Técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda, que estão auditando as finanças públicas do Rio Grande do Sul concluíram nesta quinta-feira a primeira etapa do seu trabalho.
Foram avaliadas as medidas de contenção de despesas em andamento, além do gasto com pessoal (equivalente a 73% da receita), a dívida com precatórios (R$ 12 bilhões) e o passivo pelo não pagamento do piso nacional do magistérios (R$ 17 bilhões).
Na próxima etapa, serão avaliadas todas as estatais gaúchas, incluindo o Banrisul. O diagnóstico vai embasar as negociações do socorro financeiro da União ao Estado.
A próxima visita de técnicos do Ministério será nos dias sete, oito e nove de março. A equipe deve ser maior e contar com dois grupos, especializados em empresas públicas e Previdência.
No início da tarde desta quinta-feira, em entrevista coletiva, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, afirmou que as primeiras conclusões reforçam as medidas de ajuste adotadas até agora pelo governo.
A avaliação foi confirmada pelo técnico Edelcio de Oliveira. Ele afirmou que o Rio Grande do Sul está mais adiantado do que o Rio de Janeiro, que também busca ajuda do Governo Federal.
Questionado, Feltes voltou a negar a possibilidade de inclusão do Banrisul nas negociações. O Governo do Estado busca, com este plano, a suspensão do pagamento da dívida com a União pelos próximos três anos.
Autor: da Redação
Auditores do Tesouro Nacional vão avaliar estatais gaúchas em março
Balanço do Banrisul: menos crédito, mais calote, lucro menor
Abrindo a temporada de balanço dos bancos, o Banrisul apresentou nesta quinta-feira seus resultados de 2016.
Os números, apresentados pelo presidente Luiz Gonzaga Veras Mota, mostram um lucro líquido de R$ 659,7 milhões no ano.
Uma análise, porém, mesmo superficial, mostra que como todos os bancos, o Banrisul sentiu o aprofundamento da crise econômica em 2016: emprestou 5,2% menos, viu a inadimplência aumentar em mais de 10% e o lucro encolher 14% na comparação com o ano anterior.
Os dados do ultimo trimestre de 2016, no entanto, já mostram uma mudança no cenário: nos tres meses finais do ano, o lucro líquido chegou a 157 milhões. com crescimento de 50% em relação ao trimestre anterior.
Sinal de que a lenta recuperação que se registra na economia já se reflete no desempenho do banco.
Tema inevitável, a privatização do Banrisul como parte do pacote negociado com a União sobre a dívida estadual, foi descartada com firmeza pelo presidente do banco. “O banco não será privatizado. Não tem o que se falar sobre esse assunto, nem cabe especulação”, disse ele. .
REDE DE ATENDIMENTO
Em dezembro de 2016, a rede de atendimento do Banrisul alcançou 1.237 pontos, distribuídos em 536 agências, das quais 491 no Rio Grande do Sul, 30 em Santa Catarina, 13 nos demais estados brasileiros e duas no exterior; 200 postos de atendimento bancário e 501 pontos de atendimento eletrônico, além de 1.448 correspondentes bancários.
Sindicatos querem mais informações antes de discutir as demissões
Matheus Chaparini
“Fomos recebidos de forma muito cordial, mas dura”, assim foi definida a reunião por um dos advogados que integra a frente jurídica que defende os trabalhadores das fundações e da Corag. Do lado de fora, servidores realizavam um buzinaço.
A frente concedeu entrevista coletiva em frente ao edifício do Centro Administrativo após a primeira de uma série de reuniões chamadas pelo governo para discutir a situação dos servidores caso seja confirmada a extinção das fundações e da companhia.
O advogado do Sindicato dos Gráficos, Rômulo Escouto, afirmou que o governo sentou à mesa “dando as extinções e demissões como irreversíveis.” E defendeu que “uma negociação coletiva pressupõe que as duas partes estejam abertas a ouvir.”
As extinções foram aprovadas pela Assembleia Legislativa no final do ano e sancionadas pelo governador José Ivo Sartori em janeiro. Entretanto, a Justiça do Trabalho impediu a demissão em massa dos trabalhadores sem negociação coletiva com os sindicatos.
Após a primeira reunião, advogados que compõe a frente jurídica concederam uma entrevista coletiva em frente ao CAFF
Para os servidores, a situação ainda não está definida. “Temos o caso da Corag que tem contratos em andamento a cumprir”, exemplifica o advogado Antônio Castro, que participa da negociação representando os radialistas.
Os advogados apresentaram um ofício solicitando ao governo uma série de informações relativas à situação de cada funcionários. Quantos são, em que data foram admitidos, se entraram através de concurso ou não, se pertencem à Cipa (Comissão Interna para Prevenção de Acidentes) são alguns dos questionamentos apresentados.
Ofícios semelhantes devem ser entregues a cada reunião. “Sem estas informações, não há como negociar. Responder a estas perguntas é atender ao que define a liminar”, afirmou Antônio Carlos Porto, advogado do Sindicato dos Jornalistas.
Segundo os advogados, o governo se prontificou a levantar informações, mas não se comprometeu a responder a todas as solicitações.
Do lado de fora, servidores realizaram buzinaço
A frente jurídica vai pedir também que as reuniões sejam agrupadas por fundação. As mesas agendadas pelo governo estão divididas por sindicato.
Desta forma, a Fundação Piratini, por exemplo, tem duas reuniões marcadas para hoje: às 14h, com o sindicato dos jornalistas, e às 15h, com os representantes dos radialistas. A ideia dos advogados é fazer uma só reunião com todas as partes.
O Governo do Estado vai se manifestar ao longo do dia, através da Procuradoria Geral do Estado.
Advogada do Semapi e representantes da CUT foram barrados
A advogada que representa o Semapi, Roberta Possebon, foi impedida de entrar no prédio para participar da reunião. Roberta relata que chegou ao local às 9h02, para a reunião marcada para iniciar às 9h.
Ao se identificar no portão, foi avisada de que não poderia entrar pois o número de pessoas já havia atingido o limite. Ela afirma que não houve nenhuma combinação prévia limitando o número de participantes.
“Eu tentei argumentar que o advogado tem que estar onde está o seu cliente, que meu cliente estava lá em cima para uma negociação e que existe uma frente jurídica, da qual eu faço parte”, conta. Das dez reuniões agendada para quinta e sexta-feira, cinco envolvem diretamente o Semapi.
Impedida de acessar a reunião, a advogada ainda tentou entrar por outra portaria, mas novamente o acesso foi negado. Além de ter sido barrada, ela ficou incomodada com a abordagem do funcionário do CAFF, que, segundo ela, chegou a gritar. “Quem lida com pessoas em um prédio público tem que ser no mínimo educado e ele não foi.”
Às 10h03, quando a reunião já havia acabado, a advogada foi chamada pelo mesmo funcionário, que solicitou seu nome completo e informou que ela estava autorizada a subir.
Durante a coletiva, o secretário de comunicação da CUT, Ademir Wiederkehr, pediu a palavra para denunciar que também foi impedido de acessar o prédio. “Fomos barrados. A CUT, que coordena este frente, chamou uma entrevista coletiva, que foi noticiada em quase toda imprensa, e fomos impedidos de entrar para realizá-la”, afirmou Wiederkehr.Governo e sindicatos iniciam negociações para extinção das fundações
Cleber Dioni Tentardini
Governo do Estado e sindicatos iniciam nesta quinta-feira as negociações para a demissão dos funcionários das fundações estaduais que tiveram a extinção aprovada pela Assembleia Legislativa no final do ano.
Ao longo de quinta e sexta-feira, o governo e as direções das fundações se reúnem com cada sindicato no Centro Administrativo Fernando Ferrari. Participarão representantes do Grupo de Assessoramento Especial (GAE) do governo e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
As negociações foram chamadas pelo governo. Em janeiro, a Justiça do Trabalho proibiu o governo de demitir os funcionários das fundações sem fazer acordo com os sindicatos. A decisão liminar, assinada pela juíza Valdete Souto Severo, titular da 4ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, após ação conjunta de uma frente jurídica criada pelos sindicatos.
A determinação afeta a Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH), Fundação Zoobotânica, Fundação de Economia e Estatística (FEE), Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) e Fundação de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan).
Quinta-feira:
9h – Corag – Sindicato dos Graficos
11h – Metroplan – Senge (Sindicato dos Engenheiros)
14h – Fundação Piratini – Sindicato dos Jornalistas
15h – Fundação Piratini – Sindicato dos Radialistas
Sexta-feira:
9h – FDRH – Semapi
10h – Fundação Zoobotânica – Semapi
11h Metroplan – Semapi
14h – Fundação de Economia e Estatística – Semapi
15h – Cientec – Semapi
16h – Cientec – Senge"Saneamento" neoliberal e o desmonte do funcionalismo público
Andre Forastieri
“O Espírito Santo fez o dever de casa. O governador Paulo Hartung saneou o Estado. Equilibrou as contas públicas. É exemplo a ser seguido pelos outros Estados”. No ano passado esse era o discurso dos jornalistas, dos economistas, dos experts. Silenciaram nos últimos dias. Silenciaram também 87 pessoas, assassinadas desde a última sexta-feira.
A violência no Espírito Santo está diretamente ligada aos planos de austeridade impostos pelo governo estadual nos últimos anos. Como o crescimento da violência no Brasil – e do desemprego e do desespero – está diretamente ligada aos planos de austeridade impostos pelo governo federal desde 2014. Quando os arrochos nacional e local se somam, as vítimas se multiplicam.
O que os 10.300 policiais militares do Espírito Santo querem? É a PM com o mais baixo piso salarial do país, R$ 2460,00. A média do Brasil é R$ 3980,00. Eles não têm aumento há sete anos, e há três anos o governo estadual nem repõe as perdas da inflação. Os PMs também reivindicam a renovação da frota de veículos, a melhora das condições do hospital da polícia, e a compra de coletes à prova de bala, que estariam em falta.
É fácil de argumentar que não devia existir Polícia Militar, só civil. Mas vamos deixar isso para lá no momento, e reconhecer que o que os PMs do Espírito Santo pedem não é muito. É muito pouco: salário mais próximo da média nacional e condições mínimas para fazer seu trabalho, que é bem perigoso.
Em vez de negociar com a polícia militar, o governador pediu ao governo tropas do exército. Chegaram lá e tomaram tiros dos bandidos. Vitória segue paralisada, comércio e escolas fechadas, ônibus não circulam. Os turistas fogem das praias capixabas. Os corpos se acumulam no departamento médico legal, que não dá conta de tanta morte. A Polícia Civil está avaliando se adere à greve. E as esposas dos PMs seguem protestando nas portas dos quartéis.
Qual a proposta concreta do governo do Espírito Santo para a PM? Nenhuma. A questão é que se o governador cede aos PMs, terá que ceder aos policiais civis. E depois ao resto do funcionalismo.
O governador Paulo Hartung, do PMDB, começou essa política de arrocho já em 2015. Mesmo tendo os custos com funcionalismo bem abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Naturalmente não faltou dinheiro para outras atividades do governo – desonerações a grandes empresas, obras eleitoreiras etc. Foi louvado, e até considerado um bom candidato à presidência da República.
Tem outra questão. Se o governo começa a ceder às demandas dos funcionários do Estado, daqui a pouco vai ter que ceder às demandas da população que é atendida pelo Estado. Do povão em geral, que precisa de giz na sala de aula e merenda no intervalo, vaga e leito no hospital, paz para ir e voltar do trabalho, e outras coisas simples assim. E isso é exatamente o que os administradores do país, dos estados e das cidades se recusam a nos dar. Não que nada disso seria “dado”, porque que a gente já paga bem caro por isso tudo.
Nos últimos tempos ouvimos muito o argumento de que “o Brasil está quebrado” – o país, os estados, as cidades – o que exigiria medidas duras. “Herança Maldita” que exige cortar na carne, no osso. Nos salários, aposentadorias, direitos.
Na verdade, a conta é outra. O Brasil não está quebrado. O que o Brasil não pode mais se permitir é ter 99% dos brasileiros pagando muitos impostos, e o 1% dos brasileiros mais ricos pagando quase nada de impostos. Nossos milionários pagam pouco imposto de renda como pessoa física, pagam pouco imposto de herança, e como pessoa jurídica pagam também pouquíssimo imposto. Além disso as grandes empresas têm toda espécie de benefícios do Tesouro Nacional. Empréstimos de pai para filho do BNDES e BB, dívidas perdoadas, “desonerações” etc.
Ontem o Espírito Santo já contava 75 assassinatos, depois de três dias de greve da PM. Ontem o Itaú, o maior banco do Brasil, publicou o seu balanço. No ano de 2016, com a maior recessão que o país já viveu, o Itaú lucrou R$ 22 bilhões. Se esse lucro fosse taxado em 50%, ainda assim seria um belíssimo lucro. O que dá para fazer com R$ 11 bilhões? Escola, estrada, esgoto.
Esse é só um de muitos exemplos possíveis. Se o Brasil não der um presente bilionário às empresas de telecomunicações, como quer o governo, também teremos um bom dinheiro para pagar policiais, professores, enfermeiras. É a Lei Geral das Telecomunicações, que está para ser aprovada, e transfere para Oi e outras teles um valor tão grande, que nem se sabe exatamente quanto é. O governo diz que é R$ 17 bilhões, o Tribunal de Contas da União diz que é R$ 105 bilhões…
E por aí vai.
Ainda podemos botar na conta o tanto que se desvia na corrupção, que sabemos não é pouco. E o que se sonega, que sabemos que é muito. Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, a sonegação de impostos no Brasil pode chegar a R$ 500 bilhões por ano. Para você comparar: o Bolsa-Família custa R$ 27 bilhões por ano.
A próxima vítima será o Rio de Janeiro. O estado está para assinar um acordo com o governo federal que inclui um pacotão de arrocho para cima dos funcionários públicos do estado, inclusive policiais. Uma das exigências do governo é a privatização da Cedae, a companhia estadual de águas e esgotos, o que será feita por Pezão, vice de Sérgio Cabral…
As políticas de “austeridade” no mundo todo deram errado e estão dando muito errado aqui também. Em 2017 o Brasil não vai crescer nada. O que o poder público nos oferece são serviços públicos cada vez piores, chegando à insanidade de termos 87 mortos em quatro dias no Espírito Santo.
Na prática, os brasileiros pobres e da classe média sustentam as benesses dos brasileiros super ricos, a mamata dos sonegadores e a sujeira da corrupção. Então falta dinheiro para cobrir as necessidades básicas da população. Se a gente parar de sustentar os ricos, o Brasil equilibra as contas rápido.
E se além disso os ricos passarem a pagar a sua parte, o Brasil rapidamente vai ser tornar… rico.
Vamos encarar a realidade: tem dinheiro de sobra para o Brasil ser um país melhor para todos. Esta é a única pauta que importa, a pauta que precisamos impôr a cada dia, e também a cada nova eleição. Basta cobrar mais imposto de quem pode pagar mais, o que nunca aconteceu. Bater forte na sonegação e nos sonegadores, o que nunca aconteceu. E bater forte na corrupção e nos corruptores, o que começou a acontecer – mas só começou e agora, pelo jeito, parou.
Na prática, o que está sendo feito pelos nossos governantes, e apoiado pelos economistas, colunistas, especialistas, é o contrário do que precisa ser feito. O Espírito Santo de hoje é o Brasil de amanhã. E a próxima vítima é você”.
O que está por trás da dívida dos Estados
J. Carlos de Assis
A praça de guerra e de pilhagem em que se transformou Vitória, no Espírito Santo, é o novo normal da sociedade brasileira.
É a própria expressão da falência dos Estados, dos quais nada menos que 12 viram seu PIB retroceder até 2010, de acordo com a consultoria Tendências citada pelo jornal O Globo.
O que o jornal não diz é o que está provocando essa tragédia econômica e social da qual não se vislumbra nenhuma sinal de recuperação no horizonte. Parece que é obra da ira divina, e não culpa dos homens.
Tenho repetido com frequência que a razão última da crise dos Estados é a dívida que lhes foi imputada pelo Governo Federal. É uma dívida que nunca existiu, pois foi paga na origem pelo Governo Federal em nome dos Estados.
Numa Federação, se a União paga uma dívida do conjunto dos Estados, quem está pagando, em última análise, é o contribuinte lá na base da pirâmide federativa, isto é, no município. Ele não pode ser cobrado duas vezes. E, tendo sido cobrado, os pagamentos indevidos devem ser ressarcidos.
Muitas pessoas tem se perturbado com o fato de que apenas agora, quase 30 anos depois que a dívida dos Estados junto à União foi consolidada, descobriu-se que ela é simplesmente nula.
Expliquei as razões em artigos anteriores, sendo o principal motivo o fato de que, quando a dívida foi constituída, ninguém estava preocupado com sua origem, mas com sua aplicação na forma de superávit primário.
Tenho porém constatado uma razão mais forte. As pessoas deixam-se levar por conceitos contábeis que não se aplicam ao caso.
Na verdade, o que está por trás da dívida dos Estados (e de alguns municípios) são elementos da relação federativa, não de relações contábeis entre entes abstratos.
Do ponto de vista federativo, União, Estados e Municípios se superpõem. É o munícipe, na base da pirâmide, que responde por toda a escala tributária, dividida com os outros dois entes federativos segundo tributos diferenciados.
Quando a União paga uma dívida de Estado ou de Município, ela os está substituindo com dinheiro tirado do contribuinte na base da pirâmide.
No caso, a União não pagou a dívida original dos Estados com tributos, mas com títulos da dívida pública dados aos bancos. Aí a relação federativa fica mais clara. De quem é o débito relativo ao título, se não do cidadão brasileiro em geral?
Se é este cidadão que, em última instância, pagou a dívida assumida pela União, por que cobrar dele novamente como contribuinte estadual? A dívida está paga. A União decidiu pagá-la porque quis, atendendo a pressões do FMI para fechar os bancos oficiais estaduais. Isso é indiscutível.
Cálculos que citei anteriormente demonstram que R$ 277 bilhões a título de prestações da dívida foram pagos indevidamente. Isso deve ser restituído. Se for restituído, digamos, em cinco parcelas de R$ 54,5 bilhões por ano poderia formar a base de um tremendo programa keynesiano de retomada da economia via Estados.
Obviamente, como estamos em depressão e a receita tributária está caindo, seria necessário emitir títulos nesse montante para bancar a restituição. É uma quantia ínfima de títulos em relação ao que se paga de juros.
De fato, a dívida pública no ano passado cresceu nada menos do que aproximadamente R$ 350 bilhões, nove vezes o montante que seria resgatado anualmente aos Estados ao longo de cinco anos.
A diferença é que o dinheiro devolvido aos Estados serviria para investimentos e gastos púbicos essenciais, levando à retomada da economia, enquanto os títulos que o Governo emitiu no ano passado não financiaram gastos na economia real, mas giraram na fornalha da especulação financeira, enriquecendo banqueiros e financistas.
Só existe um obstáculo para a solução da crise financeira dos Estados a partir do reconhecimento da nulidade da dívida, cancelando pagamentos da ordem de R$ 476 bilhões nos próximos anos: a covardia dos governadores em enfrentar o Governo Federal.
Ignorando que a o estrangulamento de seus Estados faz parte de um plano internacional para liquidar o setor público e criar espaço para sua privatização, os governadores se limitam a mendigar em Brasília, vendendo ativos de seus Estados e, em última análise, traindo seus constituintes.
Que saudade de Magalhães Pinto em Minas, Carlos Lacerda no Rio e Ademar de Barros em São Paulo: a federação estaria salva, independentemente de ideologias!Porto Alegre tem primeiro ato contra o aumento da passagem nesta quinta
O primeiro ato contra a proposta de reajuste da passagem de õnibus em Porto Alegre acontece nesta quinta-feira.
A manifestação está sendo convocada pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público. O evento criado no facebook já conta com 2 mil confirmados.
Desde domingo, o Bloco vem realizando atividades diários de panfletagens em diversos locais da cidade.
No final de janeiro, a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), apresentou a proposta de reajuste no valor da tarifa para R$ 4,30, o que representaria aumento de 14,66%.
Já a EPTC apresentou três estudos, com o valor chegando no máximo a R$ 4,05, representando 8% de aumento.
Na semana passada as negociações do dissídio dos rodoviários emperraram. O sindicato das empresas afirmou que não fará nova proposta. Em protesto, os rodoviários realizaram “operação tartaruga”.
O Sindicato das Empresas de Ônibus havia oferecido 5,15% de reajuste, pago em duas vezes. O Sindicato dos Trabalhadores pediu 3,5% a mais e o aumento do vale alimentação de R$ 23,48 para R$ 29,00.Passagem a R$ 4,25 gera protestos e prisões em Curitiba
Desde segunda-feira, a menor tarifa o transporte público de Curtitiba subiu de R$ 3,70 para R$ 4,25. O aumento é de cerca de 15%, semelhante à proposta do Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre.
Na noite de segunda-feira, manifestantes saíram as ruas da capital paranaense para protestar contra o aumento.
O protesto reuniu centenas de pessoas na região central de Curitiba. Foram registradas pixações e vidros de agências bancárias.
A empresa Urbs lançou nota afirmando que uma cobradora foi agredida. A Polícia Militar utilizou balas de borracha e bombas de efeito moral.
A corporação informou que onze manifestantes foram detidos e encaminhados à delegacia. Após assinarem Termo Circunstanciado, todos foram liberados.
Na região metropolitana passagens chegaram a R$ 5,30
O aumento atinge também os moradores da região metropolitana de Curitiba. Estes municípios são divididos em quatro “degraus” e os preços variam conforme a distância para Curitiba. O aumento foi de: R$ 0,55 (1º degrau), R$ 0,50 (2º e 3º degraus) e R$ 0,60 (4º degrau).
Cidades como Campo Magro, Campo Largo, Araucária e Pinhais, por exemplo, fazem parte do 1º degrau. A tarifa destas ficou com o mesmo valor e Curitiba: R$ 4,25. Os municípios de São José dos Pinhais, Almirante Tamandaré e Colombo são do 2º degrau e o valor da passagem, que era de R$ 3,80, passará para R$ 4,30. Piraquara e Fazenda Rio Grande compõem o 3º degrau e a tarifa de R$ 3,90 passará a R$ 4,40. Os municípios mais distantes, Bocaiúva do Sul, Contenda, Itaperuçu e Rio Branco do Sul, integram o 4º degrau e as tarifas de R$ 4,70 passaram para R$ 5,30.R$ 55 milhões foi o valor que a Corag repassou ao governo em 5 anos
Recebemos as seguintes considerações sobre a matéria referente aos resultados financeiros da Companhia Riograndense de Artes Gráficas:
“Caro, está muito boa a matéria, bem legal mesmo. Mas notei algumas imprecisões e queria ver contigo se é possível fazer algumas correções.
Esse valor de R$ 55 milhões não é o lucro obtido no período de cinco anos, mas sim o total repassado da Corag para o cofre único do Estado no mesmo período. O correto seria dizer que a Corag repassou R$ 55 milhões em cinco anos. Da mesma forma, aqueles valores ano a ano se referem aos repasses feitos em cada ano, e não ao lucro. O repasse (pagamento de dividendos ou distribuição de lucros) é calculado e definido no ano seguinte, após a obtenção do resultado financeiro do exercício anterior. Assim, em 2016, a Corag repassou R$ 2,5 milhões ao Estado e em 2015 havia repassado R$ 7,6 milhões.
O lucro é outra coisa. É o resultado da diferença entre receitas e despesas, incluso aí inclusive o Imposto de Renda – e só realizado após o final do exercício financeiro. Em 2015, a Corag registrou lucro líquido de R$ 7,7 milhões (o número confunde, porque é quase o mesmo referente ao repasse realizado no ano). Ainda não temos o resultado de 2016, que deve ser divulgado até abril. Contabilizando receitas e despesas entre janeiro e setembro, porém, temos um resultado positivo de pouco mais de R$ 10 milhões em 2016 – mas isso também não é o lucro, uma vez que ainda há despesas importantes a serem contabilizadas. Após os cálculos do último trimestre de 2016, quando saberemos o lucro do período, será realizada Assembleia de Acionistas e será definido o repasse ao governo do Estado para este ano.
Se houver interesse, posso levantar o lucro líquido dos últimos cinco anos. O dado que tenho à mão é que tivemos um lucro líquido médio de R$ 9 milhões em sete anos. E repassou, em média, por ano, R$ 11 milhões nos últimos cinco anos (justamente porque em anos anteriores não foi repassado todo o lucro; a Corag pode ficar com parte dos lucros para reinvestir, por exemplo).
Outra imprecisão ocorreu por descuido meu: o faturamento total de 2015 foi de R$ 54,5 milhões, e não de R$ 57 milhões, conforme informei no material que havia te passado antes.
Outro ponto que seria importante corrigir é que a decisão que proíbe a demissão e o esvaziamento das atividades da Corag não foi da juíza Valdete, mas do juiz Maurício Schmidt Bastos. A Valdete foi juíza na liminar das cinco fundações da base do Semapi (Cientec, FDRH, FEE, Metroplan e Zoobotânica). A decisão do juiz Maurício está disponível no site do TRT da quarta região: http://www.trt4.jus. br/portal/portal/trt4/ comunicacao/noticia/info/ NoticiaWindow?cod=1418050& action=2&destaque=false& filtros=JURIDICA
Te agradeço mais uma vez pela matéria. Se restarem dúvidas sobre os assuntos, estou às ordens.
Abraço!
Jair Stangler
Arrobamento e roubo de computadores na Fundação Zoobotânica
Cleber Dioni Tentardini
A Fundação Zoobotânica sofreu novo arrombamento. Desta vez o atentado ocorreu na parte administrativa do prédio.
Foi danificada a porta de acesso à sala da Assessoria Jurídica e roubados do local duas CPUs, um monitor de computador e uma impressora.
Recentemente, no dia 18 de janeiro, o serpentário do Museu de Ciências Naturais da Fundação de Zoobotânica também foi arrombado numa tentativa de soltura das cobras.
O diretor presidente da Fundação Luiz Fernando Branco estranha o roubo de computadores apenas na sala do jurídico, já que havia equipamentos nas salas próximas que não foram arrombadas. Além disso são equipamentos de baixo valor comercial.
A Brigada Militar, a Policia Civil e o Instituto de Perícia estiveram no local para registrar a ocorrência e realizar perícia.


