Autor: da Redação

  • Tanto denunciar, tanto delatar

    Luiz Recena
    Jornalista
    Tanto denunciar, tanto delatar
    Tanto aceitar, tanto mar, tanto mar
    Um fantasma português ronda o Supremo Tribunal Federal: é o fantasma de Gil Vicente, o criador do teatro lusitano e autor, entre outras obras primas, do auto Todo Mundo e Ninguém.
    Os inquilinos atuais das togas superiores, que parecem às vezes brincar de reunião de condomínio, ou não leram ou faltaram à reunião que discutiu a importância do teatro português na formação da nossa cultura, tema sempre presente nos seminários que o instituto do superior togado Gilmar Mendes costuma realizar, com patrocínios, em terras dantes visitadas pela elite nacional, desde os tempos do imenso Portugal.
    O auto foi levado à cena por vez primeira por ocasião do nascimento do príncipe, filho de dom João III, em 1532. Gil tinha para permissão matar, digo, permissão real para alguma crítica. E não a deixou passar. Todo Mundo é um rico mercador, primeiro a entrar em cena, procurando oportunidades e fortuna. Ninguém é um pobre a fazer perguntas e pensar na vida. Belzebu e o auxiliar Dinato espiam e comentam.
    Ninguém: Que andas tu aí buscando?
    Todo o mundo: Mil cousas ando a buscar :
    delas não posso achar,
    porém ando porfiano /por quão bom é porfiar.
    Ninguém: Como hás nome, cavalheiro?
    Todo o Mundo: Eu hei nome Todo Mundo
    e meu tempo todo inteiro
    sempre é buscar dinheiro
    e sempre nisto me fundo
    Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
    e busco a consciência
    Belzebu: Esta é boa experiência:
    Dinato, escreve isto bem.
    Dinato: Que escreverei , companheiro?
    Belzebu: Que ninguém busca consciência,
    e todo mundo dinheiro.
    Ninguém: E agora que buscas lá?
    Todo o mundo: Busco honra muito grande.
    Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
    que tope com ela já.
    Belzebu: Outra adição  nos acude:
    escreve logo aí, a fundo
    que busca honra todo mundo
    e ninguém busca virtude.
    Ninguém: Buscas outro mor bem qu’esse?
    Todo o mundo: Busco mais que me louvasse
    tudo quanto eu fizesse.
    Ninguém: E eu quem me repreendesse
    em cada cousa que errasse.
    Belzebu: Escreve mais.
    Dinato: Que tens sabido?
    Belzebu: Que quer em extremo grado
    todo o mundo ser louvado,
    e ninguém ser repreendido.
    Ninguém: Buscas mais, amigo meu ?
    Todo o mundo: busco a vida a quem ma dê.
    Ninguém: A vida não sei o que é,
    a morte conheço eu.
    Belzebu: Escreve lá outra sorte.
    Dinato: Que sorte?
    Belzebu: Muito garrida:
    Todo o Mundo busca a vida
    e ninguém conhece a morte.
    Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
    sem mo ninguém estorvar.
    Ninguém: E eu ponho-me a pagar
    quanto devo para isso.
    Belzebu: Escreve com muito aviso.
    Dinato: Que escreverei ?
    Belzebu: Escreve
    que todo o mundo quer o paraiso
    e ninguém paga o que deve.
    Todo o Mundo: Folgo muito d’enganar,
    e mentir nasceu comigo.
    Ninguém: Eu sempre verdade digo
    sem nunca me desviar
    Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
    não não sejas tu preguiçoso.
    Dinato: Quê?
    Belzebu: Que todo o mundo é mentiroso,
    E ninguém diz a verdade.
    Ninguém: Que mais buscas?
    Todo Mundo: Lisonjear.
    Ninguém: Eu sou todo desengano.
    Belzebu: Escreve, ande lá mano.
    Dinato : Que me mandas assentar?
    Belzebu: Põe aí mui declarado,
    Não te fique no tinteiro:
    Todo o mundo é lisonjeiro,
    e ninguém desenganado.
    STF e o togado Fachin completam:
    Todo Mundo é culpado/ Ninguém deve ser maltratado.
     
  • Abril Vermelho no RS começa com duas ocupações do MST

    Cerca de 2 mil trabalhadores rurais acampados e assentados da Reforma Agrária ocupam desde as 5h45 desta segunda-feira (17) os pátios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério da Fazenda em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. As duas ocupações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, também conhecida como Abril Vermelho, período em que o MST realiza diversas mobilizações em todo o país para reivindicar, principalmente, a democratização do acesso à terra.
    Os assentados e acampados protestam contra a Medida Provisória 759 – do governo Temer –, que altera a legislação fundiária e os procedimentos para a efetivação da Reforma Agrária no Brasil.
    Segundo os Sem Terra, na prática a MP 759 resulta na privatização dos lotes e na paralisia da Reforma Agrária, uma vez que trata da titulação dos assentamentos e da municipalização do processo de desconcentração fundiária, atribuindo aos municípios a função de vistoria e desapropriação de terra. Para o MST, a medida inviabiliza a Reforma Agrária, uma vez que são os próprios latifundiários que geralmente compõem os poderes institucionais locais.
    mst min fazenda poaAs mobilizações também são pela destinação de mais recursos para a assistência técnica, que é considerada fundamental para estimular a produção de alimentos, especialmente sem o uso de agrotóxicos, nas áreas da Reforma Agrária.
    Os assentados também reivindicam infraestrutura, com mais projetos para a construção de moradias, abertura de estradas para escoamento da produção e circulação do transporte escolar, e implantação de redes de água. Eles ainda exigem a liberação de créditos iniciais para que as famílias tenham condições de fortalecer a produção de alimentos saudáveis nos assentamentos, além de protestarem contra as reformas previdenciária e trabalhista.
    “O Incra foi criado para efetivar a Reforma Agrária no país, mas não tem feito praticamente nada por isto. O governo não libera recursos, não faz vistorias das áreas, não pensa a assistência técnica como fundamental para impulsionar a produção de alimentos e o desenvolvimento dos assentamentos e municípios. Infelizmente está tudo paralisado. Queremos que o Incra cumpra seu papel e priorize a Reforma Agrária em sua totalidade”, declara Sílvia Reis Marques, da direção nacional do MST.
    Retomada da Reforma Agrária
    Os Sem Terra também denunciam, através das ocupações, a paralisia da Reforma Agrária. Atualmente no Brasil há mais de 120 mil famílias acampadas. No RS, há cerca de dois anos não ocorre criação de novos assentamentos e mais de 2 mil famílias ainda vivem em barracas de lona preta improvisadas.
    Em sua pauta nacional, o MST exige a retomada imediata das vistorias de terras com fins de aquisição para criação de assentamentos, a retomada de terras públicas que foram indevidamente apropriadas e deveriam ser destinadas à Reforma Agrária, e a adjudicação das terras que estão em processo de execução por dívidas.

    No pátio do Ministério da Fazenda, em Porto Alegre
    No pátio do Ministério da Fazenda, em Porto Alegre

    Enquanto ocorrem mobilizações em vários estados do País, o MST deve iniciar negociações referentes à pauta nacional de reivindicações com representantes do governo federal em Brasília. Segundo o Movimento, a desocupação dos pátios do Incra e do Ministério da Fazenda, em Porto Alegre, somente serão feitas após a obtenção de conquistas.
    O dia 17 de abril
    Nesta segunda-feira completam-se 21 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. Na ocasião, 21 Sem Terras foram assassinados durante uma manifestação no município de Eldorados dos Carajás, no sudoeste do Pará. O coronel Mario Colares Pantoja e o major José Maria Pereira, que comandaram o massacre, foram presos apenas 16 anos após o ocorrido, em maio de 2012. Já os 155 policiais militares executores diretos foram absolvidos. O então governador do estado do Pará, Almir Gabriel (que morreu em fevereiro de 2013) e o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, não foram indiciados.
    Em memória das vítimas do massacre e para denunciar a impunidade dos crimes cometidos contra os Sem Terra, organizações do campo celebraram em 17 de abril o Dia Internacional de Luta Camponesa. É um momento intercontinental de mobilizações em defesa da terra, da preservação do meio ambiente, da agricultura camponesa e dos camponeses.
    No Brasil, em todas as regiões do país, o MST realiza a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, também conhecida como Abril Vermelho.
     

  • Imagens de uma aldeia Mbya Guarani segundo os próprios índios

    Para celebrar o Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, o Instituto Estadual de Artes Visuais (IEAVi) inaugura, nesta terça-feira (18) às 18h30, no Espaço Maurício Rosenblatt da Casa de Cultura Mario Quintana, a exposição Ore Reko Regua.

    A mostra reúne 47 imagens produzidas por jovens da aldeia Mbya Guarani Tekia Nhundy, localizada em Viamão.

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    O projeto da exposição, que tem a curadoria do produtor e cineasta Eduardo Piotroski, foi contemplado no edital FAC juntospelacultura, da Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Sedactel) e é resultado de seis oficinas de fotografia, ministradas por Piotroski e pelo mestrando em antropologia, Eduardo Schaan, ao longo de oito meses, para crianças e  adolescentes  da  comunidade.
    Durante o período, os jovens desenvolveram maneiras de transmitir e transformar em imagens suas experiências cotidianas.
    A abertura de Ore Reko Regua contará com a presença dos artistas e representantes da aldeia. A exposição pode ser visitada de 19 de abril a 22 de maio, de terça a sexta-feira, das 9h às 21h, e sábados, domingos e feriados, das 12h às 21h. A entrada é gratuita.
    Serviço
    O quê: abertura da exposição Fotográfica Ore Reko Regua
    Quando: terça-feira (18), às 18h30
    Onde: Espaço Maurício Rosenblatt, no 3º andar da CCMQ, na Rua dos Andradas, nº 736
    Entrada gratuita

  • Biblioteca Pública celebra Semana do Livro com diversas atividades gratuitas

    A Biblioteca Pública do Estado (BPE) promove diversas ações na Semana Estadual do Livro e do Incentivo à Leitura 2017, todas com entrada gratuita.
    De 17 a 22 de abril, novos sócios estarão isentos do pagamento da taxa de inscrição. Para os sócios que retiraram livros e estão com a devolução atrasada, será a Semana do Perdão, em que serão isentos do pagamento de multa.
    Na tarde de terça-feira (18), na sede da Biblioteca, o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP-RS) recebe atendentes de bibliotecas públicas municipais, das 13h30min às 17h30min. O “Conversando sobre a Biblioteca” consiste no treinamento de equipes de bibliotecas públicas de municípios gaúchos e entrega de kits de livros.
    Também na terça, a partir das 19h, o projeto Chapéu Acústico traz o convidado Cristian Sperandir, em show de jazz e bossa nova, com contribuição espontânea.
    Dia 19 (quarta), às 18h, terá vez a palestra “A Construção do Romance Histórico”, com o escritor Sérgio Luiz Gallina. Pesquisador da Idade Média focado no período das Cruzadas, membro da Associação Nacional dos Professores Universitários de História (ANPUH/RS), participou de atividades acadêmicas na condição de palestrante, comunicador e mediador.
    Às 19h30, começa o Sarau Poético “E Se Alguém o Pano”, baseado no livro de Eliane Marques, da Escola de Poesia Aprés Coup, que ganhou o Troféu Açorianos de Literatura na categoria Poesia em 2016.
    No Clube de Leitura, dia 20 (quinta), às 16h será exibido o filme “O Homem de La Mancha” (Itália-EUA/1972/2h12min). Dirigido e produzido por Arthur Miller, com roteiro de Dale Wasserman, o longa tem no elenco Peter O’Toole (Don Quixote, Cervantes e Alonso Quijana), Sophia Loren (Dulcineia, a amada do protagonista, e Aldonza) e James Coco (Sancho Pança).
    O filme se passa durante a Inquisição na Espanha. Miguel de Cervantes é preso como herege, por propagar pensamentos subversivos. Ele é jogado em um calabouço, ocupado também por ladrões e assassinos, e ‘julgado’ pelos prisioneiros. Para se defender, conta a história de um homem idoso, que passa os dias e as noites lendo e só consegue ver a injustiça e a trapaça triunfarem. Torna-se então um cavaleiro errante, conhecido como Don Quixote de la Mancha, que decide lutar contra as injustiças do mundo.
    Sábado, dia 22 de abril, acontece mais uma Feira de Troca de Livros e Livros Livres (doações de livros que a biblioteca já possui ou não são do perfil de seu público – livros na fachada), das 14h às 18h.
    No domingo, dia 23 de abril, recital de música barroca com “As Mulheres de Bah”, às 17h30. Contribuição espontânea.
    O grupo é formado por sete mulheres de Porto Alegre que, juntas, interpretam música do período barroco, dando um toque feminino à composições de Bach, Vivaldi, Handel, dentre outros. As harmonias do cravo misturam-se ao som das cordas e flauta e se contrapõem às melodias da voz. O resultado é diferente do que se conhece desses compositores.
    O grupo é formado por Andiara Mumbach (soprano), Ana Lascano (flauta transversal), Manoela Lampert (violino), Rosângela dos Santos (violino e viola), Estela Kohlrausch (viola), Bianca D’avila (cello) e Luciana Malacarne (piano/cravo).
  • Reforma da Previdência no banco dos réus dos bancários gaúchos

    Para marcar seus 15 anos de existência, o Grupo de Ação Solidária (GAS) do SindBancários promove, na manhã desta segunda-feira, (17), a encenação de um júri popular. No banco dos réus, a reforma da Previdência em tramitação na Câmara Federal.
    O GAS reúne-se semanalmente, na Casa dos Bancários, para promover a comunicação entre colegas afastados do trabalho por problemas de saúde relacionados ao cotidiano profissional. São em torno de 200 pessoas que adoeceram em razão do stress provocado por suas rotinas de trabalho, como pressões para cumprir metas abusivas.
    O julgamento da proposta de reforma da Previdência será a primeira atividade do evento em comemoração aos 15 anos do GAS. Para o SindBancários, a reforma é “ataque a direitos dos trabalhadores mais avassalador desde a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943”.
    A partir das 9h, no auditório da Fetrafi-RS, um corpo de sete jurados formado por entidades sindicais e de representação da sociedade civil irá julgar a reforma da Previdência, PEC 287, proposta pelo governo Temer.
    O objetivo é promover um debate técnico de esclarecimento sobre os pormenores da Reforma da Previdência. Segundo a coordenadora de saúde do SindBancários e assessora da Fetrafi-RS, Jaceia Netz, a montagem do júri procurou ser o mais técnica possível para preservar a independência da decisão. “O formato do evento é similar a um tribunal do júri que ocorre na Justiça comum. Haverá espaço para a defesa da PEC 287 e para a crítica”, explica Jaceia.
    Retrocessos históricos
    O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, vê na proposta retrocessos históricos, como aposentadoria integral após 49 anos ininterruptos de trabalho e somente após os 65 anos de idade para homens e mulheres.
    “O formato de júri popular é o mais democrático, porque preserva o espaço ao contraditório. A participação dos bancários é importante para que possamos formar nossa opinião sobre os ataques aos direitos que o governo promove em nome do combate a uma crise financeira que ele mesmo criou”, avalia Gimenis.
    Dentre outras instituições convidadas, estão a OAB, Ajuris, Amatra, Contraf, Fetrafi e MST. Os rganizadores garantem que farão parte do júri pessoas favoráveis e contrárias à proposta de reforma, além de juízes e outros membros das carreiras jurídicas.
    Programação dos 15 anos do GAS
    Sede da Fetrafi-RS (Rua Fernando Machado, 820, Centro Histórico de Porto Alegre)
    9h: Júri Popular: A Reforma da Previdência
    12h: Lançamento do livro: “O Golpe de  2016 e a Reforma da Previdência”
    12h30: Almoço
    14h: lançamento do videodocumentário sobre os 15 anos do GAS.
    15h: Reunião ampliada do GAS
    16h30: Lançamento da cartilha “Saúde no contexto de trabalho bancário”
    18h: Coquetel
    (Fonte:Imprensa SindBancários)
     

  • Cem dias, segundo a oposição: "Discurso do caos é para justificar a paralisia"

    FELIPE UHR
    Fernanda Melchionna iniciou em 2017 seu terceiro mandato na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Desta vez, ela assumiu como a vereadora mais votada e como líder da oposição ao prefeito Nelson Marchezan Junior.
    Melchionna recebeu o Jornal JÁ e falou sobre os primeiros cem dias do novo governo.
    As principais críticas foram em relação às primeiras medidas anunciadas por Marchezan, como a extinção de Secretarias, mudanças na rotina escolar e o aumento no preço das tarifas de transporte público.
    E um elogio: a contratação de médicos no Programa Saúde da Família e o anúncio do primeiro posto com atendimento até as 22 horas.

    Qual a sua avaliação desses cem primeiros dias?
    É um governo que fica falando em caos financeiro pra justificar a sua paralisia. Ele une esse discurso do caos a um discurso político que já está claro: arrochar o funcionalismo público. Já falou em parcelamento de salários, agora está falando em três ou quatro meses em atraso dos funcionários. Um dia fala isso, no outro fala em privatizar a Carris, sem fazer nada pra melhorar a sua situação. Colocou alguém que logo saiu e deixou a companhia acéfala, ou seja, ele faz a política que depois vai justificar a privatização.
    A relação com a Comunitas, como é sua avaliação?
    Sim, tem também o contrato com a Comunitas. E aí eu não falo só nos termos do contrato, mas também de como é ter uma relação com essa ONG e com a Falconi (consultoria contratada pela Comunitas), que pouco se sabe até agora.
    A questão da transparência?
    Disseram que foram transparentes no tema do transporte, das passagens. Fizeram um site que é um simulacro de democracia, que só colocou itens que eles quiseram colocar, como a retirada do meio passe dos estudantes, a gratuidade dos idosos, até mesmo a possibilidade de retirar os cobradores, como opção de composição do custo. Mas não colocaram os lucros das empresas  ou a isenção do ISS (Imposto sobre serviço) que a Prefeitura deixa de arrecadar R$ 18 milhões por ano e poderia deixar o custo mais baixo.
    E os cargos em comissão?
    O prefeito fala que reduziu os cargos de comissão, que demitiu mais de 400. Embora isso tenha acontecido, o próprio portal de transparência desmente o prefeito, já que ele fez uma centena de recontratações — muitos cargos com o PTB e PP. E nessa carona vem o Banco de Talentos, que foi lançado pra teoricamente contratar pessoas sem vínculo partidário, o que não ocorreu.
    A suspensão do Orçamento Participativo…
    Que transparência é essa que suspende o Orçamento Participativo, um dos grandes instrumentos de participação popular? O OP tinha de ser resgatado e não cancelado. Como falar em transparência se não apoiou ainda a CPI do DEP, algo que estamos lutando aqui na Câmara? Isso envolve milhões de recursos públicos roubados pela corrupção e contratos de empresas que seguem prestando serviços pra cidade, quando deveriam ter devolvido esse dinheiro. O governo não apoiou a CPI, sua base não votou a favor da CPI.
    Em sua reforma administrativa o prefeito reduziu de 37 para 15 Secretarias. Qual sua avaliação?
    Essa reforma extinguiu Secretarias fundamentais, como a dos Direitos Humanos, a dos Esportes e a do Meio Ambiente (Smam). E a Smam não só foi extinta, como uma parte da coordenação do licenciamento ambiental ficou com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Só se manteve o “meio ambiente” através de emendas, porque era para ser só Sustentabilidade, mas até hoje a área segue sem um titular. A reforma administrativa é uma balela pra justificar o enxugamento dos serviços públicos. Agora vai vir um pacote, temos a convicção que vem mais um ataque ao conjunto de serviços importantes para a população.
    O governo adotou o Banco de Talentos (seleção para cargos públicos através de currículos e entrevistas), um sistema inédito aqui em Porto Alegre.
    Primeiro, estranhei o tal Banco de Talentos não ser vinculado ao portal da Prefeitura e ser ligado a essa ONG Comunitas. Argumentam que não gera custo para a Prefeitura. Pode não ter custo agora, mas tem custo no projeto político, tem o interesse dos grupos empresariais que fomentam essa instituição. A conta vai chegar à população através de privatizações e outros ataques ao funcionalismo. Quanto aos critérios para contratação, nós recebemos denúncias de várias pessoas qualificadas, que enviaram currículo ao Banco de Talentos, e sequer foram chamadas. Estamos fiscalizando, que é o papel da oposição, pra ver se esse banco não é um simulacro de instrumento de contratações de indicados dos partidos da base aliada.
    Mas indicar cargos em comissão para partidos da base não é uma novidade….
    Não, não é. É uma velha política brasileiro, do toma lá da cá, o que debilita o serviço público inclusive  e trata a política como balcão de negócios. Mas Marchezan disse que ia fazer um governo técnico. A gente olha a composição do governo e vê que o discurso vai caindo por terra. Se pegarmos as pessoas que foram chamados pelo Banco de Talentos não me surpreenderia se encontrássemos muitos filiados do PTB e do PP.
    O prefeito anunciou um déficit de 1,3 bilhão de reais este ano, diz que a realidade vinha sendo escondida. Como a oposição avalia as medidas anunciadas para conter a crise financeira?
    O governo anterior fez uma má gestão. Foram muitos escândalos de corrupção e muitos outros problemas. Mas acho que Marchezan faz um esforço pra aumentar esse déficit. Coloca neste cálculo saques no caixa único e serviços não empenhados, por exemplo. Criou-se uma crise sistemática pra comprometer a folha dos servidores, que o prefeito diz que é de 60%, quando o portal da transparência mostra que não chega a 52%.
    Marchezan chegou a comparar a crise do Município à do Estado, mas está muito longe. O endividamento de Porto Alegre representa na prática 21% da receita corrente líquida, no Estado chega a 210%. Ele faz um discurso pra aumentar a crise pra justificar as privatizações e ataque ao funcionalismo. Não busca soluções justas, como recuperar o dinheiro da corrupção, nem medidas de aumento de arrecadação que não onere os de baixo, como o IPTU progressivo.
    O secretário da Fazenda já sinalizou uma revisão no IPTU….
    Não é correto onerar a classe trabalhadora e a classe média, ainda mais em momentos de crise. Imóveis que não cumpram seu papel social em cinco ou dez anos podem ser sobretaxados, ou pessoas que tem mais de cinco imóveis serem mais taxados. Temos de buscar arrecadação via dívida  ativa, buscar os recursos da corrupção, tomar medidas concretas. Mas Marchezan faz justamente o contrário: aumenta o déficit, ataca o funcionalismo e governa com os grandes empresários.
    Na Educação, houve a reforma da grade de horários. O prefeito alegou que o aluno ficaria mais tempo com o professor em classe e em horário de aula. 
    Os professores nunca contaram o horário do café da manhã como aula. Às 7h30 os alunos entravam em aula. A reforma que ele propõe inclusive diminui o tempo do aluno dentro da sala. Marchezan forçou a barra pra justificar o injustificável. Quis mudar uma rotina escolar construída com a rede municipal, e nesse sentido Porto Alegre tem uma gestão democrática. Há eleições, há participação da comunidade escolar, uma discussão coletiva. Ele vai lá e muda isso, sem nem avisar os professores, publicou o decreto 19.685, em fevereiro deste ano,  alterando tudo, na verdade reduz os períodos de 50 pra 45 minutos, e diz que os professores calculavam o café da manhã como hora/aula, o que não verdade. Interfere na orientação pedagógica. O governo desconhece a Secretaria Municipal de Educação. Tanto que os conselhos escolares votaram para manter o calendário anterior, pais e mães também apoiaram isso.
    A alteração, segundo o governo, visa melhorar a posição do Município no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), hoje uma das piores entre as capitais…
    Evidentemente, é preciso melhorar o processo educacional. Mas fazer junto com a rede municipal, junto com a comunidade escolar. Há também uma discussão em relação ao índice. O IDEB leva em consideração os resultados das provas. Não considera que as escolas da rede municipal estão em regiões de vulnerabilidade social. Temos uma das redes mais estruturadas dentro das periferias do Brasil, muitas vezes a escola é o único aparelho público. Esse discurso do prefeito é de quem desconhece a rede, desrespeita seus professores e de que na prática não quer mudar os índices da educação. Ele quer é atacar o funcionalismo através de noticias que não são verdade sobre a rede municipal.
    Outro absurdo, que eu nunca tinha visto, foram as sindicâncias abertas contra escolas por mobilizações, protestos ou vídeos que foram divulgados mostrando como seria se a rotina do Marchezan fosse implementada. São cinco sindicâncias, o que demonstra autoritarismo. Precisamos é fazer de fato uma discussão mas com quem de fato é sujeito, que são os professores.
    O primeiro posto de saúde com atendimento até as 22h, promessa de campanha, está funcionando. E médicos foram contratados para todas as equipes do Programa Saúde da Família. Nessa área o governo acertou?
    É um dos pouquíssimo pontos positivos. Respeito muito o secretário Erno, pela sua trajetória, ele vem em defesa do SUS e da assistência básica na saúde. Obviamente quer que melhore o atendimento à população. Estender esse atendimento é muito bom, assim como as equipes da saúde da família. Foi uma luta para que se chegasse ao número de equipes para atender metade da população. Foi uma promessa antiga ainda do governo Fogaça, só concluída com o Fortunati, com algumas equipes deficitárias. É preciso ampliar essas equipes e focar na especialidades. Os problemas seguem: falta de profissionais, técnicos, enfermeiros…
    Mas em apenas cem dias não é cedo pra essa cobrança…
    Sim, mas são problemas concretos e que precisam ser resolvidos. Há bairros que precisam de postos e que ainda não foram contemplados. É bom lembrar que o Marchezan, como deputado federal, foi a favor da PEC 55 que reduz os investimentos na área da saúde. Essa atenção em defesa do SUS, ampliação do atendimento, da infra-estrutura e da segurança em alguns postos, vão ter o apoio da oposição.
    Em relação a Segurança, o Município ainda tem uma atuação limitada. O prefeito anunciou a integração com a Brigada Militar e a Guarda Nacional… O que o governo pode fazer além disso?
    Na verdade eu não vi nenhuma avanço do governo municipal nesse sentido. A Guarda Municipal deveria ter um papel maior na segurança da cidade. A maioria das câmeras já estavam funcionando e obviamente é importante esse cercamento eletrônico e esse vídeo-monitoramento, desde que aja na ocorrência uma medida rápida para proteger a população. É preciso avançar no concurso público. A guarda está sucateada. É preciso avançar na segurança preventiva que estão em outras áreas em que eu vejo o corte de incentivos do governo, como no esporte, na cultura, assistência social. O papel do Município na segurança tem que olhar o conjunto, na prevenção. A gente analisa os dados da segurança e vê que as áreas de vulnerabilidade são as que menos têm os equipamentos públicos  que podem defender os interesses da população. Então eu vejo que não houve nenhuma nova política de segurança. Deveríamos ter uma Guarda Municipal territorial em conjunto com as comunidades, fazer políticas de assistência.
    O secretário da Fazenda, Leonardo Busatto, fala num rombo de R$ 110 milhões na EPTC e Carris. O que fazer com essas empresas públicas?
    O governo opera pra que elas sigam deficitárias, pra desmontar, sucatear. Na Carris, foi anunciado um diretor-presidente que pediu pra sair 20 dias depois, e até agora não foi anunciado um novo nome. A companhia continua acéfala. O governo não chamou nem os funcionários da Carris nem da EPTC pra trabalhar junto e revolucionar mesmo a gestão.
    Foi a gestão passada que deixou deficitária a Carris, uma empresa centenária que só ficou assim nos últimos anos. Sempre foi reconhecida como uma das melhores empresas de ônibus do país. A Carris garante o parâmetro de qualidade. Por exemplo, enquanto as outras empresas colocam o preço do combustível acima do valor de mercado, a Carris põe o preço real. É preciso revolucionar essa gestão governando com os trabalhadores, e que essas empresas cumpram seu papel social sem ter lucro, mas que também não sejam deficitárias. Não me parece ser o que o prefeito quer, mas tenho convicção de que os rodoviários vão resistir a esse ataque.
    O prefeito alega que o novo custo da tarifa de ônibus obedece a licitação, e que isso só pode ser mudado com uma nova licitação. Qual sua avaliação do processo, desde o uso do aplicativo, acompanhamento do TCE, até o anúncio da tarifa?
    Isso foi um grande jogo de palavras do governo, assim parece que o TCE acompanhou do início ao fim a discussão do preço, o que não é verdade. O TCE fez uma auditoria em 2011 a 2012 e nela se identificou uma dezena de irregularidades. A partir disso houve uma grande mobilização na época, o que fez o preço da passagem reduzir. Desde então, não houve uma nova auditoria.
    Há muitos indícios de que a população está sendo lesada. Por isso nós fizemos essa representação no Ministério Público de Contas. Abriu-se uma nova auditoria pelo Tribunal de Contas do Estado. O Marchezan disse que esperaria o TCE, não esperou, enviou o aumento.  E em uma ação dos empresários tentou responsabilizar o PSOL pelos “prejuízos” alegado pelas empresas em 2016. Ou seja, uma opção em defesa dos empresários que comandam o transporte coletivo de Porto Alegre, seja garantindo mais aumento abusivo por um serviço que vem perdendo qualidade, seja tentando responsabilizar a nós que fizemos o papel do governo em fiscalizar as irregularidades.
    Não nos calarão. Já entramos com uma nova ação, a juíza oficiou a Prefeitura pra que se manifeste e responda aos questionamentos quanto a rodagem, combustível, o fundo de receitas extraordinárias…
     Uma tendência do governo nesses cem dias…
    Cem dias são poucos dias, mas tu analisa uma tendência muito clara do que vai ser esse governo. Ataque às áreas sociais, projetos anti-populares diminuindo o acesso do povo aos serviços públicos. Há também o arrocho ao funcionalismo e relação com os grandes empresários. Mercado Público? Privatiza! Carris? Privatiza! Vai ser isso.

  • E a imprensa não viu nada!

    P.C.de Lester
    A parte mais importante da delação de Emílio Odebrecht é omitida nos grandes jornais e respectivos portais.
    É o trecho em que ele pergunta: “Mas por que só agora e por que essa hipocrisia? Era assim há  30 anos e todo o mundo sabia, inclusive a imprensa”.
    Ele não diz mas fica subentendido: a imprensa que também levou o “seu” para não enxergar o que estava acontecendo.
    É possível que uma corrupção assim generalizada e escancarada ocorresse por tanto tempo sem chegar às redações dos grandes jornais?
    Assim como as propinas aos políticos eram dadas na forma de contribuição a campanhas, o cala-boca da mídia saía em forma de anúncios, de patrocínios, de campanhas. Quem vai delatar essa parte?
    Paulo Francis no estúdio de TVPaulo Francis denunciou a corrupção na Petrobras nos anos 80. Ficou sozinho, quando a máquina jurídica da estatal foi para cima dele com processo nos Estados Unidos. Os campeões da liberdade de imprensa ficaram calados. A Petrobras patrocinava tudo, da Fórmula 1 pra baixo.
    Condenado a pagar uma indenização milionária à estatal, Francis foi levado à morte pelas agruras que enfrentou.
    Os fatos hoje lhe dão inteira razão. E aqueles que acobertaram o que ele queria revelar, hoje exaltam os “furos” extraídos de delações.
    As delações que, como diz Emílio Odebrecht, revelam aquilo “que todo mundo sabia”.
    Menos a imprensa que, por conveniência, só está sabendo agora.
     
     
     
     

  • Grupo de pesquisa teatral leva Samuel Beckett à Rua da Praia

    Higino Barros
    O dramaturgo irlandês Samuel Beckett é conhecido mundialmente por sua peça “Esperando Godot”, expressão que no Brasil passou a significar a espera de algo que nunca chega. Um dos maiores representantes do teatro do absurdo, Beckett é inspiração para uma performance que ocorre nesse sábado, dia 15, na rua da Praia (Andradas), com percurso entre a Casa de Cultura Mário Quintana e a Esquina Democrática.
    Denominada “Inspiração”, ela foi criada a partir do texto Eleutheria (1947) de Samuel Beckett. Segundo a coordenadora do evento, Luciana Tondo, os ensaios para a performance foram uma oportunidade para uma vivência teatral gratuita. Ela resume a ideia do evento:
    “No texto, Victor, o personagem principal, dedica-se a uma busca incessante para viver a experiência da liberdade que, segundo ele, seria a partir da tentativa de ser o mínimo possível: comendo menos, se mexendo menos, falando menos, mas mantendo-se vivo, pois se morresse não poderia se perceber livre. Diante desse paradoxo, o corpo apresenta-se como uma prisão biológica inconsciente, pois por mais que se tente, o corpo está sempre em movimento”.
    A performance é elaborada pelo Núcleo de Pesquisa Beckett-we e comemora o 111º ano de nascimento do dramaturgo irlandês. Após a saída da Casa de Cultura Mário Quintana, às 14 horas, os participantes do evento se agrupam em frente ao Shopping Rua da Praia e realizam a performance diante do Clube do Comércio.
    SERVIÇO
    Performance ‘Inspiração’
    Data: 15 de abril de 2017
    Local: Saída as 14 horas da Casa de Cultura Mário Quintana , finalizando o percurso na Esquina Democrática.
    Realização: Núcleo de Pesquisa Beckett-we
    Coordenação: Luciana Tondo
    Preparação dos atores: Luciana Tondo e Marcelo Mertins
    Elenco: Ceila Adriany de Oliveira, Vinisius Seeger, Rafael Domingues, Valentina Curi, Fernanda Fiuza, Fernanda Leal, Vanessa Fiuza, Lavínia Costa, Felipe Davi, Vitória Emiliano, Gabriel Cocola, Leandro Pereira, Caroline Fontella, Daniel Kuratani, Daniel Varallo, Paula Silveira, Ketlyn Ramos, Victoria Freitas, Gabriel Queiroz, Gabriel Farias, Maurício Vianna, João Pedro Bandeira, Bruno Portes, Juan Hübner, João Felipe Tondo, Lilian Monteiro, Gabriel Farias, Liziane Salvadori, Yuri Vidal, Vinícius Lima, Wagner Machado, Gloria Andrades, Claudia Quinto, Erick da Silveira, Rogério Bertoldo, Carolina Alves, Fernanda Pedroso, Alínea Boninsegna, William Andrius, Vivyan Sores, Gabriela Soares, Luis Carlos Matos.
    Apoio: Casa de Cultura Mário Quintana.
     

  • Temática indígena na programação de abril do Clube de Cultura

    Ao longo do mês de abril, o Clube de Cultura terá diversas atividades com a temática indígena. A programação inclui cinema, fotografia, música e roda de conversa.
    Desde esta quinta-feira, está em cartaz a exposição fotográfica “Mbya seguindo os antigos na retomada da terra”. A mostra retrata o cotidiano das 30 famílias que desde fevereiro ocupam uma área pertencente à Fepagro, no município de Maquiné.
    A exposição traz fotos do cacique André Benites, Jorge Morinico, Rafaela Printes, Douglas Freitas, entre outros, e está aberta à visitação até o dia 13 de maio.
    Na próxima quarta-feira, 19, acontece uma roda de conversa com lideranças Mbya Guarani, fotógrafos e apoiadores, a partir das 17h30. As demais atividades acontecem a partir das 19h30.
    No mesmo dia será exibido o filme Mokoi Tekoá Petei Jeguatá (Duas aldeias, uma caminhada). Três jovens Guarani, Ariel Duarte Ortega, Jorge Morinico e Germano Beñites, acompanham o dia-a-dia de duas comunidades. A atividade integra a programação do Cine Indígena.
    No dia 26, será exibido o filme Martírio, de Vincent Carelli. Martírio é o segundo filme da trilogia ainda em andamento de Carelli, indigenista, documentarista, criador do projeto Vídeo nas Aldeias. O primeiro filme foi “Corumbiara”, o segundo, “Martírio”, e o final será “Adeus, Capitão”.
    “Martírio registra o genocídio dos índios brasileiros no século XXI, que acontece há 40 anos”, disse o diretor em entrevista à FM Cultura.
    A programação do abril indígena do Clube de Cultura encerra no dia 28. O músico kaingang Zilio Jagtyg apresenta o arquinho de boca, instrumento tradicional de seu povo.
    O ingresso para as atividades é 2kg de alimento não perecível. O Cube de Cultura fica na Ramiro Barcelos, 1853.

  • Encenação da Paixão de Cristo no Morro da Cruz chega aos 58 anos

    Higino Barros
    O bairro São José do Murialdo foi criado oficialmente em 1959. Na região já havia um núcleo de moradores e a igreja de São José erguida. A cruz, no alto do morro, foi instalada à mesma época. Um ano depois começou a ser realizada a procissão, marco nas celebrações religiosas da Zona Leste. A encenação da Paixão de Cristo teve início em 1994. Agora em 2017, os dois eventos estiveram ameaçados de cancelamento, devido aos cortes de orçamento da Prefeitura para eventos que constam do calendário cultural da Capital.
    No meio cultural de Porto Alegre, até o final de março, havia dúvidas se o evento seria contemplado com recursos municipais. Afinal, uma festividade profana – o carnaval -, mais popular do que o evento religioso, quase não saiu, teve data modificada para poder ser realizada e ocorreu em condições bem mais modestas do que em anos anteriores.
    Cortes no orçamento
    A encenação da Paixão de Cristo sofreu um corte drástico no orçamento. Os R$ 100 mil usuais em edições passadas foram reduzidos para R$ 60 mil. Isso resultou em cortes de algumas cenas entre os dois palcos, mas o espetáculo teve o acréscimo de outras, como sempre acontece. Dois terços dos recursos foram captados na iniciativa privada. Só o grupo Zaffari compareceu.
    Segundo a organização do evento, a cargo da paróquia de São José do Murialdo e da Prefeitura, o público que assiste o espetáculo teatral varia de 10 mil a 30 mil pessoas, dependendo das condições climáticas. Cerca de 120 pessoas se envolvem na sua produção, que a cada ano agrega um tema ao evento.
    Esse ano serão homenageados os 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida, com a inauguração de uma nova estação no percurso da Via Sacra. A atriz Ângela Aita representará a santa. Também, na abertura do evento, haverá uma cena de São Francisco de Assis com crianças da comunidade para referir a Campanha da Fraternidade, da CNBB, desse ano: “Cultivar e guardar a Criação”
    Espetáculo único
    O diretor teatral, Camilo de Lelis, responsável pela encenação há 24 anos,  junto com a Cia Face & Carretos, considera o espetáculo único, não podendo ser comparado a outras montagens de rua da Paixão de Cristo que existem no Brasil. Há entre elas em comum apenas o fato de serem classificadas como teatro sacro:
    “Não há comparações, pois aqui se trata de uma encenação totalmente original. Devido às características geográficas; entre um bairro de classe média e uma favela, separados por um percurso de dois quilômetros, aproximadamente”, explica.
    Na encenação da Paixão de Cristo no Morro da Cruz há um grupo de pessoas da comunidade e de atores que participam desde seu início, como é o caso do vereador Aldacir Oliboni, que interpreta Jesus. Segundo Camilo de Lélis, a maioria continua. As poucas substituições que ocorrerão devem-se a compromissos assumidos por alguns atores no período do espetáculo.
    Programação
    14h30min- Mensagem da Paixão – Igreja São José do Murialdo
    15h30min- Bênção da Macela e início da encenação em frente à igreja
    16h30min- Procissão – subida da encenação pela rua Santo Alfredo
    18h00min- Crucificação e Ressureição – apoteose no alto do Morro da Cruz
    Trajeto –  A procissão parte da Rua Vidal de Negreiros esquina com 1º de Março, segue pela 1º de Março até a Rua Santo Alfredo, ali vira à direita seguindo pela Rua Santo Alfredo até o topo do morro.
    Trânsito – No dia do evento a Rua Vidal de Negreiros ficará bloqueada da rua Saldanha da Gama para cima (1ª quadra a partir da Av. Bento Gonçalves) e a linha 344 – Santa Maria – a partir de 7h circula no sentido Centro-Bairro pela Rua Martins de Lima e no sentido Bairro-Centro pelas ruas Clemente Pereira e Martins de Lima. A Rua Santo Alfredo fica bloqueada a partir da Rua 1º de Março para cima.
    Transporte – Rua Vidal de Negreiros, 550 esquina Rua 1º de Março – Santuário São José de Murialdo.
    Ônibus Santa Maria – Linha 344 – ponto final Centro na Av. Salgado Filho, 122. Outras linhas de ônibus e lotação via Bento Gonçalves descer na Estação Cristiano Fischer. Mais opções de transporte para a região: T-9 – ponto final na Rua Albion em frente a Carris. T-2, T-4 e T-11 passam pela confluência da Av. Bento Gonçalves/Aparício Borges/Salvador França.   * Evento público, gratuito * Faixa etária livre.


    Segurança Além da BM, foi contratado serviço de segurança particular para vigiar os equipamentos (palcos e camarins) e fazer o cordão de isolamento das cenas de rua.