Autor: da Redação

  • Temer só para convidados

    Matheus Chaparini
    O presidente Michel Temer deixou Esteio no início da tarde desta segunda-feira com sua comitiva a bordo de dois helicópteros Blackhawk H60L da Força Aérea Brasileira.
    Foi a primeira visita do presidente interino ao Rio Grande do Sul e seu primeiro destino este ano. Temer encerrou seu discurso afirmando que embarcaria em seguida para Portugal. “Entro no avião tranquilo porque sei que o governo vai dar certo porque nós temos o apoio do Rio Grande do Sul”.
    Para que esse apoio pudesse se fazer notar, ao menos dentro do auditório onde ocorria a cerimônia de entrega de 61 ambulâncias para o Samu, uma grande operação teve de ser montada.
    O local escolhido foi o Parque de Exposições Assis Brasil, conhecido como parque da Expointer, em Esteio. Do lado de dentro do portão do parque, apenas convidados e imprensa credenciada pelo Governo Federal.
    No auditório, entre os convidados, o apoio era indiscutível e os apalusos garantidos.
    A cada trecho da fala, Temer citava nominalmente algum apoiador presente no local. Mesmo as iniciativas mais polêmicas do governo Temer, como a PEC 241/55 (“do teto dos gastos”, para o governo, “do fim do mundo”, para a oposição) e as reformas da previdência, do Ensino Médio e trabalhista foram aplaudidas quando citadas na fala.

    Manifestantes boquearam as duas faixas da BR 116 / Matheus Chaparini
    Manifestantes boquearam as duas faixas da BR 116 / Matheus Chaparini

    Antes mesmo de sair de Brasília, Temer anunciou, por meio de entrevista exclusiva à Rádio Guaíba o repasse de R$ 45 milhões para a construção de um presídio federal no Estado.
    O evento estava marcado para 10h30, mas atrasou, pois o presidente decidiu sobrevoar os municípios de Rolante, Riozinho e Maquiné, que sofreram vários danos com as chuvas dos últimos dias.
    No solo, prefeitos e moradores dos municípios, além de integrantes do Governo do estado, aguardavam a descida do presidente para entregar os pedidos de ajuda e quem sabe ver o anúncio da liberação de algum recurso emergencial. Não havia protesto programado.
    Mas o helicóptero presidencial apenas sobrevoou a região e seguiu para Esteio.
    Jornalistas reclamam das exigências para o credenciamento
    Não me convidaram para esta festa nada pobre que os homens armaram para me convencer. De qualquer forma, sem convite, fui atrás do meu credenciamento de imprensa para poder fazer a cobertura do evento.
    O credenciamento precisava ser feito diretamente com o Palácio do Planalto. Ao longo dos últimos dias, desde que a visita foi anunciada, até mesmo repórteres de grandes veículos de comunicação reclamavam nas redes sociais na quantidade de exigências feitas pelo setor de credenciamento do Planalto.
    Alguns mais antigos afirmavam que este grau de exigência vem desde o último mandato de Dilma Rousseff.
    Além de todos os dados básicos como nome, filiação, endereço e número de registro profissional, era exigido, por exemplo, o contrato profissional entre jornalista e empresa. “E no caso de um repórter freelancer?”, questionei. “Não credenciamos freelancers”, respondeu o funcionário do credenciamento, de Brasília. O rapaz explicou que o Planalto cadastra empresas, não jornalistas. Ainda tentei argumentar que o cadastro era individual, mas foi em vão.
    Na tarde da sexta-feira, acreditei ter preenchido todos os requisitos possíveis e solicitei minha credencial. Telefonei logo após as 18h para confirmar, mas ninguém atendia o telefone no setor de credenciamento.
    Às 22h30, já em um momento de folga em casa, recebo um email informando que meu cadastro estava em aberto por falta de documentação. Respondi a mensagem questionando quais documentos faltavam, mas não obtive resposta.
    Após reclamações virtuais e algum tempo lidando com a burocracia, os colegas dos grandes veículos tiveram seu acesso garantido ao evento.
    Impedidos de entrar, sindicalistas protestaram do lado de fora
    Cerca de 150 pessoas foram impedidas de entrar e protestaram do lado de fora / Matheus Chaparini
    Cerca de 150 pessoas foram impedidas de entrar e protestaram do lado de fora / Matheus Chaparini

    Um forte aparato fazia a segurança do gigantesco território do parque. Brigada Militar, Polícia Rodoviária Federal e Exército presentes. Grupos de três ou quatro militares se espalhavam pelo perímetro do local, do lado de dentro das grades.
    Para quem foi impedido de entrar restou o lado de fora, onde cerca de 150 pessoas protestavam, com bandeiras de centrais sindicais como CUT, CTB, NCST e CSP, do Cpers e do Juntos. Quando os manifestantes se dirigiram aos acessos laterais, por onde entravam os convidados, foram dispersados com spray de pimenta.
    Por volta das 11h o grupo bloqueou as duas faixas da BR 116. Houve momentos de tensão entre manifestantes e alguns motoristas mais exaltados, mas sem violência. Na principal rádio do estado, o apresentador repetia o tradicional discurso de que há vários motivos para protestar contra o governo, mas não se pode prejudicar os trabalhadores que estão se deslocando.
    Na pista, um motorista indignado repetia, quase literalmente, a fala do radialista e acrescentava: “aqui não tem político, vocês deveriam protestar na Assembleia Legislativa!”. Ao que um sindicalista respondeu: “mas nós estávamos lá, há duas semanas atrás e também fomos impedidos de entrar”.
    Às 11h40 as lideranças sindicais deixavam o local, Logo em seguida, a rodovia foi liberada.
    Em sua primeira visita ao estado, o presidente entregou 61 ambulâncias, de um total de 340 veículos adquiridos pelo Ministério da Saúde para serem distribuídos pelo país. São 54 unidades de suporte básico e sete de suporte avançado.
    Temer anunciou também a construção de um presídio e a possibilidade de o estado receber um dos cinco presídios federais de segurança máxima que o Governo Federal pretende construir. A possibilidade de receber em solo gaúcho os principais líderes do crime organizado no país foi recebida com efusivos aplausos pelas autoridades convidadas presentes no auditório do Parque Assis Brasil.

  • Marchezan ainda não definiu secretário de segurança de sua gestão

    Nove dias depois de tomar posse e de ter sua reforma administrativa aprovada na Câmara Municipal, o prefeito Nelson Marchezan Júnio ainda não anunciou todos os nomes para o seu secretariado. Faltam quatro pastas:  Secretaria Municipal da Sustentabilidade, Secretaria Municipal do Planejamento e Gestão, Secretaria Municipal de Transparência e Controladoria Geral e Secretaria Municipal de Segurança.
    Dos 10 nomes já anunciados apenas três são partidários,  Kevin Krieger e Ricardo Gomes, ambos do PP e do vereador reeleito Elizandro Sabino (PTB). Dos 4 nomes restantes três devem vir através do ” banco de talentos” criado pela organização Comunitas de São Paulo.
    Confira abaixo os nomes já anunciados:
    Da administração direta
    Secretaria Municipal de Educação: Adriano Naves de Brito
    Secretaria Municipal de Saúde: Erno Harzheim
    Secretaria Municipal de Segurança: ainda sem nome
    Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Fasc e Demhab): Maria de Fátima Záchia Paludo
    Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico: Ricardo Gomes (pp)
    Secretaria Municipal da Sustentabilidade: ainda sem nome
    Secretaria Municipal de Cultura: Luciano Alabarse
    Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (DMLU, DMAE e DEP): ainda sem nome
    Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (EPTC, DMAE, DEP e Carris): Elizandro Sabino (ptb)
    Da administração transversal
    Secretaria Municipal do Planejamento e Gestão (Previmpa e Procempa): ainda sem nome
    Secretaria Municipal da Fazenda: Leonardo Busatto
    Secretaria Municipal de Parcerias Estratégicas: Bruno Vicente Backer Vanuzzi
    Secretaria Municipal de Transparência e Controladoria Geral: ainda sem nome
    Secretaria Municipal de Relações Institucionais e Articulação Política: Kevin Krieger (pp)
    Procuradoria-Geral: Bruno Miragem
     

  • Vizinhos da Cettraliq dizem que mau cheiro acabou

    Quem desembarca do ônibus Vila Farrapos na avenida Frederico Mentz, em frente à sede da empresa Cettraliq já não sente no ar o mau cheiro de que reclamava a população de Porto Alegre até alguns meses atrás. Em meados de maio de 2016, o mau cheiro no ar, na região onde fica a empresa, foi motivo de reclamação por parte de quem mora, trabalha e até mesmo por quem passava de carro por ali.
    Na última semana a Cettraliq, empresa de tratamento de efluentes industriais, anunciou que havia retirado todos os efluentes de sua planta, na Zona Norte de Porto Alegre. Em agosto, a empresa foi interditada pela Fepam, que alegava “emissão de odores fora dos limites da sua planta.” A Cettraliq se diz injustiçada e se defende afirmando que nada foi provado em relação à origem do cheiro no ar ou do gosto sentido na água pela população entre maio e agosto de 2016.
    A direção da empresa reitera que o cheiro pode ser de outra fonte, principalmente  bactérias existentes no lodo do rio ou nos esgotos pluviais. Nesta segunda-feira (9) quando expira o prazo que a justiça havia dado, a empresa apresentará ao juiz um relatório detalhado de todos os paços dados para a a retirada desde agosto, quando paralisou suias atividades até a conclusão da remoção dos efluentes que foram levados para serem tratados em Joinville, Santa Catarina.
    A reportagem do JÁ ouviu os moradores das proximidades da empresa. Logo na chegada, o vizinho mais próximo que encontramos foi um funcionário do estacionamento do shopping DC Navegantes, que é separado da Cettraliq apenas por um muro. O funcionário, que preferiu não se identificar, afirma que o cheiro constante que gerava reclamações parou logo que a empresa teve suas atividades suspensas.
    Entretanto, ele afirma que eventualmente o cheiro retorna, com menos intensidade. Mas não soube relacionar fatores que influenciem nesse retorno do mau odor. Em relação à causa, preferiu não afirmar: “uns diziam que era do rio, outros, que era da empresa aí do lado.” Uma funcionária de outra empresa próxima deu um relato semelhante e afirmou que, no período em que o cheiro era mais intenso, chegava a ser sentido dentro do edifício, mesmo com as janelas fechadas.
    A sede da Cettraliq está localizada no bairro Navegantes, em uma região pouco residencial, com predominância de indústrias. Os vizinhos mais próximos ficam nas ruas aos fundos do DC Navegantes.
    Para vizinhos, o cheiro era da empresa

    Para Elisabete não restam dúvidas: o cheiro era da Cettraliq
    Para Elisabete não restam dúvidas: o cheiro era da Cettraliq

    Elisabete Freitas é moradora do bairro Navegantes há 36 anos. Para ela não há dúvida: o cheiro vinha da sede da empresa. “Era um cheiro horrível, parecia de mofo. Quando embargaram a empresa o cheiro parou”, afirma. Segundo Elisabete, durante algum tempo, o cheiro ainda podia ser sentido em alguns momentos, trazido pelo vento. Agora, diz que a situação está normalizada.
    Elisabete conversava com outros três vizinhos, em frente a um bar, que aparentava fechado ao público. Todos eles afirmaram que o cheiro vinha da sede da empresa.
    O poder público também tem responsabilidade
    Para Marcos Vinicius, a responsabilidade deve ser compartilhada com o poder público
    Para Marcos Vinicius, a responsabilidade deve ser compartilhada com o poder público

    Vizinho de Elisabete, Marcos Vinicius Nascimento mora na rua Beirute, há cerca de 400m da sede da Cettraliq. Para ele também não restam dúvidas da relação entre as atividades da Cettraliq e o cheiro de mofo sentido no ar do bairro Navegantes na metade de 2016. Porém, para ele, a responsabilidade deve ser compartilhada entre a empresa e o poder público. “Se tem órgãos do Estado que tem obrigação de garantir água limpa de qualidade para o povo, eles precisam fiscalizar, se a água é própria ou não. Eu não compro água da Cettraliq, eu compro do Dmae”, afirmou.
    Ainda que acredite em uma relação direta entre a Cettraliq e a má qualidade da água, o mau cheiro do ar, Marcos Vinicius discorda da punição sofrida pela empresa. “Fecharam uma empresa, que deve ter 20, 30 funcionários, sem comprovar nada. E a empresa tinha licença”, afirma.

  • Manifesto de notáveis pede que Sartori suspenda extinção de fundações

    Uma “carta aberta” de cientistas, intelectuais e artistas será divulgada  nesta segunda-feira, 9,  apelando ao governo do Estado, para que sejam suspensos os procedimentos para a extinção das nove Fundações estaduais, incluidas no pacote de ajuste fiscal aprovado pelo legislativo ano final do ano passado.
    Eles  pedem  que “se estabeleça um fórum de diálogo e negociação, com representantes das organizações da sociedade civil e especialistas das áreas de conhecimento científico, tecnológico e cultural”.
    Dentre os signatários da Carta estão os ex-reitores da UFRGS Carlos Alexandre Neto e Hélgio Trindade, cientistas e professores como Ivan Izquierdo, Pedro Dutra Fonseca, Maria Beatriz Luce e Luis Osvaldo Leite, escritores como Luis Fernando Veríssimo, Sérgio Faraco, Armindo Trevisan, Luis Antônio de Assis Brasil, Luis Augusto Fischer, além de artistas como Nei Lisboa, Zorávia Bettiol e Jorge Furtado.
    Para o grupo, “é necessário negociar com todos os segmentos que expressem a diversidade de posições existentes na sociedade, com o objetivo de formular alternativas exequíveis e profícuas para a superação da crise do Estado e o desenvolvimento do Rio Grande do Sul”.
    A Carta, endereçada ao governador e o vice, será primeiramente entregue a um representante do governo e terá um lançamento público no Chalé da Praça XV, às 18 hs, na segunda (09).
    O texto é contundente quanto aos prejuízos para o patrimônio cultural e científico do Estado, caso o governo dê curso aos processos de extinção.
    “Extinguir Fundações de pesquisa, de planejamento e de cultura, como é o caso de FEE, FDRH, FZB, FEPAGRO, CIENTEC, FEPPS, METROPLAN, FIGTF, Piratini (TVE e FM Cultura), significa muito mais do que fechar os 1.200 postos de trabalho e, assim, diminuir despesas: os senhores e a população bem informada sabem que, com essas Fundações, se vai parte fundamental da possibilidade de desenvolvimento científico, tecnológico e cultural do estado. Sem elas, surgirão despesas novas, porque tanto o governo atual quanto os futuros inevitavelmente precisarão contratar empresas que prestem os serviços queelas hoje realizam”.
    Os signatários cobram ainda mais transparência no debate e nas ações pensadas para superar a crise financeira do Estado.
    “Os motivos orçamentários apresentados são frágeis para justificar uma ação tão radical. Com essas demissões e extinções, economizam-se cerca de 189,2 milhões, segundo dados divulgados pela imprensa, o que representa apenas 0,69% do orçamento do poder Executivo realizado em 2016, de acordo com os dados oficiais do Porta Transparência RS. A sociedade gaúcha tem o direito de receber dos senhores, de forma transparente, a explicitação completa da situação financeira do Estado. Por que não fornecer o conjunto dos dados sobre as isenções fiscais e por que não responder à Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público Estadual e determinada pela 7ª Vara da Fazenda Pública em 28/11/2016 para a divulgação desses dados?”, questionam.
    Por fim, os autores do pedido de negociação destacam a grandeza em recuar e construir coletivamente decisões tão impactantes: “A grandeza e a biografia dos senhores como gestores públicos, neste momento, estão na aceitação do lado justo e democrático da equação política – o lado das informações transparentes, do debate público qualificado e da negociação das decisões que se mostrarem melhores para o Rio Grande do Sul”.

  • Papa sugere que mães amamentem seus filhos em cerimônia na Capela Sistina

    O papa Francisco sugeriu as mães a não hesitar em amamentar seus filhos em público até mesmo na Capela Sistina durante a cerimônia de batismo que conduziu neste domingo. Ele batizou 28 crianças neste domingo de manhã: 15 meninos e 13 meninas como acontece algumas vezes por ano.
    Como algumas crianças chorassem , Jorge Bergoglio sugeriu: “a cerimônia é um pouco longa, alguém pode chorar porque está com fome. Se é assim, vocês, mães, devem dar o peito, sem medo, em toda simplicidade. Como a Madonna amamentava Jesus”.
    A atitude do Papa foi contra o protocolo do Vaticano e o de muitas outras cerimônias oficiais.
     
    /com informações da Rádio Vaticano
     

  • Filho de Jango lança livro com memórias do exílio

    João Vicente Goulart tinha sete anos de idade quando na madrugada de primeiro de abril de 1964,  foi levado às pressas para o Uruguai. Ele, a mãe Maria Teresa e a irmã Denise levaram apenas a roupa do corpo para o avião que os retirou do país.
    A infância e a adolescência foram no exílio, Uruguai, em Londres, na Argentina. Só voltaria ao Brasil em  1976, para enterrar o pai.
    Este é o conteúdo do livro lançado nesta terça-feira,10, na Livraria Cultura, com a presença do autor, às 19 horas.

  • Leituras na praça celebram o Dia do Leitor em Porto Alegre

    Acontece desde as 10 horas da manhã a I Jornada de Leitura para celebrar o Dia do Leitor, 7 de janeiro. É a primeira vez em Porto Alegre que os leitores se mobilizam para celebrar o seu dia.
    A idéia partiu do jornalista Ayres Cerutti, dois dias antes, via rede s sociais. Ganhou adeptos rapídamente. Por volta de meio dia deste domingo havia  cerca de 40 pessoas que se sucediam fazendo leituras junto às estátuas dos poetas Carlos  Drumond  de Andrade e Mário Quintana.
    O evento encerrou às 19 horas de sábado, com uma homenagem ao jornalista Danilo Ucha.

  • Parque Itapuã reabre após nove meses

    A Praia das Pombas, no Parque Estadual de Itapuã, em Viamão, será reaberta para visitação pública nos fins de semana a partir deste sábado. A praia tem capacidade para receber até 350 pessoas. O acesso às outras duas praias do parque, de Fora e da Pedreira, ainda não estão liberados. O anúncio foi feito pela Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema), que trabalha para viabilizar o acesso do público às demais praias do parque ainda neste verão.
    Nos últimos nove meses o parque esteve fechado á visitação do público em razão do descumprimento de cláusulas contratuais pela empresa terceirizada de manutenção e limpeza, o que terminou em rescisão contratual. As demais atividades realizadas na unidade de conservação, como fiscalização, manejo, licenciamento, pesquisa, reuniões do conselho do parque, aulas de campo de universidades e educação ambiental, seguiram ocorrendo normalmente.
    Para receber os banhistas, a Sema providenciou a recolocação de placas, a manutenção e a limpeza dos quiosques e das churrasqueiras, a manutenção e a limpeza de banheiros e de acessos, além da poda de árvores e de roçadas.
    Ingressos podem ser comprados antecipadamente
    A novidade nesta retomada é a venda antecipada de ingressos, que podem ser adquiridos na sede da Sema (avenida Borges de Medeiros, 261, Edifício União, 1º andar), em Porto Alegre, sempre às quartas-feiras, das 9 às 12h. Crianças de até nove anos são isentas do pagamento.
    O ingresso custa R$ 6,77, mas, a partir de 23 de janeiro, passará para R$ 7,22.

  • Porto Verão Alegre começa com homenagem a Caio Fernando Abreu

    Começa neste sábado a maior programação cultural do verão portoalegrense. Com 67 espetáculos, nove a mais do que no ano passado, o Porto Verão Alegre vai até o dia 19 de fevereiro. A edição deste ano será aberta com a peça Caio do Céu, uma homenagem ao escritor Caio Fernando Abreu. O espetáculo mistura música ao vivo, imagens projetadas e interpretações da atriz Deborah Finocchiaro e do músico Fernando Sessé.
    Caio do Céu será apresentado neste sábado, às 21h no Theatro São Pedro e terá tradução para Língua Brasileira de Sinais (Libras). A peça também pode ser assistida no domingo, no mesmo local e horário e nos dias 01 e 02 de fevereiro no Centro Histórico-Cultural Santa Casa.
    O Porto Verão Alegre surgiu em 2000, em uma conversa entre João França, Rogério Beretta e Zé Victor Castiel em uma mesa da Lancheria do Parque. NA primeira edição, eram seis peças em seis espaços. A programação da edição 2017 terá 31 espetáculos inéditos no festival, sendo oito estreias.
    O festival conta ao todo com nove espaços para receber as peças: o Theatro São Pedro (Pça. Mal. Deodoro, s/nº), o Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75), o Instituto Ling (João Caetano, 440), o Teatro de Arena (Borges de Medeiros, 835), o Teatro da AMRIGS (Ipiranga, 5311), o Teatro Novo DC (Frederico Mentz, 1561), o Teatro Renascença e a Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307), e o Teatro do Sesc (Alberto Bins, 665).
    Os ingressos estão à venda antecipadamente por R$ 30 nos locais credenciados ou pelo site. Na hora, custam R$ 40. Visando a universalização da cultura, a organização do festival vai doar para instituições carentes ou não governamentais 3.900 entradas e, além da apresentações nos palcos, as quais se estendem até o dia 19 de fevereiro, o evento terá atrações de literatura, cinema e psicanálise e artes visuais.
    A programação completa está disponível no site do Porto Verão Alegre.

  • Por que o “governo” do Sr. Michel Temer não tem tutano para enfrentar a crise penitenciária

    Eugênio José Guilherme de Aragão – Subprocurador-Geral da República e Professor Adjunto da Universidade de Brasília, foi Ministro de Estado da Justiça no governo legítimo de Dilma Vana Rousseff.
    Com golpe ou sem golpe, um fato é certo: a crise do sistema penitenciário brasileiro vem de longe e não pode ser debitada exclusivamente à conta desse “governo” que se instalou no poder depois do afastamento maroto da Presidenta legitimamente eleita, Dilma Vana Rousseff. Mas outro fato também é inegável: o tal “governo” não tem minimamente condições de lidar com esse problema. A razão é simples: a crise não se resolve “no pau”, como querem os brucutus sob o comando de Alexandre Moraes, e nem com fiscalização dos administradores penitenciários por juízes, com poderes pretensamente delegados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como quer sua presidente, Ministra Carmen Lúcia.
    Isso é bem Brasil pós-golpe. Quando surge uma crise que causa comoção pública, a solução proposta é simples: mais “pau”, seja na forma de violência bruta ou na forma de mais poder de polícia. Políticas públicas, nem pensar! Desqualificam-nas como “coisa de petista gastador e incompetente”. Também, pudera! Os órgãos que poderiam formular essas políticas ou foram liquidados, ou foram desempoderados, com a alocação dos seus recursos para outras áreas. Menos Estado só pode levar à incapacidade da gestão pública para prevenir tragédias como as que tiveram lugar no Amazonas e, agora, em Roraima.
    Nesse contexto, não pode deixar de ser lembrada a brilhante ideia do Sr. Alexandre Moraes, de desviar os recursos do fundo penitenciário para o Plano Nacional de Segurança Pública, desafiando decisão do Supremo Tribunal Federal de agosto de 2015, que determinou a aplicação urgente desses recursos, para pôr cobro ao “estado de inconstitucionalidade” vigente nos presídios. Esse propósito foi, por sinal, reforçado em 26 de abril de 2016, por meio de acordo de cooperação técnica entre o CNJ e o Ministério da Justiça, assinado, respectivamente pelo Presidente do CNJ de então, Ministro Ricardo Lewandowski, e o Ministro da Justiça à época, que era este que ora lhes escreve. Nos termos do acordo, ainda vigente, compete ao CNJ avalizar qualquer aplicação dos recursos do fundo penitenciário, por via de nota técnica. Não há notícia de que o colegiado de controle tenha se manifestado sobre o pretendido desvio de finalidade. Mas isso é só um detalhe, como tudo no “governo” que se instalou no poder. E talvez a atual Presidente do CNJ nem esteja a par desse detalhe!
    Mas, vamos lá. A reação governamental nestes dois episódios trágicos do descalabro administrativo em nosso sistema penitenciário foi vergonhosa. O Sr. Alexandre Moraes logo achou um meio de afastar de si o cálice de vinho tinto de sangue. Culpou, primeiro, o governo do Amazonas pelo “acidente” (o Sr. Michel Temer insistiu muito no uso dessa palavra) em Manaus e, depois, constatando que, ali, o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) é administrado pela obscura empresa “Umanizzare”, preferiu colocar a tragédia na conta da iniciativa privada. Claro que a “Umanizzare” reagiu prontamente, advertindo, em nota pública, que a segurança do complexo não era sua atribuição contratual, que se restringiria, grosso modo, ao “catering” diário. A segurança, disse a empresa, era de competência do executivo estadual. O governador do Amazonas, por sua vez, adotou discurso cínico. Como a sacudir os ombros, declarou que “não tinha nenhum santo entre os presos mortos”.
    No caso de Roraima, o trato mais ou menos burocrático foi o mesmo. Curiosamente não se ouviu um pio da Secretaria Especial de Direitos Humanos, tão cúpida em defender o congelamento de recursos orçamentários para investimentos sociais para os próximos vinte anos diante da Comissão Americana de Direitos Humanos. Houve referências, pelo Ministério da Justiça, a recursos que seriam transferidos para os estados, destinados à construção de novas penitenciárias, como se isso resolvesse a situação de premência experimentada pelo sistema. A governadora declarou que havia solicitado, em novembro passado, o apoio do governo federal e o uso da Força Nacional em Roraima, em caráter de urgência, para fazer face aos sérios riscos que vinha enfrentando na gestão do sistema penitenciário local. O Sr. Alexandre Moraes, mais uma vez, tentou tirar o corpo fora e afirmou que nada havia sido solicitado para o sistema penitenciário e, sim, tão-somente, para a segurança pública. Que vexame! A governadora foi obrigada a tornar pública sua missiva ao Sr. Alexandre Moraes, bem como sua resposta negativa, dada por escrito (Aviso n.º 1636/2016-MJ). Mentira tem pernas curtas e o nariz de Pinóquio cairia bem ao “ministro da [in]justiça”.
    É deplorável a atitude dos que insistem em ser nossos governantes, mesmo sem voto e apoio da sociedade. E não causa menos náuseas o comentário cínico do governador amazonense. Empurrar a responsabilidade para outros e sequer ser capaz de um ato de humanidade para com os entes queridos dos cerca de noventa brasileiros assassinados em Manaus e Roraima às vistas grossas do poder constituído é de uma covardia sem igual. É verdadeira atitude de “hit and run”, coisa de moleque que bate no carro alheio e sai fugindo. A opinião pública espera até agora um gesto de humildade do “governo”, reconhecendo sua falta e propondo a indenização dos familiares. Ou, será que vão deixar por isso mesmo, que nem o moleque que bate no carro alheio? Será que os familiares vão ter de invocar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que nem no caso de Urso Branco, de impacto bem menor? Deve ser lembrado ao “governo” – e a Sra. Flávia Piovesan, que aceitou decorar a Secretaria Especial de Direitos Humanos, bem como o embaixador de trinta e um anos de carreira, cheia de méritos próprios, Silvio Albuquerque, sabem muito bem disso – que, já agora, não há sequer necessidade de esgotamento dos recursos domésticos para provocar a Comissão em Washington. A repetição de tais tragédias de mesmo formato e dinâmica configura uma prática administrativa abusiva por parte do Brasil, que indica serem as vias judiciais e administrativas internas ineficazes (art. 46 da Convenção Americana de Direitos Humanos).
    Aliás, convém lembrar ao Sr. Alexandre Moraes que, do ponto de vista da responsabilidade internacional do Estado brasileiro, é absolutamente irrelevante se a violação a direitos consagrados consuetudinariamente ou em tratados tenha partido do governo central ou de agentes de governos periféricos, como estados e municípios. Para o efeito de responsabilização, o Estado é um monólito e sua organização interna, unitária ou federativa, não interessa ao direito internacional. Aqui a Convenção Americana contém até uma cláusula expressa: o art. 28, em seu parágrafo (2), estabelece que “[n]o tocante às disposições relativas às matérias que correspondem à competência das entidades componentes da federação, o governo nacional deve tomar imediatamente as medidas pertinentes, em conformidade com sua constituição e suas leis, a fim de que as autoridades competentes das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o cumprimento desta Convenção”. Em outras palavras: vire-se o governo federal para fazer os estados cumprirem com as obrigações internacionais assumidas pela diplomacia nacional! Transferir a culpa ao governo estadual pode até aliviar a consciência do chefe do grupo que se assenhorou do poder em Brasília, mas é tapar o sol com a peneira, pois nada resolve, do ponto de vista jurídico.
    Quanto ao cinismo do governador do Amazonas, sequer mereceria comentários. O Sr. José Melo adotou a linguagem do esquadrão da morte. Para ele, bandido bom é bandido morto. Um Estado que faz da execução sumária de indefesos sob sua custódia um instrumento de política de contenção de crimes é mais criminoso do que aqueles que pretende punir, pois covardemente usa seu monopólio de violência contra quem não pode ladeá-lo. Não interessa se um cidadão cometeu crimes ou não: sua dignidade não é menor por isso e, se ele estiver em mãos do Estado, este é responsável por sua incolumidade. Ser ou não ser “santo” não é critério para medir a proteção a todas e todos devida. E José Melo, cassado em janeiro de 2016 pelo TRE-AM por denúncia de compra de votos nas eleições de 2014 e mantido temporariamente pelo mesmo tribunal dois meses depois, também não parece ter a santidade exigida para jogar a primeira pedra nos presos assassinados sob a custódia do Estado, por ele representado no Amazonas.
    Incrível é que, em pleno século XXI, depois de treze anos de democracia inclusiva, coisas tão óbvias ainda tenham de ser ditas. Como regredimos! Como nos embrutecemos! Não que motins graves não tenham acontecido antes e mesmo durante os governos democráticos do passado. Mas a resposta foi outra. Ninguém tentou se safar. A responsabilidade foi prontamente assumida. Na Corte Interamericana se produziu um acordo que manteve a Penitenciária de Urso Branco sob observação por alguns anos. O Brasil se tornou parte do Protocolo Opcional à Convenção contra a Tortura, criou seu mecanismo doméstico de implementação e se submeteu à Subcomissão de Prevenção da Tortura. Enfim, os governos democráticos tinham consciência da dimensão do problema e se esforçaram no alinhamento com padrões internacionais de garantia de direitos.
    Agora não. É um empurra-empurra de gentinha medrosa, comprovando a incapacidade desse “governo” de lidar com crises. Deveriam reconhecer que destroçaram a máquina administrativa que poderia dar respostas. Falam em construir mais prisões, o que soa como discurso infantil. Prisões não se constroem de um dia para outro e, portanto, não são uma resposta adequada à urgência vivida. Prisões são caras para serem mantidas e o governo federal pode até repassar recursos aos estados para a construção, mas se não os passar, também, para a gestão, é como se não fizesse nada. Há, no país, prisões novinhas, prontas e vazias por falta de dinheiro para colocá-las em funcionamento. O que se verifica é que, muito mais importante que novas unidades, é vital saber gerenciar as existentes. Nesse tocante estamos na Idade da Pedra.
    Uma penitenciária não pode ser um depósito de gente pobre, feia e esquecida; não pode ser um tanque de decantação da merda social. O dever do Estado é prevenir novos crimes e isso só é possível com tratamento adequado aos que estão sendo investigados ou que foram condenados por ter sido demonstrada, “além de qualquer dúvida razoável”, a prática de crimes. Por tratamento adequado deve-se entender recuperar chances perdidas de reconhecer nesses indivíduos com dívidas na justiça cidadãos dignos, ensinando-lhes um ofício, dando-lhes educação mínima, oferecendo-lhes condições de curarem suas feridas na alma e, sobretudo, dar-lhes, depois, uma nova chance. Sem políticas públicas de inclusão social esses resultados nunca serão atingidos.
    massacre
    A crise aguda do sistema penitenciário deveria ser uma oportunidade para pensarmos sobre o modelo de sociedade que queremos. Facções, bandos e quadrilhas são instrumentos de um mercado informal paralelo rentável de drogas, manejados por aqueles que não têm chance no mercado formal e, por isso, ou se envolvem no crime, ou mantêm-se na sua miséria de sempre, com parquíssimas e penosas perspectivas de melhora. Claro que em todo grupo social existem, também, os conformados com sua condição de miseráveis e, portanto, sem vontade de resistir; mas existem, igualmente, os inconformados, cheios de justos ressentimentos e dispostos a “chutar o pau da barraca”. Torná-los conformados “na porrada” não resolve o problema de que padecem e sempre exporá a sociedade a rompantes violentos de uns e outros, cada vez mais numerosos, que não aceitam sua condição. Faremos como as avestruzes? Enterraremos nossas cabeças na terra e ignoraremos esse “lixo humano”? Para não sermos incomodados, preferiremos nos enclausurar entre muros altos e fios de alta tensão? O problema é que a maioria dos brasileiros não pode se dar esse luxo, nem sequer imaginar circular com seus cheirosos filhinhos em carros blindados ou helicópteros sobre os centros urbanos. Precisamos que todos vivam em segurança e com qualidade, senão os verdadeiramente encarcerados serão os que moram fora das penitenciárias e estas serão administradas pelos que vivem dentro delas, correndo soltos e organizados em facções, bandos e quadrilhas. Ninguém conseguirá mudar esse quadro se não olhar de frente para ele.
    O fundo penitenciário tem recursos para iniciar a virada. Mas não confundamos política penitenciária com política de segurança pública, porque aquela é muito mais ampla do que esta. Precisamos de gestores penitenciários, de arquitetura penitenciária que tornem realidade o que se impõe na Lei de Execuções Penais, uma das mais progressistas no direito comparado, mas relegada à condição de ser “só lei”. Isso não se faz com juízes do CNJ criando mais uma instância de controle dos administradores, até porque inexiste norma que permita ao colegiado intromissão na atividade do Poder Executivo ou intervenção da jurisdição dos juízes das Varas de Execuções Penais. Não podemos usar a crise para dela “tirar uma casquinha” com palpites soltos e improvisados, a empoderarem mais ainda esse ou aquele ator do serviço público.
    A casta judicial e a do ministério público são os maiores responsáveis, com seu cego punitivismo, pela tragédia que já há muito se anunciava: como as prisões não lhes dizem respeito, seguem entupindo-as com o “lixo humano” até o sistema enfartar. A saída da crise pressupõe, pois, mudança de atitude dos órgãos empenhados na persecução e jurisdição penais, carentes de uma política criminal que os faça priorizar alguns ilícitos sobre outros e não fingir que obedecem cegamente ao princípio da obrigatoriedade da ação penal, sem distinção. Precisam ter consciência de que não é mais possível tolerar seu descaso diante da proporção de 80% dos presos sem condenação, no aguardo da justiça andar. Para dar conta de sua carga, não devem se refugiar na desculpa de que estão sobrecarregados. Juízes e membros do ministério público, no Brasil, mui bem remunerados, não têm horário de expediente controlado e nem sempre se ocupam oito horas diárias com seus processos. Que se mude seu método de remuneração e se pague por metas de produtividade, para vermos se os processos não andariam mais rápidos! Não se duvide de que isso seria capaz de mudar a cultura de trabalho e adequaria os agentes a orientações de instâncias superiores, até como meio de cultivar a economia processual. Deixariam de ser luminares, para efetivamente serem parte de uma engrenagem articulada que oferecesse aos cidadãos segurança jurídica.
    Salta, porém, aos olhos que isso tudo só um governo legitimado pelo voto pode fazer, pois o grupo que se assenhorou do poder não tem tutano nem estofo para desafiar, com autoridade, o ambiente de sinecura no judiciário. Até porque muitos deles não são melhores do que os assassinados, esperando, contudo, à diferença deles, em liberdade e aboletados em cargos públicos de alto escalão, que a justiça, em seu passo de cágado, os chame para pagar por seus pecados. Ficarão, até serem removidos de sua situação de ilegitimidade, a arrumar desculpas para seu fracasso, usando a pura negação da responsabilidade, a sugestão aleatória de medidas decorativas, o preconceito social contra os encarcerados ou o cinismo bandido de quem acha que os mortos não são santos.