Autor: da Redação

  • Empresas querem aumento de 14,6% na passagem de ônibus em Porto Alegre

    FELIPE UHR 
    Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), calculou em R$ 4,30 o novo valor da passagem em Porto Alegre. O aumento de 14,66% foi apresentado a Prefeitura na última sexta-feira, em uma reunião no Paço Municipal que discutiu o tema.
    As empresas alegaram que o estudo tem como base a licitação realizada em maio de 2015 (Concorrência Pública 01/2015), que regulamenta o serviço.
    Já a EPTC apresentou três estudos: o primeiro cenário, sem reajuste dos rodoviários, a tarifa seria de R$ 3,95 (aumento de 5,3%)
    Com reajuste dos rodoviários, de 5,15%, parcelado em duas vezes (em fevereiro e agosto), o valor da passagem passaria para R$ 4,00 (6,6% de aumento)
    Em caso de reajuste dos rodoviários de 5,15% pago de forma integral em fevereiro, o valor seria de R$ 4,05. (8% de aumento)
    De acordo com a EPTC, o dissídio dos rodoviários foi estimado em 5,15% baseado na projeção do INPC de fevereiro de 2016 a janeiro de 2017.
    Prefeito falou em equilíbrio
    O prefeito prometeu que irá acompanhar o assunto de perto para que seja estabelecido um valor de passagem justo. ” Vamos fazer uma discussão com a sociedade para apontar o que é prioridade, como isenções e benefícios que hoje pesam no valor da passagem” declarou. Segundo a Prefeitura técnicos do TCE ( Tribunal de Contas do Estado) acompanharão desde o início as tratativas para definição do novo valor.
    Rodoviários não aceitaram proposta de dissídio 
    O prazo máximo para a negociação do dissídio se encerra na próxima quarta-feira, dia primeiro e não chegou a um acordo. O aumento de 5,15 % oferecido, na semana passada, pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) foi negado pelo do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo e Seletivos da Capital (StetPoa). O StetPoa quer  variação do INPC mais 3% e vale alimentação de R$ 29.
    Licitação prevê a seguinte distribuição nos itens que compõe a passagem:
    passagem

  • Ano Novo Chinês celebrado na Redenção

    Com uma programação que iniciou as nove da manhã e se estendeu por todo o dia, o Centro Cultural  Chinês celebrou no domingo(28), no Recanto Oriental do parque da Redenção o início do ano do Galo.
    Palestras, meditação e oficinas práticas de Kung Fu e Tai Chi Chuan além da Dança do Leão, foram as atividades praticadas no parque por dezenas de associados.  O diretor do centro, Sérgio Queiroz lembrou que o ano novo chinês é baseado numcalendário lunar, por isso ocorre em datas diferentes.
    Além do Galo, o outro símbolo do ano em curso será o fogo. Para a professora Suzete Queiroz, o período será de otimismo.

  • Semana começa quente com decisão de Carmen Lúcia

    A ministra Carmen Lúcia, presidente do STF, homologou na primeira hora desta segunda feira as 77 delações feitas pelos executivos da Odebrecht na Operação Lava Jato.
    A decisão sinaliza a disposição da ministra de não deixar a Lava Jato ser retardada com a morte do relator, o ministro Teori Zavascki e contraria ministros, como Marco Aurélio Melo, que se manifestaram sobre a inconveniência da medida, em caráter emergencial, pois poderia dar margens a questionamentos.
    As delações agora serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República, mas seguem sob segredo de Justiça.
    O próximo passo agora é a indicação do novo relator da Lava Jato, que é alvo de uma disputa acirrada na cúpula do Judiciário.
    O relator será, ao que tudo indica, escolhido por sorteio, mas ainda não se definiu se apenas entre os cinco ministros da segunda turma, à qual pertencia Teori, ou envolverá todos os ministros do Supremo.
     

  • Pesquisa agrícola tem futuro incerto no RS com extinção da Fepagro

    GERALDO HASSE
    “Eu ainda não consegui entender”, diz a agrônoma Sidia Witter, doutora em apicultura e especializada no estudo da biologia das abelhas nativas brasileiras e, sobretudo, das espécies mais comuns do território gaúcho.
    Formada há 30 anos, ela trabalha desde 2004 na estação de Taquari, uma das 19 bases de experimentação da Fundação de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), uma das nove fundações estaduais a serem extintas pelo governador Ivo Sartori sob pretexto de enxugar os custos da administração pública.
    Em consequência da extinção, junto com o trabalho de Sidia caminham provavelmente para o vazio dezenas de projetos de pesquisa tocados por outros 88 pesquisadores, que mantêm ocupada uma centena e meia de funcionários envolvidos com diversas modalidades de estudo e experimentação agropecuária.
    Todos estão “sem entender” o rumo das coisas na administração pública gaúcha.
    Na secretaria foi criado um “departamento de diagnóstico e pesquisa” onde deverão acomodar-se os funcionários estáveis (concursados) da Fepagro, todos colocados no “quadro de extinção” até que vençam os prazos para que passem ao quadro dos inativos.
    Situação semelhante vivem outros mil funcionários atingidos pela extinção de mais oito fundações estaduais, entre elas a FEE, a Piratini e a Zoobotânica.
    SOBRAM DÚVIDAS
    Na Fepagro, a maioria dos pesquisadores e demais funcionários encaminhados ao abate está lutando para que, de uma forma ou de outra, seus projetos de trabalho tenham continuidade.
    Por enquanto faltam definições e sobram interrogações.
    Em meados de janeiro, depois de diversas assembléias, Associação dos Servidores da Fepagro encaminhou à Secretaria da Agricultura  quatro ofícios sucessivos pedindo esclarecimentos sobre os desdobramentos da medida do governo.
    Por exemplo: “Como será mantido o curso de pós-graduação em saúde animal (34 alunos) cujos professores são os pesquisadores da Fepagro?”
    Outra pergunta: “O que acontecerá com os funcionários que moram em casas da Fepagro nos centros de pesquisa?”
    Seguem-se dezenas de dúvidas cruciais sobre questões funcionais e pessoais.
    A resposta do secretário da Agricultura, Ernani Polo veio de uma vez só no dia 25 (quarta-feira):
    ”Não haverá, neste momento, nenhuma interrupção nos trabalhos que vinham sendo desenvolvidos, principalmente com a migração do orçamento da Fepagro para o orçamento desta Pasta, que possibilibilitará, assim, o custeio das atividades e dos centros de pesquisa”.
    Segundo Polo, antes mesmo da extinção, foram iniciadas conversações com órgãos (como a Capes) que custeiam pesquisas tocadas por técnicos da Fepagro.
    Na realidade, a busca de recursos externos para as pesquisas da Fepagro foi transferida para a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão..
    CENTROS DO INTERIOR PODEM PASSAR PARA EMPRESAS PRIVADAS
    Consta no site da Fepagro que as verbas externas, obtidas mediante bolsas, contratos e convênios, garantem a continuidade de 80% dos trabalhos de pesquisa da Fepagro.
    São recursos extraorçamentários. Em 2016, a fundação tinha um orçamento inicial de R$ 26 milhões e gastou R$ 27 milhões. Este ano, está autorizada a gastar R$ 24 milhões.
    Até agora, a gerência financeira da Fepagro continua operando com a autonomia de sempre. Não se sabe quando a mudança chegará ao prédio da Rua Gonçalves Dias, 570, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.
    Nos bastidores, já se fala que alguns centros de pesquisa do interior estão na mira de empresas particulares. É de seis meses o prazo para executar a extinção da Fepagro e das outras fundações.
    Pela leitura dos funcionários da Fepagro, o problema mal começou a ser analisado.
    A demora se explica, em parte, pela falta de recursos financeiros do governo; outra parte, pelo ineditismo da operação de extinção; e, também, pelo relativo desconhecimento dos operadores da Secretaria sobre a Fepagro — seus objetivos, dificuldades operacionais e mecanismos de sobrevivência num quadro de permanente aperto econômico-financeiro.
    Pela lógica do arrocho, os primeiros locais desativados devem ser aqueles mais distantes da capital, mas o secretário Polo evitou qualquer definição mais precisa.
    Em seu ofício aos servidores da Fepagro, ele diz que “a reestruturação dos centros de pesquisa é um assunto que será analisado quando estiver consolidada a transição na área de pessoal, orçamentária, financeira e contratos, sendo que os critérios serão estabelecidos em momento oportuno”.
    Se o objetivo da mensagem era deixar as coisas no ar, Polo acertou na mosca.
    Em seu questionário sobre o futuro, os funcionários deixaram claro seu temor de que nas próximas semanas, não havendo ações rápidas, possa começar a faltar material para as pesquisas – desde gasolina para veículos até rações animais e suprimentos para a operação de telefones e computadores.
    Como não há precedentes semelhantes na administração pública, o pessoal atingido pela extinção não tem onde buscar orientação ou referências.
    UMA EMBRAPA ESTADUAL COM QUASE 100 ANOS
    Embora não faça propaganda nem apareça em manchetes, a Fepagro mantém um site de alta transparência no qual está explícita a dimensão do seu trabalho de investigação técnico-científica.
    Guardadas as proporções, ela é uma Embrapa estadual que vem dando continuidade às mais antigas estações experimentais gaúchas, criadas no início do século XX para dar apoio aos colonos alemães, italianos, poloneses e japoneses estabelecidos no estado.
    A estação mais antiga funciona desde 1919 em Veranópolis, que começou produzindo sementes para os agricultores. Em outros municípios havia reprodutores a serviço da multiplicação dos rebanhos gaúchos. As estações de Julio de Castilhos e Santa Rosa ajudaram na propagação da soja nos anos 1960.
    O caso da apicultura, em Taquari, berço da citricultura do Rio Grande, é emblemático.
    No site da Fepagro estão anunciadas cinco publicações sobre apicultura. A última delas, Manual de Manejo de Abelhas Sem Ferrão, com 144 páginas, publicada em fins de 2015, leva a assinatura de Sidia Witter, que opera em parceria com pesquisadores de outras instituições como a Embrapa, a Epagri (SC) e a UFRGS.
    As conclusões indicam que as abelhas nativas mais conhecidas – jataí, mandaçaia, manduri, mirim, guaraipo, tubuna e tubiba – são comprovadamente importantes na polinização de vegetais como abóbora, açaí, alfafa, araçá, berinjela, butiá, cacau, café, canola, cajá, cornichão, cupuaçu, girassol, goiaba, guaraná, maçã, maracujá, morango, pimenta, pimentão, soja, tomate, trevo e urucum, entre outras.
     

  • "Colapso das colméias": abelhas nativas podem ser alternativa

    GERALDO HASSE
    A pesquisadora Tereza Cristina Guannini, da USP, junto com quatro colegas (entre eles Vanessa Imperatriz-Fonseca, da Fepagro), publicou no Journal of Entomology um artigo afirmando que, de 141 culturas agrícolas analisadas no Brasil, 85 são dependentes de polinizadores, variando o grau de dependência de 30% a 100%.
    Na maçã, por exemplo, a influência da polinização por abelhas varia de 40% a 90%.
    Segundo Giannini, o valor anual da contribuição econômica dos polinizadores foi estimado em cerca de US$ 12 bilhões — cerca de 30% do valor total (US$ 45 bilhões) das culturas dependentes.
    Metade do valor da “contribuição” estudada viria da soja, planta originalmente pouco dependente da polinização mas que, supostamente, vem aumentando sua dependência em consequência da criação de centenas de variedades híbridas adaptadas a várias regiões do Brasil.
    Tudo isso se atribui basicamente à abelha européia, sem que se saiba, porém, quanto pesam na polinização as abelhas nativas, ditas “sem ferrão” – na realidade, elas têm o ferrão atrofiado –, e outros insetos como as vespas.
    Entre estas está a famosa lixiguana, cujo mel delicioso, consumido em excesso, provocou um porre quase mortal no naturalista francês Auguste Saint-Hilaire (1779-1853), que contou o episódio em seu célebre livro Viagem ao Rio Grande do Sul.
    De fato, ainda se sabe muito pouco sobre o papel das abelhas nativas na manutenção da biodiversidade. Aí está o X da questão apícola no momento.
    SÍNDROME DO COLAPSO DAS COLMÉIAS
    Um fenômeno identificado em 2007, foi definido por pesquisadores como  a “síndrome do colapso das colméias”. A principal característica é o “desaparecimento” das abelhas européias.
    Desde então, os pesquisadores começaram a encarar as abelhas sem ferrão como uma alternativa concreta para a polinização, serviço prestado há décadas pelos apicultores profissionais, que levam seus enxames de abelhas européias para lavouras e pomares. Além de ganhar com o aluguel das abelhas, eles mantêm a produção de mel, pólen e própolis.
    A “síndrome do colapso das colméias” foi detectada originalmente na Europa e nos Estados Unidos, mas está ocorrendo também no Brasil e em outros países.
    Uma das causas hipotéticas é que o problema seja decorrente do uso excessivo de insumos tóxicos nas lavouras. O fato é que uma parcela das abelhas que sai para pastar não volta aos ninhos.
    Supõe-se que percam o senso de orientação. Pode ser que enlouqueçam, como acontece com agricultores contaminados por venenos agrícolas.
    Outra hipótese é que as abelhas estariam se tornando  geneticamente vulneráveis por influência de alguma causa desconhecida.
    Podem até estar sofrendo com as mudanças climáticas – o aumento da temperatura global, por exemplo – causadas pelo acúmulo de gases do efeito-estufa na atmosfera.
    CONSUMO DE AGROTÓXICOS AUMENTOU 700%
    O fato concreto é que desde 2008 o Brasil lidera o ranking mundial no uso dos chamados agrotóxicos. De acordo com a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), nos últimos 10 anos, a utilização mundial desse produto aumentou 93%.
    No Brasil, o salto foi mais do que o dobro (190%), o que elevou para 130 mil toneladas o consumo anual de “defensivos agrícolas”.
    Segundo a Embrapa, enquanto as áreas cultivadas nos últimos 40 anos cresceram 78%, o aumento no uso de agrotóxicos no mesmo período foi de 700%.
    É uma escalada que não se contém nem com leis, nem com campanhas ecológicas. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado brasileiro a criar (em 1982) uma lei de controle do uso de venenos agrícolas, que só podem ser receitados por engenheiros agrônomos.
    Há dois anos, o município de Ijuí foi considerado o campeão mundial no uso de agrotóxicos na lavoura da soja.
    Em dezembro passado, o Ministério da Agricultura suspendeu o uso de 63 fungicidas utilizados para controlar a ferrugem asiática nas lavouras de soja.
    Os apicultores e as abelhas em geral agradecem, mas os brasileiros permanecem indefesos ao consumir alimentos in natura como frutas, legumes e verduras, 70% dos quais chegam aos consumidores como variados graus de substâncias tóxicas empregadas pelos agricultores.
    BRASIL TEM QUASE 2 MIL ESPÉCIES DE ABELHAS
    Fora a gloriosa Apis mellifera, de origem européia, há mais de 20 mil espécies de abelhas nativas no planeta, mas 95% delas são solitárias e muitas delas jamais foram estudadas.
    No Brasil, há 1 676 espécies e as abelhas sem ferrão se concentram  mais nas regiões tropicais.
    No Rio Grande do Sul, totalizam 400, mas apenas 24 espécies de abelhas sem ferrão são conhecidas e, destas, não mais do que sete são razoavelmente estudadas.
    Em seu manual sobre as abelhas nativas do Rio Grande do Sul, Sidia Witter adverte que a espécie guaraipo está ameaçada de extinção devido à destruição das árvores que elas utilizam para fazer os ninhos, ou seja o desmatamento das áreas de ocorrência na Mata Atlântica e de fontes de alimento.
    A carne-de vaca é uma espécie de planta nativa da Mata com Araucária, utilizada pela guaraipo para produzir o valioso mel branco bastante conhecido no nordeste gaúcho.
    Destacam-se a jataí, a mandaçaia, a manduri, a tubuna, a tubiba, a guaraipo e as mirins – oito espécies, três das quais fazem ninhos subterrâneos.
    Em seu “Manual de Manejo de Abelhas Sem Ferrão”, com 144 páginas, publicada em fins de 2015, a pesquisadora Sidia Witter, que opera em parceria com pesquisadores de outras instituições como a Embrapa, a Epagri (SC) e a UFRGS, trata do assunto.
    As conclusões indicam que as abelhas nativas mais conhecidas – jataí, mandaçaia, manduri, mirim, guaraipo, tubuna e tubiba – são comprovadamente importantes na polinização de vegetais como abóbora, açaí, alfafa, araçá, berinjela, butiá, cacau, café, canola, cajá, cornichão, cupuaçu, girassol, goiaba, guaraná, maçã, maracujá, morango, pimenta, pimentão, soja, tomate, trevo e urucum, entre outras.
    Sidia Witter estuda há cinco anos especialmente a bieira, uma das mirins, cujo mel é “uma delícia”. Os méis das nativas são, de fato, diferenciados. Os índios foram seus primeiros consumidores.
    Vem daí, da antiguidade americana, o conhecimento dos hábitos desses insetos fascinantes. Seus méis contêm maior índice de água do que o mel convencional da Apis mellifera. Por isso e por outros detalhes, as abelhas nativas não se enquadram na legislação que rege a apicultura profissional.
    Por suas características peculiares, as abelhas nativas são criadas mais por hobby do que para gerar renda em sítios rurais ou quintais urbanos.
    Sidia Witter fala com carinho de um apicultor de 90 anos que desde criança cria em Turuçu uma espécie de abelha sem ferrão. “Ele ganhou um ninho do pai e hoje tem 300 ninhos…”
    Por aí se vê que a criação de abelhas nativas é uma atividade sentimental que, segundo algumas pessoas, favorece a longevidade dos seres humanos.
    Aos 85 anos, o agrônomo Warwick Kerr, que introduziu no Brasil a abelha africana, dando origem a um híbrido mais vigoroso do que a abelha européia, acredita que a picada das abelhas melhora a circulação sanguínea dos animais que não sejam alérgicos ao seu veneno.
    Uma vez, ele levou 500 picadas de Apis mellifera, passou mal e até perdeu um pouco de sangue na urina, mas ficou imunizado para sempre.
    A CHAVE DA BIODIVERSIDADE
    Segundo a pesquisadora apícola da Fepagro, no universo pouco conhecido das abelhas nativas há um mercado exclusivo cujo principal indicador é o valor de um enxame de jataí: pode variar de R$ 60 a R$ 180, duas a cinco vezes mais do que um enxame de Apis mellifera, domesticada há milhares de anos.
    O mel da jataí é muito apreciado, mas seu uso e seu valor são segredos da culinária doméstica brasileira. Além disso, é preciso atentar para os volumes de produção, que não se comparam aos da Apis mellifera.
    Um enxame de européias (50 mil abelhas) pode produzir 40 quilos de mel por ano. Um ninho de abelhas nativas (2 mil indivíduos) não oferece mais do que um a dois quilos por ano.
    Se não cabe comparar o volume de produção de mel das abelhas profissionalizadas e das abelhas nativas, faz todo  sentido estudar o papel de cada uma delas no aspecto ecológico.
    Como aliadas naturais dos agricultores, todas as abelhas são fieis seguradoras da manutenção da biodiversidade e do equilíbrio do ambiente natural.
    Em seu manual sobre as abelhas nativas do Rio Grande do Sul, Sidia Witter adverte que a espécie guaraipo está ameaçada de extinção devido à destruição do seu pasto preferencial — a pata-de-vaca, vegetal outrora abundante nos Campos de Cima da Serra. Com o néctar dessa planta, as abelhas fazem um valioso mel branco bastante conhecido no nordeste gaúcho.
    Para os consumidores pode não ser uma grande perda, mas para a ciência é um sinal de perigo: o desaparecimento de espécies vegetais em consequência do desmanche de ecossistemas concorre para aniquilar insetos e outros animais que ainda não foram sequer estudados. Entre os atingidos, pode estar o homem.

  • Morreu o jornalista Floriano Corrêa ( Florianão)

    Vítima de uma parada cardíaca, morreu em casa, nesta sexta-feira(27), aos 89 anos, o jornalista Floriano Corrrêa.  Florianão, como era conhecido pelos colegas por causa de sua altura,  1,90 m, trabalhou no Correio do Povo, Rádio Guaíba e na assessoria do Palácio Piratini durante a década de 70. Ele completaria 90 anos em junho e para o mês de maio estava sendo esperado seu primeiro bisneto.
    Sempre ligado na informação  Floriano lia os jornais impressos diariamente  até seu falecimento. Deixou a esposa Líbera Corrêa, dois filhos, três enteados e um neto. sua cremação aconteceu no sábado(28) às 11 horas, no Crematório Metropolitano.

  • Os segredos de Dona Laila

    Cláudia Rodrigues
    Dona Laila não vive mais,  mas deixou na memória de suas filhas e filhos uma lembrança alegre de tempos tristes de enfastio. “Mamãe se esforçava ao máximo para que a comida durasse o mês inteiro, mas não havia jeito, sempre chegava o dia do passeio ao Bosque de Rio Preto. Para nós aquilo era pura alegria, chegávamos famintos da escola e ela já estava com a panela enrolada em um pano dizendo: hoje é dia de piquenique! Esquecíamos a fome e seguíamos debaixo do sol ardente até o Bosque. No Bosque, além de ver os animais, podíamos correr e brincar nos balanços e escorregadores, enquanto ela estendia o pano no chão e começava a moldar bolinhas de arroz que comíamos indo em vindo, numa verdadeira labuta de lava a mão, come o bolinho, brinca mais um pouco, suja a mão, lava a mão, outro bolinho. A água do bebedouro era gelada no ponto, não chegava a doer a testa, mas era muito refrescante, a tarde passava lenta e à noite, muito cansados, era hora do bolinho frito. Ganhava um bolinho a mais quem encontrasse um ovo no quintal para dar liga. Levei anos para desconfiar que só havia arroz, o único alimento que não faltava em casa, além de ovos.
    ClaudiaRodrigues27012017E assim passei a infância acreditando que minha vida era ótima, não nos faltava nada e podíamos ir sempre ao Bosque, passeio que muitos de nossos amigos não faziam porque era passeio de rico. Sobre comprar coisas e comidas prontas, ela lamentava pelos outros: coitados, não olhem, eles não sabem fazer piquenique, ficam com ciúme da gente! Ela era assim, minha mãe, se chovesse ela inventava banho de chuva, se faltava luz brincava de teatro de sombras e quando a coisa encrencava, ela era o Sr Sargentão e nós os soldados enfileirados para entrar no banho um a um. Hoje, quando fico brava com meus filhos por causa de nada, por causa de pressa, eu, uma senhora que tem máquinas e faxineira, uma imagem que me vem é dela no tanque lavando roupa a mão a me chamar: vem cá, criança, vem escutar o barulho que faz essa espuma quando aperto bem e quando aperto menos. Ela era assim, até passeio nos trilhos do antigo trem ela inventava, uma simples pena de galinha nas suas mãos, contra o sol, virava foco de admiração em mil cores. Ela não dava conta de ver a gente triste por causa de uma prova ou qualquer rusga no colégio, então sempre tinha o que dizer, mostrar e nos faz sentir para esquecermos os pensamentos ruins.”
    Dona Laila, na sua simplicidade, buscava uma solução ótima para que a responsabilidade e os problemas da vida de adultos pobres com uma família de sete pessoas não pesasse sobre as crianças. Mais do que isso, fez altas viagens sem sair do mesmo lugar, soube ser sem ter, fez literatura sem escrever, foi artista e poeta sem nunca ter visto o mar, conhecido pântanos, montanhas, cânions ou cachoeiras.
    No seu aniversário de 80 anos os filhos e filhas a levaram para comemorar em um hotel fazenda. Foi a primeira vez dela em um hotel, ficou muito alegre quando subiram um pequeno monte para fazer um piquenique perfeito, de cinema, ideia da filha caçula. Foi lá em cima, com a família toda, todos os filhos, filhas, noras, genros e crianças netas que ela contou, rindo muito, sobre a razão dos piqueniques no Bosque, os banhos de chuva, os passeios sobre os trilhos, o teatro do corte de luz.
    Provocada pela filha mais velha, que a aconselhou a ter uma ajudante em casa e descansar porque teve uma vida dura, Dona Laila fez um pequeno discurso.
    “Vocês acham que um tive uma vida dura, mas eu levei a vida que é minha e ainda levo. Vocês acham que se divertir é só ir para hotel e ficar sem fazer nada, fazer viagens longas para ver paisagens, isso tudo é bonito também, eu vejo nas fotos que vocês mandam, eu vejo agora aqui como tem coisa bonita para ser ver no mundo, mas se vocês somarem as férias de vocês, os feriados e toda vida que eu tive, eu me diverti mais porque a vida minha é eu que faço todo dia e todo dia nasce novinho em folha só para a gente se distrair até a noite chegar. Amanhã de manhã vocês vão estar correndo da vida a postar fotos do dia de hoje sem prestar atenção no dia de hoje de vocês, que é amanhã. Para mim o dia de hoje vai morrer hoje e amanhã eu vou estar lá olhando as galinhas se estão bem e vou ficar tão feliz se nenhuma estiver empesteada, vou lá no fundo do pátio ver se o cacho de banana já está bom, se não estiver vou ficar animada para voltar dois dias depois, se estiver bem bom eu já vou colher e isso vai ser tão alegre. Depois do almoço, em vez de costurar as roupas de madame, como eu fazia quando era jovem para sustentar a casa, vou fazer as roupinhas de boneca para as minhas clientes da feira, as meninas de 8 anos que pedem vestidos de bruxa, noivas e dançarinas espanholas sem jamais reclamar do feitio, só exclamando que tudo é tão fofo e lindo”
    Mamãe, diz o filho mais velho, é que nós nos preocupamos com sua saúde, seu bem-estar…
    “Bem lembrado, gostaria de falar para vocês que qualquer dia eu vou morrer porque a vida acaba e a minha já está no fim, vocês que são doutores e tão inteligentes em matemática devem saber fazer as contas e calcular que uma pessoa de 80 anos já está no fim da vida, então não me venham socorrer com ambulância caso me falte o ar. Me deixem ir, façam um piquenique bem lindo para as crianças, nem que seja com bolo de arroz e prezem por esse tal de meu bem-estar me deixando ir. Se vou subir ou vou descer, isso é preocupação minha de adulta mais velha, não é da conta de vocês para onde vão os que morrem. A função de vocês é distraírem-se do tédio trabalhoso da vida, seja em hotel ou no bosque, aqui mesmo em Rio Preto, na Pindaíba ou em Paris porque em qualquer lugar do mundo haverá uma criança para banhar, alimentar e fazer dormir, nem que essa criança seja cada um de vocês sozinhos por conta própria.
    Então, se acham ruim eu morrer vão se distraindo disso desde já com qualquer coisa melhor para sentir, que pode ser água fria ou água morna, sol ou sombra, a maior das piscinas dos parques aquáticos ou qualquer bacia no pátio porque o poder de sentir boas sensações não depende só da visão, do que aparenta, do que aparece, do que parece, é uma coisa de dentro da pessoa. Querem que eu prove?
    Me digam vocês, que já experimentaram tantas dessas comidas de chefs; quando alguém fala em melhor arroz do mundo, que arroz é que os riquinhos lembram?”

  • Banrisul poderá entrar na negociação da dívida do Estado

    WÁLMARO PAZ
    Na próxima semana continuarão as negociações sobre a dívida do Estado com o governo Federal.
    O ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou ao jornal Valor Econômico que a privatização do Banrisul é uma hipótese que ainda está em análise para que haja a suspensão do pagamento da dívida por 36 meses.
    Os ativos  do Banco e outras empresas estatais gaúchas como a Companhia Rio-grandense de Mineração (CRM), a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e a Sulgás seriam parte das contrapartidas exigidas pela União..
    Em razão dessas notícias as ações do banco subiram  22,5 % em dois dias na Bovespa.
    A importância do Banrisul para a economia gaúcha é imensa, desde que foi criado, em 1928, por Getúlio Vargas – então “presidente” do Estado – para financiar a agricultura sul-riograndense e também para a catarinense. No último balanço anual divulgado, o de 2015, deu lucro de R$ 838 milhões. Não é, portanto, deficitário, longe disso.
    É o 11° banco nacional em valor de ativos e o sétimo entre os de varejo, se não entrarem na lista os bancos de investimento (BNDES, Pactual, Safra e Votorantim). Isso mesmo sendo muito regionalizado, com relativamente poucas agências fora do Sul do Brasil. Seus ativos totais, em março de 2015, somavam R$ 61,4 bilhões.
    O banco já sofreu diversas tentativas de privatização nos útimos anos. Mas a sociedade gaúcha resistiu impedindo-as.
    Já o governo gaúcho nega qualquer possibilidade de negociação do Banco. O Secretário da Fazenda Giovane Feltes, declarou ao voltar de Brasília que a possibilidade de parte do banco estadual entrar na negociação é “zero”.
    Na sexta-feira (27) a Bovespa exigiu explicações da direção do banco sobre esta situação, uma vez que existem ações negociadas naquela Bolsa de Valores.
    A direção do Banrisul não fala sobre o assunto, mas alguns deputados já contam como certa a tentativa de privatização. Gilberto Capoani (PMDB) já lançou até nota que votará contra qualquer proposta neste sentido.
    O presidente da Assembleia Legislativa que assume na terça-feira (31), Edgar Preto (PT), também disse que a votação das emendas acontecerá logo após o recesso. E, embora reconheça que o governo tem maioria para fazer passar qualquer emenda, ele afirmou “ não será fácil”. Lembrou que a Assembleia Ficará aberta ao ingresso de pessoas nas galerias e que mesmo entre a base do governo alguns candidatos ficarão constrangidos para aprovarem a emenda derrubando o plebiscito necessário para a venda das estatais.

  • Clube de Cultura sediou importantes debates do Fórum Social das Resistências

    O Clube de Cultura de Porto Alegre foi um dos principais espaços de atividades durante o Fórum Social das Resistências realizado de 17 a 21 de janeiro. Debates, exibição de filmes e documentários, exposições fotográficas, apresentações artísticas, culturais e venda de livros reuniram centenas de pessoas. O encerramento ocorreu com seminários durante a tarde de sábado e shows musicais do Grupo Alabê Oni e da cantora Marietti Fialho, à noite.

    Para o presidente Mozart Dutra, a cultura é um importante instrumento de resistência e o Clube de Cultura se coloca como um território de aglutinação de movimentos e pessoas num momento de retrocessos locais, nacionais e no mundo.

    “O que ocorreu durante o FSR foi muito mais que debates. As pessoas queriam falar, dar seu depoimento, compartilhar o que estavam passando. Foi uma rede de coletivos e pessoas incrível que trouxe muita energia e vigor. A resistência cultural é uma ferramenta, uma linguagem que chega a todos. O Clube de Cultura sai deste Fórum muito mais musculado e vamos dar continuidade a este processo”, ressalta Carolina Baumann, que integra a nova direção que assumiu em dezembro.

    Contra o desmonte do Estado

    O desmonte do Estado pelos governos atuais, com a extinção de políticas públicas e órgãos ambientais, da ciência e pesquisa, da cultura e pautas de defesa do meio ambiente foram o foco principal dos encontros no Clube. As atividades foram realizadas em parceria com o Coletivo A Cidade Que Queremos, Coletivo Ambiente Crítico, Associação Cultural José Martí, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Movimento Preserva Arado, Cais Mauá de Todos, Rede Minha Porto Alegre e Fórum Justiça.

    Também estiveram presentes membros da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap), representantes dos órgãos e fundações liquidados pelo governo Sartori, bem como dos moradores de áreas de ocupação e dos catadores/recicladores, entre outros grupos ameaçados pelos governos municipal e estadual.

    As pautas incluíram debates aprofundados, com presença de protagonistas que vivenciam os desmontes e articulam resistências nas áreas ambiental, cultural e social. Ocupações urbanas, agricultura urbana, ações judiciais de caráter coletivo se incluem entre os enfoques trabalhados pela sociedade no Clube de Cultura. “Os desafios na área ambiental, as abordagens das mudanças do clima e seus impactos, bem como alternativas para incorporar a equação ecológica na discussão do desenvolvimento, que não seja sua destruição, foram importantes temas dos debates nesta semana. O Clube de Cultura foi um lugar privilegiado para somarmos forças e pautas comuns, discutindo alternativas para frear os ataques da especulação do capital sobre a natureza”, avalia o presidente da Agapan e integrante do Coletivo A Cidade que Queremos, Leonardo Melgarejo.

    A riqueza cultural das fronteiras do Brasil com os países vizinhos também teve espaço na agenda. “O encontro do Fronteiras Culturais foi muito bom, pois rompemos mais uma “bolha” territorial e compartilhamos as nossas linguagens, sonoridades, reflexões, planos e atividades com novas pessoas. Estou muito emocionado com a enorme sincronicidade que encontramos lá no Clube de Cultura”, registra Ricardo Almeida, Consultor em gestão e territórios culturais.

    “A resistência é necessária e o Clube de Cultura cada vez mais se configura como um espaço para formação de consciência de que todo o poder deve ser do povo e devemos resistir sempre. Esses debates são verdadeiros combates, onde vamos construindo um mundo mais humanista e solidário”, destaca Ricardo Haesbaert, da Associação Cultural José Martí.

    A estudante Ana Júlia Ribeiro, conhecida por uma manifestação na Assembleia do Paraná durante as ocupações nas instituições de ensino em 2016, participou dos debates no Clube pelo movimento secundaristas. “A troca de experiências é muito rica num fórum como esse. A união de lutas de grupos diferentes, fortalece a resistência nas lutas individuais e de segmentos específicos”, disse.

    “A reflexão sobre nosso comportamento frente às formas de produzir do capitalismo estiveram presentes no debate sobre agricultura urbana. O resgate da memória e as formas de resistência através das feiras livres, das hortas urbanas e da agroecologia ajudaram nisso. As feiras propiciam formas de aquisição de alimentos saudáveis que transcendem o ato de comercialização. São espaços de socialização, de trocas de saberes e sabores. Atravessaram séculos e continuam vivas fazendo pulsar as nossas cidades.”, lembrou Lucimar Siqueira, da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB).

    Retomada da trajetória

    Criado em 1950 de modo solidário por intelectuais judeus, a maioria comunistas que não encontravam espaço nas sinagogas, foi sede de um grande número de atividades por mais de meio século acolhendo e promovendo atividades intensas, especialmente na ditadura militar, quando muitos deixaram o Clube temendo represálias. O primeiro show de Nei Lisboa ocorreu lá. Também houveram shows de Elis Regina e Lupicinio Rodrigues, bem como peças de Caio Fernando Abreu. O local foi sede de iniciativas como a Cooperativa dos Músicos de Porto Alegre (Coompor), o Teatro Escola de Zé Adão Barbosa, a Editora Deriva, o Ateneu Libertário Batalha da Várzea, a Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino e a redação do jornal Já.

    Um de seus idealizadores e entusiastas, Hans Baumann, faleceu em 2016 com 88 anos. A filha Carolina Baumann dá continuidade a este legado que está sendo revigorado. “O Clube já nasceu como alternativa e está na sua essência a resistência e a diversidade. Estamos revigorados e não vamos parar”, conclui.

    Cinema, fotografia e música

    “Jango” e “Privatizações: a distopia do capital”, de Silvio Tendler; os documentários “1914” e “Brasil um retorno a razão!?”, de Klaus Farina; “Espírito de porco”, de Chico Faganello & Dauro Veras; “Devastação sem compensação”, de Bernardino Furtado; “Requiem for the American Dream”, de Noam Choamsky e “Todo Guantánamo é nosso”, de Hernando Calvo Ospina.

    Também exposição de fotografias de Adriana Epifanio (Rivera Lado B – Rivera, Uruguai), Leandro Abreu da Silveira (América do Sol – Santana do Livramento), Paulo Corrêa (Reflexos das Raízes Africanas – Porto Alegre) e Zé Darci (Baobás do fim do mundo – Pelotas).

    Os debates foram intercalados com shows de Demétrio Xavier, Chito de Mello e Yoni de Mello (Uruguai), Felipe Azevedo, entre outros.

  • Sem Terra desenvolvem permacultura em acampamento

     
    Os acampados do MST em Charqueadas estão construindo uma casa de pau a pique que servirá como depósito de materiais e centro da organização da produção em permacultura na área de 1,5 hectare onde, além dos barracos de lona preta, existe uma grande diversidade de produção.

    agricultor trabalho o barro para fazer casa. Foto: Catiana de Medeiros
    agricultor trabalho o barro para fazer casa.
    Foto: Catiana de Medeiros

    A casa de barro é financiada pelo Fundo Socioambiental CASA e tem o apoio técnico do MST, do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD) e faz parte do projeto Agroecologia, Alimentação Saudável e em Defesa da Vida,. Conforme o agrônomo e ecólogo Antônio Prestes Braga, que acompanha as famílias desde o ano passado, a iniciativa tem o objetivo de gerar consciência ecológica  e renda aos camponeses.
    “Queremos que eles, ao conquistarem os seus lotes, já possam praticar com autonomia a agroecologia e a permacultura, organizando o seu espaço e a produção sempre em harmonia com a natureza”, explica.
    A obra tem formato octogonal e servirá para guardar biofortificantes naturais e ferramentas adquiridas através do projeto, como pá, motosserra, carrinho de mão, furadeira, martelo e baldes. Ela gera  grande expectativa nos acampados e está sendo construída por etapas, desde outubro do ano passado, com base em técnicas que utilizam barro, taquara, restos de madeira e grama seca.
    Oficinas
    Integrando ações do projeto, as famílias participaram de cinco oficinas para estudo do Programa Agrário do MST, visitas em assentamentos de Nova Santa Rita, na região Metropolitana, e à Feira Ecológica do Parque da Redenção, em Porto Alegre. O intuito é apresentar aos agricultores experiências de produção de alimentos saudáveis que estão sendo desenvolvidas, como viveiros de mudas orgânicas, hortas e criação de aves e suínos.
    Os acampados também receberam formação sobre o papel dos animais na agroecologia e a nutrição de plantas a partir de extratos fermentados, que contêm como matéria-prima água da chuva, urtigas, samambaia, cavalinha ou confrei. “Eles precisam compreender que potássio, nitrogênio e fósforo, comuns no pacote do agronegócio, não são suficientes para a boa nutrição das plantas. Elas também precisam de zinco, magnésio, cobre e outros nutrientes para se tornarem resistentes aos ataques do insetos e fungos”, argumenta Braga.
    Segundo ele, o produto será utilizado na horta coletiva do acampamento, onde é produzido batata, milho, couve, alface, temperos verdes e chás aromáticos e medicinais, e também será fabricado pelas famílias para comercialização e, consequente, obtenção de renda.
    “O projeto está cumprindo seus objetivos, principalmente no que diz respeito à geração de consciência. Muitos já pensam em construir casa de barro em seus futuros lotes, e saber que eles querem levar a diante a agroecologia e a permacultura é muito gratificante”, conclui.