Gabriela, Soraia e Stela são algumas das quatro variedades de alface com nomes de mulher, cultivadas na horta da Emater/RS-Ascar, no Parque da Expodireto.
Em Não-Me-Toque, durante os dias da feira, 06 a 10 de março, milhares de pessoas passarão pelo lugar, sob a coordenação do engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Gilberto Bortolini.
“Temos 11 variedades de tomate, duas de pepino, duas de moranguinho, duas de pimentão, quatro de alface e duas de repolho, além de couve-flor, abóbora italiana e berinjela”, listou Bortolini.
Não são apenas as pessoas se sentem atraídas pela horta da Emater/RS-Ascar. Há dias, as abelhas parecem fascinadas pela flor amarela da crotalária juncea. “A crotalária produz bastante pólen e isso atrai insetos, como a abelha e a libélula”, explicou Bortolini.

Além de bonita, a crotalária é indicada para fixar nitrogênio e proteger o solo, no entanto, essa espécie, segundo o agrônomo da Emater/RS-Ascar, não é indicada para a alimentação humana.
Também trabalham na Expodireto, na horta da Emater/RS-Ascar, os extensionistas Bianca Linhares, Ana Paula Vargas, Alan Pacífico, Erivelton Kreisig, Sérgio Morgesten e Valdinei Bazeggio.
Assessoria de Imprensa
Autor: da Redação
Horta da Emater é atração na Expodireto
Prefeitura quer cadastrar artistas de rua em “banco de talentos”
A Prefeitura de Porto Alegre quer criar um “Banco de Talentos Artísticos” para cadastrar os artistas de rua. A proposta foi apresentada em reunião com representantes da Secretaria Municipal de Cultura na semana passada. Participaram três artistas e um representante do Sated-RS (Sindicato dos Artistas e Técnico em Espetáculos e Diversões).
A intenção da prefeitura é criar uma espécie de vitrine, para aproximar artistas de rua e empresários e viabilizar patrocínios. Porém, pela Lei do Artista de Rua, lei 11.586, de 2014, não são permitidos os patrocínios privados.
Outra proposta que intrigou os artistas presentes foi em relação à programação do aniversário da cidade. A ideia da Prefeitura é criar na semana de Porto Alegre um corredor cultural, inspirado no Caminito, de Buenos Aires.
O local sugerido pela administração foi a Travessa Venezianos, na Cidade Baixa. O artistas fariam apresentações de um minuto cada, em um palco de rua montado pela Prefeitura. Porém, a Prefeitura propõe que os artistas trabalhem voluntariamente, sem recebimento de cachê.
Uma nova reunião, desta vez aberta, está marcada para esta segunda-feira, 6, às 9h, na Casa Torelly (Avenida Independência, 453).Temer por um fio
Pinheiro do Vale
O mandato de Michel Temer está por um fio. Delatado e prestes a ser indiciado por crime eleitoral, este delito está fora da margem de imunidade, que o exime de qualquer responsabilidade por falcatruas anteriores à sua posse.
Portanto, se a eleição foi fraudada, este mandato não vale mais e assim, já ex-presidente, ele voltará para a primeira instância da Justiça Federal, porque seu governo, além de obtido num golpe parlamentar, será invalidado pela ilegalidade do pleito.
Isto é muito sério e já acende a luz vermelha no Palácio do Planalto.
Mentes mais crédulas admitem que esse processo não chegará a tempo de tirá-lo da residência oficial do Jaburu. Afinal, o governo acaba no ano que vem. O processo será lento e cheio de idas e vindas.
Mas só o fato em si já dá arranque no motor da política. Por isto, o croupiê já está com a mão na roleta eleitoral. Cada qual botando suas fichas. E aí aparece um quadro de apostadores que não estavam no pano verde.
Na primeira vaza, a nova aposta dos tucanos, o prefeito de São Paulo João Doria Jr. O trio de ouro do partido está fora do jogo: Aécio Neves e José Serra caem ainda neste primeiro semestre, fulminados pelo Caixa 2 da Operação Lava Jato.
O terceiro nome, o governador Geraldo Alkmin, também está em fase de descarte, por falta de apelo eleitoral. Nas pesquisas seu nome não se mexe, nem para baixo, nem para cima. O número estável é seu recall está vitaminado por São Paulo, em torno de 8% no âmbito nacional .
Nos demais estados cai para traço, ou seja, perto de zero. Será candidato a senador.
A aposta em João Doria revela o desespero do golpismo tucano. O almofadinha paulista é um estreante político, com alcance apenas municipal. Assim mesmo, eles já estão pensando em botá-lo no páreo quando não terá cumprido sequer metade de sua prefeitura. Perigo.
Os argumentos a seu favor são pífios: O mais ousado diz que Doria não tem rejeição. Isto é óbvio, pois é um homem não testado. Quando começarem a aparecer as mazelas da cidade ele vai naufragar, como todos os demais prefeitos da Pauliceia Desvairada..
O segundo argumento é que seu nome foi reconhecido por 61 por cento dos entrevistados. É muito pouco, mesmo considerando que a Rede Globo fala dele todos os dias em rede nacional.
Há muitos outros “poréns”. O mais óbvio será quando trair sua própria eleição, abandonando o posto em nome de uma ambição desmedida. Isto nunca deu certo.
Os demais candidatos da direita são irrelevantes. Mesmo o estapafúrdio capitão Jair Bolsonaro, que vem repontando nas pesquisas estimuladas. Espera-se que ele não cresça, embora seja um perigo real. Aí está Collor para mostrar como não se deve errar.
Intelectuais e analistas vêm chamando atenção dos partidos de esquerda para a tática de enfrentamento com o cometa a direita. A tática de tentar descontruir e desqualificar foi aplicada em Collor, que era apenas um histrião moralista, mas foi subindo nos degraus da anti-propaganda.
As pessoas mais lúcidas estão dizendo que devem combater Bolsonaro com ideias e propostas, impedindo assim que seu discurso populista ganhe força, como foi no caso do alagoano.
Ele não tem base política. Na eleição para presidente da Câmara teve apenas quatro votos, o dele, do filho e de dois policiais militares deputados. Deixá-lo crescer seria muita incompetência de seus adversários.
Collor cavalgou o naufrágio das candidaturas dos políticos tradicionais: Covas, Ulysses, Aureliano, Maluf, Afif Domingos.
Brizola e Lula chegaram divididos, mas a reação se uniu em torno do galã de Maceió. Deu no que deu. O erro foi atacar Collor pelo lado errado.
Há as duas opções à esquerda: Ciro Gomes que sonha ocupar a vaga de Lula, quando o líder petista for e declarado inelegível. Sonho de uma noite de verão. Lula somente será barrado em caso de condenação em segunda instância, o que é impossível pois será no máximo processado, mas não julgado no tribunal básico. Não há provas contra ele, só denúncias de dedos-duros.
A outra seria da ecologista Marina. Seu desempenho na última eleição demonstra que é um cavalo paraguaio, de tiro curto.
Quando a Lula, sua posição melhora todos os dias. Além de ter um recall extraordinário, na faixa dos 30 a 35%, sua rejeição, produzida pela propaganda massacrante, cai assim mesmo. Esteve com 71% negativos e na última pesquisa reduziu para 60 por cento. Botando uma campanha rua o líder paulista pode descer a níveis aceitáveis de 40 por cento. Isto seria normal num primeiro turno.
Jovens promovem evento de “pegação” domingo na Redenção
Quem pegou pegou, quem não pegou é só chegar. Este é o nome e tema de um evento que está marcado para este domingo na Redenção.
O primeiro domingo de março, que tradicionalmente é um dia de grande movimento no parque, deve atrair ainda mais público.
Convocado através do facebook, o evento já conta com mais quatro mil confirmados, além de outros oito mil que manifestaram interesse. A maioria é de adolescentes. A atividade está marcada para a uma da tarde, com encontro no Monumento ao Expedicionário.
No evento, um dos organizadores afirma que a ideia é “beber, beijar muitas bocas e fazer novas amizades.” Mas alerta: “sem ‘ladaia’, porque vai ter famílias no parque.”
Para facilitar a identificação da intenção de cada um, um sistema de cores foi criado. Por exemplo, uma camiseta branca indica que a pessoa está solteira, a roupa vermelha corresponde a beijo triplo, já quem estiver vestido de laranja, estará indicando que quer apenas fazer amigos.
Tabela de cores:
Preto: Só grudar
Branco: Solteiro(a)
Azul: Namorando
Cinza: Bissexual
Camisa de time: Só pelo sexo
Vermelho: Beijo Triplo
Laranja: Quero amigos novos
Marrom: Só por Beber
Rosa: Lésbica
Verde: GayQuando atinge seu partido, FHC reclama dos vazamentos
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou nota sobre o depoimento de delator da construtora Odebrecht de que repassou dinheiro por meio de caixa 2 para abastecer campanhas de políticos tucanos. Os vazamentos manipulados que confundem o noticiário ocorrem há dois anos, só agora que atingiram em cheio seu partido FHC reclama:
Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem “noticias alternativas” para confundir a opinião pública.
A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao país.
Parte do noticiário de hoje sobre os depoimentos da Odebrecht serve de sinal de alerta. Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.
O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE.
É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa.
Ademais, independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la.
Visto de longe tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos.
No importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas. Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção.
Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais.
A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando.
A desmoralização de pessoas a partir de “verdades alternativas” é injusta e não serve ao país. Confunde tudo e todos.
É hora de continuar a dar apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça.
Fernando Henrique Cardoso
Presidente de honra do PSDB.Mulheres articulam greve internacional no 8 de março
O dia 8 de março, tradicionalmente marca o Dia Internacional da Mulher. Este ano, uma programação unificada está sendo articulada para Porto Alegre. O movimento, que está sendo chamado de 8M, reúne diversos coletivos, movimentos e centrais sindicais e integra uma mobilização internacional. “Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós” é o tema deste ano.
O objetivo é construir uma greve internacional, um dia sem mulheres. Ou seja, que as mulheres trabalhadoras cruzem os braços tanto em relação ao trabalho, de qualquer natureza, formal ou doméstico. É um 8 de março classista, focado na mulher trabalhadora. Uma forma de crítica ao caráter despolitizado que a data vem tomando nos últimos anos. “Não nos levem flores, vamos parar” é o título de um dos artigos publicados no site do 8M Brasil.
Em Porto Alegre, a articulação começou em janeiro, durante atividades do Fórum das Resistências. No dia 20 de fevereiro foi realizada uma assembleia geral. Integram Fazem parte movimentos de mulheres negras, lésbicas, trabalhadoras rurais, quilombolas, indígenas, atingidas por barragens, sindicatos e ocupações. A programação integra um movimento internacional. O grupo mantém contato com movimentos de mulheres de países da américa latina, como a Argentina, onde o movimento é bastante forte, além de Itália, Polônia e outros.
Reforma da previdência e violência contra a mulher
A mobilização se concentra em duas pautas principais: o combate a todas as formas de violência contra a mulher e a luta contra a reforma da Previdência. Segundo a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem o quinto maior número de feminicídios do mundo.
Outro dado chocante em relação à violência contra mulher é que a cada onze minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. O dado vem da FBSP (Federação Brasileira de Segurança Pública), que reúne dados de todas as secretarias de Segurança Pública do país. Porém, como há uma grande subnotificação dos casos, é provável que o número de estupros seja ainda maior.
Para o movimento, as mudanças que vem sendo articuladas pelo Governo Federal na Previdência atingem principalmente as mulheres. Questões como a equiparação do tempo de trabalho não levam em conta uma certa invisibilidade do trabalho feminino, que vai além do trabalho formal, englobando tarefas que geralmente são cumpridas por mulheres como o trabalho doméstico e os cuidados com a criação dos filhos.
Além disso, elas entendem que os ajustes fiscais promovidos pelos governos federal e estadual atingem diretamente as políticas públicas para as mulheres, o que é considerado uma violência institucional. Outra pauta trazida pelo movimento é o aborto legal garantido pelo SUS.
Ao longo de todo o dia, marchas, debates e atividades culturais
O movimento de mulheres está construindo uma programação ao longo de todo o dia. O início é a acolhida às mulheres da Via Campesina, que devem chegar à capital às 5h30. Dois grupos, partindo do Laçador e da Ponte do Guaíba. Os grupos devem se concentrar em frente ao INSS em torno das 8h e partir em caminhada pelo centro.
A ideia é estar o dia inteiro em marcha. A maior parte das atividades deve se concentrar entre a Esquina Democrática, Largo glênio Peres e Praça da Matriz. Às 10, acontece na Assembleia Legislativa um seminário sobre a reforma da previdência e as mulheres. Ao meio dia, acontece um ato em apoio à Ocupação Mirabal, na rua Duque de Caxias, 380.
Às 14h, há um seminário sobre a reforma da Previdência na Faculdade de Educação da UFRGS, promovido pela Fassurgs. Na Praça da Matriz, ao longo de toda a tarde, estão prevista atividades culturais.
O dia de mobilização se encerra com um ato na Esquina Democrática, com concentração a partir das 17h.
O ano de 2017 marca o centenário do reconhecimento do dia Internacional da Mulher pela Internacional Socialista. Por isso, esta articulação está sendo chamada de Internacional Feminista. Desde o final do século XIX, a data já era adotada em alguns países como um dia de mobilização pelos direitos das mulheres.Professores do município não cumprirão portaria que altera horário escolar
Professores da rede municipal decidiram hoje em assembleia geral, realizada na Paróquia Pompéia no centro da capital, que não cumprirão o novo cronograma escolar definido pela atual gestão, do prefeito Nelson Marchezan Júnior.
Os professores discordam da alteração feita pela Prefeitura que determinou que, a partir deste ano letivo, que começa nesta segunda-feira, dia 6, sejam cinco períodos de 45 minutos diariamente e, durante as reuniões, os alunos fiquem com o professor auxiliar.
Os professores vão dar início ao ano letivo na data prevista, porém sem cumprir o cronograma determinado pela Secretaria Municipal de Educação.
Antes, os alunos tinham cinco períodos diários de 50 minutos, com exceção da quinta-feira, quando a aula era encerrada às 10 horas para reunião pedagógica.
Após a assembleia, os professores rumaram para a frente do Paço Municipal onde se manifestaram pedindo a revogação da portaria. Simpa (Sindicato dos Municipários de orto Alegre) e Atempa (Associação dos Professores Municipais de Porto Alegre) tem reunião agendada com o Secretário de Educação, Adriano Naves de Brito, no próximo dia 7.
A Smed ainda estuda juridicamente o que pode fazer caso não se cumpra o que foi estabelecido pela portaria.Trump e a xenofobia
João Alberto Wohlfart
Uma das questões relativas à atualidade mundial é a ascensão de Donald Trump à cadeira de Presidente do país mais rico e poderoso do mundo. É preciso questionar acerca do significado desta figura para o contexto mundial e para o cenário político e social da atualidade. Não é por providência divina ou por um acaso que esta figura é hoje presidente dos Estados Unidos, mas o fato está ligado a uma série de fenômenos típicos da atualidade. No presente artigo procuramos expor a ligação deste fato com o fenômeno do ódio cultural e racial tão intenso e tão difundido na atualidade.
Para este novo milênio ainda nos seus começos esperava-se por um caminho capaz de engendrar uma nova humanidade e uma nova sociedade. Nestes tempos de globalização, as relações internacionais, os intercâmbios comerciais e culturais entre os diferentes quadrantes do planeta e a transversalização das questões globais mostram que a globalidade é mais forte que a especificidade das nações. Hoje os problemas e as questões, tais como ecológicas, econômicas e sociais são simplesmente globais, de forma que é difícil pensar num fenômeno meramente local. Do ponto de vista ético e histórico, a multiculturalidade e a interculturalidade superam a lógica de domínio imperial de algumas nações do mundo e de grandes corporações econômicas sobre múltiplas nações e povos.
Nestes tempos de globalização é quase ridícula a divisão territorial entre países em fronteiras rigorosamente delimitadas. As fronteiras sempre foram abolidas por outra lógica no fenômeno das migrações. Muitos povos do mundo foram formados a partir de fluxos migratórios. Um exemplo típico deste fluxo migratório é a imigração alemã e italiana no Rio Grande do Sul, especialmente durante o século XIX. Quem escreve estas linhas também agradece a sua existência em função deste movimento migratório. A própria nação governada por Trump é historicamente formada por intensos processos de imigração. Na atualidade, as fronteiras deveriam ser mais abertas para permitir a livre circulação de seres humanos por outras nações, como um direito fundamental de todos de todos os seres humanos.
Não é por acaso que o povo norte-americano conduziu à Presidência da República Donald Trump. É a expressão de um momento político, social e cultural global que estamos vivendo. Não é apenas no Brasil onde assistimos ao espetáculo de ódios raciais, machismos, homofobias, xenofobias, mas este é um fenômeno mundial. A xenofobia pode ser caracterizada como um sentimento de ódio contra quem é diferente, seja na etnia, na cor da pele, no sexo, na forma de pensar e na expressão cultural. No momento atual, os ódios tendem a criar situações sistêmicas de apartheid social e de maniqueísmo social.
O ódio social é um fenômeno mundial e ele se expressa em vários níveis. Em nível mundial, é um motivo de divisão social e de exclusão social global. Acontece entre blocos continentais, entre nações e no interior de muitas nações e nas relações próximas entre as pessoas. Mas é particularmente um fenômeno global porque incide contra os fluxos migratórios que acontecem em todos os quadrantes do planeta. Não se trata apenas de um sentimento psicológico coletivo, mas com desdobramentos geoeconômicos, geopolíticos, sociais, culturais e religiosos. Vê-se em múltiplos espaços geopolíticos o fechamento de fronteiras para impedir a entrada de seres humanos e de culturas diferentes. Em muitos países surgem tendências políticas, com a formalização em partidos políticos, que tem como viés de atuação o ódio xenofóbico e a negação de outras culturas.
No momento atual, Donald Trump é a personalização política universal da xenofobia. Até se escutou falar da construção de um muro entre Estados Unidos e o México, a ser pago pelo próprio México. O fenômeno se manifesta especialmente na declaração de recusa aos imigrantes provenientes do islamismo. Trata-se de uma tentativa orgulhosa de fechamento econômico, político, social e cultural daquela nação do norte e de negação de outros povos e nações. A xenofobia norte-americana carrega consigo a eliminação de relações geopolíticas bipolares e de transversalidade intercultural, quando aparecem novas formas de dominação econômica. Vê-se em muitos países do planeta seguirem os exemplos do mestre norte-americano nas ações políticas de sistemização da xenofobia.
O fechamento de países ocidentais aos fluxos migratórios de povos orientais pode trazer consequências trágicas para eles mesmos. Seguramente, a nação liderada por Trump e outras que caminham para a mesma lógica, pagarão o preço por manifestações que vêm do próprio oriente. Todos somos cientes de atentados que aconteceram dentro da casa de grandes nações ocidentais, com impactos imprevisíveis. As nações que disseminam a lógica do ódio e expulsam de seus territórios quantos são diferentes, pagarão o preço ao serem odiadas da mesmas forma.
As intensas correntes de ódio que estão se disseminando por todo o planeta, em esferas intercontinentais, continentais, nacionais e locais, carregam consigo a lógica perversa de autojustificação da própria condição cultural, e de consequente negação de quem é diferente. Trata-se da radicalização da identidade e da negação da alteridade, especialmente a étnica e a cultural. Parece que o homem branco de origem europeia optou pelo fechamento em si mesmo e pela negação do que é diferente. Com a Europa “invadida” por todos os lados, com a Alemanha caminhando para uma Islâmia, há reações típicas de ódio político e racial.
No Brasil, a xenofobia já assume configurações sistêmicas. O governo golpista e usurpador, com as suas políticas de diminuição do Estado, esfacelou a nação brasileira e transformou o povo em objeto de ódio. No Brasil, há múltiplas expressões de xenofobia, nas modalidades conhecidas de ódio contra os negros, contra os indígenas, contra mulheres, contra os nordestinos, contra os moradores das periferias, contra as classes mais pobres. A xenofobia é sistêmica ao assumir dimensões de profunda interioridade, pois penetra nos rincões mais profundos da consciência social, e se desdobra em dimensões geopolíticas, econômicas e macrossociais. Uma análise mais aprofundada constata que se trata do ódio de uma classe dominante, numericamente pequena e com gigantesca força de dominação, contra a maioria do povo cada vez mais excluído das benesses do desenvolvimento econômico. Mas o ódio se aprofunda com a interiorização da posição da elite capitalista por parte do povo que reproduz e aprofunda o círculo xenofóbico contra os seus próprios semelhantes. Portanto, o povo negado pelo ódio, interioriza esta condição e se torna capaz de odiar-se a si mesmo, numa autonegação do próprio povo. Esta imensa massa popular é capaz ainda de idolatrar e afirmar os que os negam.
Todos os dias assistimos a fatos novos motivados pela lógica do ódio e da xenofobia. Talvez de forma estratégica, os fatos da vida quotidiana se multiplicam numa tal rapidez para não ser possível assimilar a sua lógica. Enquanto não conseguimos compreender epistemologicamente um fato, outros já se desenrolam aos olhos de forma que nenhum deles é compreendido com profundidade, muito menos é assimilada a lógica global e o cenário completo do mundo atual.
O fechamento das fronteiras proposta por Trump tem tudo a ver com acontecimentos locais. É visível a presença de imigrantes africanos, especialmente senegaleses, distribuídos em múltiplas cidades do Rio Grande do Sul. Na condição de negros e “vendedores ambulantes”, são objeto de violência policial, de cassetete, de prisões e de preconceitos sociais. Fenômenos parecidos são expressão de intolerância social, corporificada nas instituições jurídicas, que perseguem sistematicamente os que são os mais pobres e os mais fracos. O sistema jurídico dá uma legitimidade jurídica às mais variadas formas de ódio social e criminaliza os que são objeto deste ódio.
A xenofobia dissolve a sistemática das relações sociais e transforma a sociedade numa massa de manobra e informe. A tendência é a transformação do povão em objeto de ódio por parte da burguesia dominante. O ódio sistêmico profundamente enraizado na estrutura social é completado com a dissolução por parte de organizações multinacionais e multilaterais globais, internamente legitimada e viabilizada pelo governo golpista e tentáculos de sustentação, do conhecimento, da ciência, da tecnologia e da engenharia brasileiras. Novamente, uma intensa ofensiva contra a educação, o conhecimento e a consciência política tenta rebaixar o povo a uma massa de ignorantes e concentrar toda a riqueza nas mãos da classe dominante. E o ódio social tem ramificações na criminalização dos movimentos sociais e na distribuição de armas entre a população. Priva-se o povo brasileiro de conhecimento e consciência crítica e se dá para ele armas para que faça uso da “legítima defesa”.
Permitir o uso de armas significa permitir matar. Uma arma na mão representa um perigo para matar alguém. E se um mata o outro, e se se mata aquele que matou o outro, todo mundo deve matar todo o mundo e o homem se extingue. Como o povo foi rebaixado à condição de objeto de ódio, é legítimo que ele se mate entre si. As indústrias de armas e o sistema jurídico agradecem. É mais um efeito do fenômeno Trump que aumenta o investimento em armas e em guerras. Neste círculo, o ódio de um grupo dominante contra o povo, nas suas mais variadas formas de expressão, transforma o ódio ao povo pelo ódio do povo em relação a si mesmo. O aumento vertiginoso da violência nos centros urbanos e a multiplicação das mortes é consequência da política de desmonte do Estado e da distribuição das armas.
Na história da humanidade houve intensos fluxos migratórios, motivados por diversos fatores. Basta lembrar a imigração alemã e italiana no Rio Grande do Sul. Isto ainda fica mais complexo quando pensamos nos diferentes movimentos culturais que entram na composição de uma determinada cultura. Os diferentes ódios sociais que configuram a xenofobia representam uma ameaça para a integração social nos diferentes círculos que caracterizam o sistema social.
A xenofobia é um retrocesso antropológico, social e histórico. No momento em que, como humanidade, deveríamos dar passos significativos na constituição de uma sociedade global, eclodem em todas as esferas planetárias expressões intensas de ódio. Novamente, e como nunca dantes, não nos suportamos em nossas diferenças. E nos fenômenos de ódio há uma clara combinação entre a dimensão econômica e social. Os que trabalham para a elite dominante, são odiados pela mesma elite que nega a si mesma na negação da sua diferença.
Marchezan diz que Carris "é uma bagunça" e pode ser privatizada
Se a Carris não se organizar, seu caminho deve ser mesmo a privatização, avisou o prefeito Nelson Marchezan Júnior durante entrevista no programa de Frente a Frente, da TVE que foi ao ar nesta quinta-feira (02) as 22h.
Marchezan respondeu a perguntas durante uma hora e, quando o tema foi a empresa pública de transporte coletivo de Porto Alegre, foi enfático: “A Carris é uma bagunça”.
A empresa está novamente sem diretor-geral e, segundo o prefeito, “apresenta sérios problemas em diversas instâncias”.
Em janeiro, vinte dias após a nomeação, o presidente da empresa, Luis Fernando Ferreira, renunciou ao cargo. Marchezan não explicou as razões da saída de Ferreira. Disse apenas que o ex-diretor preferiu assumir a presidência do conselho da empresa. “Ele irá ajudar a Carris, agora presidindo o conselho.” completou.
Mesmo sem dar prazo para que a Carris comece a dar resultados positivos o prefeito avisou “quando for identificado que a situação é irreversível ela vai sim ser privatizada”.
Desde 2011, a Carris vem apresentando déficit anos após ano. Só em 2016 o prejuízo chegou a R$ 50 milhões.
Na semana passada, o Secretário da Fazenda, Leonardo Busatto, em prestação de contas na Câmara de Vereadores, anunciou que o déficit da Carris previsto para este ano é de R$ 65 milhões.Empresas pedem o dobro da inflação na tarifa de ônibus
As empresas de ônibus já pediram o novo valor da tarifa para 2017: R$4,26. O pedido foi protocolado na última quarta-feira, 1º, na Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e representa um aumento 13,5%, o que representa um reajuste de mais que o dobro da inflação de 2016, calculada em 6,29% (IPCA).
A EPTC já havia apresentado três estudos anteriormente: o primeiro cenário era sem reajuste dos rodoviários, a tarifa seria de R$ 3,95 (aumento de 5,3%). No segundo, o reajuste dos rodoviários, seria de 5,15%, parcelado em duas vezes (em fevereiro e agosto), o valor da passagem passaria para R$ 4,00 (6,6% de aumento). Em caso de reajuste dos rodoviários de 5,15% pago de forma integral em fevereiro, o valor seria de R$ 4,05. (8% de aumento).
O Sindicato dos Rodoviários (Stetpoa) e o Sindicato da Empresas de ônibus (Seopa) acertaram em de 5,5% o reajuste salaria de cobradores e motoristas.
Uma proposta final será encaminhada ao ao Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), órgão responsável pela decisão sobre o preço da passagem e que terá uma semana para definir o valor final.
O governo deve propor a redução do valor pedido pelas empresas e sugerir o fim da gratuidade na segunda passagem.
