Autor: da Redação

  • Audiência pública busca caminhos para tombamento de TVE e FM Cultura

    Geraldo Hasse
    Havia tão pouca gente, apenas umas 30 pessoas no auditório da Câmara Municipal, que o menestrel porto-alegrense Raul Ellwanger não se animou a cantar mais do que uma canção – “Pealo de Sangue”, seu hino à terra gaúcha, composto em 1979, na volta do exílio – na abertura da audiência pública convocada na noite de quarta-feira (12) pela vereadora Sofia Cavedon (PT) para encaminhar o pedido oficial de tombamento da Fundação Piratini como patrimônio cultural de Porto Alegre.
    “Esse é um ato de resistência contra a destruição de parte da nossa cultura e da nossa identidade”, disse Sofia Cavedon antes de franquear o microfone aos participantes da audiência.
    Mesmo com escassa presença de público numa noite de clássico Inter x Corinthians no Beira Rio, a sessão estendeu-se por mais de uma hora, fechando mais um capítulo da luta comunitária para impedir que se concretize a extinção da Fundação Piratini, mantenedora da TVE e da FM Cultura, conforme decreto de janeiro do governador José Ivo Sartori.

    Cristina Charão: 35 mil horas de imagens / Foto: Tonico Alvares/CMPA
    Cristina Charão: 35 mil horas de imagens / Foto: Tonico Alvares/CMPA

    Em nome dos servidores da TVE, a jornalista Cristina Charão disse que a proposta de tombamento da Fundação Piratini coincide com a luta pelo reconhecimento da comunicação pública como um direito da cidadania. “A TVE possui 35 mil horas de material gravado sobre a realidade do Rio Grande do Sul”, lembrou, salientando que tamanho patrimônio não pode ser simplesmente extinto por decreto.
    Ela admitiu que o governo estadual “recuou no discurso da aniquilação”, trocando a extinção por “um novo modelo de gestão” que consistiria na transferência da Fundação Piratini para o gabinete do governador, que passaria a  gerir a TV e a rádio, “sem mecanismos de controle público”, com a interveniência da Associação dos Amigos da Fundação Piratini.
    “Não é por acaso”, denunciou Cris Charão, “que temos recebido ‘colegas’ que saíram de órgãos privados por contenção de despesas e passaram a ocupar cargos que eram ocupados por profissionais concursados”.
    Batendo na mesma tecla, Alexandre Leboutte, funcionário da TVE, esclareceu: a mudança do plano governamental – remodelação em vez de extinção – “está configurada pela presença na direção da Fundação de nomes como Flavio Dutra, coordenador da campanha de Sebastião Melo à prefeitura de Porto Alegre pelo PMDB”.
    A nomeação de não-concursados para cargos comissionados não chega a ser uma novidade na TVE e Rádio Cultura, mas desta vez notam-se diferenças: em vista das reações da sociedade contra a extinção, “o governo tem um plano B”, cujo controle gerou “uma disputa de grupos dentro do PMDB”.
    Nesse ponto de sua intervenção, Leboutte denunciou o que lhe parece uma irregularidade: recursos captados via Lei Rouanet pela TVE+FM Cultura estariam sendo administrados pela Associação dos Amigos da Fundação Piratini, numa “privatização ilegal”.
    Como presidente da audiência pública, Sofia Cavedon disse que vai pedir ao Ministério Público de Contas uma investigação sobre esse imbróglio (em artigo publicado na terça-feira no Correio do Povo, o jornalista Milton Simas Junior, presidente do Sindicato dos Jornalistas, afirmou que os recursos captados somam R$ 4 milhões).
    “A luta é muito maior do que a simples defesa de empregos conquistados por concurso”, disse Paulo Gilberto Lopes de Azevedo, representante do Sindicato dos Jornalistas. Ele lamentou que a discussão tenha começado tardiamente, mas disse que “nossos filhos e netos precisam saber que temos uma instituição que faz comunicação de caráter público”. E finalizou: “O que Sartori quer fazer vai ser bom para algumas famílias e muito ruim para a maioria do povo gaúcho”.
    O cineasta Guilherme Castro, que já trabalhou na TVE em duas ocasiões, está convencido de que “não dá para embarcar” no “novo modelo de gestão”, mesmo porque as mudanças articuladas para manter a TVE estão sendo debatidas em circuito restrito, ao qual não teve acesso.
    Pelo que captou em conversas, debates e manifestações desde agosto do ano passado, quando o projeto de extinção das fundações públicas começou a ser difundido nos meios políticos e empresariais, o governo estadual “está convencido ideologicamente de que é preciso acabar com a TVE e a Rádio Cultura”.
    É o que a vereadora Fernanda Melchiona (PSol) chamou de “lógica liberal privatista”, apontada como responsável pela atual crise fiscal “iniciada em 1998 pelo governador Britto e o presidente Fernando Henrique Cardoso”, referência ao acordo de renegociação da dívida estadual, “que era de 9 bilhões de reais e está agora em 54 bilhões”. Ela defendeu um novo acordo mediante um encontro de contas – a dívida com a União e os créditos do Estado com a Lei Kandir –, mas lembrou que “sem mobilização não se conseguem as coisas”.
    No final da audiência, Sofia Cavedon conversou com Eduardo Paim, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura, que fez parte da mesa mas não se manifestou senão para agradecer a oportunidade de tomar conhecimento do assunto.
    A pedido da vereadora, o assessor ficou de levar ao secretário Luciano Alabarse um pedido de apoio à demanda pró-tombamento.
    Ficou no ar o refrão do “Pealo de Sangue” de Raul Ellwanger:
    Quem viver saberá que é possível
    quem lutar ganhará seu quinhão”

  • Papa Francisco abre lavanderia no Vaticano para moradores de rua

    A “lavanderia do papa Francisco”, um serviço gratuito do Vaticano, começou a funcionar terça-feira (11). A expectativa é de que em um mês o estabelecimento possa fazer mais de 300 lavagens para pessoas pobres, especialmente moradores de rua.
    A instalação, dentro do Centro Gente de Paz, da Comunidade de Santo Egídio, tem seis lavadoras, seis secadoras e vários ferros de passar. O local fica aberto de manhã e à tarde, quatro dias por semana, e tem quatro voluntários que ajudarão na utilização das máquinas.
    Para utilizar a “Lavanderia do Papa Francisco” basta solicitar um cupom de reserva que a Comunidade de Santo Egídio distribui uma vez por semana e aguardar a vez em uma lista de espera, que, por enquanto, é curta.
    O sem-teto Ciro Guardaccione foi um dos primeiros a utilizar as novas máqinas. “Isto é algo fantástico. Gostaria de agradecer ao papa Francisco por tudo”.
    “Poder ter roupas limpas é uma maneira de readquirir dignidade dentro da sociedade”, afirmou Giuseppe, outro usuário, que defende esse serviço para outros pontos da cidade.
    Em breve, a lavanderia vai ganhar também um local para cortar cabelo e tomar banho, iniciativas que se unem às desenvolvidas na Praça de São Pedro, que já tem chuveiros e uma barbearia para os mais necessitados.
    (Com agências EFE e AP)
  • Câmara faz hoje audiência pública sobre o tombamento da TVE e FM Cultura

    O tombamento da TVE e da FM Cultura será discutido hoje às noite em audiência pública na Câmara de Vereadores, a partir das 19 horas.
    O projeto de lei que prevê a inclusão das emissoras entre os bens culturais e imateriais do município já foi tema da sessão ordinária destinada à Tribuna Popular, no dia 29 de março.
    Na Tribuna, o representante do Sindicato dos Jornalistas do RS (Sindjors), Alexandre Leboutte, pediu apoio aos vereadores para a proposta de tombamento, de autoria da vereadora Sofia Cavedon (PT) e falou da importância da memória social e coletiva da TVE e da FM Cultura, por contribuir, cotidianamente, com o saber e a vivência de grupos constituídos em diversas identidades na sociedade.
    Desde 29 de março de 1974, lembrou ele, o acervo destes veículos contêm as mais diversas manifestações da cultura e da arte de Porto Alegre e do resto do Rio Grande do Sul. Com cerca de 4,3 mil fitas, a TVE é um dos únicos lugares que detém esse tipo de reprodução captada no país. “Mas a gente não guarda na TV apenas manifestações artísticas, a ideia de cultura vai muito além da arte. A cultura é o saber de um povo, que transmuta e se modifica”, destacou.
    Outro ponto levantado pelo jornalista para entender o papel da fundação é a programação sem mediação do mercado. Ele explicou que este é o diferencial em relação às outras emissoras, entre outros programas que se destacam pela exibição da música de concerto, o programa Nação, que traz a história e a música da cultura negra, e também programas infantis, sem patrocínio de interesses comerciais. “A TVE e a FM Cultura se diferenciam com sua programação  em relação às emissoras privadas. E por isso, os artistas conseguem veicular sua produção”, justificou.
    Leboutte ainda solicitou que a Câmara busque interceder com o Executivo para que o tombamento seja acolhido e assim preservar as emissoras, “para que possamos continuar produzindo uma memória social que não é vista em outros lugares”.
    A vereadora Sofia Cavedon (PT) falou em defesa à Fundação Piratini. “Nós vamos lutar até o fim para preservá-la”, afirmou. Os vereadores Airto Ferronato (PSB) e Aldacir Oliboni (PT) também manifestaram apoio ao trabalho das duas emissoras.

  • Professor pesquisa substâncias no cocão que podem agir sobre a dopamina

    Cleber dioni tentardini
    O professor e farmacêutico Arno Hofmann Junior está estudando uma espécie de cocão da coleção viva de plantas raras do Jardim Botânico de Porto Alegre para desenvolver sua tese de doutorado junto ao Laboratório de Toxicologia (Labtoxico), da Faculdade de Farmácia da UFRGS.
    Essa espécie, encontrada somente no Sul do Brasil, é do mesmo gênero da planta da coca, de onde se obtém a cocaína, e está criticamente ameaçada de extinção. “O Jardim Botânico está tendo fundamental importância pois possibilitou a coleta de espécie de difícil identificação na natureza”, destaca o pesquisador.
    Sua orientadora na Universidade é a professora Renata Limberger, farmacêutica especializada em Toxicologia e coordenadora do laboratório.
    Hofmann busca identificar os componentes que essas espécies produzem e avaliar a influência de algumas destas plantas sobre a neurotransmissão da dopamina, substância presente no cérebro de mamíferos e que está relacionada a doenças como Mal de Parkinson, Dependência Química e Esquizofrenia.

    Arno Hofmann
    Arno diz que planta é muito difícil de ser encontrada/Divulgação

    “Meu objetivo não é relacionar às doenças, mas a identificação de espécies que atuem sobre este neurotransmissor, o que possibilitará futuros estudos sobre suas potencialidades toxicológicas e terapêuticas, afirma o docente e coordenador do Curso de Farmácia, da Faculdade IDEAU, no município gaúcho de Getúlio Vargas.
    Hofmann explica que o gênero Erythroxylum é conhecido principalmente por ser a fonte natural de alcaloides com núcleo ecgonina como a cocaína. “É verificado que outros compostos presentes nas folhas da ‘coca’ são biologicamente ativos e contribuem para os efeitos verificados pelo chá e pela pasta de coca, como os danos à saúde e a redução da fome e do cansaço. Devido às espécies pesquisadas no sul do Brasil pertencer ao mesmo gênero da ‘coca’, é possível que alguns destes componentes também estejam presentes”, ressalta Arno.
    (Cleber Dioni Tentardini)

  • Pesquisadora da Zoobotânica encontra planta rara descrita no século 19

    Cleber Dioni Tentardini
    A bióloga Rosana Senna, coordenadora da Seção de Botânica do Museu de Ciências Naturais, na Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, encontrou uma planta rara, que foi descrita uma única vez no Brasil, há 150 anos, pelo Barão de Capanema.
    Esta segunda coleta registrada da espécie ocorreu em dezembro de 2015, mas só agora teve confirmado seu reconhecimento pelo Instituto de Biociências da Ufrgs, em artigo publicado nesta terça-feira, 11, na Revista Brasileira de Biociências. O texto é assinado por Rosana e por sua colega botânica na FZB, Andréia Carneiro.

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    Bióloga Rosana com colega no trabalho em campo/Divulgação

    Rosana encontrou a planta no Balneário de Quintão, município de Palmares do Sul. Analisou em laboratório e através de pesquisas localizou apenas uma coleta de Limosella australis no Rio Grande do Sul, que pertence ao Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
    A coleta foi realizada no século 19 por Guilherme Schüch, Barão de Capanema (1825-1908), um engenheiro e naturalista do segundo império brasileiro, que tinha um apurado interesse em botânica, e a maioria de suas coletas está depositada no herbário no RJ.
    A Limosella australis é um gênero aquático caracterizado por plantas de pequeno porte que habitam solos lamacentos e encharcados.
    Espécie encontrada em uma calçada alagadiça
    Espécie encontrada em uma calçada alagadiça

    É possível que o material de Limosella, coletado por Capanema seja oriundo do Litoral Norte gaúcho, sustenta a bióloga. “A partir do ano de 1865, Capanema, então diretor da Repartição Geral dos Telégrafos no Brasil, esteve em Torres para início da implantação da telegrafia no estado, mesmo ano da coleta de Limosella.
    O gênero ocorre na América, desde o Canadá, até a Argentina e Antilhas, e na Europa, África, Ásia, Austrália, Nova Zelândia
    “As plantas de Limosella australis são de difícil percepção no ambiente devido ao tamanho reduzido e flores diminutas entre as folhas filiformes. E ainda, quando observadas em campo, desprovidas de flores e frutos, podem ser confundidas com algumas espécies de juncus, que também podem ocorrer em ambientes urbanos associados às áreas úmidas litorâneas”, alerta a bióloga.
    O material testemunho, que serviu de base para descrição morfológica, foi depositado no herbário Prof. Dr. Alarich Schultz (HAS) da FZB.
    A bióloga Josy Matos, da Seção de Botânica do MCN, ressalta que a descoberta mostra a importância da manutenção das coleções de espécies para a ciência. Segundo Josy, diversos trabalhos científicos utilizam as informações de herbários para relacionar as espécies nessas coleções com a época em que foram coletadas e suas áreas de distribuição.
    “Assim ficamos sabendo onde elas encontravam condições adequadas para viver, ou até mesmo o estado de conservação do ambiente na época, podendo fazer comparações com as mesmas áreas nos dias de hoje”, destaca.
    A botânica acrescenta que, além da importância para a ciência, este tipo de informação serve para ajudar a entender quais as melhores áreas para a conservação das espécies e seus habitats, o que auxilia nos processos de licenciamento ambiental e na tomada de decisões dos governantes.
    (Cleber Dioni Tentardini)

  • Moradores do Sarandi querem ações contra alagamentos na região

    “Se tivesse chovido mais 15 minutos ontem tínhamos perdido tudo outra vez”, disse o representante do Conselho Popular da Zona Norte e morador do bairro Sarandi, Derli Vitcoski,  referindo-se à pancada de chuva, de aproximadamente 20 minutos, ocorrida na noite desta segunda-feira (10), em Porto Alegre.

    Moradores do Sarandi reclamaram dos alagamentos nos últimos três anos, por causa da falta de limpeza dos córregos / Foto: Jornal Já
    Moradores do Sarandi reclamaram dos alagamentos nos últimos quatro anos, por falta de limpeza dos córregos / Foto: Jornal Já

    Os moradores do bairro hoje foram à Câmara de Vereadores. Queixaram-se dos seguidos alagamentos na região, que se tornaram corriqueiros nos últimos três anos. Ao longo de quase duas horas, residentes e comerciantes da região reclamaram à Comissão de Urbanismo Transportes e Habitação (Cuthab) dos transtornos causados pela chuva,devido à falta de limpeza dos arroios e de falhas nas casas de bombas da região:
    “É mau cheiro e sujeira, baratas e ratos. O trauma é grande”, relatou Margarete Teixeira Coelho, presidente da Associação dos Moradores da Rua Serafim Alencastro e Entorno (Amarsae). Por conta das perdas materiais, segundo ela, muitos moradores adoeceram e precisam se submeter a tratamento psiquiátrico e tomar remédios. O último alagamento ocorreu no dia 15 de março deste ano. Há pelo menos quatro anos a chuva invade as casas e destrói móveis, eletrodomésticos e demais bens dos moradores das vilas Leão e Elisabeth.
    Representantes do DEP (Departamento de Esgoto Pluvial), Carlos Adolfo Bernd e Marcelo Dill, compareceram à reunião. Depois de culpar a população por jogar lixo nos cursos d’água, os dois técnicos admitiram: há “defasagem” na limpeza dos arroios e córregos, e ao menos uma das casas de bombeamento não está funcionando direito. “O contrato de limpeza expirou há um mês e precisamos fazer uma nova licitação”, explicou Bernd.
    Os moradores pediram que a limpeza e dragagem sejam feitas a cada três meses, e que seja concluído o muro de contenção do arroio Sarandi. Fotos dos alagamentos foram mostradas durante a reunião.
    R$  87 milhões parados em Brasília
    “Córregos que causam alagamentos devem ser drenados”, afirmou o promotor Heriberto Ross, do Ministério Público de Habitação. Segundo ele, há cerca de R$ 87 milhões disponibilizados pelo governo federal, que poderiam ser usados na manutenção de esgotos e casas de bombas, mas que estão trancados no Ministério das Cidades. “Precisamos que o Legislativo e Executivo municipal vão atrás dessa verba”, ressaltou o procurador.
    Ao final da reunião, os vereadores da Cuthab decidiram agendar nova reunião em 15 dias, para que o DEP apresente um conjunto de obras emergenciais para diminuir os prejuízos causados pela chuva desde 2014. Também ficaram de marcar uma vistoria nas casas de bombas da região.
    Os integrantes da Cuthab querem examinar a assinatura de contratos emergenciais para desassoreamento na área e outras obras emergenciais, e elaborar um Projeto de lei do Legislativo para que todos os empreendimentos denominados nível 2 – os que exigem contrapartidas de alta monta – passem primeiramente pela Câmara, antes de serem aprovados no âmbito do Executivo (para tanto, é necessária uma alteração no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental).
     
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    Temporais causam alagamentos em ruas e casas que cercam o Arroio Sarandi. Fotos feitas por moradores

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    Alagamento do dia 4 de fevereiro de 2016. Água invadiu casas.

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  • Nove ministros de Temer na lista do relator da Lava Jato

    Nove ministros do governo Temer estão entre os 80 políticos com foro privilegiado que estão na lista do relator da Lava Jato, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira,11.
    O ministro Edson Fachin autorizou a abertura de inquérito contra todos eles no STF, para investigação de crimes apontados nas delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht.
    Além dos ministros, 29 senadores e 42 deputados federais.
    Além do ministro Eliseu Padilha (PMDB), alvo de dois inquéritos, há  seis gaúchos arrolados: os deputados Marco Maia (PT), Maria do Rosário (PT), Onyx Lorenzoni (DEM) e Yeda Crusius (PSDB); e os ex-diretores-presidentes da Trensurb Humberto Kasper e Marco Arildo Prates da Cunha.
    Os demais ministros denunciados são Moreira Franco (Secretaria-Geral), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Helder Barbalho (Integração Nacional), Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Blairo Maggi (Agricultura), Bruno Araújo (Cidades), Roberto Freire (Cultura) e Marcos Pereira (Indústria e Comércio).
    Os presidentes da Câmara e Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), também estão na relação de investigados. Os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e Humberto Costa (PT-PE) serão investigados. Conforme O Estado de S. Paulo, a maior parte dos crimes delatados pelos dirigentes da Odebrecht trata de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

  • Falconi não fala sobre projetos desenvolvidos na prefeitura

    Desde a última quarta-feira, 5, a reportagem do Jornal JÁ faz contato com a consultoria Falconi, tentando uma entrevista ou respostas por email para esclarecer algumas questões em relação aos serviços prestados por esta empresa à Prefeitura de Porto Alegre.
    Depois de cinco dias, a Falconi respondeu que não vai responder nada. A entrevista solicitada não foi marcada, a assessoria da empresa tampouco repassou o nome de alguém que pudesse responder em nome da empresa.
    A reportagem do JÁ esteve na sala ocupada pelos funcionários da empresa, no quinto andar do prédio da prefeitura que abriga a Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão.
    No local, os funcionários confirmaram que aquela era a sala da Falconi, porém, não quiseram dar detalhes em relação aos projetos e recomendaram que se procurasse a matriz da empresa.
    A Falconi Consultores de Resultado é responsável por três dos principais projetos da gestão Marchezan: a reforma administrativa, o equilíbrio fiscal e o plano de metas para os quatro anos de governo.
    A empresa, com sede em Minas Gerais, tem relação indireta com o Poder Público municipal: é parceira técnica da Comunitas, organização que firmou acordo de cooperação com a prefeitura.
    Confira abaixo as perguntas que a Falconi não quis responder:
    Qual a função desempenhada pela Falconi na Prefeitura de Porto Alegre?
    Como a empresa foi contratada?
    Quanto a Falconi está recebendo para este projeto? Se sim, quem paga? Se não, qual o interesse da empresa em trabalhar de graça para a Prefeitura de Porto Alegre?
    O projeto prevê a nomeação de um padrinho em cada cidade. No caso de Porto Alegre, quem é o padrinho?
    Além deste programa, a Falconi desenvolve outros projetos junto à Prefeitura de Porto Alegre?
    Em relação à equipe que trabalha em Porto Alegre:
    A Falconi possui escritório em Porto Alegre?
    Quantos profissionais da empresa trabalham neste projeto?
    Qual a formação e qualificação destes profissionais?

  • Marchezan quer acabar com desconto para professores na tarifa de ônibus

    No programa Esfera Pública desta terça-feira, na rádio Guaíba, o prefeito Nelson Marchezan Jr disse que nos próximos dias enviará à Câmara de Vereadores um projeto de lei para cortar a isenção de 50% do valor da tarifa do transporte público para os professores das redes municipal e privada de ensino.
    São, segundo ele, 13,5 mil beneficiados na rede particular e 4 mil na rede pública. “Nós temos uma lei municipal que determina que os professores tenham gratuidades. A nossa ideia é de que não tenha mais”, disse o prefeito, durante o programa.
    Os descontos passaram a ser assegurados a professores com a aprovação de uma lei de 1984. Dez anos depois, a legislação mudou, fixando a isenção em 50%. Conforme o repórter Lucas Rivas, da Guaíba, Marchezan Jr estima que a principal alteração no processo de gratuidades afete os estudantes de famílias que tenham renda maior que três salários mínimos e professores. “Filhos de empresários ricos ou servidores com salários altos não deveriam ter transporte público gratuito. Então, a ideia é ter um limitador de renda familiar”, pontuou.
    Desde junho de 2011, o usuário que precisa utilizar dois ônibus em um intervalo de 30 minutos também passou a não pagar a segunda passagem em Porto Alegre. Para o prefeito, essa isenção impactou em todo sistema. “Quando chegou a segunda passagem gratuita todas empresas quebraram, inclusive a Carris”, concluiu.

  • MP pede agilidade da Justiça para proteger patrimônio da Zoobotânica

    Cleber Dioni Tentardini
    A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Porto Alegre ingressou nesta segunda-feira, 10, com pedido de “apreciação imediata” da Ação Civil Pública ajuizada contra o Estado do Rio Grande do Sul para proteger o Jardim Botânico e o Museu de Ciências Naturais, ambas as instituições vinculadas à Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
    Conforme a promotora de Justiça, Ana Maria Marchesan, parte do muro que separa o terreno do Jardim Botânico da vila foi derrubado, tornando o local sujeito a novas invasões. “A destruição faz periclitar o incrível patrimônio ambiental e cultural dos dois equipamentos”, observou.
    A ação civil pública foi ajuizada pelo MP em fevereiro deste ano. Pede que o Estado apresente um estudo técnico que mostre quem fará a guarda e manutenção dos acervos e onde ficarão depositados na Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA). Trata-se do patrimônio cultural e natural das instituições.
    “Os trabalhos do Museu são relevantes ainda para questões ligadas à saúde da população, pois os venenos extraídos das serpentes vivas que lá estão são usados para fabricação de soro antiofídico e outros medicamentos”, ressaltou a Promotora, lembrando que há também um patrimônio genético catalogado no Museu.

    Promotora Ana Marchesan conhece coleções do Museu de Ciências Naturais/MPRS
    Promotora Ana Marchesan conhece coleções do Museu de Ciências Naturais/MPRS

    Recentemente, a promotora do Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Marchesan, realizou uma vistoria nas coleções do Museu de Ciências Naturais, tendo em vista a possível extinção da FZB e de seus equipamentos vinculados.
    Acompanhada da assessora historiadora do MP, Cintia Vieira Souto, e de representantes do Conselho Federal e Estadual de Museologia, a promotora constatou o “incrível trabalho de memória científica desenvolvido há anos pelos pesquisadores das mais diversas áreas e a importância que ostentam para programas de conservação da biodiversidade e do meio ambiente como um todo, sem falar na relevância como fonte para trabalhos científicos”.
    Foram vistoriadas as coleções de insetos, plantas vasculares e líquens, algas (ficologia), poríferos, entomologia (insetos), malacologia (moluscos), ictiologia (peixes), erpetologia (répteis e anfíbios), ornitologia (pássaros), mamíferos (mastozoologia), paleontologia e o serpentário.
    Afora as coleções históricas (recebidas prontas pelo Museu), todas as demais são coleções vivas, ou seja, continuam recebendo diuturnamente materiais novos para estudos e catalogação, necessitando de curadoria permanente.
    Ana Marchesan avalia que a perda parcial ou total desse acervo representará danos irreversíveis à memória científica não só nacional como até internacional. “O Museu recebe consultas e estabelece intercâmbios com diversas instituições estrangeiras como o Museu Britânico e o Museu de História Natural de Berlim”, destacou.