Autor: da Redação

  • Europol: número de atingidos pelo ataque de hackers vai aumentar

    O diretor do Serviço Europeu de Polícia (Europol), Rob Wainwright, declarou neste domingo que o ciberataque em massa da última sexta-feira (12) já deixou 200 mil vítimas em “pelo menos 150 países” e advertiu que o número de atingidos continuará crescendo a partir de amanhã (15). As informações são da agência de notícias EFE.
    Em declarações à emissora britânica ITV, Wainwright advertiu que o vírus continuará se propagando “quando as pessoas voltarem ao trabalho e ligarem seus computadores a partir de segunda-feira”.
    O software malicioso que se propagou na sexta-feira bloqueou os computadores em numerosos centros de saúde no Reino Unido, bem como em empresas e órgãos públicos na Espanha, França, Alemanha e Rússia, entre outros países. “Fazemos cerca de 200 operações globais por ano contra o crime cibernético, mas nunca vimos nada como isto”, disse Wainwright.

     O responsável da Europol alertou que o setor de saúde está especialmente exposto a ataques similares, e recomendou que todas as organizações deem prioridade a medidas para proteger seus sistemas e atualizem as versões do software com o qual trabalham. “Advertimos já há algum tempo que o setor de saúde em muitos países é particularmente vulnerável e é responsável por processar uma grande quantidade de informação sensível”, detalhou o diretor da Europol.

    Este último ciberataque em grande escala “serve para enviar uma mensagem muito clara: todos os setores são vulneráveis e devem levar absolutamente a sério a necessidade de funcionar com sistemas atualizados e instalar todas as atualizações disponíveis”, disse Wainwright.
    O chefe da Europol citou os bancos como um setor de referência, que aprendeu a lidar com as ameaças cibernéticas. “Poucos bancos na Europa, se é que houve algum, foram afetados por este ataque, porque aprenderam a partir da dolorosa experiência de serem o alvo número 1 do cibercrime”, disse o funcionário britânico.
    O diretor do Serviço Europeu de Polícia indicou que os investigadores trabalham com a hipótese de que o ataque de sexta-feira foi cometido por criminosos, não por terroristas, e assegurou que os responsáveis receberam uma quantidade “notavelmente baixa” de pagamentos em conceito de recompensa para desbloquearem os computadores.
    As vítimas do ciberataque viram que suas máquinas ficaram bloqueados e que os hackers pediam um resgate em moeda digital, o ‘bitcoin’, para que pudessem recuperar seus arquivos.
    A ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, recomendou aos numerosos hospitais e centros de saúde afetados no Reino Unido que “não pagassem” o valor exigido pelos criminosos cibernéticos.
    (Da Agência Brasil)

  • Paim acumula o cargo de vice-prefeito com Articulação Política

    O Partido Progressista (PP) não indicou um novo nome para o lugar de Kevin Krieger, que deixou o governo Marchezan repentinamente há dez dias.
    O vice-prefeito, Gustavo Paim, do mesmo partido, vai acumular a Secretaria de Relações Institucionais e Articulação Política, a super-pasta que era ocupada por Krieger, que ainda respondia provisoriamente pelo Meio Ambiente, que continua sem titular desde o início da gestão.
    A notícia foi divulgada pela prefeitura no domingo. Em nota, informou que caberá a Paim “fazer a interlocução do governo com todas as entidades locais, regionais, nacionais e internacionais”, em especial com os vereadores.
    “O diálogo será a base de nossa atuação com a Câmara Municipal, com as entidades e com a sociedade civil organizada”, disse Paim, que toma posse nesta segunda-feira (15).
    Gustavo Paim é advogado, professor universitário, especialista em gestão pública, mestre e doutor em direito.

    Kevin Krieger (E) quando secretário, com o prefeito Marchezan e o vice, Gustavo Paim / Foto: Ricardo Giusti/PMPA

    Depois de ter sido líder do governo de José Fortunati (PDT) na Câmara, na última legislatura, Krieger foi o principal articulador da aliança do PP com o PSDB na campanha eleitoral.
    A saída de Kevin Krieger do secretariado, com pouco mais de 100 dias de governo, foi surpreendente. Versões explicativas se multiplicaram.

    Até comentários sobre uma cena de pugilato, no gabinete onde se deu o desfecho, chegaram às redes sociais. Correu o boato de que a briga foi gravada em vídeo por um guarda municipal, mas nada disso se confirma.
    A versão oficial, dada pelo ex-secretário, tampouco é convincente. Coordenador da campanha, homem forte do governo municipal, na secretaria de Relações Institucionais e Articulação Política, criada sob medida para ele, alegou “motivos pessoais” para sua
    decisão. Com um filho recém-nascido, queria ter mais tempo para a família.
    A assessoria de Krieger assegura que sua saída foi uma decisão pessoal do secretário, tomada antes mesmo do início do mandato, que a relação dele com Marchezan não foi afetada. Entretanto, nenhuma das partes fala sobre o assunto.
    Semanas antes, Krieger fizera chegar aos jornais seu descontentamento. Queixava-se de ter sido escanteado do governo, não sendo ouvido em questões cruciais da administração e na indicação de nomes para ocupar cargos. Ele trocou a prefeitura pelo futebol, passando a coordenar as categorias de base do Grêmio.
    Carlos Fett, do PP / PMPA

    Kevin foi o primeiro secretário a deixar o governo, mas não a primeira baixa. No final de março, Carlos Fett deixou o cargo de secretário adjunto de Administração. Fett ocupava cargo em comissão desde o governo José Fortunati. Em paralelo, era pró-reitor de assuntos institucionais do Grupo Educacional Facinepe, investigado pelo Ministério da Educação por suspeita de irregularidades em cursos de pós-graduação. Fett é tesoureiro do diretório do Partido Progressista.
    Luis Fernando Ferreira assumiu a presidência da Carris por 20 dias  / PMPA

    Em fevereiro, a baixa foi na Carris. Após 20 dias no cargo, o presidente nomeado por Marchezan pediu para sair. Luis Fernando Ferreira tinha o perfil para
    a vaga: empreendedor, selecionado através do banco de talentos e especializado em gestão de empresas em crise. Assumiu o posto com a missão de reverter os maus resultados e salvar a empresa da ameaça de privatização. Também saiu alegando motivos pessoais.

    No quinto mês de sua gestão, Marchezan ainda não tem seu secretariado completo. Três pastas estratégicas ainda não têm titular: articulação política, transparência e gestão e meio ambiente e sustentabilidade
  • Um conflito que vem de longe

    Matheus Chaparini
    Esse conflito não é de hoje, vem de longe. Fica evidente, desde o século XIX a relação difícil entre os vizinhos que querem dormir e os que fazem carnaval, ou ficam pelas tabernas bebendo e tocando violão. A intervenção do Estado, tentando fazer com que a festa acabe cedo, também não é novidade. A explicação é do historiador Marcus Vinicius de Freitas Rosa.
    Marcus é doutor em História pela Universidade de Campinas, estuda a história do racismo em Porto Alegre e também a trajetória do carnaval porto alegrense. Para ele, a história do bairro é pouco conhecida mesmo por seus moradores. Além disso, há maneiras contraditórias de se caracterizar este espaço, mas uma coisa lhe parece certa: “esse papo de que há 30 anos não havia boemia na Cidade Baixa não convence.”
    Alagadiça e ocupada por pobres

    Antes da canalização do Arroio Dilúvio, Riachinho passava nos fundos das casas da Rua da Margem, atual João Alfredo / Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo / Jacob Prudencio Herrmann (Atribuido)

    O bairro Cidade Baixa foi delimitado em 1959, pela lei 2022, que criou diversos bairros da capital. No século XIX, o termo Cidade Baixa tinha uma concepção mais ampla, abarcava vários territórios considerados fora da cidade, da Duque para baixo, incluindo a região da Ilhota – reconhecida por seus filhos ilustres, como Lupicínio Rodrigues e Tesourinha, Areal da Baronesa, o território conhecido como Emboscadas até o Arraial do Menino Deus. A Lima e Silva se chamava Rua da Olaria, a José do Patrocínio era a Concórdia e a João Alfredo, Rua da Margem, pois suas casas davam de fundos para o Riachinho.
    Tratava-se de uma região entrecortada por riachos e pequenos córregos, o que a tornava alagadiça e insalubre. Isso antes da canalização do Arroio Dilúvio, nas décadas de 1930 e 40, e da construção da avenida Ipiranga, época de grande expansão da cidade. Naquele tempo, antes dos aterros, o Guaíba tinha suas águas chegando até o Pão dos Pobres, na rua da República, então rua do Imperador.
    Desde esta época, conviviam naquela região grupos sociais muito distintos, como senhores de escravos e negros cativos e, após a abolição, negros libertos e imigrantes europeus. Na maioria, gente pobre.
    “Ali não era uma região residencial de classe média como é hoje”, afirma o historiador Pablo Silva. Pablo estuda a criação de vilas populares em Porto Alegre, a partir da década de 1940. Seu objeto de estudo é a Restinga, que considera “fruto da remoção de um quilombo urbano.” A criação deste que hoje é um dos maiores bairros de Porto Alegre remonta à expulsão das famílias que ocupavam a Ilhota.
    Uma cena Veneziana, na Rua da Margem, as pequenas embarcações / Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo / Lunara *

    O historiador atribui a essência da Cidade Baixa como bairro boêmio à ocupação do espaço público pelas comunidades negras, principalmente a Ilhota, e a elementos culturais negros como a capoeira, o candomblé e o samba, que constituíam espaços de socialização. “Os negros sempre tiveram um cacoete maior de ocupação de espaço públicos para suas atividades culturais, diferente de uma ideia mais recatada da burguesia, de salões fechados.”
    Além disso, Pablo cita que a região era local de afluência boêmia também em função de ser zona de meretrício. Ainda hoje, há pelo menos cinco prostíbulos no bairro, uma das regiões com maior concentração deste tipo de estabelecimento em Porto Alegre.
    Entre as décadas de 1940 e 1970, momento de expansão da cidade, ocorreu a remoção forçada dos casebres da Ilhota. Para Pablo Silva, há um elemento racial por trás deste projeto. “Parece que havia um incômodo em a cultura negra estar tão próxima ao Centro e ao Menino Deus. Era uma disparidade social grande.”
    Para Pablo, o movimento que acontece hoje na Cidade Baixa é, conscientemente ou não, uma retomada do espaço público pela população de baixa renda.
    “O Pessoal da periferia não tem acesso a bens culturais como a classe média e os ricos e está sempre sendo cerceado. O carnaval foi para o Porto Seco, os bares do Centro estão sempre sendo fechados”, afirma Pablo.
    O direito de fazer festa na rua
    Marcus Vinicius cita a presença de diversos clubes negros desde o final do século XIX, como o Floresta Aurora, o Satélite e o Prontidão, além dos blocos de carnaval. “Estes clubes lutaram pela abolição, quando conquistaram, passaram a lutar por outros direitos. Inclusive o direito de fazer festa”, afirma o historiador.
    Além de estudar a história da região, Marcus Vinicius de Freitas Rosa foi morador da Cidade Baixa durante dez anos e frequentador da boemia do bairro. Para ele, o conflito atual decorre da presença de pessoas que não frequentavam o espaço até alguns anos atrás.
    Ele traça um paralelo com a grande presença de universitários no bairro e a diversificação do público universitário desde a implementação das cotas nas universidade. “São espaços que até ontem eram frequentados por universitários brancos, agora também são por universitários com origem na periferia, que trazem seus amigos. Se vê que são diferentes, bebem outras bebidas, escutam outras músicas. É uma indignação seletiva.”
     

    * Na edição de maio do impresso Já Porto Alegre esta foto foi publicada sem os devidos créditos, que já foram corrigidos nesta publicação.
  • Na noite selvagem da Cidade Baixa

    Matheus Chaparini
    São seis e pouco de um sábado qualquer. Anoitece em Porto Alegre. Na João Alfredo, as casas noturnas começam o expediente interno para abrir as portas em algumas horas. Alguns moradores ainda circulam pelas ruas do bairro, com o mate debaixo do braço e piazada na volta. Até aqui, o ambiente é calmo e quase silencioso. Mas todos sabem: hoje tem.
    A chave do bairro misto começa a virar.
    Na república, mesas na calçada. Na Lima e Silva se bebe sentado, cedo e geralmente dentro dos bares. Na Patrocínio, o agito se concentra mais no entorno do Opinião, nas esquinas da Lopo Gonçalves e da Joaquim Nabuco. Por ali, se consegue um litro de cerveja popular nacional – vulgo litrão, vulgo Danone – a partir de oito pila. Quatro, se tu tiver parceria para dividir. E serve uma galera.
    Os moradores mais conservadores, consideram que a Cidade Baixa é um bairro residencial e não querem nem saber de bares, casas noturnas, gente bebendo e falando pelas calçadas. Outro grupo, compreende que o bairro é misto, residencial e comercial, diurno e noturno, e preferem o diálogo com os donos de bar para buscar um convívio harmonioso. Mas os dois grupos e os donos de bar têm um consenso: o maior transtorno é causado pela muvuca de rua. Pelo pessoal que compra cerveja barata em pequenos estabelecimentos, ou trazem seu próprio trago e bebem pelas calçadas.

    A João Alfredo ferve, as calçadas não dão conta do público, que se espalha pela rua / Ricardo Stricher

    Em um debate recente, um comerciante descreveu o comportamento dos boêmios de calçada da CB: “parecem uns selvagens”. A descrição do elemento: jovens, um kit de vodka com energético, saquinho de gelo derretendo na calçada, baseadinho na roda e, quando possível, um carro de porta-malas aberto tocando funk.
    Só que este movimento é muito mil grau e bomba todo final de semana, fecha a João Alfredo e enche ainda outras calçadas do bairro. Para melhor compreensão, a reportagem achou por bem fazer uma incursão à noite dos selvagens.  Quem são? De onde vêm? Do que se alimentam? O que os traz à Cidade Baixa?
    23h Vai embrazando
    O Margot já tem fila. O silencio também.  Mas a festa ainda tá começando.
    1h30 Hoje é dia de maldade
    A Joao Alfredo ferve. As calçadas não dão conta do público, que se espalha pela rua. No ponto de maior concentração, próximo ao cruzamento com a Luis Afonso, só passa um carro por vez. Onde tem um bar ou ambulantes vendendo bebida, tem gente em volta. Onde não há comércio, muda a bebida. É o kit.
    2h Não olha pro lado quem tá passando é o bonde
    Pontualmente às 2h, passa o comboio da SMIC e da Guarda Municipal / Matheus Chaparini

    Uma Kombi da Smic passa para conferir a situação. O fiscais espicham os olhos pras portas dos bares, pelos vidros fechados do veículo. Quatro viaturas da Guarda Municipal vêm atrás, dando escolta. O horário estourou, restam trinta minutos de acréscimo para que os estabelecimentos fechem. Pras bandas da José do Patrocínio, a muvuca já diminui.
    Às 2h30 encerra oficialmente o horário de funcionamento dos bares e muitos deles fecham as portas. Na rua, o movimento é igual ou maior do que há uma hora. E nada indica que vá diminuir em breve.
    2h44 Namorar pra quê?
    O repórter ziguezagueia dentre a boemia. Próximo a um carro bombando funk cercado de gente, um rapaz de vinte e pouco anos me aborda. Do nada. O meu! Deixa eu te mostrar o presente que eu ganhei.  Uma jaqueta bonita, de marca, que ele vestia. Abraçada nele, uma loira baixinha reivindica a autoria: fui eu que dei o presente, não sou a melhor namorada do mundo? Melhor ex-namorada, corrige ele.
    Mas aí já é assunto por demais complexo para ser abordado nesta reportagem. O rapaz se chama Christian, mora no IAPI e frequenta a João Alfredo há dois meses, desde que se separou da moça loira que lhe deu a jaqueta e que comemorava com ele o aniversário.
    Christian diz que prefere beber na rua com a gurizada a entrar em casas noturnas. Além disso, tem o preço do ingresso: “é uma facada.”
    2h52 Se tu for polícia já era
    “Aqui reúne toda galera do pixo”/ Matheus Chaparini

    Na parede, ele assina Panga. E prefere se identificar assim na reportagem. Mora no Iapi e frequenta a João Alfredo “porque aqui reúne toda a galera do pixo.” Conversa tranquilamente com a reportagem, mas no final indaga: tu não é polícia, né¿ Não, sou repórter. Bom, se tu for polícia já era, já falei mesmo, diz Panga, dando de ombros, já embalado por dois litros de vinho. Combinou com de encontrar um amigo, mas levou cambão e teve de beber sozinho o que serviria para dois.
    Na esquina da Luis afonso, o odor urínico é fragrante.
    Mais adiante, dois jovens picham a fachada de um bar com um canetão. Emanueu é um deles. Na parede, ele é o Anormal. Mora da Vila Farrapos, frequenta bares da Zona Norte, mas também cola na João Alfredo há pelo menos cinco anos, “porque aqui se reúnem todas etnias, é todo mundo junto.” A maioria pixa com caneta, “mas o spray tá sempre junto.” Nesse grupo, o drink é a cachaça com suco tang. “E água, em pequenas doses.”
    3h14 Oh, novinha eu quero te ver contente
    Iaiá é frequentadora desde 2013. O rolê era o seguinte: aquecimento na João, depois José do Patrocínio, esquina do Opinião, o segundo tempo. Uma sequencia de reclamações de moradores e abordagens policiais acabou com a migração. “Como já tem aglomeração com as filas dos bares, fica tudo misturado.” Aos dezenove, faz cursinho pré-vestibular. Antes disso, trabalhava como telefonista, atendendo emergências da SAMU em turnos de 12h.
    Com a verba curta para entrar nas casas noturnas, a opção de lazer é beber kit na calçada.
    A grana é o principal motivo pelo qual prefere fazer sua festa na rua. Dentro dos bares, ela diz, a bebida é muito cara. Além do que, “o rolê da rua é bem melhor.” Iaiá conta que já encerrou os trabalhos às 5h com a rua ainda cheia e, em outra ocasião, às 7h, ainda com os últimos inimigos do fim tomando a saideiria.
    Aqui o drink é o clássico kit. Com a chegada do frio, o vinho também ganha espaço.
    Comento que há várias reclamações de moradores à prefeitura e à Brigada. “Quando tu escolhe onde morar tu já sabe se vai ter barulho. Eu moro na Santana justamente por isso: sossego.”
    3h48 Aumenta o volume que é rap do bom
    Zandrio, rap nos palcos e nas calçadas / Matheus Chaparini

    Zandrio aparentava desânimo. Tinha show marcado com seu grupo de rap, Pilaghetto, em uma casa noturna da Cidade Baixa. A apresentação foi cancelada de última hora por problemas técnicos da casa. Restou a calçada como palco. Yago Zandrio é rapper. Se divide entre apresentações fechadas e rimas na rua. Gosta de freestyle e frequenta batalhas de rima. Ele conta que por ali se reúnem vários rappers e, mesmo sem um evento formal, os MCs se encontram e duelam.
    “São raros os eventos de rap na Cidade Baixa. E quando tem, são produtores que trazem grandes nomes de fora e não dão espaço aos artistas locais”, critica Zandrio.
    5h30 No cordão da saideira
    Daqui a uma hora é manhã de domingo. Ultima incursão da reportagem pelas ruas do bairro boêmio. Na Patrocínio, quase nada. Na esquina da Lima e Silva com a República, ainda tem lugar aberto para comer um xis ou tomar a saideira depois da boate. Há alguns grupos de moradores de rua acordados. A noite está fria, congela a cara, encaranga as mãos. Inviável dormir sem um teto e paredes.
    Na João Alfredo, a festa segue. Um carro toca música eletrônica em alto volume, um rapper improvisa versos e vários grupos persistem. Mais de cem pessoas, tranquilamente. A noite só acaba quando termina. Mas esta reportagem acaba aqui.
    Na hora em que fecham os bares, a festa da rua segue forte / Ricardo Stricher

  • Boemia X Sossego: rotinas em conflito na Cidade Baixa

    Matheus Chaparini
    É sexta-feira na Cidade Baixa, o Guilherme chegou cedo para trabalhar, é dia de movimento no bar. É sexta-feira na Cidade Baixa, a Roberta chegou cansada da semana de trabalho, quer sossegar. É sexta-feira na Cidade Baixa, a Iaiá trabalhou doze horas atendendo telefone, quer dar um rolê com a gurizada e tomar um drink.
    A Cidade Baixa lida com o conflito constante de ser um bairro diurno e noturno, residencial e boêmio. É uma relação histórica daquele pedaço de Porto Alegre.  De tempos em tempos, esta relação beira o insustentável e gera transtornos para todas as partes.
    Desde março, a Prefeitura de Porto Alegre lançou mais uma edição da Operação Sossego, movida pelas reclamações constantes de moradores do bairro. Durante o mês de abril, a operação fechou nove bares na Cidade Baixa, seis deles na rua João Alfredo.
    O foco é a João Alfredo, rua que vem atraindo mais gente e novos bares de dois ou três anos para cá.  Três estabelecimentos eram os principais alvos das reclamações dos moradores: o mini mercado Vertente, a loja de conveniências Tamanduá e a Toca, uma janela através da qual se adquiria três latões ao incrível preço de 10 reais. Em comum: a cerveja barata para ser consumida na calçada. Os três permaneciam fechados até o fechamento desta reportagem.
    As principais reclamações dos moradores são relativas ao barulho até tarde da madrugada, cheiro de urina nas calçadas e à dificuldade de circulação pela quantidade de gente.
    A operação não é exatamente uma novidade. Em 2011, por exemplo, outra edição da Sossego fechou 23 bares, devastando a noite da Cidade Baixa e “higienizando” a região. Processos como este também não são de hoje. Na virada dos 80 pros 90, o Bom Fim passou por um processo semelhante.
    Os diretor do Departamento de Indústria e Comércio, Fernando Coronel, afirma que não é intenção da atual gestão municipal tirar a boemia dali e levar para outra região. Ele conta que participou de reuniões com moradores e comerciantes e que o objetivo é harmonizar.
    “Sabemos que tem um polo empreendedor, tem gente trabalhando, gerando emprego e tem a parte das pessoas que querem sossego. Com conversa e planejamento é possível conviver em harmonia”, afirmou.
    Regularização é quase impossível

    Guilherme Carlin, do Espaço Cultural 512: “É impossível abrir uma casa noturna sem estar irregular.”

    O espaço cultural 512 foi uma das casas que recebeu a visita da fiscalização. No dia 25 de março, o estabelecimento foi notificado por funcionar em desacordo com o alvará. O 512 possui alvará de bar e restaurante, como a maioria das casas noturnas do bairro.
    No dia 4 de abril, a casa foi interditada. Porém, o auto de infração possuía uma informação incorreta, o que acabou embasando a defesa do comerciante. O auto foi feito à 1h57. De fato, àquela hora o 512 não poderia estar tocando música. Porém, o decreto 17902 de agosto de 2012 permite que os bares da Cidade Baixa funcionem até as 2h às sextas, sábados e vésperas de feriado e até a 1h nos demais dias. Para Guilherme, o desafio agora é criar no público o hábito de chegar mais cedo.
    A principal reclamação de Guilherme e do vários outros comerciantes é a morosidade para se regularizar. Desde 2015, ele espera por uma visita do Corpo de Bombeiros para dar andamento ao PPCI (Plano de Prevenção e proteção contra Incêndio) e, consequentemente, ao alvará de casa noturna. “É impossível abrir uma casa noturna sem estar irregular. A fila é de mais de dois anos, enquanto isso o aluguel está correndo”, explica, justificando a opção dos comerciantes por uma solução provisória de funcionamento.
    Bairro misto, mas não lixeira
    Roberta Rosito Correa, da Associação dos Amigos da Cidade Baixa: o problema é a boemia de calçada.

    Roberta Rosito Correa mora há doze anos na frente do bar Opinião, na rua José do Patrocínio. Ela diz que seu problema maior não é com a casa, que recebe grande espetáculo à noite, mas com a boemia de calçada. “Eu gosto de morar aqui. Eu só me irrito com o xixi e o vômito todos os dias na minha porta”, afirma.
    Roberta representa a Associação dos Amigos das Cidade Baixa, um dos pelo menos quatro grupos que representam os moradores do bairro. Ela defende o diálogo entre moradores e proprietários de bar. “70% são moradores do bairro. É possível buscar um entendimento”
    Para Roberta, o público da rua promove uma degradação do bairro. A noite acaba e fica o lixo, a pichação, o cheiro de mijo. “A gente sabe que mora num bairro misto, só não queremos que ele seja a lixeira da cidade. Se as pessoas ficassem dentro dos bares e os bares tivessem isolamento acústico e respeitassem os horários, daria para conviver em harmonia.”
    Roberta reconhece que é uma situação complexa, pois não há como impedir que as pessoas fiquem na via pública, mas pondera: “Droga rolando na calçada, bebida vendida para menores, carro com som alto, para tudo isso tem legislação.”
    A rua como única opção de lazer noturno
    Iaiá Moraes, frequentadora da João Alfredo: “Quando a pessoa escolhe morar na Cidade Baixa, sabe que tem barulho.”

    Para muitos jovens, sobretudo os de menor poder aquisitivo, a opção disponível para o lazer noturno é beber cerveja barata com os amigos na calçada. Ou, ao invés da bebida à base de cevada e outro cereais não maltados, o tradicional kit: uma garrafa de vodka, outra de energético, gelo a gosto.
    Iaiá Moraes é uma destas jovens. Frequenta a Cidade Baixa há pelo menos quatro anos. Diz que prefere beber na calçada em função do preço das bebidas nas casas noturnas.
    Para ela, a razão que faz da João Alfredo o ponto de concentração é a lógica de que todo mundo quer ir aonde está o movimento, ou seja, quanto mais gente, mais gente. Há alguns meses, Iaiá e seus amigos costumavam abrir os trabalhos no João Alfredo e depois migrar para a esquina do Opinião. Depois de diversas reclamações de moradores e abordagens da polícia, preferem ficar a noite toda na João. “Aqui já tem as filas das casas noturnas na calçada, então mistura tudo.”
    A jovem reconhece o transtorno causado pela agitação noturna, mas considera que não é novidade para os moradores. “Quando a pessoa escolhe morar na Cidade Baixa, sabe que tem barulho. Eu moro na Santana por isso: sossego.”
    Amanhece, cantam os canários
    Luis Felippe, morador e comerciante: “É uma mocidade muito mal educada.”

    Amanhece na João Alfredo e o que se ouve é o ruído dos carros e o canto de oito canários belgas da Ferragem Felippe.  Seu Felippe é das antigas. Conhece a Cidade Baixa desde que conhece o mundo. Nasceu na região da Ilhota, onde hoje fica o Ginásio Tesourinha, no final da década de 1920.
    Há 49 anos mantém a ferragem na antiga Rua da Margem. A lembrança que traz daquele tempo é de uma região residencial, de classe média baixa, quase sem prédios, só casas, uma farmácia, uma lojinha e um armazém. E o bonde Menino Deus, que passava por ali.
    Felippe estima que a atividade noturna tenha intensificado na João Alfredo nos últimos dez anos. Abre a ferragem às 7h15, fecha às 18h. Da noite, vê apenas os resquícios. “Me mijam na porta todos os dias. É uma mocidade muito mal educada”, critica.

  • Dia "D" na mobilização contra a gripe ocorre neste sábado

    Ocorre neste sábado dia 13, o   o Dia D de Mobilização Nacional de Vacinação contra Influenza (gripe).
    O objetivo é  atender as pessoas que integram os grupos prioritários da imunização (crianças entre 6 meses e menos de cinco anos), trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas, indígenas, idosos e pessoas com comorbidades) que têm dificuldades em acessar os serviços de saúde durante a semana.
    Para isso todas as unidades de saúde da Capital estarão abertas, das 8h às 17h,
    O número de pessoas imunizadas contra a gripe em Porto Alegre é de 283.211, de acordo com os registros feitos no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (Sipni) efetivados até esta sexta-feira, 12. Dos grupos prioritários, são 273.537, ou 47,11% da meta prevista para esses grupos (confira os números por grupos no quadro abaixo).
    A Secretaria Municipal de Saúde alerta para a importância de as pessoas que compõem os grupos prioritários serem vacinadas com a maior brevidade possível, já que a vacina demora alguns dias para fazer efeito e as temperaturas mais baixas devem ser registradas a partir deste mês.
    Na Capital, foram registrados dois óbitos por influenza em 2017. A campanha de vacinação prossegue até 26 de maio em 141 unidades de saúde da rede municipal. Clique aqui e confira a lista.
    De acordo com a estimativa do Ministério da Saúde (MS), cerca de 610 mil doses da vacina devem ser aplicadas em Porto Alegre.
    Documentação – Para fazer a vacina em crianças entre seis meses e menores de cinco anos, pais ou responsáveis devem apresentar a carteira de vacinação. Pessoas com comorbidades devem ter em mãos atestado médico ou receita de medicamento de uso contínuo que comprove a doença. Já os profissionais de saúde e professores precisam apresentar carteira de trabalho ou contracheque com descrição do local de trabalho. Idosos e demais grupos devem levar o Cartão SUS ou documento de identidade. No caso de gestantes que não são acompanhadas no SUS, levar atestado médico com a solicitação.
    * Com informações da Secretaria Municipal da Saúde
  • Ciberataque atinge 74 países: Petrobras, INSS e ministérios desligam sistemas

    Um ciberataque, de dimensões continentais e ainda em andamento, está afetando empresas em mais de 70 países, inclusive no Brasil.
    Itamarati, Petrobras, Ministério do Trabalho, IPEA, INSS entre outros órgãos públicos informaram há pouco que desligaram seus sistemas por precaução.
    Segundo a Avast, empresa de segurança, foram detectados 57 mil ataques de hackers. Eles sequestram dados e pedem resgate em bitcoins, a moeda virtual.
    Segundo a empresa de segurança PSafe, o vírus só afeta o Windows desktop e não circula pela versão mobile. Os sistemas afetados são Windows 7, 8.1, RT 8.1, 10, Vista SP2, Server 2008 SP2 e R2 SP1, Server 2012 e R2 e Server 2016.
    Veja detalhes aqui:
    http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/05/12/ciberataque-gigante-afeta-sistema-de-saude-e-empresas-da-europa-e-asia.htm

  • Importadores de cinco países fazem compras na feira do arroz em Pelotas

    A passagem de seis importadores de arroz pelo Brasil a convite projeto Brazilian Rice deve gerar US$ 13,4 milhões em negócios para o país para os próximos 12 meses.
    O grupo participou de visitas técnicas a indústrias nacionais de arroz e mais de cem reuniões de negócio com 19 exportadores brasileiros de arroz em meio às atividades da Expoarroz, em Pelotas (RS), que se encerrou nesta quinta-feira (11).
    O Brazilian Rice é uma iniciativa da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para o incentivo às vendas deste ceral no mercado internacional.
    Oriundos de Gâmbia, Estados Unidos (dois), Bolívia, Bélgica e México, os importadores tiveram por característica a compra de arroz beneficiado em contêiner e potencial de multiplicação da aquisição para diversos países.
    É o caso de Juan Carlos Rivas, importador da Nexus America, dos Estados Unidos, empresa que comercializa arroz para mais de 20 nações, especialmente na América do Sul e Caribe, e atualmente não importa o cereal do Brasil.
    “Vemos interessantes oportunidades a partir desta visita; os exportadores daqui têm amplo conhecimento deste negócio, com um produto de qualidade superior ”, destacou.
    Para quem teve a oportunidade de mostrar seu produto aos compradores estrangeiros, foram destacados o potencial e o perfil acertados dos convidados. “
    São empresas muito focadas, com características muito de acordo com o que a indústria brasileira de arroz pode oferecer”, destacou Bruno Barbaresco, gestor de Comércio Exterior da Guacira Alimentos. Segundo ele, as rodadas se encerram com perspectivas imediatas de concretização de negócios.
    Além da plataforma comercial em formato de rodadas, o projeto Comprador possibilitou aos importadores conhecer in loco o trabalho da indústria brasileira do arroz por meio das visitas técnicas, confirmando a boa reputação que o cereal já tem no mercado internacional, como explica o gerente do projeto Brazilian Rice, Gustavo Ludwig.
    “Um dos diferenciais deste projeto é justamente mostrar em detalhes a qualidade do trabalho das empresas no Brasil. Trata-se de uma ação que tem reflexos perenes em todo o mercado”, destacou. (com informações da assessoria)

  • Auditores fiscais lançam campanha sobre a reforma da Previdência

    Os auditores fiscais da Receita Federal lançaram uma campanha de esclarecimento sobre a reforma da Previdência Social. Num vídeo de menos de dois minutos, na página www.somosauditores.com.br, afirmam que a Previdência Social brasileira é superavitária.
    Usando dados do governo federal, demonstram que, em 2015, por exemplo, foram arrecadados 700 bilhões de reais para a Previdência e apenas 688 bilhões de reais foram gastos. O rombo, portanto, não existe. Deve-se a desvinculações promovidas por decreto do governo que, em 2015, tiraram 66 bilhões de reais que deveriam ir para a Previdência,  Saúde e Assistência Social, e foram destinados a outras áreas.
    Clique para ver o  video.
    Mais detalhes no endereço www.somosauditores.com.br