Ainda resta uma semana para que os leitores contribuam com o Dossiê Palcos Públicos. O projeto de reportagens sobre as condições dos palcos públicos de Porto Alegre busca financiamento coletivo via site Catarse. Esta é uma nova versão, mais enxuta, derivada do primeiro projeto, de mesmo nome. Nesta versão reduzida, o foco da reportagem concenatra-se na Usina do Gasômetro.
O projeto está recebendo contribuições, a partir de dez reais, até o dia 1º de dezembro. O orçamento do trabalho é de R$ 5.500, incluindo reportagem, fotografia, edição e arte.
A pauta inclui detalhar o projeto de restauro da Usina do Gasômetro; fazer um balanço sobre os dez anos do Usina das Artes; apurar o que acontecerá com os grupos residentes durante a reforma do espaço; identificar os recursos investidos na manutenção da Usina ao longo dos últimos anos; entender as razões do fechamento do Teatro Elis Regina após a reforma de 2010.
A equipe é formada por quatro jornalistas – Adriana Lampert, Michele Rolim, Naira Hofmeister e Roberta Fofonka – todas com passagens por editorias de Cultura de jornais de Porto Alegre. Três delas, além de ter a arte como pauta jornalística, passaram para o outro lado do palco italiano: Adriana é atriz, Roberta é bailarina e Michele, pesquisadora e crítica teatral.
Autor: da Redação
Uma semana para contribuir com o Dossiê Palcos Públicos
Grupo de trabalho vai analisar os salários dos magistrados
A Corregedoria Nacional de Justiça instituiu grupo de trabalho para analisar os vencimentos e vantagens concedidas aos magistrados de primeiro e segundo graus, em todos os ramos de Justiça, exceção da Justiça Eleitoral. O objetivo é propor mecanismos de transparência e de controle pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A determinação, segundo a Portaria 41, publicada nesta quarta-feira (23/11) no Diário de Justiça, deve-se a notícias de pagamentos de magistrados acima do teto previsto na Constituição Federal, a dúvidas sobre a legalidade desses pagamentos, e a necessidade de cumprimento da Resolução nº 13, do CNJ, que regulamenta os salários dos magistrados e de uniformização das rubricas pagas aos magistrados.
O grupo de trabalho será composto pela juíza Federal Candice Lavocat Galvão Jobim, como coordenadora; o juiz do Trabalho Giovanni Olsson; o juiz de Direito Márcio Evangelista Ferreira da Silva; e os juízes federais José Márcio da Silveira e Silva e Frederico José Pinto de Azevedo.
Acesse aqui a íntegra da Portaria 41.
(Da Agência CNJ de Notícias)Clube de Cultura comemora aniversário da sede neste sábado
O Clube de Cultura, instituição de grande importância histórica em Porto Alegre, foi fundado em 31 de maio de 1950 por um grupo de judeus de orientação laico-progressista e filiação política de esquerda. Porém, a sede só veio sete anos depois, localizada na área térrea de um edifício de apartamentos que leva seu nome, na rua Ramiro Barcelos. Os festejos inaugurais contaram com apresentação da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e palestra de Érico Veríssimo. A programação se estendeu por duas semanas, iniciando no dia 14 de novembro de 1957.
Não por acaso, o dia marcado para o encerramento das celebrações foi 29 de novembro, data que marca a partilha do estado da Palestina, ocorrida dez anos antes. “Dois povos, dois estados” é uma bandeira histórica do Clube, reduto de intelectuais judeus localizado no tradicional bairro Bom Fim. O local foi ainda a primeira sede da Frente Gaúcha em Solidariedade ao Povo Palestino. A sede do Clube de Cultura é tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal desde 2011.
Neste sábado (26), a sede completa 59 anos e a comemoração tem exposição, palestra, músicas e inauguração de um novo espaço. O evento inicia às 19h, com a abertura da exposição “Mundo Palestino”, de Estrela Durá Vigal. Às 19h30 acontece a inauguração do Espaço de Leitura Hans Baumann. Às 20h inicia a palestra do historiador Airan M. Aguiar, com o tema “Defesa da Cultura”. A partir das 20h30, apresentam-se os músicos Álvaro Santi e Cláudio Levitan.
A novidade do aniversário é a inauguração de uma nova sala, com acervo de livros e espaço para leitura. O espaço homenageia Hans Baumann, presidente do Clube, falecido em maio deste ano. A ideia da homenagem veio em função do trabalho de criação de círculos de leitura desenvolvido por Baumann durante muitos anos.
A entrada é franca. O Clube de Cultura fica na rua Ramiro Barcellos, 1853.Marchezan pede que vereadores não aumentem o teto dos servidores
“Por favor, não votem o projeto de lei que prevê o aumento do teto dos servidores públicos. Nós temos muitas outras justiças a fazer neste momento atual de crise.” O pedido foi feito pelo prefeito eleito Nelson Marchezan Junior, em visita à Câmara Municipal nesta quinta-feira (24), junto com o vice, Gustavo Paim. Participaram da reunião vereadores de todas as atuais bancadas partidárias, além de vereadores eleitos para a próxima legislatura (2017/2020).
“As finanças públicas são a parte mais importante. Precisamos alinhar as despesas e escolher prioridades. Ainda não avançamos na transição na estrutura de governo. Me proponho a retornar à Câmara para conversar com os vereadores e presidentes de cada partido. Queremos representar os interesses da população e entendo o compromisso de cada um de vocês com os seus eleitores”, disse o prefeito eleito, ao pedir o apoio dos vereadores para que não votem este ano projetos que acarretem despesas para o município.
O presidente em exercício da Casa, vereador Guilherme Socias Villela (PP), acompanhado do prefeito em exercício, vereador Cassio Trogildo (PTB), parabenizou Marchezan pela iniciativa de “integrar todos os atores envolvidos no progresso de nossa cidade”.
“Estou me retirando da Câmara por antiguidade. Fui um observador em todo meu mandato. Os presidentes demonstraram que dialogar e pensar no bem comum fazem toda a diferença. O espírito guerreiro de vocês há de demonstrar isso”, disse Villela.
Marchezan Júnior, agradeceu “o carinho e a oportunidade de poder dialogar com todos os parlamentares sempre com transparência, respeito e verdade”. “Que a nossa capacidade de diálogo seja sempre privilegiada. Estamos fazendo, primeiramente, um diagnóstico da Prefeitura atual. A situação não é fácil. Precisamos olhar a administração pública municipal sabendo que os desafios são grandes. Esse é um grande desafio de todos os porto-alegrenses. Quero pedir a ajuda de cada um de vocês. Cada um conhece os setores econômicos e sociais de cada segmento, e precisamos de todo apoio e união, nos próximos quatro anos, para pensarmos no bem comum e no desenvolvimento efetivo da nossa Capital”.
O vice-prefeito eleito, Gustavo Paim, qualificou a iniciativa do diálogo com os parlamentares como “algo muito valoroso”, conduzida por Marchezan Júnior e pelo coordenador de campanha da coligação, o vereador Kevin Krieger (PP). “Sabemos que errar e acertar sempre existirá nas diferentes manifestações políticas. É muito mais fácil acertar e construir um mandato coletivo e exitoso quanto maior for a nossa visão.”
Exército vai patrulhar a Redenção
Depois dos últimos episódios de violência o Parque da Redenção vai ganhar reforço na segurança. O Exército vai passar a integrar as rondas no parque. O secretário Estadual de Segurança Pública, Cezar Schirmer, anunciou a medida nesta quarta-feira, no evento Tá na Mesa, da Federasul. Os detalhes ainda estão sendo acertados, mas Schirmer disse ter recebido a confirmação do Exército Brasileiro na manhã desta quarta-feira.
No domingo, dia 13 de novembro, um homem de 29 anos foi assassinado no parque. Luiz Fernando Schilling da Silva, de Novo Hamburgo, recebeu uma facada no peito por volta das 23h30.
No sábado seguinte, foi realizada a última edição do ano da Serenata Iluminada. A reivindicação por mais segurança no parque era uma das temáticas do evento. Há relatos de pelo menos um jovem ferido com faca em uma tentativa de assalto na saída do evento, que é aberto e acontece à noite.
A parceria entre Estado e Exército já foi executada na zona sul, com êxito, segundo o secretário. Barreiras com o auxílio dos militares são realizadas periodicamente nos Bairros Guarujá, Serraria e Santa Tereza.
“Além de ampliar a sensação de segurança, é uma oportunidade para os militares serem treinados”, explicou Schirmer ao dizer que a ideia inicial é aproveitar o efetivo da Escola Militar para a atuação conjunta com a Brigada Militar.
Os militares ainda estão sendo mobilizados para a recuperação do Instituto Penal Feminino, na zona leste de Porto Alegre, que até o final do ano deve estar adaptado para servir como Centro de Triagem com capacidade para abrigar 96 presos. “No mesmo local, uma outra estrutura com a mesma finalidade vai ser construída no prazo de 180 dias. Estamos trabalhando para realizar a licitação”, frisou o secretário ao destacar que também fazem parte das medidas emergenciais a construção de espaços com estrutura de monoblocos, a utilização de contêineres e de um ônibus cela que devem acomodar as pessoas.Começa entre os deputados o debate sobre o pacote de Sartori
O pacote de medidas apresentadas pelo governo do Estado para a chamada “modernização” foram publicadas no Diário Oficial da Assembleia Legislativa desta quarta-feira (23). Foram 22 proposições protocoladas na Casa pelo Poder Executivo: oito Propostas de Emenda à Constituição (PECs), onze projetos de lei e três projetos de lei complementar. Todos os PLs e PLCs foram encaminhados em regime de urgência, trancando a pauta de votações no dia 22 de dezembro.
Além destas 22 matérias, o Executivo também solicitou regime de urgência de outros dois projetos que já estão tramitando na Casa: o PL 301 2015, que extingue a Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde – FEPPS; e o PL 214 2015, que estabelece uma redução de até 30% nos Créditos Fiscais Presumidos nos exercícios de 2016 a 2018.
Outra medida que compõe o pacote e já está em tramitação na AL é a PEC 242 2015, que extingue a licença-prêmio assiduidade do servidor estadual e cria a licença capacitação, altera a redação do § 4º do artigo 33 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências. A matéria já recebeu parecer favorável do relator na Comissão de Constituição e Justiça, deputado Frederico Antunes (PP), e seria votada na reunião de hoje do órgão técnico, mas recebeu pedido de vista da deputada Stela Farias (PT). A PEC retorna à Ordem do Dia da reunião da CCJ da próxima terça-feira (29).
Prazos de tramitação e votações
De acordo com o regimento interno da Assembleia Legislativa, os projetos protocolados com regime de urgência começam a trancar a pauta de votações 30 dias após ingressarem na Casa. Com a entrega do pacote de projetos na terça-feira (22), eles passam a trancar a pauta de votações no dia 22 de dezembro, data da última sessão plenária antes do recesso parlamentar, que começa no dia 23 de dezembro.Nesta quarta-feira (23), as matérias foram publicadas no Diário Oficial da Assembleia Legislativa. Com a publicação, durante 10 dias úteis, o chamado período de pauta, elas podem receber emendas parlamentares. No caso das PECs, o período de pauta é de 15 dias úteis.
Após esse período, as matérias com as emendas seguem para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e demais comissões de mérito. No caso das propostas em regime de urgência, geralmente não há tempo hábil para que possam ser distribuídas a um relator e este possa emitir seu parecer ao projeto, sendo apreciado pelos demais integrantes do órgão técnico. Assim, com a iminência do prazo fatal, a matéria é devolvida ao Departamento de Assessoramento Legislativo (DAL) para que a mesma seja publicada em Ordem do Dia, trancando a pauta de votações em plenário.
Caso as matérias não sejam apreciadas antes do recesso parlamentar, que segue até 31 de janeiro de 2017, o governador tem a prerrogativa de convocar extraordinariamente a Assembleia Legislativa para interromper o recesso, sem custo para o Estado. Neste caso, os deputados deliberam, exclusivamente, sobre as matérias da convocação e só retomam o recesso quando todos os projetos forem apreciados.
Para isso, podem ser convocadas quantas sessões plenárias forem necessárias para finalizar o processo, já que elas, como são extraordinária, têm duração de quatro horas, não podendo ser prorrogadas.
No caso das PECs, elas precisam ser votadas em dois turnos, com interstício de três sessões, e exigem a aprovação de três quintos dos deputados (33 votos).
Projetos de lei complementar (PLC) exigem aprovação da maioria absoluta dos deputados (28 votos).
Projetos de lei (PL) podem ser aprovados pela maioria simples dos deputados presentes em plenário (com quórum mínimo de 28 deputados).
Confira a lista completa das 22 propostas protocoladas pelo Executivo:
- PL 240 2016, que extingue a Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore – FIGTF e a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária – FEPAGRO dá outras providências.
- PL 241 2016, que altera a Lei nº 10.996, de 18 de agosto de 1997, que estabelece benefício ao servidor integrante dos órgãos operacionais da Secretaria da Justiça e da Segurança, ou ao seu beneficiário, na ocorrência dos eventos ”invalidez permanente, total ou parcial, ou morte”, ocorridos em serviço.
- PL 242 2016, que altera a Lei nº 14.644, de 18 de dezembro de 2014, que institui o Diário Oficial Eletrônico do Estado como meio oficial de comunicação dos atos do Estado do Rio Grande do Sul.
- PL 244 2016, que dispõe sobre a extinção da Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas – CORAG.
- PL 246 2016, que autoriza a extinção de fundações de direito privado da Administração Pública Indireta do Estado do Rio Grande do Sul: FZB, Cientec, FEE, Piratini (TVE), FDRH e Metroplan.
- PL 247 2016, que altera a Lei n.º 14.733, de 15 de setembro de 2015, que dispõe sobre a estrutura administrativa e diretrizes do Poder executivo do Rio Grande do Sul e dá outras providências.
- PL 248 2016, que cria a gratificação por desempenho de atividade prisional – GDAP- para os militares estaduais que prestam transitoriamente serviços no sistema prisional do Estado, e dá outras providências.
- PL 249 2016, que introduz alterações na Lei 13.657 de 07 de janeiro de 2011, que cria a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento e dá outras providências, na Lei nº 13.701 de 06 de abril de 2011, que institui o Quadro de Pessoal da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, e dá outras providências, e na Lei nº 13.345, de 04 de janeiro de 2010, que fixa a remuneração dos Dirigentes de Autarquias e de Fundações Autárquicas do Estado, e dá outras providências.
- PL 250 2016, que introduz modificações na Lei nº 14.519, de 8 de abril de 2014, que dispõe sobre o Plano de Classificação de Cargos e Vencimentos do Instituto-Geral de Perícias – IGP, e dá outras providências.
- PL 251 2016, que dispõe sobre a extinção da Superintendência de Porto e Hidrovias de Porto Alegre – SPH, altera a Lei n.º 10.722, de 18 de janeiro de 1996 e dá outras providências.
- PL 254 2016, que altera a Lei nº 14.716, de 30 de julho de 2015, que dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da Lei Orçamentária para o exercício econômico financeiro de 2016, e dá outras providências.
- PLC 243 2016, que introduz modificação na Lei Complementar nº 10.990, de 18 de agosto de 1997, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares Estaduais, e dá outras providências.
- PLC 245 2016, que introduz alterações na Lei Complementar nº 13.259, de 20 de outubro de 2009, que dispõe sobre o Quadro Especial de Servidores Penitenciários do Estado do Rio Grande do Sul, da Superintendência dos Serviços Penitenciários – SUSEPE –, criado pela Lei nº 9.228, de 1º de fevereiro de 1991, e dá outras providências.
- PLC 252 2016, que introduz alterações na Lei Complementar nº 13.758, de 15 de julho de 2011, que dispõe sobre o Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Rio Grande do Sul, institui o Fundo Previdenciário – FUNDOPREV, e dá outras providências, na Lei nº 7.672, de 18 de junho de 1982, que dispõe sobre o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, estabelece a responsabilidade de todos os Poderes e órgãos pelas contribuições previdenciárias e pelo déficit previdenciário, fixa a observância do teto constitucional e dá outras providências.
- PEC 253 2016, que introduz alteração na Lei Complementar nº 13.757, de 15 de julho de 2011, que dispõe sobre o Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Militares do Estado do Rio Grande do Sul, institui o Fundo Previdenciário dos Servidores Militares – FUNDOPREV/MILITAR –, e dá outras providências.
- PEC 255 2016, que altera o artigo 129 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.
- PEC 256 2016, que altera a redação do inciso II do artigo 27 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.
- PEC 257 2016, que revoga o artigo 35 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.
- PEC 258 2016, que extingue o direito aos adicionais por tempo de serviço; altera o parágrafo 3º e acrescenta o parágrafo 8º ao art.33 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências.
- PEC 259 2016, que revoga o § 4º do art. 22; altera a redação do parágrafo 2º e acrescenta o parágrafo 5º ao artigo 163 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.
- PEC 260 2016, que altera o artigo 156 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências.
- PEC 261 2016, que altera a redação do artigo 37 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.
Da Agência AL
TCE julga nesta quinta pedido de suspensão de obras no Cais Mauá
Naira Hofmeister
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) julga nesta quinta-feira (24) o recurso do procurador de Contas do Estado, Geraldo da Camino, que pede a suspensão de qualquer intervenção na área do Cais Mauá antes que sejam elucidadas dúvidas dos órgãos de controle quanto à legalidade do contrato de concessão para a iniciativa privada.
“Decorridos mais de cinco anos da assinatura do contrato, permanecem sem resolução questões com significativo potencial para comprometer a viabilidade do empreendimento”, aponta o procurador.
A análise do pedido de Da Camino está na pauta da sessão da 2ª Câmara do TCE, que estará composta pelos conselheiros Pedro Figueiredo e Renato Bordin (substituto), além do conselheiro Alexandre Postal, relator do texto. A sessão inicia às 14 horas e é aberta ao público.
O Ministério Público de Contas (MPC) questiona a “ausência de definição quanto à disponibilidade de recursos financeiros, a necessidade de esclarecer o regime urbanístico aplicável à área, bem como o noticiado tombamento de armazéns que seriam demolidos, constituem aspectos que podem inviabilizar a continuidade do empreendimento, trazendo elevados riscos ao erário”.
A argumentação é a mesma utilizada por movimentos que se opõem à revitalização do Cais Mauá nos moldes como está proposta: com a construção de torres de 100 metros de altura (equivalentes a 30 andares) em área tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico nacional e municipal, a implantação de um shopping center ao lado da Usina do Gasômetro e a construção de estacionamento para milhares de automóveis na orla pública.
Equívoco levou pedido ao pleno na semana passada
O pedido de suspensão das obras já havia sido analisado por Postal em setembro, quando o conselheiro achou desnecessária a adoção de medida cautelar. Apesar disso, Postal solicitou respostas aos questionamentos ressaltados por Da Camino – que já haviam sido, em parte, verificados por auditores do TCE em uma inspeção especial que está em andamento desde 2013.
Entre outras providências, Postal emitiu intimações a gestores da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) para que esclareçam alguns dos pontos em aberto.
O MPC recorreu da decisão e ingressou com o agravo regimental ora em pauta. Na semana passada, o recurso de Da Camino chegou a ser levado ao pleno do TCE, mas foi retirado porque a tramitação deve se dar no âmbito da 2ª Câmara, segundo a assessoria de imprensa do órgão de controle.
Se o agravo for improvido, segue valendo a decisão anterior do processo, ou seja, não serão interrompidas as obras na área do Cais Mauá. Porém, se o recurso for aceito pelos conselheiros, a SPH deverá garantir a manutenção da área tal como está até que se esclareçam os pontos em debate.MP bloqueia bens de Fortunati por uso indevido da Procempa
Do MP
O Ministério Público ajuizou ação civil pública por atos de improbidade administrativa contra o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, o secretário Municipal de Gestão e Estratégia de Porto Alegre e presidente do Conselho de Administração da Procempa, Urbano Schmitt, e o ex-diretor-presidente da Companhia, André Kulczynski. Na ação, os promotores do Patrimônio Público da Capital Nilson de Oliveira Rodrigues Filho e Tiago Moreira da Silva pediram, ainda, através de liminar, a indisponibilidade de bens dos requeridos.
A ação tem como motivação o uso indevido da Procempa pelo Poder Executivo Municipal de Porto Alegre, representado pelo seu mandatário máximo, com a anuência e adesão do então diretor-presidente e do presidente do Conselho de Administração, que resultou em danos ao patrimônio público. Por isso, o MP pede a condenação dos requeridos ao ressarcimento integral do dano causado ao erário, estimado em mais de R$ 5,1 milhões.
Se o pedido for aceito, os três passam a ser réus e não poderão dispor de valores depositados em poupanças de venda de veículos e imóveis, entre outros. O prejuízo estimado aos cofres da Procempa até o momento é de mais de R$ 5,1 milhões.
Conforme apurado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, desde o ano de 2005, Tribunal de Contas do Estado e a própria Controladoria-Geral do Município vinham apontado a grave situação pela indevida ingerência da administração central do Executivo municipal na Companhia, “que se origina na inexistência de um instrumento de contratualização dos serviços prestados, culminando até na realização de eventos, veiculação de publicidade, contratação de pessoas e fornecimento de bens para o Executivo Municipal, tudo estranho ao escopo da empresa”.
De acordo com o relato dos promotores na ação, “a partir de apontamentos produzidos pelo TCE, pela Controladoria Interna do Município e pela CPI conduzida pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre, pôde-se verificar que a administração central da Capital, verdadeiramente ‘aparelhou’ a Procempa, determinando que a Companhia de Processamento de Dados do Município realizasse diversas atividades, notadamente eventos, publicidade, contratação de pessoas e fornecimento de bens, que não eram de sua competência/finalidade, mas do próprio Poder Executivo”.
Os promotores de Justiça enfatizam que os inquéritos foram instaurados não com o objetivo de apurar irregularidades na administração da Procempa, as quais estão sendo investigadas em outros expedientes em trâmite na Promotoria, inclusive com denúncias e ações civis públicas já ajuizadas; mas para apurar o uso indevido dela feito pelo Poder Executivo Municipal de Porto Alegre, representado pelo seu mandatário máximo, com a anuência e adesão do seu então Diretor-Presidente e do Presidente do Conselho de Administração, e suas consequências, inclusive de dano ao patrimônio público.Extinguir a FEE é uma agressão ao povo gaúcho
Há 25 anos, tive a honra de assumir a Presidência da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser, a FEE, cargo que ocupei por dois anos. Vivíamos um momento difícil para o sistema de estatística nacional, pois o então Presidente Fernando Collor havia decidido, com o objetivo de reduzir gastos da União, promover cortes expressivos no orçamento e no quadro funcional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Pesquisadores e gestores públicos que viveram aquele período conhecem bem os estragos resultantes, sendo a não realização do Censo Demográfico em 1990 um dos mais eloquentes.
Em 21 de novembro de 2016, o governador Ivo Sartori, em uma repetição trágica e tão equivocada quanto aquelas decisões do Governo Collor, anunciou a extinção da FEE, no âmbito de um pacote de privatização de fundações e empresas no Estado do Rio Grande do Sul. Essa decisão causará uma irreversível destruição do sistema de estatísticas gaúcho, e terá um impacto irrelevante sobre as contas públicas pois a FEE custa menos de 0,08% do orçamento do Estado.
Por 43 anos, a FEE tem produzido estatísticas e indicadores metodologicamente consistentes e socialmente confiáveis, atributos fundamentais a um instituto público de pesquisa. Se hoje o Rio Grande do Sul dispõe de uma matriz insumo-produto, de indicadores sobre o agronegócio, de estimativas do PIB, de índices de vendas no Comércio e na Indústria, que permitem conhecer a estrutura produtiva do Estado e direcionar as políticas de estímulo à produção, é porque a FEE os produz. Se dispomos de estimativas municipais de população, que propiciam conhecer a demanda por serviços públicos pelos gaúchos, para atendê-los mais adequadamente, é porque a FEE as organizou. Se temos o retrato do mercado de trabalho metropolitano, é porque a FEE o constrói, mensalmente.
Para produzir todos esses indicadores, a FEE estabeleceu parcerias com instituições e órgãos governamentais, além de órgãos de representação setorial, gaúchos e nacionais. Destaco essas parcerias porque elas são expressão do respeito que a FEE construiu junto à comunidade científica e estatística, aos gestores públicos e à sociedade gaúcha ao longo de sua história, além de mostrarem o empenho do corpo técnico da instituição para dialogar e construir indicadores capazes de retratar, da forma mais adequada possível, a realidade que os atores envolvidos querem e precisam conhecer.
A proposta de extinção da FEE é, por todos os ângulos que analisemos, um enorme equívoco. Mais que um equívoco é um grave dano ao Estado e à sociedade gaúchos. Séries históricas se perderão, informações necessárias ao planejamento das ações públicas deixarão de existir, o conhecimento sobre a realidade produtiva e social do Estado escasseará. Quando o governo ou a sociedade quiser planejar suas ações, fará o que? Contratará empresas de consultoria privadas, que cobrarão pelos serviços que antes eram prestados, com autonomia e qualidade, pela FEE?
Cabe perguntar por que a extinção da FEE? Por que esse verdadeiro atentado ao patrimônio dos gaúchos já que a extinção da FEE não contribui para a melhoria das contas públicas? Será a dificuldade de lidar com a transparência que os dados trazem?
Infelizmente, a conjuntura recente tem se mostrado pródiga em pontes e caminhos que prometem o futuro, mas nos conduzem a um passado que o Rio Grande do Sul e o Brasil não merecem reviver.
Como gaúcha por adoção e como parte do corpo técnico dessa brilhante instituição, me somo a todos que, neste momento, bradam contra a extinção da FEE. Devemos nos opor, mobilizar a sociedade e nossos representantes na Assembleia Legislativa, para evitar que, em nome de uma economia pífia de recursos, comprometamos o conhecimento da realidade do Rio Grande do Sul. É hora de mostrar “valor, constância, nesta ímpia, injusta guerra”.
(Publicado originalmente no Sul21)Boas práticas pedagógicas de 80 escolas estaduais estão na praça
Enquanto os professores estaduais – como todo o resto do funcionalismo público – estão atordoados com o pacote de cortes anunciado pelo governo Sartori e reagem aos gritos e apitos na Praça da Matriz, três quarteirões abaixo a educação pública está na vitrine.
Especialistas da área de Educação da Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia e Uruguai participam, no Clube do Comércio, do Encontro do Movimento Pedagógico Latino Americano, organizado pelo Cpers/Sindicato em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Paralelo a esse encontro, acontece na Praça da Alfândega, a 2ª edição da Mostra Pedagógica do Cpers, aproveitando parte da estrutura da Feira do Livro. Em exposição, 80 projetos desenvolvidos em escolas públicas de diversas regiões do Rio Grande do Sul. A mostra começou ontem e termina hoje (23).
Para a secretária da CNTE, Selene Michelin, nesse momento de desvalorização da escola pública e dos educadores a união é fundamental. “Os exemplo dos projetos que vemos aqui servem para nos dar ainda mais força para resistir aos ataques que estamos sofrendo”, afirmou.
Já a presidente do Cpers, Helenir Schürer, destacou que a Mostra “é a nossa resposta a este governo que nos ataca e desrespeita. Educadores e estudantes estão mostrando a população que a educação pública tem qualidade sim. Temos muitas lutas pela frente, ainda mais depois do pacote do governo Sartori. Vamos resistir e faremos isso em muitos espaços, um deles é a Mostra Pedagógica e o Encontro do Movimento Pedagógico que está proporcionando aos educadores informações sobre como outros países da América Latina lutam e qualificam a educação pública”.
“É um espaço que retrata a qualidade da educação pública, não reconhecida pelo governo. Estou muito feliz e me sentindo valorizada”, afirmou a professora Sibele Teixeira Perez, da escola Professor Alfredo Dub, de Rio Grande.
O diretor do Departamento de Educação do Cpers, Antônio Lima, relatou a satisfação de colocar os projetos em praça pública, este ano. “Conseguimos expor em praça pública para os cidadãos e as cidadãs de Porto Alegre verem os projetos que mostram a qualidade do ensino em nossas escolas. Ter a oportunidade de fazer o encontro e a Mostra juntos é um sonho realizado. Estamos mostrando para a sociedade o valor da escola pública e o quanto vale a pena a nossa luta pela educação”, afirmou.
Práticas pedagógicas na escola pública
Na continuidade do Encontro do Movimento Pedagógico Latino Americano, o painel Práticas Pedagógicas na Escola Pública foi abordado pelo professor doutor Nilton Mullet Pereira, responsável pelo Departamento de Ensino e Currículo da UFRGS. O professor parabenizou o Sindicato pela iniciativa. “É uma honra estar aqui com educadores que fazem a diferença na escola pública. Ainda mais sendo uma Mostra promovida por um Sindicato de luta, no meio de uma avalanche de ataques aos direitos dos servidores públicos e do serviço público”, ressaltou.
Pereira trouxe conceitos importantes sobre a experiência pedagógica, mostrando tudo que envolve esse trabalho: o encontro do professor e do aluno, o tempo que não pode ser calculado no relógio, a arte e o amor. “O que fazemos em sala de aula não é somente a reprodução da física e da química, mas sim o esforço de representá-los para serem usados na vida prática, não meramente no aspecto cotidiano, mas no próprio entendimento das situações, abrangendo o aspecto ético e político. Proporcionando, inclusive, ao indivíduo entender o pacote do Sartori e saber se posicionar na sociedade”, ressaltou.
“A Mostra Pedagógica que o Cpers tem a ousadia de realizar é mais do que tudo uma forma de resistência política do desmantelamento do serviço público que está acontecendo”, finalizou Pereira.
O último painel do dia abordou o tema O Papel das Centrais Sindicais na Luta pela Educação Pública, com o professor Daniel Sebastiani, da Central dos Trabalhadores do Brasil – CTB e a professora Simone Goldschmidt, da CNTE e da CUT.
Sebastiani destacou que a maioria dos brasileiros ainda não está consciente da gravidade dos impactos das ações dos governos Sartori e Temer, ambos do PMDB. “Estamos enfrentando uma ofensiva neoliberal que terá conseqüências sérias principalmente para áreas essenciais à população como a educação e a saúde. O foco é a redução do Estado. O governo Sartori, com todas as reduções que anunciou, não vai economizar nem 2% do orçamento público. Com o discurso de Estado falido, entrega setores importantes da sociedade à iniciativa privada. O momento exige uma luta defensiva e na defesa precisamos de unidade, mais do que nunca”, observou.
Simone observou que a situação para os trabalhadores é extremamente dramática e que somente a união de todos os trabalhadores poderá barrar os ataques dos governos Sartori e Temer. “Ou nós unimos os sindicatos, as centrais sindicais da classe trabalhadora, ou seremos atropelados pelo governo golpista do Temer e pelo governo autoritário e desrespeitoso do Sartori”, destacou.
“Quando falamos da reforma da Previdência e da possibilidade de não termos mais aposentadoria especial, os colegas dizem que têm direito adquirido, que isso não vai ocorrer. Ontem tivemos uma mostra bem próxima disso: o governo diz que vai pagar o nosso 13º metade em um ano e a outra metade no outro. Precisamos nos preparar para uma grande luta”, afirmou a vice-presidente do Cpers, Solange Carvalho.
