Autor: da Redação

  • Redenção recebe programação da Virada Sustentável neste final de semana

    A Redenção recebe neste fim de semana o Virada Sustentável. O evento que começou nesta quinta-feira oferece mais de 200 atividades pela cidade até domingo(2).Na Redenção, será instalado um dos ecopontos da Virada Sustentável,  e as atividades acontecem no sábado e no domingo, das 9h30 às 18h.
    Para o público infantil serão oferecidos jogos e brincadeiras, contação de histórias, oficinas de brinquedos sustentáveis e teatro. Para os adultos, rodas de conversas e oficinas de práticas sustentáveis para o cotidiano, como oficinas de horta e composteira caseira, e produtos de limpeza ecológicos.
    Há também atividades relacionadas à cultura afro -brasileira, com capoeira e outras manifestações artísticas, atrações musicais, teatro, aulas de yoga e meditação, troca de livros e coleta de resíduos eletrônicos, lâmpadas fluorescentes e óleo de cozinha. O EcoPonto abriga também o estande do Fórum Ecogastronômico, onde acontecerão aulas de cozinha, roda de conversa sobre produção e consumo de alimentos orgânicos.
    Os temas centrais são Empreendedorismo e Inovação Sustentável, Educação para a Sustentabilidade, e Ecogastronomia e Alimentação Saudável. Os EcoPontos são os espaços de encontro e mobilização durante a Virada. Além da Redenção, recebem ecopontos a Casa de Cultura Mario Quintana, Associação Cultural Vila Flores e SESC Campestre.
    A Virada Sustentável é um evento apresentado pela Braskem com o patrocínio de Unisinos e thyssenkrupp, e apoio institucional da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, RBS TV, Sebrae/RS,Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senace Governo do Estado do Rio Grande do Sul (Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo/EMATER e Fundação Piratini/TVE e FM Cultura). O apoio empresarial é do Rissul.
    Confira algumas atividades que acontecerão no Parque da Redenção:
    Sábado, 1º de abril
    Manhã – Kombi na Rede no Parque da Redenção – estúdio móvel com programa de webTV ao vivo
    Fórum Ecogastronômico da Redenção
    09h30min – Aula de Cozinha: “PANCS na Cozinha” (professoras Clarissa Brickmann e Raquel Chesini – Unisinos)
    10h30min – Roda de Conversa: “Hortas Urbanas – Cidade Sustentável”
    11h30min – Aula de Cozinha: “Cozinha de Feira”. (professora: Prof. Ágata Morena de Britto – Unisinos)
    13h30min – Oficina de cozinha com PANCS (Nutricionista Ana Cristina Bergalo Zeferino (Arco íris)
    14h15 – Roda de Conversa: “Consumo sustentável e alimentos orgânicos”
    15h10 – Aula de Cozinha “Cozinhando com frutas nativas (Chef uruguaia Laura Rosano)
    16h – Disco Xepa – Slow Food Sul (Monumento do Expedicionário)
    Domingo, 02 de abril
    Manhã – Kombi na Rede no Parque da Redenção – estúdio móvel com programa de webTV ao vivo
    9h – Pedalada da Virada – saída em dois pontos: a Fundação Iberê Camargo (Avenida Padre Cacique, 2000) e o Velódromo de Porto Alegre (Av. Ipiranga, 1 – Praia de Belas) – chegada: Parque da Redenção, às 11h30
    11h30 – Concerto de encerramento é com a Orquestra Unisinos Anchieta e Juntos – com os músicos Antonio Villeroy, Bebeto Alves, Gelson Oliveira e Nelson Coelho de Castro e regência de Evandro Matte.
    A programação completa está disponível no site da Virada Sustentável.

  • Servidores de Cachoeirinha em guerra contra pacote do Prefeito

    Bombas de gás, spray de pimenta e conflito entre Brigada Militar e servidores públicos municipais de Cachoeirinha. Foi esse o cenário que se instaurou em frente à Câmara durante a manhã desta quinta-feira quando o legislativo aprovou por 14 votos a 2 o projeto que reduz de R$25 para R$ 20 o vale-alimentação dos servidores que ganham mais que R$ 2000.
    A justificativa do prefeito Miki Breier (PSB) é a falta de dinheiro e com isso o enxugamento dos gastos da máquina pública. Em fevereiro o prefeito já havia mandado um pacote de 11 medidas, do quais aprovou nove.
    Os servidores recriminam o atual governo. Em greve há 24 dias, eles prometem uma série de mobilizações para impedir que mais projetos sejam aprovados. Um ato público de de repúdio na frente da Prefeitura já está programado para as 10h desta sexa-feira, dia 31. Após o ato será feito um almoço coletivo e uma plenária da categoria.
    O major Luciano Moritz Bueno, comandante do 26º Batalhão da BM, disse à imprensa que era preciso conter os ânimos que estavam exaltados e que a Brigada “fez uso moderado dos meios”. Segundo o major, a chamada que a Brigada fizesse a segurança da Câmara foi um pedido do Presidente da casa, o vereador Marco Barbosa (PSB).
    Confira abaixo a nota do Simca (Sindicato dos Municipários de Cahcoeirinha) e um vídeo do conflito ocorrido hoje pela manhã:
    GOVERNO ORDENA REPRESSÃO COVARDE
    À GREVE DOS MUNICIPÁRIOS
    Durante a manifestação na Câmara dos Vereadores nesta quinta, dia 30/03/2017, vigésimo quinto dia da greve dos municipários, de forma covarde houve a repressão brutal por parte da Brigada Militar ao protesto dos municipários. A sessão da câmara votou o projeto que diminui o valor pago no vale alimentação, conforme escalonamento. Membros da categoria foram agredidos enquanto estavam sentados durante a vigília em apoio à greve de fome. Três colegas da categoria foram injustamente detidos e um está sofrendo ameaça de ser encaminhado ao presídio central. Dezenas de pessoas ficaram feridas pela Brigada Militar.

    Desde à noite de ontem, o comando de greve já estava mobilizado para garantir o acesso ao legislativo. O presidente da câmara ingressou com uma reintegração de posse, porém não houve deferimento do pedido até o final da manhã. O SIMCA moveu um mandado de segurança para garantir a liberação do acesso ao plenário, decisão essa que acabou sendo DEFERIDA pela justiça no final da manhã, comprovando que a atitude arbitrária e repressiva ocorrida na câmara sequer teve respaldo legal.
    O Sindicato dos Municipários de Cachoeirinha repudia veementemente a repressão ordenada sem nenhuma legitimidade contra os municipários e membros da comunidade.
  • Free Way pode ficar sem pedágio e sem manutenção a partir de julho

    No balanço publicado nesta quarta-feira (29/3), a Triunfo Concepa, concessionária da Free Way, trecho Osório-Porto Alegre da BR-290, admite explicitamente a possibilidade de se tornar “uma empresa dormente” a partir de 4 de julho, data do encerramento do contrato de concessão da rodovia.
    O alerta consta do cabeçalho das notas explicativas do balanço em que a empresa apresenta lucro de R$ 15,6 milhões para uma receita de R$ 326,6 milhões, 80% dos quais oriundos de pedágios recolhidos em três praças (Eldorado do Sul, Gravataí e Santo Antonio da Patrulha) ao longo dos 121 quilômetros da concessão.
    A menção à “dormência”, termo contábil similar à “inatividade”, sugere que a concessionária pode deixar a Free Way  sem pedágios e sem manutenção até uma nova concessão, só prevista para o final do ano.
    Haveria portanto uma lacuna de seis meses que só poderia a ser coberta por uma prorrogação da concessão. Quanto a isso, há um certo mistério.
    Embora alegue que até a data da publicação do balanço “não houve qualquer manifestação por parte do poder concedente no sentido de prorrogar a concessão vigente”, a Triunfo Concepa trabalha com a expectativa de seguir operando na Free Way.
    A empresa também aguarda a conclusão do processo de licitação do pacote de rodovias no qual estão incluídos a BR-448, trechos da BR-290, da BR-386 e da BR-101 entre SC-RS, num total de cerca de 500 quilômetros.
    A Triunfo, com sede em São Paulo, já manifestou a intenção de concorrer e é tal o seu favoritismo que nas áreas técnicas do Ministério dos Transportes esse conjunto de pedágios ganhou o apelido de “Concepão”.
    Nesta sexta (31 de março) às 18 horas termina o prazo para manifestações à consulta pública da  Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) quanto à concessão das rodovias BR-101/290/386/448, assunto tratado pela audiência pública 001/2017. Com base nas contribuições recebidas, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC) vai tomar uma decisão, conforme o cronograma publicado no site da ANTT. (Geraldo Hasse)

  • Caso Janice X Lasier passa pelo Supremo Tribunal Federal

    A jornalista Janice Santos, mulher do senador gaúcho Lasier Martins (PSD), prestou queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brasília e fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).
    A notícia foi dada hoje pelo jornal Correio Braziliense. Ela afirma ter sido agredida pelo marido em meio a uma discussão, na última terça-feira. Com lesões aparentes pelo corpo, a jornalista acusa o parlamentar de lesão corporal e injúria, e diz que esta não foi a primeira vez que sofreu agressões de Lasier.
    Lasier negou as acusações. Disse ao jornal de Brasília que “reagiu para se defender” e alegou que ela própria teria se ferido para forjar a situação.

    Foro privilegiado
    Devido ao foro privilegiado de que gozam os parlamentares, o caso passa pelo Supremo Tribunal Federal.
    Até mesmo o pedido o apelo da advogada de Janice Santos à lei Maria da Penha, pedindo medidas protetivas, depende do STF.
    E o caso só poderá ser investigado pela Procuradoria Geral da República, quepara isso depende de autorização do STF.

    Casados há quase cinco anos, Janice e Lasier estão em processo de separação. Segundo o Correio, no depoimento prestado à Polícia Civil, por volta das 10h de terça, a jornalista levou a empregada doméstica da residência, que presenciou a cena, para servir como testemunha de que Janice, 38 anos, já havia sofrido agressões em outras oportunidades, mas não tinha avisado a polícia.
    Janice contou que, mais de uma vez, foi xingada e humilhada pelo marido. “Dizia que eu era burra, que não entendia nada de política, apenas de moda”, além de chamá-la de “chantagista e paranoica”, segundo relato dado na delegacia. Em outra briga, logo após ela ter passado por um processo cirúrgico na barriga, ele teria chutado a região recentemente operada.
    Lasier Martins confirmou que está em processo de separação e que ela quer “chantageá-lo” com “denúncias falsas”. “Ela partiu para cima de mim e eu apenas reagi para me defender, disse ao jornal. “Ela mesmo se cortou e passou sangue em mim. Ela é louca. Está me chantageando por conta do divórcio. Não tenho dúvida de que a polícia vai apurar o caso e concluir que não fiz absolutamente nada”.
    O senador disse que “a funcionária lá de casa, inclusive, me procurou no meu gabinete para dizer que havia se recusado a mentir para a delegada”.
    Antes de entrar na vida política, quando se elegeu senador na primeira eleição que disputou, em 2014, Lasier era um dos principais jornalistas da RBS TV, filial da Rede Globo no Rio Grande do Sul. Conheceu em Passo Fundo (RS), em 2012, quando esteve na cidade para mediar debates eleitorais. Janice era a âncora do Jornal do Almoço da emissora filiada. O Correio entrou em contato com a advogada de Janice, que preferiu não comentar o assunto.
    Lasier deixou a TV no final de 2013 para entrar na política em 2014. Filiou-se ao PDT para disputar uma vaga no Senado e desde o início do mandato enfrentou o comando nacional. O ápice do desentendimento foi quando ele votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Em janeiro deste ano, ele migrou para o PSD.
    O casal havia se envolvido em outra polêmica no início de 2014, quando Lasier era pré-candidato ao Senado e Janice acabou nomeada para um cargo comissionado no gabinete da presidência da Assembleia Legislativa gaúcha, presidida, à época, por um companheiro de partido. Com salário bruto de R$ 12 mil, ela estava em uma função que recebia o terceiro nível mais alto de remuneração no legislativo gaúcho. Janice acabou exonerada cerca de um mês depois.
    (Com o Correio Braziliense e RBSTV)
     

  • Central, o filme: a rotina na pior prisão do Brasil

    Matheus Chaparini
    O cotidiano pesado de um dos maiores e piores presídios da América Latina pode agora ser conhecido através das grandes telas das salas de cinema do país. O documentário Central entra em cartaz nesta quinta-feira.
    Foram mais de 200 horas de gravação, ao longo de três anos, entre 2013 e 2016. Para possibilitar o filme, a equipe teve que enfrentar dificuldades de acesso ao presídio e tentativas, de todas as partes, de influenciar no direcionamento do documentário.
    A administração do presídio quer mostrar as melhores galerias, onde ficam abrigados poucos presos, em melhores condições. Aos presos, interessa denunciar as condições a que são submetidos no sistema prisional.
    Já para os líderes de facções, não interessa mostrar a superlotação das galerias: quanto mais presos, maior o ganho da facção. Um documento da facção Os Manos encontrado pelo Ministério Público recentemente definia em R$ 200 mensais o pagamento por preso.
    Os diretores do documentário chegaram a se reunir com os 26 chefes de galerias do presídio. Outra reunião foi realizada com os quatro principais líderes de facções dentro do Central para negociar a viabilidade do filme.

    Em uma mesma galeria chegam a conviver 500 presos / Sidinei José Brzuska
    Em uma mesma galeria chegam a conviver 500 presos / Sidinei José Brzuska

    Além de entrevistas com presos, especialistas e profissionais que lidam com o sistema carcerário, o filme traz entrevistas conduzidas e gravadas pelos próprios presos. Não se trata apenas de uma opção conceitual, mas de um imperativo da situação: “Nas galerias ninguém entra, nem jornalista, nem juiz, nem polícia”, afirma a diretora Tatiana Sager.
    A estreia vem em um momento adequado. No início deste ano, uma série de rebeliões em diversos presídios brasileiros colocou a situação do sistema carcerário na pauta do dia. Mais recentemente, a descoberta de um túnel para uma fuga em massa, fez do Presídio Central notícia em todo o país. Antes disso, o presídio havia ganho projeção nacional em 2008, quando foi considerado pelo Congresso Nacional como a pior casa prisional do país.
    O documentário já foi premiado em festivais e teve sessões de pré-estreia no Rio de Janeiro e São Paulo, onde lotou as salas. Além destes convidados, apenas um grupo de pessoas teve o privilégio de conhecê-lo antes de entrar no circuito. Semanalmente, a diretora Tatiana Sager, apresenta o filme para menores internos da FASE, a antiga Febem. Ela estima que quase todos os internos tenham assistido.
    A reportagem do Jornal JÁ conversou com a diretora Tatiana Sager e com o jornalista Renato Dorneles, autor do livro Facção Gaúcha, que inspirou o documentário. O livro trata do surgimento do crime organizado no Rio Grande do Sul e já havia originado o curta-metragem O Poder entre as Grades.
    Tatiana é fotógrafa e cineasta e já trabalhou em jornais como Correio do Povo, NH e Pioneiro. Renato Dorneles é repórter de polícia há 30 anos, atualmente trabalha no Diário Gaúcho.
    Presídio Central ganhou visibilidade nacional em 2008, quando foi considerado pelo Congresso o pior presídio do país / Divulgação
    Presídio Central ganhou visibilidade nacional em 2008, quando foi considerado pelo Congresso o pior presídio do país / Divulgação

    O filme acabou saindo em um momento que o contexto ajuda, né?
    Renato: Pois é, as confusões com mortes em Manaus, Roraima e Rio Grande do Norte e o túnel aqui do Central, que foi assunto nacional, ajudaram bastante para que o filme se torne bem procurado. A gente percebeu isso bastante no Rio e em São Paulo.
    Desde quando tu acompanhas o presídio Central?
    Renato: Comecei a me interessar pelo assunto em 1987. Teve um motim e a partir daí se soube que estava sendo criada a Falange Gaúcha, uma primeira facção criminosa aqui no Sul. Pouco antes deste motim foi quando os assaltantes de banco resolveram se unir aos traficantes, copiado uma ideia da Falange Vermelha, que depois virou o Comando Vermelho. A união se deu dentro das cadeias. Estavam no Central o Vico, que era o maior assaltante de banco, e o Carioca, que era o traficante que dominava o Morro da Cruz.
    Papagaio e Melara vieram em uma geração posterior?
    Renato: Isso. O Melara já estava, mas nesta época era coadjuvante. Se falava no Melara por causa de um episódio de 1985 em que ele e o Celestino Linn mataram dois agentes penitenciários dentro de um ônibus para libertar um companheiro deles do assalto a banco. E nessa época ele já começava a mostrar que era bom de fuga, havia fugido da PEC.
    O nome Falange Gaúcha eles usavam ou foi criado por ti?
    Renato: As duas coisas. Os presos descreviam como uma falange, porque no rio ainda chamavam Falange Vermelha. Então eu disse que era uma espécie de Falange Gaúcha e eles também passaram a usar.
    Essa organização que surgiu há 30 anos é uma das facções que ainda existem?
    Renato: Ela se subdividiu e a sequência dela é a facção Os Manos, até porque foi o Melara que criou essa facção e era um remanescente da Falange.
    Dá pra se dizer que Os Manos é a facção mais bem articulada hoje?
    Renato: Sem dúvida. É a mais bem articulada tanto que ela já se afastou da guerra das ruas. Ela já está em um patamar mais elevado, mais próximo do PCC.
    Eles se envolvem na política formal?
    Renato: Já houve denúncias de eles terem eleito vereadores pelo interior. É um primeiro passo, eleger vereador, depois deputado. Hoje são basicamente três facções. Tem os Abertos, que é mais uma facção de presídio. É aberto porque é daqueles que não integram as demais facções. Hoje tem três principais: Os Manos, os Bala na Cara e a outra não é bem uma facção, é os Anti Bala, que é uma aliança entre quadrilhas.
    Os jornais muitas vezes evitam dar o nome das facções nas notícias. Isso não desinforma?
    Renato: Eu sou a favor do meio termo. Tu não pode publicar só por publicar, porque pode virar um marketing. Mas por outro lado, determinadas reportagens eu vejo como inevitável e aí há um exagero em omitir. Aqui acontece isso, mas no Rio e São Paulo é mais radical ainda. Tu vai dar uma entrevista e eles recomendam: não fala nome de facção.
    Isso aconteceu contigo em entrevistas?
    Renato: Sim, diziam que era uma política não falar em nome de facção.
    Nestes 30 anos em que tu acompanha os presídios gaúchos, o que tu nota de mudanças?
    Renato: Na década de 1990, dava mais de 30 mortes violentas por ano no presídio Central. Hoje, quando muito, dá uma ou duas. Lá dentro o crime se organizou. Cada facção cuida de uma ou duas galerias, ali elas mandam, ali elas faturam e não se envolvem com as rivais. Mas a regra só vale até o portão do presídio. E isso interfere até no número de assassinatos do lado de fora.
    Outra coisa é a relação à administração do presídio. Antes era extremamente problemático, sempre tinha conflito, denúncias de tortura, agressões. A Brigada Militar foi amadurecendo esse tipo de conversa com a massa carcerária e hoje esses conflitos quase não existem. Isso através do sistema de plantões, onde um líder de cada galeria faz a intermediação.
    E o jornalista na cadeia. Como é visto pelos presos? Não cai uma pecha de cagueta?
    Renato: Há um certo respeito. Eles nunca reclamaram do meu trabalho. Teve só uma vez, que eu escrevi uma coluna dizendo que quem mandava nos presídios eram os presos e recebi de um advogado um manuscrito dos presos pedindo direito de resposta – depois eles desistiram e pediram para não publicar. Neste ponto eu senti um certo respeito.
    Trabalhando com jornalismo de polícia não acontece de cobrir a prisão e depois encontrar a pessoa na cadeia ou na rua?
    Renato: Acontece. No julgamento do traficante Carioca foi uma situação meio constrangedora mas depois eu dei risada. O Tribunal do Júri funcionava no Palácio da Justiça. O Carioca estava sendo julgado e do lado de fora tinha muitos policiais do Choque armados, esperando que os traficantes do Morro da Cruz invadissem para tentar resgatá-lo.
    Quando eu entrei no Juri, ele me viu e fez um gesto de positivo. Todo mundo parou e  ficou olhando, até o juiz. Eles pensaram: vão atacar agora!
    Tem uma vista grossa por parte da fiscalização em relação à droga?
    Renato: Tu imagina, são 400 numa galeria, tu não tem nenhum momento de individualidade. Isso não tem como não afetar o psicológico. Aí eles recorrem à droga para acalmar o preso. É o que diz um dos entrevistados: se não usar droga, o presídio explode, morre cinquenta por dia. Ele diz ‘proíbe entre aspas’. E o diretor da época disse ‘olha, eu não posso dizer isso porque vou estar cometendo crime. A gente tenta coibir, não vou dizer que conseguimos 100%’.
    Eles têm essa consciência de que se eles cumprirem 100% esse trabalho e evitarem a entrada de drogas isso pode gerar uma situação ainda mais complicada?
    Tatiana: A partir destes relatos acho que sim. E não tem como evitar. A corrupção existe, a coisa toda é maquiada e ninguém quer investigar exatamente. Quem é que vai querer chamar a atenção da sociedade se as lideranças de galeria estão ganhando em torno de R$ 500 mil reais por mês?
    Renato: Teve um vídeo que conseguimos, da cheiração de cocaína no presídio em uma festa de natal. Eu publiquei o vídeo e as autoridades trataram como normal os presos cheirando cocaína lá dentro. Eles estranharam que o vídeo tivesse chegado até mim.
    Um dos filmes brasileiros que mais repercutiu nos últimos anos foi o Carandiru. Por mais que seja ficção, é um livro sobre a história de um presídio baseado em um livro-reportagem. Vocês tiveram alguma preocupação de não ser tachado de Carandiru do Sul?
    Tatiana: Não, nunca foi para nós referência. É um filme legal. Os próprios presos, quando estavam gravando brincavam ‘tem que fazer um filme tipo Carandiru.’ Mas ficção é uma coisa completamente diferente de documentário. Está mais para uma grande reportagem do que para um filme de ficção.
    É o teu primeiro documentário?
    Tatiana: Não, já dirigi dois outros curtas e agora fizemos o longa. Tem uma fala de um preso para o outro, ele dizia ‘a mulher aquela é cineasta e quer fazer um filme. De certo ela vai fazer um curta, aí se der certo vira um filme’. A gente brinca que deu certo e virou filme.

  • Cunha condenado a 15 anos de prisão

  • Segunda Virada Sustentável de Porto Alegre vai até domingo

    Começou nesta quinta-feira a segunda edição, em Porto Alegre, do Virada Sustentável, com uma agenda de mais de 200 atividades.
    São ações colaborativas, seminários, mostras de filmes, esportes, oficinas, shows e espetáculos teatrais, artes visuais, feiras de inovação e a Virada Ecogastronômica. O mote comum abarca qualidade de vida, biodiversidade, resíduos, água, cidadania, mobilidade urbana e mudanças climáticas, além de potencializar as discussões sobre a importância econômica dos negócios sustentáveis e da nova tendência cultural na vida urbana.
    Com os temas Empreendedorismo e Inovação Sustentável, Educação para a Sustentabilidade, e Ecogastronomia e Alimentação Saudável, o festival reúne cerca de 200 atrações e atividades em diferentes locais e em quatro EcoPontos.
    Os EcoPontos são os espaços de encontro e mobilização durante a Virada: Casa de Cultura Mario Quintana, Associação Cultural Vila Flores,  Parque da Redenção e SESC Campestre.
    Além dos EcoPontos, a Virada acontece em outros locais, como a Unisinos – Novo Campus Porto Alegre (cerimônia oficial de abertura e o Seminário Marcas Sustentáveis), o StudioClio (onde acontece a oficina A História da Música nos Festivais Nativistas do Rio Grande do Sul) e o Largo Glênio Peres, dois shows do projeto Porto Alegre Musical: Orquestra da ULBRA com As Grandes Canções do Festivais Nativistas  e Os Tambores da Rua, com Turucutá e Bloco da Laje.
    Para reunir os diferentes projetos e iniciativas, foi lançado um edital de adesões, que recebeu 150 inscrições e selecionou 78 projetos para integrar a Virada. Eles são promovidos de forma autônoma por grupos, coletivos, movimentos e instituições diversas.
    Todas as atividades são gratuitas.
    Programação completa neste link. O Virada Sustentável vai até este domingo, 2 de abril.
     
     

  • Assassinato de mulheres por homens na mostra de Graça Craidy

    Um tema espinhoso e de difícil resolução para a sociedade brasileira é o feminicídio. Afinal, a cada 90 minutos, uma mulher é assassinada no Brasil. Em geral pelo marido, companheiro ou ex. É sobre essa realidade que a artista plástica Graça Craidy dirige seu olhar em 50 quadros, na exposição “Livrai-nos do mal”, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, na Rua dos Andradas, 1223.
    A artista está aproveitando a mostra para realizar visitas guiadas às jovens, criando uma consciência do problema para que ele possa ser evitado no futuro. Nesta quinta-feira,  às 10h, alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Governador Roberto Silveira, de Cachoeirinha, farão uma visita guiada pela artista.
    A exposição também repercute nos meios educacionais fora do Estado. A artista foi contatada por educadoras de Minas Gerais e de São Paulo que estão fazendo discussões sobre feminicídio com seus alunos e usarão a exposição nas atividades educativas.
    A artista e mestra Clara Pechansky  também levou uma turma de alunas adultas de seu atelier à exposição e disse que a ocasião foi “uma excelente possibilidade de discutir arte e sociedade”.

  • Encontro dos aposentados do CPERS teve jornada teatral

    Dentro do Encontro Estadual de Aposentados, nos dias 28 e 29 de março, o CPERS promoveu uma jornada de apresentações teatrais.
    Nos dois dias de evento, foram apresentadas peças de teatro de professores e funcionários de escola aposentados de todo Estado, no Centro de Eventos do Plaza São Rafael.
    Em 2016, o CPERS realizou Concurso de Teatro aos Aposentados nos 42 Núcleos do Sindicato.
     

  • Marchezan encaminha seu Programa de Metas 2017-2020 à Câmara

    O prefeito Nelson Marchezan Júnior encaminha, às 10h30 desta quinta-feira, 30, à Câmara de Vereadores, o Programa de Metas de Porto Alegre – Prometa 2017-2020.
    Será a primeira gestão a cumprir a lei orgânica municipal 36, de 2015:  todo prefeito eleito tem que apresentar, até 90 dias após a posse, um programa que contemple os quatro anos de sua gestão.
    Apresentada a primeira versão do Programa de Metas, o prefeito terá 30 dias para debatê-lo em audiências públicas. Depois, prestar contas anualmente.
    O Prometa deve indicar as prioridades, os indicadores de desempenho e as metas quantitativas e qualitativas para cada um dos eixos estratégicos de políticas públicas estabelecidas para a administração municipal.
    O Prometa de Marchezan tem três eixos estratégicos – desenvolvimento social; infraestrutura, economia, serviços e sustentabilidade; gestão e finanças – desdobrados em 16 objetivos estratégicos e 58 metas.
    O programa foi elaborado sob a coordenação da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão com participação direta das demais secretarias e órgãos da Administração Pública Municipal Direta e Indireta.
    Segundo a assessoria do prefeito, cada um desses órgãos construiu o seu planejamento conforme as diretrizes apresentadas na campanha eleitoral, os programas e as ações de governo em andamento, as leis orçamentárias e as deliberações das assembleias do Orçamento Participativo (OP), “considerando a responsabilidade primordial do governo com a sociedade”.