A prefeitura de Porto Alegre iniciou diálogo com os agricultores das feiras ecológicas para um processo de padronização das bancas da feira. A ideia da prefeitura é organizar melhor o espaço e facilitar a circulação de pessoas. A padronização vale para todas as feiras.
No caso da quadra 1 da José Bonifácio (entre Osvaldo Aranha e Santa Terezinha), o prazo estabelecido pelo poder público municipal, de 45 dias, se encerra no próximo sábado, 25 de março. Na quarta-feira, 22, está marcada uma reunião entre os feirantes e o CAD (Centro Agrícola Demonstrativo) da prefeitura. Existe a possibilidade de ampliação do prazo. No caso da quadra 2, boa parte das bancas já se adequou ás exigências.
Os modelos apresentados são bancas de três tamanhos: 2m, 4m e 6m. A questão é como adequar o padrão planejado no gabinete ao espaço físico da feira.
“A resolução veio depois da feira, então ela que tem que se adaptar à realidade”, defende a agricultora Marinês Riva.
As bancas da José Bonifácio se instalam ao longo do canteiro central, uma área entrecortada por dezenas de árvores. Os espaços entre as árvores têm em torno de 5,5m, mas as medidas não são idênticas. A banca da família da Marinês, por exemplo, mede 5,70m e está colocada exatamente entre duas árvores. Para se adequar ao modelo, como não podem aumentar 30cm, os agricultores teriam que reduzir a banca a 4m, ou seja, perder 1,70m do espaço onde expõem suas verduras e hortaliças.
A dificuldade de circulação entre as bancas é a reclamação predominante depositada pelos clientes na caixinha de sugestões da feira. Outra exigência do poder público é que se tenha mais escapes entre as bancas, para facilitar o acesso ao corredor de circulação. Neste sentido, a iniciativa agrada os expositores. Outra preocupação dos feirantes é que, com a adaptação, o ambiente não fique abafado ou mal iluminado.
Autor: da Redação
Prefeitura quer padronizar bancas das feiras ecológicas
Conselho da Redenção sopra as velinhas
Porto Alegre completa 245 anos no próximo domingo, 26. Para prestar sua homenagem à cidade, o Conselho de Usuários do Parque Farroupilha promove seu tradicional evento de aniversário, a partir das 11h, junto ao Monumento ao Expedicionário. O Conselho compartilha com a comunidade um bolo de quatro sabores, alusivos aos quatro recantos do parque: Chinês, Europeu, Roseiral e Alpino.
O evento é organizado em parceria com a rádio Putzgrila e contará com as apresentações das bandas Tarcísio Meira’s Band e Discocuecas.
Todo ano, o Conselho sopra as velinhas pela data de fundação da cidade. Este ano, há ainda mais um motivo para se comemorar: em outubro, a Redenção completa 210 anos.Quase 500 atrações na Semana de Porto Alegre
Comemorando o aniversário de 245 da cidade de Porto Alegre, a tradicional Semana da Cidade este ano traz 497 atrações oficiais. As comemorações tiveram início no domingo, 19, e se estendem até o dia 27. As atrações são as mais diversas, apresentações artísticas, passeios no Cisne Branco e um tour pelas cervejarias artesanais do Quarto Distrito, entre outras.
“A ideia da semana é simbolizar atitude para as mudanças que precisamos fazer”, afirmou o prefeito Nelson Marchezan Júnior, no evento de lançamento, realizado no Capitólio.
A prefeitura criou um site com a agenda completa e um sistema de busca, por bairro, data ou tema. Todas as informações estão disponíveis em: aniversario.portoalegre.rs.gov.brDiretor da EPTC ignora convite para explicar tarifa de ônibus na Câmara
FELIPE UHR
Convidado pela Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab), para falar sobre a planilha de cálculo da tarifa dos ônibus urbanos, o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Marcelo Soletti, não compareceu na tarde desta terça-feira em Porto Alegre.
Agora, não será mais convidado, e sim convocado a comparecer na Câmara. Um pedido de convocação será formulado nos próximos dias para que ele compareça o quanto antes, já que o preço sugerido pela EPTC, de R$ 4,05, será julgado pela Comissão Municipal de Transporte no próximo dia 28. Se aprovado, o aumento pode ser sancionado pelo prefeito já no dia seguinte.
A Prefeitura, em vez de mandar o presidente da EPTC, mandou três técnicos, funcionários de carreira: Flávio Tomelero (gerente técnico de trânsito e transportes), Márcio Sauressig (coordenador) e Giovana Hess (gerente jurídica). A postura não agradou os vereadores, que preferiram não discutir o assunto com os funcionários.
“Já foram feitos dois convites e ele não pode comparecer”, lamentou o presidente da comissão, vereador Dr. Goulart (PTB).
“Trata-se de uma discussão política e por isso queremos a presença do diretor aqui”, salientou a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL).
Os demais vereadores presentes na reunião – Roberto Robaina (PSOL), Professor Wambert (PROS) e Valter Nagelstein (PMDB) – também agradeceram a presença dos funcionários mas justificaram que a presença do diretor é fundamental para o debate.
Um pedido de reunião com o prefeito também está sendo articulado para discutir o transporte público, entre outros temas.O caminho do meio e a esquerda (e centro-esquerda)
Marilia Verissimo Veronese
No ano 2000 ouvi uma palestra do brilhante José Paulo Bisol, secretário de segurança pública do RS, à época. Ele começou sua fala com a história das sucessivas iluminações de um monge bodhisattva (pessoa iluminada, no budismo). Na primeira, livrou-se da sensualidade; na segunda, das raivas e outras paixões terrenas, até que conseguiu livrar-se do egoísmo. Disse Bisol que, ao elevar-se, na última iluminação, ele já estava pronto para ir ao Nirvana. Mas aí ele pensou: se eu for sozinho, todos os outros ficam sofrendo aqui nesse inferno terrestre. Assim, ele decidiu ficar e trabalhar pelo bem comum, até que todos os seus irmãos e irmãs pudessem ir com ele[i].
Por que me lembrei disso agora? Porque venho pensando no caminho do meio, princípio orientador da prática budista, em relação aos conflitos que vejo explodindo ao meu redor. A expressão tem vários sentidos e acepções, claro; como não sou budista nem conheço bem as tradições, uso aqui o sentido mais ‘senso comum’: o da moderação, do meio termo entre visões extremadas. E faço isso exatamente quando penso na atual situação do campo plural e fragmentado que podemos chamar de “esquerda” no Brasil.
A expressão “de esquerda” tem causado arrepios em alguns que sempre se consideraram como tal, que andam declarando solenemente ser agora “de centro-esquerda”, pois a esquerda estaria muito chata e sem-noção. A crise – eterna, eu sei – parece agora estar em fase aguda. Fragmentada e brigona, a esquerda que alguns têm chamado pejorativamente de “ex-querda” – talvez em referência a algo que tenha se quebrado, separado ou mesmo terminado – nunca esteve, pelo menos nesse meu tempo de vida como militante do dito campo, desde os 16 anos na campanha das diretas já, tão dividida e tão fratricida.
A briga da semana é a da tal Operação Carne Fraca. Trocam cruéis indiretas ou mesmo vociferam uns contra os outros abertamente, manifestando posições antagônicas entre dois extremos. Para algumas gentes, trata-se de uma deliberada destruição da indústria nacional – a exemplo do que já se fez no campo petrolífero/naval -, capitaneada pelo entreguismo do governo golpista e seus cúmplices, os quais se apressam a retirar direitos do trabalhador brasileiro e entregar todo o patrimônio nacional aos seus chefes, os donos do capital transnacional especulativo.
Para outras, é uma operação necessária que põe em cheque um setor atrasado, cruel, explorador e anacrônico; criticam duramente o erro da opção por colocar dinheiro público em produto primário de baixo valor agregado, dar rios de dinheiro público à “burguesia nacional”, que numa quimera ingênua seria alinhada aos interesses da nação. Como disse um veterinário experiente em recente matéria, “A grande pecuária não circula dinheiro. A grande pecuária é uma parasita discreta, mesmo com seu tapete branco estendido pelos milhares de hectares de pasto verde, e muito gananciosa. Não redistribui lucro, porque tem todos os benefícios escusos que o dinheiro em quantias cósmicas consegue com abonos, propinas, mão-de-obra barata.”[ii]
Lendo as coisas lá e cá – ambas as “facções” estão fartamente representadas nas minhas redes sociais -, me peguei imaginando um possível caminho do meio. E apesar de eles se ofenderem quando apontada a divisão “nós e eles”, ela existe e está aí.
“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”, dizia Paulo Freire no livro Pedagogia do Oprimido em 1968 e até hoje o povo parece não ter entendido. Claro, serei tachada de anacrônica e “antiga” por citar Paulo Freire. Mas isso é o de menos, com tantas preocupações e tantas urgências que o momento coloca.
Então que me vem à mente a metáfora budista: creio que é exatamente isso que precisamos no momento. Caminhar pelo meio, analisando tudo. Compreender que, parcialmente, as duas abordagens opostas podem ter a sua parcela de razão, que com Edgar Morin podemos aprender a produzir um pensamento complexo sobre processos complexos, um pensamento/ação que não destrua o do outro, mesmo se opondo a ele. Penso e sinto que é exatamente nisso que devemos investir agora. Investir não capital financeiro, que não temos (tá todo do lado da “burguesia”, nacional e transnacional), mas sim nossos esforços de compreensão, diálogo e ação individual e coletiva.
Efetivamente apareceram furos na operação Carne Fraca. Desde uma amostra pequena e localizada, que não representaria a realidade nacional, após rios de dinheiro público colocado na investigação de dois anos, até a suspeita de que as denúncias espetaculosas serviriam para abafar a revolta popular pela retirada de direitos e mudança de regras da aposentadoria, na dita reforma da previdência. E que quebrar as grandes empresas, líderes da cadeia produtiva da carne que envolve muitos segmentos sociais equivaleria a desnacionalizá-las e entregar o setor de mão beijada à ávida sanha transnacional. Assim foi feito com o pré-sal (e efetivamente FOI), assim estaria sendo feito agora.
No outro lado (que por mais que negue que é um lado, É!), o apontamento de que a esquerda defender a “free boi” é um fiasco inominável, um “papelão” (pra trocadilhar; piada com o “o agro é pop” também não falta). Que a agenda regressiva de retirada de direitos sociais une o capital em todas as expressões e agências. Que a burguesia nacional e transnacional está articulada e muito bem obrigada, com seus amplos recursos de defesa e advogados pagos a peso de ouro, para precisar ser defendida pelos pobretões da esquerda, de quem deve dar risada. Que as ditas “gigantes do setor” historicamente cometeram crimes hediondos, exploraram, massacraram, expulsaram do campo contingentes empobrecidos e marginalizados de camponeses, descumpriram a legislação ambiental vergonhosamente, fizeram todo tipo de lobby pela manutenção de seus privilégios espúrios. Dá pra dizer que é mentira? Não, né?!
Então, como ficamos? Só tento refletir aqui, não tenho certeza de nada. Mas acho que a primeira coisa a fazer seria parar essa troca de farpas infantil e inútil. Satisfaz a quem e serve a quê, além de egos inflados? Porque eu queria entender… tanta coisa pra fazer, tanta luta pra lutar, tanta injustiça pra sanar. E esse povo se digladiando nas redes, se fragmentando nas ruas. “Impossível a unidade, que tolice… nunca foi assim e nunca será”, respondem com ar irônico. Bom, pode ser, mas eu ainda acho que há pautas importantes, e que estas mereceriam uma mínima unidade.
Agenda regressiva de retirada de direitos sociais, genocídio do povo negro, misoginia e LGBTfobia cruéis e mortais, especulação imobiliária atroz e gentrificação das cidades, um governo de bandidos, um legislativo podre, um judiciário hiperelitizado e injusto, ascensão de um protofascismo a lá Bolsonaro, e as gentes preferem gastar energia em troca de farpas e mútuas ofensas em textos e mais textos e respostas e mais respostas. Penso que está na hora de mudar a forma de agir, nas ruas, nas redes, na vida. Tá na hora de trilhar aquele caminho do bodhisattva, superar o egoísmo e a infantilidade, tolerar mais as diferenças de opinião e enfoque, debater sem ofensas e ironias e agressões fratricidas, e principalmente AGIR, buscando reverter esse buraco fundo que estamos caindo.
Volto então à palestra do Bisol assistida há quase 17 anos, num encontro da ABRAPSO em Santa Maria… cito o cara, que àquela altura (final da palestra) estava esquizoanalisando personagens do Lewis Carrol: “Hampt-dumpt disse para Alice: EU, quando digo uma palavra, dou a essa palavra o sentido que EU quero dar. Porque sou o dono do sentido. O senhor é senhor da palavra: ele fala, o servo escuta.”
Então é isso, pessoal, mais ponderação no uso performativo da palavra; mais bodhisattva, menos Humpt-dumpt, porque estamos precisando muito transformar as condições atuais, e isso é impreterível.
[i] RIVERO, N. (org). Psicologia social: estratégias, políticas e implicações. ABRAPSOSUL (Encontro regional da ABRAPSO, 2000), 2001.
[ii] http://www.sul21.com.br/jornal/nao-ha-o-menor-risco-de-quebradeira-de-nossa-industria-da-carne-mesmo-porque-a-nossa-industria-nunca-foi-nossa-por-charlles-campos/
Assembleia inicia votações mas pacote de Sartori não tem data
Há um mês e meio parada, a Assembleia retoma hoje as votações. Nesta tarde, serão apreciados apenas dois vetos do governador.
Mais dez projetos em regime de urgência estão na frente das PECs que alteram a estrutura administrativa do estado. Estes projetos trancam a votação do pacote de Sartori, mas podem ser retirados durante a reunião de lideres.
Não há prazo para a votação do pacote. Por enquanto o governo não tem votos suficientes para aprovar as seis PECs.
Dos seis projetos considerados pelo Governo essenciais para a recuperação financeira do Estado, a PEC 259/16 que a revoga a norma que exige plebiscito para extinção, fusão ou alteração na CEEE, CRM e Sulgás é a mais importante para o Executivo.
A privatização de empresas dos setores financeiro, de energia e de saneamento é uma das exigências da PLP343/17, o Projeto de Recuperação Fiscal do Estados,enviado elo governo Temer em tramitação no Congresso.
Os outros projetos alteram o tempo de contribuição dos servidores públicos (PEC 261 2016); terminam com adicionais por tempo de serviço (PEC 258 2016); revogam o artigo 35 da Constituição Estadual, que fixa prazo para pagamento da remuneração mensal dos servidores públicos até o último dia útil de cada mês e determina o pagamento do décimo terceiro salário até o dia 20 de dezembro (PEC 257 2016); extinguem licença-prêmio (PEC 242 2015) e a licença aos servidores para atividades sindicais sem a remuneração (PEC 256 2016).
O deputado da oposição Pedro Ruas, líder do Psol, ao final da reunião de líderes falou com o Já: “São projetos ruins, que apenas visam cortar gastos sem planejamento”
Juiz Moro manda polícia federal prender blogueiro amigo de Lula
O blogueiro Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, foi levado coercitivamente, nesta madrugada, para a Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo.
Tina, a mulher de Edu Guimarães deu o seguinte depoimento:
“A Polícia Federal chegou às 5 da madrugada. Os policiais não deixaram o porteiro interfonar. Subiram direto. Esmurraram a porta, falando “É a Polícia Federal”.
Como eu estava de camisola, pedi um minuto para trocar de roupa.
Nisso, o Edu já estava na porta para atendê-los.
Entraram revirando tudo, inclusive o nosso quarto.
O Edu foi no camburão da PF, eles não deixaram que ele fosse no próprio carro.
Levaram o computador e o celular dele.
Voltaram há pouco, sem nenhum mandado, para pegar também o meu celular”.O juiz Sergio Moro, da Lava Jato, confirmou nesta terça-feira 21 ter autorizado a condução coercitiva contra Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.
O motivo é a investigação da fonte que vazou para Guimarães a condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março do ano passado. Moro argumentou ao deputado Paulo Teixeira (PT-SP que Guimarães não é jornalista. “Dr. Moro, o Brasil não exige formação específica para o jornalismo. Isso é censura”, criticou Teixeira.
Nas redes sociais, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirma que Moro violou a Constituição Federal. “Ação de Moro que determinou a prisão do blogueiro Eduardo Guimarães é clara violação da Constituição Federal e afronta o Estado Democrático de Direito”, protestou o parlamentar.
Para Pimenta, “a alegação do Moro que ele não é jornalista é uma estupidez. A CF diz respeito à atividade, não à pessoa. É uma afronta”, protestou.A Superintendência da Polícia Federal em São Paulo informou que o jornalista e blogueiro Eduardo Guimarães foi levado coercitivamente para prestar depoimento na sede da PF em São Paulo nesta terça-feira (21).
Guimarães é autor do Blog da Cidadania, em que faz críticas à gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) no governo do Estado de São Paulo, a de Michel Temer na Presidência da República e também à operação Lava Jato, que investiga desvios de recursos públicos na Petrobras.
A PF confirmou que Guimarães prestou depoimento acompanhado de um advogado na manhã desta terça-feira, por decisão judicial determinada por Curitiba, no Paraná. Trata-se de um inquérito policial que está sendo apurado no âmbito da PF do Paraná.
Questionada sobre se tratava de investigação relacionada à Operação Lava Jato, a comunicação da PF informou que se trata de um inquérito separado. As perguntas feitas ao blogueiro foram enviadas por procuradores e delegados do Paraná, informou a PF de São Paulo.
Segundo a defesa do blogueiro, Guimarães prestou depoimento em um inquérito da PF do Paraná que apura o fato do blogueiro ter feito a divulgação antecipada da condução coercitiva do Lula na Lava Jato no ano passado. Segundo ele, a condução coercitiva e a busca foram determinados pelo Sérgio Moro.
Defesa
O advogado Fernando Hideo Lacerda disse que a PF de SP cumpriu dois mandados de busca e condução coercitiva na casa do jornalista no Paraíso, Zona Sul de São Paulo às 6h.
O advogado disse que a PF não esperou o advogado chegar para começar o depoimento e, mesmo estando na qualidade de investigado no inquérito, o blogueiro foi levado coercitivamente para prestar depoimento como testemunha. Como testemunha, é obrigado a falar. Como investigado, não.
Segundo o advogado, a PF falou para ele que tinham apreendido o celular e o laptop dele e descoberto quem era a fonte dele no caso do vazamento e ele ‘teve que falar” (quem era a fonte).
Só que, segundo o advogado, Moro entrou com uma ação contra o blogueiro, por postagens no blog. Como Moro é parte uma ação contra o blogueiro, não poderia ter determinado sua busca e apreensão e sua condução coercitiva em outro caso. Moro, pela lei, deveria ter se declarado impedido, já que a legislação proíbe o juiz de decidir em casos em que é parte ou conhece uma das partes. No caso, Moro litiga em outro processo contra a vítima do mandado de condução coercitiva que determinou.
Brasil tem 17 milhões de crianças em famílias que ganham até 390 por mês
Cerca de 17 milhões de crianças até 14 anos – o que equivale a 40,2% da população brasileira nessa faixa etária – vivem em situação de pobreza e extrema pobreza. Nesses faixas, a renda familiar per capita não passa de 390 reais por mês.
No Norte e no Nordeste, regiões que apresentam as piores situações, mais da metade das crianças [60,6% e 54%, respectivamente] vivem com renda domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo.
Desse total, 5,8 milhões vivem em situação de extrema pobreza, caracterizada quando a renda per capita é inferior a 25% do salário mínimo.
Os dados fazem parte do relatório Cenário da Infância e Adolescência no Brasil, documento que faz um panorama da situação infantil no país , divulgado pela Fundação Abrinq.
O estudo foi feito utilizando dados de fontes públicas, entre elas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nesta quarta edição, a publicação reúne 23 indicadores sociais, divididos em temas como trabalho infantil, saneamento básico, mortalidade e educação. A publicação também apresenta uma série de propostas referentes às crianças e que estão em tramitação no Congresso Nacional.
“Nesta edição, além de retratar a situação das crianças no Brasil, também apresentamos a Pauta Prioritária da Infância e Adolescência no Congresso Nacional. O conteúdo revela as principais proposições legislativas em trâmite no Senado e na Câmara dos Deputados, com os respectivos posicionamentos da Fundação Abrinq baseados na efetivação e proteção de direitos da criança e do adolescente no Brasil”, disse Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq.
Violência
Um dos temas abordados no documento é a violência contra as crianças e adolescentes. Segundo o estudo, 10.465 crianças e jovens até 19 anos foram assassinados no Brasil em 2015, o que corresponde a 18,4% dos homicídios cometidos no país nesse ano. Em mais de 80% dos casos, a morte ocorreu por uso de armas de fogo. A Região Nordeste concentra a maior parte desses homicídios (4.564 casos), sendo 3.904 por arma de fogo.
A publicação também mostra que 153 mil denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes chegaram ao Disque 100 em 2015, sendo que em 72,8% das ligações a denúncia se referia a casos de negligência, seguida por relatos de violência psicológica (45,7%), violência física (42,4%) e violência sexual (21,3%).
Trabalho infantil
Com base em dados oficiais, o documento revelou que as condições do trabalho infantil estão mais precárias. Embora tenha diminuído o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil na faixa de 10 a 17 anos [redução de cerca de 659 mil crianças e adolescentes ocupados em 2015 em comparação a 2014], houve aumento de 8,5 mil crianças de 5 a 9 anos ocupadas.
O universo de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos que trabalhavam n somou 2,67 milhões em 2015. Mais de 60% delas são do Nordeste e do Sudeste, mas a maior concentração ocorre na Região Sul.
O estudo mostrou também dados mais positivos, como a taxa de cobertura em creches do país, que passou de 28,4% em 2014 para 30,4% em 2015 – ainda distante, no entanto, da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação, de chegar a 50% até 2024. (EBC)
Os dados completos podem ser vistos no site www.observatoriocrianca.org.brSartori ganha tempo à espera de condições para votar o pacote
Seis projetos do polêmico “pacote” do governador Ivo Sartori ainda não foram votados.
São Projetos de Emenda Constitucional (PEC) que mexem na estrutura do Estado, como a revogação da lei que exige plebiscito para extinção, fusão ou alteração na CEEE, CRM e Sulgás.
Desde que voltou do recesso, após um fim de ano conturbado com votações longas e exaustivas, a Assembleia Legislativa ainda não votou nenhum projeto.
Nas últimas reuniões os líderes da base do governo pediram que não fosse votado nenhum projeto. Assessores da oposição dizem se tratar de um manobra do governo enquanto ainda não tem os votos para aprovar o restante do pacote.
A privatização de estatais é a cereja do bolo que Sartori precisa entregar para Temer ajudar o Rio Grande do Sul com seu plano de recuperação financeira dos estados, a PLP 343/17 que também ainda não foi aprovada.
Enquanto isso o Governador desvia o foco em ações de segurança e anuncio de investimentos. Semana passada anunciou 600 novos PMs para a segurança da Capital. 400 foram removidos do interior, cem da Força Nacional já estavam no Estado desde o ano passado e os outros cem soldados chegaram do centro do país.
Acordos bilaterais com a Argentina,anúncio de um presídio federal em Charqueadas, além de participações em eventos como a Expodireto fizeram parte da agenda do governo. Em todos eles Sartori ou seu vice Cairolli, afirmaram da necessidade de aprovar os seis projetos restantes.
Apesar disso, o legislativo tem 12 projetos para votar na frente do “pacote”. Dois são vetos do governador a serem votados. Outros dez foram enviados pelo executivo em regime de urgência e por isso entraram na frente. Ao todo são 49 projetos na ordem do dia da casa.
Ainda não se sabe quando os projetos do pacote serão votados. Nesta terça-feira, uma reunião dos líderes dos partidos, às 11h30 define os rumos do legislativo.
Enquanto isso o governador continua apresentando números e anunciando ações na área de segurança. Nesta segunda o governador em almoço com parlamentares federais prometeu trazer mais R$224 milhões para as áreas de segurança e agricultura.Homens armados invadem hospital e executam trabalhador rural
O trabalhador rural Waldomiro Costa Pereira foi assassinado nesta segunda-feira (20) por um grupo de homens armados que invadiu o Hospital Geral de Parauapebas, no sudeste do Pará, onde ele estava internado. Em nota, a Coordenação Estadual do MST paraense lamentou o ocorrido.
Waldomiro, que não participava no período recente de instâncias de direção do MST no estado, era militante do Partido dos Trabalhadores e havia assumido um cargo de assessoria na Prefeitura da cidade.
Vigilantes do hospital relataram que, por volta de 2h30, foram rendidos por cinco homens encapuzados que portavam armas e chegaram em duas motocicletas. Três deles entraram no prédio em direção à UTI. A ação durou cerca de três minutos e foi registrada pelas câmeras de segurança do hospital. A Polícia Civil de Parauapebas já abriu um inquérito para investigar o caso.
A nota divulgada pelo MST destaca que Waldomiro contribuiu, desde 1996, para a luta pela Reforma Agrária. A vítima era assentada no Assentamento 17 de abril, onde atuava desde sua ocupação.
“É com extrema tristeza que lamentamos sua morte e prestamos solidariedade a sua esposa, filhos, e toda a sua família neste momento de dor e indignação. O MST desconhece os motivos do assassinato. Como movimento de luta pela vida, repudiamos toda e qualquer forma de violência contra homens e mulheres. Esse é mais um assassinato de trabalhadores no Estado do Pará em que o governo é culpado por sua incompetência em cuidar da segurança da população”. A nota também ressalta que o crime foi “praticado em função da negligência do Estado em apurar e punir os crimes dessa natureza”.
O MST também exigiu uma resposta das autoridades para julgar “tamanha brutalidade cometida por um estado de violência que representa a banalização da vida em nossa sociedade”.
Em nota, a Prefeitura de Parauapebas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que disponibilizará todas as imagens do circuito interno de gravação do hospital para as autoridades policiais.
Fonte: Brasil de Fato
