Autor: da Redação

  • Walmart fecha mais dois supermercados de vizinhança em Porto Alegre

    Mais dois supermercados com a bandeira Nacional fecham as portas nesta terça-feira em Porto Alegre. Segundo a agência Estado fecha também uma loja de vizinhança da bandeira TodoDia, cujo endereço não foi fornecido.
    Todos pertencem à rede  Walmart. Trezentos funcionários foram dispensados, segundo a mesma fonte.
    Nos dois endereços (avenida Wenceslau Escober, na Tristeza, e na Lucas de Oliveira, na Auxiliadora) os supermercados Nacional são pontos de referência. Mas são deficitários.
    Com estas, já são nove lojas com a bandeira Nacional fechadas em Porto Alegre. A rede Nacional foi comprada pela Walmart em 2005.
    Embora tenha particularidades do mercado local, o fechamento das lojas está ligado às estratégias do grupo Walmart no Brasil. O  grupo completou  20 anos no país e não atingiu suas expectativas.
    Em janeiro de 2016, anunciou o fechamento de 60 de suas 544 lojas no país, que tinham operação deficitária. Estas lojas que fecharam em Porto Alegre faziam parte desse plano.
    Numa reportagem da Época Negócios, de junho de 2016, Rubens Batista, consultor especializado em varejo e sócio da consultoria 2B Partners, lembra:
    “Quando desembarcaram por aqui, a mensagem era clara: o Walmart iria conquistar o Brasil passando por cima da concorrência como um rolo compressor”.
    A reportagem mostra que não foi bem assim com a “maior rede de varejo do mundo”, agora ultrapassada pelo chinês Alibaba . Duas décadas depois da chegada triunfal ao Brasil, em 1995,  a Walmart não consegue sair da terceira posição do varejo nacional.
    O Pão de Açúcar, líder do mercado brasileiro, fatura duas vezes mais, R$ 72 bilhões, tem o quádruplo de lojas e o dobro de funcionários. Em vez de crescer, o Walmart, vem dando sinais de dificuldades nos últimos dois anos.
    Apesar de estar em 18 Estados e no Distrito Federal com 480 pontos de venda, os negócios no Brasil representam  pouco mais de 6% das receitas da Walmart.
    Mas as dificuldades enfrentadas aqui juntam-se a outras.
     
    Gigante que fatura  485 bilhões de dólares em 27 países e tem 2,2 milhões de funcionários, a Walmart enfrenta um cenário preocupante em função das mudanças no comércio de varejo. A empresa já encerrou suas operações em mercados onde também registrou prejuízos, como a Coreia do Sul e a Alemanha.
    No ano passado, o Walmart perdeu o posto de maior valor de mercado do mundo para a Amazon, dona de um faturamento cinco vezes menor.  “Essa empresa tem mais de 50 anos e o varejo mudou”, admitiu o presidente mundial, Doug McMillon. “O que o Walmart pode fazer e que ninguém mais pode é casar o e-commerce com nossos ativos físicos para entregar uma experiência de compra perfeita, em grande escala.”

  • Saída de Burmann é a prévia do desembarque do PDT do governo Sartori

    O pedetista Gerson Burmann deixou o cargo de secretário de Obras, Saneamento e Habitação do governo de Ivo Sartori.
    A decisão de Burmann acontece exatamente uma semana antes do encontro que pode decidir pela saída do PDT da base do governo estadual. O partido decide na noite da próxima segunda-feira, 10.
    Burmann já havia manifestado a intenção de reassumir o mandato de deputado estadual. O secretário de Planejamento, Governança e Gestão, Carlos Búrigo, vai desempenhar interinamente o posto deixado por Burmann.
    Na Assembleia, o retorno de Burmann tira a vaga de Vinícius Ribeiro, que é suplente da sigla. A bancada do PDT é formada por sete deputados. Sem votos do partido, aumentam as dificuldades do governo Sartori para aprovar os projetos que faltam para completar seu plano de ajuste fiscal.

  • Prefeitos e deputados buscam apoio para instalação dos free shops brasileiros

    A expectativa de implantação das lojas francas nas cidades gêmeas das faixas de fronteira foi debatida nesta segunda-feira, 3, em audiência pública da Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo,  da Assembleia Legislativa do RS.
    Passados cinco anos da regulamentação da lei federal que autorizou a instalação de free shops para a venda de mercadoria nacional ou estrangeira nessas localidades, na prática, os municípios fronteiriços continuam esperando a finalização dos procedimentos legais.
    O assunto mobilizou lideranças políticas e empresariais de oito cidades de fronteira com o Uruguai e a Argentina e levou uma comitiva em busca de apoio a uma reunião com o governador José Ivo Sartori.

    Sistema de controle de mercadorias

    O principal entrave para que a lei saia do papel está na Receita Federal, que ainda não implantou o sistema necessário para o controle das mercadorias comercializadas. O Serviço Federal de Processamento de Dados finalizou 80% do software e aguarda a autorização da Receita Federal para a integração com os outros setores, conforme revelou Glênio Pereira, representante do Serpro.

    A audiência pública foi iniciativa do deputado Nelsinho Metalúrgico (PT), que fez um histórico da aprovação da Lei 12.723, de 9 de outubro de 2012, de autoria do deputado Marco Maia (PT). “A implantação das lojas francas poderá permitir que os municípios tenham novas perspectivas de desenvolvimento”, resumiu o parlamentar.

    Pelo menos oito das 11 cidades no Rio Grande do Sul adequadas à lei federal estiveram representadas no Teatro Dante Barone, seja pelo prefeito, vereadores ou associações empresariais. O prefeito de Jaguarão, Favio Telis; o prefeito de Santana do Livramento, Ico Charopen; o prefeito de Porto Mauá, Leocir Weiss; o prefeito de Barra do Quaraí, Iad Choli; o prefeito de Chuí, Marco Antonio Barbosa; o vice-prefeito de Aceguá, Júlio Cesar Monteiro; o vice-prefeito de São Borja, Roque Feltrin; e o secretário de Turismo de Porto Xavier, Ovidio Kaiser; também vereadores e presidentes das câmaras municipais dessas localidades e de Itaqui, Uruguaiana e Quaraí se deslocaram até a Assembleia para reivindicar ação política do governo estadual em favor da regulamentação dos chamados free shops.

    Apoio político

    Autor da lei federal, o deputado Marco Maia (PT) fez um apelo para que o governador José Ivo Sartori assuma a luta das cidades fronteiriças. Pediu a formação de comissão para audiência no Palácio Piratini, iniciativa que se confirmou a partir da mediação do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Fábio Branco, presente na audiência. “A instalação das lojas francas é aposta no desenvolvimento”, disse Maia, que cobrou a ausência de representante da Receita Federal. A lei está aprovada desde 2012, as etapas foram cumpridas, estamos aguardando que a Receita Federal libere e implante o sistema”, disse ele, “ação que somente se concretizará mediante pressão política”. O parlamentar ponderou que as cidades fronteiriças perdem R$ 2 bilhões anuais que deixam de circular e migram para os outros países, onde os investimentos foram feitos e atraem público.

    No final da audiência, o deputado Marco Maia, que integrou a comitiva que se reuniu com o governador, revelou que o chefe do Executivo gaúcho “se mostrou receptivo à causa e se colocou à disposição para ajudar”. Por determinação do governador, o secretário do Desenvolvimento deverá acompanhar o processo.

    No dia 15 de maio, prefeitos e lideranças dos municípios da Fronteira estarão em Brasília para pressionar o governo federal a acelerar a implementação da lei.

    Com informações de Francis Maia e Olga Arnt, da Assembleia Legislativa RS

  • PSOL vai à Justiça para tentar barrar aumento da passagem

    O PSOL protocolou nesta segunda-feira, 3, uma ação na Justiça Estadual exigindo a revogação do aumento das passagens de ônibus em Porto Alegre.
    A ação pede que o aumento seja revogado até que se conclua a inspeção especial, em curso, do Tribunal de Contas do Estado, que investiga possíveis irregularidades na planilha tarifária do transporte público de Porto Alegre.
    A ação é assinada pelos vereadores Roberto Robaina, Alex Fraga e Fernanda Melchionna, pelo deputado Pedro Ruas e por Luciana Genro.
    Entre as principais justificativas para o questionamento do aumento tarifário estão a renovação da isenção do ISSQN (Imposto de Serviços Sobre Qualquer Natureza) às empresas de ônibus por mais dois anos e a suspeição de irregularidades na planilha tarifária.
    Os argumentos foram apresentados pela bancada de Oposição na Câmara (PSOL e PT) ao Ministério Público de Contas e que agora estão sendo analisados em inspeção especial pelos técnicos do TCE.
    “A Prefeitura disse que a renovação da isenção do ISS às empresas de ônibus serviria para manter o valor da tarifa e que também aguardaria o resultado da inspeção especial do TCE para acatar novo aumento da passagem. Marchezan descumpriu duplamente a sua palavra”, afirmou a líder da oposição na Câmara, Fernanda Melchionna.
    O deputado Pedro Ruas ressaltou que é recorrente a iniciativa do partido de buscar a Justiça em relação aos reajustes nas tarifas do transporte público.
    “Todos os anos nós entramos na Justiça contra o aumento da tarifa, esse ano não seria diferente. A Prefeitura sempre homologou os interesses dos empresários e a população é sempre quem paga, de forma compulsória, por um transporte caro e sem qualidade”, afirmou.
    Entre os apontamentos feitos pelo partido na ação estão a cotação do óleo diesel, que após o decreto de 29 de dezembro de 2016 passou a ser fornecida pelas empresas e não mais pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o não uso do Fundo de Receitas Extraordinárias, previsto na licitação, para ajudar a baratear o preço da tarifa de ônibus, o uso da rodagem e não da média ponderada da frota.
    “Queremos mais transparência e um preço de tarifa justo com a garantia de ônibus de qualidade”, concluiu Fernanda Melchionna.

  • Porto Alegre vai ganhar 122 novos paraciclos este ano

    Ao longo deste ano os ciclistas de Porto Alegre ganharão 122 pontos para estacionar bicicletas. Os equipamentos, construídos com material de plástico reciclado pós-uso, serão instalados no decorrer deste ano após análise técnica da Gerência de Projetos Estratégicos de Mobilidade da EPTC (Gpem) em locais sugeridos pelos participantes do evento “Pedal das Chaminés”, na programação de aniversário da cidade. Entre os vários pontos de interesse dos ciclistas, o entorno da Redenção foi o preferido na pesquisa.
    A iniciativa é uma parceria entre a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), a organização Cicloatividade (Pedalando a Cidade Anda) e a Braskem. O projeto estabelece, neste primeiro momento, apreciações técnica e jurídica pela EPTC, com responsabilidade de instalação pelo Cicloatividade e apoio da Braskem. Leandro Mello, gestor do Cicloatividade, lembra que esta iniciativa faz parte do planejamento estratégico do Sindicato dos Atacadistas, onde o Cicloatividade está inserido: “Nossa missão é motivar o desenvolvimento de um programa de sustentabilidade no incentivo ao uso das bikes em deslocamentos urbanos diários. Representa um ganho de qualidade na circulação de Porto Alegre.”
    A engenheira Alessandra Both, gerente da Gpem, afirma que a iniciativa vem ao encontro do esforço da EPTC em promover a cultura do uso da bicicleta na cidade. “Com esta doação de 122 novos equipamentos, atingiremos mais de 300 paraciclos registrados, representando cerca de 600 vagas disponíveis em Porto Alegre, que certamente irão incentivar novos ciclistas.”

  • De Porto Alegre ao Porto Seco

    Arthur Bloise *
    Minhas primeiras lembranças do Carnaval de Porto Alegre são a de ser levado pela mão, com a família, lá nos idos dos anos 70, pela Avenida João Pessoa. Chamava atenção aquela multidão, cheiro de churrasco de rua no ar, fantasiados passavam apressados e música nos rostos e bocas. O samba de Porto Alegre tem outra cadência, outra estrutura, isso lhe dá uma especificidade muito especial. As pessoas que não estavam nas arquibancadas eram em número muito maior, milhares circulando pela madrugada, velhos, jovens, crianças. As que levavam as suas cadeiras de praia e ficavam no “setor da corda”, então – antes e depois das arquibancadas – eram incontáveis. Não tinha hora para o bloco ou escola de samba entrar e sair. Ficava-se a noite esperando e de repente, acontecia.
    Ao contrário do discurso discriminatório de que “Porto Alegre não tem carnaval”, a cidade tinha vários carnavais. Antes de nós, teve na João Alfredo, teve na Borges. Tinha carnaval na zona norte e em muitos outros lugares. Carnaval de blocos, sociedades e salão. No fim dos anos 70 e anos 80, creio eu, a cidade teve um dos melhores carnavais de salão do país. Quem não gostava da rua podia se esbaldar no Verde e Branco, Vermelho e Branco, Municipal e praticamente todos os clubes da nossa querida capital tinham não um, mas muitos dias com muitos bailes de carnaval.
    Na Santana, a Dona Maria Bravo garantiu por décadas um carnaval democrático. Lá não tinha cobrança de ingressos, mal tinha um coreto patrocinado por algum comerciante do bairro e a regra era clara: em algum momento, sabe-se lá quando, após o desfile oficial, as escolas virão aqui. E iam. Passar na Santana e ser ovacionado pelo público era tão ou mais importante que ganhar o desfile oficial. E na Santana, a mesma cena: famílias inteiras com cadeiras e sacolas cheias de pastel, sucos, cervejas e tudo o que se precisa para uma noite de festa na rua.
    O tempo passou e, da João Pessoa, os desfiles migraram para a Perimetral. Tão lindo quanto as escolas era a decoração. Chegou a haver um ano em que o piscar das luzes acompanhava a batida de cada bateria de cada escola. Comprar ingresso para os desfiles era obra de logística impensável. Dois ou mais dias, antes de abrirem, nas bilheterias já havia gente acampada. Pretos, brancos, pardos, gente da periferia vinha de longe. Eram os quatro dias em que o espaço central da cidade era deles. Como sempre afirmam os sambas: quatro dias de reinado para os que não são nada. Enquanto grassava o discurso da cidade sem carnaval, vi com esses olhos, por vários anos, grupos de turistas argentinos e uruguaios participarem da festa atônitos. Eles não estavam interessados nas escolas de samba. Eles queriam era saber das tribos. Ah… essa coisa gaúcha e porto-alegrense que nos diferencia de todos os outros carnavais.
    Aqui, conseguimos juntar os negros fazendo tribos indígenas no carnaval. O “must” para quem, de fora, está à procura das nossas peculiaridades e não das nossas mesmices. Meu avô, Décio Ferreira, ajudou a construir uma dessas: os Caetés. Lá nos tempos da Ilhota, outra comunidade pobre e predominantemente negra. Ficava ali onde hoje é o ginásio Tesourinha.
    Porto Alegre tinha duas Muambas. O que hoje é chamado de ensaio técnico – expressão horrível para o carnaval – era o momento de afinar as baterias e ver o povo cair na folia sem oficialismos. Tinha a muamba oficial e a outra patrocinada por uma rede de comunicação que, à época, era administrada por seu fundador que tinha alguma preocupação social. Hoje, a família toca os negócios. O social ficou na lembrança.
    Rua do Perdão, as bandas… As ruas com gente que trabalha e sorri. Apesar da vida que pouco sorri para essa gente.
    Num dia de inverno do início dos anos 90, trabalhava eu na Câmara de Vereadores, fiquei sabendo de uma reunião de grupos contrários à construção do sambódromo na rua que fica transversal à Augusto de Carvalho, onde já, naquela época era o local dos desfiles. Chamou a minha atenção a composição do grupo: muitos indivíduos sem representação coletiva ou associativa, se dizendo ecologistas e tradicionalistas. Não queriam o carnaval ali de jeito nenhum. Desde as árvores (exóticas) que seriam derrubadas até o barulho que prejudicaria a população eram argumentos. Algum tempo depois, presenciei um espetáculo de intolerância absurdo: uma mobilização para a retirada da quadra da Imperadores do Samba que ficava na esquina da Ipiranga com a Érico Veríssimo. Desde moradores que se mudaram para o prédio ao lado da quadra – mesmo esta sendo bem mais antiga – até padre da paróquia local se uniu para banir o samba do vermelho branco. Independentemente de gostos de carnaval: quem nunca se esbaldou num ensaio do “Imperador”???
    Pois bem, a prefeitura apresentou um projeto para que o sambódromo fosse quase atrás do Beira-Rio. Mobilização dos mesmos grupos, mesmos atores, mesmos argumentos. Chegaram a afirmar que o sambódromo desvalorizaria os imóveis, como quem insinua que vai ser construído um presídio. E não teve sambódromo e finalmente, fomos todos enxotados para o deserto das almas, num espaço outrora destinado a depósito de cargas, o tal Porto Seco.
    Vim até aqui nesse papo melancólico de quem gosta de carnaval e do carnaval de Porto Alegre para afirmar que, sem sombra de dúvida, este é um exemplo claro do tipo de cidade que se planeja. Em abdicar de tomar para si e definir um projeto de cidade que contemple a sua população em sua diversidade, Porto Alegre vira a cidade planejada pelo mercado. Quem tem dinheiro planeja e executa. Quem não tem, a periferia é seu lugar. Nada mais clássico em se tratando de cidades nesses tempos de cidade-mercadoria.
    O carnaval e seu povo errou quando aceitou a ida para o Porto Seco docemente. Erramos quando, em algum momento, nos referenciamos no carnaval do Rio e começamos a acreditar em escolas com carros enormes, estrutura permanente de cimento, etc. É preciso repensar se não é hora de voltar para onde o carnaval jamais deveria ter saído: o centro da cidade. Aliás, o que tem de semelhança os carnavais de Buenos Aires, Montevidéu e cidades europeias? Todos são no centro. Todos são para toda a população. Por quê? Porque o espaço público é para ser ocupado e o centro das cidades tem um simbólico de ser onde as coisas importantes devem acontecer.
    Ocupação de espaço público pela população é muito bom para a população e muito ruim para quem não quer povo na rua.
    O que vemos hoje é uma situação muito paradoxal na cidade: são trinta dias de carnaval de blocos no centro e o cancelamento de um dia de desfile no Porto Seco na periferia por falta de condições. Fica aí uma dica sobre a questão étnica e como ela é tratada nos pampas. Não é a toa que o povo de escola de samba é predominantemente negro. Classe e etnia cabem aqui.
    Outro paradoxo: Uruguaiana, interiorzão aqui mesmo no RS, terra de tradição, dá um show quando faz um carnaval para 50.000 pessoas. Ah… mas no centro não tem espaço para os carros alegóricos. Carro alegórico? Por um carnaval mais horizontal, mais participação…
    Enquanto isso, um jornal de Porto Alegre se gaba de a cidade estar ocupando os espaços públicos. Sim, estamos. Invariavelmente estamos ocupando os espaços públicos com eventos privados! Nada contra os eventos privados. Mas cadê a capacidade da cidade e sua administração, que já teve momentos memoráveis como os Bailes da Cidade na Redenção nos anos 90, planejar essa ocupação para que seja permanente e não dependente da boa vontade particular?
    Vamos cedendo lentamente e a cidade vai sendo literalmente engolida pelo planejamento privado. É o Cais Mauá, são os shopping centers em profusão, a possível privatização do Mercado Público, cercamento de parques e praças. Vai se criando propositadamente um clima de guerra na cidade para justificar uma cidade com medo e uma cidade armada. Logo, logo e veremos a higienização social da cidade, algumas pinturas de meio fio e muito asfalto, garantia de eleição e reeleição em cidades mentalmente ganhas para esse modelo insustentável. Enquanto isso, um projeto que restringia a circulação de carros no centro histórico para dar lugar às pessoas e a ocupação permanente desse espaço é rejeitado veementemente. Mas planejar estacionamento com 4000 vagas para carros no Cais Mauá pode. Aliás, quando a cidade terá a chance de debater que o cais Mauá poderia ser um parque? E que o carnaval poderia ser lá? Sem chance. Já perceberam que quando o evento é público sempre tem problema de horário e barulho? Quando é privado parece que a tolerância aumenta.
    Termino afirmando que estamos num bom momento para repensar a cidade. A comunidade carnavalesca de escolas de samba, talvez unida com os blocos que positivamente ocuparam seus espaços no centro e todos os que pensam a cidade como capital de cidadania e democracia precisarão muito mais do que fotos ao lado de candidatos a administradores da cidade para manter esta festa popular. O lugar do carnaval, o lugar das pessoas confraternizarem deve ser o Centro. O Centro deve ser das pessoas, o centro deve ser as pessoas.
    Nada contra São Patrício, mas a cidade é de Nossa Senhora dos Navegantes, a Iemanjá.
    *Geógrafo, servidor federal da UFRGS

  • Sartori condiciona investimentos em segurança à aprovação do pacote

    O governador José Ivo Sartori anunciou, na manhã desta segunda-feira, autorização do chamamento de 500 polícias militares aposentados para atuar em escolas, videomonitoramento e serviços administrativos.
    Também serão convocados os 683 concursados, que aguardam nomeação  — sendo 421 PMs, 101 bombeiros militares, 141 agentes da polícia civil e 20 integrantes do quadro de saúde da BM.
    No total, serão 1.183 PMs que reforçarão o policiamento.  Em seu pronunciamento, ao anunciar as medidas, o governador disse que “esses reposições serão efetivadas dentro de um mês, desde que projetos que se encontram na Assembléia sejam aprovados”
    As medidas anunciadas nesta segunda-feira, foram preparadas emergencialmente no final de semana. A coletiva para o anúncio das medidas só foi comunicada por volta 7h da manhã, mas o governo não revelou o assunto até a hora do anúncio, que ocorreu às 10h no Palácio Piratini. Toda a alta cúpula do governo participou do encontro.

  • Protesto de trabalhadores pede a retomada do Polo Naval em Rio Grande

    Desde a 5h desta segunda-feira (3), trabalhadores da indústria naval  em Rio Grande protestam em vários pontos da cidades.
    Pelo menos quatro pontos da BR-392 estão bloqueados, com queima de pneus, além dos terminais de ônibus e lanchas da cidade.

    A categoria quer o apoio dos governos Estadual e Federal para a retomada do Polo Naval de Rio Grande, cujas obras foram paralisadas em decorrência da crise da Petrobrás.
    Em função dos protestos, nenhum usuário de ônibus e lanchas está podendo acessar o transporte público.

     Já os bloqueios nos quilômetros zero, dois (teminal do Estaleiro), três (ponte dos franceses) e nove (Tergrasa), provocam engarrafamento, principalmente de caminhões, pois o período é de safra, até o trevo de acesso a Rio Grande.
    Liderados pelo sindicato dos metalúrgicos, os trabalhadores do polo naval mantém mobilização desde a demissão dos 3.500 empregados da Engevix, no início do ano.
    Eles já fizeram vigilias, audiências públicas, carreatas e agora bloqueiam o transporte, pedindo providências do governo para a retomada das obras do polo naval, ou pelo menos parte delas
    De acordo com o Sindicato dos Metalúrgico de Rio Grande e São José do Norte,  é possível terminar a P-71, que está em grande parte construida na Engevix, por encomenda da Petrobrás.
    O casco da plataforma já está com 72,54% de sua estrutura pronta. De acordo com o vice-presidente do Sindicato, Sadi Machado, sete mil toneladas estão prontas e liberadas. “Mais 39 mil toneladas estão certificadas e podem virar sucata.”
    A estimativa do sindicato é que em 16 meses, seria possível finalizar a plataforma, recuperando assim 2,8 mil empregos. O Estaleiro de Rio Grande, é considerado o maior dique seco da América Latina e um dos maiores pórticos do mundo, que gera milhares de empregos diretos e indiretos.
    A reivindicação dos trabalhadores inclui também a manutenção da política do conteúdo local, uma vez que, o polo naval brasileiro tem sido essencial para o desenvolvimento tecnológico e para a geração de emprego e renda em toda a cadeia produtiva e de serviços, do setor de petróleo a nível nacional.
    “Pela primeira vez os mais simples estão sendo considerados os mais importantes. Isto porque ano que vem tem eleições e nós, metalúrgico, vamos nos lembrar muito bem. Nós só queremos o nosso trabalho”, enfatizou Machado.
    Apoio
    “A CDL sempre apoiou e continuará apoiando todas as demandas econômicas e sociais de nossa cidade. Neste momento estamos engajados na continuidade da construção naval, que é de fundamental importância na composição da matriz econômica da região”, declarou o presidente Luís Carlos Zanetti.
    O chefe do Parlamento Estadual, deputado Edegar Pretto (PT), disse que seu compromisso como presidente do Legislativo gaúcho é com a defesa intransigente dos interesses do Rio Grande e de uma política industrial que alavanque o crescimento econômico em solo gaúcho. “Não podemos deixar de lado toda uma estrutura que foi financiada e montada a partir de 2005, ainda no primeiro governo do ex-presidente Lula, para dar conta das demandas nacionais na exploração do Pré-Sal. ”
    Para ele, a mudança de planos não tem relação com a crise internacional, mas de uma decisão do governo federal e da Petrobras em mudar o percentual de conteúdo local na fabricação de plataformas, sondas e módulos, entre outros. “Além disso, as contratações para a fabricação continuam, mas com lucro e empregos gerados sendo canalizadas para outros países como a China”, afirmou. (Com informações do Diário Popular) 
     
  • Sulgás amplia rede de gás natural em Porto Alegre

    A Sulgás está está ampliando sua rede de distribuição de gás natural em Porto Alegre. A empresa está instalando tubulação na avenida Venâncio Aires.
    Além da Venâncio, moradores e comerciantes de outras ruas do entorno receberão gás natural. As próximas vias a receber a rede de distribuição da Sulgás serão: Olavo Bilac, Vieira de Castro, Jerônimo de Ornelas, João Pessoa, Santana, Ipiranga e Protásio Alves.
    A cada cem metros, a empresa abre uma pequena área, na lateral da pista, com uma retroescavadeira. A tubulação subterrânea é instalada através de um furo direcional. Na sequência, a vala é fechada e o pavimento recomposto.
    O gás natural contribui para a melhora da qualidade do ar na cidade, pois possui uma queima completa, com baixa emissão de poluentes. Com a opção pelo gás natural, condomínios, indústrias e estabelecimentos comerciais deixam de precisar de uma central de gás ou de botijões dentro dos apartamentos.
    A previsão da Sulgás é concluir as obras até agosto. Após a conclusão, a rede estará disponível para atendimentos de clientes comerciais e residenciais. Para mais informações, moradores e comerciantes destas vias podem procurar a Sulgás através do 0800-5419700.

  • Multidões voltam às ruas contra a reforma da Previdência

    Os números da pesquisa do Ibope, divulgados nesta sexta-feira, revelaram que 73% dos brasileiros não confiam no presidente da República, Michel Temer.
    A pesquisa, divulgada pela manhã, foi confirmada pelas ruas à tarde, nas manifestações preparatórias da greve geral marcada pelas centrais sindicais para o dia 28 de abril.
    Multidões foram à rua repudiar a reforma da Previdência Social que o presidente quer aprovar. O “Fora Temer” voltou a ecoar em todo o país.
    Pela manhã, em São Paulo, na região do Rodoanel (saída para o Sul), e em Uberlândia (MG), ocorreram repressões militares violentas contra bloqueios de estradas com fogo.
    Enquanto isso, no Centro de São Paulo, o MTST ocupava o prédio da Caixa, cobrando cumprimento de acordos anteriores sobre financiamento de moradia popular. No final da tarde, contavam-se 40 mil pessoas na avenida Paulista.
    A pauta principal de todas as manifestações foi rechaçar a reforma da Previdência tal como proposta pelo governo. Em torno, dezenas de demandas – nacionais, locais, por setor social ou categoria profissional.
    No Rio Grande do Sul, a mobilização mira as propostas do governo Sartori para alterar a constituição do Estado, de modo a poder privatizar estatais sem o plebiscito previsto em lei.
    Em Porto Alegre, também foi o dia em que a assembleia geral do Cpers, dos professores estaduais, suspendeu a greve mas deliberou parar na greve geral do dia 28 e também nos dias de votação das PECs de Sartori na Assembleia.
    No final da tarde, a Esquina Democrática, no Centro, foi mais uma vez ponto de partida para o trajeto tradicional das manifestações, seguindo pela avenida Borges de Medeiros em direção do Largo Zumbi do Palmares.
    Em 2013, as “manifestações de junho” que tomaram o país começaram em abril em Porto Alegre, após o aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus – “Não é pelos 20 centavos”.
    Hoje passou a vigorar a nova tarifa de ônibus na cidade, um aumento de 30 centavos (8%, portanto acima da inflação do período).
    As empresas concessionárias do transporte urbano alegam que não podem arcar com o reajuste dos rodoviários (nem a inflação) porque com a crise econômica caiu muito o número de passageiros pagantes.
    Diante da reforma da Previdência, da terceirização do trabalho e do desemprego, o aumento da tarifa de ônibus mal apareceu na manifestação.