Autor: da Redação

  • Manifestações contra a reforma da Previdência dão novo gás ao "Fora Temer"

    As manifestações contra o presidente Michel Temer, que vinham perdendo força, ganharam novo ânimo devido às novas reformas (trabalhista e da Previdência) anunciadas pelo governo.
    Ao longo da quarta-feira, 23 capitais registraram manifestações contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que define a reforma da Previdência. Mas não foi só isso. Cada discurso vindo dos auto-falantes era seguido de “Fora Temer”. São Paulo e Rio de Janeiro concentraram o maior número de participantes.
    Em São Paulo, algumas estimativas falaram em até 300 mil pessoas no início da noite na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, seriam pelo menos 100 mil na Candelária. Manifestações foram realizadas em todas as regiões da capital fluminense, somando aproximadamente 300 mil, segundo balanços parciais dos organizadores.
    Marcha leva milhares contra Temer em Porto Alegre 
    As diversas manifestações ao longo do dia contra as reformas trabalhistas e da previdência culminaram em um grande ato na região central de Porto Alegre. A manifestação, organizada pelas centrais sindicais e movimentos sociais, começou a se reunir a partir das 18h na Esquina Democrática e contou a presença de milhares de pessoas.
    Era grande a presença de sindicatos, movimentos estudantis e sociais, partidários do PT, PSTU e PCdoB, da marcha que partiu as 19h pela Av. Borges de Medeiros quando ocupou as duas faixas da via em direção ao Largo Zumbi dos Palmares.
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    Durante o trajeto diversos cantos contra Temer e suas reformas como “Fica previdência, sai Temer” seguidos de “Fora Temer, fora Temer”. Atrás do primeiro caminhão a juventude cantava “Não tem arrego, você tira a previdência eu tiro o seu sossego”.
    A organização do evento, através do presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, falou em 18 mil participantes. A Brigada estimou bem menos. “Dois mil e quinhentos manifestantes” afirmou o Tenente Coronel Amorim que a média distância acompanhava a manifestação quando esta já se encontrava entre a Avenida Loureiro da Silva com a Rua José do Patrocínio já em sua dispersão.
    A BM dispensou para o ato um carro do Choque, 12 soldados a cavalo, duas viaturas e alguns motoqueiros que acompanharam o protesto. Não houve conflito. Às 20h30 o ato já havia terminado.
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  • Licia Peres será velada na Câmara Municipal de Porto Alegre

    Morreu na madrugada desta quinta-feira, 16, a socióloga Lícia Peres. Viúva do jornalista e ex-vereador  e vice-prefeito de Porto Alegre Glênio Peres, integrava os diretórios estadual e nacional do PDT, do qual foi fundadora. Ela estava internada no Hospital Mãe de Deus devido a uma câncer.
    Lícia Peres nasceu em Salvador (BA). Casou-se com o jornalista gaúcho Glênio Peres e veio morar em Porto Alegre em 1964. Fez o curso de Ciências Sociais na UFRGS, onde iniciou sua militância política no movimento estudantil.
    Atuante na resistência à ditadura militar, filiou-se ao MDB. Fundou e presidiu o Comitê Feminino pela Anistia no Rio Grande do Sul.
    Era a melhor amiga da ex-presidente Dilma Rousseff;

    Foi candidata a vice-prefeita em 2004, com Vieira da Cunha na cabeça de chapa.
    Integrou a comissão do Acervo de Luta contra a Ditadura no Rio Grande do Sul desde sua criação, no início de 2000. Integrava os diretórios estadual e nacional do PDT. Os atos fúnebres serão no Teatro Glênio Peres na Câmara Municipal de Porto Alegre das  9h às 11h desta sexta-feira.
    NOTA DE PESAR

    O Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça manifesta sua consternação pelo falecimento da militante política e ativista dos Direitos Humanos Lícia Peres (Lícia Margarida Macedo de Aguiar Peres), precursora e fundadora do núcleo gaúcho do pioneiro Movimento Feminino pela Anistia ao lado de outras mulheres excepcionais, e figura destacada nas  jornadas de luta pela emancipação, igualdade e liberdade da mulher.
    Parte de uma família que conheceu em carne própria a perseguição do regime militar, organizadora e dirigente de convicções profundas, no lançamento em 2011 do Comitê Carlos de Ré, no Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Lícia foi uma das oradoras, com suas palavras elegantes e contundentes.
    Seu exemplo e trajetória se refletem hoje nos milhares de cidadãs e cidadãos que levam avante os ideais pelos quais entregou suas melhores energias, afetos e talentos.
    Companheira Lícia: Memória, Verdade e Justiça!
     
     

  • Jardim Botânico de Porto Alegre abriga 97 espécies ameaçadas

    Cleber Dioni Tentardini
    Há 97 espécies ameaçadas de extinção nas coleções de plantas reunidas no Jardim Botânico de Porto Alegre.
    São bromélias, cactos, orquídeas, espinilhos, araucárias e outras, que não possuem nome popular como Amaryllidaceae (da família do amarílis), Iridaceae (família da bibi), Myrtaceae ( família da goiabeira, araçá e pitanga), Fabaceae (família do pau-brasil, feijão e erytrina-do-banhado) e Pteridófitas (várias famílias de diversos tipos de samambaias).
    Dentre as espécies raras, estão preservadas lá o butiá da serra e o pinheiro bravo. Entre as herbáceas há o raríssimo bolão-de-ouro, encontrado somente entre os municípios de Porto Alegre e Pelotas, e a efedra, endêmica no Estado do Rio Grande do Sul, da região da Lagoa dos Patos.
    Segundo a bióloga Andréia Carneiro, curadora das coleções do Jardim Botânico de Porto Alegre, a preocupação maior é com a conservação da biodiversidade do Rio Grande do Sul, especialmente espécies endêmicas (que só se encontram no Estado).
    “Nós temos essa responsabilidade, de cuidar, pesquisar e disponibilizar para que outros possam estudar. Há um aluno de doutorado da Faculdade de Farmácia da UFRGS, por exemplo, que vem aqui estudar uma espécie rara de cocão, endêmica do RS, do mesmo gênero da planta de onde se extrai a coca. Assim como ele, recebemos vários pesquisadores e estudantes que não precisam procurar as espécies a campo, estão aqui, todas identificadas”, explica Andréia.

    Cocão, espécie criticamente ameaçada
    Espécie rara de cocão, endêmica do RS/Cleber Dioni

    Ripsalis paradoxa, criticamente ameaçada/Cleber Dioni
    Ripsalis paradoxa, espécie de cacto, criticamente ameaçada/Cleber Dioni

    A bióloga ressalta que o Brasil tem metas a cumprir, por ser signatário de acordos internacionais, especialmente através da Convenção da Diversidade Biológica (CDB)*, assinada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, a ECO 92.
    Em 2002 houve a adoção da Estratégia Global para a Conservação de Plantas GSPC – Global Strategy for PlantConservation) na 6ª. reunião da conferência das partes da convenção sobre diversidade biológica em Haia. Foram estabelecidas 16 metas.
    Andréia está preocupada com o futuro das coleções/Fernando Vargas
    Andréia está preocupada com o futuro das coleções/Fernando Vargas

    Uma das metas é que os países disponibilizem 60% das espécies ameaçadas de plantas em coleções ex-situ (fora do seu habitat natural), de preferência no país de origem, e inclusão de 10% delas em programas de recuperação e reintrodução. “E quem faz conservação ex-situ é jardim botânico”, diz a curadora.
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    Coleção de bromélias do sul do Brasil/Cleber Dioni

    O Brasil possui 31 jardins botânicos: um distrital, dois privados, seis estaduais, oito federais e 13 municipais. Estão nos estados do Rio Grande do Sul (5), Paraná (1), São Paulo (7), Rio de Janeiro (4), Espírito Santo (1), Minas Gerais (3), Goiás (1), Brasília (1), Bahia (1), Pernambuco (1), Paraíba (1), Rio Grande do Norte (1), Ceará (1), Pará (2) e Amazonas (1).
    No RS, existem dois JBs municipais, de Caxias do Sul e Lajeado, um privado, da Unisinos, um ligado à Universidade Federal de Santa Maria, e o da FZB, o maior, classificado na categoria A porque atende a todos os critérios do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
    A ironia é que é que poucos dias depois de o Jardim Botânico ser elevado à categoria A, em 2015, o governo de José Ivo Sartori apresentou à Assembleia Legislativa o primeiro projeto de Lei (300) que autorizava sua extinção no modelo que é hoje, junto com o Museu de Ciências Naturais e o Zoológico, as três instituições da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
    Esse projeto não vingou, mas um ano depois, outro projeto com mesmo objetivo foi apresentado e aprovado pelos deputados gaúchos, no final do ano, em meio a um clima de guerra nos arredores de um Parlamento sitiado. Entrou num pacote junto com outras fundações e instituições.
    Com a demissão dos servidores, o Jardim Botânico de Porto Alegre pode se tornar um mero parque, perdendo completamente sua função original, e contrariando o que diz o artigo 255 da Constituição Federal de 1988, que estabelece o direito coletivo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O inciso II afirma que o poder público deve preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético.
    Pesquisadores de plantas medicinais no Horto do Jardim Botânico / Foto Divulgação FZB
    Pesquisadores de plantas medicinais no Horto do Jardim Botânico / Foto Divulgação FZB

    *Artigos da Convenção sobre Diversidade Biológica relevantes para os jardins botânicos – Contribuições destas instituições para a sua implementação
    Artigo 6: Medidas Gerais para Conservação e Uso Sustentável
    Participação na elaboração de estratégias nacionais de biodiversidade e desenvolvimento sustentável.
    Artigo 7: Identificação e Monitoramento
    Ampla produção científica no campo da sistemática vegetal, inventários florísticos e fitossociológicos, levantamento de populações para estudos genéticos e de ecologia, etc.
    Artigo 8: Conservação In situ
    Contribuições ao desenvolvimento e manejo e gestão de áreas protegidas, restauração ou recuperação de habitats e desenvolvimentos de pesquisas para recuperação e ou manejo de populações de espécies nativas.
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    Coleta de novas espécies a serem adicionadas às coleções/Cleber Dioni

    Artigo 9: Conservação Ex situ
    Desenvolvimento e manutenção de coleções de germoplasma, incluindo banco de DNA ou sementes, banco de genes em cultivos a campo, coleções de tecidos sob cultura in vitro, programas de recuperação de espécies ao seu habitat natural, desenvolvimento e banco de dados.
    Artigo 10: Uso Sustentável dos Componentes da Diversidade Biológica
    Identificação e desenvolvimento de espécies de valor econômico e bioprospecção de parentes silvestres de plantas cultivadas na horticultura comercial, nos setores florestal e agrícola.
    Espécies de cactos preservadas/Cleber Dioni
    Coleção de cactos do Rio Grande do Sul /Cleber Dioni

    Artigo 12: Pesquisa e treinamento
    Pesquisas em muitas áreas relevantes, tais como taxonomia, ecologia, bioquímica, etnobotânica, educação, horticultura, anatomia vegetal e biogeografia. Muitos jardins botânicos oferecem oportunidades de treinamento e cursos em conservação e disciplinas afins, disponibilizados para estagiários no Brasil e no exterior.
    Artigo 13: Educação Pública e Conscientização
    A educação do público e o desenvolvimento de uma consciência ambiental incluindo programas para promover o entendimento acerca da biodiversidade, sua importância, e consequências de sua perda, são tarefas prioritárias de diversos jardins botânicos. Muitas dessas instituições desempenham papéis importantes no ensino escolar e universitário.
    Artigo 15: Acesso aos Recursos Genéticos e repartição de Benefícios
    Os mais de quatro milhões de acessos mantidos nos jardins botânicos, em nível global, representam um vasto recurso para a conservação da biodiversidade armazenada, a ser potencialmente manejada no futuro. Muitos já usufruem de benefícios, com a cobrança de ingresso, apoio à pesquisa e compartilhamento de equipamentos, informações, treinamento e espécimes. Desta, e de muitas outras formas, ajudam a fortalecer as instituições parceiras na conservação da biodiversidade.
    Artigo 17: Intercâmbio de Informações
    Disseminação de informações acerca das coleções e dos resultados de pesquisas, através de literatura publicada e não-publicada e de bases de dados acessíveis. Muitas instituições podem compartilhar dados sobre coleções através do Formato Internacional de Transferência para Registros de Plantas dos Jardins Botânicos (ITF).
    Artigo 18: Cooperação Técnica e Científica
    Cooperação técnica e científica, eu frequentemente envolve pesquisas em parceria e intercâmbio de pesquisadores e técnicos.
    Todas as espécies estão identificadas no JB de Porto Alegre/Cleber Dioni
    Todas as espécies estão identificadas no JB de Porto Alegre/Cleber Dioni

    Plano de ação para os jardins botânicos brasileiros
    Lançado em 2004, o Plano é um documento desenvolvido pelo Projeto Internacional Investindo na Natureza, financiado pelo banco HSBC com o Botanic Gardens Conservation International – BGCI, Earthwatch e a WWF.
    Metas do Plano de ação
    – Documentar a coleção nacional de plantas vivas e preservadas dos jardins botânicos;
    – Manter coleções de referência taxonômicas e coleções-testemunhos de acessos e táxons provenientes de programas de conservação;
    -Listar espécies e populações prioritárias pra programas de conservação;
    -Contribuir para o conhecimento do estado de conservação dos ecossistemas brasileiros;
    -Compartilhar informações sobre a flora e sua conservação;
    -Garantir a proteção das espécies nativas e seus habitats originais;
    -Garantir a inclusão de, no mínimo, 50% das plantas nativas criticamente ameaçadas em suas coleções vivas;
    -Estabelecer programas integrados por bioma para resgate, manutenção e produção de uso atual e potencial;
    -Apoiar a produção sustentável de produtos provenientes de plantas de origem nativa e sua conseqüente inserção no mercado, particularmente com o objetivo de reduzir a fome e pobreza;
    -Estabelecer metodologias alternativas para minimizar a pressão danosa sobe o meio ambiente;
    -Elaborar e compartilhar base de dados com cadastro de plantas matrizes de espécies de uso atual ou potencial da coleção viva;
    -Implementar ações para controlar a introdução de plantas invasoras, pragas e doenças;
    -Estruturar e institucionalizar equipes de educação ambiental;
    -Educar o público em geral e os profissionais do setor para a conservação da biodiversidade; utilizar técnicas e práticas desenvolvidas no local, resguardando a cultura regional;
    Além da pesquisa e conservação, JBs são espaços de conscientização ambiental e lazer/Cleber Dioni
    Além da pesquisa e conservação, JBs são espaços de conscientização e lazer/Cleber Dioni

    -Garantir que a importância vital dos jardins botânicos para a conservação seja reconhecida pelo público em geral, inclusive o governo, empresas e instituições privadas e comunidades locais;
    -Buscar autonomia administrativa e financeira, necessária ao cumprimento de sua missão institucional, em consonância com as normas internacionais;
    -Formar equipes de trabalho treinadas e capacitadas
    -Subsidiar a elaboração de políticas públicas;
    -Estabelecer normas e políticas institucionais;
    -Compartilhar o trabalho em rede visando o fortalecimento individual e coletivo dos jardins botânicos brasileiros.
    Resta a metade da área original
    O Jardim Botânico de Porto Alegre já perdeu mais da metade da sua área original. Eram 81,5 hectares em 1958, quando o JB foi aberto, hoje não passam de 36 hectares. E, com a extinção da Fundação Zoobotânica decidida pelo governo do Estado, o futuro da área é incerto.
    A área original incluía uma colônia agrícola e a antiga chácara do Visconde de Pelotas, “compreendendo a elevação de um morrinho granítico a 50 metros sobre o nível do mar, vales de alguns arroios à sua periferia, marginados por várzeas de regular extensão”, na descrição do jesuíta Teodoro Luís, conservacionista espanhol que coordenou a implantação do Jardim Botânico.
    Ir. Teodoro no Horto de Pelotas/Divulgação

    “O terreno sobre o qual se assenta, diz Teodoro, é parte do complexo cristalino do Escudo Rio-grandense, uma das mais antigas formações da terra, revestida por um manto vegetativo sui-generis, que contém algumas espécies encontradas unicamente aqui.”
    Irmão Teodoro Luis , batizado Ramon de PEÑAFORT MALAGARRIGA y HERAS

    A implantação de um Jardim Botânico na capital gaúcha foi decidida pelo governador Ildo Meneghetti  e efetivada pelo secretário de Obras, Euclides Triches, que depois foi governador do Estado.
    Na comissão figuravam cientistas, médicos, engenheiros, arquitetos e urbanistas, como Edvaldo Pereira Paiva, Alarich Schultz, padre Balduino Rambo, Curt Mentz, F. C. Goelzer, Ruy B. Krug, Guido F. Correa, Nelly Peixoto Martins, Paulo Annes Gonçalves, Deoclécio Bastos, além do senador Mem de Sá e do jornalista Say Marques, um dos idealizadores da Feira do Livro de Porto Alegre.
     
    Foi no período do governo militar que o Jardim Botânico teve suas maiores perdas. Os governadores nomeados doaram partes do terreno do JB a várias instituições: o Clube Farrapos, da Brigada Militar ; o Hospital São Lucas, da PUC; o Círculo Militar, do Exército; a vila Juliano Moreira, a Escola de Educação Física da Ufrgs; e os laboratórios da Fepam, hoje abandonados.
    Do alto do Botânico, era possível ver o hospital da PUC

     
    Na imagem de satélite, a área original do JB

    A ideia de organizar um Jardim Botânico em Porto Alegre era muito antiga.
    A primeira iniciativa foi de Dom João VI, o rei português que veio para o Brasil em 1808. Uma de suas primeiras iniciativas foi criar o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um dos mais antigos do País.
    D.João doou mudas de eucalipto para um futuro JB de Porto Alegre, mas nunca chegaram na capital
    D.João doou mudas de eucalipto para um futuro JB de Porto Alegre, mas nunca chegaram na capital

    D. João chegou a mandar as primeiras mudas para Porto Alegre. Mas as mudas ficaram retidas em Rio Grande, onde algumas foram plantadas das quais existe um único remanescente, que é o eucalipto histórico da cidade.
    Outras tentativas foram feitas, sem sucesso. O agrônomo Paulo Schoenwald chegou a doar terras ao Estado para a criação de um Jardim Botânico.
    Na década de 30, o professor e agrônomo Gastão de Almeida Santos chegou a iniciar um Jardim Botânico no bairro da Azenha, mas se tornou inviável devido à pressão da expansão imobiliária.
    Só em 1953 ( Lei Nº 2.136), uma área de 81,5 hectares, originalmente ocupada pela Colônia Agrícola Juliano Moreira do Hospital Psiquiátrico São Pedro, foi destinada para a criação do Jardim Botânico de Porto Alegre.
    Entrada do JB e, ao fundo, sede da Colônia Agrícola

    A comissão apresentou o anteprojeto inicial do Jardim Botânico em 26 de outubro de 1956. Seis meses depois a área foi liberada e, em 10 de setembro de 1958, aberta ao público. Em 1959, a Lei n° 2.022 formalizou a denominação de Jardim Botânico.
     
     
    Em 1960, foi iniciada a construção da Casa das Suculentas, também conhecida como Cactário, tendo sido inaugurado em 1° de maio de 1962, pelo governador Leonel Brizola.
     
    Cactário/Arquivo JB/FZB

    Há uma outra placa que ficou escondida por 40 anos e marca um plantio de mudas no JB, no Dia da Árvore, em 1959, pelo governador Leonel Brizola, acompanhado de seus secretários, Alberto Hoffmann, da Agricultura, e Mário Maestri, de Obras Públicas. E só foi redescoberta porque o funcionário autor da proeza, seu Julião Prado, hoje aposentado, esteve em 2016 no Jardim Botânico e contou que alguns militares haviam ordenado que a placa fosse retirada e quebrada por constar o nome do líder trabalhista. Seu Julião optou por preservar a história e apenas virou a pedra com a inscrição voltada para o chão.
    Antigo viveiro/Arquivo JB/FZB

    Produção de mudas

    A partir da década de 1970, diante de crescentes evidências de ameaças à flora regional, o foco do trabalho do Jardim Botânico passou a ser a conservação das plantas nativas do Estado, enfatizando a manutenção de coleções “ex situ” (fora do ambiente de origem) e incrementando as incursões botânicas.
    Nessa época, foi construído um prédio para a TV Educativa do Estado, que não vingou. Em 1972, o imóvel passou a abrigar a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, criada nesse ano através da Lei nº 6.497.
    Em 1974, a área do JB estava reduzida a 43 hectares. No ano seguinte, passou a contar com um viveiro de produção de mudas e, em 1983, a ter uma sede administrativa e setor de serviços, abrigados no subsolo da FZB, onde permaneceu até o ano de 1997, quando foi construída a sede própria. Com a criação, em 1986, do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), o Jardim Botânico foi registrado como órgão voltado para o fomento à cultura.
    Placa marca início da FZB no governo do coronel Triches

    Em 1988, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do RS (Fapergs), foi inaugurado o Núcleo de Educação Irmão Teodoro Luis. A partir de 1997, o Jardim Botânico teve outro salto de crescimento através do projeto Pró-Guaíba. Foram construídas instalações para o Banco de Sementes e casas de vegetação para abrigar coleções de cactáceas, bromeliáceas e orquidáceas.
    Em 2003, o JB foi declarado Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul, pela Lei nº 11.917. Em 2004, foi publicado o Plano Diretor do Jardim Botânico de Porto Alegre.
    Atualmente, é considerado como um dos cinco maiores jardins botânicos brasileiros, com um acervo significativo da flora regional. O local abriga mamíferos, répteis, anfíbios e peixes, mais de 100 espécies de aves, além das cerca de 3 mil espécies de plantas.
    Além das pesquisas, o JB é referência em conservação e espaço de lazer dos gaúchos/Cleber Dioni

    Placa com nome de Brizola ficou 40 anos enterrada
    Uma placa alusiva a um plantio de mudas no Jardim Botânico de Porto Alegre ficou 40 enterrada por razões políticas.
    A pedra com a placa marcam o Dia da Árvore, em 1959, quando o então governador Leonel Brizola, acompanhado de seus secretários, Alberto Hoffmann, da Agricultura, e Mário Maestri, de Obras Públicas participaram do plantio simbólico de mudas no Jardim Botânico de Porto Alegre.
    Militares mandaram destruir placa porque tinha nome do ex-governador/ Cleber Dioni Tentardini

    Anos depois, com o golpe militar e Brizola no exílio, os militares que tomaram o poder ordenaram que fosse retirada e quebrada a placa onde estava gravado o nome do líder trabalhista.
    Quem salvou a peça foi um funcionário, Julião Mello do Prado, que em vez de arrancar a placa, apenas virou a pedra, deixando a inscrição voltada para chão.
    Depois, quando veio a redemocratização, ele mesmo recuperou a placa, mas só contou a história no ano passado, quando já aposentado, visitou o antigo local de trabalho.
    “Governadores plantavam mudas aqui”, diz primeiro jardineiro do Botânico
    Seu Julião e a placa do Brizola que ele preservou/Cleber Dioni Tentardini

    De Ildo Meneghetti a Simon, todos os governadores gaúchos que Julião de Mello Prado conheceu pessoalmente estiveram no Jardim Botânico de Porto Alegre para plantar mudas de árvores nativas. “Eles faziam questão de vir aqui, uns mais que os outros como o Brizola, o Triches, lembro também do Guazelli, do Jair Soares, o Collares”, eu me dava muito bem com eles porque comecei os jardins aqui e no Palácio Piratini”, diz.
    Seu Julião é um dos primeiros funcionários do Jardim Botânico. Começou em 1957, há 60 anos, portanto, ao lado do padre Teodoro Luiz, o fundador, quem o convidou para trabalhar como jardineiro. O local ainda não havia sido aberto ao público.
    Seu Julião, primeiro agachado (da esq p dir) e colegas (em pé) Anarolino, João, Antônio, Euclides e Mário, Elói e Dário

     
    Acompanhou a criação da Fundação Zoobotânica, e quando achou que seria devolvido à Secretaria de Obras Públicas, onde estava registrado, o primeiro diretor da FZB, o professor gaúcho Albano Backes, o convidou para continuar no JB e com um salário maior.
    Neste domingo, 19 de março, foi um dia especial para esse jovem alegretense de 93 anos e memória irretocável. Foi dia de visitar seu antigo local de trabalho e moradia, contar causos, rir, se emocionar, rever árvores que ele plantou há pelo menos 50 anos e visitar a famosa placa que registrou o plantio de mudas 1959 pelo governador Brizola, e que ele não deixou ser quebrada pelos desafetos do líder trabalhista.
    A cada dez passos, parava e indagava ao filho Julio: “Essa aqui é aquela figueira que eu plantei?” Sim, pai, há 50 anos. E o angico? E aquelas com frutas? Algumas caíram com o temporal no verão passado. O filho Julio conhece cada palmo do local. Foi morar com o pai lá quando tinha um ano, e trabalha há 40 no JB. É um dos três funcionários mais antigos em atividade por lá.
    Orgulhoso defronte à figueira que plantou há 50 anos/Cleber Dioni Tentardini

    Um ou dois anos depois da abertura do JB, foram construídas seis casas para servir de moradia aos funcionários. Irmão Teodoro entendeu que assim a área ficaria mais segura, porque era quase tudo campo aberto, sem cercas, e transitavam livremente por lá criadores de animais e os pacientes da colônia agrícola do São Pedro.
    Preparação para o plantio /Arquivo JB/FZB

    “Eu e mais outros dois que plantamos todas essas árvores mais antigas aqui. O Irmão Teodoro era muito rigoroso com tudo, nada passava sem ele perceber, nem os milhos que eu plantei na frente da minha casa, escondido dele, quer dizer, achava que ele não sabia, mas eu estava enganado”, diz.
     
     
    Construção do orquidário /Arquivo JB/FZB

    JB pode integrar Patrimônio Cultural e Histórico do município
    O vereador Marcelo Sgarbossa (PT) apresentou projeto que propõe o tombamento do imóvel onde está a sede do Jardim Botânico de Porto Alegre. Se aprovado o projeto, o imóvel passará a integrar o Patrimônio Cultural e Histórico do Município de Porto Alegre, ficando vedadas alterações que o modifiquem ou descaracterizem.
    O Jardim Botânico é considerado um dos cinco maiores do Brasil, possuindo um acervo significativo da flora regional. Em 2003, tornou-se também patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul. “Com a missão de realizar a conservação integrada da flora nativa e dos ecossistemas regionais, tornando-se um centro de referência para a pesquisa, a educação, a cultura e o lazer, contribuindo para a qualidade de vida, o Jardim Botânico possui 8 mil exemplares de 650 espécies da flora nativa do Estado”, afirma o vereador.
    Se tombado, JB nao podera ser modificado_foto FZB

    Além do manejo, da manutenção e da ampliação das coleções vivas de plantas, o Jardim Botânico realiza pesquisas com plantas ameaçadas de extinção e diversas atividades educativas e culturais. “E um pulmão verde da Capital, um dos locais mais aprazíveis da cidade, notabilizando-se pela guarda de significativas coleções científicas”, completa Sgarbossa.

  • Grupo Amazonas comemora 70 anos com aumento de 20% no faturamento

    O grupo empresarial Amazonas, de Franca, São Paulo, aproveitou a abertura da 41ª Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componente e Equipamentos para Calçados e Curtumes (Fimec) para comemorar os 70 anos do empreendimento anunciando um crescimento de 20 por cento em 2016, com um faturamento de cerca de R$600 milhões, apesar da crise. A informação foi dada pelo novo CEO do grupo Denilson Farias que assumiu em janeiro deste ano.
    Trabalhando desde 2001 no grupo o administrador assumiu direção quando a família decidiu profissional a administração da empresa familiar fundada em 1947, informou o atual presidente do Conselho de Administração Saulo Pucci Bueno.
    A empresa iniciou suas atividades fabricando saltos de borracha natural em 1947 e tornou-se mundialmente conhecida pela qualidade de seus produtos. Porém no século XXI, apostou na diversificação e passou a atuar em diversos segmentos de mercado.  É fabricante de componentes da indústria calçadista fornecendo solados, saltos, placas, palmilhas e adesivos para as principais indústrias do setor.2_4647
    Produz também adesivos e selantes – cera de 1400 variedades. Atua no segmento de compostos de borracha SBR e TR. Tem uma empresa de logística para transportar seus produtos de suas 6 unidades – cinco no Brasil e uma no Uruguai – até os clientes e agora está produzindo sandálias de borracha com grife própria e para terceiros.
    O grupo emprega 1200 trabalhadores e tem uma capacidade instalada para processar mais de 80 mil toneladas de matérias-primas além de 3,6 milhões de pares de sandálias por ano.

  • Servidores denunciam prefeito de Cachoeirinha por rebaixar salários

     
                    O  líder do PSOL,deputado estadual Pedro Ruas, chamou uma audiência pública para permitir que os servidores públicos de Cachoeirinha possam discutir as propostas do prefeito, que já foram aprovadas na Câmara Municipal daquele município, e que retiram direitos trabalhistas dos servidores. A audiência acontecerá nesta quinta-feira (16) às 17h30min no auditório Dante Barone.
    Conforme Ruas, embora os contratos de trabalho de servidores do quadro sejam regulados por regime próprio, existem questões que devem seguir princípios contidos na Constituição Federal, o que não foi respeitado. Todos os projetos de ajuste promovidos pelo prefeito, que alega uma crise, visam o servidor. Foram 11 projetos todos voltados a retirada de direitos das diversas categorias dos cerca de três mil funcionários. Até mesmo o rebaixamento de salário foi aprovado, o que representa uma ilegalidade. O prefeito passou um rolo compressor sobre os trabalhadores”.
    Ruas destaca que para elucidar as questões foram convidados representantes do Ministério do Trabalho e Ministério Público do Trabalho, além da prefeitura. “Nosso objetivo é encaminhar denúncias para esses órgãos competentes nessa área e assim resguardar os interesses dos trabalhadores”.

  • Servidores do HPS aderem à paralisação contra a reforma da Previdência

    Servidores do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre aderiram ao dia de paralisação contra a reforma da Previdência. Ao longo desta quarta-feira, aconteceram manifestações em vários estados brasileiro.
    As manifestações foram convocadas pelas centrais sindicais, em protesto contra o projeto de reforma da Previdência do governo do presidente Michel Temer.
    Em frente ao HPS, um grupo de servidores montou piquete e distribuiu panfletos desde as primeiras horas da manhã. O grupo não impediu o acesso dos demais funcionários que quisessem acessar o prédio.
    “Essa reforma é um desrespeito ao trabalhador, que não tem culpa. Eu não acredito que a Previdência esteja falida, isso é uma mentira dos governos”, defendeu o presidente da Associação dos Servidores do HPS, Everaldo Nunes.
    À tarde, o grupo se reuniu aos grupos de municipários de outras categorias. De lá, parte para a esquina democrática, de onde parte a marcha unificada, às 18h, que fecha o dia de mobilizações.
    Os municipários já se mobilizam em relação ao possível atraso ou parcelamento de salário, já admitida pelo prefeito. “Marchezan está ameaçando cortar salários. Se não tem salário, não tem trabalho”, declarou Everaldo, que classificou a situação como “tortura psicológica” com os servidores do município.
    Outra decisão da prefeitura criticada por Everaldo é o corte no pagamento de horas extras. “Eu sou contra hora extra. O trabalhador tem que receber um bom salário sem hora extra. Mas a escala hoje é composta por hora extra, vai falta gente para trabalhar”, afirmou. Segundo Everaldo, há um déficit de 200 funcionários no quadro do HPS. Atualmente, trabalham no local cerca de 1500 servidores.

  • Safra de arroz orgânico cresce 40% no Rio Grande do Sul

    Está marcada para a próxima sexta-feira (17), a  abertura oficial da Colheita do Arroz Agroecológico, no Rio Gande do Sul.
    O evento será realizado na sede comunitária da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita, localizada no Assentamento Capela, no município de Nova Santa Rita, a 40 quilômetros de Porto Alegre.
    A estimativa é colher este ano quase 550 mil sacas (mais de 27 mil toneladas) do grão, numa área plantada de mais de 5 mil hectares. Isto significa um aumento de quase 40% em relação à safra anterior, quando foram colhidas 390 mil sacas do alimento.
    O cultivo é realizado por 616 famílias, em 22 assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, em 16 municípios gaúchos.
    Já na produção de sementes, que evolve 25 famílias em 9 assentamentos e 8 municípios, a estimativa é colher mais de 22 mil sacas.
    A produção do arroz orgânico ocorre nos municípios de Eldorado do Sul, Nova Santa Rita, Viamão, Guaíba, Santa Margarida, Canguçu, Charqueadas, Manoel Viana, Tapes, Camaquã, São Gabriel, Capivari, Sentinela, Arambaré, Taquari e São Jerônimo. Já as sementes são produzidas em Eldorado do Sul, Nova Santa Rita, Viamão, Guaiba, Santa Margarida, Canguçu, Charqueadas e São Jerônimo.

    Foto Tiago Giannichini
    Foto Tiago Giannichini

    Conforme o dirigente estadual do MST, Cedenir de Oliveira, para além de celebrar a produção de arroz livre de venenos, o evento é uma oportunidade para discutir com as famílias assentadas os modelos de desenvolvimento da agricultura e de apresentar à sociedade os resultados da reforma agrária.
    “A cadeia produtiva do arroz orgânico representa o modo de produção que defendemos para o campo. Ela mostra que a democratização da terra dá certo e que é possível produzir alimentos saudáveis”, explica.
    As atividades começam às 9 horas, com abertura oficial da colheita na lavoura. Após, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, e o filósofo Leonardo Boff farão análise de conjuntura política e apresentarão modos sustentáveis de desenvolver a agricultura. A programação se estende à tarde, quando acontece ato político com autoridades e lideranças.
    Produção limpa ocorre há 18 anos
    As primeiras experiências do MST na produção orgânica de arroz foram desenvolvidas em 1999, nos assentamentos da Reforma Agrária na região Metropolitana de Porto Alegre.
    Todo o processo de produção, industrialização e comercialização é coordenado pela Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), por meio da marca comercial Terra Livre.
    Hoje, grande parte da produção é destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), mas o grão também vai para São Paulo e a Venezuela, podendo ser adquirido no Mercado Público de Porto Alegre e em feiras ecológicas em Canoas e na Capital.
    Foto Tiago Giannichini
    Foto Tiago Giannichini

    A certificação orgânica é realizada em todas as etapas da produção do arroz, com base em normas nacionais e internacionais, desde o ano de 2004. Ela ocorre por meio de dois procedimentos: certificação participativa (OPAC – Coceargs) e auditoria (IMO – Ceres).
    As famílias do Assentamento Capela, onde este ano ocorre a abertura oficial da colheita, se instalaram no local em setembro de 1989, com a ocupação da Fazenda Bacaraí, em Cruz Alta, no Noroeste do RS. Por cerca de cinco anos, diversas mobilizações: greve de fome, marchas, ocupações e atos públicos.
    Em 1993 ocorreu, pela terceira vez, a ocupação da Fazenda Capela, em Nova Santa Rita. O latifúndio estava penhorado, resultando na desapropriação de 2.170 hectares e na criação do assentamento em 5 de maio de 1994.
    Hoje, o Assentamento Capela está organizado em núcleos familiares, onde os assentados produzem, de forma coletiva ou individual, arroz orgânico e convencional, gado leiteiro e de corte, hortaliças e suínos para comercialização, além de diversos outros alimentos para o próprio consumo.
    Elas recebem assistência técnica da Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec), responsável por capacitar os camponeses em todas as etapas de trabalho.
    Cooperativa
    A Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan) foi fundada pelos assentados em 30 de junho de 1995. Um grupo de acampados apostou no trabalho coletivo e concretizou, a partir do assentamento, toda a estrutura da cooperativa.
    Ao todo, 29 famílias do Assentamento Capela estão inseridas na Coopan. Elas produzem variadas culturas para o autossustento e têm em suas principais atividades econômicas a produção, industrialização e comercialização de arroz orgânico, além da criação, abate e venda de carcaças de suínos. Os assentados também investem em gado leiteiro.
    Novo Empreendimento
    A Coopan está construindo, por meio do Programa Terra Forte, abatedouro e frigorífico de suínos e bovinos, para atender as necessidades dos assentamentos e de agricultores familiares da região.
    A liberação da estrutura para funcionamento deve ocorrer até o segundo semestre de 2018, garantindo, inicialmente, 40 postos de trabalho. A meta de produção das famílias é de 250 porcos e 50 cabeças de gado diariamente. O empreendimento vai possibilitar a comercialização em carcaças, cortes, embutidos e cozidos.
     

  • Anistia ao Caixa 2

    Pinheiro do Vale
    A chamada classe política decidiu chutar o balde. Às favas a opinião pública, aquela “rainha do universo” de que falava Bento Gonçalves.
    O importante agora é salvar o pelo, livrar-se da cadeia. Depois, que cada qual se explique a seu eleitorado como puder, safando-se da execração, se for possível.
    No Senado e na Câmara dos Deputados, os líderes e as bancadas dos grandes partidos estão esculpindo uma estátua de Belzebu, o “Anjo Caído”, bonito por fora e demônio por dentro: será aprovada no Congresso uma lei duríssima contra o Caixa 2, mandando doadores e beneficiados para o fundo as masmorras se um tostão furado (a moeda mais vil que circulou no mundo lusitano) entrar num bolso “não contabilizado”.
    Dureza, tolerância zero, transparência translúcida. Ferro e fogo. Com a nova lei, os velhos crimes ficam no passado. Só paga quem transgredir daqui para frente.
    Uma manobra neste sentido já fora tentada, mas caiu diante do clamor da imprensa e de todas as vozes moralistas. Os deputados deram meia volta.
    Nesta nova investida os congressistas vão botar para quebrar. Mas não vão dormir de touca: no projeto de reforma política virá algum tipo de votação em lista, isto é, o eleitor sufraga o partido e não mais o nome do candidato.
    Com isto, o golpe de mestre: as lideranças envolvidas na Lava Jato, anistiadas pelo Caixa 2 com a lei que vem vindo, por aí podem entrar nas listas, sem necessidade de apresentar seus “santos” nomes ao distinto público.
    Os líderes no Congresso aprontam o pé para aplicar um chute no bumbum da Rainha do Universo. É o medo das grades.
    Está aí o dia 26 de março, marcado para as grandes manifestações de rua.
    É bom lembrar, como está no excelente livro de Euclides Torres, “Bento Manoel, o Caudilho Maldito”, a última reunião do Conselho de Estado do Império, na manhã de 9 de novembro de 1889, horas antes dos primeiros acordes das orquestras no baile da Ilha Fiscal.
    Nessa reunião, na presença de Dom Pedro II, o conselheiro Andrade Figueira denunciava: “ Os dinheiros públicos, Senhor, estão sendo desbaratados para pagamento de compra de votos”, e continuava, para concluir que um golpe de estado parecia iminente, oferecendo uma opção perversa: “Corrupção ou violência? Se eu fosse governo e tivesse de escolher entre violência e corrupção, preferia a violência, porque a corrupção avilta não somente quem é corrompido mas também quem corrompe”.
     

  • Marchezan reúne secretariado para anúncio da Semana de Porto Alegre

    O prefeito Nelson Marchezan Júnior reuniu seu secretariado para o lançamento da programação da Semana de Porto Alegre, que marca o aniversário da cidade.
    Com o tema “A gente ama, a gente faz”, a programação terá quase 500 atrações, com início neste domingo, 19, e encerramento no dia 27 de março. A abertura oficial, na Cinemateca Capitólio, contará com a presença do Ministro da Cultura. O patrocínio é da Caixa Econômica Federal.
    Além de apresentar as 497 atividades culturais, de cidadania, saúde e empreendedorismo, o evento serviu para os secretários falarem sobre os trabalhos que vem sendo desenvolvidas nestes primeiros meses de governo.
    “A ideia da semana é simbolizar atitude para as mudanças que precisamos fazer”, afirmou Marchezan, no evento realizado na manhã desta quarta-feira, no Capitólio.
    O prefeito agradeceu aos profissionais que vão “doar um pouquinho do seu tempo” para viabilizar as atividades e destacou a importância do envolvimento da sociedade nesta programação e nas melhorias da cidade.
    “Precisamos que os porto alegrenses queiram uma cidade melhor. A cidade só está como está e só ficará como ficará por causa das pessoas. É quem faz a cidade”, concluiu.
    Atuando como um mestre de cerimônias do evento, o secretário Luciano Alabarse esclareceu que a Semana da Cidade não é um evento de cultura, mas uma atividade “protagonizada por todas as forças da prefeitura”.
    Em relação ao legado para a cultura da cidade, Alabarse destacou a reinauguração da Cinemateca Capitólio, que teve novo equipamento adquirido pela prefeitura, prevista para  o dia 27.
    Alabarse falou também sobre a situação dos desfiles das agremiações carnavalescas.
    Este ano, os desfiles do Porto Seco ocorrem de forma atípica, sem recurso público e transferidos do carnaval para a semana de Porto Alegre. Alabarse destacou que este é um novo modelo de gestão e defendeu que a realização do carnaval sem verba da prefeitura é uma grande vitória.
    O secretário comemorou a pluralidade das atividades culturais da programação, que terá desde orquestra a desfile de escolas de samba. “Tem de tudo, para todos, como tem que ser uma cidade: plural”, concluiu.
    O secretário de educação, Adriano de Naves Brito, destacou atividades de conscientização ambiental que serão realizadas junto às escolas de samba.
    Dentre as 27 atividades que serão realizadas pelas secretaria de Desenvolvimento Social, a secretária Maria de Fátima Záchia Paludo destacou a Copa dos Refugiados, que será realizada na Arena.
    O diretor técnico da Procempa, Michel Costa da Silva anunciou o lançamento do novo site da prefeitura para a próxima semana. Entre os problemas da página atual, Michel destacou a poluição visual, dificuldade de navegação, problemas de responsividade e o serviço de buscas que não funciona adequadamente.
    Também foi criado um site contendo toda a programação da semana de Porto Alegre. A página conta com sistema de buscas onde o usuário pode fazer pesquisas por atividade, área de interesse ou região da cidade.

  • Justiça suspende propaganda do Governo Federal sobre reforma da Previdência

    A 1ª Vara Federal de Porto Alegre determinou a suspensão imediata, em todo o país, da campanha promovida pelo Governo Federal sobre a reforma da previdência.
    A decisão em tutela de urgência foi proferida na manhã de hoje (15/3) pela juíza federal Marciane Bonzanini. A magistrada também ficou multa diária no valor de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
    A ação civil pública foi ajuizada contra a União por sete sindicatos de trabalhadores com sede no Rio Grande do Sul. De acordo com os autores, a propaganda amplamente veiculada não conteria caráter educativo, informativo ou de orientação social, limitando-se a difundir a ideia de que a Previdência Social brasileira é economicamente inviável, com vistas à obtenção de apoio popular ao projeto de reforma encaminhado pela presidência da República, em dezembro de 2016, à Câmara dos Deputados. O conteúdo propagado, portanto, violaria o art. 37 da Constituição Federal e outros atos normativos que estabelecem regras para as ações de publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos.
    Após analisar uma série de anúncios veiculados em redes de televisão, jornais, mídia externa e internet, a magistrada entendeu que há uso inadequado de recursos públicos e desvio de finalidade. “A proposta de reforma da previdência não se inclui em categoria de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos. Diversa seria a situação de esclarecimentos acerca de alterações constitucionais ou legislativas já vigentes. Por outro lado, a campanha publicitária questionada não possui caráter educativo, informativo ou de orientação social, restringindo-se a trazer a visão dos membros do partido político que a propõe e passando a mensagem de que, caso não seja aprovada a reforma proposta, o sistema previdenciário poderá acabar”, analisou.
    Ela também destacou que o debate político a respeito do tema deve ser feito no âmbito do Poder Legislativo. “Anoto, apenas a título de acréscimo argumentativo, que a campanha publicitária desenvolvida, utilizando recursos públicos, faz com que o próprio princípio democrático reste abalado, pois traz consigo a mensagem à população de que a proposta de reforma da previdência não pode ser rejeitada e de que nenhuma modificação ou aperfeiçoamento possa ser feito no âmbito do Poder Legislativo, cabendo apenas o chancelamento das medidas apresentadas”, disse. “O que parece destoar das regras democráticas é que uma das partes envolvidas no debate político busque reforçar suas posições e enfraquecer argumentos diferentes mediante campanha publicitária utilizando recursos públicos”, reiterou.
    Marciane deferiu o pedido de tutela de urgência e determinou a imediata suspensão, em todo o território nacional, dos anúncios da campanha do Poder Executivo federal sobre a reforma da previdência. Incluem-se na decisão todas as mídias e suportes em que vêm sendo publicadas as ações de comunicação – televisão, rádios, publicações impressas (jornais e revistas), rede mundial de computadores, painéis de mídia exterior (outdoors) e de mídia interior (indoors instalados em aeroportos, estações rodoviárias e em quaisquer outros locais públicos), sob pena de multa diária de R$100 mil em caso de descumprimento. A medida passa a valer a partir da intimação da União, o que deve ocorrer em até 24 horas.
     
    Noticia do site da Justiça FederaL 4ª Região