Em assembleia geral realizada na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia, os professores da rede pública estadual suspenderam a greve da categoria, iniciada no dia 15 de março. As aulas serão retomadas na próxima quarta-feira, dia 5 de abril, mas sofrerão interrupções quando houver votação dos projetos do governo Sartori na Assembleia Legislativa e no dia 28 de abril, data que está convocada uma greve geral pelas centrais sindicais.
A assembleia geral dessa sexta-feira (31/3) foi realizada em um local menor que a anterior (que foi no Gigantinho) e durou uma hora e meia. O encaminhamento para a suspensão da greve foi realizado na parte da manhã, na reunião do Conselho da entidade, que aprovou as propostas discutidas. A adesão ao movimento era baixa, principalmente no interior do Estado. Mas a avaliação da direção do Cpers/Sindicato é que a forma que a paralisação foi feita teve resultado positivo.
Para a presidente da entidade, Helenir Schürer, “a força da greve e das inúmeras mobilizações realizadas por todo o Estado pelos educadores têm feito o governo Sartori recuar na aprovação das PECs que prejudicam de forma brutal os educadores e demais servidores”.
Agora a direção do Cpers vai negociar com o secretário da Educação, Luis Alcoba, a recuperação dos dias de aulas parados e a reversão de medidas punitivas que foram aplicadas em algumas ocasiões durante a greve.
Propostas aprovadas:
1 – Suspender a greve, com calendário forte de mobilização, retornando as atividades na quarta-feira (05/04) condicionada ao acordo de greve do CPERS/Sindicato com o governo na recuperação dos dias parados, revertendo os casos de perseguição e respeitando a Lei de Gestão Democrática nas escolas;
2 – Dar continuidade às plenárias de discussão da reforma da Previdência e demais reformas, bem como o fortalecimento dos comitês locais;
3 – Acompanhar o calendário de mobilização da CNTE;
4 – Participar no dia 28 de abril da Greve Geral chamada pelas centrais sindicais, sindicatos, federações e confederações;
5 – Realizar paralisação e vigília nos dias de votação das PECs encaminhadas pelo governo Sartori à Assembleia Legislativa;
6- Realizar escrachos ao governador Sartori em todos os espaços em que ele estiver;
7 – Continuar com os escrachos aos deputados estaduais e federais nas suas bases eleitorais;
8 – Realizar marchas temáticas municipais, culminando em marchas estaduais;
9 – Discutir com a categoria a importância do IPE público e de qualidade, devido à eminência do Judiciário em criar um plano próprio de saúde;
10 – Procurar todas as entidades para integrar os comitês locais contra as reformas dos governos Temer e Sartori;
11 – Moção de Repúdio contra a violência praticada contra os servidores da Prefeitura de Cachoeirinha, apoiada pelo prefeito Mike Breier (PSB) e pelo presidente da Câmara de Vereadores, Marco Barbosa.
Autor: da Redação
Suspensa a greve do magistério da rede pública estadual
Ecobarreira retira 172 toneladas de lixo do Dilúvio em um ano
Um total de 172.290 quilogramas de resíduos foi retirado do Arroio Dilúvio desde 30 de março de 2016, quando foi realizada a primeira coleta dos materiais retidos na Ecobarreira instalada e mantida pela empresa Safeweb Segurança da Informação.
Todos os dias, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, por meio das equipes do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), faz o recolhimento dos resíduos içados pela gaiola da Ecobarreira e os encaminha para o aterro sanitário de Minas do Leão.
O equipamento está instalado no Arroio Dilúvio, na esquina das avenidas Ipiranga e Borges de Medeiros, bairro Praia de Belas. Milhares de plásticos, isopores, pedaços de madeira são exemplos de materiais retidos pela estrutura. “A Ecobarreira tem prestado um serviço essencial à nossa cidade, impedindo que grande parte do descarte irregular de resíduos no arroio Dilúvio cheguem ao Guaíba. É uma parceria que, certamente, terá continuidade”, afirma o secretário Ramiro Rosário.
A Ecobarreira da Safeweb é gerida em conjunto com o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), do DMLU, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Smams) e do professor Gino Gehling, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O controle do equipamento também é feito pela Safeweb, que fez a instalação e custeou o valor da estrutura, com um investimento de R$ 250 mil.
Para o vice-presidente da Safeweb, Luiz Carlos Zancanella Júnior, idealizador da ação, a iniciativa veio da necessidade de contribuir com a cidade e o ambiente: “Eu observava a quantidade de lixo que o Dilúvio despejava no Guaíba, e isso era algo que me incomodava. Vendo um vídeo na internet de uma máquina que retinha e coletava os resíduos num rio nos Estado Unidos, tive a ideia de fazer algo parecido pela cidade onde eu moro”, conta.
Zancanella levou o projeto para a empresa em que trabalha e foi prontamente atendido. “Só que não imaginávamos recolher tantos quilos apenas com lixo flutuante. Não podemos ficar felizes em recolher cada vez mais lixo. Precisamos lutar para alcançarmos a marca de zero quilos recolhidos. Nesse momento, poderemos dizer que o projeto teve sucesso”.
Segundo Zancanella, nesse um ano de existência da Ecobarreira, o trabalho ultrapassou o resultado esperado. A empresa pretende manter a operação, tornando-a cada vez mais eficiente, e agir em duas frentes: na busca de uma destinação mais adequada aos resíduos do que o envio para aterro sanitário e, também, trabalhar com a educação das comunidades para evitar a geração dos resíduos.
Palco Giratório Sesc 2017 tem 14 cidades gaúchas no roteiro
Lançada nacionalmente no último dia 29, em Campina Grande (PB), a 20ª edição do Palco Giratório Sesc chega ao Rio Grande do Sul. Além do já conhecido Festival, que ocorrerá de 4 de abril a 28 de maio em Porto Alegre, haverá apresentações em outras 13 cidades gaúchas: Lajeado, Caxias do Sul, Montenegro, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas, Passo Fundo, Carazinho, Ijuí, Santa Rosa, Alegrete, Santa Maria e Camaquã.
Os espetáculos que circularão pelo Estado são: “Abrazo”, do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (RN); “Brincos & Folias”, da Balangandança Cia (SP); “Os mequetrefe”, da Parlapatões (SP); “Ledores no breu”, da Cia do Tijolo (SP); “Lete”, Beradera Cia de Teatro (RO); “Palafita”, do Grupo Fuzuê (CE); “Fui!”, da Cia Senhas (PR); “Hamlet – Processo de Revelação”, dos Irmãos Guimarães (DF) e “Na Esquina”, do Coletivo Na Esquina (MG). Confira, abaixo, a agenda completa.
Uma das maiores iniciativas no segmento de artes cênicas do país, o Palco Giratório é uma rede de intercâmbio e difusão das artes cênicas consolidada no cenário cultural brasileiro. Ao longo de 19 edições, levou uma grande variedade de gêneros e linguagens artísticas para um público diversificado em 9.526 apresentações em todo o país, entre grupos de teatro de rua, circo, dança entre outras linguagens artísticas — em instalações do Sesc, praças e outros espaços urbanos. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.sesc.com.br/palcogiratorio.
Ói Nóis Aqui Traveiz
Os gaúchos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz são os homenageados do 20º Circuito Nacional Palco Giratório Sesc. O grupo estreou nacionalmente o seu mais novo espetáculo “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, durante o lançamento do Palco Giratório no último dia 29/03, em Campina Grande (PB), um trabalho de rua que celebra os 39 anos do coletivo, considerado um dos mais relevantes do país.
A Tribo tornou-se destaque no cenário nacional por promover a abertura de perspectivas para o teatro de rua e na ocupação do espaço público como potencializador de reflexões políticas e estéticas. Ao longo do ano, o coletivo passará por 19 cidades com a nova montagem pelo Circuito Nacional Palco Giratório.
O espetáculo apropria-se da peça de Shakespeare e do pensamento do poeta, ensaísta e crítico literário cubano Roberto Fernández Retamar para questionar a exploração da América do Sul pelo colonialismo europeu e para discutir a postura neocolonialista dos Estados Unidos. A montagem foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo programa de fomento Rumos Itaú Cultural.
PROGRAMAÇÃO:
Circuito Nacional Palco Giratório 2017
“Abrazo” – Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (RN)
Sinopse: Segunda parte da trilogia que compõe o projeto de pesquisa latino(-) americano (as outras duas são Nuestra Senhora de Las Nuvens e Dois Amores y um Bicho), Abrazo é uma obra voltada para o público infanto-juvenil, que pode ser assistido por crianças e adultos de todas as idades. Num lugar em que não é permitido abraçar, personagens atravessam um quadrado contando histórias de encontros, despedidas, opressão, exílio e, porque não, de afeto e liberdade. O espetáculo não verbal, conta com a música especialmente composta para a cena e com vídeo de animação para narrar essa aventura inspirada em “O Livro dos Abraços”, de Eduardo Galeano.
28/04 – Lajeado – Teatro Sesc Lajeado
30/04 – Caxias do Sul – Teatro Pedro Parenti (Casa da Cultura) – Rua Dr. Montaury, 1333
02/05 – Montenegro – Teatro Therezinha Petry Cardona (Fundarte) – Rua Capitão Porfirio, 2141
04/05 – Novo Hamburgo – Teatro Municipal – Rua Engenheiro Inácio Plang, 66
06/05 – São Leopoldo – Museu do Trem
07/05 – Canoas – Teatro Sesc
08/05 – PENSAMENTO GIRATÓRIO em Porto Alegre
09/05 – Porto Alegre – Teatro Sesc Centro
“Brincos & Folias” – Balangandança Cia (SP)
Sinopse: A televisão explodiu. E agora, o que fazer? O jeito vai ser arregaçar as mangas e entrar na brincadeira, redescobrindo o corpo, o prazer de dançar e inventar movimentos. De uma pra outra, as brincadeiras-danças se desenrolam como em uma tarde de domingo…Entram em cena a amarelinha, o pega-pega, as bolhas de sabão, o vídeo-game, brincadeiras de bater palmas, entre outras. Experiências lúdicas resgatadas da infância de antigas e novas gerações. A Balangandança Cia. nesse seu primeiro trabalho criado em 1997, convida o público mirim a entrar na dança, fazendo do corpo brinquedo e da brincadeira dança.
17/05 – Canoas – Teatro Sesc
“Os mequetrefe” – Parlapatões (SP)
Sinopse: Em “Os Mequetrefe” quatro palhaços que, não por acaso, se chamam Dias, vivem a jornada de um longo e divertido dia. Do despertar à hora de ir dormir, revelam como a desconstrução da lógica cotidiana pode abrir espaço para outras maneiras de encarar a vida. Vivendo situações bem comuns esses cidadãos nada comuns provocam uma série de confusões tão hilárias quanto poéticas. Da maneira como acordam, passando pelo jeito como se vestem para ir trabalhar, eles encaram essa aventura através do dia de maneira cômica. Depois de acordar, os Dias pegam o ônibus, que irá se transformar em tudo que pode levar gente, seja navio ou trem, para simplesmente irem ao trabalho, e assim manipulam objetos de cena de maneira lúdica, sempre carregados de um humor provocativo.
25/05 – Porto Alegre – Teatro Renascença
26/05 – Canoas – Teatro Sesc
28/05 – São Leopoldo – Local a definir
30/05 – Novo Hamburgo – Teatro Municipal – Rua Engenheiro Inácio Plang, 66
01/06 – Montenegro – Teatro Therezinha Cardona (Fundarte)
03/06 – Caxias do Sul – Teatro Pedro Parenti (Casa da Cultura)
05/06 – Lajeado – Teatro Sesc
“Ledores no breu” – Cia do Tijolo (SP)
Sinopse: Inspirado no pensamento e na prática do educador Paulo Freire e nas obras do poeta Zé da Luz e do ficcionista Guimarães Rosa, o espetáculo trata das relações entre o homem da leitura, das letras e do mundo ao seu redor. Ledores no Breu traz histórias que acompanham tantos leitores na escuridão e analfabetos em pleno século XXI, seres que percorrem distâncias para elucidar suas dúvidas, seus erros e seus crimes. Um homem que por não poder ler as letras comete um crime contra seu amor e contra si mesmo; outro homem que desperta para as artimanhas e dubiedades da palavra ou alguém que reinventa o afeto a partir das letras que formam um nome. Personagens que a partir de suas relações com as letras e as palavras têm suas vidas profundamente transformadas.
25/05 – Porto Alegre – Sala Alvaro Moreyra
30/05 – Passo Fundo – Teatro Sesc
01/06 – Carazinho – Teatro Sesc
02/06 – Ijuí – Teatro Sesc
04/06 – Santa Rosa – Teatro Sesc
06/06 – Alegrete – Local a definir
08/06 – Santa Maria – Theatro Treze de Maio ( Praça Saldanha Marinho s/nº)
10/06 – Camaquã – Teatro Sesc
“Lete” – Beradera Cia de Teatro (RO)
Sinopse: Lete, na mitologia grega, é o rio do esquecimento. É ele quem apaga nos homens as suas vidas passadas. Esta peça, que estreou em maio de 2013 – antes da cheia histórica do rio Madeira, que ultrapassou em dois metros a última marca registrada e afogou comunidades ribeirinhas inteiras – reflete, em um ambiente ficcional, sobre os diversos ciclos migratórios que moldaram a cidade de Porto Velho, culminando com o ciclo das usinas hidrelétricas. A peça lança luz sobre as vozes não ouvidas nestes processos econômicos e evidencia a memória que se esvai nas águas velozes e violentas do rio. Quatro atores-narradores se revezam em mais de vinte personagens em uma trama construída sobre cem anos de história concentradas em uma.
29/07 – Passo Fundo – Teatro Sesc
30/07 – Carazinho – Teatro Sesc
01/08 – Lajeado – Teatro Sesc
03/08 – Caxias do Sul – Teatro do Sesc
05/08 – Montenegro – Teatro Therezinha Cardona (Fundarte)
06/08 – Novo Hamburgo – Teatro Municipal – Rua Engenheiro Inácio Plang, 66
08/08 – São Leopoldo – Local a definir
10/08 – Canoas – Teatro Sesc
“Palafita” – Grupo Fuzuê (CE)
Sinopse: É uma proposição de equilibro entre dois corpos, ora sobre mãos e pés, ora reconstruindo formas de estar no outro. A sustentação do corpo sobreposto se da pela busca de eixos estáveis, remetendo a imagem dos casebres lacustres que conhecemos por palafitas que se erguem em lagos e regiões pantanosas como estratégia de se habitar um espaço. O conceito de morada aqui cria a subjetividade da proteção, uma maneira de habitar os terrenos não estáveis da condição humana.
17-08 – Carazinho – Teatro Sesc
18-08 –Passo Fundo – Teatro Sesc
20-08 – Ijuí – Teatro Sesc
22-08 – Santa Rosa – Teatro Sesc
24-08 – Alegrete – Local: a definir
26-08 – Santa Maria – Theatro Treze de Maio ( Praça Saldanha Marinho s/nº)
28-08 – Camaquã – Teatro Sesc
FUI! – Cia Senhas (PR)
Sinopse: A CiaSenhas excursiona pelo universo juvenil com a montagem FUI!, livremente inspirado na obra literária Tchick de Wolfgang Herrndorf, com texto e direção de Sueli Araujo. O espetáculo apresenta quatro personagens que se encontram após 15 anos para, através da criação de uma peça de teatro, lembrarem e reviverem as experiências que compartilharam quando eram jovens. Temas como amizade, solidão, confiança e sexualidade são abordados na montagem. Com uma linguagem dinâmica e direta, FUI! apresenta ao público um recorte sensível sobre ser jovem ontem e hoje. Amizade e memória norteiam a peça que se desenha, também, a partir da relação com quem a vê.
28/08 – Ijuí – Teatro Sesc
29/08 – Santa Rosa – Teatro Sesc
31/08 – Alegrete – Local a definir
02/09 – Santa Maria – Theatro Treze de Maio ( Praça Saldanha Marinho s/nº)
04/09 – Camaquã – Teatro Sesc
02/09 – Santa Maria – Local a definir
04/09 – Camaquã – Teatro Sesc
“Hamlet – Processo de Revelação” – Irmãos Guimarães (DF)
Sinopse: De Brasília, mas atuam no RJ e SP praticamente. Do Coletivo Irmãos Guimarães (http://www.facebook.com/coletivoirmaosguimaraes/), também, um dos coletivos mais conceituados do país. Tem uma trajetória grande em inovações com vídeos etc e com esse espetáculo ganhou muitos prêmios no ano passado, sendo sucesso de crítica no eixo rio/são Paulo.
O trabalho é uma delicadeza, ótimo para trabalhar com estudantes, jovens, com escolares. É Shakespeare, mas com um ator somente em cena, numa linguagem totalmente jovial, apresentando a história a partir da famosa frase “ser ou não ser, eis a questão”.
10/10 – Canoas – Teatro Sesc
11/10 – São Leopoldo – Local a definir
13/10 – Novo Hamburgo – Teatro Municipal – Rua Engenheiro Inácio Plang, 66
15-10 – Montenegro – Teatro Therezinha Cardona (Fundarte)
17-10 – Caxias do Sul – Teatro Pedro Parenti (Casa da Cultura)
19-10 – Lajeado – Teatro Sesc
21-10 – Carazinho – Teatro Sesc
22-10 – Passo Fundo – Teatro Sesc
“Na Esquina” – Coletivo Na Esquina (MG)
Sinopse: Na esquina, via cruzada de caminhos que buscam por outros. Ciclos e repetições criam uma paisagem afetiva entre amigos e um espetáculo que se constrói pela espontaneidade do elenco. Performances simultâneas entram em jogo em inter-relações diversas: o mastro chinês, o trapézio fixo, a lira, o malabares, a acrobacia de solo e o mão-a-mão. Na Esquina camufla as dinâmicas dos ensaios, falseia e assume processos preparatórios, rompe a previsibilidade do que deve ser mostrado e o que é excluído num espetáculo. O encontro é possibilidade de produzir a diferença, para além do reforço das identidades, abre-se para as relações entre quem atua e quem assiste; Na Esquina é o ponto de partida para outros lugares.
19/11 – Ijuí – Praça da República
21/11 – Santa Rosa – Parque Tape Porã – Av. Expedicionário Weber – em frente ao Mercado Stock Center
23/11 – Alegrete – Local a definir
25/11 – Santa Maria – Estação Férrea de Santa Maria – GARE
27/11 – Camaquã – em frente ao SescEstudo prevê mais ciclones, temporais e inundações no RS
Um estudo que mostra os riscos mais relevantes associados a mudanças climáticas será apresentado na Virada Sustentável, hoje (31/3), pelo especialista de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Luiz Carlos Xavier.
Para o Rio Grande do Sul, os principais motivos de alerta são a intensificação da ocorrência de ciclones e tempestades extratropicais, inundações devido a chuvas intensas, aumento da incidência de raios e ondas de calor.
O estudo, elaborado com suporte da Consultoria ERM, foca nos riscos climáticos com potencial impacto às operações da Braskem no Brasil, nos Estados Unidos, México e na Alemanha, mas Xavier aponta que toda a população das regiões analisadas está também exposta a esses riscos.
Por isso, os resultados, obtidos a partir de análise de dados INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e metodologia desenvolvida pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo, serão comunicados a clientes, fornecedores e entes públicos com os quais a empresa se relaciona. Segundo Xavier, o efeito causado pelas emissões de gás carbônico têm uma duração de aproximadamente 100 anos:
“Os efeitos que já estamos sentindo hoje, em parte, são um reflexo do passado. As emissões atuais vão gerar consequências lá no futuro. Por isso é tão importante que a indústria e a sociedade discutam formas de reduzir a emissão de gás carbônico a partir de suas atividades e criem articulações para se preparar para esses riscos.”
Essas informações serão detalhadas por Xavier e por Adriana Melo, consultora da empresa que deu suporte aos estudos, durante a Virada Sustentável, no dia 31 de março, às 18h30, em um painel sobre mudanças climáticas na Casa de Cultura Mário Quintana.Fontana propõe Frente pelo Banrisul público na Câmara dos Deputados
O deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) está coletando assinaturas desde ontem (30/03) para a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público na Câmara Federal.
Com isso, ele pretende promover ações de mobilização em defesa do Banrisul público e ampliar o debate sobre a importância da instituição para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, tornando. Fontana pretende discutir e tornar mais transparente as possíveis consequências sociais e econômicas, para a população e para a administração pública, da eventual privatização.
“O Banrisul é uma instituição com identidade histórica e cultural com a população gaúcha e profundamente ligada ao desenvolvimento do Estado, com grande alcance geográfico e capilaridade na maioria dos municípios do RS. Por meio do Banrisul, o Governo do Estado pode operar políticas públicas importantes que beneficiam milhares de pessoas, no meio urbano e rural. Trata-se de um banco sólido e lucrativo, com patrimônio líquido de R$ 6,7 bilhões, que teve lucro acumulado de R$ 643,5 milhões em 2016”, justifica Henrique Fontana no documento que pede apoio à criação da Frente.
O Banrisul está presente em 430 municípios, sendo que em 96 deles é a única instituição financeira.
A criação da Frente na Câmara Federal se soma à iniciativa da Assembleia Legislativa, proposta pelo deputado estadual Zé Nunes (PT), que lançou o movimento no parlamento gaúcho e elaborou uma carta pública contra a venda do banco estatal.
Os golpes e as mentiras da Globo

Cid Moreira e Hilton Gomes na estreia do JN em 1º de setembro de 1969: “O presidente passa bem”
P.C. DE LESTER
No dia 2 de abril de 1964, o presidente da República, João Goulart, ainda estava em território brasileiro.
Havia desembarcado às 3h15 minutos da madrugada no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, para decidir se resistiria ou não à quartelada que se iniciara contra seu governo.
Nas primeiras horas da manhã, o presidente estava reunido com o comandante do então III Exército e os comandantes de todas as unidades da região Sul, mais líderes políticos como Leonel Brizola e outros.
Naquela manhã, o jornal o Globo circulava no Rio de Janeiro com a seguinte manchete no alto da página: “Jango Fugiu: A Democracia Está Restabelecida” e abaixo em letras garrafais: “EMPOSSADO MAZZILLI NA PRESIDÊNCIA”.
O Globo mentiu para encobrir um atentado à Constituição, que se praticou com a posse forjada de Rainieri Mazzilli, o presidente da Câmara, quando o presidente da República ainda estava em território nacional.
Na calada da noite, o presidente do Senado, Auro Moura Andrade, numa sessão de três minutos, declarou vaga a Presidência da República e elegeu Mazzilli para o cargo. Naquela época, Roberto Marinho tinha apenas o jornal e a rádio Globo.
A TV que daria origem à Rede Globo, entrou no ar um ano depois, não por acaso.
No dia 1º de setembro de 1969, estreou o Jornal Nacional, “o primeiro noticioso em rede nacional de televisão” no Brasil.
A principal notícia foi a doença do presidente Costa e Silva, há quatro dias com uma “crise circulatória”. O locutor Hilton Gomes disse que o presidente “passou bem à noite e está em recuperação”.
O presidente, na verdade, tivera uma isquemia cerebral. Estava prostrado na cama, semi-paralítico e mudo. Os três ministros militares já haviam empalmado o poder, descartando o vice-presidente, Pedro Aleixo.
O Jornal Nacional mentiu, encobrindo o chamado “golpe dentro do golpe”.
Portanto, quando William Bonner diz que os jornalistas da Globo não criam fatos, mas apenas os divulgam e que “sempre foi e vai continuar sendo assim”… é bom botar o pé atrás.
Agora, toda a Globo está empenhada em dizer que o impeachment contra Dilma não é golpe. Não estará ela, novamente, tentando encobrir outro golpe?
(Publicado originalmente em 30 de março de 2016, com o título: “A Globo e o Golpe: nas duas vezes anteriores, ela mentiu”)Rede Minha Porto Alegre lança campanha para financiar atividades
Responsável por ações criativas em prol de causas políticas, a rede Minha Porto Alegre está em busca de recursos para manter suas atividades. O coletivo, em atividade desde outubro de 2015, lançou uma campanha de financiamento coletivo através do seu site.
Entre as causas defendidas pela Minha Porto Alegre estão a liberdade de ensino nas escolas, o apoio às mulheres vítimas de violência, a promoção da agricultura urbana e do transporte público de qualidade. A organização que atua há cerca de um ano emprega tecnologia e ações criativas para mobilização, por meio de ações online, como aplicativos para pressionar políticos, ou através de eventos como exibição de filmes e rodas de discussão.
A verba de operações acaba em abril. Os recursos restantes no caixa são de uma campanha de microfinanciamento realizada em 2015, para arrecadar R$ 13,7 mil reais em seis dias. As doações são a partir de R$ 15 e podem ser feitas doações únicas ou programação de débito automático mensal.
A coordenadora de relacionamento da Minha Porto Alegre, Clara Alencastro, explica que em razão dos princípio da rede, a captação de recursos é limitada. “Como não tem contrapartida, a gente não coloca marca, fica difícil de receber doação de empresas. A gente também não aceita dinheiro de político, então a gente optou por esse modelo de microfinanciamento. Não precisamos de muito, precisamos de muitos”, afirma.
Clara estima em aproximadamente R$ 8 mil reais o custo mensal, o que inclui salários de dois funcionários, contabilidade, manutenção do escritório e custos com tecnologia.
Minha Porto Alegre integra a rede Nossas Cidades, que surgiu em 2011, no Rio de Janeiro, a partir de um projeto que reivindicava mais transparência nas contas das Olimpíadas. A partir daí surgiu a Meu Rio. Em 2014, veio Minha Sampa. Em 2015, a rede venceu o Desafio de Impacto Social do Google Brasil, um prêmio de R$ 1 milhão, e abriu inscrições para novas cidades, quando Porto Alegre foi uma das contempladas.“El Juego de Antônia” leva o teatro a espaços não convencionais
Higino Barros
Os desafios são múltiplos para os atores da peça “El Juego de Antônia”. O espaço cênico não é o palco convencional, o texto é falado no idioma espanhol e o tema – medos e desejos humanos – nunca é fácil de abordar.
O espetáculo reestreia nessa sexta feira, dia 31 (ver serviço) na casa dos cineastas Ana Luiza Azevedo e Giba Assis Brasil, seguindo a ideia de ocupar a residência como espaço para experiência cênica. A itinerância de “El Juego de Antônia” seguirá pelos espaços do Memorial do Theatro São Pedro e Museu Joaquim Felizardo.
O espetáculo foi concebido para espaços não teatrais. Essa criação parte da experiência do diretor teatral André Carreira e da atriz Luciana Paz, que investigam as possibilidades dramatúrgicas dos espaços urbanos. A peça é livremente inspirada no texto Dos Viejos Panicos (1967), de Virgilio Piñera (1912-1979), importante autor cubano, ainda inédito no Brasil.
Influência na encenação
Levado à cena pela primeira vez em 2015, sempre em locais não convencionais, será a primeira vez que o espetáculo é apresentado em uma residência. A atriz Luciana Paz explica que tanto o espaço físico quanto o número de espectadores acabam influenciando a encenação:
“O espaço físico é fundamental na moldura do espetáculo. Já presentamos para público de cerca de 200 pessoas e outras vezes para plateias de 20 assistentes. Tudo isso acaba influenciando a compreensão da encenação, embora o tempo todo o conteúdo do que é falado seja sempre o mesmo. Embora nada seja forçado, o público acaba interagindo com os atores e cada reação é um sentimento, uma visão de mundo, uma experiência de vida”
Para Luciana Paz, o espetáculo utiliza a imagem como representação do passado para articular-se com o simbólico. “O espaço ligado ao olhar e à memória, num truísmo: sem ver não sabe; sem memória não se lembra”, conclui.
SERVIÇO:
Residência de Ana Luiza Azevedo e Giba de Assis Brasil
Espetáculo: El Juego de Antonia
Dias: 31 de março e 01 de abril / 7 e 8 de abril
Horário: às 19h, Bairro Rio Branco
Capacidade: 20 pessoas
Telefone para reservas: (51) 99119 6972
Ingresso: Contribuição espontânea (no local)
Memorial do Theatro São Pedro
Dias: 14 e 15 de abril
Horário: às 19h
Endereço: Praça Marechal Deodoro, s/nr
Bairro Centro Histórico – Porto Alegre – RS
Telefone Theatro São Pedro: (51) 3227.5100 – 3227.5300
Telefone Produção do Espetáculo: (51) 991196972
Ingresso: Contribuição espontânea (no local)
Museu Joaquim Felizardo
Dias: 21 e 22 de abril
Horário: às 19h
Endereço: R. João Alfredo, 582
Bairro Cidade Baixa – Porto Alegre – RS
Telefone Museo Joaquil Felizardo: (51) 3289.8275
Telefone Produção do Espetáculo: (51) 991196972
Ingresso: Contribuição espontânea (no local)
OBS.: A lotação é de no máximo 20 pessoas em todos os locais, os interessados devem fazer reserva pelo telefone: (051)99119 84 72 ou pelo e-mail: eljuegocontato@gmail.com
Ficha Técnica
Concepção e criação: Luciana Paz, André Carreira e Sérgio Lulkin
Direção: André Carreira
Atuação: Luciana Paz e Sérgio Lulkin
Dramaturgia: André Carreira e Luciana Paz (livremente inspirado na obra Dos Viejos Pânicos do autor cubano Vírgilio Piñera)
Cenografia: Kadi Silva
Figurino: Itiana Passetti
Preparação Vocal: Marlene Goidanich
Preparação Espanhol: Ana Gabriela Vazquez
Fotografia: Fernando Pires
Engenharia de Som: Alexandre Missel
Coordenação de produção: Alexandre Vargas
Duração: 45 minutos
Faixa Etária Recomendada: 14 anos
Realização: **CPTA – Centro de Pesquisa Teatral do Ator.
Circulação de jornais gaúchos teve queda de 20% em 12 meses
A circulação dos dez jornais gaúchos auditados pelo Instituto Verificador de Comunicação (IVC) registrou uma queda mediana de 20,37% em 2016.
Nos números levantados entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016, teve diário que reduziu a impressão em mais de 30%.
Pior do que os dados ruins foi a postura dos veículos de sonegar as informações ao público, e o maior deles no Estado – Zero Hora – publicou que foi o único entre os cinco maiores jornais do país a aumentar em 7% sua circulação total – digital e impresso –, sendo que o IVC verificou para esta soma pouco mais de 2%.
Ademais, o diário sequer mencionou ou contextualizou a redução de mais de 15% na sua tiragem no período.
Os jornais aferidos pelo IVC pertencem a cinco grupos de comunicação do Rio Grande do Sul e grande parte tem concentração de circulação na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Conforme o Instituto, o Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, registrou a menor queda, com 2,39%. O maior percentual foi do Diário de Canoas, do grupo Sinos, que caiu 31,82%.
Do mesmo grupo, o Jornal VS apresentou diminuição de 21,72%, enquanto o ABC Domingo caiu 21,04% e o Jornal NH, 20,82%.
Já dos impressos do grupo RBS, o Pioneiro, de Caxias do Sul, foi o que mais caiu, registrando um percentual de -19,92%. O Diário Gaúcho caiu 16,38% e Zero Hora, 15,14%.
O Diário de Santa Maria, que foi comprado por grupo de empresários locais, registrou queda de 22,37% no período em questão e o Correio do Povo diminuiu 13,64%.
(Elstor Hanzen, do Observatório da Imprensa )
Cem anos de revolução no Sul da América
Lourenço Cazarré
Leitor entusiasmado dos historiadores que narraram as incontáveis guerras, revoluções, revoltas, insurreições, quarteladas e rebeliões que sacudiram o Cone Sul entre os séculos 18 e 19, o jornalista gaúcho José Antônio Severo devorou também as negligenciadas obras publicadas em pequenas editoras por autores de final de semana. Para conferir, visitou os locais que foram palco das maiores batalhas travadas naquele período. E juntou a tudo isso conversas que, quando menino, escutava de seus ancestrais, participantes desses entreveros. Para amarrar o pacote, inventou um fio literário – a vida de um dos maiores militares brasileiros, o general Manuel Luís Osório, o marquês do Herval.
Com uma carreira jornalística de mais de meio século, vivida em algumas das principais redações do país, José Antônio Severo escreveu em cerca de 10 meses 100 anos de guerra no continente americano, obra de dimensões pampianas, com um total de 1.089 páginas, que foi dividida em dois volumes pela editora Record: Rios de Sangue (1) e Cinzas do Sul (2).
Talvez se possa dizer que o grande mérito deste livro, além, claro, de sistematizar toda uma vasta e dispersa bibliografia, é a presença de um jornalista em uma seara quase sempre restrita a excessivamente contidos, ou por vezes derramados, historiadores. Com um texto ágil, claro e direto, despido dos conhecidos rococós retóricos característicos da América latina, Severo esboça diante de seus leitores um quadro amplo e detalhado das lutas que acabaram por moldar quatro dos países do extremo sul da América Latina.
Repórter acima de tudo, o autor comparece com um grande número de informações pouco ventiladas que surpreendem até mesmo ratos de biblioteca razoavelmente versados nesse tipo de literatura. Severo entremeia sua narrativa com causos miúdos que, na linguagem simplificadora das redações, seriam chamados de “historinhas”. Assim, na leitura, nos defrontamos com centenas de historinhas curiosas, surpreendentes, esclarecedoras e por vezes verdadeiramente significativas.
As ações guerreiras começam em 1.777 quando o recém nomeado primeiro vice-rei do Prata, Pedro de Ceballos, a caminho de Buenos Aires, ataca à atual ilha de Santa Catarina para tomar posse de uma terra que julgava pertencer à Espanha. Ao retratar essa luta remota, Severo demonstra uma de suas principais virtudes que é a de descrever com minúcia e abrangência escaramuças e batalhas. Surgem então pontos conhecidos hoje dos muitos turistas que visitam a badalada Florianópolis: Santo Antônio de Lisboa, ilha de Anhatomirim, Jurerê, Canasvieiras e São José da Terra Firme.
Já naquela época, antecipando a quebradeira em que a nação vive hoje, a defesa da cidade estava à míngua: “por falta de verba, apenas dez dos 40 canhões estavam em condições”. O pânico espalhou-se pela ilha e as pessoas fugiram para o continente levando o que podiam. Os que não lograram escapar sofreram na mão dos invasores. “Os homens foram separados e encerrados, depois obrigados a trabalhar, quando não eram simplesmente mortos… As mulheres foram entregues às tropas. Oficiais e graduados tiveram preferência na escolha, mas a maioria ficou à mercê da soldadesca, na base de dez homens para cada uma. Meninas, mulheres de meia-idade e velhas, não escapou nenhuma”. Os que conseguiram fugir para o continente foram recepcionados pelas flechas e lanças dos índios carijós, cuja ferocidade nada ficava a dever à dos espanhóis.
Anos depois, Pedro Luís Borges esclareceria a seu filho, Manuel Luís Borges, que viria a ser pai do futuro general Osório, que, naquela invasão, ele estivera bem seguro na barriga de sua mãe, porque, como as demais grávidas, ela havia sido protegida pelos padres.
Em 1793, aos 16 anos, Manuel Luis Borges alistou-se como voluntário no Exército português. Em 1796 passou a furriel, posto equivalente ao de sargento. Certo dia, injustamente condenado ao açoite, teve a ousadia de aparar uma pranchada regulamentar que lhe foi desferida por um oficial. Foi preso e, antes de receber a inevitável condenação à morte, fugiu em direção ao Sul. Sua jornada em direção à Província de São Pedro pelo meio do mato acabou fazendo com que desse com o costado em Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual Osório). Ali acabou casando com Anna Joaquina Osório, cujo nome de família adotaria para sua descendência. Anos depois, livre da pecha de desertor, o mané Manuel Luís foi reincorporado ao Exército português
Rios de sangue estende-se até o final da guerra da Cisplatina, que durou de 1825 a 1829, com direito a incontáveis batalhas. O melhor momento do primeiro volume sem dúvida é a descrição dos preparativos para a decisiva batalha de Passo do Rosário/Ituzaingó. Homens excepcionais lideravam os dois lados: as tropas do Império eram comandadas por Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, o Marquês de Barbacena, e os argentinos e uruguaios eram chefiados por Carlos Maria de Alvear.
“É impressionante a simetria entre os dois generais”, escreve Severo. Ambos nascidos na América, filhos de nobres, cursaram academias militares da metrópole. Felisberto Brant nascera em Mariana (MG); Alvear era de Santo Angel, atual Santo Ângelo (RS).
A Batalha do Passo do Rosário, vencida por Alvear, pois Barbacena abandonou o terreno, mesmo ainda tendo possibilidade de lutar, determinou a criação do Uruguai, nação-tampão entre dois gigantes brigões. Uma das curiosidades da Guerra da Cisplatina é que dom Pedro I chegou a viajar ao Rio Grande do Sul para comandar as tropas do Império, mas mal botou o pé por lá recebeu a notícia do falecimento de sua esposa, Leopoldina, e teve que retornar ao Rio de Janeiro.
Em Cinzas do Sul temos relatos esclarecedores sobre a demorada Guerra dos Farrapos e a devastadora Guerra do Paraguai. Entre elas, a Guerra do Prata que levou à derrota de Manuel Oribe, caudilho uruguaio, e à deposição de Juan Manuel Rosas, ditador em Buenos Aires por 17 anos.
Todos esses conflitos sangrentos foram causados por divergências incessantes, às vezes ridículas, entre os grupos políticos que tentavam tomar o poder nas nações em formação. Severo assim resume essa pendenga: “Ideologicamente, a linha de identidade entre os países do Prata, descontadas as lutas internas entre os caudilhos que disputavam o poder, corria em linha reta: unitários argentinos/blancos uruguaios/liberais moderados do Rio Grande do Sul de um lado e do outro federales argentinos/colorados uruguaios e liberais exaltados rio-grandenses”. Os primeiros eram republicanos que aceitavam uma monarquia apartidária e a escravidão. O outro agrupamento defendia a abolição e a criação de um estado unitário integrado por províncias autônomas.
O jornalista gaúcho apresenta um número incrível de informações em geral desprezadas pelos praticantes da historiografia ortodoxa: fala da introdução da alfafa em uma terra onde os pangarés só comiam grama rala; das carretas de bois que necessitavam de doze juntas para arrastar 80 arrobas; que o custo de um escravo era cinco vezes maior do que o de um imigrante europeu; conta que os caudilhos argentinos Rosas e Urquiza eram os dois homens mais ricos daquele país; que cada soldado de cavalaria arrastava consigo três rocins mal nutridos; que os fortíssimos cavalos de batalha, ferrados e alimentados a milho, só eram usados nas cargas; que os cavaleiros minuanos e charruas levavam um homem na garupa para lançá-lo dentro da linha de defesa dos brancos; descreve a tomada de Porto Alegre pelos guerreiros farroupilhas e de como eles a perderam depois de um porre geral e homérico; informa que dom Pedro II já era a favor da abolição em 1845 e que lamentava que ela não fosse aprovada no Parlamento por oposição das bancadas de Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo; esmiúça a profunda ligação de Caxias com o Rio Grande do Sul por 20 anos (foi governador e senador pelo Estado); informa que para viajar a Mato Grosso a rota mais cômoda era a marítimo-fluvial, passando por Montevidéu e seguindo por rios interiores; que o Paraguai antes da guerra não tinha moeda, mas havia implantado a primeira linha da América do Sul; que Solano Lopez em sua fuga final conduzia sua mãe e sua irmã, prisioneiras, em uma jaula; que o espião do Paraguai em Montevidéu era o embaixador português; e lamenta os imensos prejuízos trazidos por esses conflitos sempre acompanhados de saques e violações.
Falando de Osório, o lendário general, Severo relata que nas grandes cidades por onde ele passava o povo costumava desatrelar os cavalos da carroça em que viajava a fim de rebocar pelas ruas, com a força dos braços, o herói da Guerra do Paraguai.
Por fim, ficamos sabendo que a Argentina – sacrificada por incontáveis carnificinas, só unificada mais de 60 anos após a libertação da Espanha – conseguiu, após o fim dos conflitos, atrair o excedente de mão de obra de uma Europa tomada pela industrialização para transformar-se, já na virada para o século 20, na quarta nação mais rica do mundo.


“O espaço físico é fundamental na moldura do espetáculo. Já presentamos para público de cerca de 200 pessoas e outras vezes para plateias de 20 assistentes. Tudo isso acaba influenciando a compreensão da encenação, embora o tempo todo o conteúdo do que é falado seja sempre o mesmo. Embora nada seja forçado, o público acaba interagindo com os atores e cada reação é um sentimento, uma visão de mundo, uma experiência de vida”