Autor: da Redação

  • Homofobia faz mais uma vítima em Florianópolis

    Jennifer Celia Henrique, a Jenni, 37 anos, foi morta a pauladas na madrugada do dia 10 no bairro Ingleses, em Florianópolis, onde morava. Jenni era transexual e enfrentava preconceito. O próprio delegado Eduardo Matos, da 8ª Delegacia de Polícia, que começou a investigar o caso, formulou uma hipótese preconceituosa.
    Antes de qualquer investigação, ele descartou que pudesse se tratar de crime de homofobia ou transfobia e afirmou que o homicídio foi motivado por “uma transa mal acertada”.
    A declaração, somada a outras como a de que “Jennifer é o nome de guerra”, gerou críticas ao delegado e um protesto público reuniu amigos, familiares e membros de movimentos de causas de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros.
    A manifestação ocorreu às margens da SC-403, próximo à construção abandonada em que Jenni foi encontrada.  A repercussão levou à substituição do delegado.

    O cado de Jennifer confirma uma trágica realidade. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. Segundo relatório divulgado pela Rede Trans Brasil, só em 2016 foram 144 mortes de travestis, transexuais e transgêneros no país.
    No início de 2017, chocou o país o caso da travesti Dandara, espancada, apedrejada e morta a tiros no Ceará.

  • Futuro de Padilha no governo será decidido em reunião com Temer

    O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, reassumiu o cargo nesta  segunda-feira (13), depois da licença médica de 21 dias. O ministro passou por uma cirurgia para retirada da próstata.

    Ele fez tudo para demonstrar que era uma volta normal, inclusive participando de uma reunião com o presidente Michel Temer, os ministros Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), Osmar Serraglio (Justiça) e Raul Jungmann (Defesa), para discutir segurança pública e combate ao crime organizado.

    Segundo a agenda divulgada, ele tem às 17h30, um encontro com os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), no Congresso, André Moura (PSC-SE), na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES) para discutir a reforma da Previdência.

    A reunião mais importante, porém, não consta da agenda oficial:  será um encontro a sós com o presidente Temer,  no Planalto, para decidir se ele vai se manifestar sobre as denúncias de José Yunes, amigo de Temer e do ex-executivo da Odebrecht, José de Carvalho Filho.

    Carvalho  confirmou ao TSE, na sexta-feira, que Padilha acertou pessoalmente com Claudio Mello Filho, ex-vice presidente de relações institucionais da empreiteira, a entrega de parte dos R$ 10 milhões repassados ao PMDB em 2014.

     Em depoimento espontâneo, no dia 23,Yunes revelou que recebeu um envelope com “documentos” do doleiro Lúcio Funaro a pedido de Padilha, durante a campanha presidencial de 2014. Funaro, preso na Operação Lava Jato, é apontado pela PGR como operador financeiro do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

    Segundo delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, o envelope continha dinheiro. Yunes disse desconhecer o conteúdo do envelope, entregue no escritório dele, segundo afirmou, a pedido de Eliseu Padilha, e retirado posteriormente por um emissário.

    Em Brasilia, circula a informação de que para preservar Temer no processo do TSE, Padilha terá que ser sacrificado, com a perda do cargo.

  • Da cadeia, Eduardo Cunha segue mandando

    A área de influência do Eduardo Cunha no governo não é nada desprezível. Além do Temer, Moreira e Padilha no coração do governo, os tentáculos do Cunha no comando golpista são abrangentes: Alexandre Moraes, também advogado dele, foi transformado em juiz do STF; Osmar Serraglio, colocado por Cunha na presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e que defendeu sua anistia porque ele “exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da Presidente Dilma”, foi nomeado ministro da Justiça; Carlos Marun, aliado incondicional que visita Cunha na prisão “para saber o que ele orienta, o que ele recomenda”, ganhou a presidência da comissão especial da reforma da previdência na Câmara; André Moura, um integrante da tropa de choque do Cunha, ganhou a liderança do governo Temer no Congresso; por Jeferson Miola.
    (do 247)

  • Placa com nome de Brizola ficou 40 anos enterrada no Jardim Botânico

    Cleber Dioni Tentardini
    Uma placa alusiva a um plantio de mudas no Jardim Botânico de Porto Alegre ficou 40 enterrada por razões políticas.
    A pedra com a placa marcam o Dia da Árvore, em 1959, quando o então governador Leonel Brizola, acompanhado de seus secretários, Alberto Hoffmann, da Agricultura, e Mário Maestri, de Obras Públicas participaram do plantio simbólico de mudas no Jardim Botânico de Porto Alegre.
    Anos depois, com o golpe militar e Brizola no exílio, os militares que tomaram o poder ordenaram que fosse retirada e quebrada a placa onde estava gravado o nome do líder trabalhista.
    Quem salvou a peça foi um funcionário, Julião Mello do Prado, que em vez de arrancar a placa, apenas virou a pedra, deixando a inscrição voltada para chão.
    Depois, quando veio a redemocratização, ele mesmo recuperou a placa, mas só contou a história no ano passado, quando já aposentado, visitou o antigo local de trabalho.

  • Sinônimo da corrupção, Maluf nunca foi condenado

    Está marcado para 18 de abril o julgamento do deputado Paulo Maluf (PP-SP) no STF.

    Ele é acusado de ter usado contas no exterior para lavar dinheiro desviado das contas da prefeitura de São Paulo, quando foi prefeito (1992-1996).

    Maluf, que deu  origem até a um verbo “malufar” como sinônimo de “afanar”, responde a muitos processos. Mas até agora nunca foi condenado pela Suprema Corte.

    Para julgá-lo ministro Luiz Edson Fachin vai, excepcionalmente, voltar à Primeira Turma, onde  foi relator do processo de Maluf,  antes de passar para a Segunda Turma do STF e assumir o cargo de relator da Lava Jato, no lugar do ministro Teori Zavascki, morto em uma queda de avião, ainda não esclarecida.

    A ação penal foi aberta em setembro de 2011 contra 11 acusados, entre os quais Paulo Maluf e familiares. Somente o processo contra o deputado do PP continua no Supremo porque ele tem direito a foro privilegiado.

     Os parentes dele passaram a responder na Justiça comum. Todos negaram envolvimento no esquema.

    No processo, os advogados de Maluf argumentaram que a ação não procede porque a acusação é de um suposto crime cometido antes de entrar em vigor a Lei da Lavagem de Dinheiro. Editada em 1998.

    De acordo com a denúncia, uma das fontes do dinheiro supostamente desviado ao exterior por Maluf seria a obra de construção da Avenida Água Espraiada, atual Avenida Jornalista Roberto Marinho, realizada quando o deputado era prefeito de São Paulo.

    O custo total da obra foi considerado “absurdo” pelo Ministério Público Federal. O antigo relator do caso, ministro Ricardo Lewandowski, destacou em um despacho que o prejuízo aos cofres públicos chegou a quase US$ 1 bilhão.

    Offshore

    O Ministério Público apontou que a lavagem dos valores teria sido feita, entre 1993 e 2002, por meio de um esquema de contas bancárias em nome de empresas off shore (firmas brasileiras criadas para fazer investimentos no exterior).

    Segundo os procuradores da República, o dinheiro desviado teria sido entregue a um doleiro que fez remessas para uma conta de um banco em Nova York, nos Estados Unidos. De lá, os recursos teriam sido enviados para contas em paraísos fiscais.

    O passo seguinte, segundo a denúncia, foi reutilizar parte do dinheiro com a compra de ações de empresas da família Maluf no Brasil, entre 1997 e 1998.

    O MPF calcula que, até janeiro de 2000, os fundos supostamente abastecidos pela família Maluf teriam movimentado mais de US$ 172 milhões.

    Maluf responde a outras duas ações penais no STF. Em uma delas, é acusado do crime de corrupção passiva por suposto desvio dos recursos da obra na capital paulista. Na outra, ele é suspeito de ter cometido crimes contra o sistema financeiro.

  • Leandro Karnal perde público ao se encontrar com Moro

    O historiador e professor da Unicamp Leandro Karnal apagou o post com a foto do jantar que teve neste fim de semana como juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba;
    Karnal perdeu vários seguidores em sua página no Facebook e foi duramente criticado por se associar ao juiz, acusado de ser parcial e favorecer políticos do PSDB; Karnal  se pronunciou sobre a polêmica:
    “Tenho imensa curiosidade em conversar com pessoas que fazem parte da história. Como eu disse na página, adoraria ter um jantar com Ciro Gomes, com Maria da Penha, com Maria do Rosário, com Lula e com outras pessoas. Todos me ensinariam bastante sobre sua visão de mundo, o que faria eu pensar muito. Realmente gostaria disto”, diz Leandro Karnal.
    “Lamento a polarização no Brasil e lamento o clima que, por poucas explicações minhas, causei. Tomarei mais cuidado e desculpo-me por isto. Quando eu tiver encontros com outras autoridades e pessoas de referência, prometo, guardarei para mim e pra meu debate interno. O momento brasileiro é estranho e há uma vontade nacional de crucificar”, diz Karnal, que tenta se reaproximar de seu público.
    “Num país submetido à ditadura do pensamento único, a carreira de Leandro Karnal como intelectual midiático se explica por uma situação de miséria cultural poucas vezes vista em nossa história”, escreveu o jornalista Paulo Moreira Leite.
     

  • Metalúrgicos fazem vigília pela reabertura do Polo Naval em Rio Grande

    Uma vigília com a presença de milhares de trabalhadores metalúrgicos iniciou na noite deste domingo(12) no Polo Naval de Rio Grande.
    Os trabalhadores pretendem permanecer em vigília na frente do Estaleiro Rio Grande 1 (ERG1), até as 12h30min, quando sairão em passeata, acompanhados por lideranças da comunidade, inclusive empresários até a Fundação Universidade de Rio Grande, onde será realizada uma audiência pública com início às 14 horas.
    O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte (Stimmmerg), Sadi Machado, informou que o ato sairá de qualquer maneira e o objetivo é a retomada dos trabalhos no Estaleiro Rio Grande, administrado pela empresa Ecovix.
    Eles querem que seja reiniciada a contratação de mão de obra e seja recomeçada a montagem de uma das plataformas que já está dentro do estaleiro e com 30% de obras prontas.
    “Vamos fazer a vontade do trabalhador. Se ele quiser ir a pé, vamos a pé, se ele quiser ir de carreata, vamos de carreata”, afirmou. Ele conta que o ato ocorrerá para pedir que os trabalhos sejam retomados no Estaleiro Rio Grande, administrado pela empresa Ecovix.
    Machado disse ainda que em dezembro a Ecovix demitiu cerca de 3,2 mil operários, mas em seguida teve o pedido de recuperação judicial aprovado pela Justiça. ” Estamos pedindo socorro. Precisamos de ajuda, seja do governo federal, seja de quem for, precisamos de ajuda”, disse o metalúrgico.

  • Seis cidades gaúchas têm novos prefeitos

    Este domingo (12) foi dia de eleições para seis municípios do Rio Grande do Sul. Em Arvorezinha, Butiá, Gravataí, Salto do Jacuí, São Vendelino e São Vicente do Sul, houve renovação dos pleitos de outubro de 2016 para a Prefeitura.
    As novas eleições ocorreram porque os candidatos mais votados para os cargos majoritários, no ano passado, nessas seis cidades tiveram seu registros indeferidos pela Justiça Eleitoral.
    Os novos prefeitos
    Em Arvorezinha foi eleito  Rogério Fachinetto (PDT), com 3.913 votos (50,84%); em Butiá, Daniel (PT), com 6.187 votos (51,03%); em Gravataí, Marco Alba (PMDB), com 48.211 votos (40,04%); em Salto do Jacuí, o escolhido foi Claudio Robinson (PDT), com 4.149 votos (62,24%); em São Vendelino, Evandro (PTB), com 1.109 votos (55,81%); e em São Vicente do Sul, Paulinho (PMDB), com 2.883 votos (52,06%).

  • A parábola do Professor Brum

    P.C. de Lester
    Para quem assistiu ao evento Fundamentos & Fundações do Rio Grande, na quinta-feira (9) no auditório da Assembléia Legislativa, em Porto Alegre, era bastante nítido que o professor João Carlos Brum Torres não estava muito à vontade na mesa em que foi colocado ao lado de outros economistas críticos do governo, como Claudio Accurso e Pedro Cezar Dutra Fonseca.
    No entanto, mesmo admitindo possuir relações históricas com o PMDB, inclusive com o governador Sartori cujo programa de governo coordenou, ele deu seu recado sem subterfúgios. Para Brum Torres, a extinção das fundações técnicas e culturais foi um erro grave.
    Em sua fala de oito minutos, ele não atacou ninguém, mas foi claro. Disse inicialmente que não viu lógica na argumentação dos operadores do fechamento das instituições de pesquisa.
    Em seguida, lamentou especialmente a extinção da Fundação de Economia e Estatística (FEE), cujos estudos e indicadores são fundamentais para avaliar a situação do estado, como constatou nas duas vezes em que esteve no cargo de Secretário do Planejamento do Estado.
    Por último, afirmou que o Rio Grande não vai acabar por causa da crise, e encerrou sua fala com um “causo” que provocou risos na platéia formada por duas centenas de pessoas:
    “Eu tive oportunidade de comentar o assunto (das extinções) com o governador, mas o fiz comparando a situação do governo à de um fazendeiro que lamenta não ter recursos para fazer uma reforma geral da propriedade, derrubar as grandes árvores etc. No meio desse grande impasse, chega alguém e se refere negativamente a diversas árvores pequenas que estão ali enfeiando a paisagem e sujando o chão todos os dias com um monte de folhas secas. Diante dessa sugestão implícita de ‘limpeza’, o que faz o fazendeiro? Ordena: ‘O que vocês estão esperando? Chamem a turma da motosserra…’.”
    Moral da história: Ao invés de limpar, corta de uma vez

  • Pensador do PMDB gaúcho diz que extinção de fundações "não tem lógica"

    Cleber Dioni Tentardini
    Foi impressionante a manifestação do professor João Carlos Brum Torres, no evento promovido pelo movimento em defesa das fundações, que aglutina diversos coletivos do meio cultural e intelectual do Rio Grande do Sul.
    Cientista político, professor de Filosofia, intelectual influente, Brum Torres é nome histórico do PMDB. Nos governos de Antônio Britto e Germano Rigotto, foi secretário de Planejamento e em ambos trabalhou num plano desenvolvimento a longo prazo para o Estado.
    Na campanha de Sartori, era um dos três homens mais influentes nas decisões.  Era considerado o “artíficie do programa de governo”. Os outros eram o marqueteiro Marcos Martinelli e Carlos Búrigo.
    Segundo Brum Torres, e extinção das fundações “não tem lógica”.
    Eis o que ele disse no seminário sobre a extinção das fundações, na Assembléia Legislativa.
    “Vocês sabem que eu tenho uma relação histórica com o PMDB, mas confesso que não é fácil entender as razões do governo. Pelo que ouvi dos operadores do projeto de extinções, são decisões ilógicas. Enfim, acho que essas medidas são erradas. Gravemente erradas”.
    “Lamento especialmente pela FEE: nas duas vezes em que fui secretário do Planejamento do Estado, vi o quanto é importante o trabalho da FEE na geração de informações fundamentais para a avaliação da situação do Estado”.
    “O governo não pode se desonerar de órgãos técnicos e de conhecimento. São instituições que precisam de tempo para se consolidar e não podem ser destruídas por erros induzidos por aprêmio financeiro”.
    “Mesmo órgãos debilitados pela crise financeira não podem ser descartados. Há nisso tudo uma falta de visão histórica de longo prazo. O Rio Grande do Sul não vai acabar por causa dessa crise. Por isso acho que essas decisões são profundamente equivocadas”.