Vários grupos teatrais de Porto Alegre ensaiam e encenam desde a virada do século nos pavilhões desativados que no ano 2000 tornaram-se o Condomínio Cênico do Hospital Psiquiátrico São Pedro. Agora terão de deixar os pavilhões, que serão devolvidos à Secretaria da Saúde. O secretário da Cultura, Victor Hugo, se comprometeu a ajudar no levantamento de espaços ociosos que possam acolher as atividades dos grupos de forma definitiva e a intermediar este processo. Os locais, entretanto, não foram anunciados. Uma nova reunião deve ser marcada para a próxima semana, para se discutir os possíveis espaços.
Há ainda outra questão envolvida. O Falos e Stercus, um dos grupos que compõem o Condomínio Cênico, teve uma apresentação cancelada em função da interdição do espaço pelos bombeiros na quinta-feira da semana passada (10/11). O secretário ofereceu o Multipalco como possibilidade para viabilizar a apresentação.
A estreia do espetáculo Mithos, que comemora os 25 de atividades do grupo, estava marcada para sábado (12/11). Na sexta-feira, os bombeiros interditaram os seis pavilhões históricos do São Pedro por falta de alvará e PPCI (Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndios). “O que é estranho para nós é que os bombeiros tenham interditado somente os seis pavilhões. Não existe PPCI de nada no hospital.”, contesta Marcelo Restori, diretor do Falos&Stercus.
Os integrantes do grupo foram surpreendidos pelos pavilhões interditados e com os cadeados trocados quando chegaram para preparar a apresentação. Houve uma discussão e o ator Frederico Restori chegou a registrar boletim de ocorrência contra Luiz Carlos Pinto Sobrinho, diretor do Departamento de Coordenação dos Hospitais do Estado, por agressão. A ação foi registrada em um vídeo publicado na internet.
Desde 2000, grupos de teatro utilizam os dois pavilhões como local de ensaio, é o chamado Condomínio Cênico São Pedro. Ocupam o espaço os grupos Caixa Preta, Falos & Stercus, Neelic, Oigalê e Povo da Rua. A interdição gerou protestos por parte dos grupos, que realizaram um ato em frente ao local no sábado, quando deveria acontecer a estreia do espetáculo Mithos.
Os pavilhões 5 e 6 já haviam sido cedidos para a pasta da Cultura na gestão passada. Em janeiro deste ano, a Secretaria de Saúde anunciou que cederia também os outros quatro pavilhões históricos do São Pedro para serem utilizados em atividades culturais.
Agora, a Secretaria mudou seu posicionamento e afirma que tem planos para os imóveis. Na última sexta feira a Saúde se posicionou contrária ao uso do espaço para qualquer espetáculo. De acordo com o diretor-geral da Secretaria da Saúde, Francisco Bernd, a intenção é reformar o prédio e utilizá-lo para ações da própria pasta.
Autor: da Redação
Grupos de teatro terão de deixar o Hospital Psiquiátrico São Pedro
Secretário se comprometeu a colaborar na busca por um novo espaço / Matheus Chaparini Dom Lixote: releitura lúdica da obra de Cervantes tem lançamento na Feira Ecológica
Uma releitura lúdica e ecológica da obra Dom Quixote, do espanhol Miguel Cervantes, o livro “Dom Lixote e o Dragão-que-cospe-lixo” será lançado este sábado, 19, na Feira dos Agricultores Ecologistas, na José Bonifácio. O lançamento acontece na banca central da quadra, entre a avenida Osvaldo Aranha e a rua Santa Terezinha. Esta é a obra de estreia da escritora Katia Cesa, conta com ilustrações do cartunista Moa e foi lançada pela Editora Marca Visual.
A obra conta a saga de um boneco de sucata que sonha em ser um cavaleiro andante e sai em busca de aventuras para proteger a natureza. A princesa Cristalina, a fonte de água mais pura do planeta, e o Dragão que cospe lixo, primeiro vilão que o heroi irá enfrentar, também compõem o enredo.
A proposta do livro nasceu em 2014, em uma oficina de construção de bonecos com sucatas, ministrada pela Companhia de Teatro Caixa do Elefante. O boneco foi mascote nas ações de educação ambiental que a autora realizou junto ao coletivo Arroios da Cidade, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. “É uma literatura ativista, que visa sensibilizar adultos e crianças”, define Katia.
Fiel à causa da sustentabilidade, o livro foi impresso em papel reaproveitado de um calendário que seria descartado na gráfica. Para o acabamento, foi empregada a técnica chamada dobra francesa, que consiste em não cortar a borda da folha.
Responsável pelo projeto gráfico, Airton Cattani diz que a obra inova no formato. “Para não usar o papel reciclado, que consome água e energia , reaproveitamos um material que seria jogado fora e evitamos o desperdício.”
Katia Cesa é odontóloga e mestre em Saúde Coletiva. Nos últimos 15 anos, dedicou-se à defesa dos arroios e nascentes urbanas por meio de ações de educação popular e promoção de saúde ambiental. Moa (Moacir Knorr Gutterres) é jornalista, diretor de arte e cartunista. Suas ilustrações já receberam diversas premiações nacionais e internacionais. Airton Cattani é designer gráfico e professor do Departamento de Design e Expressão Gráfica da Ufrgs.Advogados populares reunidos em encontro estadual
A Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (Renap) do Rio Grande do Sul está fazendo, nestes dias 18 e 19, um encontro estadual, no auditório do Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais (Semapi), no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre.
Além de debater as manifestações populares, o encontro também discute estratégias de combate ao uso abusivo de agrotóxicos e outros temas pertinentes à advocacia popular e movimentos sociais. Ao final, haverá uma plenária preparatória ao Encontro Nacional da Renap, que será realizado de 30 de novembro a 1º de dezembro no Paraná.
Com 20 anos de existência, a Renap atua em diversas demandas que avalia como essenciais para a resistência da população em busca de direitos e garantias mínimas para viver bem. Entre as questões abordadas estão: a criminalização dos movimentos sociais, reforma agrária e urbana, associativismo, cooperativismo, direito à cidade, agroecologia, combate ao uso abusivo de agrotóxicos, fomento e criação das turmas especiais da reforma agraria nas universidades, defesa quilombola, indígena e de gênero.
Conforme a organização do encontro, a rede foi criada para, junto ao setor de Direitos Humanos do MST, promover e qualificar a defesa jurídica dos movimentos ligados à Via Campesina. Todos os anos os advogados e as advogadas populares se reúnem em alguma região do país para encontros de formação, trocar experiências e reforçar a atuação da entidade em níveis nacional e local.
Programação
18 de novembro, sexta-feira
19h – Manifestações populares e formas de resistência
– Rosana Cebalho Fernandes, coordenadora pedagógica da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF/SP), integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST);
– Roberto Lorea, da Associação de Juízes pela Democracia (AJD), professor na Escola Superior da Magistratura;
– José Carlos Moreira, ex-integrante da Comissão de Anistia e da Verdade do Ministério da Justiça, criminalista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS).
19 de novembro, sábado
9h – Advocacia Popular e Movimentos Sociais
– Jacques Alfonsin, procurador do Estado aposentado, professor e advogado popular de movimentos sociais e comunitários;
– Leandro Scalabrin, advogado do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos.
14h – Estratégias jurídicas de combate ao uso abusivo de agrotóxicos
– Leonardo Melgarejo, da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan)
– Fernando Campos Costa, do Núcleo Amigos da Terra (NAT)
– Roberta Coimbra, da rede de sementes agroecológicas BioNatur e MST
– Paulo Brack, do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) e Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema)Banda Municipal e Ospa tocam de graça no Araújo Vianna domingo
Para comemorar os 91 anos da Banda Municipal de Porto Alegre e o aniversário de 66 anos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), ambas apresentam-se juntas no auditório Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685) neste domingo, 20, às 11h.
A entrada é gratuita, com distribuição de senhas no sábado, 19, das 11h às 17h, e domingo, 20, das 9h às 11h, ambos na bilheteria do auditório. O concerto será regido pelos maestros Evandro Matté, da Ospa, e Davi Coelho da Rosa, da Banda, e o solista convidado é o clarinetista francês Michelk Lethiec.
Na primeira parte do concerto, a Banda abre a exibição com Suite Nordestina de Mestre Duda, Copacabana de Braguinha & Alberto Ribeiro, e Baião de Lacan de Guinga & Aldir Blanc abrem a exibição. Na segunda parte, é a vez de a Ospa apresentar Porgy and Bess para Clarinete e Orquestra, de George Gershwin, com arranjo de Franck Villar, com solos do convidado especial Michel Lethiec, uma das figuras mais destacadas do cenário internacional da música de concerto.
Por fim, os dois grupos musicais dividem o palco e, regidos por Matté, executam a Abertura Solene Para o Ano de 1812, de Piotr Ilitch Tchaikovsky. Esta peça foi escrita como comemoração à vitória russa sobre o exército francês de Napoleão Bonaparte no início do século XIX. Essa é a terceira edição da Série Araújo Vianna 2016 e é resultado de parceria entre a Fundação Ospa e as secretarias municipal e estadual de Cultura. O evento é apresentado pelo Banrisul.Cármen Lúcia convoca audiência após visita surpresa ao Presídio Central
A ministra Cármen Lúcia, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma visita surpresa ao Presídio Central de Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira (18). Foi fiscalizar as condições de custódia dos 4.683 presos recolhidos num local projetado para abrigar no máximo 1.905 pessoas.
Esta é a terceira visita de inspeção do sistema penitenciário realizada pela presidente do CNJ e do STF, que pretende percorrer todos os estados brasileiros. A maratona começou pelo Rio Grande do Norte, em 21 de outubro, onde a ministra visitou presídios em Mossoró e Natal. Depois, no dia 5 passado, Cármen Lúcia visitou o complexo penal da Papuda, no Distrito Federal.
Esta foi a terceira vistoria da ministra a presídios / STF
Agora à tarde, após reunir-se com juízes no Forum Central de Porto Alegre, a ministra Cármen Lúcia comanda uma audiência pública para ouvir críticas e sugestões da sociedade organizada, num encontro com participação de entidades ligadas aos direitos humanos – Pastoral Carcerária, Conselho Estadual de Direitos Humanos, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho da Comunidade de Porto Alegre, Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC),Themis (Gênero, Justiça e Direitos Humanos) e Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), entre outros.
A ministra convidou ainda, para a audiência, representantes do Tribunal de Justiça do Estado, Secretaria de Segurança Pública, Ministério Público, Conselho Penitenciário Estadual e Defensoria Pública-Geral do Estado. A audiência acontece no auditório do Foro Central (Prédio II) de Porto Alegre, na rua Manuelito de Ornellas, 50 – Praia de Belas.
Cármen Lúcia durante a visita ao Presídio Central / Luiz Silveira/CNJ
(Com Agência CNJ de Notícias)Raul Seixas, o “Monstro Sist” e o conformismo
O sistema – enquanto engenharia social montada para submeter os menos conscientes aos ímpetos dos poderosos – produz seres previsíveis e infelizes, porém conformados: pessoas que praguejam por não gozarem do melhor emprego, por não ganharem os melhores salários, por não comprarem os melhores carros, pelas injustiças… mas é só chegar o final de semana – e seus goles de esquecimento – que tudo fica “globeleza”. Insatisfeitos mas obedientes, aceitam manter o “silencioso desespero” de suas vidas, como dizia Thoreau.
A Arte é um dos presentes dos Céus para chacoalhar as estruturas da sociedade quando seus integrantes se encontram alheios às infinitas possibilidades que a vida proporciona. Raul Seixas (28/07/45 a 21/08/89) foi um desses artistas que fizeram da arte uma espada para combater a hipocrisia e transmitir os valores de liberdade e coragem, que nortearam sua passagem por este planeta.
Com temas irreverentes e profundos e uma ousadia rítmica que unia vertentes distantes como Xaxado e Rock and Roll, a música de Raulzito, como também era chamado, seduziu milhões de fãs pelo “som” e o conteúdo originais. Mais do que palavras bem colocadas, suas letras inspiravam as pessoas a questionarem a ordem estabelecida e a buscarem um caminho alternativo às conveniências do sistema, ou o “Monstro Sist”, como tratava.
A canção “Ouro de Tolo” é uma das obras que condensam o espírito contestador do “Maluco Beleza”. Versos como “Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar” e “Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado” são um tapa na nuca dos reféns da mesmice cotidiana.
O mais impactante para o paradigma vigente, porém, ele deixa para o final: convicto da existência de seres inteligentes provenientes de outros planetas, termina a letra da música com uma provocação inquietante para os que preservam pelo menos um pouco da curiosidade dos grandes homens: “Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais, no cume calmo do meu olho que vê, assenta a sombra sonora de um disco voador”.
Com todos os seus erros humanos, o baiano Raul Seixas foi um desses raros exemplos de artistas que conseguiram fazer do próprio ofício um instrumento para alertar os que, apesar de todo sofrimento, persistem “bravamente” na zona de conforto. (Na maioria das vezes, é o próprio sistema que se vale da influência da arte para propagar a programação mental que mais lhe convém.) É urgente o surgimento de artistas com a coragem e o talento de Raul Quem sabe assim o algo mais substantivo possa ser feito contra o “Monstro Sist”.Unesco avalia tornar o Cais do Valongo patrimônio mundial
Isabel Vieira, da Agência Brasil
Por ser o único ponto de desembarque do tráfico negreiro que restou preservado, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, já declarado patrimônio carioca e nacional, deve se tornar patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Em setembro, uma comissão do órgão vistoriou o antigo atracadouro e a expectativa é de que em maio o Brasil saiba se são suficientes as condições apresentadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em um dossiê de 400 páginas. A decisão final será anunciada em junho de 2017.
A vista para um longo vale entre os morros da Conceição e do Livramento era o que aguardava os sobreviventes que desembarcavam no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, depois de uma viagem degradante entre a África e o Brasil, entre 1774 e 1843.
Dos 4 milhões de pessoas escravizadas do outro lado do Atlântico e que chegaram para o trabalho forçado na época da colônia, nas fazendas ou na contabilidade dos negócios, 1 milhão passaram pelo Valongo – o que torna o porto a principal porta de entrada de homens e mulheres escravizados nas Américas.
O Cais do Valongo foi desativado por leis que proibiam o tráfico transatlântico no século 19 e foi aterrado para receber a imperatriz Teresa Cristina, em 1843. Recentemente, durante obras de revitalização da região portuária, ele acabou redescoberto, com a ajuda de especialistas.“A sociedade sempre se manteve atenta, os moradores da região sempre guardaram, na sua saga da oralidade, a força desse espaço; a academia, quando a escavação [das obras de revitalização] começou, imediatamente disse: ‘Atenção, o Cais do Valongo está aí’, quer dizer, a cidade, por meio de seus habitantes, nunca esqueceu o que se passou nesse pedaço de terra”, explicou o antropólogo e coordenador da candidatura do cais a patrimônio, Milton Guran.
No local, foram encontrados milhares de vestígios da passagem de africanos de várias partes. Entre os objetos, búzios do indo-pacífico, utilizados à época como moedas, além de colares, cachimbos, brincos e braceletes. São mil caixas, com 1,5 milhão de peças, guardadas em um galpão e que só devem ser expostas ao público em 2018. A prefeitura fechou contrato com um laboratório de arqueologia e um termo com o Ministério Público Federal para cuidar do material.
O ex-secretário executivo de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e morador do bairro Giovanni Harvey, que acompanha desde o início a criação do sítio histórico do Cais do Valongo, afirmou que o local é parte de um “quebra-cabeça’ da diáspora africana.
“Há uma visão romantizada que acha que a chegada ao Cais do Valongo era a chegada do pai, da mãe e dos filhos, mas não é isso. É a chegada de uma pessoa que foi apartada de sua vida, de sua família, de tudo. Há três, quatro séculos, um ser humano era colocado em um barco sem ter nenhuma noção de para onde estava indo”, disse. “O cais é uma referência material, dá concretude a essa chegada de africanos escravizados”, acrescentou Harvey, que já esteve na Casa dos Escravos, em Goré, no Senegal, na Costa Oeste da África, onde os escravizados eram embarcados.
Na avaliação do ex-secretário, que já foi consultor das Nações Unidas, o reconhecimento do Valongo permite refletir sobre o passado e pensar o futuro, assim como o Museu Nacional da História e Cultura Afro-Americana, inaugurado em setembro nos Estados Unidos.
Milton Guran também aposta no tombamento do cais por ser um marco da violência da escravidão e único. “Este é o único porto de desembarque que se preservou materialmente no mundo, não tem outro”, afirmou. Ele lembrou que já foram tombados pela Unesco os portos de embarque de Goré, no Senegal, o Castelo El Mina, em Gana, e da Ilha de Moçambique.
O antropólogo, que estudou o retorno de pessoas escravizadas ao Benin, também defende a criação de um “memorial de celebração da herança africana” sobre a contribuição de africanos e de seus descendentes ao Brasil. “No dossiê da candidatura explicamos que todo o bairro do cais tem uma unidade e importância histórica”, citando, como exemplo, em frente ao Valongo, o prédio das Docas Dom Pedro II, projetado pelo engenheiro negro André Rebouças.
Pequena ÁfricaA região do Cais do Valongo, centro do comércio escravagista, também guarda vestígios de casas nas quais pessoas negras recém-chegadas da África eram vendidas como objetos, como mostram as imagens dos artistas Jean Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas e Maria Grahan. Bem perto, está aberto à visitação o Cemitério dos Pretos Novos, onde eram depositados corpos de jovens e crianças, principalmente, que não sobreviviam até a chegada ao Brasil.
Na mesma região, chamada de Pequena África pelo artista negro Heitor dos Prazeres, por influência da ocupação de africanos e seus descendentes, nasceram as primeiras associações que promoviam cortejos de carnaval (ranchos), candomblés e casa de angus.
“Não é à toa que o Rio de Janeiro é um polo de produção e renovação cultural no Brasil e no mundo”, disse, em vídeo do Iphan, a professora Martha Abreu, da Universidade Federal Fluminense, uma das autoras do dossiê de candidatura do cais a patrimônio. (Agência Brasil/Envolverde)Metrô no Centro Histórico gera polêmica em Quito
Por Mario Osava, da IPS
Às vezes o sucesso mata, quando se trata de cidades. Barcelona, na Espanha, já enfrenta problemas pelo excesso de turistas que atrai e, no Equador, o Centro Histórico de Quito, uma joia arquitetônica especialmente preservada, sofre a fuga de sua população. O paradoxo é apontado por Fernando Carrión, presidente da Organização Latino-Americana e do Caribe de Centros Históricos e professor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no Equador.
“O centro histórico de Quito perdeu 42% de seus habitantes nos últimos 15 anos, período em que ganhou melhores monumentos, mais iluminação e limpeza”, lamentou Carrión. Os números oficiais dos censos apontaram 58.300 habitantes em 1990, 50.982 em 2001 e 40.587 em 2010, ou seja, uma queda abrupta. Segundo o professor, a revitalização da área foi realizada “por meio de uma política monumentalista”, de restauração de igrejas e prédios, que elevou os preços da moradia e promoveu o uso comercial dos imóveis, excluindo os pobres. “Temo que o metrô expulse mais pessoas”, agravando a tendência, opinou.
A primeira linha do metrô de Quito começou suas obras em 2013, com a construção de duas estações pela empresa espanhola Acciona. A Fase 2, ou construção do túnel de 22 quilômetros e outras 13 estações, começou em janeiro de 2016 e deverá estar concluída em julho de 2019. Para a execução foi contratada, por licitação, um consórcio formado pela Acciona e pela construtora brasileira Odebrecht, que construiu linhas de metrô em vários países latino-americanos.
Só uma estação, a da praça San Francisco, ficará no centro histórico. “As projeções de demanda estimam que por ali circularão 42 mil passageiros por dia”. Isso significa que, “com o metrô, chegarão as mesmas pessoas por vias distintas”, apontou à IPS o gerente-geral da Empresa Pública Metropolitana Metrô de Quito (EPMMQ), Mauricio Anderson. O transporte subterrâneo “evitará o congestionamento de veículos, a vibração e a contaminação que existem hoje”, ao substituir automóveis e ônibus que deixarão de entrar na área, destacou.
O objetivo do novo meio de transporte de massa é melhorar a qualidade de vida dos habitantes de Quito, com menos tempo de deslocamento, inclusão econômica da periferia, economia de combustíveis, redução de acidentes e ambiente menos contaminado, segundo a EPMMQ. “Diariamente, 400 mil moradores de Quito utilizarão esse sistema, otimizando outros serviços e aumentando a velocidade atual de deslocamento na cidade, que na superfície é de 13 quilômetros por hora e no metrô será de 37”, afirmou Anderson.
Trólebus do sistema de corredor especial e uma de suas estações, na capital do Equador. Os críticos do projeto do metrô na cidade consideram melhor para a cidade estender e melhorar esse transporte de superfície. Foto: Mario Osava/IPS
Como a capital equatoriana é uma cidade longitudinal, alargada ao norte e ao sul a partir do centro, a linha de 22 quilômetros e 15 estações permitirá que quase toda a população urbana disponha de transporte público, a menos de quatro quarteirões de suas residências ou locais de trabalho, segundo estudos que orientaram o desenho do metrô. Será um meio de mobilidade que, com trens que receberão até 1.500 passageiros cada um, “articulará todo o sistema integrado de mobilidade”.
Em 2014, estatísticas indicavam que o sistema de transporte público do Distrito Metropolitano de Quito atendia 2,8 milhões de viagens diárias, a grande maioria por ônibus convencionais e um sistema de transporte rápido (BRT) com corredores especiais. Os opositores ao metrô argumentam que a otimização dos BRT, que atendem as mesmas rotas norte-sul, poderia aumentar o número de passageiros transportados em quantidade superior ao trem subterrâneo, com investimentos bem menores.
Mas “a superfície de Quito está saturada, não há verdadeiros corredores exclusivos e o inventário viário é muito estreito”, pontuou Anderson, insistindo na maior rapidez e eficiência do metrô, com benefícios para passageiros e ambiente. O custo da implantação do metrô será de US$ 2,09 bilhões, “isto é, US$ 89 milhões por quilômetro, cifra que está abaixo da média da região”, ressaltou o gerente do Metrô Quito.
O projeto em execução foi elaborado pela empresa pública Metrô de Madri. Uma passagem de US$ 0,45 cobrirá os custos de operação e manutenção da primeira linha, segundo a empresa. “Custará muito mais”, duvida Ricardo Buitrón, ativista da organização Ação Ecológica, argumentando que construir um metrô em Quito é complexo e não poderia ser muito mais barato do que no Panamá, por exemplo, onde cada quilômetro custou US$ 128 milhões.
Morro do Panecillo, que divide o norte e o sul da capital do Equador, visto do Museu da Cidade, em pleno Centro Histórico. A acidentada topografia é um obstáculo para a mobilidade em Quito. Foto: Mario Osava/IPS
Além disso, com os investimentos no metrô, “se poderia construir 260 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus elétricos, mais 40 quilômetros de linhas de bonde, como está sendo implantado em Cuenca”, cidade do sul do Equador, indicou Buitrón à IPS. A passagem a US$ 0,45 exigirá subsídios de US$ 100 milhões ao ano, estimou. Em outros países, o custo de operação por passageiro passa de US$ 1,59, detalhou.
“Os subsídios são inevitáveis no transporte público, mas deveriam contribuir para melhorar o sistema”, afirmou o ativista. Em Quito, por exemplo, poderiam estimular o uso de ônibus elétricos, corrigindo um “retrocesso” que foi a substituição de ônibus articulados elétricos por outros movidos a diesel, mais baratos. O diesel equatoriano é de má qualidade e contamina muito, o que pode ser visto pela fumaça negra que emitem, acrescentou.
“O metrô é uma boa solução, que reduzirá o uso de ônibus contaminantes e solucionará o congestionamento do trânsito em uma cidade em que tudo passa pelo eixo norte-sul”, detalhou Julio Echeverría, diretor executivo do Instituto da Cidade e ex-professor de política em várias universidades do Equador e da Itália. Mas Quito passa pelas consequências de um desenvolvimento urbano “linear, longitudinal”, que já passou. Agora a cidade é “dispersa, fragmentada, se estende para os vales e outras áreas com vocação agrícola, com grande biodiversidade”, explicou.
Quito, com estimados 2,5 milhões de habitantes em seu Distrito Metropolitano, conta com o maior e menos alterado centro histórico da América Latina, que em 1978 foi declarado patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Fundada em 1534 em uma longa e estreita escadaria nas ladeiras orientais de um maciço andino, onde fica o vulcão Pichincha, a cerca de 2.800 metros de altitude, a capital do Equador mantém preservado seu centro, com mais de 50 igrejas, capelas e monastérios, além de dezenas de praças.
A transferência negociada de aproximadamente sete mil vendedores de rua para centros comerciais formais, em 2003, e um programa para deixar o centro histórico para os pedestres levaram artes às praças e ruas todos os domingos, durante quase toda a primeira década deste século, ajudando a atrair moradores de Quito e um crescente turismo para a cidade.
A grande intervenção que significa construir o metrô cruzando esse centro preocupa muitas pessoas. “O metrô não é bom para os pobres, é mais rápido do que o trólebus, mas é mais caro”, enfatizou Manuel Quispe, de 52 anos, que ganha a vida como engraxate na Praça San Francisco. Seu colega Jorge Córdoba, de mesma idade, reconhece as vantagens da velocidade, mas acredita que o “metrô não sairá”, porque “Quito está sobre um subsolo que torna difícil abrir túneis”. Ele se queixou, como Quispe, dos muitos meses de obra parada, inutilizando metade da praça e reduzindo suas rendas que já são baixas.
(Da Envolverde/IPS)Aniversários pelo bairro
El Churrero
Em outubro, o El Churrero comemorou dois anos de atividades. A churreria, criada em 2014, pelo publicitário Lucas Menegassi, funciona desde 2014, na rua Bento Figueiredo, 26. Os churros sequinhos, com receita uruguaia, são o carro-chefe da casa, mas o aniversário traz novidades no cardápio. O Vulcano, a nova sobremesa do El Churrero: sorvete artesanal com calda de doce de leita e um churro. Outra nova é o Ice Coffee, feito com sorvete artesanal e café batido. Os churros da Bento Figueiredo concorrem ainda como melhor churros, na revista Sabores do Sul.
Regentag
A Regentag completou uma década de existência. A loja foi criada em setembro de 2006, com sede em uma garagem na rua Alberto Torres, na Cidade Baixa, e se mudou há seis anos para a Fernandes Vieira, no Bom Fim. No início, o foco era nas roupas de marcas importadas, hoje a loja também tem produção própria. A Regentag trabalha também com estampas sob encomenda. Fica na rua João Telles, 522/102.Um ano depois, replantio no parque ainda não começou
Mais de 3 mil árvores caíram no temporal de janeiro do ano passado ano em Porto Alegre.
Quase um ano depois, em toda a cidade foram replantadas 1017 mudas, segundo a SMAM (Secretaria Municipal do Meio Ambiente).
Na Redenção, onde cerca de 300 árvores foram arrancadas, o replantio ainda nem começou.
O plantio está em espera de uma análise dos parques. Quem cuida do tema é um grupo de trabalho formado por diversos setores da Secretaria e pelo viveiro municipal, que fornecerá as mudas.
Já foram plantados vegetais no Parque Marinha do Brasil, na Rua Voluntários da Pátria e na Baltazar de Oliveira Garcia. Em função do tempo, o plantio deve ser retomado somente em maio. O plano é plantar 3 mil mudas.







Mais de 3 mil árvores caíram no temporal de janeiro do ano passado ano em Porto Alegre.