Com o nome “Caixa 2 Não”, campanha quer constranger deputados a vetar emenda que perdoa crimes de caixa 2 cometidos no passado.
A Rede Nossas Cidades e o Quebrando o Tabu lançaram dia 24 de novembro) uma mobilização contra a emenda ao pacote anticorrupção que anistia os políticos dos crimes de caixa 2 no Brasil. Através do site www.caixa2nao.nossascidades.org.br será possível, com poucos cliques, enviar emails a todos os deputados e deputadas federais pressionando pelo veto da emenda.
A mobilização foi organizada após a Câmara dos Deputados aprovar, no início do dia, o regime de urgência para a votação do pacote. A urgência já foi retirada, mas é possível que uma sessão extraordinária seja aberta a qualquer momento para realizar a votação. É do interesse dos deputados votar a matéria o mais cedo possível para que a sociedade civil não tenha tempo de organizar manifestações.
Os organizadores do “Caixa 2 Não” esperam que, nos próximos dias, milhares de brasileiros e brasileiras utilizem a plataforma online para lotar as caixas de emails dos parlamentares com mensagens contra a anistia ao caixa 2. A votação do pacote anticorrupção está prevista para esta terça-feira (30).
Autor: da Redação
Mobilização contra anistia ao Caixa 2: envie um email aos deputados
SOS Mata Atlântica participa do #diadedoar 2016
A Fundação SOS Mata Atlântica participa do #diadedoar edição 2016, nesta terça-feira (29). A campanha foi lançada no Brasil, em 2013, pelo Movimento por uma Cultura de Doação para estimular entre os brasileiros o hábito de doar. Foi inspirada no #GivingTuesday, criada nos Estados Unidos em 2012. Cerca de 80 países já contam com essa mobilização, uma forma de oferecer às pessoas uma alternativa ao consumismo de fim de ano e estimulado por campanhas como a Black Friday.
Para contribuir com o meio ambiente nesta data e participar da campanha com a Fundação SOS Mata Atlântica, basta realizar a doação, de qualquer valor, através do link: http://www.paypal-brasil.com.br/doe/doecompaypal#sos-mata-atlantica.
Quem fizer a doação estará apoiando os projetos da ONG, que realizam educação ambiental, cobram do governo políticas ambientais eficientes, apoiam reservas, parques e outras áreas de proteção da natureza no mar e na mata, monitoram o desmatamento da floresta e realizam sua restauração, avaliam a qualidade da água, entre outras ações. Mais de 30 milhões de árvores foram plantadas pela SOS Mata Atlântica, que já reflorestou uma área equivalente à cidade de Recife (PE), com o apoio de empresas e pessoas físicas. Seus projetos já envolveram 3 milhões de pessoas em mobilizações pelo meio ambiente e ações educativas.
Diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota enfatiza a importância de se estimular a cultura de doação, ainda desconhecida por grande parte dos brasileiros. “Muitas pessoas se sensibilizam pela causa ambiental, mas poucos sabem que é possível contribuir de forma simples e eficaz com projetos como os de restauração florestal. As doações são muito bem vindas, pois contribuem para fortalecer a nossa missão de proteger a Mata Atlântica e qualidade de vida”, afirma Marcia.
Sobre a SOS Mata Atlântica
A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG brasileira que atua há 30 anos na proteção dessa que é a floresta mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e unidades de conservação, dentre outros. Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.Caso Geddel deixa uma bomba no colo de Temer
A denúncia do ex-ministro da Educação, Marcelo Calero, repetida pela TV em rede nacional na noite de domingo, é a bomba que amanhece no colo do presidente Michel Temer nesta segunda-feira (28).
Calero pediu demissão há dez dias, alegando que vinha sendo pressionado por seu colega de ministério, Geddel Viera Lima, para liberar uma obra embargada pelo Instituto do Patrimonio Histórico Nacional, em Salvador.
Geddel seria proprietário de um dos apartamentos do edifício de 51 andares no centro histórico da capital baiana.
Detalhes do caso nos dias seguintes, revelando o envolvimento de seus familiares no negócio imobiliário, levaram Geddel a pedir demissão na sexta-feira, 25.
Marcelo Calero recusou-se a intervir em favor de Geddel / Foo Marcelo Camargo/Ag.Brasil
No mesmo dia, circulou a informação de que Calero, no depoimento que dera à Polícia Federal sobre o caso, havia denunciado o próprio Michel Temer, que numa reunião no palácio do Planalto, pressionou-o para dar “uma solução ao caso Geddel”.
No domingo, em entrevista ao Fantástico, Calero relatou sua conversa com Temer, quando foi pressionado. Disse que também o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, interferiu em favor de Geddel.
Gravações dessas conversas (não a com Temer no palácio) estão no processo iniciado pela Polícia Federal e a caminho do STF e da Procuradoria Geral da República.
No mesmo Fantástico, trechos da coletiva de Temer com os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Rodrigo Maia, convocada na tarde de sábado para explicar a aventada anistia ao Caixa 2, e que acabou abordando as gravações.
Ainda não dá para avaliar os estragos que a bomba fará no governo Temer. Conforme os desdobramentos e o movimento das ruas nos próximos dias, ela pode ser letal.
Indicações ao Açorianos de Literatura dão visibilidade à Escola de Poesia
Higino Barros
Nesta segunda-feira serão conhecidos os vencedores do Prêmio Açorianos de Literatura Adulta e Infantil 2016, a premiação mais concorrida da área no Rio Grande do Sul. A cerimônia acontecerá, na Noite do Livro, às 20h, no Teatro Renascença. Serão agraciados escritores de dez categorias, além do Livro do Ano, dos Destaques de Literatura e do Prêmio de Criação Literária 2016.
Para o grupo da Escola de Poesia, em especial, a noite é de expectativas e de visibilidade – chega na festa com duas indicações: na categoria Poema, com o livro E se alguém o pano, de Eliane Marques; e na categoria Ensaio de Literatura e Humanidades, com Nós cultuamos todas as doçuras, de Marília Floor Kosby, sobre a produção de matriz africana das doceiras de Pelotas.
“Embora tenha o nome de Escola de Poesia, nossa escola não tem a pretensão de ensinar poesia a ninguém. Contudo, quem quiser saber de poesia acabará aprendendo com os poetas lidos, estudados e discutidos durante encontro semanais”, explica Eliane Marques, uma das responsáveis pela instituição, ao lado de Lúcia Bins Ely e de Anelore Schumann.
Conceitos de trabalho
Ligada a uma instituição de psicanálise da Argentina, Après Coup, liderada pelas poetas e psicanalistas Marcela Villavella e Inés Bárrio, as sementes da Escola de Poesia surgem em Buenos Aires na década de 1970, e se fixam em Porto Alegre nos anos 1990″. Seus alicerces principais são os conceitos de trabalho, de grupo, de leitura produtiva, principalmente de poetas pertencentes à tradição, de escritura e de publicação.
“O método Menassa se constitui de três partes. O dia, a tarde e a noite. O dia diz respeito à fase inicial com contato com muitos poetas, com outros colegas. A tarde diz respeito à participação e organização desses trabalhos, de saraus. Não a simples presença de assistir um sarau, mas participar dele também e à publicação de uma revista de poesia. A fase da noite se compõe de um objeto final que é a publicação de um livro. Entendemos que é função do poeta publicar. Se não publica não existe como poeta”, afirma Eliane Marques.
Ativo através de publicações de revistas de poesias desde sua criação, de participações na Feira do Livro, o grupo se envolveu também em projetos sociais que usam a poesia para ajudar menores em situação de risco. Na Feira do Livro de 2016, lançou nova edição da revista “Ovo da Ema”, que contém a produção literária dos atuais de integrantes da escola.
Pelas indicações obtidas no Prêmio Açorianos de Literatura, o grupo da Escola de Poesia conseguiu em 2016 o reconhecimento da crítica e do mercado literário gaúcho. O que em tempos de crise e ataque às instituições de cultura em geral, vale como a leitura da melhor poesia.
Amostra
Poema de E Alguém o Pano, de Eliane Marques:
então tudo limpo até o prato que se lava
dos velames aos sacos a se estenderem nas amuradas
biografia e retrato
e bem junto ao muro bem desse tom azul-oscuro o desdito
enquanto alguém oração de graças
por que de algum distante a língua para a assepsia da tarde
são quatro
os punhos desde que algo os delate
e se dilatem os pés. chagas os seus calços
e permaneça a boca velada feito fósforo na caixa
ou amarração da âncora aqui ao lado do que se paga
a erdosain remo em busca da rosa metálica pouco importa
importa menos ainda o ferro forcado
a carta ao enforcado
tudo metades do corte de uma só vaca
são quatro
a moléstia do matarife com o que fora fermentado
mas cuidado o manquejo da vergonha exala
o fermento os louros diamantes que se os moleste agora
tudo qualquer lodo inclusive esse pedaço de bolo
ou a pecinha dos fundos túmulo sem cruz ou nome: assim não se usava
são quatro
o pulo sob a poça que foi barco a noite da sede pelas canoas ou dos entalhes
tudo fede a alho
também o vagão que traz os cacos da carga
são quatro
o ganido do cão sob as tábuas a quem se proíbe o charque
aí a postos a oficiala com as mãos cheias na cara dos finados
são quatro também contra o risco
de quem tranquila com a latitude da porta
saber-se cômodo do sem emenda e nem pássaros
assim o utensílio feito
que faça ele o teu café e pão o teu dia com o rebento das algas
Eliane Marques E se Alguém o Pano (2015 – Editora Escola de Poesia, finalista do Prêmio Açorianos de Literatura 2016); Relicário (2009 – Editorial Grupo Cero) e, com outros autores, Arado de Palavras (2008 – Editorial Grupo Cero). É coeditora da revista de poesia “OVO DA EMA” e coordena a Escola de Poesia. Graduada em Direito e Mestre em Hermenêutica Jurídica, além de poeta e escritora, trabalha no Tribunal de Contas do RS como Auditora Pública Externa.Um governo sem compaixão
Jorge Barcellos – Doutor em Educação
A reivindicação do discurso de proteção aos desamparados, o discurso de compaixão que ocupou a política de bem-estar social, discurso que fazia do Estado o protetor da sociedade e de seus servidores foi apontado como característica do discurso político por Hannah Arendt em sua obra Sobre a Revolução. Sua característica se define pelo apoderamento pelo Estado do sofrimento dos pobres, indigentes e excluídos para converte-lo em argumento por excelência da política e sempre incluiu o horizonte do serviço público em sua argumentação. Por esta razão os servidores públicos tiveram reconhecidos em seus estatutos inúmeros direitos de proteção ao trabalho que transformaram tais instrumentos legais em referência: do direito a liberação de horas de trabalho para realizar estudos a liberação de horas para tratamento de familiar doente, o Estado sempre nutriu compaixão pelos servidores públicos e a iniciativa privada, através da legislação social, em muito imitou os direitos conquistados pelos servidores públicos.
Da explosão do sofrimento das classes pobres que insuflou os revolucionários da Revolução Francesa a determinar o curso do seu movimento à política contemporânea nos estados onde desde 2008 ocorre a retomada da ascensão neoliberal, vemos a substituição paulatina dos pobres e vítimas do passado pelos servidores públicos no presente. Hoje, as condições dos trabalhadores do serviço público integram a questão social e o desmonte das suas proteções foram incluídas no desmonte geral das proteções da sociedade salarial, que vão desde a redução dos direitos do trabalho, segurança e previdência, então característicos do processo de descidadania neoliberal: é a passagem dos trabalhadores de plenos direitos à trabalhadores sem direito algum repercutindo agora em seu equivalente dos servidores públicos de plenos direitos a servidores sem direito algum.
Esses processos de desterritorialização de direitos, de trabalhadores e servidores públicos colocam a questão de que pensar a cidadania no mercado é tão importante quanto a cidadania no serviço público. A redução dos espaços democráticos, expressão do que Arendt chama de pobreza, não é a carência de meios, mas a necessidade do sistema da miséria aguda, a desumanização de homens vítimas do capital em todos os espaços, e por esta razão, atinge trabalhadores e servidores públicos indistintamente. Não é o que se vê na irrupção de servidores públicos estaduais em greve por terem seus salários parcelados pelo governo de José Ivo Sartori, incapazes de atender suas necessidades básicas? Isso não é o equivalente da irrupção dos pobres da Revolução Francesa? Também os servidores públicos sofrem coerções de seu processo vital, tem urgência em conservar a vida e por isto o lamento de servidores que sequer tem condições de ir para a escola ministrar suas aulas. Sartori diz que este é um momento em que todos devemos dar nossa parcela de sacrifício, mas o que Arendt diz é que de “indivíduos submetidos a semelhante pressão não se pode exigir sacrifícios que se podem pedir a cidadãos”. Quer dizer, Arendt defende que antes de exigir qualquer sacrifício, qualquer idealismo aos pobres, devemos faze-los primeiros cidadãos “o que implica em mudar as circunstâncias de suas vidas privadas, em grau tal, que sejam capazes de usufruir do público”.
Não é o mesmo que ocorre com os servidores públicos atingidos pelo pacote de maldades do governador José Ivo Sartori? O governador, que já vinha desagregando a cultura do serviço público em nosso estado com sua suas medidas de parcelamento salarial, retirando as condições de existência digna de seus servidores sob a justificativa que deveriam “abraçar o sacrifício conjuntamente”, nesse instante deixou de atender minimamente o contrato social que tem com eles, que garante pelo serviço público prestado a justa remuneração. Quando José Ivo Sartori começou a parcelar salários de servidores públicos perdeu o direito de exigir sacrifícios simplesmente porque eles deixaram de serem cidadãos, foram reduzidos a uma condição inferior, foram privados de responder a qualquer demanda de sacrifícios porque já foram sacrificados à exaustão. Por isso, agora, o pacotão de maldades anunciado por José Ivo Sartori agudiza a superesploração do servidor público e reduz ainda mais sua condição de cidadania. Ele reduz os servidores à condição de extrema pobreza e não se trata somente da incapacidade de satisfazer necessidades vitais do servidor, se trata também de sentir “vergonha de ser condenado à escuridão e não ter direito à plena luz da vida púbilca”, como assinala Myriam Revault D’Allonnes em El Hombre Compassional (Amorrourtu Ediciones).
Por isso, a sugestão de demissão de 1200 servidores públicos é a face atual das palavras de John Adams recuperadas por Arend e por D’Allones: assim como na época de Adams, a humanidade não prestava atenção alguma ao pobre, não o viam, a sociedade atual, frente a imediata demissão de 1.200 servidores públicos… não os veem. Como é possível inúmeras manifestações nas redes sociais virem apoiar a iniciativa do governador de demissão? Há, com certeza, o desconhecimento da maioria do público das suas funções, somada ao novo pensamento de direita efervescente por todo o Estado. Mas o que tais afirmações fazem é corroborarem a prerrogativa de que, assim como os pobres do passado de Adams, os servidores públicos do presente têm suas vidas duplamente mortificadas: por sua indigência, já que sofrem com a redução de direitos consagrados e por que seu novo sofrimento que se aproxima, a demissão, ignorada pela massa da sociedade que vê o serviço público como seu bode expiatório. Essa cegueira social, essa ignorância do papel e do valor dos servidores das diversas instituições públicas a serem fechadas é a prova de que vivemos uma sociedade infame, sociedade que vê como indignidade narrar a vida desses servidores, que vê tais vidas como invisíveis. O governo Sartori conseguiu produzir assim um déficit social pois transformou os servidores públicos em nova camada de pobres sociais, mas também produziu um déficit simbólico, pois sequer os servidores públicos atingidos são vistos como parte da sociedade quel integram.
O que José Ivo Sartori conseguiu com sua política de massacre do servidor público foi a invisibilidade do servidor e Arend defende, segundo D’Allones, justamente que a inexistência social e política é um dos estigmas da pobreza. Os servidores públicos são os novos pobres graças a Sartori, mas, ao contrário dos revolucionários jacobinos, que fizeram da compaixão o motor de sua ação, o governador aprisiona os servidores a sua pobreza, mostrando-se um governo sem compaixão, mas com piedade. Sem compaixão porque em sua etimologia designa a sensibilidade ao sofrimento do outro sem implicar um sentimento de superioridade, mas com piedade porque este justamente é um sentimento assimétrico, é preciso que o governo se sinta numa posição superior para julgar e portanto, inferiorizar o servidor: a piedade humilha o seu objeto. Por isso, nas diversas entrevistas do governador, ele sempre vem com seu olhar de…pena para com a situação do servidor, mas não se trata de compaixão, é só olhar o significado do pacotaço de Sartori, que dizima servidores e órgãos públicos ao seu prazer. Para onde foi a compaixão no serviço público? Não para o do governador, mas para as demais categorias de servidores públicos dos demais níveis, que sofrem conjunto com os servidores do estado, o co-sofrimento de categoria. Sartori só manifesta piedade, só sente tristeza de ter de demitir servidores, mas isso não afeta ele próprio: por isso o valor dos estudantes que vão as ruas contra as medidas de Sartori, eles sentem compaixão, são também golpeados pelas medidas do governador.
Que sentimento falta nas relações do governador com seus servidores? O de solidariedade. O princípio deveria nortear as relações do governador com seus servidores pois os órgãos de estado são também uma comunidade, tem interesses que devem ser compartilhados. Ao contrário, Sartori parte do princípio que é preciso explorar o servidor público, e ele o faz porque não tem interesse na sua existência e, por isso seu pacotaço é a proposta de liquidação imediata de fundações, de servidores, de equipamentos “o apetite do poder requer a existência dos mais fracos”, diz D’Allonnes. A perversão das medidas de Sartori está no fato de que, em primeiro lugar, generaliza as instituições, dilui singularidades, homogeneiza tudo como massa indiferenciada: ora, CEEE e Sulgás estão longe de serem empresas que dão prejuízo para serem defenestradas, ao contrário, dão lucro e são sustentáveis; mesmo fundações que não dão lucro, como a TVE, estão dentro das responsabilidades do Estado, que dizer, respondem por atributos do Estado.
A forma indistinta em que Sartori adota a mesma justificativa de “redução de custos” para justificar a extinção de inúmeras fundações indiferencia seu objeto. Por isso é que a ausência de compaixão tem um nome: crueldade. A ausência de amor ao servidor é substituída pela incitação as formas desumanas de tratamento do servidor: Sartori age como o “cirurgião que corta um membro gangrenoso com seu ferro cruel e caridoso para salvar o corpo do paciente” (Allones). Ora, a autora de Ensaio sobre a autoridade lembra que para Anna Arendt na relação política o mundo também é um mundo de relações, há uma distância entre governantes e governados sim, mas há um inter esse, há coisas que separam e unem servidores e seu governador. Tudo isso não existe no governo Sartori, o que o pacotaço revela que existe é outra coisa, a repugnância de seu projeto neoliberal de governo para com o servidor público. Um governo sem compaixão é um governo que instaura qualquer coisa, menos uma sociedade em que os homens possam ser irmãos.
A ausência da compaixão, essa falta de esforço em procurar outra saída, de sequer apresentar o problema a quem serão atingidos, às suas vítimas, para encontrar juntos uma saída, generaliza a distância que separa Sartori do serviço público. É a perversão do estado, a ausência de qualquer amor pelo do governador pelo seu servidor e vice-versa. As origens desta tese são complicadas, mas em resumo, foram desenvolvidas por Pierre Legendre em sua obra “O amor do censor: ensaio sobre a ordem dogmática” (Forense, 1983), que pode ser assim resumida: as grandes burocracias da modernidade ocidental organizam a lei em sistemas e um censor onisciente (função simbólica invariavelmente ocupada pelo governante) cuja obra prima do seu poder é se fazer amar. A leitura de Pierre Legendre é a exploração social da psicose psicanalítica lacaniana, a mesma proposta retomada recentemente por Elisabeth Roudinesco em seu “A parte obscura de nós mesmos: uma história dos perversos”.
Num e noutro está em discussão a ruptura com os princípios de solidariedade e harmonia entre atores diversos como nas figuras emblemáticas de Sade, no fenômeno do nazismo ao terrorismo contemporâneo. A perversão do homem chega ao Estado: a parte obscura do governo Sartori, essa atitude que exibe e que não cessa de dissimular, é a perversão do seu poder: ele oferece como espetáculo público o sacrifício simbólico de seus servidores como discurso de governo, e assim aniquila de uma vez por todas a preocupação da liberdade no governo. Deveríamos ser capazes de deixar os órgãos públicos que funcionam livres para cumprir sua missão pública, como a TVE, a FZB ou FEE, mas como isso contraria os interesses do grande capital desejoso demais de acessar riquezas públicas, é preciso não um governante que se faça amar pelos servidores públicos como sugere Legendre, ao contrário, é esta ausência de amor do governador pelo servidor mas pelo capital que deveria nos horrorizar: a proposta de demissão sem piedade de pessoas e a venda imediata de propriedades é a declaração de amor do governador ao capital. E, portanto, perversão dos fins do estado social, do estado de direito, e da boa administração pública e nesse sentido, a ausência de compaixão do governador é a prova maior de que a tese de Roudinesco está presente entre nós. O pacotaço de José Ivo Sartori é, numa frase, a perversão do ato de bem governar.Plano de extinguir TV e rádio públicas provoca reações pelo país
Em defesa da TVE e da FM CulturaPelo presente, professores e pesquisadores de Comunicação e áreas das Ciências Sociais de universidades públicas e privadas manifestam sua posição radicalmente contrária à extinção da TVE e da FM Cultura, proposta e anunciada pelo Governo do Estado no último dia 21.
A extinção das duas emissoras, que consta das discutíveis medidas de reforma e privatização encaminhadas pelo Governo à Assembleia Legislativa, representaria um prejuízo inominável à identidade cultural riograndense. De outra parte, a proposta revela um desconhecimento surpreendente da missão pública das duas emissoras, das suas características técnicas, institucionais e administrativas, bem como da Fundação Piratini, mantenedora de ambas.
Diversamente do que os atuais governantes consideram, a TVE e a FM Cultura não são emissoras estatais, nem governamentais. Elas são públicas, tal como as define a lei que as criou, o estatuto que as rege e as finalidades dos canais que ocupam. Suas programações, conforme estabelecem as normas legais, são aprovadas por um Conselho Deliberativo, integrado por representantes da sociedade civil.
Como emissoras públicas, elas exercem funções raramente cumpridas pelas emissoras privadas, seja por desinteresse ou impossibilidade material. A TVE e a FM Cultura se destacam no Estado na prática do jornalismo cultural. Manifestações culturais de todos os matizes recebem apoio e espaço em seus programas. Pode-se afirmar que a cultura riograndense se fortalece na Fundação Piratini para então buscar o mercado.
A TVE e a FM Cultura constituem o berço da economia da cultura no Estado. Música, literatura, teatro, artes visuais, audiovisuais ocupam um espaço diferenciado, existente apenas em emissoras públicas. Assim atuando, as duas emissoras também desempenham um papel social fundamental, amplificando e tornando públicas as muitas vozes que conformam a identidade cultural do Rio Grande do Sul – bem como a identidade nacional, pois igualmente transmitem programas de outras regiões do país.
Ao mesmo tempo, elas asseguram o direito público à informação, praticando um jornalismo comprometido com a geração de conhecimento e com a autonomia dos indivíduos. Sem as emissoras públicas de rádio e televisão, todo o sistema de mediação simbólica entre o Estado e a sociedade fica submetido exclusivamente às emissoras privadas. Os discursos de todos os setores sociais ficam cativos da forma que lhes dá a radiodifusão privada. Quem deseja isso?
Foi exatamente para evitar tal monopólio do interesse privado que surgiram as televisões e as rádios públicas, amparadas pela Constituição Federal. Quem desejará restringir a defesa do que é público, extinguindo emissoras públicas? Ademais, as duas emissoras sabidamente apresentam condições técnicas e administrativas razoáveis, e dispõem de um quadro funcional selecionado mediante concursos públicos e reconhecidamente capaz.
Quanto aos alegados custos de manutenção ou de investimento, são notoriamente reduzidos e administráveis. Declará-los incontornáveis ou inconvenientes equivale a afrontar a sociedade gaúcha, que de imediato se opôs à extinção das emissoras. Apelamos ao Governo que abandone esse propósito. Caso isso não ocorra, apelamos aos deputados gaúchos que o derrotem sem hesitar, em nome do interesse público.
O fechamento da TVE e da FM Cultura é inaceitável!
Assinam:
Adriana Amaral, Unisinos
Adriana Duval, Unipampa
Alberto Efendy Maldonado, Unisinos
Alexandre Rocha da Silva, UFRGS
Ana Celina Figueira da Silva, UFRGS
Ana Karin Nunes, UFRGS
Ana Paula da Rosa, Unisinos
Anais Schuler Bertoni, Unisinos
Andrea Pinheiro Paiva Cavalcante, UFC
Ângela Cristina Trevisan Felippi, Unisc
Basilio Sartor, UFRGS
Benedito Tadeu César, UFRGS
Beatriz Sallet, Unisinos
Bruno Polidoro, Unisinos
Cárlida Emerim, UFSC
Carlos Locatelli, UFSC
Celso Augusto Schröder, PUCRS
Cida Golin, UFRGS
Cíntia Carvalho, Unisinos
Cláudia Herte de Moraes, UFSM/Frederico Westphalen
Cláudia Lago, USP
Cristina Marques Gomes, UFSM
Cristina Schneider, Unisinos
Cristiane Brum Bernardes, CEFOR/ Câmara dos Deputados
Cristiane Lindemann, Unisc
Cristiane Pereira, Urcamp/Bagé
Cybeli Almeida Moraes, Unisinos
Daiane Bertasso Ribeiro, UFSC
Daniel Bittencourt, Unisinos
Daniel Silva Pedroso, Unisinos
Débora Lapa Gadret, Unisinos
Edelberto Behs, Unisinos
Eduardo Meditsch, UFSC
Elson Sempé Pedro, PUCRS
Erica Hiwatashi, Unisinos
Eugenia Mariano da Rocha Barichello, UFSM
Everton Cardoso, Unisinos
Fabiana da Costa Pereira, Unifra
Fabiana Piccinin, Unisc
Fábio Canatta, PUCRS
Felipe Boff, Unisinos
Felipe Gue Martini, FSG
Fernanda Cristine Vasconcellos, PUCRS
Flavi Lisboa Filho, UFSM
Flavia Seligman, Unisinos
Flavio Fontana Dutra, Unisinos
Flavio Porcello, UFRGS
Flávio Roberto Meurer, Univates
Frank Jorge, Unisinos
Giba Assis Brasil, Unisinos
Gilmar Adolfo Hermes, UFPel
Gilson Luiz Piber da Silva, Unifra e UFSM
Gisele Dotto Reginato, UFRGS
Helen Beatriz Frota Rozados, UFRGS
Helena Santos Neto, Unisul
Iluska Maria da Silva Coutinho, UFJF
Ilza Maria Tourinho Girardi, UFRGS
Ismar Capistrano, UFC
Izani Mustafá, UERJ
Jair Marcos Giacomini, Unisc
Janaíne Kronbauer dos Santos, Unicruz
Janine Marques Passini Lucht, ESPM-SUL
Jessica do Vale Luz, Unisinos
João Ladeira, Unisinos
José Antonio Meira da Rocha, UFSM/Frederico Westphalen
Karine Moura Vieira, ESPM
Ketlen Stueber, UFRGS
Laísa Veroneze Bisol, UFSM/Frederico Westphalen
Laura Storch, UFSM
Lauro D´Ávila – Unisinos
Leandro Olegário, UniRitter
Leo Nuñes, Rede Metodista do Sul (IPA)
Letícia Carlan, Rede Metodista do Sul (IPA)
Leticia Sangaletti, UFSM/Frederico Westphalen
Liliane Dutra Brignol, UFSM
Lisiane Cohen, Unisinos
Luciana Kraemer, Unisinos
Luciana Menezes Carvalho, UFSM/Frederico Westphalen
Luciana Mielniczuk, UFRGS
Luiz Carlos Erbes, FSG
Magda Ruschel, Unisinos
Marcela Donini, ESPM-SUL
Marcelo Träsel, UFRGS
Marcia Benetti, UFRGS
Marcia Franz Amaral, UFSM
Maria Berenice da Costa Machado -UFRGS
Maria Clara Aquino Bittencourt, Unisinos
Maria Helena Weber, UFRGS
Maria Ivete Fossá, UFSM
Maria Lucia Pata Melão, Rede Metodista do Sul-IPA
Mariceia Benetti, UNIRITTER
Marilia Barcellos, UFSM
Marlise Brenol, Unisinos
Marina Lorenzoni Chiapinotto, Unisinos
Martha Dreyer de Andrade Silva, Unisinos
Mauro César Silveira, UFSC
Micael Vier Behs, Unisinos
Michele Negrini, UFPel
Milton do Prado, Unisinos
Mirna Spritzer, UFRGS
Miro Bacin, Unipampa
Mônica Pieniz, UFRGS
Moreno Cruz Osório – PUCRS
Neli Fabiane Mombelli, Unifra
Nélia Del Bianco, UnB
Neusa Ribeiro, Feevale
Nísia Martins do Rosário, UFRGS
Patrícia Regina Schuster, UNISC
Pedro Luís da Silveira Osório, Unisinos
Raquel da Silva Castedo, PUCRS
Raquel Ritter Longhi, UFSC
Reges Schwaab, UFSM/Frederico Westphalen
Renata Heinz, Unisinos
Ricardo Pavan, UFG
Ricardo Vitelli – Unisinos
Roberto Villar Belmonte, Uniritter
Rogério Christofoletti, UFSC
Ronaldo Henn, Unisinos
Rosane Rosa, UFSM
Sabrina Franzoni, Unisinos
Samuel Pantoja Lima UFSC
Sandra Bitencourt, Rede Metodista do Sul (IPA)
Sandra Depexe, UFSM
Sandra Rúbia da Silva, UFSM
Sean Hagen, UFRGS
Sérgio Francisco Endler, Unisinos
Silvana Gonçalves, FSG
Sílvio André Lacerda Alves, Unisinos
Sione Gomes, Unifra
Sonia Montaño, Unisinos
Tania Almeida, UniRitter
Tattiana Teixeira, UFSC
Tércio Saccol, PUCRS
Tiago Correa Lopes, Unisinos
Thais Helena Furtado, Unisinos
Valci Zuculoto, UFSC
Vanessa Cardoso, Unisinos
Vicente Moreno, Unisinos
Virginia Fonseca, UFRGS
Viviane Borelli, UFSM
Wanderlei de Brito, FSG
Zita Possamai, UFRGS
Defensoria Pública gaúcha receberá prêmio nacional
Centro de Referência em Direitos Humanos da Defensoria Pública ganha
prêmio nacional
O trabalho realizado pela equipe multidisciplinar do Centro de referência em Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (CRDH-DPE/RS) voltado à promoção da cultura dos direitos humanos na área de segurança pública com foco na violência policial foi um dos vencedores da 22a edição do Prêmio Direitos Humanos, promovido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e Cidadania. A solenidade de premiação acontecerá no dia 14 de dezembro em Brasília.
O prêmio é a mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas e a entidades que se destacaram na defesa, na promoção e no enfrentamento das violações dos direitos humanos no Brasil, e tem o intuito de ampliar a sensibilidade da sociedade brasileira a respeito da temática. Em paralelo a isso, procura dar visibilidade às diferentes práticas exitosas relacionadas ao aprimoramento e ao fortalecimento do combate às discriminações por orientação sexual, religiosa, crença, idade e raça, classe social, dentre outros.
Segundo a Defensora Pública-Coordenadora do CRDH-DPE/RS, também Dirigente do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, Mariana Py Muniz Cappellari, a conquista do prêmio é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por toda equipe do órgão no enfrentamento da violência estatal, o qual se dedica integralmente a atuar na preservação e na reparação dos direitos de pessoas vítimas de tortura, de discriminação ou de qualquer outra forma de opressão. “A condecoração nos dá entusiasmo para continuar a aperfeiçoar as práxis institucionais com vistas ao combate multifacetado que a violência exige, além da defesa incomensurável dos Direitos Humanos”, analisa Mariana.
Equipe
Quanto à equipe multidisciplinar do CRDH-DPE/RS, Mariana explica serem 17 pessoas atuando direta e indiretamente no atendimento de uma demanda de 500 expedientes.
“Especificamente na temática da violência policial são quatro profissionais trabalhando em 291 procedimentos referentes à violência policial, dados atualizados até junho de 2016”, acrescenta.
CRDH
O Centro de Referência em Direitos Humanos é uma unidade da Defensoria Pública gaúcha, situado na Rua Caldas Júnior, no 352, no Centro Histórico da Capital. Entre outras finalidades, o CRDH trabalha pela afirmação dos Direitos Humanos e na construção de estratégias de enfrentamento e de superação da violência, assim como na ampliação das condições de acesso à justiça das vítimas de violências doméstica e estatal.
Público-alvo
Qualquer vítima de preconceito, de discriminação, de intolerância, de abusos, de maus-
tratos, de negligência ou de abandono, especialmente às mulheres em situação de violência e às vítimas de violência estatal (do sistema de justiça e de segurança pública), pode procurar atendimento no CRDH. Também é possível obter orientações e informações de forma gratuita pelo Disque Acolhimento 0800 644 5556.Postal reconhece problemas no Cais mas indefere suspensão de obras
Naira Hofmeister
Três conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) decidiram, de forma unânime, que não há elementos suficientes para determinar o embargo das obras de revitalização do Cais Mauá, conforme solicitado pelo Ministério Público de Contas (MPC).
O grupo, reunido em sessão da 2ª Câmara do órgão de controle, acatou relato do conselheiro Alexandre Postal, que já havia se manifestado contrariamente ao pedido do Ministério Público de Contas (MPC) de forma individual.
Apesar de discordar da medida solicitada pelo procurador do MPC, Geraldo da Camino, Postal admitiu “reconhecer nas questões suscitadas, aspectos que podem inviabilizar a continuidade do empreendimento, trazendo riscos ao erário pela paralisação ou cancelamento das obras”.
O conselheiro, entretanto, confia que os problemas apontados sejam “esclarecidos ou quem sabe até saneados” dentro do prazo que ainda resta para a inspeção especial do TCE, que segue até dezembro de 2016.
“É uma posição técnica. Não há ponto objetivo que permita acolher a medida proposta”, salientou, para a reportagem do JÁ, após o fim da sessão.
O MPC pode recorrer ainda mais uma vez da decisão, dessa vez pedindo que o pleno do TCE avalie o pedido de suspensão, mas a assessoria da procuradoria não confirmou qual será o próximo passo, uma vez que o titular está, neste momento, em licença prêmio.
Entre as preocupações de Da Camino estavam o questionamento sobre a validade dos índices construtivos para o empreendimento e o eventual tombamento do armazém A7, que tramita na Câmara de Vereadores.
“Eu venho do Legislativo, sei bem que essas iniciativas podem demorar anos, é apenas uma hipótese subjetiva”, concluiu Postal, que até pouco tempo era deputado estadual pelo PMDB.
Os questionamentos de Da Camino são os mesmos formulados por um movimento de cidadãos contrários ao formato proposto pela revitalização – que terá shopping e espigões construídos em área tombada – e gerou controvérsias entre os conselheiros do Plano Diretor de Porto Alegre, que aprovaram o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) no início de novembro.
“Não há prova do descumprimento de contrato”
O procurador de Contas do Estado, Geraldo Da Camino, havia solicitado a suspensão das obras até que fossem esclarecidos pontos que geram dúvidas no órgão de controle, especialmente a falta de um documento (carta de estruturação financeira) por parte do consórcio Cais Mauá do Brasil S.A., que serviria de garantia à execução das obras.
A exigência consta em contrato e foi cobrada por auditores do TCE em uma inspeção especial – iniciada em 2013 e ainda em andamento – que encontrou essa e outras irregularidades no negócio.
No relatório dos auditores está documentado o esforço do consórcio para cumprir com a cláusula, primeiro entregando um plano de negócios para a área concedida e depois informando a criação de um fundo de investimentos para bancar as obras.
Nenhuma das medidas foi aceita como válida pelos técnicos do TCE. No início deste ano o Governo do Estado isentou o consórcio da responsabilidade pelo descumprimento da cláusula, argumentando que ela era facultativa.
Da Camino cobra a aplicação efetiva da norma. “Não há comprovação de que tenham sido aportados ou garantidos recursos suficientes para a execução das obras – mediante Carta de Estruturação Financeira. Dentro do contexto geral traçado, que evidencia a inércia na execução do projeto, suscita-se exatamente a insuficiência financeira como uma de suas possíveis causas determinantes”, alertou o procurador em seu parecer.
Porém, o conselheiro Postal ainda não está totalmente convencido. “Não há prova concreta de que o consórcio esteja descumprindo o contrato”, observou.
Em seu voto, ainda não disponível na íntegra, ele detalhou: “O seu cumprimento não ocorreu ainda em virtude de questionamento relativos à validade (da cláusula), efetuados pelo órgão fiscalizador interno entre outros”.
Conselheiro confunde área e argumentos
Entre o anúncio do processo em pauta e a proclamação do resultado do julgamento do agravo regimental do Ministério Público de Contas correram menos de dois minutos. Primeiro, Postal leu um trecho de seu parecer, distribuído com antecedência aos demais conselheiros Renato Azeredo e César Santolin.
Em seguida, mencionou a frase regulamentar. “Está em discussão o referido processo”. Silêncio na mesa. “Se ninguém tem interesse em discutir, coloco em votação”. Uma breve espiada para os dois lados (Postal presidia a sessão, estava no centro, portanto) e a conclusão: “Aprovado por unanimidade”.
Após encerrar a sessão, Postal conversou com a reportagem do JÁ. Primeiro, argumentou que não era o caso de “parar tudo o que está em andamento” na obra do Cais Mauá.
Ao ser lembrado que não havia obras no Cais Mauá ainda – o projeto executivo da primeira fase da revitalização, de restauro dos armazéns, está em vias de ser aprovado pela Prefeitura – ele reconheceu. “Tens razão, é do Gasômetro para cá esse contrato, não do Gasômetro para lá”.
Em seguida, justificou que o consórcio não cumpria o contrato em virtude da demora no licenciamento das obras, argumento repetido tanto pelo empreendedor como pelo poder público. Porém, confundiu o questionamento feito pelo Ministério Público de Contas com a falta de pagamento do arrendamento da área, obrigação de que o Estado liberou o consórcio no início de 2015. “São dois pagamentos que estavam em aberto, mas depois foram feitos os depósitos”, tentou explicar.
Ao ser informado pela reportagem de que este tema não estava mencionado no parecer do MPC, sugeriu: “Então busque explicações com o Ministério Público de Contas”.Mais um dia de protestos contra os planos de Temer e de Sartori
Federações de trabalhadores, sindicatos, entidades de classe e movimentos sociais realizam nessa sexta-feira (25), em Porto Alegre, um dia de paralisações, principalmente em serviços públicos. O dia de protesto é contra os projetos do governo Temer, como a PEC 55, mudanças na Previdência Social e outras medidas que retiram direitos de trabalhadores.
Os protestos igualmente dirigem-se contra o pacote de cortes anunciado esta semana pelo governo Sartori, e tramita em regine de urgência na Assembleia Legislativa, que pretende extinguir nove fundações, demitir cerca de 1,2 mil celetistas e mudar a constituição estadual para que seja dispensada a necessidade de plebiscito para privatizar a CEEE, Sulgás e CRM.
Setor mais atingido
Na área dos transportes da capital gaúcha, o setor que pode ser mais afetado é o da Trensurb, que só funcionará em horário de pico. Professores, funcionários de escolas, estudantes e demais servidores públicos farão um ato na Esquina Democrática, às 18 horas. No interior do Estado, os Núcleos do CPERS farão manifestações em frente às Coordenadorias Regionais de Educação – CREs.
Estudantes, professores e funcionários da UFRGS, que tem unidades de ensino ocupadas, também se juntam aos protestos e manifestações.Metroviários fazem paralisação no Trensurb nesta sexta-feira
Responsável pelo transporte de cerca de 220 mil pessoas, diariamente, na região entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, os trens da Trensurb só circularão nessa sexta-feira nos horário de pico – das 5h30 às 8h30 e das 17h30 às 20h30.
No restante dos horários ficarão parados, cumprindo decisão tomada em assembleia geral, pelos metroviários gaúchos que aderiram ao Dia de Paralisação convocado por confederações de trabalhadores e sindicatos do País. Os funcionários da estatal distribuíram carta aberta à população com os motivos da paralisação.
Depois de uma reunião que durou duas horas, o Sindimetrô/RS assinou um termo de compromisso com a Trensurb, na Procuradoria Regional do Trabalho, que exigiu a circulação dos trens nos horários de pico. Mas a direção do sindicato alega que a decisão pode ser alterada, desde que não haja segurança para a circulação dos trens, como já ocorreu em ocasiões anteriores.



