Autor: da Redação

  • Magistério em greve até a votação do pacote

    Em assembleia a céu aberto, na Praça da Matriz,  professores e funcionários de escolas de várias regiões do Estado decidiram entrar em greve a partir do dia 13 de dezembro, quando uma Assembleia Unificada dos Servidores Públicos decidirá sobre uma greve geral para fazer frente ao pacote de medidas que o governador Ivo Sartori encaminhou para aprovação dos deputados, com votação prevista para o dia 22.
    A greve pode comprometer o calendário escolar de 2016
    “Estamos na rua e não vamos sair enquanto não derrubarmos este pacote. Agora, a missão de cada um de nós é conversar com nossos colegas para fazermos uma grande mobilização a partir do dia 13”, disse a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer.
    Ocupação massiva
    Entre as ações de mobilização aprovadas está a ocupação massiva da Praça da Matriz, em Porto Alegre, a partir do dia 19 de dezembro, e atos nas regiões dos 42 Núcleos do CPERS, cobrando o pagamento do 13º salário e a reprovação do pacote na Assembleia Legislativa.
    A avaliação do Cpers/Sindicato é que as medidas econômicas tomadas pelo governo estadual desrespeitam diretamente os direitos dos professores, funcionários de escola e demais servidores estaduais: 13º salário sem data limite, extinção da licença prêmio, novas regras para tempo de serviço e a retirada da remuneração de servidores cedidos para entidades sindicais. Além dos projetos do governo para extinção de nove Fundações.
    Propostas aprovadas na assembleia geral do Cpers 
    1 – Deflagrar Greve de Resistência, contra a aprovação do Pacote do Governo, a partir do dia 13 de dezembro até a votação dos projetos na Assembleia Legislativa;
    2 – Dia 13 de dezembro: Realizar grande Ato Estadual Unificado, com o conjunto dos Servidores do Estado e Comunidade Escolar;
    3 – Realizar Atos Regionalizados de pressão aos deputados, em conjunto com os servidores.
    4– Ocupar massivamente a Praça da Matriz, em Porto Alegre, a partir do dia 19 de dezembro e realizar atos radicalizados nas regiões dos Núcleos, cobrando o pagamento do 13º Salário e barrar o Pacote;
    5 – Cobrar do Governo o cumprimento do calendário de pagamento e publicação das alterações de níveis, reivindicação que constou na pauta da última greve;
    6 – Realizar denúncia através de outdoors e banners em todo o Estado.

  • Festival de rua reúne artistas em prol do GAPA/RS no sábado

    Diversos artistas reúnem-se no próximo sábado, 10, no Festival Viva o GAPA, evento de rua em solidariedade ao GAPA/RS, a ONG-Aids mais antiga do Rio Grande do Sul. A partir das 14h, a Praça Garibaldi na Cidade Baixa será tomada por food trucks e atrações musicais e teatrais, como o vencedor do Grammy Latino Ian Ramil, as bandas Império da Lã e Tribo Brasil e a atriz Deborah Finocchiaro, que fará uma performance baseada na obra de alguns escritores, incluindo Caio Fernando Abreu.
    O evento faz parte da mobilização organizada pela Rede Minha Porto Alegre para conseguir uma nova casa para o GAPA/RS, que sofre ameaça de despejo da sua sede histórica na rua Luiz Afonso, na Cidade Baixa. Em 2013, a Secretaria Municipal de Saúde havia se comprometido com a criação de centro de referência Aids em Porto Alegre, com espaço para o GAPA/RS e outras ONGs, mas até agora nada aconteceu.
    A Minha Porto Alegre estará no evento com um terminal onde os participantes poderão enviar e-mails ao secretário de saúde, pedindo uma solução para o caso do GAPA/RS. A venda de camisetas do evento e de comida dos food trucks será revertida em doações ao GAPA/RS.
    O Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS (GAPA/RS) trabalha há 28 anos no enfrentamento da epidemia de AIDS no Estado e no acolhimento e suporte à população com AIDS. A ONG oferece atendimento psicológico, jurídico e informações sobre o HIV de forma gratuita à população. Mais de 2 mil pessoas buscam atendimento todos os meses. Suas campanhas de prevenção já foram premiadas em Cannes e outros grandes festivais.
    SHOWS:
    IAN RAMIL
    IMPÉRIO DA LÃ
    DEBORAH FINOCCHIARO com ÁUREA BAPTISTA
    TRIBO BRASIL
    BRUNO MAD
    LOS 3 PLANTADOS
    MARIA QUEM
    SONIDO LIBRE
    VALERIA HOUSTON
    DJ MELY PAREDES
    2ML
    CHORINHO com Mathias Pinto, Feijão, Elias Barbosa e Nani Medeiros

  • Governo lança página para rebater críticas e denunciar boatos

    Numa contra-ofensiva à mobilização dos servidores contra o pacote de ajuste, o governo do Estado lançou um site  para prestar informações sobre os projetos enviados à Assembleia e, principalmente, “desfazer inverdades”, como disse o secretário da comunicação, Cleber Benvegnu.
    “Não me trova” (naometrova.rs.gov.br) é o nome do site onde o governo procura responder as perguntas mais frequentes levantadas por seus críticos: o governo não combate à sonegação? O governador Sartori e os secretários também recebem salários parcelados?
    O site foi desenvolvido pela Procergs e abre espaço para o contribuinte fazer buscas por informações de seu interesse. “Não deixa que te passem a conversa, nem fica com a pulga atrás da orelha. Envia tua dúvida, a gente responde.” Promete falar de forma clara “para que ninguém caia em conversa fiada”.
     

  • Carta aberta pede coerência e retirada do regime de urgência

    As nove fundações estaduais e outras duas estatais ameaçadas de extinção representam 0,4% do orçamento e prestam serviços que não podem ser suprimidos de uma hora para outra.
    O corte delas quase nada representará para o equilíbrio financeiro mas a supressão dos serviços que prestam podem causar transtornos em diversas áreas.
    Este é o principal argumento da “carta dos servidores” enviada aos deputados pedindo a retirada do regime de urgência dos projetos para que haja melhor avaliação dessas medidas.
    Eis a íntegra da carta:
    Excelentíssima Presidente da Assembleia Legislativa,
    A Sociedade Gaúcha exige coerência do Parlamento!
    Cidadãos e cidadãs gaúchas, reunidos no Seminário “A importância das Fundações para a Sociedade”, na data de 7 de dezembro, aprovaram por unanimidade o encaminhamento de Carta à Assembleia Legislativa com manifesto contrário aos Projetos de Lei que compõem o chamado Pacote de “refundação” do Estado.
    Através deste pacote, o Governo expressa um formato açodado de enfrentamento à crise financeira que o Rio Grande atravessa. Levantamos as seguintes fragilidades do pacote:
    1º – Retira da sociedade o direito ao acesso a serviços públicos nas áreas de planejamento, pesquisa, meio ambiente, recursos humanos, saúde, tecnologia, transporte e cultura. Não podemos extinguir órgãos que reúnem décadas de acúmulo de diferentes saberes, cujos os trabalhos possuem reconhecimento nacional e internacional. As justificativas apresentadas apontam que o Governo não se apropriou corretamente da enorme capacidade desses órgãos para contribuir com soluções para superação da crise financeira;
    2º – Não foca a resolução da crise das finanças a partir da receita. Existem outras iniciativas alternativas. São exemplos o combate mais incisivo à sonegação e a revisão de desonerações fiscais concedidas por décadas. O mais grave é que a pretensa economia com a extinção de órgãos de inteligência, pesquisa e cultura é muito pequena, representando apenas 0,4 % do orçamento;
    3º – Com esse pacote, o Governo pretende se desfazer de quadros funcionais extremamente qualificados e reconhecidos em suas áreas. Profissionais que a partir de sua qualificação tem assessorado os diferentes órgãos do Governo, conquistando projetos que captam vultosos recursos para o Estado do RS;
    4º – Muitos desses serviços necessitarão ser contratados, através de consultorias mais caras e menos qualificadas. Caso os serviços prestados gratuitamente por essas fundações fosse cobrado, haveria superávit. Sobretudo quando se considera que a trajetória das despesas é declinante, devido à redução de seus custos e modernização de processos;
    5º – Compromete o patrimônio dos gaúchos, sem a necessária discussão. O patrimônio não se restringe aos prédios e instalações, mas também ao conhecimento que temos acumulado, o qual não tem preço, tem valor! Pesquisa, planejamento, qualificação de recursos humanos, cultura valem muito mais do que a alegada despesa anunciada para justificar as extinções;
    O Seminário “ A importância das Fundações para a Sociedade”, a partir dos depoimentos dos diferentes painelistas, ratificou a imensa contribuição que as atividades desenvolvidas por FDRH, FEE, METROPLAN, CIENTEC, FZB, Fundação Piratini, Corag, FEEPS, FEPAGRO, SPH e demais órgãos ameaçados de extinção, trazem para o conjunto da sociedade gaúcha.
    Neste sentido, solicitamos que a Casa Legislativa seja “A casa dos grandes debates, a casa do Povo”. Importantes decisões necessitam de grandes debates e de tempo para apresentações iniciais, contrapontos, maturação das ideias e tomada de decisão.
    Isso não é possível em um espaço de tempo tão curto como esse dado aos deputados, com Projetos de Lei em regime de urgência.
    Desta forma, solicitamos vossa sensibilidade e apoio para que gestione junto ao Executivo a retirada dos projetos e das propostas, em vista a uma discussão ampla do Parlamento Gaúcho e da Sociedade.
     

  • Seminário ressalta a importância das fundações para a sociedade

    Com  suas faixas, cartazes, camisetas, buzinas, palavras de ordem  e  muita disposição, servidores públicos lotaram o auditório do Plaza San Rafael para assistir ao seminário promovido pelo Semapi sobre “A importância das fundações para a sociedade”.
    Os organizadores contaram 650 pessoas. Pouco, se levar em conta que são mais de oito mil servidores ameaçados pelo projeto do governador Sartori de extinguir nove fundações estaduais. Bom número, considerando-se data, local e horário: quarta-feira, no centro de Porto Alegre, início às duas da tarde.
    O evento foi importante também pelas manifestações de apoio, desde a Universidade Federal do Rio Grande do Sul até associações de pequenos produtores, incluindo respeitados intelectuais e cientistas, como o economista Cláudio Accurso e o professor Ludwig Buckup, pioneiro da pesquisa científica no Estado.
    Considere-se também o ineditismo do evento. Pelo que se ouviu, foi a primeira vez que os funcionários destes órgãos, muitos deles com mais de 40 anos, participaram de um encontro amplo para troca de informações.
    Apenas dois políticos estavam presentes, mas saíram no início: Manoela Dávila (PCdoB) e Adão Villaverde (PT).

    semapi-maria-feldens
    Mara Feldes: “Essa não é a saída, eles mesmo já provaram”

    Mara Feldes falou em nome do colegiado que dirige o Semapi. Disse que está claro o propósito do governo Sartori de fazer o ajuste à custa do desmonte o setor público, com cortes e privatizações.
    “O projeto que extingue as fundações e o projeto que retira a exigência legal de plebiscito para privatização de estatais se complementam”, disse Mara Feldes lembrando que Sartori era o líder do governo Britto, há 20 anos, quando foram privatizadas ou extintas as principais estatais. “Venderam, fecharam, cortaram funcionários…não resolveu nada”.
    A dirigente do Semapi reconheceu que Sartori armou uma ampla aliança para aprovar seus projetos e despachou o vice em caravana pelo interior para convencer de que esse pacote é a única saída: “Essa não é a saída, eles mesmo já provaram”.
    Helenir Schürer
    Helenir Schürer

    Helenir Schürer falou em nome do Movimento Unificado dos Servidores. Disse que está claro agora que o golpe contra Dilma Rousseff não foi contra este ou aquele partido: “O golpe foi contra os trabalhadores”.
    Disse que o problema do setor público do Rio Grande do Sul não é financeiro. Citou o deputado Marlon Santos, do PDT, relator do orçamento, que mostrou: em 2017,  as desonerações fiscais chegam a R$ 9 bilhões, a sonegação vai a R$ 7 bilhões. “E ainda ontem saiu a notícia: o governo do Estado, que está falido, concedeu mais 450 milhões em incentivos”
    Segundo ela, o problema é de concepção: “Qual é o papel do Estado?”, perguntou.
    Claudir Nespolo
    Claudir Nespolo

    Claudir Nespolo, presidente da CUT/RS, falou a seguir. Falou da importância de esclarecer os trabalhadores do setor privado sobre o “brutal retrocesso”  que está ameaçando os servidores públicos.
    Para isso, a CUT vai desencadear uma campanha de esclarecimento com dezenas de carros de som por todo o Estado denunciando Sartori e seus aliados “RBS, Fiergs, Farsul, Federasul, Fecomércio”.  “Esses serviços públicos que serão extintos, garanto que os contratinhos com as empresas privadas já estão prontos”, afirmou.
    “Um tiro no pé”
    Depois das lideranças sindicais, começaram a falar os convidados que formaram a mesa do seminário.
    O professor Odilon Marcuzzo do Canto, engenheiro nuclear, ex-presidente da Cientec, de 72 anos,  disse que cumpria um dever de cidadão. Lembrou que quando estudante na Universidade Federal de Santa Maria vinha a Porto Alegre para fazer testes no laboratório do IPERS, embrião da Cientec.
    Disse que o mais grave do pacotaço do governo estadual é que está propondo medidas drásticas sem qualquer consulta à sociedade, nem aos diretamente interessados, que são os dirigentes e servidores das fundações.
    Marcuzzo: "Num regime democrático, um governo agir assim é muito preocupante"
    Marcuzzo: “Num regime democrático, um governo agir assim é muito preocupante”

    “Num regime democrático, um governo agir assim é muito preocupante”, frisou.
    Disse que há 70 anos não se tem dúvida de que o desenvolvimento está ligado a uma base tecnológica e que a Cientec, criada em 1972, é a expressão dessa realidade. “Hoje mais do que nunca a ciência e a tecnologia estão na ponta do processo. Portanto, não é inteligente nem racional desmontar uma estrutura dessas e jogar fora um acúmulo de conhecimento de tantas décadas”.
    Lembrou que a Cientec tem 24 laboratórios de pesquisa, 14 deles credenciados junto ao Inmetro, e que presta um serviço essencial para micro e pequenas empresas  que não terão a quem recorrer se ela for extinta. “Se não está funcionando a contento, tem que arrumar, mas extinguir pura e simplesmente não tem sentido. No mínimo tem que estudar e avaliar com cuidado, senão vai jogar fora um enorme investimento que a sociedade fez”.
    O professor João Jornada, também ex-presidente da Cientec e do Inmetro, lembrou que a Cientec tem um histórico de inovação e de apoio a pequenas empresas que é um patrimônio intangível do Estado. “Se problemas operacionais existem é mais racional corrigi-los. Senão vamos fazer como naquele  dito popular – jogar a criança fora com a água da bacia”.
    A socióloga Jussara Kalil disse que os argumentos para extinguir a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional revelam que os formuladores do governo “não conhecem a Metroplan“.
    Descreveu resumidamente as atividades da Metroplan no apoio aos gestores públicos nas  regiões de maior concentração populacional no Estado – região metropolitana de Porto Alegre,  e os aglomerados de Caxias, Pelotas e Litoral. “A Metroplan é a única organização com capacidade técnica para assessorar os diversos municípios nas questões de mobilidade, de plano diretor, de projetos de parques e de vias. Por obrigação legal ainda a fundação é a gestora do transporte intermunicipal nas regiões conurbadas, planeja a prevenção de enchentes e administra e fiscaliza a Lei do Passe Livre, que beneficia 12 mil estudantes carentes na região metropolitana de Porto Alegre”.
    semapi-fee1O professor Paulo Roberto Rodrigues, do Observatório das Metrópoles, enfatizou ao papel decisivo de duas fundações – a FEE (Fundação Estadual de Economia e Estatística) e a Metroplan – no planejamento de políticas públicas no Estado. Ambas tem um corpo técnico permanente e um acúmulo histórico de conhecimento que a Universidade não poderá absorver, “até porque a gestão pública não pode se submeter ao tempo da academia”.
    O administrador Anderson da Cunha alertou para o “tiro no pé” que o governo vai dar se extinguir a FDRH (Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos), há mais de 40 anos responsável pela organização dos concursos públicos, pela formação de servidores através da Escola de Governo, pela assessoria a prefeituras e a gestão de cerca de 8 mil estagiários que prestam serviços ao Estado. “Vai desmontar essa estrutura, jogar fora uma experiência de 44 anos, vai qualificar a gestão pública como?”, indagou.
    O professor Marcos Cepik falou como representante do reitor da UFRGS, Rui Oppermann, anunciando que o Conselho Universitário aprovou uma moção contra o projeto de extinção das fundações, pelos enormes prejuízos que a medida vai causar a serviços públicos essenciais.
    O economista Tomas Fiori, da FEE, chegou a chorar ao final de sua exposição. Ele apresentou o apoio do economista Claudio Accurso, de 87 anos, que não pode comparecer, mas mandou sua solidariedade ao movimento em defesa das fundações. Elencou uma série de operações que resultaram em ganhos significativos para o Estado, que contaram com a participação decisiva da FEE, fornecendo informações e estudos.
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    Ludwig Buckup: “Alguém precisa dizer ao Sartori que o tempo das passarinhadas já passou, exatamente porque dizimaram tudo”.

    O professor Ludwig Buckup, ex-reitor da Universidade Federal, pioneiro da pesquisa científica no Rio Grande do Sul fez uma emocionada defesa da FZB (Fundação Zoobotânica).
    Também foram apresentadas informações mostrando a importância das demais fundações ameaçadas: Piratini (TVE e FM Cultura), Fepagro e Fepps.
     

  • Servidores iniciam ofensiva para derrubar o pacote de Sartori

    O seminário sobre o papel das fundações, no Plaza, e o reforço da mobilização na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, marcaram, na tarde de quarta-feira, o início da ofensiva final dos sindicatos dos servidores públicos para derrubar o pacote o governador José Ivo Sartori  (PMDB) que vai a votação na Assembleia.
    O conjunto de Projetos de Lei (PL) e de Emenda Constitucional (PEC) proposto pelo governador prevê a extinção de fundações, demissão de funcionários e privatizações.
    O principal argumento contra o pacote é que ele vai causar um enorme estrago nos serviços públicos estaduais, com impacto quase nulo na redução do déficit, uma vez que esses órgãos a serem extintos não representam mais do que 0,4% do orçamento.

    Palácio o governo isolado por grades / Thais Ratier/JÁ
    Palácio o governo isolado por grades / Thais Ratier/JÁ

    Quase na mesma hora que encerrava o seminário das fundações, um buzinaço começava na frente do portão de entrada do Palácio Piratini, que está isolado por grades. A porta de entrada da Assembleia Legislativa também permanece fechada. A entrada na Casa do Povo é restrita, por uma entrada lateral, protegida por grades e por seguranças da Casa.
    Mesmo assim muitos servidores ocuparam as galerias do plenário e assistiram ao Grande Expediente realizado pela deputada Miriam Marroni (PT) contra a privatização da CEEE, da Sulgás, da CRM e a extinção da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH).
    Enquanto isso, grupos de servidores promoviam “trancaços” na rua que dá acesso à entrada da Assembleia, portando faixas, cartazes e distribuindo panfletos aos motoristas. No interior da praça da Matriz, técnicos da Fundação Zoobotânica montaram uma mini-exposição, mostrando o que faz a instituição e o acervo científico que acumulou ao longo de quatro décadas.
    As mobilizações ganham intensidade na tarde desta quinta-feira, quando em assembléia na Praça da Matriz, o Cpers decide sobre a greve geral. Nos próximos dias estão programados abraços, caminhadas, vigílias e, no dia 13, quando o Senado vota em segunda sessão a PEC 55, uma greve geral.
     
     

     

  • Fontana propõe emenda constitucional para garantir eleição direta

    O deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) apresentou no plenário da Câmara dos Deputados sua Proposta de Emenda Constitucional que determina eleições diretas em qualquer circunstância, alterando o artigo 81 da Constituição Federal que prevê eleição do presidente pelo Congresso Nacional se o impedimento ocorra nos últimos dois anos do mandato presidencial.
    De acordo com Fontana, diante do momento de grave crise institucional e de legitimidade da representação política no Brasil, se faz necessário que o Congresso revise o artigo que determina eleição indireta para presidente.
    “O momento exige eleições diretas. O país precisa preservar a democracia e eleger diretamente seu principal mandatário. Para isto apresentamos a emenda que garanta eleições diretas sempre que o mandato presidencial (presidente e vice) for interrompido por qualquer motivo ocorrido dentro da ordem constitucional. Queremos garantir ao povo brasileiro a decisão final da escolha de quem governa o país, garantindo maior transparência, legitimidade e estabilidade política”, defende.
    Em discurso no plenário nesta quarta-feira (07) afirmou que  o país vive uma das mais graves crises institucionais da história, com o golpe de caráter parlamentar que iniciou o processo de desestabilização das instituições do país e começa a cobrar um preço cada vez mais alto da população brasileira. “Quando se desrespeita um dos pilares mais importantes do sistema democrático que é o cargo de presidente da República eleito pelo voto direto da população se desencadeia uma espécie de vale tudo institucional. É isso que esta causando a grande instabilidade que vivemos hoje no país”.
    Renúncia  de Temer
    O parlamentar  aponta que o governo Temer derrete a olhos vistos e  a base que se uniu para derrubar ilegitimamente a presidenta Dilma já se engalfinha por espaço de poder, querendo abandonar o governo e estudar uma alternativa de, por via de eleição indireta, mais uma vez os 513 deputados escolherem outro presidente sem o direito da população votar.
    Para Fontana,  a mais estrutural de todas as decisões é a retomada de eleições diretas. “Temer deve renunciar à Presidência para que o povo brasileiro possa escolher presidente por eleições diretas o mais rápido possível. As soluções para a economia não virão de um governo fragilizado e ilegítimo. O povo brasileiro é que vai dar o rumo para sairmos desta crise institucional. Jamais esse Congresso pode pensar que poderia escolher outro presidente pela via indireta, derrubando Temer. Diretas já. É isso que o Brasil precisa”, concluiu.
  • Cpers chama para assembleia geral na Praça da Matriz

     
    Nesta quinta-feira, 08, às 13 horas, na Praça da Matriz, instala-se uma assembleia geral dos professores da rede pública estadual.
    Nela, a diretoria do Cpers vai encaminhar proposta de greve geral como resposta ao pacote de medidas de contenção de gastos, encaminhado pelo governo Sartori à Assembleia Legislativa.
    Se a greve for aprovada, os professores não entregarão as notas de fim de ano dos alunos da rede pública estadual, ficando também comprometidas as aulas de recuperação que a categoria ficou de cumprir pela paralisação de 46 dias feitas em junho desse ano.
    Os professores, assim como o restante do funcionalismo público estadual, há dez meses recebem seus salários parcelados e ainda não sabem a solução do governo Sartori para o pagamento do 13º salário.
    Na luta contra os cortes nos direitos dos trabalhadores, o CPERS/Sindicato inclui também resistência às medidas do governo Michel Temer e está orientando a seus filiados que pressionem os deputados estaduais e federais das suas regiões, para que não aprovem os pacotes governamentais.
    O sindicato também convocou os professores de seus 42 núcleos a estarem em cada local em que o vice-governador, ou outro representante do governo, esteja falando sobre os planos do governo para as comunidades.
    “É fundamental mostrarmos as consequências que o pacote de maldades deste governo traz para os serviços públicos e os servidores. Não vamos permitir que mintam descaradamente. Este pacote traz um retrocesso imenso em nossos direitos e de toda a sociedade”, explica a presidente do CPERS, Helenir Schürer.
     

  • Segurança e fiscalização são demandas dos usuários da Redenção

    O Conselho dos Usuários do Parque Farroupilha se reuniu nesta terça-feira para fazer o balanço do ano e projetar as prioridades para 2017. Segurança, que é um tema recorrente, fiscalização em relação a camelôs e feiras irregulares e problemas com o calçamento da José Bonifácio foram as principais demandas.
    A reunião foi realizada na Casa dos Conselhos e contou com a presença de representantes da Associação dos Amigos do Parque Farroupilha, da Associação dos Amigos do Bom Fim, da Associação do Mercado Bom Fim, dos artesãos do Brique, além de um representante da SMOV (Secretaria Municipal de Obras e Viação). Roberto Jakubaszko, dos Amigos do Parque, afirmou que todas as Secretarias que têm relação com o parque foram convidadas a participar.
    Jakubaszko convidou todas as entidades a construírem a agenda de aniversário do parque. No dia 24 de outubro de 2017, a Redenção completa 210 anos. A data marca a cedência do terreno para o Município pelo então governador Paulo Gama no ano de 1807 – o parque tem ainda outra “data de nascimento”, 20 de setembro de 1935, quando foi inaugurado o plano de melhoramentos da antiga área da várzea, juntamente à exposição do Centenário Farroupilha. A programação começou na data dos 209 anos e vai se estender pelo período de um ano.
    Os representantes do Brique cobraram uma melhor iluminação da avenida José Bonifácio e reclamaram do calçamento. Nos espaços onde há árvores, com a erosão acabam se formando buracos que atrapalham a circulação dos pedestres. “Esta avenida de quase 600 metros é o cartão de visitas da cidade”, defendeu um deles.
    Rodrigo Kandrik, da SMOV, lembrou que estes espaços já foram cobertos com saibro a pedido de outros artesãos, mas reconheceu que o material acabou cedendo com as chuvas e se comprometeu a verificar a disponibilidade de cobrir estes espaços com brita.
    Eduardo Couto, do Mercado do Bom Fim, elogiou duas melhorias que agradaram os comerciantes: a reforma da iluminação, concluída há poucos dias, e os reparos realizados no calçamento. Entretanto, frizou que permanece a necessidade de se fazer um projeto maior de reforma do piso. Ele criticou a falta de controle da SMIC sobre o comércio irregular no entorno do local.
    Carlos Alexandre Randazzo, presidente da Associação dos Amigos do Bom Fim, lembrou que a feira localizada ao lado do mercado foi criada para ser uma entidade e que, à época, contou com apoio da associação, mas lamentou a falta de controle por parte do poder público.
    Em relação à segurança, foi comemorada a reabertura, pela Guarda Municipal, do postinho policial comunitário, na esquina da Osvaldo Aranha com a José Bonifácio, que originalmente foi ocupado pela Brigada Militar. O recente anúncio do Secretário Estadual de Segurança, Cezar Schimer, de que a o Exército ajudará no patrulhamento do parque também está sendo visto com bons olhos.

  • Meu amigo Ferreira Gullar

    ERIC NEPOMUCENO
    Foi numa noite de 1975. Não lembro o mês. Foi em Buenos Aires. Tempos de exílio, tempos sombrios. Lembro que Eduardo Galeano ligou dizendo que encontraríamos um desconhecido que, diziam, era um grande poeta. Lembro de ter dito a ele que era, sim, um grande poeta.

     Lembro que estava meu amigo Augusto Boal, com sua Cecilia. Lembro que havia mais argentinos: afinal, estávamos em Buenos Aires.
    Lembro que era um apartamento modesto, na distante rua Hipólito Pueyrredón, não na elegante avenida Pueyrredón, que ficava perto de minha casa. Lembro que por isso me enganei de endereço. Lembro que por esse engano, Eduardo e eu chegamos tarde.

    Mas o que mais me lembro, a imagem mais permanente na memória, é a de um homem triste. Naqueles meus anos jovens, eu nunca tinha visto alguém tão triste. Mais triste que Ferreira Gullar.
    Tinha cabelos negros que caíam como um véu sombrio sobre seu rosto. Falava numa voz baixa e grave. De repente, ria um riso estranho. Um riso nervoso.
    Ele vinha de muitos exílios, muitas derrotas. Vinha do Chile de Salvador Allende. Vinha do golpe traidor de Augusto Pinochet, vinha da morte de Allende. Vinha de sonhos frustrados, roubados. E perguntava, perguntava coisas, queria saber. Era como alguém que queria respirar vida.
    Anos depois, muitos, voltamos a nos encontrar, no Brasil. E o que agora lembro eram nossos almoços na casa de Vera e Zelito Vianna, ou de quando ele vinha à minha casa, e eu cozinhava e ele gostava, ele e Claudia.
    Ferreira Gullar, meu amigo que foi o ser vivo mais triste que vi na vida quando éramos jovens, quando vivíamos os anos jovens, foi também o último grande poeta do idioma que falamos no Brasil.
    Era uma espécie de Juan Gelman em português, capaz de em uma ou duas ou três frases fazer desatar temporais de emoção, de vida.
    Lembro da noite em que ele, com aquele ar mais triste e mais raivoso do mundo, leu:
    Turvo, turvo
    a turva
    mão do sopro
    contra o muro
    escuro
    Menos menos
    menos que escuro
    menos que mole e duro menor que fosso e muro: menos que furo
    escuro
    Era o começo do Poema sujo. Era só uma casa, um apartamento modesto na Buenos Aires dos nossos anos jovens. Era a vida, era o mundo.
    Sim, sim, voltamos a nos encontrar, anos depois, no Brasil, neste Rio de todos os janeiros. E nos vimos um sem fim de vezes, na minha casa, na casa dele, na casa de Vera e Zelito Vianna.
    Uma vez, ouvi dele uma frase definitiva. Gullar falava da poesia, da arte. E disse: “Por que a poesia, a arte? Porque a vida, só, não basta”.
    Outra vez, com meu filho Felipe, ouvi outra frase: “Ontem, tive uma discussão com a Claudia”, que era sua derradeira e permanente namorada. “E ela foi embora, e num primeiro momento me senti cheio de razão. E aí cheguei à conclusão: eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz. E liguei para ela”.
    Foi talvez o último grande poeta não só do Brasil, mas do idioma português. Um dos últimos grandes poetas dessas comarcas que chamamos de América Latina.
    Agora que ele se foi, dirão essas louvações, e muito mais.
    Eu fico aqui lembrando sua figura esquis, seu corpo frágil, sua magreza quase mística, seus olhos faiscantes.
    Fico lembrando daquela figura triste, triste, de um mês qualquer de 1975, numa Buenos Aires perdida para sempre. E que era capaz de escrever coisas assim:
    Uma parte de mim
    é todo mundo;
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.
    Outra parte de mim
    é multidão:
    outra parte, estranheza
    e solidão
    A última vez que ele e Cláudia vieram em casa, faz um bom tempo, preparei camarões. E depois dessa vez, quando nos víamos, ele dizia: “Cadê aqueles camarões?”.
    Essa, eu fiquei devendo.
    Mas ele ficou me devendo muito mais. Ficou devendo aquela parte dele que era multidão.