Autor: da Redação

  • Manifestação no Pelourinho em homenagem ao capoeirista assassinado

    Familiares e amigos do mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, o Moa do Katendê, fizeram uma manifestação  na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Salvador.
    O amigo da vítima, Paulo Magalhães, 38, conhecido na capoeira como contramestre Sem Terra, ressaltou que a manifestação é uma forma de levar a sociedade à reflexão.
    “Estamos aqui para combater essa escalada de violência. Mestre Moa não é a primeira vítima desse discurso de ódio, dessa violência política sem sentido. Vimos isso com a Marielle Franco e com várias outras pessoas anônimas que estão sendo mortas diariamente pelo fato de serem de esquerda, mulheres, gays etc. Nossa intenção é que os casos como esse não volte a acontecer”.
    Na noite desta quarta, uma homenagem ao capoeirista foi feita no Pelourinho, em frente à Fundação Casa de Jorge Amado. Diversos grupos estão se articulando para uma manifestação mais ampla de capoeiristas em todo o país

  • "No meu tempo não tinha Ibama ou MP para encher o saco", diz general candidato a ministro

     Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o general Oswaldo Ferreira, responsável pelos planos de Jair Bolsonaro nas áreas de infraestrutura e meio ambiente, confirmou que o setor deverá ser “totalmente reestruturado”, para eliminar “atrasos” e separar “o que pode e o que não poder ser feito”.
    Militar da reserva e cotado para ser o ministro dos Transportes do candidato do PSL, Oswaldo Ferreira recorreu às experiências que viveu no Exército durante a construção da BR-163, entre o Mato Grosso e o Pará, para comentar como vê a questão do licenciamento ambiental no País.
    “Eu fui tenente feliz na vida. Quando eu construí estrada, não tinha nem Ministério Público nem o Ibama. A primeira árvore que nós derrubamos (na abertura da BR-163), eu estava ali… derrubei todas as árvores que tinha à frente, sem ninguém encher o saco. Hoje, o cara, para derrubar uma árvore, vem um punhado de gente para encher o saco.”
    A rodovia mencionada pelo general foi aberta pelos militares nos anos 1970, quando o lema oficial do governo era “integrar para não entregar” o Brasil.
    Hoje, convertida na principal rota rodoviária de escoamento de grãos do País, a BR-163, ainda tem quase 100 km de terra.
    A rodovia, também chamada de “Cuiabá-Santarém”, é conhecida por seus atoleiros e filas intermináveis de caminhões. Obras de pavimentação têm sido realizadas por batalhões de engenharia do Exército.
    O traçado de quase toda a estrada, principalmente no Pará, é marcado pela ocupação irregular e desmatamento ilegal.
    Fusões

    O plano de governo de Bolsonaro já deixou clara sua intenção de fundir a estrutura do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura.
    Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), que hoje cuida das unidades de conservação do País, seriam unidos em um mesmo órgão.
    A área de licenciamento ambiental passaria ainda por uma mudança profunda, com uma estrutura de funcionamento similar à da Advocacia Geral da União (AGU): servidores do Ibama seriam enviados para diversos órgãos, para cuidar de licenciamentos ambientais específicos.
    A área de licenciamento do Ibama seria “descentralizada”, com servidores locados em cada órgão público.
    “Ninguém é maluco de ser contra o meio ambiente, mas precisamos esclarecer logo o que pode e o que não pode ser feito”, disse Ferreira.
    “Nós não temos partidos. Zero. Eu não tenho filiação partidária, nem sou afilhado de nada. Nunca vou ser. Sou um cara técnico, com visão prática das coisas”, comentou o general, que até o ano passado comandava o Departamento de Engenharia e Construção do Exército.
    Retrocesso

    Para Sandra Cureau, subprocuradora-geral da República no Ministério Público Federal, especialista em Direito Ambiental, as propostas de Bolsonaro significam “a maior possibilidade de retrocesso na área ambiental da história.”
    “São ameaças muito claras. Estamos correndo risco de ter um Ministério Público amordaçado. O que me surpreende é que boa parte das pessoas instruídas desse País não consiga ver o perigo que o País está correndo”, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo.
    Cureau, que por dez anos esteve à frente da 4ª Câmara da Procuradoria-Geral da República, voltada para temas ambientais, criticou a ideia de Bolsonaro de unir o Meio Ambiente e Agricultura em uma mesma pasta.
    “Essa ideia é simplesmente absurda. São áreas que sempre se chocaram. É natural que seja assim. Fazer isso significaria, na prática, acabar com o Ministério do Meio Ambiente. Os interesses do setor produtivo vão sempre prevalecer, não há dúvida disso.”
    A subprocuradora-geral da República rechaçou ainda a intenção já declarada por Bolsonaro, de retirar o Brasil do Acordo de Paris, que diz respeito a medidas de combate às mudanças climáticas.
    Bolsonaro seguiria, desta forma, o mesmo caminho já adotado pelo presidente Donald Trump, que retirou os EUA do pacto global do clima. “Seria uma calamidade. O Brasil tem um compromisso firme com a manutenção de suas florestas, a contenção do desmatamento, contra ações que possam descontrolar o clima. Todos estão extremamente preocupados com o que pode vir por aí”, afirmou Cureau. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
  • Jornal espanhol diz que discurso de Bolsonaro "inflama radicais"

    Reportagem do El País, nesta quinta:
    “O ódio que se encrustou na disputa eleitoral fez ao menos uma morte algumas horas depois de que 147 milhões de brasileiros se dirigiram às urnas.
    O mestre de capoeira e ativista cultural Romoaldo Rosário da Costa, mais conhecido como Moa do Katendê, de 63 anos, foi assassinado com 12 facadas na madrugada da segunda-feira, em um bar de Salvador.
    O autor confesso do crime, Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, disse à polícia que o assassinato teve motivação política.
    De acordo com a declaração que deu às autoridades, Santana, que votou e defendeu o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL), discutia com o dono do local, que votou em Fernando Haddad (PT), quando Moa uniu-se à conversa para também defender o petista.
    O assassino, então, foi à casa, pegou uma peixeira e voltou ao bar para atacar o capoeirista. A delegada Milena Calmon, responsável pelo caso, descreveu Santana ao EL PAÍS como um homem “intolerante e agressivo”.
    Agressões motivadas por um ambiente de ódio na política já haviam irrompido na campanha ao longo do primeiro turno.
    O próprio Bolsonaro foi vítima de uma facada no dia 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) —o agressor, Adélio Bispo de Oliveira, que segundo a Polícia Federal agiu sozinho, alegou motivação política.
    O candidato passou para o segundo turno com quase 50 milhões de votos adotando um discurso de extrema direita que parece influenciar os atos de uma parcela mais radical de seus eleitores.
    Na noite desta terça-feira, um estudante recém-formado, cuja identidade foi preservada, foi agredido na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, por usar um boné do MST.
    A vítima, que estava reunida com amigos em uma praça do campus, foi espancada por membros de uma torcida organizada local sob gritos de “Aqui é Bolsonaro”, segundo testemunhas.
    “Eram uns 10 homens. Eles chegaram a quebrar garrafas na cabeça do rapaz”, conta M.H.O., presidente do Diretório Central de Estudantes, que presenciou a agressão e fez a denúncia.
    Os agressores também teriam depredado a Casa do Estudante da universidade, cujas janelas foram quebradas. A polícia foi acionada, mas os homens fugiram do local.
    A vítima foi atendida por uma ambulância e passa bem. “Seguiremos acompanhando as investigações. Temos que resistir”, diz M.H.O.
    Os ataques tem que ser investigados e seus autores responsabilizados de forma célere. As instituições, polícias e Ministério Público têm que cumprir sua função”, explicou Juana Kweitel, diretora executiva da ONG Conectas Direitos Humanos.
    “O gestual do candidato Bolsonaro imitando o uso de armas vai claramente na direção contrária. Os dois candidatos no segundo turno devem chamar seus eleitores a agir de modo pacífico e tolerante e devem se manifestar de forma categórica perante os ataques noticiados”, completou.

    Questionado por jornalistas, Bolsonaro taxou o assassinato do capoeirista e outras agressões de “excessos” e disse lamentar os episódios de violência. “Quem levou a facada fui eu, pô. O cara lá que tem uma camisa minha e comete um excesso, o que é que eu tenho a ver com isso?”, indagou.
    Ele também disse que o clima “não está tão bélico assim” e que os casos ocorridos até agora são isolados. Espera que não ocorram mais. “Eu lamento, peço ao pessoal que não pratique isso, mas não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam. Agora, a violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova viva disso daí”.

    Para o doutor em Direito Henrique Abel, a resposta de Bolsonaro às agressões foi insuficiente e “mostra um desinteresse da parte dele em orientar seus seguidores”.

    Algo que, em sua opinião, seria muito fácil fazer: bastaria “estabelecer uma diretriz, que teria um impacto psicológico muito importante” entre seus eleitores mais radicalizados.

    “Ele prefere sair com uma evasiva. Então, sim, há uma responsabilidade. Não diretamente, mas ele é considerado um símbolo e legitima práticas e condutas ilícitas ou abertamente criminosas, como dizer que ele iria ‘fuzilar a petralhada’ do Acre”, argumenta.

    E acrescenta: “Mesmo que em um eventual governo ele não chegue a dar uma ordem de matar ou torturar alguém, o simples fato de simbolicamente legitimar essas práticas representa, aos olhos de quem será governado por ele, uma interpretação de que passam a ser permitidas. E de que não há nada de errado com elas”.

    Jornalistas estão na mira

    Jornalistas também entraram na mira de agressores. No domingo, uma jornalista pernambucana, cuja identidade foi preservada, prestou queixa na polícia dizendo ter sido atacada por dois homens ao sair do colégio onde votou no Recife.
    Depois de terem visto seu crachá, os indivíduos —um deles com uma camiseta de Bolsonaro— chamaram-na de “riquinha de esquerda”, agrediram-na e ameaçaram estuprá-la, conta ela.
    Quando um carro passou buzinando, os criminosos fugiram do local e a jornalista foi às autoridades.
    O caso foi relatado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que registrou 137 episódios de agressão de profissionais da comunicação ao longo de 2018 “em contexto político, partidário e eleitoral”.
    A entidade contabiliza “75 ataques por meios digitais (com 64 profissionais afetados) e outros 62 casos físicos (com 60 atingidos)”. “A maior parte das ocorrências físicas”, diz a Abraji, “está relacionada à cobertura de manifestações ou eventos de grande repercussão ligados a eleições”.
    Nos últimos dias, a jornalista Míriam Leitão, que trabalha em O Globo e na TV Globo, vem sofrendo uma série de ataques virtuais após opinar, no programa Bom Dia Brasil, que o PT e Bolsonaro não são equiparáveis: enquanto o primeiro sempre jogou de acordo com as regras democráticas, o segundo teve uma vida pública marcada pela defesa da tortura e da ditadura.
    Logo depois desse comentário, começaram a circular mensagens falsas dizendo que Leitão foi presa em 1968 após roubar, armada com um revólver calibre 38, 80.000 cruzeiros de uma agência do banco Banespa.
    A imagem que circula com a mensagem é do momento em que foi presa e torturada pela ditadura militar em 1972, quando tinha 19 anos, por pertencer ao PCdoB na época.
    Quem também sofreu agressões verbais foi a irmã da vereadora Marielle Franco(PSOL), brutalmente executada no dia 14 de março —ainda não se sabe por quem.
    Um dia depois das eleições, Anielle Franco andava perto de um shopping carioca com sua filha Mariah, de dois anos, no colo. Não usava nenhum tipo de broche, camiseta ou bandeira. Uma com a roupa da creche, a outra com a roupa do trabalho.
    Isso não impediu, conta Anielle, que fosse reconhecida por homens vestindo a camiseta de Bolsonaro, que se aproximaram e começaram a chamá-la de “piranha” e a gritar que ela era “da esquerda de merda” ou “sai daí feminista”.
    “Hoje eu tive medo! Medo mesmo. Não deveria, mas tive. Foi assustador. Ainda mais com minha filha no colo”, relatou Anielle em seu perfil no Facebook. “Não estou escrevendo para que ninguém tenha pena. Mas para que repensem sua maneira de fazer política.
    Por conta de um antipetismo vocês preferem propagar o ódio e a violência?! O seu candidato, em suma, defende esse tipo de postura, e outras coisa bem piores!”
    O medo tornou-se um sentimento comum entre muitos cidadãos pertencentes à comunidade negra, LGBTQ e outras minorias atacadas por Bolsonaro em inúmeras ocasiões —agora, na reta final da campanha, ele negou as ofensas, que estão registradas em vídeos.
    O presidenciável é réu no Supremo Tribunal Federal por incitação ao estupro por ter dito à deputada Maria do Rosário que não a violaria porque “ela não merece”. Bolsonaro enaltece a ditadura militar e já defendeu a tortura. Também já fez declarações racistas e misóginas, assim como já disse: “Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.
    “Um governo de Bolsonaro dá medo porque ele é muito extremista, mas é ainda mais assustador ver que as pessoas vão se sentir legitimadas a praticar esse discurso de ódio e violência”, resumiu Renata*, de 30 anos, ao chegar acompanhada de sua namorada no Colégio eleitoral Sagrado Coração na Vila Formosa, zona leste de São Paulo, neste domingo. Esse sentimento é compartilhado pela candomblecista Janaí Martins do Nascimento, paulistana de 35 anos. “O cara é totalmente contra o Estado laico e mesmo com o Estado sendo laico, já é difícil para gente. O que eu posso esperar dele em relação a minha religião? Nada. Para mim, ele vai destruir tudo”, disse ela no domingo. “Eu só vim votar por medo dele”, acrescentou.

    Sombra do medo

    Três dias antes das eleições, viralizou nas redes sociais um vídeo em que um grupo de homens (alguns deles torcedores do Palmeiras) entoavam um cântico homofóbico no metrô de São Paulo: “Ô bicharada, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado”. Para Henrique Barum, homem gay de 23 anos, essas atitudes são um exemplo da banalização da violência. “Eu cresci sofrendo bullying, escutando que era um ‘veadinho de merda’ e agora escuto que um possível presidente vai matar gente como eu. Já estamos vivendo a ditadura do medo”, diz o estudante, que se mudou há oito meses de Pelotas (RS) para Portugal, onde faz mestrado em Estudos Culturais.
    Barum conta que, no domingo, quando se confirmou que o candidato do PSL iria para o segundo turno com 46% dos votos, seus pais telefonaram, preocupados. “Olhando para mim, qualquer pessoa sabe que sou gay. Trabalho com maquiagem e saio maquiado nas ruas. Eu sei que, durante esse governo, não me sentiria confortável de me expressar como sou”. O estudante diz estar dividido entre o “alívio” de estar longe do país e a “angústia”. “Penso em amigos e familiares que estão na mesma situação que eu. Por mais que eu queira lutar ao lado deles, meus pais dizem que minha segurança é prioridade. Pedem que fique aqui, que eles virão me visitar”.
    Gabriela Reis, pernambucana de 25 anos, anda com medo de sair com a namorada em Caruaru, onde vivem. Ela, mulher negra e lésbica, diz que já está acostumada aos “olhares feios” quando sai de turbante na rua, mas sente que agora a situação será pior. “Há muita tensão e vejo mais olhares agressivos para nós. As pessoas se sentem mais seguras para expor seus preconceitos. O que antes era só olhar, agora pode virar agressão, porque o discurso do Bolsonaro naturaliza a violência”, conta.
    Para o paulistano Lucas*, de 36 anos, esse receio se concretizou no domingo. Ele e o namorado estavam em um engarrafamento na capital paulista, quando outros motoristas começaram a “cortar” seu veículo para ocupar o corredor exclusivo de ônibus. O namorado de Lucas buzinou para reclamar e lhes choveram xingamentos como “veados” e “vão dar o cu”. “Respondi a agressão jogando beijos para eles, e então um dos carros, um veículo grande, caro, de cor prata, virou à direita e passou por nós apontando uma arma, também prateada. O motorista era um senhor de uns 50 anos”, conta.
    Depois que compartilhou o ocorrido com amigos, Lucas escutou mais relatos de agressões homofóbicas ocorridas durante os últimos dias. Um de seus colegas, que estava com uma camiseta rosa no metrô, ouviu de outros passageiros: “aproveita agora, porque daqui a pouco veado não vai mais existir”. O maior medo do paulistano é a institucionalização desse preconceito, com leis que revoguem o direito ao matrimônio igualitário ou que dificultem ainda mais o acesso ao trabalho e serviços de saúde para LGBTs. “Tenho medo de que o governo possa nos converter em cidadãos ‘ficha-suja’, que nos considere quase criminosos”, confessa.
    Higor S., de 22 anos, é da pequena Serra Talhada, em Pernambuco —a terra de Lampião, estereótipo de “cabra macho”—, mas conta que nunca tinha sofrido homofobia antes das eleições. “Minha tia me acompanhou para votar, justamente porque tinha medo de que eu sofresse agressões, mas voltei para casa sozinho. Passei por uma laje onde um grupo de homens de camiseta verde e amarela fazia um churrasco e escutei risadinhas e gritos de ‘bichinha’. Percebi que apontavam para mim e um deles gritou: ‘É melhor já ir se acostumando, que isso aí [referindo-se à homossexualidade] vai acabar logo’, relembra o estudante, que correu para casa.
    Higor já havia sido agredido dias antes por um eleitor de Bolsonaro na sala de aula. “Ele me mandou tomar naquele lugar e seus amigos tiveram que segurá-lo para ele não me bater”. Ele conta que ele o namorado, que já saíam pouco juntos, agora acham melhor não se expor mais publicamente. “Todos sabemos que não é o Bolsonaro que vai sair matando a gente, mas seus apoiadores vão se sentir legitimados para fazer isso”, lamenta e, depois de alguns segundos em silêncio, acrescenta: “Espero estar errado”.

    *Nome fictício, usado para preservar a identidade das fontes.

  • Governo decreta o fim da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul

    Cleber Dioni Tentardini
    Quinze dias após o Tribunal de Justiça tornar sem efeito a decisão liminar que protegia o patrimônio do Museu de Ciências Naturais e do Jardim Botânico de Porto Alegre, o governo do Estado encerrou as atividades da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
    Conforme o decreto nº 54.268, publicado hoje no Diário Oficial, a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA) sucederá a FZB.
    Os servidores estáveis, legal ou judicialmente, passam a compor o Quadro Especial vinculado à SEMA, e poderão ser transferidos para os demais órgãos da administração direta do Poder Executivo  Estadual, conforme determinação da Secretaria da Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos.
    O patrimônio formado pelos imóveis, móveis, benfeitorias, instalações e acervo do Museu de Ciências Naturais, do Jardim Botânico de Porto Alegre e do Parque Zoológico ficam sob gestão  da SEMA, podendo ser feita direta ou indiretamente.
    O processo judicial que trata do MCN e do JB tramita na 10ª Vara da Fazenda Pública e está em fase final, podendo ser concluído este ano ainda. O juiz Eugênio Couto Terra, responsável por julgar o processo, quer realizar uma audiência entre o Ministério Público e o governo antes do julgamento.
    A assessoria do magistrado explica que a decisão do TJ sobre o pedido de tutela de urgência do MP não influi em nada no julgamento do processo, em 1ª e 2ª instâncias.
    O processo tem origem em uma Ação Civil Pública, da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, que ingressou com pedido de limiar para impedir, entre outras medidas, que o governo do Estado se desfaça de qualquer bem, móvel, imóvel e de animais que constituem o patrimônio material e imaterial do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais. O Parque Zoológico não está contemplado nesta ação.
    A medida do Executivo estadual é um paliativo às decisões da Justiça do Trabalho que desde o ano passado têm assegurado o direito à estabilidade para a maioria dos servidores das fundações estaduais já extintas ou em processo de extinção. O governo lançou, inclusive, um programa para demissão voluntária (PDV), que até agora teve baixa adesão.
    Em novembro de 2017, a Frente Jurídica em Defesa das Fundações ganhou liminares que impedem o governo de demitir os funcionários que completarem três anos de trabalho até 31/12/2017. O governo ficou impedido de dispensar, ou mesmo conceder aviso prévio, inclusive aos trabalhadores que tenham sido admitidos no período de 9 de novembro de 2014 a 31 de dezembro de 2014.
    DECRETO Nº 54.268, DE 10 DE OUTUBRO DE 2018.
    Declara o encerramento das atividades da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul – FZB.
    O  GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL , no uso da atribuição que lhe confere o art. 82, inciso V, da Constituição do Estado, e
    DECRETA:
    Art. 1º  Ficam encerradas as atividades da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul – FZB, conforme autorizado pela Lei nº 14.982 de 16 de Janeiro de 2017, regulamentada pelo Decreto nº 53.756, de 18 de outubro de 2017.
    Parágrafo único.
    O Estado  do  Rio  Grande  do  Sul,  por  meio  da  Secretaria  do Ambiente  e  Desenvolvimento Sustentável, sucederá a FZB nos seus direitos e obrigações decorrentes de norma legal, de ato administrativo, de convênio ou de contrato, inclusive quanto a eventuais obrigações remanescentes, bem assim nas demais obrigações pecuniárias.
    Art. 2º Os servidores estáveis, legal ou judicialmente, integrantes dos Quadros de Pessoal da FZB, referidos no art.  5º,  “caput”  e  §  1º,  da  Lei  nº  14.982/2017,  passam  a  compor  Quadro  Especial  vinculado  à  Secretaria  do Ambiente  e Desenvolvimento Sustentável, e poderão ter exercício designado, de acordo com a necessidade de serviço, nos demais órgãos da Administração  Direta  do  Poder  Executivo  Estadual,  observada,  em  qualquer  caso,  a  pertinência  com  as  atribuições  do emprego.
    § 1° A designação de exercício referida no “caput” deste artigo dar-se-á por ato do Secretário de Estado da Modernização Administrativa  e  dos  Recursos  Humanos,  mediante  concordância  do  Secretário  de  Estado  do  Ambiente  e
    Desenvolvimento Sustentável, do Secretário da Pasta de destino e da ciência do servidor.
    § 2º O servidor poderá ser colocado à disposição da Administração Indireta do Poder Executivo Estadual, mediante sua concordância, independente do exercício de cargo ou de função de confiança, nos termos da legislação vigente, respeitada
    a pertinência com as atribuições de origem.
    § 3° Para o  aferimento  da  pertinência  entre  as  atribuições  de  origem  do  emprego  e  as  tarefas  a  serem desenvolvidas no local de destino, a Secretaria da Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos – SMARH poderá fazer
    uso das avaliações realizadas para fins de aplicação do disposto no Decreto nº 53.851, de 22 de dezembro de 2017, e IN 01/2018 da SMARH, art. 5º, “caput” e parágrafo único.
    Art. 3º Os ocupantes de Empregos e Funções em Comissão do Plano de Empregos, Funções e Salários da FZB referidos no art. 5° “caput” e § 1º, da Lei nº 14.982/2017 ficam exonerados dos respectivos empregos ou funções, salvo aqueles indispensáveis para a baixa do registro da FZB no Registro Civil de Pessoas Jurídicas.
    Art. 4º Ficam exonerados os Dirigentes da FZB, exceto o Presidente, o Diretor Administrativo e a Diretora Executiva do Parque Zoológico, até a finalização dos demais atos necessários à baixa do registro da FZB no Registro Civil de Pessoas Jurídicas.
    Art. 5º Ficam resguardados os direitos decorrentes diretamente dos Planos de Empregos, Funções e Salários da Fundação, referidos no art. 5º, “caput” e § 1º, da Lei nº 14.982/2017, até então vigentes, naquilo em que entendidos como matéria de regulamento de empresa, bem como aqueles decorrentes de normas coletivas até o esgotamento do seu prazo de validade, nos termos do art. 614, § 3º, da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT.
    Parágrafo único. Não se aplica o disposto no “caput” deste artigo aos atributos recebidos em decorrência do local do trabalho ou do tipo de atividade, os quais deverão ser baixados e, posteriormente, mediante análise do caso concreto, poderão ser novamente atribuídos pela Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, se assim configurar-se cabível.
    Art. 6° Diante do encerramento das atividades da FZB, não subsiste a garantia de emprego conferida ao pré-aposentado, prevista em normas coletivas, bem como as garantias de emprego conferidas ao dirigente sindical e ao membro de comissão interna de prevenção de acidentes.
    Art. 7º Até que seja arquivada a extinção da FZB no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, a execução das atividades de apoio e de suporte administrativo será compartilhada entre a FZB e a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, observada a conveniência administrativa, nos termos do art. 14 da Lei nº 14.733, de 15 de setembro de 2015.
    Art.  8º O patrimônio formado pelos imóveis, móveis, benfeitorias,  instalações  e  acervo  integrantes  dos  bens elencados nos incisos I, II e III do art. 8º da Lei nº 14.982/2017, cuja preservação e proteção são de interesse público em razão do  valor  ambiental,  científico  e  paisagístico  ficam  sob  gestão  da  Secretaria  do Ambiente  e  Desenvolvimento  Sustentável, podendo ser feita direta ou indiretamente.
    Parágrafo único. A Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável deverá promover os atos necessários para transferência do patrimônio imobiliário referido no “caput” deste artigo ao Estado do Rio Grande do Sul, junto ao Registro
    de Imóveis.
    Art. 9º Fica dissolvido o Conselho de Administração da FZB, previsto no art. 6º, inciso II, do seu Estatuto – Decreto nº 41.624, de 21 de maio de 2002.
    Art.  10.  Nos termos do art. 23, § 4º, da Lei nº 15.018, de 17 de julho de 2017, o Poder Executivo abrirá créditos adicionais para realocar os recursos orçamentários da entidade de origem, limitados aos saldos dos projetos e das atividades correspondentes, ou retificar as classificações orçamentárias necessárias ao cumprimento da Lei nº 14.982/2017.
    Parágrafo único. Aplicam-se aos créditos de que trata o “caput” deste artigo as autorizações para a abertura de créditos orçamentários previstos na Lei do Orçamento.

  • Com 80% de afrodescendentes, Bahia elege a primeira deputada negra

    Quando Olívia Santana (PCdoB), de 51 anos, tomar posse, em 2019, será a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira a Assembleia Legislativa da Bahia, o Estado mais negro do País, com 81,4% da população autodeclarada descendente de africanos (60% pardos e 21,4% pretos).
    Quando questionada sobre a importância de sua eleição, riu da forma “como as pessoas se chocaram”, mas disse esperar o dia em que isso mude. “Queremos ser o comum, não o inusitado”, afirmou.
    “Espero que essa polêmica toda sacuda a sociedade baiana. O racismo está no Brasil todo, mas na Bahia deveria ser comum que mulheres negras ocupem espaços de poder na política. Mas o que vemos é que isso é incomum”.
    Gastando R$ 150 mil na campanha, sendo R$ 80 mil do fundo partidário, R$ 35 mil do fundo eleitoral e o restante de doações, a ativista obteve 57.775 votos no domingo, dia 7, e ficou em 31º na lista dos 63 eleitos para a próxima legislatura baiana.
    Até então, sua única experiência no Legislativo foi como vereadora de Salvador. Ficou 10 anos na Câmara Municipal, por dois mandatos e meio, e criou o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, homenagem a uma ialorixá morta após ataques de evangélicos.
    Começou a carreira política no movimento estudantil, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde cursou pedagogia e fundou a União de Negros pela Igualdade (Unegro) – entidade que tomou corpo e virou braço antirracista do PCdoB, único partido no qual Olívia militou.
    Em 2001, em nome da entidade, discursou no Fórum das Noções Unidas, em Durban, e foi também a Nova York defender a pauta racial. Em outras oportunidades, visitou a China e a Alemanha representando o PCdoB.
    Foi secretária de Educação e Cultura de Salvador em 2005, onde implantou o estudo da cultura afro-brasileira nas escolas.
    No primeiro mandato do governador Rui Costa, reeleito no domingo, esteve à frente de duas pastas: Política para Mulheres e Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). Chegou a ser cotada para concorrer à prefeitura de Salvador em 2016.
    “A educação para mim é a porta. Todo negro e toda negra precisa ter oportunidades educacionais”, diz.
    Nascida em uma família pobre que morava em favela de palafitas em Ondina, Olívia começou a trabalhar aos 14 anos – sua mãe, aos 9 anos, e nunca foi à escola. Ela, porém, queria outro rumo. “Decidi que não ia repetir a história.”
    A reportagem da Tribuna da Bahia entrevistou Olívia Santana. Veja abaixo os principais trechos:
    O que precisa mudar para as mulheres negras terem mais espaço na política?

    Só se consegue fazer isso reduzindo o poder econômico para garantir equilíbrio. Você não consegue se fazer visível sem dinheiro. Quem tem chega.
    A reserva de 30% dos recursos para as mulheres não resolveu?

    Foi importante, mas ainda é pouco. A mesma lei beneficiou o candidato rico, porque pode usar recursos próprios na campanha.
    Os negros deviam ter mecanismo parecido?

    Tem que ter mecanismos étnico-raciais de divisão do bolo. A negrada não tem network, rede de relacionamento rica. Você vai pedir dinheiro para o vizinho que tem menos que você?
  • Algo em comum: Haddad e Bolsonaro descartam nova Constituição

    No primeiro pronunciamento depois do primeiro turno, os dois candidatos que  vão para a decisão final fizeram questão de descartar a hipótese de patrocinar uma nova carta constitucional.
    Haddad, que chegou a propor uma constituinte para uma nova carta para reorganizar o país, disse que reviu seu ponto de vista sobre esse assunto e que vai encaminhar as reformas que pretende fazer por meio de emendas complementares.
    Bolsonaro, cujo vice chegou a mencionar uma nova constituição feita por um colégio de notáveis, desautorizou a afirmação, reconhecendo que não teria força política para aprovar uma nova carta.
    A Constituição de 1988, que está completando 30 anos, está pelo menos por enquanto preservada.

  • Juliano Barreto e a rapper Negra Jaque são atrações do projeto Casa Expandida

    A Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) abriga no próximo sábado, dia 13, mais uma noite do projeto Casa Expandida. Desta vez sobem ao palco a rapper Negra Jaque e Juliano Barreto, gaúcho que participou do The Voice Brasil em 2017. A discotecagem do evento será do DJ Powers.

    Neste dia, a Casa ficará aberta até a meia-noite para visitação à exposição ao Festival de Esculturas Itinerantes (6º andar); assistir aos espetáculos teatrais e para curtir o espaço gastronônico. O Café Santo de Casa (7º andar) e o Cine Café (Travessa dos Cataventos) também ficarão abertos durante o evento.

    As atrações
    A rapper Negra Jaque é moradora da zona leste de Porto Alegre, em uma de suas tantas periferias chamada Morro da Cruz. É ativista da cultura hip hop desde 2007 e, além do trabalho solo, também é produtora cultural independente onde, junto com outros ativistas, participa da gestão de eventos ligados à cultura hip hop e principalmente pela valorização do hip hop feminino. Como uma Militante do Rap, Negra Jaque fala pela comunidade em suas Rimas.

    Juliano Barreto canta na Travessa dos Cataventos da Casa de Cultura Mario Quintana.

    Juliano Barreto se dedicou a música popular, lançando dois discos. Morou no Rio de Janeiro, onde atuou como vocalista da lendária Banda Black Rio, fazendo uma série de shows com participações de Luis Melodia, Ed Motta, Sandra de Sá e Fito Paez. Nos últimos quatro anos, vem pesquisando e estudando sobre música e teatro. Sua experiência com musicais começou na homenagem para os 100 anos de Lupicínio Rodrigues, com o espetáculo premiado “Lupi, O Musical”, idealizado e protagonizado por Juliano assim como a participação no espetáculo épico “Eu Sou Maria” no Natal Luz de Gramado.

    Geovaine Ornelles, mais conhecido como G Powers, é um dos pioneiros DJs do hip hop gaúcho. Iniciou sua carreira ainda durante os anos 1970, na cena da black music e integrou um dos grupos de rap e charme mais antigos de Porto Alegre, chamado J CLIP. Gê Powers ainda é inspiração para muitos artistas e ativistas da cultura de rua gaúcha.

    PROGRAMAÇÃO
    19h às 21h – Discotecagem com DJ Gê Powers
    21h às 22h –Negra Jaque
    22h30 às 23h30 – Juliano Barreto
    8h à meia-noite – Food truck e bier truck
    Local: Travessa dos Cataventos da CCMQ

    SERVIÇO
    Segunda edição do projeto Casa Expandida.
    Quando: 13 de outubro | Sábado.
    Horário: 18h à meia-noite.
    Local: Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736).
    Entrada gratuita.

  • Rafa Costa e Emily Borghetti mostram espetáculo com música e dança, no Cisne Branco

    No dia 20 de Outubro, o Espaço Cultural Flutuante Cisne Branco recebe o músico e compositor Rafa Costa e a bailarina Emily Borghetti para passeio e show pelo Guaíba. Unindo uma vista única da capital com música de muita qualidade, o Cisne Branco tem proporcionado experiências inesquecíveis para seus passageiros.
    O músico e compositor Rafa Costa e a bailarina Emily Borghetti, apresentam um show que une dança, performance e música autoral . Em 2018, Rafael Costa comemora um ano de lançamento do seu primeiro trabalho (EP Trigueiro), onde Emily participou da gravação como bailarina/percussionista com sapateados, palmas e efeitos. Essa união que vai além do trabalho artístico, traz sonoridades e referências de ambos, em um encontro muito especial que afirma essa afinidade e o amor pela arte.
    EMILY BORGHETTI
    é bailarina, coreógrafa, arquiteta e cenógrafa. Integrante e vice-diretora da Cadica Cia de Dança que além do flamenco, apresenta danças brasileiras e latino-americanas. Como solista,possui um trabalho de pesquisa sobre os elementos rítmicos da dança. Participa também de coletivos de música e dança como As Tubas e Expresso 25.
    RAFA COSTA
    lançou em 2017 o Ep Trigueiro no Teatro Renascença, produzido por Guilherme Ceron, de forma independente. O disco foi gravado em uma imersão de quatro dias e contou com Pedro Borghetti nos bombos, charango, violões e vozes, Lorenzo Flach nas guitarras ,programações e efeitos , Rubens Baggio violões , vocais ,bateria e percussão, Emily Borghetti dança e sapateado. Rafa em 2018 participou do Sofar no mês de junho, projeto que acontece em mais de 300 cidades do mundo, já está no ar com a Música Aonde nos leva esse mapa. Três músicas do EP fazem parte da programação da FM cultura.
    Horário de saída do barco: 16h30 (Cais do Porto – Armazém B3)
    Horário de volta: 18h30
    Valor: R$ 40,00 (desconto para crianças até 10 anos e idosos acima de 60)
    Mais informações: (51) 3224 5222 ou what’s (51) 997125672

    Ver menos

  • Sartori conta com a experiência para vencer o tabu da reeleição

    Em 2014, Ivo Sartori começou como um candidato sem chance e acabou
    derrotando o governador Tarso Genro que tentava a reeleição. Venceu com 3,8 milhões  de votos ( 61,2%).
    A tradição de reprovar nas urnas todos os governos vem de longe no Rio Grande do Sul. Fora os períodos ditatoriais em que os interventores eram nomeados,  nenhum governo mereceu voto de confiança para mais quatro anos.
    E, desde que a lei permite, nenhum governador conseguiu a reeleição. Sartori é o sexto a tentar.
    Aos 70 anos, com meio século de carreira política, ele enfrenta um adversário de 33 anos que se apresenta como o novo. E enfrenta a tradição eleitoral, que até agora não deu uma segunda chance a um governante.
    Desde que tomou posse em janeiro de 2015, Sartori não cortejou a popularidade.
    Aumentou imposto, cortou gastos, congelou contratações,parcelou salários,
    reduziu quase a zero os investimentos.
    Segundo a frase que repete, fez “o que precisava ser feito para arrumar a casa”. Em nome desse princípio enfrentou greves  reprimiu manifestações e não hesitou em usar o Batalhão de Choque com bombas e spray de pimenta quando os servidores foram às ruas protestar.
    Ele diz singelamente que começou um trabalho e que está no rumo certo, por isso quer mais quatro anos para “continuar arrumando a casa”, como repetiu em sua propaganda no primeiro turno.
    .As finanças, apesar de todos os apertos, ainda estão desarrumadas. Em 2018, o governo vai gastar R$ 1 bilhão a mais do que vai arrecadar. Serão R$ 8 bilhões de déficit nos quatro anos de Sartori.
    O candidato à reeleição diz que, sem as “medidas amargas” que adotou, seria pior. O rombo em quatro anos seria de R$ 25 bilhões.
    Em sua campanha, Sartori repete a fórmula que foi bem sucedida em 2014. Faz o papel do “gringo” que não promete e tem coragem de tomar medidas impopulares, quando elas são necessárias.
    Seu projeto para “continuar no rumo certo” depende umbelicalmente do Regime de Recuperação Fiscal, o acordo para suspender por três anos o pagamento da dí�vida do Estado com a União. Isso representará uma economia de R$ 11,3 bilhões para o Rio Grande do Sul no período.
    Sua expectativa é que “com os três anos de carência no pagamento da dívida previstos no Regime de Recuperação Fiscal, o Estado reorganizará as finanças e seguirá modernizando a gestão para concentrar esforços no que é essencial ao cidadão.
    O problema é que o acordo é uma aposta. Em tratativas há dois anos, o acordo travou
    diante de uma questão polêmica: a privatização de empresas estatais, condição
    indispensável para o governo federal.
    Um artigo introduzido na Constituição Estadual exige que para privatizar qualquer empresa estatal, o governo deve consultar a população através de um plebiscito.
    Essa lei decorre das privatizações feitas no governo Britto (1995/1998), quando Sartori era líder do governo na Assembléia.
    O Programa de Recuperação Fiscal de iniciativa do governo Temer, aprovado pelo Congresso, permite aos Estados em dificuldades financeiras adiarem por três anos o pagamento de suas dívidas com a União.
    Até agora só o Rio de Janeiro conseguiu cumprir as exigências para aderir ao programa. Além de um rigoroso ajuste fiscal, o programa exige privatizações e controle pela União das finanças do Estado.
    Sartori tem um pré-acordo com o governo Temer. Se ganhar a eleição, terá força talvez
    para efetivar as privatizações que faltam para poder assinar o acordo ainda
    antes do fim deste mandato.
    Se ficar para o próximo presidente, que prioridade ele dará a esse socorro aos Estados?. Se assinar com o Rio Grande do Sul, terá outros 16 Estados na fila. O impacto nos cofres federais será pesado.   .
    Perfil do Candidato
    José Ivo Sartori começou sua vida política no movimento estudantil. Formou-se
    em filosofia na Universidade de Caxias do Sul e foi professor. Filiou-se ao MDB em 1974 e dois anos depois disputou sua primeira eleição, tornando-se vereador, em Caxias. Em 1983 chegou à Assembléia Legislativa. Elegeu-se por cinco mandatos sucessivos.No período de Pedro Simon (1986/1989), foi secretário do Trabalho e Bem Estar Social. No período de Antonio Britto, segundo governo do MDB (então PMDB), foi líder da bancada governista, chegando à presidência do legislativo em 1998.
    Nesse período, tentou duas vezes (1992 e 2000) a prefeitura de Caxias do Sul. Em 2002, chegou a deputado federal com quase 100 mil votos e, então, na eleição seguinte, tornou-se prefeito de Caxias do Sul, com 52,4% dos votos. Reelegeu-se no 1º turno com 54,3% dos votos.
    (Da edição impressa de Setembro)

  • As demandas das mulheres no estado mais conservador do país

    Por Jessica Gustafson e Paula Guimarães
    Portal Catarinas
    Santa Catarina ocupa posições de liderança em índices de violência contra as mulheres. É o primeiro em violência doméstica com uma taxa de 225 casos para cada 100 mil habitantes, e o segundo em violência doméstica quando as vítimas são somente mulheres, com taxa de 368,1, atrás apenas do vizinho Rio Grande do Sul que tem 398 – enquanto a média nacional é de 183,9.
    O único estado com nome de mulher do país – e santa – é também o primeiro em tentativa de estupro com índice de 10,8, e o segundo em estupro com 57, perdendo apenas para Mato Grosso do Sul que registrou em 2017 o número de 66 casos para cada 100 mil habitantes – duas vezes mais que a média nacional que é de 29,4.
    Os dados são da última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicada em agosto e retificada em setembro deste ano.
    “As autoridades dizem que somos o segundo em estupro, mas pode ser que passemos a ser o primeiro, porque as mulheres estão denunciando mais. Mas a pergunta é: o que o estado está fazendo para prevenir e erradicar essa violência, o estupro de mulheres e meninas? Não podemos esquecer que dentro desses dados estão as meninas. Essa violência contra as crianças é intrafamiliar”, afirma Sheila Sabag, integrante do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres (CNDM) e presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulheres em Santa Catarina (CEDIM).
    Uma das principais reivindicações do movimento de mulheres no estado é a criação de uma secretaria estadual específica e do plano estadual de políticas para as mulheres, pautado desde a última Conferência Estadual de Políticas para Mulheres.
    “As pautas das conferências e reivindicatórias das mulheres de SC não têm retorno do Estado. Falta o Estado enxergar as políticas sociais como deveria. Não governa para as pessoas porque não ouve as pessoas. Um Estado com um ótimo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tem índice altíssimo de violência contra as mulheres”, coloca a presidenta do CEDIM.
    Antes vinculada à Casa Civil, recentemente a Coordenadoria Estadual da Mulher passou a integrar a Secretaria de Assistência Social que não prevê recursos específicos para a pasta. “Enquanto não houver uma secretaria de estado da mulher não teremos execução de política para mulheres em Santa Catarina. Tanto a coordenação quanto a secretaria de assistência social não executam política para as mulheres, porque não têm recursos para isso. O conselho não têm recursos nem mesmo para trazer conselheiras de fora da capital para as reuniões e seminários”.
    Mais de uma década depois da Lei Maria Penha, Santa Catarina ainda é o único Estado da região Sul que não implantou atendimento policial especializado para mulheres por meio das delegacias exclusivas como prevê a legislação. O CEDIM demanda esforços para a assinatura pelo governo do Pacto Maria da Penha, que consiste na articulação da rede estadual de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
    Elaborado a partir de audiências públicas com a participação da bancada feminina da Assembleia Legislativa e conselheiras estaduais, o pacto foi proposto como forma de diminuir os danos resultantes da falta de atualização dos pactos nacionais.
    “Não podemos ficar a mercê do governo federal, perdemos absolutamente tudo que tínhamos adquirido desde a criação da secretaria PM, em 2003. O Estado coloca a violência contra a mulher como caso de segurança pública. Mas não é somente, tem outras ações e secretarias que precisam atuar em rede para fazer prevenção e enfrentamento”, defende a presidenta do conselho.
    FAMÍLIA PATRIARCAL, A BASE DO CONSERVADORISMO
    Conforme a historiadora e professora da UDESC, Marlene de Fáveri, o estado de Santa Catarina tem uma história fundada pela força das oligarquias desde a colônia, passando pelo império e adentrando na República até os dias de hoje.
    “Os sulistas de maior referência são de direita ou extrema direita. Temos uma história pautada pelo conservadorismo muito forte e que beira o fascismo porque somos um estado com uma imigração branca e que por dois séculos vem excluindo e tratando com preconceito as populações não brancas. Elites políticas têm se revezado no poder, sem nenhuma preocupação com as pautas sociais. A preocupação é com a manutenção de si no poder, fazendo uso privado do bem público”, explica a historiadora.
    Considerado o estado mais conservador do país porque seus cabos eleitorais indicam a maior força do conservadorismo ao longo do tempo, não por acaso é o terceiro com maior adesão ao candidato Jair Bolsonaro, que tem 40% de intenção de voto.
    “SC tem uma continuidade política incrível, normalmente bipartidária. Dependendo da época esse bipartidarismo costuma carregar 90% dos votos”, analisa Reinaldo Lohn, também professor do departamento de história da UDESC.
    “A mensagem do Bolsonaro está caindo num terreno fértil, que vem sendo preparado há muito tempo, e que beneficia as elites de SC. O Bolsonaro é caudatário desses benefícios todos que essas elites têm, ele exprime isso. Ele materializa uma série de trajetórias sociais e políticas do estado, as mais estruturais porque ele se apresenta como candidato da família, da honestidade, tem também o aspecto religioso que é significativo”, explica Lohn.
    Em um estado de proprietários “no sentido simbólico e não material”, constituído a partir da distribuição de lotes de terras pelos colonizadores às famílias no século 19,  a população tem como horizonte social a propriedade. Nesse contexto, a família patriarcal tem um peso social significativo e funciona como mecanismo de controle social e eleitoral – o que explica os altos índices de violência contra mulheres e meninas.
    “Há um predomínio patriarcal seja do pai ou do marido. Em muitos municípios, o poder é materializado em três figuras: o padre, pai e patrão. A figura do pai que é proprietário, gestor, e ao mesmo tempo patrão da família porque acaba gerindo o destino dos filhos e como se dá a distribuição das tarefas e funções domésticas. Em vários rincões redes familiares dominam comunidades inteiras e formam verdadeiras linhagens político-eleitorais. A base social está nas pequenas comunidades do interior, onde se pratica ostensivamente a violência doméstica”, esclarece o professor.
    Ainda que haja pobreza e desigualdade social, a boa colocação do IDH do estado acaba por reforçar a eficiência desses mecanismos de controle social e político. Apesar disso, ao longo dos anos 2000 a direita perdeu força à medida que a esquerda passou a se destacar com alguns quadros como Lucy Choinacki (PT) que se elegeu senadora, e José Fritsch (PT) que fez uma campanha competitiva ao governo do estado, assim como foram eleitos prefeitos de centro esquerda e esquerda em Lages, Florianópolis, Blumenau e Chapecó.
    A possibilidade de uma terceira opção política teve como resposta a união de todos os espectros da direita em um único bloco de poder em torno do ex-governador Luiz Henrique da Silveira do MDB. “O bloco sufocou o crescimento das esquerdas no estado, aliado ao extremo monopólio da mídia e a um processo de desconstrução do PT que é nacional, mas que aqui isso se avoluma. Com o desgaste em torno da aliança do blocão, dois nomes voltam a dividir o conservadorismo, relativamente desconhecidos, o que torna a eleição mais emocionante”, disse Lohn referindo-se às eleições deste ano.
    Essa concentração de poder encontra no monopólio da mídia seu principal aliado para que os patriarcas se mantenham hegemônicos, asfixiando valores democráticos. “É ostensivo e vergonhoso o monopólio da mídia no estado. A gente achou que essa concentração seria reduzida no século 21, mas se agravou. Isso faz com que tenhamos uma voz uníssona. Situação em que fazer oposição é inócuo e até arriscado em algumas cidades, onde ocorrem intimidações próprias de situações políticas autoritárias que acabam predominando sobre relações democráticas. SC parece ser terreno propício para esse tipo de coisa”.
    Para o historiador há uma convivência complementar entre as redes sociais e o monopólio da mídia na produção e disseminação das chamadas fake news que contribuíram para a liderança do candidato do PSL.
    “Vivemos pela primeira vez uma eleição do século 21 com o peso enorme das redes sociais e da dominação de um país ainda por um monopólio de mídia. Então as redes sociais produzem as pequenas fake news e os monopólios de mídia produzem as grandes fake news”.
    AS PERDAS NO PÓS-GOLPE
    O cenário em que as eleições de 2018 acontecem são extremamente complexos e ainda refletem os efeitos do golpe de 2016, que retirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, primeira mulher a assumir o cargo. Após o golpe, o Plano Nacional de Políticas Para as Mulheres deixou de ter validade por ausência de atualização e o orçamento federal voltado à essa agenda foi reduzido em 60%.
    Conforme Sheila Sabag, integrante do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres (CNDM), o resultado da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada em maio de 2016, sequer foi publicado pelo governo. No próximo ano serão realizadas as conferências municipais e estaduais de políticas para as mulheres as quais terão como desafio reestruturar as políticas públicas que foram sonegadas nos últimos anos e garantir os direitos previstos em lei.
    “Nos últimos dois anos perdemos mais de doze anos de políticas para as mulheres. Essas políticas só vão voltar com a nossa responsabilidade através do voto. Dependendo de quem a gente vote não vamos ter garantia de política pública. Se não tiver a pauta da questão de gênero bem definida não avançaremos. Não é só atuar para diminuir a violência, é preciso também propor ações de autonomia social e econômica dessas mulheres, e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos”, afirma Sabag.
    Exemplo do retrocesso para as mulheres marcado pelo período pós-golpe é a não continuidade da implantação e implementação da Casa da Mulher Brasileira, prevista para ser construída em todos os estados da federação e Distrito Federal. Um dos eixos do programa “Mulher, Viver sem Violência”, a casa foi proposta em 2015 como uma inovação no atendimento humanizado às mulheres. No espaço seriam oferecidos todos os serviços especializados para os mais diversos tipos de violência.
    A primeira casa inaugurada em Mato Grosso do Sul é a única em funcionamento atualmente. Em outros estados como Paraná, São Paulo, e no Distrito Federal, o espaço foi construído, mas não oferece atendimento conforme prevê o programa. Em Santa Catarina, um terreno chegou a ser disponibilizado pelo estado para a construção, porém o projeto não teve continuidade porque não houve liberação dos recursos federais, conforme previsto.
    IGUALDADE DE GÊNERO NA POLÍTICA
    Nesta conjuntura, a igualdade de gênero se tornou tema central nas eleições, expressão que ficou nítida no dia 29 de setembro, quando cerca de um milhão de mulheres tomaram as ruas do País contra o primeiro colocado nas pesquisas para a presidência, Jair Bolsonaro (PSL), que utilizou o discurso de ódio como ativo político, proferindo inúmeros discursos de cunho machista, racista, homofóbico e xenofóbico.
    As mulheres são a maioria do eleitorado (52,5%) e foram às ruas dizer #EleNão, porque o candidato representa o retrocesso frente a conquistas duramente alcançadas ao longo de séculos e promete barrar os avanços futuros. Se por um lado, o fascismo ganha um rosto e muitos adeptos, por outro, as candidaturas femininas nunca foram tão expressivas.
    A lei de cotas garantiu que os partidos tivessem no mínimo 30% de mulheres disputando as vagas proporcionais, assim como os recursos dos fundos partidários e eleitoral fossem destinados para o mesmo percentual.
    “A dificuldade se inicia a partir da educação sexista desde a infância, que busca restringir as mulheres aos espaços domésticos e a trabalhos relacionados ao cuidado da família, enquanto os homens são incentivados aos espaços públicos. Essa educação sexista faz com que as mulheres tenham mais dificuldade de se posicionarem nos debates ou, quando se posicionam, muitas vezes são silenciadas, ignoradas ou menosprezadas, inclusive nos espaços de militância de esquerda”, disse Caroline Bellaguarda, que foi candidata a vice-governadora pelo PCB em coligação com o PSOL.
    A sociedade, boa parcela dela, tem indicado que a redução da desigualdade de gênero é essencial para a democracia. A existência de um fosso entre o que a população brasileira quer sobre a igualdade de gênero e a atuação do poder público para promovê-la é um dos resultados da pesquisa de opinião pública sobre mulheres na política, realizado pela ONU Mulheres Brasil, em parceria com o Ibope e o Instituto Patrícia Galvão, e divulgada em setembro.
    Entre as pessoas entrevistadas, 70% delas concordam que só existe democracia de fato com a presença de mulheres nos espaços de poder e decisão. “O Brasil está mudando, e as mulheres são decisivas. A política brasileira precisa acompanhar os anseios da população e eliminar as barreiras entre homens e mulheres nos partidos políticos, na decisão do voto e na gestão das políticas públicas”, diz Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.
    A pesquisa, desenvolvida a partir de 2.002 entrevistas em 141 municípios do País, entre 16 e 20 de agosto de 2018, demonstrou que 81% de brasileiros e brasileiras querem políticas federais de promoção à igualdade. Como destaca o estudo, oito em cada 10 pessoas entendem que a presença de mulheres na política e em outros espaços de poder e decisão aprimora a política em si e os próprios espaços. Os índices apresentam diferenças por regiões, sendo o maior na Região Nordeste, com 84% das respostas em concordância com a afirmação. No Sul, foram 81%, no Norte, 80%, e Sudeste, com 79% dos entrevistados.
    Em contraponto ao cenário eleitoral de 2018, que apresenta nacionalmente apenas 31,6 de candidatas mulheres, 77% das pessoas entrevistadas avaliam que deveria ser obrigatório que os parlamentos em todos os níveis tivessem composição paritária, com a correspondência equitativa entre homens e mulheres.
    Os altos índices de engajamento e interesse dos brasileiros e brasileiras sobre a igualdade de gênero apresentados pelo estudo levam a uma reflexão sobre as contradições sociais existentes atualmente e, principalmente, sobre o esforço reacionário de uma parcela da população para tentar barrar exatamente esses avanços evidentes sobre as questões de gênero.
    Um dos resultados mais surpreendentes da pesquisa refere-se à promoção e ao ensino dos direitos humanos e das mulheres, que foi considerada necessária para 76% das pessoas. Entre quem vive na Região Nordeste, o índice sobe para 79%. Sobre esta temática, a pesquisa também aplicou o recorte religioso, que apresentou pouca diferença entre os índices:  entre as pessoas católicas, 76% entendem que a discussão em sala de aula dos assuntos é de extrema importância, entre os evangélicos o percentual foi de 77%, e pessoas com outras religiões figuraram com 78%.