O prefeito Nelson Marchezan Júnior deu uma breve entrevista para o JÁ, enquanto saia de uma reunião com vereadores, sobre o trabalho desenvolvido pela Falconi Consultores junto à Prefeitura de Porto Alegre. Confira a íntegra abaixo:
Qual função está desempenhando a Falconi na Prefeitura de Porto Alegre?
É aquilo que está publicado no site da Prefeitura, que é ajudar a construir o Prometas que foi apresentado na Câmara de Vereadores e ajudar a reestruturação das secretarias. O contrato foi publicado, está publicado no site.
O contrato prevê a escolha de um padrinho em cada cidade. Quem é o padrinho de Porto Alegre?
Não foi definido ainda.
Quem são os líderes empresariais que compõem o comitê?
Também estão na página da Comunitas, não sei quais são todos exatamente. Tudo está na internet.
O contrato prevê que a Comunitas possa captar recursos, tens ideia de que valor já foi captado?
A Comunitas também tem orçamento. Como ela é um ONG, o orçamento de doadores, origens de recurso, tudo é publicado no site deles. Eu não olhei isso.
Em uma das frentes, havia a possibilidade de aditivo ao contrato…
Sempre tem. Mesmo que não estivesse previsto eu sempre posso aditivar qualquer contrato, qualquer parceria, qualquer convênio.
Foi feito algum aditivo até o momento?
Tudo que tem está publicado.
Como foi feita a escolha da Falconi? Teve chamamento público, edital?
Foi feita através de várias consultorias. A gente conversa, a Comunitas conversa, quem eles tem como parceiros, os resultados de outros municípios.
Foi uma escolha da Prefeitura ou da Comunitas?
De ambos. Óbvio que a Prefeitura é parte final e a decisão sempre é nossa.
Autor: da Redação
Prefeito fala sobre atuação da Falconi no seu governo
Consultoria privada é responsável pelos principais projetos de Marchezan
Matheus Chaparini
Uma empresa de consultoria privada com sede em Minas Gerais é a responsável por alguns dos principais projetos da gestão do prefeito Nelson Marchezan Junior em Porto Alegre.
A Falconi Consultores de Resultado trabalha dentro da sede do Executivo municipal tocando três projetos: a reforma administrativa, o equilíbrio fiscal e o estabelecimento de metas para as secretarias.
Questionado pela reportagem sobre qual a função desempenhada pela consultoria dentro do Executivo municipal, o prefeito Marchezan respondeu: “é ajudar a construir o Prometas, que foi apresentado na Câmara de Vereadores e ajudar na reestruturação das secretarias. O contrato foi publicado, está no site.”
Porém, buscando no site da Prefeitura a palavra “Falconi” não é encontrado nenhum resultado. O mesmo acontece se esta mesma busca é feita no sistema do Diário Oficial. Na página da Câmara Municipal, a situação é a mesma.
Empresa tem sede em Minas Gerais
A empresa que tem sede em Nova Lima, Minas Gerais, e escritórios em São Paulo, Miami, Cidade do México e na Guatemala, não foi escolhida por meio de um edital, tampouco atendeu a um chamamento público da prefeitura.
No papel, a Falconi tem uma relação indireta com o Município: é parceria técnica da ONG Comunitas, que firmou um acordo de cooperação com a Prefeitura de Porto Alegre. O acordo foi assinado em 1º de fevereiro e publicado no Diário Oficial de Porto Alegre em 8 de março. Tem duração de 24 meses, a partir da publicação.
O acordo prevê a implantação do programa Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável. O programa já foi implantado em 12 cidades do país como Campinas (SP), Paraty (RJ), Pelotas (RS), Santos (SP), Juiz de Fora (MG), Teresina (PI) e Curitiba (PR)
A parceria não prevê pagamento por parte da prefeitura. De acordo com o termo, “o projeto será financiado pela Comunitas, que poderá captar recursos financeiros para sua execução perante empresas e institutos, sem qualquer restrição ou limitação, desde que comprovada a aplicação dos recursos integralmente no projeto.”
Quem banca a ONG é um seleto grupo que inclui algumas das maiores empresas do país como bancos, construtoras e empresas de telefonia. Figuram na lista cerca de 30 empresas, como Bradesco, BRF, Santander, Itaú, Votorantim entre outras. No caso específico do programa Juntos, os empresários Jorge Gerdau, Pedro Paulo Diniz e Carlos Jereissati Filho são alguns dos apoiadores.
De acordo com termo de cooperação, “a coordenação e supervisão geral do projeto ficarão sob responsabilidade da Comunitas e a execução das atividades específicas ficará sob responsabilidade dos parceiros técnicos da Comunitas, a saber: Falconi (INDG), e demais parceiros envolvidos no projeto.”
Apreensão entre os servidores
A presença de jovens de terno e gravata circulando pelos corredores do prédio que abriga a Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão (SMPG) despertou curiosidade nos servidores do Município.
Embora, entre as funções da secretaria esteja “formular, integrar e acompanhar a execução do planejamento estratégico e do modelo de gestão adotado no Executivo Municipal”, seus servidores pouco sabem do que se passa em relação a estes projetos.
A curiosidade virou apreensão quando estes rapazes começaram a chegar em salas de diversos setores solicitando com urgência diversos documentos relativos à administração municipal.
Entre os papéis exigidos estavam documentos relativos a gratificações dos servidores e até o chamado Planilhão, onde constam informações salariais sobre todos os servidores municipais.
Alguns questionamentos dirigidos aos servidores de carreira demonstravam pouca familiaridade com o funcionamento da administração pública.
A sala ocupada pelo grupo, no quinto andar, com vista para a avenida Borges de Medeiros, não possui identificação, ao contrário das demais. Seus ocupantes andam pelos corredores sem crachá, que é obrigatório para os servidores, segundo o Decreto 19.695, de 3 de março de 2017.
Mas perguntando para qualquer funcionário sobre o que funciona naquela sala a resposta é clara: ali é a sala da Falconi. Os servidores da consultoria confirmam a informação, mas preferem não falar sobre os projetos.
Parceria com Prefeitura de Pelotas foi questionada na Justiça
Em Pelotas, a gestão anterior, do prefeito Eduardo Leite, também do PSDB, firmou um acordo semelhante com a ONG. O foco da parceria era a implantação de modelos de gestão escolar.
Lá, o Ministério Público questionou o contrato, o que resultou em ação judicial que suspendeu o contrato.
A empresa havia sido contratada com dispensa de licitação por um valor de pouco mais de R$ 2 milhões. Mesmo com o contrato cancelado pelo Tribunal de Justiça do Estado, a Câmara Municipal de Pelotas denunciou que a Falconi continuava trabalhando junto à Prefeitura de Pelotas, através de uma parceria firmada com a Comunitas.
Em Porto Alegre, o plano de trabalho prevê a execução do programa em 14 semanas, iniciando no final de janeiro e indo até a primeira semana de maio. Trata-se de um convênio, do tipo Acordo de Cooperação. O processo público nº 17.0.000006976-0 foi gerado no dia 30 de janeiro e tramitou em apenas dois dias.
O acordo estabelece quatro frentes de atuação: reforma administrativa, redução do déficit, estabelecimento de metas e indicadores de gestão para as secretarias e o banco de talentos. Em três destas frentes, a Falconi Consultores de Resultado aparece como parceiro técnico da Comunitas.
Líderes empresariais
Na reforma administrativa, a função descrita é de apoio ao ajuste das funções e estrutura das secretarias, definição do volume de lotação de CCs e FGs e avaliação e proposta de ajustes das políticas de remuneração e gratificações. Aprovado pela Câmara no início do ano, o projeto de Lei Complementar do Executivo nº 012/16 estabelece a reforma administrativa, que reduz de 29 para 15 o números de secretarias. Na prática, a reforma ainda não está implementada.
Em relação ao equilíbrio fiscal a empresa está revisando e ajustando contratos e despesas comprometidas em 03 órgãos da administração indireta. O plano de trabalho não especifica quais são esses órgãos.
Em relação às secretarias, a Falconi tem a tarefa de definir Indicadores e metas para cada secretaria e elaborar um plano de implantação de prioridades. Neste ponto, há uma observação. Apesar de ser um acordo de cooperação que não envolve pagamento por parte da prefeitura, este projeto “pode ser contratado mediante aditivo após o início dos trabalhos.”
O plano de trabalho apresenta também os objetivos e o sistema de governança do programa Juntos Pelo Desenvolvimento Sustentável.
O objetivo do programa é “promover a participação da sociedade na administração pública, com a inclusão de cidadãos nas discussões e nos processos de tomada de decisões sobre as prioridades municipais.”
Ressaltando que a “participação de líderes empresariais compreende um dos eixos fundamentais no sucesso do programa.” Além de pagarem a conta, os empresários participam do monitoramento das atividades e da definição de diretrizes.
O ítem governança define: os líderes empresarias constituem a principal esfera de governança, o Comitê de Líderes. Para tal, a Comunitas promove reuniões mensais. O Comitê de Líderes, somado ao Comitê de Líderes Locais formam o Núcleo de Governança, que estabelece um compromisso de governança compartilhada com prefeitos e secretários.
Além disso, cada cidade tem um padrinho, um membro do Comitê de Líderes que serve como garantia de que “os princípios e valores estejam presentes no dia a dia do Juntos”. Nelson Marchezan Júnior afirmou que o padrinho de Porto Alegre ainda não foi definido.
Sobre a Falconi
Empresa com sede em Nova Lima, MG. Tem escritórios em São Paulo, Guatemala, Cidade do México e Miami. Tem foco em gestão de empresas. Trabalha dentro das empresas, detectando problemas e focando em resultados. Entre os valores apontados no site estão meritocracia, obstinação por resultados e atitude de dono.
A empresa, fundada pelo professor Vicente Falconi, teve origem na Fundação Cristiano Ottoni, na Universidade Federal de Minas Gerais, que, na década de 80, iniciou o movimento Qualidade Total com a ajuda dos japoneses da Juse (Japanese Union of Scientists and Engineers).
Em 1998, com a necessidade de ampliar a sua atuação e atender à crescente demanda de empresas, foi criada a Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG). A partir de 2003, a FDG passou a atuar somente em projetos sem fins lucrativos, prestando serviços a instituições carentes. Nesse momento, foi fundado o INDG, organização que se tornou líder em consultoria de gestão com foco em resultados no Brasil. A partir de outubro de 2012, a empresa passou a se chamar FALCONI Consultores de Resultado
Sobre a Comunitas
A Comunitas é uma organização da sociedade civil brasileira que tem como objetivo contribuir para o aprimoramento dos investimentos sociais corporativos e estimular a participação da iniciativa privada no desenvolvimento social e econômico do país.
A organização conta com o apoio de líderes de grandes empresas.
A Comunitas tem sede em São Paulo, no edifício que leva o nome de Ruth Cardoso, fundadora da ONG. A diretora-presidente da Comunitas, é Regina Célia Esteves de Siqueira, também presidente da Fundação Ruth Cardoso.Associação literária homenageia Moacyr Scliar
A Associação Lígia Averbuck, dos Amigos do Instituto Estadual do Livro (IEL), promove na próxima sexta-feira, dia 7 de abril, das 20h em diante, Jantar de Confraternização, no Bar Apolinário (José do Patrocínio, 527).
Na ocasião será feita uma homenagem a Moacyr Scliar. Os ingressos estão disponíveis a R$ 60,00, pelo telefone (51) 3314-6450 ou e-mail ligia.averbuck1@gmail.com.
O menu abrange: Pequena Antologia de Pães e pastas artesanais (couvert), Poetrix de mix de folhas verdes, manga e redução de balsâmico (entrada), Poema de risoto de pera com gorgonzola ou Crônica de risoto de tomates com rúcula (prato principal) e Limerick de cheesacake de catupiry com calda de goiabada.
A Associação Lígia Aberbuck tem apoiado o IEL, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, cuja sede fica na rua André Puente, 318 e que vem atuando há 62 anos na formação de leitores e promovendo a literatura gaúcha. Presidida pela escritora Marô Barbieri, realiza o projeto Autor Presente, entre muitas outras atividades. Seus membros são Jacira Fagundes, Ana Mello, Luiz Coronel, Ricardo Silvestrin, Waldomiro Manfroi, Lila Manfroi e Marô Barbieri.
Operação Sossego vai conferir licenças de bares na Cidade Baixa
Fiscais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) fecharam cinco bares na Cidade Baixa, o bairro boêmio de Porto Alegre, nesta terça-feira, 04.
Bar do Cheiki, Bar e Cafeteria 512, Rock In’ Soul, Margot e Bar Vertente funcionavam em desacordo com os alvarás, segundo a Secretaria. Quatro atuavam com música ao vivo (o que não seria permitido para o tipo de licença que tinham) e um sem qualquer alvará.Reclamações de moradores, por causa do barulho, levaram à ação dos fiscais, na Operação Sossego. A iniciativa deve ser intensificada nos cem bares da região.Os proprietários terão 30 dias para apresentar as defesas.
O que dizem os bares:
Rock In’ Soul: o proprietário, Sandro Macedo, afirmou à Rádio Gaúcha que todos os alvarás estão em dia, inclusive os que autorizam música ao vivo.
ue nenhum responsável poderia falar no momento.
Margot: João Veppo, um dos proprietários do Margot, afirma que o estabelecimento conseguiu uma liminar no fim da tarde e não está mais interditado. Como a agenda da semana já havia sido cancelada, a direção avalia quando retomará a programação.
Bar do Cheiki: o proprietário do bar, Júlio César Gomes, disse que o estabelecimento não tem música ao vivo. Segundo ele, o bar foi interditado porque receberam duas autuações por passar do horário. Ele afirmou que tem alvará válido até 2018.
O Vertente e o 512 não se manifestaram.Sindicato dos engenheiros faz eleição pela internet
Os profissionais associados ao Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) elegem nos próximos dias a diretoria que irá comandar a entidade durante a gestão 2018-2021.
A chapa “Trabalho-Integração-Compromisso”, encabeçada pelo atual presidente do sindicato, engenheiro Murilo Pinheiro, é a única inscrita na eleição. O pleito será pela internet, com os associados ao SEESP autorizados a votar a partir da 0h desta quinta-feira (6/4) e até às 18 horas da próxima segunda-feira (10/4).
De acordo com as regras estatutárias, podem votar os profissionais filiados à entidade até 31 de dezembro de 2016 e que estejam com o pagamento da anuidade em dia. Aos filiados aptos a participar do pleito foi enviada correspondência inviolável pelo Correio contendo o número da matrícula e a senha gerada automaticamente de forma randômica.
Com essas informações, os eleitores poderão acessar o link disponível no site do SEESP, www.seesp.org.br. Caso não tenha recebido, o filiado deve entrar em contato com o departamento de Cadastro da entidade, pelo telefone (11) 3113-2625 para garantir a sua participação.
A votação eletrônica visa garantir a participação na eleição do maior número de sócios do SEESP. O presidente da Comissão Eleitoral, Francisco Carlos Castro Rodrigues Netto, informa que essa modalidade permite o voto à distância, facilitando o processo eleitoral. “A eleição pela internet permite ao engenheiro votar onde quer que esteja. Nossa experiência tem sido positiva”, disse.
Na segunda-feira, último dia para votação, haverá um computador com acesso à internet à disposição dos associados na sede do SEESP, localizado à rua Genebra, 25, Bela Vista, das 9h às 18h.
Fundado em 1934, o SEESP possui uma história de mais de oito décadas dedicadas a uma categoria profissional associada à tecnologia, à inovação e fundamental ao desenvolvimento do País. Em função de sua atuação em defesa dos engenheiros, o sindicato conta com mais de 50 mil associados.
Ambientalistas questionam na Justiça a reforma de Marchezan
felipe uhr
Antes de completar 100 dias na Prefeitura de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior está em rota de colisão com siglas históricas do movimento ambientalista.
Primeiro, o prefeito tentou extinguir a Secretaria de Meio Ambiente, mudando-a para Secretaria da Sustentabilidade. Teve que aceitar uma emenda e recolocou o Meio Ambiente no nome da pasta.
Mas isso foi só o começo. A reforma transferiu atribuições da SMAM (meio ambiente) para a recém-criada Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SMDE). À SMDE, segundo a reforma, cabe “coordenar e acompanhar os processos de licenciamento ambiental, urbano e de regularização fundiária de forma integrada” .
A mudança chocou as entidades do meio ambiente.
Membros da Agapan e de outras entidades entraram com uma Ação Popular contra o prefeito Marchezan e seu secretário de Desenvolvimento Econômico, Ricardo Gomes, em razão da alteração.
A mudança é inconstitucional, alegam os ambientalistas, “por contrariar norma federal que instituiu a competência para o licenciamento ambiental”.
Trata-se, segundo os demandantes, de ameaça “às garantias constitucionais relacionadas ao direito fundamental ao ambiente ecologicamente equilibrado”.
“Quem tem a mínima estrutura para avaliar ou acompanhar os licenciamentos é a SMAM e não outra Secretaria.” afirma o presidente da Agapan, Leonardo Melgarejo.
“Isso é inconstitucional”, alega o coordenador do InGá e da Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (Apedema-RS), o professor da Ufrgs Paulo Brack.
Brack também alertou que a pasta ainda não tem secretário e o abandono do Conselho Municipal do Meio Ambiente (COMAM), que em 2017 ainda não se reuniu.
O COMAM foi criado em 1996, atualmente é formado por 27 conselheiros distribuídos entre entidades do Estado, membros do Executivo, entidades ambientalistas, associações, outros conselhos e organizações de entidade civil. Quem preside é sempre o atual secretário.
Nele cabem decisões importantes, como por exemplo a autorização do uso dos recursos do Fundo Pró Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre (FUNPROAMB).
Como a Secretaria ainda não tem titular, o Conselho ainda não tem presidente e também não atualizou seus membros. É um descaso com algo de extrema importância, segundo Brack: “O COMAM não é apenas consultivo. Ele é deliberativo e decisivo em certas questões”
Apedema também denunciará Marchezan
A Apedema-RS também providencia uma ação em manifesto aos primeiros cem dias do governo Marchezan. “Vamos fazer uma carta aberta de repúdio”, afirmou o professor Brack. Para ele, além de ter parado o Conselho e de não ter definido um titular, a nova gestão não mostrou nenhuma transparência, uma das marcas que o prefeito mais ressalta ser de seu governo, pois nenhuma entidade foi chamada. ” Não houve discussão nem da reforma nem para o Conselho”, criticou. A Apedema representa 37 entidades ambientalistas em todo Estado, e irá mandar a carta para a Prefeitura e o Ministério Público além de divulgar para a sociedade.
Em janeiro a entidade também apresentou um carta de repúdio do novo governo. Na época o ato era contra a extinção da SMAM.
Fraude em licença ambiental suspende obras do prédio mais alto do Brasil
Em Balneário Camboriu, onde a especulação imobiliária sempre esteve acima da lei, a Justiça suspendeu por 30 dias a ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra as obras do maior prédio residencial do pais, o Yachthouse, de 74 andares.
As empresas Pasqualotto & GT estão propondo de fazer uma compensação ambiental em troca da extinção do processo. O MPF pede a suspensão das obras.
O MPF questiona o licenciamento ambiental da construção que, entre outras irregularidades, não respeita a distância legal, de cem metros, entre o empreendimento e a margem do Rio Camboriú.
A Fatma, responsável pelo licenciamento ambiental, e a prefeitura de Camboriú também são alvos da ação.
A procuradoria avalia que a Fatma deveria ter solicitado um “Eia-Rima” (estudo e relatório de impacto ambiental) aos empreendedores, em vez de um Estudo Ambiental Simplificado (EAS). Desta forma, seria obrigatório promover audiências públicas antes de emitir as licenças.
Uma das propostas das construtoras é compensar os danos, recuperando a mata ciliar do Rio das Ostras. O rio, que atravessa os bairros na região sul da cidade, sofre com construções irregulares nas margens, despejo de lixo e assoreamento.
Caso não haja acordo, ao final dos 30 dias de suspensão, a Justiça terá que decidir sobre o pedido de liminar feito pelo Ministério Público, que pede a suspensão das obras.
A procuradoria sugere na ação que as construtoras sejam condenadas a derrubar partes do empreendimento, erguidas em área de preservação permanente.
A praia da Camboriu, apertada entre uma rodovia federal e uma área de preservação ambiental, teve nos últimos 30 anos seus cinco quilômetros tomados por uma fileira de espigões, que hoje tiram o sol da praia. A cidade de 128 mil habitantes já tem os dois edifícios mais altos do país: o Millenium Palace, de 45 andares e o Infinity Coast, de 66 andares.
Usina de Itaipu bate recorde de produção diária no trimestre
A Itaipu Binacional teve a maior produção diária de todos os tempos, no primeiro trimestre deste ano. A média foi de 284.496 megawatts-hora (MWh), ante os 281.664 MWh de geração diária em 2016, o segundo melhor resultado desde que a usina entrou em operação, há quase 33 anos (maio de 1984).
Mesmo com um dia a menos no calendário em relação a 2016, que foi um ano bissexto, e em condições hidrológicas menos favoráveis, a produção acumulada nos três primeiros meses de 2017 praticamente empatou com a do mesmo período do ano passado. Foram 25.604.769 MWh, apenas 0,1% inferior em relação ao recorde trimestral de 2016, que foi de 25.631.082 MWh.
Com a marca de 103 milhões de MWh em 2016, a Itaipu Binacional teve um ano histórico e voltou a ser a maior geradora de energia elétrica limpa e renovável do planeta. O volume superou em mais de 3 milhões de MWh o desafio estabelecido em 2012 pela diretoria da empresa. Foi a primeira vez que a hidrelétrica gerou mais de 100 milhões de MWh num ano, uma meta que continua mantida para os próximos anos.
Só o que Itaipu gerou de janeiro a março deste ano seria suficiente para atender uma cidade como Curitiba durante cinco anos e três meses. A produção de Itaipu no primeiro trimestre já a coloca em segundo lugar, hoje, quando comparada à produção anual entre todas as 4.500 plantas de geração elétrica do Brasil.
Otimização
Mais uma vez, a boa produção de Itaipu – considerada excepcional pelo setor energético-, ajudou a retardar a entrada da bandeira vermelha, que vigora quando o país, por questões hidrológicas, precisa acionar a produção das usinas térmicas, cuja matéria-prima é mais cara.
Para o novo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Luiz Fernando Vianna, que assumiu o cargo no dia 23 de março e está acumulando também a Diretoria Técnica, o resultado operacional até agora é bastante satisfatório, porque a usina está sabendo otimizar a produção, mesmo numa situação hidrológica mais adversa que em anos anteriores.
Ele lembra que, embora estejamos no período úmido do ano (em que normalmente há mais chuvas sobre a Bacia do Rio Paraná), a Itaipu não teve nenhum vertimento no período. Isso significa que estamos num ano mais seco que 2016, o que obriga Itaipu a utilizar, com mais eficiência, toda a água que chega ao reservatório para a geração de energia. Para garantir a produção no nível mais elevado possível em 2017, com a adversidade de afluências prevista, Vianna diz que será preciso manter “uma estratégia aprimorada de operação e manutenção”.
Dança das águas
A usina de Itaipu vem mantendo, nos últimos anos, o aproveitamento total da matéria-prima para a produção de energia (a água), com mais flexibilização das manutenções. É a chamada “dança das águas”, que permite preparar o reservatório para acumular mais água quando há previsão de chuvas a montante da usina e deixar todas as unidades geradoras prontas para serem acionadas a qualquer tempo.
Produtividade
No primeiro trimestre, o Fator de Capacidade Operativa, que mede a eficiência na utilização das águas, foi de 100% em Itaipu. Isso é resultado de um trabalho de coordenação muito complexo, uma vez que depende da performance das diversas áreas da Diretoria Técnica da usina, como engenharia, obras/montagens, manutenção e operação, assim como da parceria contínua entre a Itaipu e empresas envolvidas em sua cadeia produtiva, como a Eletrobras, a paraguaia Ande, o Operador Nacional do Sistema, a Copel e Furnas.
Banco de Talentos escolhe mais um secretário-adjunto e oito diretores
Mais nove inscritos no Banco de Talentos (www.bancodetalentospoa.com) foram selecionados para cargos diretivos na administração municipal. O total de inscritos na plataforma digital – inédita na administração pública – já chega a 9.083 profissionais. Destes, 808 foram entrevistados por 18 recrutadores e 310 foram selecionados.
O prefeito Nelson Marchezan Júnior acredita que entregar a seleção de dirigentes ao Banco de Talentos dá transparência às escolhas das pessoas que atuam na administração municipal e qualifica o serviço público. “Temos recebido o cadastro de pessoas altamente qualificadas e dispostas a contribuir com a gestão pública. Todos dispostos a contribuir com Porto Alegre, especialmente nesse momento de crise, em que a cidade precisa de todos nós”, disse.
Nesta segunda-feira (3) o prefeito anunciou mais nove seleções feitas através da plataforma. Leandro Lemos é o novo secretário-adjunto da pasta de Desenvolvimento Econômico. Liciane Rossetto Chrysostomo foi escolhida para a Diretoria de Turismo. E Domingos Valladares será diretor de Planejamento Logístico da Secretaria de Serviços Urbanos. “É uma forma de contribuir para a sociedade”, justificou Valladares.
Para o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) foram triados 128 currículos para cargos de diretoria e gerência, 57 entrevistados pelo Banco de Talentos, 34 entrevistados pela direção do Dmae e nove selecionados. Entre eles estão Luis Fernando Jacobsen Albrecht, para a Direção de Operações; Marco Antonio Gil Faccin, diretor de Desenvolvimento e Gestão; e Cesar Benedito Gabin, diretor de Relacionamento com o Cliente. Os três selecionados já integravam o quadro de funcionários do Dmae. “A valorização dos técnicos é algo que temos levado muito em consideração nas seleções. Os servidores técnicos podem contribuir muito com a cidade”, defende Christian Lemos, um dos coordenadores do processo seletivo.
Na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade (Smim) são três novos diretores escolhidos. Foram triados 45 currículos para cargos de diretoria e gerência, 30 entrevistados pelo Banco de Talentos, 12 entrevistados pela Secretaria e quatro selecionados. Os novos diretores são: Marcelo Jesuíno de Almeida, para direção de Planejamento Estratégico; Thiago Regal da Silva, diretor de Projetos; e Marcelo André Deboni, diretor de Planejamento, Metas e Desempenho. Todos atuavam na iniciativa privada e demonstram interesse em aplicar seus conhecimentos no serviço público.
Trajetória profissional dos selecionados:
Domingos Valladares – Administrador com mestrado na PUCRS, é professor na mesma instituição das cadeiras de Estratégia e Internacionalização. Destacou-se na liderança de equipes de grandes corporações como Lojas Renner, empresa na qual foi gerente de planejamento de logística – Brasil. A experiência de 15 anos na iniciativa privada também inclui o cargo de diretor de logística e compras do Grupo Soma (Rio de Janeiro).
Liciane Rossetto Chrysostomo – Graduada em Turismo, especialista em Gestão Estratégica das Organizações e Desenvolvimento Humano, mestre em Engenharia de Produção e doutoranda em Comunicação Social. Até 2015, foi diretora da Escola de Negócios da Fadergs. Foi coordenadora de graduação da Pró-Reitoria de Graduação do IPA.
Leandro Lemos – Bacharel em Ciências Econômicas, mestre em Economia Industrial pela UFRGS e doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo. Atuou durante muitos anos na área de funding. Foi professor da PUCRS e presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul.
Marcos André Deboni – Graduado em Engenharia Civil, mestre em Engenharia de Produção e com MBA em Gerenciamento de Projetos, destacou-se na implantação de escritórios de planejamento em empresas como Gerdau, CSN, Petrobras e TIM, e no gerenciamento de equipes multidisciplinares em países como China, Índia, México e Suécia. Trabalhou na Ericsson, onde atuava como Customer Project Manager.
Marcelo Jesuíno de Almeida – Formado em Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações, fez cursos de Gestão de Projetos nos Estados Unidos, no PMI USA, e MBA feito no Iergs e na EPSM. Atuou na Ericsson por 19 anos como gerente de programas e projetos, gerente de contas, de planejamento estratégico e de linha. Na Telepar, foi coordenador regional, gerenciando contratos de terceirização. Foi professor no Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná e no Laboratório de Eletrônica Digital. Atualmente atua junto ao Project Management Institute RS, capacitando professores e instituições a aplicarem técnicas de gerenciamento de projetos.
Thiago Regal da Silva – Formado e com mestrado em Engenharia Elétrica, atualmente é doutorando na UFRGS. É membro do Project Management Institute (PMI) desde 2010 e possui certificações técnicas reconhecidas internacionalmente. Desenvolveu projetos de business rules engine para clientes no Brasil, Europa e Ásia. Desenvolveu projetos voltados à área ambiental e de grandes obras de infraestrutura, como usinas hidroelétricas, estaleiros, refinarias e linhas de transmissão para clientes como Petrobras, Norte Energia, RG Estaleiros, Wilson Sons, RS energia e outros. Em 2014, assumiu a Gerência Global de Programas e Projetos da Dell, envolvendo equipes na Índia, Brasil, EUA e Europa.
Cesar Benedito Gabin – Formado em administração, está no Dmae desde 2000, onde ocupou cargos de chefias e atuou como gerente. Fez vários cursos pelo Dmae, com destaque para as Normas ISO (9.001 e 17025). Possui experiência em gestão de equipes e comando dos setores de atendimento ao cliente.
Luiz Fernando Jacobsen Albrecht – Engenheiro Civil e administrador, está no Dmae desde 1992, onde atuou nas áreas de projetos e obras civis e ambientais. Foi coordenador de tratamento e distribuição de água. Também atuou no Plano Diretor de Esgotos da Cidade, em 2009.
Marco Antonio Gil Faccin – Engenheiro Civil, está no Dmae há 21 anos. Atuou na fiscalização de obras de rede, edificações de unidades operacionais. Nos últimos anos assumiu a gerência de elaboração de projetos e fiscalização.Quando exagerinhos e erros estéticos na condução do processo maculam a justiça e servem apenas à grande obra corporativa de destruir o país
Wadih Damous*
Deputado Federal (PT-RJ) e ex-Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio de Janeiro.
É dever do advogado defender seus constituintes com todo seu conhecimento, sua melhor técnica e esmero argumentativo. O interesse do cliente está acima de tudo. A tergiversação é o pecado capital do advogado. Por isso mesmo a aceitação de um mandato não dispensa do exame de consciência, pois o maior ativo do defensor é a credibilidade advinda de sua coerência ética e, também, política. Causas patrocinadas por mero mercantilismo costumam afetar a reputação de quem as defende. O desdém pelo enquadramento axiológico do pleito lhe impede ver que o direito pelo qual pugna pode ser indefensável em perspectiva ética.
Não afirmo que não haja espaço para qualquer tipo de advocacia. O mercado não funciona na base da ética. Nele prevalece a máxima “pecunia non olet” (“Dinheiro não tem cheiro). O causídico sempre poderá dormir em paz com a desculpa de que qualquer acusado merece uma boa defesa.
Essa desculpa não é de todo falsa. O direito à ampla defesa deve ser garantido a santos e sacripantas indistintamente. Mas, no escrutínio diante do seu conselheiro interior, o advogado tem capacidade de optar por defender ou não o sacripanta, a depender do vulto da sacripantagem. Um advogado não é um vendedor de palavras ao léu. Precisa conquistar corações e mentes. Essa é sua arte. É mais fácil convencer quando se tem convicção do que quando só se pensa nos honorários. A ética da advocacia está intimamente vinculada não apenas à fidelidade do advogado a seu cliente, mas, sobretudo, à lealdade com que se conduz no processo, com a sinceridade de quem está defendendo aquilo em que acredita.
Quando advogados não têm convicção, podem sentir-se atraídos à causa pelas 30 moedas de prata (Mt 26, 14-16) somente, mas pagam um alto preço por isso. Em tempos de delação premiada, ser Judas está na moda e os maus conselheiros abundam. Mas quem conchava com um Caifás, mesmo que seja em Curitiba e não em Jerusalém, precisa saber que a história o julgará com a crueldade proporcional à leviandade de seus atos.
A chamada “Operação Lava-Jato” não é uma atividade judicial-policial qualquer. Também não é uma cruzada do Bem contra o Mal. É sobretudo uma iniciativa política, palco dos encontros e desencontros de múltiplos interesses. Suas consequências têm custado muito caro ao país. Não pelo ônus natural de uma persecução penal a atingir atores centrais de nossa vida política, o que por si só seria impactante, mas, muito mais, pela revelação da imaturidade das nossas instituições, que fazem gato e sapato dos direitos e garantias fundamentais do processo e se omitem na proteção da imagem dos arguidos sob forte pressão midiática. Assaz capengas entre nós, as regras processuais perderam vigência nessa obra piramidal de burocratas concurseiros, ávidos por seus minutos de glória e iludidos com sua (des)importância num quadro constitucional astênico, que mal disfarça a ruína do consenso democrático em meio ao golpe resultante na deposição da Presidenta da República Dilma Vana Rousseff. O preço pago pela sociedade não é apenas a corrupção de suas instituições, mas igualmente a extinção de milhares de empregos, o colapso de setores vitais da economia, a perda da competitividade no mercado internacional, a deterioração da imagem do Brasil e de seus atores empresariais, o desaparecimento de forte ativo tecnológico e o comprometimento do futuro das gerações jovens, fadadas a viver num país de infraestrutura precarizada e incapaz de se reerguer. O produto dessa irresponsabilidade corporativa tem um nome: Estado falido.
Não vale dizer que esse desastre nacional é culpa da corrupção e não de seu “combate”, argumento tosco dos agentes persecutórios, que, com falsa humildade, dizem estar “só fazendo seu trabalho”. Eichmann em Jerusalém também disse que apenas havia feito seu trabalho ao deportar milhões de judeus de seus lares para as câmaras de gás. Quiçá pensasse que a culpa não era dele, mas dos milhões de judeus que viviam na Europa Central.
De um agente público, principalmente dos que tomam decisões graves para o país, espera-se mais do que submissão acrítica a rotinas de serviço. Espera-se comedimento e parcimônia, estrita vinculação às leis, que fidelizam valores constitucionais, e sobretudo visão estratégica, bem como a consciência de que formas e meios não podem se sobrepor aos fins maiores do bem-estar e da soberania nacional.
O desastre nacional é culpa, sim, de moças e rapazes imaturos, recrutados entre a meritocracia ideologicamente rasa e em procedimento que não afere a capacidade de enfrentar desafios reais e riscos políticos. São dirigidos por um chefe pouco afeito à crítica de suas ações e com uma visão distorcida do papel de sua instituição.
A corrupção no Brasil já há muito carecia ser enfrentada. Isso não é novidade para ninguém. O problema da transição democrática entre nós é que ela foi feita com o esforço de resguardar privilégios e posições consolidadas de poder. Não mexemos no DNA da governação. Os caciques de antes da ditadura militar e os que com ela nasceram ou se fortaleceram não precisaram temer nada na passagem para o governo civil. Da parte dos que foram massacrados pelo autoritarismo do golpe de 1964, houve condescendência, extorquida em nome da sustentabilidade da transição. Completada esta, ocorreu a acomodação, o convívio dos contrários em nome de um consenso democrático. Banalizaram-se as más práticas, aceitas como mal menor. Pior seria um novo confronto com nossas podres elites, que pudesse ter como desfecho nova onda de perseguição contra as forças democráticas.
No âmbito do Judiciário, tal acomodação foi sustentada tanto pela ineficiência do aparato persecutório, quando se tratava de lidar os malfeitos dos poderosos, sempre representados por advogados de “griffe“, ao gosto dos magistrados que cultivavam sua cercania, quanto pela extrema antipatia da vasta maioria dos juízes por demandas democráticas vistas como “esquerdistas”, para não dizer “revanchistas”.
Enquanto isso, os negócios dos corruptos e dos corruptores iam bem. Custeavam todo o sistema político com o financiamento de disputas eleitorais em valores cada vez mais próximos da estratosfera. Quem quisesse ser um “player” na macropolítica não poderia dispensá-los. A contrapartida da ajudinha era modesta: garantir uns contratinhos aqui e outros acolá, com recursos públicos a irrigar a máquina de eleger caciques.
Nas poucas vezes que o Ministério Público quis reagir, tomou balde de água fria na cabeça. Foi atropelado com a absolvição de Collor no STF; com o confisco, pelo STJ, dos autos das provas recolhidas no escritório do genro de José Sarney; com o uso de um habeas corpus no mesmo STJ a teleguiar os passos do juiz de primeiro grau no Maranhão na operação “Boi Barrica”; com a improcedência de todas as ações que tentaram bloquear o leilão da telefonia pública a preço de banana; com o desaparecimento da “pasta cor de rosa” nas gavetas do Procurador-Geral da República e por aí vai. Infindável é a lista de episódios, nos quais o Ministério Público, militante de boas causas, foi feito de bobo da corte.
Consolidou-se uma política da impunidade amplamente sustentada pelo Judiciário, sempre que os suspeitos eram políticos “de bens”. Formou-se ao fim o consenso de que não era possível ganhar eleições e governar sem aliança com a casta dos corruptos.
As alianças feitas pelo PT foram reputadas indispensáveis para que Lula e, depois, Dilma pudessem se manter firmes no poder. Afinal, mesmo tendo ganho as eleições presidenciais, as bancadas da esquerda nas duas casas do Congresso eram esquálidas, incapazes até de formar maioria simples para aprovação de matérias importantes. Partidos que na sua prática nada tinham em comum com o PT foram chamados a compor o governo, para formar a base parlamentar indispensável. Os caciques de sempre, porém, nunca se davam por satisfeitos com as mordiscadas ministeriais e orçamentárias franqueadas na divisão do botim político. Queriam mais. Não atendidos, impunham ao governo derrotas pontuais no parlamento como um aviso. Nessas horas não eram “prestigiados” pelo governo. Colocavam a culpa no PT, que na sua ótica tudo queria para si. Sentiam-se parceiros menores. E isso apesar de terem sob o comando de sua gente pastas repletas de cargos e recursos para distribuir a aliados. A chantagem era quase diária. E o governo cedia sob justificativa da garantia da governabilidade.
Não se compreendeu que a aliança com os caciques de sempre, se por um lado permitia pequenos avanços numa cultura política inclusiva, por outro mantinha a velha “negociatocracia”, que se alimentava de recursos públicos para financiar sua hegemonia política.
O “turning point” na tolerância generalizada com a corrupção foi atingido quando os achacadores decidiram romper a aliança. Estavam insatisfeitos por não comandarem o caixa como sempre comandaram. O escândalo do chamado “mensalão” começou quando Roberto Jefferson aparentemente não se contentou com os quatro milhões que lhe teriam sido destinados num sinal de boa vontade para com seu partido. Quis 20 milhões supostamente prometidos e não entregues. Ficou furioso com a destituição da diretoria dos Correios por ele indicada e declarou guerra à Casa Civil dirigida por José Dirceu.
Os achacadores converteram-se em acusadores e passaram a fazer a festa da direita brasileira. Sempre lenientes com os malfeitos dos caciques, os tribunais começaram a amolar seus facões para trucidar os políticos da esquerda histórica.
Ninguém desconhece que a manutenção da aliança com os caciques corruptos fez o PT ingressar em uma zona de elevado risco ético. Mesmo sem ter plena consciência da extensão do tamanho da pilhagem, compactuou com políticos rapaces. Dividiu sua tradicional base de sustentação partidária. Rachou o partido. Distanciou-se de parte do movimento popular. Mas a maior catástrofe foi permitir que as práticas sujas da política tradicional contaminassem a imagem do próprio PT.
Essa foi a deixa para que os caciques pudessem, na base de uma campanha de destruição de reputações, retornar ao poder sem precisar dividi-lo com a esquerda. Puderam, agora, espalhar que todos eram iguais, inclusive o pudico PT. Festejaram a morte de seu alter ego ético. Embora o PT tenha se adaptado apenas à cultura dos donos do poder para, firmando aliança com estes, sustentar-se no poder para o qual fora eleito, foi transformado em líder da corrupção. E agora, com o apoio dos velhacos da política e da grande mídia, o Judiciário, que sempre premiou com sua leniência e sua ineficiência a apropriação da coisa pública pelos donos do poder, pretende estatuir um exemplo de moralidade, transformando o PT e sua liderança forjada na luta contra a ditadura em bodes expiatórios de todos os males de 500 anos de história do Brasil.
Aqui entra em cena o Ministério Público com suas operações contra a corrupção. Juntou-se a fome com a vontade de comer. E o mais guloso de todos os atores estatais é um juiz de piso de Curitiba, vaidoso até a medula e com indisfarçável antipatia pelo PT e seus atores.
Muito cedo o Ministério Público descobriu que poderia tornar-se popular e melhorar seu cacife na negociação de suas vantagens e de seu status no quadro constitucional prático com o governo e o Congresso, espalhando o terror no Estado e engambelando com um discurso falso-moralista a manada dos desavisados leitores de Veja e O Globo. Ações penais e de improbidade administrativa contra gestores e políticos carreiam indiscutíveis vantagens. Temidos, os membros do Ministério Público, representados por suas associações corporativas, são recebidos pelos parlamentares e dirigentes ministeriais responsáveis pelos seus ganhos. Na visão de boa parte dessa burocracia poderosa, greve é coisa de perdedor. Discretas, suas campanhas por subsídios transcorrem em salas acarpetadas, com ar condicionado, cafezinho, água gelada e muitos tapinhas nas costas. Só assim conseguiram chegar ao patamar de 30 mil reais de ganhos brutos ordinários por mês mesmo para jovens na carreira, muito acima dos ordenados de embaixadores, generais de quatro estrelas ou professores titulares de universidades públicas.
Operações como a “Lava Jato” produzem um enorme efeito de marketing positivo para a corporação e são vendidas como pílula amarga redentora de todos os males da nação. Estragos colaterais pouco importam. A culpa por eles é transferida aos investigados e acusados, presumidos como únicos responsáveis pelo caos criado.
Operações feitas de olho no Ibope têm um enorme custo institucional. Passam por cima do que é mais caro ao direito penal pós-iluminista, a presunção de inocência dos imputados. Pessoas são expostas à sanha retributivista e à curiosidade lasciva do público mesmo sem culpa formada. Juízes deixam de ser imparciais e penteiam sua vaidade em turnês mundo afora. Todos os atores estatais envolvidos, do MP, da PF e do Judiciário, apontam os dedos duros aos que elegeram como focos do ódio coletivo destilado. Abre-se a todos a vista dos detalhes mais sórdidos dos fatos em apuração, de preferência quando atingem a esquerda pudica.
Nesse terror judicialiforme os tiros ricocheteiam para todos os lados e acertam também em aliados dos caciques tradicionais. A máquina corporativa judicial-persecutória é autofágica. Esgotados os alvos de sua ação espetacular pelo lado da esquerda, passa a atirar para a direita, porque o ciclo de risco não pode ter fim. A fera não pode ser domada nem desdentada, sob pena de perder o temor dos atores que lhes garantem privilégios. Uma vez hasteada a bandeira do “combate à corrupção”, ela não pode mais ser arriada. O “combate” se torna um fim em si.
Ocorre que nenhum país sobrevive com uma agenda autofágica de “combate” sem trégua contra seus atores políticos e econômicos estratégicos. A corrupção não pode se transformar em tema principal de governo. Ninguém é a favor dela, mas há de se convir que a desigualdade, as más práticas administrativas, o sistema político-eleitoral deformado e a forte cartelização garantiram-lhe presença significativa entre nós. São esses os fatores que exigem atenção e cuidados maiores. Enfrentar a corrupção é consequência de ações contra a pobreza, contra a exclusão social, pela transparência e participação ampla na formulação de programas de governo, pela exposição pública de dados da execução orçamentária e e pela reforma político-partidária.
Curiosamente, quem mais fez nesse âmbito foram precisamente os governos do PT, que em nenhum momento baixaram a guarda no cuidado com a coisa pública. Foi nesses governos que se criou a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Ativos, um foro plurissetorial que lida com as ações necessárias contra as más práticas na administração pública. Foi nesses governos que se passou a legislação que hoje ampara a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público. Foi nesses governos que o Ministério Público não sofreu qualquer interferência do Poder Executivo na escolha de sua chefia, sendo indicado, sempre, o primeiro de uma lista corporativa sem forma jurídica, mas com elevado peso político. O resultado teria sido um salto de qualidade na governação, não fosse a atuação política predatória em que se lançaram as instituições do complexo judiciário-policial. Empoderaram-se por iniciativa própria agentes do Estado despreparados para tanto poder. Jogaram para a plateia, viraram heróis, passaram a festejar-se e atropelaram o debate legislativo, mimetizando iniciativa popular sobre as chamadas “dez medidas contra a corrupção”, todas gestadas no foro interno do Ministério Público Federal e objetos de intensa publicidade institucional.
O que menos interessou nesse transe de megalomania corporativa foi o devido processo legal e o julgamento justo. É como se os apontados como envolvidos em práticas de corrupção fossem completamente desprovidos de direitos, destinados a servirem de tetas de informações a serem ordenhadas na base do temor à exposição, prisão e perda patrimonial. Mesmo soltos, os que se dispuseram a delatar buscaram mais do um prêmio: empenharam-se em moderar a violência processual contra si. Vazamentos de informações, operações com estardalhaço midiático, escutas de conversas entre advogados e seus clientes, conduções coercitivas de investigados sem base legal mínima e intenso marketing das ações ao público leigo desavisado – tudo é parte de uma estratégia de aniquilar as chances de qualquer resistência defensiva.
Não se trata de meros “exageros” da “Lava Jato”, como recentemente se sugeriu em artigo na Folha de São Paulo. Muito menos pode-se dizer que “não maculam” a operação. Não só maculam-na, mas invalidam-na por completo. Quando autoridades não buscam a autoria de um fato de materialidade inconteste e, sim, a materialidade de suposta conduta para atribuí-la a um autor previamente eleito, perde-se o sentido da imparcialidade e do julgamento justo. A impressão de partidarismo do juiz é reforçada por seu encontro público com protagonistas da campanha de ódio contra o PT. Descrita com pertinente causticidade por Paulo Henrique Amorim como “bolina cívica”, a imagem do magistrado todo sorrisos em conversa com Aécio Neves chega a ser um deboche.
Crises servem para clarear a visão. As máscaras caem. Os atores deixam de ser personagens e se assumem em sua essência. Covardes são vistos como covardes, oportunistas como oportunistas, traidores como traidores, cínicos como cínicos e hipócritas como hipócritas. Crises reduzem opções de ação de tal modo, que se apresentam como lances de um jogo de xadrez. Com peças brancas e peças pretas. Jamais peças cinzas. Nesta hora, é possível saber quem tem coragem, porque, como disse Kurt Tucholsky, o mais difícil é estar na contramão de seu tempo e dizer alto e bom som “Não!”.
Reduzir os pecados mortais da “Lava Jato” a “exageros” que não a “maculam”, definitivamente não é um ato de coragem. Parece muito mais um discurso para captar a benevolência do magistrado exibicionista. Talvez até para melhorar as chances de defesa de um cliente de advocacia, sacripanta ou não. Quem assim qualifica a “Lava Jato” age como eficiente defensor, mas sem dúvida com pouca ou nenhuma preocupação diante da ética destroçada pela atuação de agentes públicos fora da lei.

Wadih Damous*