todd usa o sonho de seu colega de apartamento Eugene como base para uma famosa história em quadrinhos.
Bancando a Ama Seca (Rock-a-Bye Baby, EUA, 1958, 103 min) Dir. Frank Tashlin
23 de maio – terça-feira – 19h
24 de maio – quarta-feira – 16h
Um comum reparador de televisão deve cuidar dos trigêmeos recém-nascidos de sua antiga paixão, agora uma famosa estrela de cinema, para que a carreira dela não sofra.
Errado pra Cachorro (Who’s Minding the Store?, EUA, 1963, 90 min) Dir. Frank Tashlin
Norman Phiffier trabalha como atendente em uma grande loja de departamento. Desajeitado e incapaz, ele não consegue fazer nada certo.
25 de maio – quinta-feira – 16h
O Mensageiro Trapalhão (The Bellboy, EUA, 1960, 72 min) Dir. Jerry Lewis
25 de maio – quinta-feira – 19h
26 de maio – sexta-feira – 16h
Em Miami Beach, o mensageiro mudo Stanley trabalha no luxuoso hotel Fontainebleau. Apesar de ser um empregado útil e amigável, o desajeitado Stanley vive se metendo em confusão por seus erros.
Cinderelo sem Sapato (Cinderfella, EUA, 1960, 91 min) Dir. Frank Tashlin
26 de maio – sexta-feira – 19h
29 de maio – segunda-feira – 16h
Quando seu pai morre, o pobre Fella é deixado à mercê de sua madrasta esnobe e seus dois filhos, Maximilian e Rupert. Enquanto é escravizado por sua desagradável família, Maximilian e Rupert tentam encontrar um tesouro que o pai de Fella supostamente escondeu na propriedade.
O Terror das Mulheres (The Ladies Man, EUA, 1961, 95 min) Dir. Jerry Lewis
29 de maio – segunda-feira – 19h
30 de maio – terça-feira – 16h
Depois de sua namorada trocá-lo por outro homem, Herbert fica bastante depressivo e começa a procurar por um emprego. Ele finalmente encontra-o em uma grande casa cheia de muitas mulheres.
O Professor Aloprado (The Nutty Professor, EUA, 1963, 107 min) Dir. Jerry Lewis
30 de maio – terça-feira – 19h
31 de maio – quarta-feira – 16h
Para melhorar sua vida social, um desajeitado professor toma uma poção que o transforma temporariamente em Buddy Love, belo, mas desagradável homem.
O Otário (The Patsy, EUA, 1964, 101 min) Dir. Jerry Lewis
31 de maio – quarta-feira – 19h
Quando um famoso comediante morre, sua equipe decide treinar um desconhecido para substituí-lo em um grande programa de TV. Porém, o substituto não consegue fazer nada certo.
Guinga ao vivo ao cair da tarde de sábado, uma rara oportunidade
Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, o Guinga, toca no último sábado de maio, dia 27, às 17h, no Átrio do Santander Cultural.
Guinga, um dos mais destacados compositores e instrumentistas da música popular brasileira, apresenta-se no projeto Ouvindo Música, da unidade de cultura do Santander em Porto Alegre. ´
Guinga é carioca da zona norte do Rio de Janeiro, especialmente do bairro de Madureira, onde nasceu em 1950. Foi aluno de violão clássico de Jodacil Damasceno, e aos 16 anos, começou a compor. Trabalhou profissionalmente como violonista, acompanhando artistas como Clara Nunes, Beth Carvalho, Alaíde Costa, Cartola e João Nogueira.
Com várias de suas músicas gravadas por músicos como Elis Regina, Michel Legrand, Sérgio Mendes, Leila Pinheiro, Chico Buarque, Clara Nunes, Ivan Lins, Guinga coleciona elogios da crítica especializada. Parcerias com Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Chico Buarque, Nei Lopes, Sérgio Natureza, Nelson Motta, Simone Guimarães, Francisco Bosco, Mauro Aguiar e Luís Felipe Gama estão traduzidas em diversos trabalhos ao longo de sua carreira.
Em 2002, foi publicada biografia do artista carioca escrita pelo jornalista Mário Marques (Guinga, os mais belos acordes do subúrbio, Ed. Gryphus). Em 2003, foi lançado seu songbook (A música de Guinga, Ed. Gryphus).
Seu disco Rasgando Seda, em parceria com o Quinteto Villa-Lobos, lançado pelo selo SESC-SP, foi indicado ao Grammy na categoria Melhor Disco Instrumental do Ano-2012. Mais informações e vídeos estão no site http://www.guinga.com/index.php/channel-videoteca
Ingressos a R$ 12,00, com meia entrada para estudantes e pessoas acima de 60 anos. Funcionários e clientes Santander têm entrada franca.
O Santader Cultural fica na rua Sete de Setembro, 1028, Centro Histórico.
Abre de terça a sábado, das 10h às 19h, e domingos, das 13h às 19h. Não abre aos feriados. Bilheteria: de terça a domingo, das 14h às 19h
Funcionários da Carris reclamam falta de diálogo ao secretário da Mobilidade Urbana
Funcionários da Carris estiveram na tarde desta terça-feira na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim), para uma reunião com secretário da pasta, Elisandro Sabino e a diretora da empresa, Helen Machado, e os vereadores Sofia Cavedon (PT), Roberto Robaina (PSOL), ambos da Frente Parlamentar criada em defesa da empresa pública; e o líder do governo na Câmara Municipal, Cláudio Janta (Solidariedade).
O encontro não aconteceu como previsto. O secretário e sua assessoria não sabiam da reunião. Os funcionários foram recebidos por Sabino durante dez minutos. O diretor-técnico da empresa, Flávio Caldasso, foi visto no gabinete do secretário mas não foi até o auditório onde o secretário recebeu um documento com uma série de reivindicações.
As principais delas: esclarecimentos pelo excessos de justas causas e punições indevidas; retorno da Assistência Social e diálogo com a Direção e os representantes da categoria; legalização do pátio da USE Carris (União Social dos Empregados da Carris) e termo de concessão da Prefeitura para a Companhia ; regularizar o retorno das reuniões das comissões da Carris com a liberação de seus membros no mesmo período; retorno das reuniões Tripartite (delegados, sindicato e direção).
“Verbalmente deixamos bem claro a falta de diálogo da atual diretoria com os funcionários” disse o funcionário da Carris, Cristiano Soares. Uma nova reunião foi reagendada para a próxima terça-feira, no dia 30 de maio.Retomada Mbyá Guarani em Maquiné recebe apoio dos Juízes para a Democracia
Ana Maria Barros Pinto*
Há uma semana de completar quatro meses da retomada do seu território ancestral em Maquiné, na área da extinta Fepagro Litoral Norte, os Mbyá Guarani receberam a visita de um grupo da Associação dos Juízes para a Democracia (AJD) na tekohá (aldeia) Ka’Aguay Porã. Em fase de negociação com o Estado do RS, após a suspensão da reintegração de posse em 4 de abril, os Mbyá festejaram a visita do sábado, dia 20 de maio, com alegria e esperança no apoio dos magistrados. “Agradecemos a presença dos juízes pisando nossa terra sagrada, a vinda de vocês na retomada é histórica”, disse o cacique José Cirilo.
Juízes caminham na trilha pela mata, que dá acesso à aldeia / Foto Ana Maria Barros Pinto/JÁ
Como ocorre em todas as visitas na retomada, os Mbyá recebem com cantos e danças as pessoas que chegam após uma caminhada em trilhas pela mata para acessar a aldeia. A reunião acontece numa tenda de lona preta montada no centro da aldeia, na frente da casa de rezas (Opy), a primeira casa construída na área retomada em 27 de janeiro último. A espiritualidade Mbyá Guarani é estruturante na retomada. Ali, a AJD realiza mais uma agenda na busca por uma aproximação com os movimentos sociais para conhecer de perto a realidade do país.
Na apresentação inicial, a juíza federal Ana Inês Algorta Latorre fala da alegria em estar ali e da importância da retomada como movimento propositivo. “É um alento poder ver que isso está acontecendo tão perto de nós. Estamos aqui para conhecer a aldeia, ver quais são as necessidades e dar nosso apoio.”
O juiz estadual Luiz Christiano Enger Aires afirma que estar ali já enriquece a todos. O objetivo, segundo ele, é conhecer a experiência e os problemas dos Mbyá e ver como podem se engajar nessa luta tão difícil. “Queremos dar visibilidade a essa luta, que às vezes está escondida, e dentro disso nos engajarmos na luta que é de vocês e que a partir de hoje também é nossa”, disse, sob aplausos.
O cacique José Cirilo Morinico fala da alegria em ter os juízes “tão importantes” ali na aldeia. E começa questionando: Por que estamos aqui? Ele mesmo responde: “Estamos fazendo a nossa parte, preservando a nossa vida cultural. Aqui tem tudo o que precisamos pra viver o nosso modo de vida, terra boa pra plantar alimento e remédios, água boa, caça, pesca, conhecemos o tempo dos animais, dos peixes. A gente respeita o tempo, a natureza”.
Cirilo lembra a situação enfrentada por seu povo ainda hoje, em várias partes do RS, com famílias jogadas na beira das estradas. “É uma vida que não dá nem pra pensar na cultura. Aqui é diferente, é lugar de felicidade, nos sentimos muito bem, as crianças vivem felizes. Nós queremos estar no mundo, só isso, não queremos propriedade, cerca.”
A reintegração de posse é uma ameaça que ronda a aldeia. O cacique Cirilo reitera a disposição de luta e diz que eles rezam para os deuses pedindo que a negociação seja justa. “Respeitamos os brancos, o papel, a polícia, porque tem arma de fogo, vai nos matar. Mas estamos na luta, pois o Estado brasileiro tem uma dívida com os povos indígenas. Não estamos pedindo a metade do Brasil, é só um pedacinho pra viver nosso modo de vida.”
Três gerações na aldeia / Ana Maria Barros Pinto/JÁ
É para essa luta difícil e tão desigual – afinal, eles estão enfrentando o Estado – que eles contam com os juízes e outros apoiadores para resistir. “O índio guarani só tem crianças aqui, se vai haver uma reintegração de posse, como vamos enfrentar a polícia? ”
“Foram os deuses que enviaram vocês aqui para fortalecer a retomada”, disse o cacique André Benites, reforçando a dimensão espiritual da retomada. Como sempre, ele explica que a retomada não é só do território, é de tudo: da cultura, a música, a dança, a comida, a vida na natureza, o modo de vida guarani. Diz que é difícil explicar o que sente porque precisa usar “uma língua emprestada”, mas que a aldeia está firme e se fortalece a cada dia que passa: “nossos filhos têm que crescer aqui, é o futuro, aqui é lugar sagrado, esse valor deve ser considerado, respeitado e cada vez mais fortalecido”. E olhando firme para todos os juruá (não indígenas), diz que quem pisa aquela terra é porque está conectado com a retomada.
Pensamentos&sentimentos pós-aldeia Mbyá
Luiz Christiano Engers Aires, juiz estadual: “Vivemos no dia 20 de maio uma experiência única e enriquecedora visitando a área de ocupação tradicional em Maquiné retomada pelos Mbyá Guarani – em cujo território estava sobreposto o centro de pesquisa da Fepagro Litoral Norte – em face de tratar-se de terras ancestrais da etnia, constituindo espaço vital para sua sobrevivência física, espiritual e cultural. A AJD, desde sempre, tem buscado trabalhar para o fortalecimento do processo de autonomia desses povos na construção de um projeto alternativo, pluri-étnico, popular e democrático, coerente com o estabelecido na Constituição da República e em documentos internacionais subscritos pelo Brasil. Portanto, nossa visita nesse momento de resistência estabelecido a partir da retomada buscar dar visibilidade à luta das populações originárias pela terra que lhes foi usurpada, reconhecendo-a como demonstração da sua paixão desesperada para estar no mundo, para fazer valer seus direitos, seu modo de vida e sua cultura.”
Ana Inês Algorta Latorre, juíza federal: “Conhecer a retomada foi uma experiência muito tocante que nos permitiu perceber ao vivo a alegria dos Mbyá Guarani por poderem viver nesse território segundo sua cultura e cosmovisão. Também nos trouxe vários questionamentos sobre nosso modo de vida e nossa relação com a Terra, com a natureza e uns com os outros”.
Gabriela Lacerda, juíza do trabalho: “A gente percebe que tem algo errado na nossa educação formal quando aprende em uma tarde mais do que em toda uma vida sobre o povo Guarani”.
Cris Martins, advogada: “Conhecer a aldeia guarani em Maquiné me fez perceber que mais do uma retomada, aquele espaço é a nossa casa. É preciso protegê-la”.
Participação transformadora
Criada em 1991 na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, a Associação dos Juízes para a Democracia tem como ideal “reunir institucionalmente magistrados comprometidos com o resgate da cidadania do juiz, por meio de uma participação transformadora na sociedade, num sentido promocional dos direitos fundamentais”, como está expresso em seu site.
Após um período de desarticulação no Rio Grande do Sul, a AJD está se reorganizando neste ano com uma agenda para enfrentar a realidade da criminalização dos movimentos sociais. Por isso, busca a aproximação dos juízes e operadores do Direito com os movimentos sociais sobre os quais muitos deles têm que tomar decisões no seu cotidiano de trabalho.
A primeira atividade foi em março com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST): uma visita ao acampamento e um assentamento, ambos em Charqueadas, e em outro assentamento em Eldorado do Sul. Em maio promoveu um seminário sobre a relação dos movimentos sociais e a democracia, em conjunto com o coletivo “Qual a cidade que queremos”, com debates com João Pedro Stédile e Guilherme Boulos.
*Especial para o JÁDiretas Já!
Até ontem Temer se gabava de ter colocado o país nos trilhos. A máscara caiu. As instituições que sustentam a República faliram. O estado brasileiro não pode continuar sendo gerido como um balcão de negócios para locupletar a iniciativa privada. Empresários: deixem de se comportar como aves de rapina, comprando votos para aprovar medidas que facilitem a sonegação, o perdão de dívidas e vantagens espúrias. Parem de financiar campanhas políticas para depois cobrar a fatura através de orçamentos superfaturados e licitações arranjadas.
As elites brasileiras estão acostumadas a resolver crises políticas em gabinetes. Desta vez, não sairemos do fundo do poço sem uma repactuação que inclua os trabalhadores. Convençam-se de uma vez por todas: não construiremos um país moderno com as portas do Congresso Nacional sitiado por baionetas. Boa parte dos parlamentares não possui autoridade moral para encaminhar a solução desta crise. A melhor forma de honrar a Constituição é devolver a soberania ao povo brasileiro. Por isso, defendemos eleições diretas já.
A repactuação precisa ser sedimentada em torno de algumas diretrizes. A primeira delas é o aprofundamento da democracia. Nenhuma decisão de grande importância pode ser tomada sem o povo. Precisamos utilizar os instrumentos da participação direta, como referendos e plebiscitos. Só assim recuperaremos o sentido da política.
Devemos cerrar fileiras em torno da retomada do crescimento econômico com geração de empregos. Os 14 milhões de desempregados não podem esperar até 2018. A Petrobras é o nosso principal motor do desenvolvimento. Não podemos aceitar que seja saqueada pelo capital estrangeiro.
É um despropósito enfrentar uma quarta revolução industrial, intensiva em tecnologia e conhecimento, congelando por 20 anos os investimentos em educação. A sangria do orçamento federal para pagar juros da dívida pública precisa ser estancada. As reformas da Previdência e Trabalhista do moribundo Temer estão na contramão e devem ser abandonadas.
A crise, que se aprofunda a cada dia, não nos imobilizará. Ao contrário, é uma oportunidade para afirmar a democracia e reacender a esperança.
Claudir Nespolo
Presidente da CUT-RSPorto Alegre volta a ter um consulado americano em junho
Novo posto irá oferecer serviços a cidadãos americanos a partir de 5 de junho
e de vistos de não imigrante a partir de 8 de junho
O consulado dos Estados Unidos em Porto Alegre abre as portas no início de junho, Av. Assis Brasil, 1889 – Passo d’Areia.
Irá oferecer serviços a cidadãos americanos a partir de 5 de junho e vistos para não imigrantes a partir de 8 de junho.
Agendamentos para entrevistas de visto no novo consulado estarão disponíveis no site da Missão Diplomática dos EUA a partir de 23 de maio: http://ais.usvisa-info.com/pt-br/niv ou http://br.usembassy.gov/pt/vistos/.
A presença americana em Porto Alegre visa intensificar o relacionamento com os brasileiros no sul do país, como parte dos esforços da missão diplomática dos Estados Unidos da América de incrementar comércio e investimento bilateral, fortalecer relações entre os dois países, facilitar viagens, fomentar intercâmbio educacional e cultural e promover desenvolvimento econômico.
Uma cerimônia oficial de abertura do consulado será realizada no final de junho. Informações para veículos de imprensa interessados em fazer a cobertura do evento serão divulgadas em breve.
Para mais informações, entrar em contato com a Assessoria de Imprensa do Consulado dos EUA em Porto Alegre pelo e-mail PortoAlegreImprensa@state.gov ou pelo telefone (11) 3250-5494.
Com informações da Assessoria de Imprensa
Polícia desmantela grupo de extermínio no bairro Rubem Berta
Quatro pessoas foram presas na manhã desta segunda-feira (22) em operação da Polícia Civil no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre.
Os quatro integram um grupo de extermínio que cometeu pelo menos nove assassinatos este ano, sendo dois esquartejamentos e queima de corpos e uma decapitação. Outros seis procurados estão foragidos.
O grupo de extermínio atuava para a facção comandada por José Dalvani Nunes Rodrigues, o Minhoca, que cumpre pena no Mato Grosso do Sul.Ele seria o mandante da maioria das execuções.
Com mais de 20 prisões decretadas, Minhoca esteve fugido até o ano passado quando foi preso no Paraguai. Em março deste ano foi transferido para presídio federal no Mato Grosso do Sul.
A investigação, batizada Operação Safari, envolve mais de cem policiais civis. A delegada Luciana Smith, titular da 5ª Delegacia do Departamento de Homicídios e responsável pelo caso, que investiga 19 criminosos.
Oito inquéritos já foram concluídos. Nove suspeitos já estão presos.
Uma característica inquietante da investigação é que não há nenhuma testemunha. Cenas de esquartejamento foram postadas em redes sociais, mas, ninguém viu nada por medo de represália.
O ano passado encerrou-se com uma macabra estatística: foram 16 decapitações na região metropolitana de Porto Alegre. Este ano, já se registram nove casos, o último ocorrido na quarta-feira passada.


