Autor: da Redação

  • Uma sociedade sem respeito

    Jorge Barcellos
    Doutor em Educação
    A morte de Marisa Letícia Lula da Silva desencadeou nas redes sociais manifestações que levaram a demissão do neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis, da rede Unimed São Roque e da médica Gabriela Munhoz, demitida do Hospital Sirio-Libanês por divulgar dados sigilosos da paciente. Enquanto que Munhoz divulgou exames privados, Ellakkis afirmou  nas redes sociais “Tem de romper no procedimento. Dai já abre a pupila. E o capeta abraça ela”.  Ambos faltaram com respeito a primeira dama Marisa Leticia. Porquê?
    O primeiro capítulo de No Enxame (Relógio D’Agua, 2016), obra de Byung-Chul Han sobre o sistema digital é intitulado “Sem Respeito”. Para Han, não nos damos conta da mudança radical de paradigma provocado pelo advento do digital e que tem modificado, segundo ele, nossas formas de convivência. Para Han, a modificação mais notável que o digital provoca nas relações interpessoais é a perda do respeito.
    Respeito pressupõe o olhar distante, o contrário do estimulo do olhar  sem distância do digital. Respectare é o contrário de spectare: o primeiro exige uma consideração distanciada, o segundo é o estimulo ao voyeurismo do olhar. ”O respeito é uma condição fundamental da esfera pública. Onde o respeito desaparece, o que é publico decai” afirma Han. As manifestações de Ellakkis e de Munhoz em relação à Marisa Letícia são sintomas da desagregação de nossa esfera pública. Por esta razão nas redes puderam ser vistas demonstrações de repulsa aos gestos na publicação das imagens do Presidente Fernando Henrique recebendo, por ocasião, do falecimento de Rute Cardoso, respeitosas condolências, e, após, reciprocamente, quando o mesmo  consola Luis Inácio Lula da Silva. As postagens mostraram a indignação com o gozo de uma população reacionária com a situação de Marisa Leticia,  essa total falta de distância, que fez com que não houvesse qualquer traço de decoro médico nos protagonistas e em  milhares de comentários desrespeitosos que circularam nas redes.
    Dizemos que o digital “abole as distâncias “ e não nos damos conta de que o efeito disso é justamente lesar o respeito. Nos templos gregos, o espaço do adyton era isolado e separado como técnica para gerar veneração e admiração, respeito pela imposição de uma distância. Esse espaço se perdeu com o advento do digital, Ellakkis e Munhoz fizeram uma exposição pornográfica da sua vida privada e da primeira dama Marisa Leticia. Han lembra que para Roland Barthes, em sua obra “A Câmara Clara”, a vida privada é “essa zona de espaço, de tempo, em que não sou uma imagem, um objeto”.  Ellakkis e Munhoz privaram Marisa Leticia de sua esfera privada ao fazerem seus comentários e divulgando informações a que tinham acesso, transformando-na num objeto para o voyeurismo das massas reacionárias.
    “O respeito está ligado ao nome” afirma Han. Essa cultura da indiscrição que o digital fomenta é antagônica a cultura do respeito, elas são, numa palavra, shitstorms (tempestades de merda) exatamente como vimos nas redes sociais e que incluíram, inclusive, que na sexta feira (3/2), a Corregedoria do Ministério Público de Minas Gerais abrisse uma investigação para averiguar a conduta do procurador da Justiça daquele estado, Rômulo Paiva Filho, que fez uma postagem nas redes sociais torcendo pela morte de dona Marisa Letícia, onde registrou  “Morre logo peste. Quero abrir logo o meu champagne!”.  Incapazes de respeitar o nome de Marisa Leticia, tais manifestações mostram a corrosão de todas as práticas que são nominais: a responsabiidade, a confiança, a promessa, tudo é definido, diz Han, a partir da fé no nome: “o digital, que cinde a mensagem e o mensageiro, a informação e o emissor, destrói o nome”, sentencia o autor de Psicopolitica.
    As injurias de Ellakkis, Munhoz e Paiva Filho foram as que mais alcançaram projeção na tempestade midiática de injúria que cercou os momentos finais da morte de Marisa Leticia. Ela prova que o avanço do digital tem como característica  geração de uma cultura de falta de respeito e indiscrição só possível porque o veiculo dá vazão que ao que o afeto seja objeto de transmissão imediata, ao contrário, por exemplo, das cartas enviadas à redação dos jornais, cuja temporalidade é diferente porque, feitas a mão ou a máquina, são enviadas quando a excitação imediata já se dissipou, afirma Han.
    Outro fator que impulsiona a cultura da falta de respeito e indiscrição promovida pelo digital é ausência de hierarquia entre receptor e emissor. Até agora, esta dissolução era vista de forma positiva pelos analistas, onde cada um é simultaneamente emissor e receptor de conteúdos: para Han essa dissolução é um problema “o refluxo da comunicação destrói a ordem do poder”, afirma. Essa tempestade de injúrias on-line carrega efeitos destrutivos quando há uma erosão das hierarquias. O poder está presente nos meios de comunicação e se manifesta quando o respeito é exercido, quando atribuímos valores morais e pessoais a pessoas e situações. O mundo bipolar das bolhas politicas on-line dividido entre petralhas e coxinhas é um mundo que mina a cultura do respeito,  incapaz que é de preservar valores.  Marisa Leticia foi desrespeitada nas redes sociais por adversários políticos que lhe atribuíram qualidades exteriores que não cabiam no momento em que vivia, adversários que queriam exercer sobre ela o um poder de sua fala, de estabelecer com ela uma relação assimétrica. Mas o respeito não é assimétrico, diz Han, é recíproco, isto é, é baseado numa relação simétrica de reconhecimento: você pode discordar de sua posição politica para valorizar a sua (assimetria), mas você deve ser capaz de reconhecer que ela e Lula merecem respeito num momento de dor pois somos todos …humanos (simetria).
    Essas ondas de indignação que se espalham nas redes sociais, que criticam a tudo e a todos, que abolem o respeito em nome de seu voyeurismo de plantão redefinem a soberania política, afirma Han. Carl Schmitt definiu a soberania como o poder de quem define o Estado de exceção e sua tradução em termos acústicos seria a capacidade de criar o silêncio absoluto, de eliminar todo o ruído, de fazer calar os outros instantaneamente “Depois da revolução digital, teremos de reformular uma vez mais a definição de soberania de Schmitt: “É SOBERANO QUEM DISPÕE DAS SHITSTORMS DA REDE” (Han, p. 18).
    As ondas de indignação que se teceram ao redor de Maria Letícia desejando sua morte foram eficazes na promoção de mobilização e atenção da direita. Seu caráter incontrolável e desrespeitoso, no entanto, deve-nos mostrar sua inadequação ao espaço público na sua incapacidade de conter-se a si própria em respeito a dor. Esta histeria coletiva não admite debate e nem dialógo e por isso deve ser rechaçada do espaço público “não constroem um nós estável que exprima uma estrutura do cuidado do social no seu conjunto”, diz Han.
     

  • "Sou de uma tribo guerreira"

    Matheus Chaparini
    Na década de 1940, um grupo de homens negros criou o que viria a ser a maior atração do carnaval de Porto Alegre durante décadas. Ao longo do tempo, as tribos indígenas tomaram maior importância chegando a principal atração da festa.
    Com fantasias que imitavam tribos indígenas, os grupos desfilavam pelas ruas do centro. Esta manifestação é uma peculiaridade do carnaval de Porto Alegre, que têm parentes semelhantes em cidades como Salvador e João Pessoa.
    Porto Alegre chegou a ter 14 tribos desfilando. Hoje, restam apenas duas: Guaianazes e Comanches. É comum haver rivalidade entre agremiações carnavalescas, mas este é um caso ainda mais emblemático.
    Só há um adversário. Ganhando ou perdendo, a guerra é sempre com o mesmo grupo. Esta disputa que se repete ano a ano é um dos principais combustíveis que mantém vivo o carnaval de tribo em Porto Alegre.
    Quando foram criadas as primeiras tribos, na década de 1940, os desfiles aconteciam na Rua da Praia – que na época fazia jus ao nome. Os blocos entravam pela Caldas Júnior, passavam pelo coreto oficial, que concentrava os jurados, na Praça da Alfândega e a dispersão era na rua General Câmara.

    Desfiles de tribo na década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo
    Desfiles de tribo na década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo

    Hoje, as tribos saem no Porto Seco, junto aos desfiles das escolas de samba. Mas a diferença é visível, sob vários aspectos.
    As tribos não cantam sambas enredo, cantam hinos, com temática indígenas.
    Os instrumentos também se diferem, a bateria da Tribo Comanches, por exemplo, é formada por surdo, maracanã, repinique e agê. A harmonia tem dois cavacos e violões de seis e sete cordas.
    O passo da dança é diferente e as personagens presentes nos desfiles são outras. Não há mestre sala, porta bandeira e rainha, mas cacique, pajé, deusa, feiticeira.
    O ponto alto do desfile é a macumba, uma encenação teatral do tema do ano, que é feita quando a tribo passa pelos jurados.
    Os tradicionais agês, bateria da tribo Comanches, carnaval de 2015 / Luiza Flores
    Os tradicionais agês, bateria da tribo Comanches, carnaval de 2015 / Luiza Flores

    Caetés e Iracemas, o início de tudo
    “O carnaval de índio foi criado pelo Seu Hemetério, um negrão que era amigo do meu pai. Ele criou a primeira tribo de índio: Os Caetés, em 43”, explica Eugenio Alencar da Silva.
    Aos 11 anos, Mestre Paraquedas, como Eugenio é conhecido, ajudou a fazer a primeira alegoria dos Caetés. “O tema era a primeira missa no Brasil. Então era uma oca e uma cruz, que ia deitada durante o desfile. Daí na hora a gente levantava a cruz com uma corda, o padre rezava a primeira missa, vinha o Pedro Alvares Cabral e dizia ‘não tem terra como essa, em que plantando tudo dá!’ e coisa tal…”
    O primeiro desfile de uma tribo foi um sucesso. Entretanto, nem todo mundo podia desfilar: nos Caetés só saía homem.
    Assim, no ano seguinte, surgiam as Iracemas. Uma tribo formada só por mulheres. Sem poder brincar o carnaval na tribo e se dedicando apenas às atividades de bastidores, como a de costureira, elas decidiram assumir todas as funções e criar uma agremiação.
    “Tinha uma senhora chamada Dona Angelina. O marido dela, Seu Adão, trabalhava no Diário de Notícias e saía nos Caetés. Aí a Dona Angelina, a minha mãe, a Dona Constança se uniram e fizeram as Iracemas.”
    Já no primeiro desfile, as Iracemas venceram dos Caetés.
    Mais um ano, mais um carnaval, nova vitória da tribo da mulherada. “No segundo ano, elas vieram afu mesmo. Bom, deixaram os Caetés lá embaixo”, conta.
    Com os dois resultados seguidos, as mulheres forjaram uma mudança na tribo dos Caetés, que deixou essa história de ser tribo só de homem.
    Desfile de tribo no carnaval, década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo
    Desfile de tribo no carnaval, década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo

    Uma relação entre povos historicamente oprimidos
    O discurso do senso comum basicamente define as tribos como um carnaval feito por negros que se vestem de índio.
    A antropóloga Luiza Flores contesta esta abordagem. “Não posso simplesmente dizer: são negros, não são índios.”
    Para a pesquisadora, o que tem de mais importante é pensar como esses carnavalescos estão se relacionando com o conceito de negro e com o conceito de índio.
    Ainda que muitos integrantes não se digam indígenas, há uma relação identitária que é mais profunda que uma brincadeira de carnaval. Entra em questão o conceito de índio.
    Crianças fantasiadas para o desfile de carnaval, década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo
    Crianças fantasiadas para o desfile de carnaval, década de 1970 / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim José Felizardo

    “Tem pessoas da tribo que tem descendência indígena, poderiam se declarar indígena, mas não fazem por ‘n’ motivos. Mas encontram nas tribos, um contato com essa historia indígena familiar apagada. E é um vínculo identitário que não necessariamente passa pelo sangue.”
    O carnaval de tribos foi o assunto do mestrado da antropóloga, defendido em 2013, pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de janeiro), com o tema Os Comanches e o prenúncio da guerra: Um estudo etnográfico com uma tribo carnavalesca de Porto Alegre/RS.
    “Ali tem uma relação entre dois povos historicamente oprimidos, que sempre se encontraram em um processo de resistência. O que fazem as tribos hoje é um processo de resistência”, conclui.
     

  • Sete milhões de trabalhadores não poderão sacar o FGTS

     
    Cerca de 7 milhões de trabalhadores não tiveram depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), incluindo contas ativas e inativas, feitos corretamente por seus empregadores. São 198,7 mil empresas devedoras de depósitos de FGTS, segundo informações da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.
    Com isso, muitos trabalhadores que quiserem sacar o saldo do FGTS de uma conta inativa podem ter problemas. Só em São Paulo, são 52,8 mil empresas devendo depósitos no FGTS de seus empregados e ex-empregados, em um total de R$ 8,69 bilhões em débitos. No Rio de Janeiro, as dívidas chegam a R$ 4,1 bilhões, distribuídos entre 27,7 mil empresas inadimplentes.
    De acordo com a procuradoria, só em inscrições de empresas na dívida ativa, existe um débito de R$ 24,5 bilhões. Contudo, nem todas as empresas listadas entre as devedoras estão inscritas na dívida ativa, ou seja, o valor desse débito é maior. Uma empresa só é inscrita na dívida ativa quando não faz acordo com o Ministério do Trabalho, ou fazer o acordo, mas não o cumpre.
    O rombo nas contas dos trabalhadores poderia ser ainda maior. Entre 2013 e 2016, a Procuradoria da Fazenda conseguiu recuperar R$ 466,9 milhões, efetuando a cobrança junto às empresas.
    Caso o trabalhador verifique que a empresa para a qual trabalha ou trabalhou não fez os depósitos corretamente, ele deve procurar a própria empresa. Outra dica é ir a uma Superintendência Regional do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho. O ministério é o órgão responsável pela fiscalização dos depósitos nas contas do FGTS dos trabalhadores.
    Fonte: Agência Brasil
  • Paim já tem 29 assinaturas para CPI da Previdência

    O Senado instalará uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a real situação financeira da Previdência. Uma lista organizada pelo senador Paulo Paim (PT-RS) já conta com 29 assinaturas.
    O número é maior que o mínimo exigido pelo regimento da Casa para instauração de colegiado dessa natureza, que é de 27 parlamentares, correspondente a um terço do número de senadores.
    Paim quer fazer um “raio X” da situação previdenciária, verificando sobretudo o fluxo de caixa do sistema. “Eles [o governo] dizem que a Previdência é deficitária, mas nós dizemos que é superavitária. Queremos, então, tirar a prova e saber quem são os maiores devedores, além de entender como é a história das fraudes, sonegações e anistias”, explicou o senador.
    A articulação surge no contexto de tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que reforma a Previdência Social e impõe regras mais rígidas para que o trabalhador acesse os benefícios previdenciários.
    A medida tem recebido fortes críticas de segmentos populares, parlamentares da oposição e até membros da base aliada do governo, que se queixam do caráter austero da proposta.
    Para Paim, uma eventual CPI faria com que os diversos pontos do debate sobre a PEC 287 fossem devidamente esclarecidos para a sociedade. “É importante colocar tudo em pratos limpos, com total transparência. Com isso, vamos mostrar que não é preciso fazer essa reforma draconiana, cruel, mais que perversa, que vai atingir principalmente as pessoas de classe média pra baixo”, declarou o petista.

    Coalizão  

    A adesão à lista veio de expoentes de nove legendas, que são PT, PMDB, PCdoB, Rede, PSB, PSD, PR, PPS, PP. O destaque é para a assinatura de quatro membros do PMDB, mesmo partido do presidente não eleito Michel Temer.
    Além do senador Paulo Paim, assinam a lista os seguintes parlamentares: José Pimentel (PT-CE), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Regina Sousa (PT-PI), Paulo Rocha (PT-PA), Fátima Bezerra (PT-RN), Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh Farias (PT-RJ), Roberto Requião (PMDB-PR), Vanessa Graziotin (PCdoB-AM), Reguffe (Sem partido-DF), Angela Portela (PT-RR), João Capiberibe (PSB-AP), Jorge Viana (PT-AC), Lídice da Mata (PSB-BA), Lasier Martins (PSD-RS), Romário (PSB-RJ), José Maranhão (PMDB-PB), Álvaro Dias (PV-PR), Magno Malta (PR-ES), Cristóvão Buarque (PPS-DF), Elmano Férrer (PMDB-PI), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Dário Berger (PMDB-SC), Ivo Cassol (PP-RO), José Medeiros (PSD-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Roberto Muniz (PP-BA).
    Com a adesão de membros da base aliada, o jogo de forças entre governo e oposição em torno da PEC 287 tende a se intensificar nas próximas semanas.
    “O governo está fazendo um terrorismo, inclusive ameaçando senadores para que eles retirem o nome, mas quem não deve não teme. Quem é que tem medo de uma investigação?”, questionou Paim.
    Ele informou que pretende continuar a articulação para angariar um número maior de assinaturas, na tentativa de chegar a 35 ou 40 nomes, e evitar que uma eventual desistência de alguns parlamentares frustre a proposta da CPI. O pedido oficial de instalação da comissão deve ser feito logo após o carnaval.
    Com informações de Agência Brasil e Brasil de Fato

  • Fetag faz manifestações contra reforma da Previdencia

    A chuva  não impediu que mais de 12 mil pessoas saíssem às ruas em Santa Rosa, na quinta-feira(23) para participar da manifestação contra a reforma previdenciária.
    O ato promovido pela FETAG e Macrorregional Santa Rosa ocorreu durante o 7° Grito de Alerta Missões Fronteira Noroeste.
    Há dois dias, na manifestação em Santa Cruz do Sul, outras dez mil pessoas mostraram sua indignação e revolta com a proposta de reforma da Previdência Social apresentada pelo governo federal.
    O presidente da FETAG, Carlos Joel da Silva, destacou que nos últimos dias o Movimento Sindical dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais (MSTTR) mostrou à sociedade gaúcha e brasileira que não aceitará a reforma da previdência da forma como o governo está pretendendo fazer, isto é, retirando direitos dos trabalhadores, conquistados lá em 1988 com a Constituição Federal.
    O governo quer elevar a idade da aposentadoria para 65 anos do homem e da mulher (hoje é 60 anos para o homem e 55 para a mulher) e aumentar o tempo de contribuição da atividade rural em dez anos, passando de 15 anos para 25 anos.
    Além disso, continua Joel, a forma de contribuição igualmente seria modificada. Em vez de pagar 2,1% sobre a comercialização da produção do grupo familiar, passaria a ser mensal e individual, com valor determinado por lei.
    Várias lideranças e parlamentares se manifestaram, entre eles os deputados federais Heitor Schuch, Elvino Bohn Gass, Dionilso Marcon, Pompeu de Mattos, o presidente da Assembleia Legislativa, Edgar Preto, e seus colegas Elton Weber, Jeferson Fernandes, e representantes de Marco Maia e Adroaldo Loureiro, o presidente da FETAR, Nelson Wild, além de prefeitos da região e representações da CTB-RS, CUT, OAB, CPERS, Federação dos Municípios do RS, Comitê Sindical e Popular Contra a Reforma, Sindicato dos Metalúrgicos, Câmaras de Vereadores, entre outras.
    Com informações da Fetag

  • 40ª Romaria da Terra será na antiga Fazenda Annoni

    No feriado de Carnaval, dia 28 de fevereiro, a antiga Fazenda Annoni – símbolo da luta pela Reforma Agraria no Brasil – ,localizada no município de Pontão, no Norte do Rio Grande do Sul, recebe a 40ª Romaria da Terra. O tema será “Romaria da Terra: 40 anos de luta e memória das conquistas” e o lema “Terra de Deus, terra de irmãos”.
    Última edição da Romaria aconteceu em São Gabriel. Foto Leandro MolinaA programação envolve procissão, momentos de debates, integração e espiritualidade, e vai pautar questões ligadas à terra, valorizando o cuidado com a água e o meio ambiente, os pequenos produtores, a agroecologia e a agricultura familiar através da Feira da Reforma Agrária.
    O evento é uma promoção da Comissão Pastoral da Terra (CPT-RS) e conta com o apoio da CNBB Regional Sul III, da Arquidiocese de Passo Fundo e do MST.

    Acampamento da Juventude

    Antes da Romaria, nos dias 26 e 27 de fevereiro,haverá o 12º Acampamento da Juventude da Romaria da Terra, também na antiga Fazenda Annoni. O evento tem como objetivo central resgatar a história da luta pela terra no país além de debater o papel da juventude na atual conjuntura política.
    O Acampamento da Juventude terá espaços de formação com mais de 20 oficinas, plenárias, Celebração dos Mártires e confraternização cultural. Este ano, o evento será norteado pelo tema “Juventude construindo o projeto popular” e terá o lema: “Prefiro morrer lutando do que morrer de fome”, em memória à Sem Terra Roseli Nunes, que foi assassinada durante protesto de agricultores em Sarandi, em 1987, e é símbolo da luta pela democratização da terra no país.
    O evento  contará com as presenças do ex-governador Olívio Dutra e do presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, Edegar Pretto, além de outras lideranças de movimentos sociais.
    Programação da Romaria da Terra
    Quarta-feira, 28 de fevereiro
    7 horas: Acolhida
    9 horas: Início da caminhada – celebração
    12 horas: Almoço partilhado
    15h30: Mística de envio dos Romeiros
    Local: Assentamento Nossa Senhora Aparecida, na área 9 da antiga Fazenda Anonni, em Pontão (RS).

  • Área reservada para Parque Tecnológico pode receber presídio

    Uma área de 25 hectares reservada desde 2004 para um Parque Tecnológico, que não saiu do papel, está sendo avaliada pelo governo Sartori como alternativa para receber um dos presídios que serão construídos no Estado com recursos federais.
    O terreno, localizado em Cachoeirinha, junto ao campus empresarial da Cientec (Fundação de Ciência e Tecnologia, em processo de extinção) abrigaria 30 empresas de alta tecnologia e um laboratório.
    Este foi um dos principais projetos do governo de Germano Rigotto (PMDB), que chegou a anunciar o início das obras do Parque Tecnologico para o final de 2005.
    Agora, o governo gaúcho pretende destinar a área para a construção do terceiro presídio a ser construído com os recursos da repatriação de depósitos no exterior que o governo federal vai transferir ao Estado.
    Do dinheiro repatriado, o Rio Grande do Sul deve receber R$ 65 milhões, dos quais R$ 32 milhões serão destinados a construção de três casas prisionais. As duas primeiras já tem localização definida, em São Leopoldo e Rio Grande.
    O terceiro ainda está em estudo. O secretário Cesar Schirmer chegou a mencionar a possibilidade de fazer a obra em Cachoeirinha, sem definir o local exato.
    A escolha do terreno da Cientec tem-se confirmado pela movimentação no local. Pelo menos três visitas à área foram feitas por técnicos da Superintendência de Serviços Penitenciários.
    A última delas ocorreu em 15 de fevereiro, quando estiveram na área a superintendente da Susepe, Marli Stock, o diretor adjunto Alexandre Micol e o engenheiro Giovani Soares de Oliveira.

    Gerente da Cientec, Guilherme de Souza, acompnha visita de diretores da Susepe /Ana Melo/Divulgação
    Gerente da Cientec, Guilherme de Souza, acompanha visita de diretores da Susepe /Ana Melo/Divulgação

    O projeto do Parque Tecnológico, de autoria do arquiteto Moacyr Moojen Marques, foi escolhido num concurso nacional de arquitetura em  2004. Uma fotografia com a maquete eletrônica no local chegou  a ser publicada nos jornais da época.,
    cientec

  • Energia roubada daria para abastecer uma cidade

    A CPFL, maior distribuidora de energia do país,  está usando a tecnologia para combater o roubo de energia, o famoso “gato”.
    Só no ano passado, a empresa conseguiu recuperar 372 gigawatts-hora, quantidade de energia que daria para abastecer uma cidade de 146 mil habitantes durante um ano.
    No país todo, estima-se que 27 mil gigawatts-hora, ou cerca de 8% do consumo do mercado elétrico brasileiro, são consumidos de forma irregular. São cerca de R$ 8,1 bilhões em prejuízo, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
    No Rio de Janeiro, por exemplo, estima-se que,  se não fossem os desvios, a concessionária poderia reduzir sua tarifa em até 18%, já que o custo do “gato” é repassado aos consumidores.
    Nas áreas atendidas pela CPFL, ao longo de 2016, foram realizadas 290 mil inspeções para identificar desvios de energia elétrica. Nos clientes do Grupo A (empresas), foram 14 mil inspeções e no Grupo B (clientes residenciais), 273 mil.
    A iniciativa contribuiu para que as distribuidoras da CPFL Energia recuperassem 372 GWh de energia, o que seria suficiente para atender o consumo anual de 146 mil clientes residenciais.
    Somente na área de concessão da RGE, no Rio Grande do Sul,  em todo ano passado, foram realizadas 61.866 inspeções. Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi a que concentrou o maior número de vistorias: 8.594.
    De acordo com Dilson Fernando Martins, gerente de Recuperação de Receita, a perspectiva é aumentar o número de inspeções em 27% neste ano.
    “Nossa proposta é ampliar a ofensiva da CPFL para regularizar as ligações clandestinas e acabar com a fraude.” E acrescenta: “O uso irregular da energia traz prejuízos a todos e, por isso, colocamos nossos esforços em combatê-lo e alcançar índices de perdas não-técnicas próximos a zero”.
    Atualmente, o índice de perdas comerciais, como é chamada a energia desviada dos medidores – seja de forma intencional ou por fatores técnicos – gira em torno de 2,5% nas distribuidoras do Grupo. Este é um dos menores índices entre as distribuidoras do Brasil, de acordo com dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).
    Além do uso da tecnologia, a CPFL também intensificou a formação e o treinamento de 300 agentes da equipe de Recuperação de Energia que, trabalhando em conjunto a autoridades policiais, puderam regularizar ligações e impedir a prática de furto de eletricidade, considerada um ato criminoso.
    “Essas inspeções são realizadas em residências, comércios e indústrias. As equipes fazem uma verificação detalhada de todo o padrão de medição, inclusive eventuais desvios de energia elétrica diretamente do sistema da empresa. Também apoiamos e somos apoiados pelas autoridades policiais na identificação de casos mais complexos”, comenta Martins.
    “As perdas comerciais contribuem para tornar a conta de luz mais cara para todos os consumidores. O valor da energia furtada e os custos para identificar e coibir as irregularidades são levados em consideração pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para estabelecer a tarifa de energia em cada área de concessão”, alerta.
    Prejuízo para todos
    Considera-se furto de energia quando há uma ligação direta na rede elétrica sem o conhecimento e autorização da concessionária de energia. São os conhecidos “gatos”.
    Já a fraude ocorre quando o cliente rompe os lacres da sua medição e manipula o consumo no medidor de energia, com o objetivo de reduzi-lo.
    Ambos são crimes previstos no Código Penal e a pena é de um a quatro anos de reclusão. Também são cobrados os valores retroativos referentes ao período fraudado, acrescidos de multa. Quando a fraude ou o furto são descobertos, o responsável pode ter o seu fornecimento de energia suspenso.
    Além do impacto na conta de luz, os furtos e fraudes de energia pioram a qualidade do serviço prestado, prejudicando todos os consumidores. As ligações clandestinas sobrecarregam as redes elétricas, deixando o sistema de distribuição mais suscetível a interrupções no fornecimento de energia.
    A regularização destes clientes não apenas traz cidadania, como também beneficia todos os consumidores com um serviço de melhor qualidade.
    Cidades da área de concessão da RGE onde mais ocorreram inspeções
    Município    Número de inspeções
    Gravataí             8.594
    Caxias do Sul     7.479
    Passo Fundo      3.152
    Cachoeirinha       2.939
    Santo Ângelo       2.507
    Santa Rosa         2.108
    Erechim              1.826
    Taquara               1.260
    Farroupilha          1.152
    Bento Gonçalves   983
    Toda área de concessão  no RS:  61.866
    Como denunciar
    A CPFL criou vários canais de denúncia para casos de fraudes e furtos, por meio dos quais é possível passar as informações sem a necessidade de identificação do denunciante. Confira a seguir:
    ·         E-mail: denunciafraude@cpfl.com.br: esse canal atende as demandas pontuais dos seguintes órgãos: Ouvidoria, Grupo “A”, Agências de Atendimento, dentre outros
    ·         Telefone: Denúncia de Furto de Energia pelo telefone 0800 721 0721, os clientes do Grupo CPFL conseguem denunciar as possíveis fraudes e furtos de energia
    ·         Web: pelo endereço eletrônico www.rge-rs.com.br/atendimento- a-consumidores/produtos-e- servicos/Paginas/denuncia-de- furto-de-energia.aspx
    Sobre a RGE
    A Rio Grande Energia (RGE) é a distribuidora de energia elétrica da região norte-nordeste do Rio Grande do Sul. Originada do modelo de concessão pública para distribuição de energia elétrica em 21 de outubro de 1997, a empresa atende 255 municípios gaúchos, o que representa 54% do total de municípios do estado.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)
     
     

  • Mudança no horário desagrada professores do município

    Tudo começou na terça-feira (21) quando o secretário municipal da Educação Adriano Naves de Brito anunciou mudança na grade do horário de trabalho dos professores.
    No dia seguinte, representantes da Associação dos Trabalhadores em Educação Municipal de Porto Alegre (ATEMPA) e dezenas de professores se reuniram em frente a Secretaria protestando contra a mudança.
    A associação reclama da falta de diálogo. “Estamos desde janeiro querendo uma agenda com o secretário e nunca tínhamos sido recebidos” reclamou uma das diretoras da ATEMPA, Janize Texeira Duarte.
    A Prefeitura alega que a alteração é benéfica pois aumenta em 27,8% o tempo do aluno com o professor. A ATEMPA contesta: “Como vamos ficar mais tempo se vão tirar 30 minutos já no começo do dia”. Janize se refere ao tempo do café da manhã, 7:30 as 8:00.
    Com a mudança os professores não teriam direito ao dia de compensação quando são substituídos pelos professores volantes.
    Após o manifesto, diretores  da ATEMPA e diretores das 56 escolas fundamentais de Porto Alegre estavam reunidos pra discutir os rumos que a classe vai tomar. O ano letivo ainda não começou mas as primeiras divergências entre governo e servidores já.

  • Plano era fugir no carnaval, a obra estava atrasada

    Um plano de fuga em massa do Presídio Central de Porto Alegre foi frustrado pela polícia civil nesta quarta-feira.
    Foi descoberto um túnel de 47 metros, partindo de uma casa da rua Jorge Luís Domingues, número 15, a  cem metros do presídio. A fuga vinha sendo preparada há três meses. A polícia investigava o caso há pelo menos um mês.
    Agentes da 3ª Delegacia e do Denarc invadiram a casa na manhã desta quarta-feira..
    O secretário de Segurança, Cezar Schirmer, foi ao local e fez elogios à polícia. Na véspera, ele disse em entrevista que “na guerra do tráfico, infelizmente os bandidos estão se matando entre eles”.
    O plano do túnel, com venda de vagas para outros que pudessem comprar, pode indicar outra coisa.
    A passagem subterrânea tinha cerca de um metro e meio de altura por pouco mais de  meio metro de largura., iluminação, ventilação e equipamentos para escavação.
    De acordo com a Polícia Civil, o túnel foi encomendado por uma facção criminosa, para possibilitar a fuga de pelo menos 200 presos, mas estariam sendo negociadas fugas de outros presos. Uma  fonte que esteve lá disse ao Já que no Pavilhão B predominam os Manos.
    Pela investigação, a casa foi alugada há aproximadamente três meses para servir de fachada para a obra.
    No local foram  presos sete homens, que trabalhavam como pedreiros, recebendo cerca de mil reais por semana, e uma mulher, cuja participação ainda não foi revelada.
    Alertada por moradores, que desconfiaram do movimento,  a Polícia Civil monitorava a atividades no local, com campanas.
    Nos últimos dias, a movimentação havia mudado um pouco e chegaram eletrodomésticos à casa. A investigação está incompleta, mas o momento era propício para o “bote”.
    Os delegados afirmaram que o plano dos criminosos era intensificar os trabalhos para viabilizar a fuga no carnaval.
    Mesmo que esse fosse o plano, dificilmente seria possível concluir o túnel até o carnaval, que começa sexta-feira.
    Não se sabe com precisão quando começou a obra. Foram escavados 47 metros de túnel, faltaria portanto mais da metade, para chegar até o pavilhão B, onde ficam os  Manos que teriam encomendado a obra.
    Além dos 63 metros para chegar até o presídio, no caminho tinha um muro com alicerce de oito metros de profundidade. O túnel avançava a três metros e oitenta da superfície.
    A polícia estimou que os bandidos investiram R$ 1 milhão na obra, incluindo a compra da casa, o muro alto que foi feito ao redor, e as paredes internas que foram trocadas para justificar a movimentação de material.
    .ATUALIZAÇÃO: Entrevista na manhã desta quinta-feira, o delegado Mario Souza, do Denarc explicou que seria realmente possível concluir o túnel até o carnaval, pois a obra havia vencido o trecho mais difícil e o que restava era terreno mais fácil de escavar. Além disso, a equipe que fazia o trabalho havia sido reforçada  nos últimos dias.