Autor: da Redação

  • Atentado de Berlim confirma a verdade de Goebbels

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    O tablóide sensacionalista BZ condenou Anis Amri antes mesmo da polícia

    O atentado de Berlim, às vésperas do Natal, reafirma a tese consagrada pelos nazistas. Ela diz que uma mentira contada uma vez continua sendo uma mentira mas, contada mil vezes a mentira se torna verdade.
    Seu autor foi o ministro da Propaganda do III Reich, Joseph Goebbels, um pioneiro da manipulacão da mídia de massa. Olhando com calma para os detalhes do ataque recente é inevitável ver na narrativa da imprensa um desafio à verossimilhanca e uma prova da maleabilidade da verdade factual.
    Na reportagem “ao vivo via Internet” no Jornal Nacional (http://www.youtube.com/watch?v=U-4x7PDuUAg) fica clara que a intencão de “vender a notícia” se sobrepoe à precária atividade de apuracão dos fatos.
    O jornalista da Globo se esmera em construir sua estória com pouquíssimas informacões, dando espaco a “rumores”, entre eles o de que “o Estado Islâmico” teria assumido” a autoria do atentado. Até hoje essa informacão só foi confirmada por páginas de neo-nazistas em redes sociais.
    A cobertura oficial da mídia alemã nao ousa tanto, mas quem acompanhou o notíciário desde os primeiros momentos pôde perceber a manipulacão. A primeira delas relacionada à dúvida de que se tratava de um acidente. Nas primeiras 24 horas depois da tragédia nenhum político alemão se atrevia a falar em atentado. Por que?
    O caminhão entrou por uma avenida altamente movimentada que desemboca em um cruzamento de outras avenidas importantes e cortou apenas uma pequena ponta do mercado de Natal, parando no meio de uma outra avenida transversal.
    Se tivesse realmente a intencão de matar o maior número possível de pessoas, como terroristas normalmente fazem, poderia ter cortado o mercado de fora a fora, aumentando em dezenas de vezes o número de vítimas.
    O quase acidente foi uma questão de poucos segundos. Os primeiros policiais que chegaram ao caminhão encontraram o banco do motorista vazio. No banco do passageiro estava um homem sem documentos morto com um tiro na cabeça.
    Nas primeiras horas, ninguém sabia de quem era o corpo encontrado, e nem mesmo a causa da morte, visto que ao invadir o mercado o caminhão teve o parabrisa estilhaçado. Tudo eram suposicoes. Uma das poucas certezas era a de que quem conduziu o veículo por cima do público havia fugido sem deixar vestígios.
    Ao lado do mercado de natal fica uma das mais importantes estacoes de trens, metrôs e ônibus da cidade, a Zoologischer Garten. Curiosmente a polícia assumiu que o suspeito tinha fugido a pé. Deu o alarme geral e prendeu nas primeiras horas um refugiado paquistanês nas imediacoes do parque Tiergarten, a poucos quilômetros de distância do local do ataque.
    Por 24 horas o gaiato do Paquistao foi troféu da eficiência policial berlinense. Depois de apanhar durante o interrogatório (http://www.zeit.de/gesellschaft/zeitgeschehen/2016-12/anschlag-berlin-vorwuerfe-polizei-dementi) ele foi solto por ter provas e várias testemunhas de que nao estava nas proximidades quando ocorreu o crime.
    Assim que a notícia da liberacao do primeiro suspeito circulou, “novos indícios” sobre o autor do atentado surgiram pela mao da polícia federal do país. Os fatos apresentados em seguida parecem tirados de um filme de James Bond e semelhancas com outros casos de terrorismo nao parecem ser mera coincidência.
    A essa altura, dois dias depois do atentado, já sabendo que o corpo encontrado dentro da Scania era o do verdadeiro motorista, as autoridades apresentaram a identidade do terrorista. Um jovem Tunisiano, Anis Amri. Ele estava na Europa como refugiado desde 2011. Acusado de arruaça e pequenos crimes ficou preso na Italia por quase três anos, onde continuava procurado por seu envolvimento com islamistas. O argumento é de que ele tinha se radicalizado na prisao.
    No primeiro semestre de 2016, Amri fez seu pedido de asilo em Berlin. Em Julho o pedido foi negado, e desde setembro ele estava desaparecido. Anis Amri completaria 25 anos três dias depois do atentado.
    Todas essas informacoes sao oficiais (http://www.zeit.de/gesellschaft/zeitgeschehen/2016-12/berlin-breitscheidplatz-gedaechtniskirche-weihnachtsmarkt). Como eles chegaram à identidade do Tunisiano? Óbvio, durante a eficiente acao terrorista ele deixou cair dentro do caminhao a carta do governo alemao com o pedido de asilo negado. Parece mentira, mas é essa a versao oficial.
    Ou seja, o terrorista nao esqueceu de dar fim na identidade do verdadeiro motorista da carreta executado, visando dificultar a investigaçao do caso, mas lembrou de esquecer um pedaco de papel para lhe incriminar. Amri foi morto pela polícia em Milao, na Italia, exatamente na data do seu aniversário, e um dia depois do seu retrato circular pelos tablóides sensacionalistas da Alemanha. Caso encerrado.
    Mais interessante ainda sao os desdobramentos da história. Na Alemanha, o atentado botou lenha na fogueira do debate sobre os refugiados. A primeira ministra Angela Merkel (CDU), ja anunciou medidas para acelerar ainda mais a deportacao de refugiados que tenham seu pedido de asilo negado. O ministro do Interior, Thomas De Maizière (CDU), aproveitou para propor uma reestruturacao do aparato policial do país, visando dar mais poder e agilidade ao governo federal. Até o prefeito de Berlim, Thomas Müller (SPD), saiu defendendo um maior controle através de câmeras de seguranca em locais públicos. Tudo muito conveniente para o ressurgente discurso nacionalista.
    Vale lembrar, que a área onde o ataque aconteceu, é cercada por centros de compras, cafés, restaurantes, lojas de grife, cinemas e hotéis. Cada estabelecimento ali já tem sua própria câmera de seguranca. É estranho que nenhum dos equipamentos já instalados nessa área tenha pego o momento do atentado. Sem falar que, com ou sem câmeras, ninguém poderia prever ou evitar o ocorrido.
    Mas a propaganda da imprensa vai em outra direcao. Parecem seguir deliberadamente uma cartilha política  onde refugiados sao quase sinônimo de criminosos. O jornal sensacionalista “BZ” estampava em sua capa do dia 22 de dezembro a cara de Anis Amri com a manchete: “Eles conheciam ele e nao fizeram nada”. A frase cabe como uma luva no fato de muitos refugiados continuarem na Alemanha ilegalmente depois de terem o pedido de asilo negado.
     
    A centenas de metros da praca onde estava montada a feira de Natal existe um alojamento coletivo onde estao concentrados cerca de 1.300 refugiados de diversas origens. Ali moram homens, mulheres e criancas desprovidos de conforto, seguranca e privacidade. Logo depois do caminhao atropelar 12 pessoas na praca, o alojamento foi invadido pela polícia de Berlim em busca de suspeitos. Como a polícia concluiu que lá poderia estar algum suspeito do atentado continua sendo um mistério.
     
  • Veterinários contra extinção da SEDA

    O Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS),divulgou uma nota contra a extinção da Secretaria Especial dos Direitos dos Animais (Seda) do município de Porto Alegre (RS),proposta pelo novo prefeito Nelson Marchezan Junior (PSDB) e aprovada nesta segunda-feira(2) pela Câmara dos Vereadores.
    Segundo a nota “o ato se constitui em um retrocesso não só no cuidado dos animais de rua e das populações carentes como também na questão referente à saúde pública do município. Avaliamos que esta é uma secretaria que não impacta no orçamento da cidade e seus profissionais vêm executando com agilidade programas de saúde animal em comunidades carentes de Porto Alegre”.
    Os veterinários alegam que a Seda exerce um papel fundamental no recolhimento de animais de rua, vacinação e castração de cães e gatos em comunidades com população de baixa renda, que não podem pagar pelo serviço prestado em clínicas particulares. Seus profissionais também atuam no controle de zoonoses, como a Leishmaniose, que até então era uma doença desconhecida no Sul do Brasil e teve seu primeiro caso em Porto Alegre no ano passado.
    Lembram também que, graças a implantação da Seda, foi conquistada o primeiro Hospital Veterinário Público da capital, inaugurado no final de 2016. A Unidade de Saúde Animal Vitória (Usav), localizada na Lomba do Pinheiro, foi construída graças ao apoio da iniciativa privada, que viu no trabalho da Seda uma importância fundamental para a cidade.

  • FM Cultura voltou ao ar nesta terça-feira

    Ao meio-dia e dez desta terça-feira, a programação musical automática da FM Cultura foi interrompida pela voz da apresentadora Lena Kurtz, do programa Cultura na Mesa. Lena abriu o programa lendo uma notícia sobre a situação dos trabalhadores da rádio e também da TVE, emissora públicas vinculadas à Fundação Cultural Piratini, que teve sua extinção aprovada pela Assembleia Legislativa na madrugada do dia 21 de dezembro. A extinção foi aprovada com prazo de 180 dias.
    Os funcionários das duas emissoras retornaram ao trabalho às 9h da manhã. Na TVE, uma reunião de planejamento definiu que a programação será retomada nesta quarta-feira. O telejornalismo entrará na programação em duas edições de 15 minutos, um próximo ao meio-dia e outro à noite, mas em horários ainda não definidos. Os demais programas retornarão à grade, seja em edições diárias ao vivo, como é o caso do Estação Cultura, ou através de reprises, que estavam programadas para janeiro e fevereiro.
    Os apresentadores dos programas Nação, Fernanda Carvalho, e Radar, Cristiano Sassá, eram terceirizados. Como os contratos venceram em 31 de dezembro e não foram renovados, serão exibidas reprises. O Radar deve voltar à programação diária ao vivo ainda em janeiro, com apresentador do quadro concursado. A situação do programa Nação, que é retransmitido em rede nacional pela TV Brasil, está em aberta
    Uma liminar concedida pela juíza Maria Teresa Vieira da Silva Oliveira da 27ª Vara da Justiça do Trabalho de Porto Alegre suspendeu a demissão em massa dos trabalhadores. Ela atendeu pedido dos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas baseados no fato de que estes servidores tinham contratos regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Por isso, as demissões somente deverão ocorrer após negociação coletiva entre o empregador, Fundação Piratini, e os sindicatos dos trabalhadores.
    Os funcionários estavam impedidos de entrar no prédio desde o dia 20 de dezembro e as emissoras permaneciam sem programação. A FM Cultura permanecia com uma programação musical.
    Até o fechamento desta matéria, a TVE permanecia retransmitindo a programação da TV Brasil.

  • TVE: trabalhadores voltam ao trabalho

    Os trabalhadores da Fundação Piratini (TVE e FM Cultura) voltarão ao trabalho na manhã desta terça-feira (3). Segundo a Direção das emissoras, depois da greve que terminou dia 23, eles gozaram de um “recesso remunerado de dez dias”. A folga concedida pelo Governo do Rio Grande do Sul abrangeu o período entre 24 de dezembro de 2016 e 2 de janeiro de 2017. A medida não compreendeu cargos de confiança, empregados em função comissionada, assessoria jurídica e administrativa.
    O presidente do sindicato dos Jornalistas Milton Simas informou que os trabalhadores foram convocados a retornar às sedes da TVE e da rádio às 9h de amanhã para uma reunião geral.  Simas disse que “ é estranha esta atitude depois das duas vitórias que tivemos na Justiça do Trabalho impedindo demissões em massa antes de uma negociação coletiva”.
    Ele adiantou que juntamente com seu colega do sindicato dos Radialistas, Antonio Edisson Peres (Caverna), acompanhará a reunião. Lembrou ainda que os deputados somente aprovaram uma autorização para a extinção da fundação, porém não o fechamento como tem sido noticiado.

  • Marchezan anuncia suspensão de despesas por 90 dias

    Em entrevista coletiva nesta segunda (2), o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) anunciou 10 medidas para reequilibrar as contas de Porto Alegre. Concursos, viagens, aluguéis com carros, imóveis e qualquer outros gastos estão suspensos por 90 dias, até serem reavaliadas as necessidades das ações que estavam programadas.
    Além disso ele reafirmou a prorrogação do pagamento do Imposto Territorial Urbano (IPTU) de Porto Alegre. Os contribuintes terão até o quinto útil de fevereiro para pagar o IPTU com 12%. O prazo final encerra no dia 8 do segundo mês do ano.
    O prefeito anunciou também a reavaliação e renegociação de contratos e licitações vigentes. Serão reavaliados valores e necessidades dos contratos.

  • Farmácia do Centro de Saúde Modelo reabre nesta terça (3)

    A Secretaria Municipal  da Saúde anunciou  hoje (2) que a  Farmácia Distrital do Centro de Saúde Modelo (rua Jerônimo de Ornelas, 55, bairro Santana) reabrirá nesta terça-feira (3). O serviço sofreu reformas que  começaram dia 15 de novembro e, devido à necessidade de reforço na estrutura do prédio para remoção de paredes, foi necessário ampliar o prazo de conclusão da obra. Com a reformulação, foi ampliada a área de espera.

  • Reforma de Marchezan “promove fragmentação indevida” na área ambiental

    Naira Hofmeister
    A reforma administrativa proposta pelo prefeito Nelson Marchezan, que será votada nesta segunda-feira (2) às 14h, em sessão extraordinária na Câmara Municipal “promove fragmentação indevida” da área ambiental segundo um parecer elaborado por três especialistas em direito ambiental.
    O projeto de lei – encaminhado ainda durante a gestão do ex-prefeito José Fortunati, a pedido de seu sucessor – extingue a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) e cria para seu lugar a Secretaria Municipal de Sustentabilidade (SMSu). Entretanto, embora a nova pasta englobe as atribuições da atual, o texto transfere a prerrogativa de coordenar e realizar licenciamentos ambientais para a também nova Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE).
    Segundo os especialistas Gustavo Trindade, Paula Lavratti e Carolina Donay Scherer, do escritório Trindade/Lavratti Advogados Associados, é uma contradição a SMSu manter competências da Smam como o combate à poluição e o controle sobre a viabilidade e impacto das obras e empreendimentos, mas não possa atuar no licenciamento, que é “um dos principais instrumentos, senão o mais importante, para assegurar a sustentabilidade dos empreendimentos ou atividades potencialmente poluidoras”.
    “Não há – fática e legalmente – como separar o licenciamento ambiental das ações de proteção do meio ambiente, do controle de poluição e de avaliação de viabilidade e impactos de obras”, asseguram os advogados.
    Segundo os especialistas, a legislação em todos os níveis (federal, estadual e municipal) garante à pasta de meio ambiente a prerrogativa de licenciamento. O parecer cita a Lei Federal nº 6.938/1981, que veda a existência de um órgão responsável pela proteção ambiental e outro com a atribuição de realizar o licenciamento ambiental. Esse texto determina ainda que a prerrogativa do licenciamento recai sobre “órgãos integrantes do sistema ambiental nacional” – ou seja, sobre as pastas de meio ambiente.
    Ainda de acordo com o entendimento dos advogados, não haveria problema em integrar as atribuições de fomento ao desenvolvimento econômico com as de proteção ambiental, “podendo esta estrutura ser a responsável pela promoção do licenciamento ambiental”. Ou seja, seria necessário fundir SMSu e SMDE em uma mesma pasta.
    Como está proposta, a reforma administrativa impede que a Secretaria Municipal da Sustentabilidade “cumpra com suas funções primordiais”, tornando, portanto, “ilegal o Projeto de Lei Complementar nº 012/2016”.
    Emenda garante licenciamento à SMSu
    Além do corpo do projeto da reforma administrativa, os vereadores ainda precisam avaliar 14 emendas remanescentes da sessão plenária do dia 22 de dezembro, quando a proposta começou a ser votada.
    Uma delas é a de número 7, de autoria da vereadora Sofia Cavedon (PT). O texto transfere da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SMDE) para a Secretaria Municipal de Sustentabilidade (SMSu) a coordenação e acompanhamento dos processos de licenciamento ambiental.
    Discussão em 2016 foi polêmica
    O PL 012/2016 prevê a extinção de 16 secretarias, com a criação de nove para readequar tarefas, mas em sua discussão no final da legislatura passada sofreu muitas críticas – inclusive de parlamentares de partidos da base do novo governo.
    No debate do dia 22 de dezembro, o ex-prefeito e então vereador, agora sem mandato, Guilherme Socias Vilella (PP) condenou a extinção da Smam, criada em sua gestão no Executivo, em 1976.
    “A Secretaria do Meio Ambiente não é só para cuidar do presente, é para o futuro”, condenou Villela, segundo reportagem do Jornal do Comércio.
    Naquela tarde, estava presente nas galerias da Câmara o também ex-vereador e ex-secretário do Meio Ambiente Beto Moesch. Outro ponto de discordância foi a extinção da Secretaria de Esportes, Recreação e Lazer, alvo de críticas do ex-titular João Bosco Vaz, reeleito vereador pelo PMDB, que já se declarou “oposição independente” à Marchezan.
    Na galerias também havia muita contrariedade com a extinção da Smam. Manifestantes levaram cartazes e faixas contrários ao fim da pasta histórica e fortemente vinculada com o movimento ambientalista gaúcho, pioneiro no Brasil.
    Mesmo no período de férias, os ambientalistas prometem nova mobilização na tarde desta segunda-feira, no plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal.

  • Assassinato de turista chama atenção para a violência em Florianópolis

    Depois do jantar e dos brinde pela virada do ano, a familia tomou o carro para voltar à casa de parentes onde estavam hospedados. Eram cinco – o casal, os pais dele e um sobrinho de sete anos.
    Eram gaúchos passando o reveillon em Florianópolis.Teriam que ir da Vargem Grande, bairro no norte da Ilha, até o Estreito, no continente, uns 30 quilômetros.
    Para escapar dos congestionamentos na via principal, tentaram um atalho com auxilio de um aplicativo de celular.
    Entraram numa rua que leva à favela do Papaquara, dominada por traficantes em guerra com facções rivais. A mulher viu surgir homens armados na rua. Mal teve tempo de falar ao marido. Uma bala atingiu-a na cabeça.
    Daniela Scotto de Oliveira Soares, professora de Yoga, de 32 anos, chegou sem vida à Unidade de Pronto Atendimento, minutos depois.
    O fato brutal trouxe à tona uma realidade que os jornais tratam com discrição nessa época, quando o turismo faz a festa em Floripa. Estima-se que 800 mil pessoas estejam na ilha nesta virada de ano. Não convém espantar a clientela.
    Mas os números divulgados ao longo de 2016 são alarmantes. Em agosto, uma pesquisa divulgou o Mapa da Violência nas capitais brasileiras, com base em números de 2014. Florianópolis ficou em segundo lugar no número de homicídios, com crescimmento de 40% num ano. Foram 52 mortes a tiro naquele ano, número maior do que Porto Alegre, que tem o triplo da população.
    Nos primeiros cinco meses de 2016, conforme uma pesquisa do Diário Catarinense, registraram-se 32 homicídios. A principal causa é a disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas. A capital catarinense tem pelo menos seis áreas conflagradas, sendo a do Papacuara uma das mais violentas.
    O crescimento da população e o desempregos são também apontados pela polícia como causa do aumento da violência. Em dez anos, segundo o último Censo, a cidade passou de 340 mil para 404 mil habitantes, crescimento de 23,4%.
    Com sérios problemas de infraestrutura e de mobilidade, decorrencias do crescimento desordenado, Florianópolis vê suas dificuldades se multiplicarem com a invasão dos turistas no verão, superlotando as praias e  transformando o trânsito num tormento nas áreas mais procuradas.
     

  • Grupos artísticos da Usina do Gasômetro levam calote de Fortunati

    O prefeito José Fortunati deixou aberta uma dívida de R$ 52 milhões de reais com os grupos residentes da Usina do Gasômetro, segundo levantamento publicado em 29 de dezembro pelo Dossiê Palcos Públicos, um trabalho de reportagem que vem foi viabilizado por financiamento coletivo no Catarse. Os pagamentos são parte das atribuições do poder Executivo com os vencedores do edital Usina das Artes, cujos contratos de 2016 iniciaram em junho.
    Informações do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos de Diversões do Rio Grande do Sul (Sated-RS), confirmadas pela direção da Usina do Gasômetro, mostram que a Prefeitura quitou apenas 17 das 46 notas fiscais emitidas pelos grupos – portanto, 29 parcelas, de R$ 1,8 mil cada, ficam para a próxima gestão. É quase 70% do total prometido pelo edital.
    A maior dívida é com a companhia de Flamenco Silvia Canarim, que recebeu apenas um pagamento ao longo da vigência do edital. O valor devido é de R$ 9 mil. Já a Cambada de Teatro Levanta Favela tem a receber ainda uma parcela, entre as notas emitidas, no valor de R$ 1,8 mil.
    O secretário de Cultura no governo Fortunati, Roque Jacoby, informou que todos os encaminhamentos possíveis já foram feitos pela Secretaria Municipal de Cultura, e que o assunto agora está nas mãos das secretarias do Planejamento e da Fazenda.
    Um dos grupos do projeto, a Eduardo Severino Cia de Dança, relata que está há seis meses sem receber a ajuda de custo prevista. “No entanto, continuamos cumprindo com todas atividades artísticas que propusemos para o edital”, destaca o bailarino e coreógrafo Eduardo Severino.
    Para suprir essa carência, a companhia conta com doações de papel higiênico, lâmpadas, material de limpeza, água potável e fita para linóleo. “Isso de certa maneira nos sobrecarrega, sobretudo quando não recebemos a ajuda de custo para administrar e desenvolver nosso trabalho artístico”, lamenta o bailarino.
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    Limpeza e segurança também foram reduzidas
    Além de problemas já relatados anteriormente – como a falta de ar-condicionado, cuja manutenção não é feita há três anos – os grupos se preocupam com a redução nas equipes de limpeza e segurança do edifício.
    Segundo Severino, “o quadro de limpeza foi enxugado”, e hoje há apenas quatro pessoas para limpar todas as salas e demais dependências do Gasômetro.
    Na segurança, são apenas dois guardas municipais para cuidar de tudo. “Aquele lugar virou terra de ninguém. Temos sorte de não ter acontecido algo pior lá dentro”, completa.
    Novo edital ficou mesmo para 2017
    Outro temor da classe artística de Porto Alegre se confirmou neste final de ano: a próxima chamada para o Usina das Artes ficou mesmo para 2017, rompendo com uma regra adotada desde o início do projeto de lançar sempre o edital seguinte no final do ano anterior ao de sua vigência.
    Embora a Secretaria Municipal da Cultura já tenha garantido a continuidade de todas as ações culturais atualmente abrigadas na Usina do Gasômetro – inclusive com a entrega de estudos para realocação dos grupos durante a já anunciada reforma do espaço – os artistas tem motivos para desconfiar.
    Conforme o edital atualmente em vigor, os dez grupos contemplados tem garantia de permanência na Usina do Gasômetro até o dia 31 de maio de 2017. E segundo a previsão do diretor do espaço, Renato Wieniewski, as obras devem começar “no meio do ano”, com previsão de entrega de 12 a 18 meses depois. Ou seja, a vigência do atual edital vai coincidir com a data em que a Usina do Gasômetro será fechada para reformas.
  • Marchezan assume negociando cargos com partidos da base

    Antes mesmo de assumir, neste domingo (01) às 18 horas, Nelson Marchezan Junior já teve que abandonar a postura autoritária e iniciar negociações com partidos de sua base aliada. Ainda na sexta-feira teve que ceder ao PTB e indicar o vereador Elizandro Sabino (PTB) para a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade Urbana. Com isso, acalmou o partido e levou o presidente da Câmara Municipal Cassio Trogildo (PTB) a convocar sessão extraordinária da Casa para esta segunda-feira às 14 horas.
    O PTB vinha boicotando a votação do projeto de lei complementar proposto pelo prefeito tucano e encaminhado à Câmara Por José Fortunati, criando secretarias municipais, extinguindo outras pastas e dispondo sobre a organização administrativa do município que foi a plenário dia 22 de dezembro e não foi apreciado por falta de quórum.
    A proposta de reestruturação administrativa do Executivo, encaminhada a pedido do prefeito eleito, Nelson Marchezan Júnior, cria as seguintes secretarias:
     
    I – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS);
    II – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE);
    III – Secretaria Municipal de Sustentabilidade (SMSu);
    IV – Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb);
    V – Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (SMIM);
    VI – Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão (SMPG);
    VII – Secretaria Municipal de Parcerias Estratégicas (SMPE);
    VIII – Secretaria Municipal de Transparência e Controladoria Geral (SMTC);
    IX – Secretaria Municipal de Relações Institucionais (SMRI).
    O referido projeto também propõe a extinção das secretarias listadas abaixo:
    I – Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social (SMACIS);
    II – Secretaria Municipal dos Direitos Humanos (SMDH);
    III – Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer (SME);
    IV – Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego (SMTE);
    V – Secretaria Municipal da Juventude (SMJ);
    VI – Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (SMIC);

    VII – Secretaria Municipal de Turismo (SMTur);
    VIII – Secretaria Municipal de Urbanismo (SMUrb);
    IX – Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM);
    X – Secretaria Especial dos Direitos dos Animais (SEDA);
    XI – Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV);
    XII – Secretaria Municipal de Transportes (SMT);
    XIII – Secretaria Municipal de Administração (SMA);
    XIV – Secretaria Municipal de Planejamento Estratégico e Orçamento (SMPEO);
    XV – Secretaria Municipal de Gestão (SMGes);
    XVI – Secretaria Municipal de Governança Local (SMGL).
    Finanças
    Marchezan fez uma prestação de contas na sexta-feira anunciando que deixaria a prefeitura com dívidas de R$139 milhões com fornecedores, porém conforme suas declarações com os salários em dia e R$46 milhões em caixa. Além disso adiantou que a prefeitura continuava recebendo.
    Marchezan, porém, anuncia uma auditoria nas contas do município e garantiu, na semana que passou que haverá um déficit orçamentário de R$1,1 bilhão em 2017. Fortunati também responsabilizou Marchezan sobre a queda de 36% em relação ao2015 da arrecadação antecipada do IPTU, de R$180 milhões que eram esperados para R$115 milhões que entraram nos cofres. Para ele o anúncio de aumento do prazo até fevereiro para o desconto foi a principal causa da queda.