Autor: da Redação

  • Primeiro mundo é o bairro

    Agora os campeões da liberdade de imprensa estão descobrindo o jornalismo local. Antes tarde do que nunca.

    Nelson Rodrigues dizia que o verdadeiro jornalismo é o jornalismo policial, aquele que lida com os fatos cabais, que desvendam as entranhas da sociedade.

    É possível parodiá-lo e dizer que o verdadeiro jornalismo hoje é o jornalismo local. Aquele que o repórter pode exercer usando todos os seus sentidos. É o fato local que ele pode ver, tocar, cheirar, ouvir, sentir. Ali ele vai conviver com a fonte, o leitor e o anunciante do jornal.

    Além de escola incomparável para o jovem jornalisa, o jornalismo local é um indutor de cidadania. As pessoas talvez estejam descrentes quanto à possibilidade de mudar o mundo.

    Mas, quando elas sabem que algo errado está acontecendo no bairro, na rua, perto delas, elas não ficam inertes. Elas agem e geralmente dão respostas satisfatórias aos problemas.

    O jornalismo local pode ser também um caminho de renovação da imprensa.

    A imprensa virou terra arrasada. O jornalismo tem que se reiventar, retomar os seus fundamentos. Não haverá uma sociedade democrática sem um sistema que forneça informações confiáveis para a cidadania.

    O micro-jornalismo que garimpa os fatos dos bairros e das comunidades, pode ser uma fonte de renovação e inspiração. Sim, a eleição americana influi na sua vida, mas um buraco na esquina quebra sua perna.

  • Aragão chama Dallagnol de fascista!

    É um delírio pensar que se controla a corrupção com uma corporação descontrolada.

    É evidente que o Senhor Dallagnol, por melhor que se ache, por mais ungido que se sinta para erradicar a corrupção no Brasil, não pode pretender ter comando sobre o processo legislativo de um projeto que de iniciativa popular não tem nada senão a casca. Foi gestado in camera por um grupinho de procuradores justiceiros, que, tendo logrado criar no País um ambiente de obsessão pela agenda do “combate” à corrupção, não teve dificuldade de juntar 2 milhões de chamegões desavisados. Foram intensamente apoiados pela direita política que tinha só um objetivo: enlamear a esquerda representada pelo PT. E, para se cacifar, esse grupo fez o papel que se esperava dele, tendo o Senhor Dallagnol se prestado a apresentar um pífio PowerPoint em que Lula era representado como o próprio capeta, princípio e fim de todo o mal na terra. Agora, que seus parceiros de caminhada política veem-se na iminência de serem colhidos pelo monstrinho que cevaram, mostra indignação por aquilo que chama de “manobra” e quer a seu lado todos os brasileiros.
    A mim ninguém perguntou se estou com Dallagnol e sua trupe de justiceiros. Mas, mesmo não perguntado, digo-lhe NÃO. HISTERIA FALSO-MORALISTA NÃO!
    Já vimos ontem onde esse processo de inoculação de apoios obsessivos chegou. Fez ressurgirem em pleno século XXI fantasmas de um fascismo que se esperava superado.
    Por fascismo entendo essa pratica politica oportunista que se aproveita das fobias coletivas para incutir ao público o ódio a um inimigo comum: o judeu, o índio, o corrupto, o político, o comunista… seja lá o que for. E, mobilizado esse ódio, busca, com a promessa populista de soluções não realizáveis, com argumentação simplória de autoridade, estabelecer seu domínio totalitário sobre a sociedade e o estado.
    É isso que essa campanha pelo “combate” à corrupção está trazendo. O só uso do substantivo “combate” já diz a que essa campanha veio: a uma guerra, com inimigos a serem eliminados.
    Foi assim que um pai dominado pela ira obsessiva matou seu filho único em Goiânia e depois se suicidou. Foi assim que ontem um grupelho de fascistas desvairados assaltou o plenário da Câmara dos Deputados para pedir a volta da ditadura militar. Foi assim que senadores resolveram jogar seu carro oficial sobre um grupo de estudantes que bloqueava o acesso ao Palácio da Alvorada.
    O que mais estamos esperando? Mais mortes? Mais mártires? Um Horst Wessel?
    Estamos jogando nossa democracia arduamente conquistada no lixo da história. E fazemo-lo mesmo sabendo que o preço a pagar será altíssimo para nossos filhos e nossos netos. Convertemo-nos numa república bananeira, onde resultados eleitorais são desrespeitados pelos perdedores sob os cândidos olhares do judiciário e do ministério público!
    E agora essa: a pretensão de que a coleta de 2 milhões de chamegões desavisados bastam não só para apresentar a iniciativa popular fake (porque, na verdade, trata-se de iniciativa corporativa), mas também para comandar o parlamento! O sonho parece ser Deltan Dallagnol para presidente do Congresso, se é que o congresso para esses obsecados ainda faz sentido, já que sujeito a “manobras”.
    Isso é puro fascismo, desrespeito profundo ao processo político, ao mandato e à soberania popular.
    Não seremos reféns dessa corporação. O Congresso tem o direito e o dever de adequar esse projeto ao que é política e funcionalmente comportável pelo País e não pode ser levado a jogar a sociedade à aventura de aniquilar garantias processuais em nome de um”combate” em que sequer valem os costumes da guerra expressos nas convenções da Haia e de Genebra.
    Pensar que corrupção se controla com uma corporação empoderada e descontrolada é um delírio.
    Urge, isso sim, pacificar o País, ainda que para isso se calem os protagonistas da guerra do ódio e da violência estrutural e institucional.
    Assina:
    Eugênio Aragão – Ex-Ministro da Justiça

    Artigo originalmente publicado no site Conversa Afiada.
  • Bandido bom é bandido morto?

    Marino Boeira – Jornalista
    A crise econômica em que vive o País, ampliada pelos efeitos nocivos que a caça moralista da Lava Jato faz às grandes construtoras (em vez de punir os empresários, pune as empresas) e pela nova política do governo de cortar os grandes investimentos, têm tido um efeito perverso sobre a sociedade, ao gerar um crescimento acentuado da pobreza.
    Com o aumento da pobreza, como consequência direta, cresce a criminalidade e a partir dela, um sentimento geral de insegurança.
    Estimulada pelos meios de comunicação, a solução apontada para enfrentar essa insegurança é de endurecer a legislação penal, aumentar a repressão policial e criar mais e mais presídios.
    Nessa espiral de causas e efeitos que se acumulam permanentemente, as pessoas são levadas a acreditar que a sociedade brasileira se divide prioritariamente em vítimas e bandidos e a partir dessa percepção, cresce também o clamor público por punições cada vez maiores para os infratores, até se chegar a reivindicação básica de se instaurar a pena de morte no País.
    O slogan da campanha é aquela velha afirmação de que “bandido bom é bandido morto”.
    Para os defensores dessa tese, a recomendação é de que antes de aceitá-la em definitivo, percam alguns minutos lendo a descrição que Richard Evans faz em seu livro O Terceiro Reich, sobre as novidades que o nazismo introduziu no sistema penal alemão a partir de 1934.
    richard-evans-6-300x200

    Logicamente, se recomenda essa leitura para as pessoas de boa fé e razoavelmente bem informadas sobre a tragédia que foi para a humanidade o surgimento do nazismo.
    Para os seguidores do deputado Bolsonaro, que sonham com a implantação de um regime fascista no Brasil, a leitura é inútil.
    Vamos ver aqui algumas dessas “novidades’ dos nazistas.
    O famoso incêndio do Reichstag (a sede do parlamento alemão), que serviu de desculpa, em 1933, para Hitler, recém escolhido Chanceler, eliminar toda oposição comunista e social democrata, é o primeiro momento em que a justiça alemã foi transformada para atender os desejos pessoais do Fuhrer.
    phpthumb
    Hitler queria que o anarquista holandês Marinus van der Lubbe fosse declarado culpado pelo incêndio e executado por isso. Ocorre que, quando isso ocorreu, em 28 de fevereiro de 1933, a legislação penal não previa a pena de morte para este tipo de crime.
    Ele obteve então do Presidente Hindenburg um decreto, em 29 de março, aplicando retroativamente a pena de morte para o caso e Lubbe foi executado pouco depois.
    Em 1934, os nazistas criaram um Tribunal Popular, à margem do Tribunal de Reich, para julgar com rapidez os crimes políticos.  De 1934 a 1939, quase 4 mil pessoas foram julgadas por este tribunal, todas condenadas à morte ou à prisão, a maioria comunistas.
    o-perigo-dos-tribunais-que-julgam-de-acordo-com-a-opiniao-publica
    O tribunal inovou também no sentido de condenar à morte as mulheres, preservadas dessa punição na República de Weimar, que antecedeu o regime nazista.
    Outra inovação foi no sentido de que os prisioneiros depois de cumprirem suas penas, eram passíveis de detenções por tempo indefinido, desde que fossem declarados incompatíveis com a nova sociedade alemã.
    As novas leis se tornaram cada vez mais restritivas e puniam desde a distribuição de panfletos criticando o regime até fazer piadas sobre figuras de liderança do Partido Nazista ou do Estado.
    220px-bundesarchiv_bild_146-1989-011-13_hans_frank
    Em 1936, Hans Frank, então comissário de Justiça do Reich e chefe da Liga de Advogados Nazistas, mais tarde Governador Geral da Polônia ocupada, onde ganhou o apelido pouco nobre de “carniceiro da Polônia”, declarou que “o juiz tem o papel de salvaguardar a ordem concreta da comunidade racial, eliminar elementos perigosos e processar todos os atos nocivos à comunidade. A ideologia nacional-socialista, em especial conforme está expressa no programa do Partido e nos discursos de nosso líder, é a base para interpretação das fontes legais”.
    E os juízes alemães, mesmo aqueles que não pertenciam ao partido nazista, trataram de cumprir as novas leis, sem questioná-las.
    36003274_304
    Evans, cita um caso típico, fruto de suas pesquisas nos anais de um tribunal alemão da época: “Um carroceiro nascido em 1899, cumpriu um grande número de penas de prisão por pequenos furtos na década de 1920 e começo dos anos 30, inclusive 11 meses por roubar uma bicicleta e 7 meses pelo furto de um casaco. A cada vez que era solto, ele voltava à sociedade com um punhado de marcos como pagamento pelo trabalho na prisão; com sua ficha, não conseguia arranjar um emprego durante a Depressão, tampouco persuadir as autoridades da previdência a lhe conceder benefícios. Em junho de 1933, foi sentenciado por roubar um guiso, um pouco de cola e outras quinquilharias durante uma bebedeira e após cumprir a pena, foi sentenciado a confinamento de segurança retroativo na penitenciária de Brandenburg e jamais foi solto”.
    Tribunais especiais e vários tipos de organizações policiais, inclusive a temida Gestapo (seu símbolo das caveiras é hoje copiado por esquadrões da morte do mundo inteiro, inclusive no Brasil), foram restringindo cada vez mais 10948_logoas liberdades públicas, sob a indiferença da maioria do povo alemão, quando não de apoio e com a resistência apenas dos comunistas e de alguns segmentos de trabalhadores.
    Tudo isso aconteceu quando a Europa ainda vivia sob um regime de paz.
    Em 1938, os nazistas chegaram ao ápice, ao incluir na lista dos que deveriam ser levados para os campos de concentração, homens até então considerados apenas vagabundos ou bêbados, caso de um homem de 54 detido em Duisburg, acusado de comportamento antissocial.
    “De acordo com informações do escritório de previdência daqui, C. pode ser classificado como pessoa perigosa. Não se importa com a esposa e os dois filhos, de modo que estes têm que ser sustentados pelos cofres públicos. Jamais assumiu o dever do trabalho a ele designado. Entregou-se à bebida. Esgotou todos os pagamentos de benefícios. Recebeu várias advertências do escritório da previdência e é descrito como exemplo clássico de uma pessoa antissocial, irresponsável e preguiçosa”
    phoca_thumb_l_sachsenhausen-19
    Levado para o campo de concentração de Sachsenhausen, o homem durou apenas 18 meses antes de morrer, conforme registros do campo, de fraqueza física.
    Quando a guerra começou em 1939, os nazistas deixaram de lado qualquer desculpa e passaram a considerar cada opositor, por menos importante que fosse, como um alvo para as forças policiais e um suspeito previamente condenado nos seus diversos tribunais.
    Os que sonham em instaurar no Brasil um sistema policial parecido, deviam lembrar de como ele terminou na Alemanha nazista.

  • Após decisão judicial, Reitoria convoca estudantes para discutir desocupação da UFRGS

    Estudantes e Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul se reúnem nesta sexta-feira (17) para discutir a desocupação dos prédios da universidade. A reunião foi convocada pelo reitor Rui Vicente Oppermann. Um mandado de segurança, movido por quatro estudantes contrários às ocupações, foi o que motivou a iniciativa. No documento, o grupo sustenta que “não se viu a tomada de qualquer tipo de medida por parte do digníssimo Reitor, imediata e inteiramente responsável pelo resguardo do patrimônio e atividades desenvolvidas pela UFRGS”.
    A Reitoria convidou dois integrantes de cada Unidade ocupada para debater os efeitos do despacho e a desocupação das unidades ocupadas. O encontro contará ainda com uma comissão composta por quatro diretores, um pró-reitor e um técnico em assuntos educacionais. A reunião será realizada nesta sexta-feira, 18, às 10h, no ILEA (Instituto Latino-americano de Estudos Avançados), no Campus do Vale.
    Na próxima semana, o reitor deve se manifestar em relação a ação movida pelos estudantes. Na noite desta quarta-feira, estudantes ocuparam o prédio do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS). São mais de 30 cursos em 19 unidades ocupadas de um total de 28.

  • Os melhores cafés do Brasil chegam à cidade pela Jerônimo

    O melhor café do Brasil na safra deste ano é o Serra do Caparaó, em Minas Gerais. É o que diz Guert Schinke, proprietário da Baden Cafés Especiais, na esquina da Jerônimo de Ornelas com a Vieira de Castro. E foi o que confirmou o prêmio Coffee of The Year, na quarta edição da Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte, em setembro. Guert esteve na região e trouxe grãos, que são torrados na torrefação própria, moídos na hora e servidos no Baden. A equipe viaja pelo país em busca dos melhores cafés especiais.
    Guert explica que há quatro classificações de café: o tradicional – estes que compramos no mercado – o superior, o gourmet e o café especial. São considerados cafés especiais os que contêm apenas grãos da espécie arábica – há outra espécie, de menor qualidade, chamada de rústica. Além disso, o café precisa ter nota acima de oitenta, em uma classificação de até cem pontos. Geralmente estes cafés têm origem em pequenas propriedades, com mão de obra familiar.
    A ideia do estabelecimento é promover a cultura do café. Além de servir o café com a explicação sobre a origem do grão, o Baden oferece workshops e fornece grãos para outros cafés de Porto Alegre e do interior do Estado.

    Guert Schinke com o filho Pedro e a equipe do Baden Cafés Especiais / Matheus Chaparini
    Guert Schinke com o filho Pedro e a equipe do Baden Cafés Especiais / Matheus Chaparini

  • Rua Viva: Jerônimo de Ornelas

    Terça-feira é dia de roda de samba no bar da Tia Vilma. Um dos pontos mais clássicos do bairro Santana é um bar de calçada que reúne velhos moradores do bairro, calouros e veteranos das faculdades do entorno, um público muito fiel. Há relatos inclusive de frequentadores carentes que, nos poucos dias em que fica fechado, entre o natal e o ano novo, levam sua própria cerveja e cadeira de praia para acampar em frente ao bar.

    O Restaurante Tia Vilma é um dos pontos mais clássicos na Jeronimo de Ornelas / Dora Giuliani
    O Restaurante Tia Vilma é um dos pontos mais clássicos na Jeronimo de Ornelas / Dora Giuliani/JÁ

    A Tia Vilma fica na quadra entre as ruas Santa Teresinha e Jacinto Gomes, onde há maior concentração comercial. Ali se avizinham negócios tradicionais, como o restaurante Pampulhão, criado há 42 anos, e a Casa de Carnes Elite, há 33 anos, e negócios novos, como o café Jerônimo, inaugurado em abril deste ano. No trecho, há ainda duas bancas de jornal, farmácias, lavanderias, minimercado e lancheria, loja de produtos naturais.
    A Jerônimo tem ainda duas praças: a Major Joaquim de Queiroz, em frente ao supermercado Asun e ao Colégio Luciana de Abreu, e a Dom Paulo I, que foi reformada no ano passado, ganhou pracinha, iluminação e bancos novos. E um novo movimento.
    O resultado das obras foi satisfatório, mas houve duas reclamações por parte dos moradores: com a reforma do pergolado, a pracinha perdeu os característicos bouganvilles, responsáveis por um belo cenário nas- primaveras e as pedras da calçada, que soltam com frequência.
    rua-viva-jeronimo-cafe-jeronimo-ja-nuvems-conflicted-copy-2016-11-09
    Wagner Rufino e Daiane Stremel, do Jerônimo Café: os mais novos da rua / Fotos Matheus Chaparini/JÁ

    rua-viva-jeronimo-pampulhao-2
    Ao centro os proprietários, dois Fernando Marques Pinheiro, pai e filho, nas laterais os dois garçons chamados João

    rua-viva-jeronimo-acougue-avenida-2-ja-nuvems-conflicted-copy-2016-11-09
    Telmo, Geovane e Leandro: a equipe que garante o bom atendimento da Casa de Carnes Elite

    O dono da sesmaria
    Quase toda a Porto alegre pertenceu a ele. Jerônimo de Ornelas Menezes e Vasconcelos foi um dos primeiros sesmeiros estabelecidos no Município. Nascido em 1691, na Ilha da Madeira, estabeleceu-se em 1732 na região do morro Santana, no local que ficou conhecido como “Sítio do Dorneles”, corruptela de “de Ornelas”. Em 1740, obteve a concessão provisória da sesmaria, confirmada quatro ano depois. A atual área do município de Porto Alegre era então dividida entre três sesmeiros: Jerônimo de Ornelas, Sebastião Francisco Chaves e Dyonisios Rodrigues Mendes. Cada estância ocupava cerca de 13 mil hectares.
    As terras de Jerônimo iam do arroio Dilúvio até o Rio Gravataí, atual divisa com o município de Canoas, e da margem do rio Guaíba até o Morro Santana, na zona leste. A área abrangia o núcleo de origem da cidade. A sede ficava localizada no morro Santana, dando nome à Estância de Santa Ana.
    Jeronimo de Ornelas foi proprietário da área onde surgiu a vila de Porto Alegre
    Jeronimo de Ornelas foi proprietário da área onde surgiu a vila de Porto Alegre

    Na antiga desembocadura do arroio Dilúvio, havia um ancoradouro, conhecido como Porto de Viamão, ou Porto do Dorneles. Insatisfeito com a ocupação dos casais açorianos nesta área, decidiu-se por vender a estância, em 1763, para Inácio Francisco. Mudou-se, então, para a região de Triunfo, onde morreu em 1771.

  • Rock, reggae, hip hop e MBP no ato-show Ocupa Matriz

    Quinze atrações estão confirmadas para uma sucessão de apresentações em apoio às ocupações nas escolas e universidades, contra a PEC 55 e a reforma do Ensino Médio. É o ato-show #OcupaMatriz, a partir das 18 horas desta quinta-feira (17).
    As atrações, por ordem de entrada prevista, são Expresso Livre, GWGM – Great Way to Get Money, Adriana Deffenti, Psicopatos, Péh Front LR, Nina Nicolaiewsky, Nelson Coelho de Castro, Paulo Dionísio, Px Rvrs Abelha Africana, Afrocalipse, Rafuagi, Trem Imperial, Lili Fernandes, Tio Scooby e, para finalizar, o Homem Banda
    Ocupar a Praça da Matriz num evento cultural foi uma das formas encontradas pelos artistas em apoio aos estudantes e contra qualquer forma de repressão. As últimas manifestações em Porto Alegre terminaram com forte repressão policial.
  • Tarso Genro e Céli Pinto debatem os impactos da PEC 55

    O ex-governador Tarso Genro e a cientista política Céli Pinto debatem hoje, no SindiBancários, sobre os impactos da PEC 241, aprovada na Câmara dos Deputados em dois turnos, que agora tramita no Senado como PEC 55.
    Também chamada de PEC dos Gastos, PEC do Teto, PEC do Fim do Mundo, começa agora a ser chamada simplesmente de Emenda Temer.
    Depois de passar pela Câmara Federal, a emenda constitucional já foi aprovada por 19 votos a sete na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A primeira votação no plenário está marcada para o dia 29 de novembro, e a segunda, para 13 de dezembro.
    O debate é iniciativa do deputado Henrique Fontana. Começa às 19 horas, com previsão para acabar às 21 horas. O SindiBancários fica na rua General Câmara, 242 – a Rua da Ladeira.

  • Frente Gaúcha em Defesa do Sistema Único de Assistência Social

    Profissionais da Assistência Social reunem-se hoje, a partir das 17h30, para articular a Frente Gaúcha em Defesa do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e da Seguridade Social. A reunião será no Simpa, o sindicato dos municipários, na rua João Alfredo, 61, bairro Cidade Baixa, aberta ao público interessado em direitos humanos e políticas sociais. 

    Estamos diante de muitos ataques aos direitos de trabalhadoras e trabalhadores, usuárias e usuários do SUAS, além de ataques à Previdência e à Seguridade Social como um todo. Além do desrespeito a pactuações e deliberações de conferências, estamos enfrentando, especificamente no âmbito da Assistência Social, pelo menos três grandes ataques:
    – PEC 55 (ex-PEC 241): Segundo estudo técnico do IPEA, apenas a política de Assistência Social terá perda acumulada de quase 200 bilhões até 2026 e de 868 bilhões até 2036 (tempo de validade da PEC, se for aprovada no Senado);
    – Programa Criança Feliz: este programa já está previsto no orçamento da Assistência Social. A Frente avalia que se trata de um retrocesso, “pois reintroduz a desarticulação entre serviços, precariza vínculos de trabalho, reforça o primeiro-damismo e ainda ilude a população, como se isso fosse alterar o quadro de pobreza no país”;
    – BPC (Benefício de Prestação Continuada): o BPC sofreu alterações em sua regulamentação sem debate e sem ampliação de recursos para que a Proteção Social Básica nos municípios possam atender às demandas. 
  • Prisão de Sérgio Cabral torna explosiva a situação no Rio

    A prisão do ex-governador Sérgio Cabral na manhã desta quinta-feira, 17, torna explosiva a situação no Rio de Janeiro, onde o governo do Estado enfrenta desde ontem manifestações violentas contra um pacote de medidas impopulares em votação na Assembléia Legislativa.
    A Polícia Federal bateu na casa de Cabral às 6h da manhã, com dois mandatos judiciais, um do juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, outro do juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava Jato a partir de Curitiba.
    O ex governador foi apontado nas delações premiadas do empresário Fernando Cavendish e de dirigentes das empreiteiras  Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia, como o líder de um grupo que desviou cerca de R$ 224 milhões em contratos de diversas obras, entre elas a reforma do Maracanã, para a Copa de 2014..
    Os agentes da polícia federal que conduziram Cabral tiveram que usar spray de pimenta para dispersar manifestantes, que gritavam “ladrão, ladrão”.  Além de Cabral, outras nove pessoas foram presas esta manhã no Rio.
    A prisão de Cabral, que se soma à de Antony Garotinho, também ex-governador do Rio, preso no dia anterior, acusado de comprar votos, vai esquentar as manifestações marcadas para a tarde de hoje, quando os deputados seguem a discussão do pacote de arrocho ao funcionalismo, que já está recebendo os salários com atraso.
    No primeiro dia de votação, houve confronto da policia militar com os manifestantes que tentavam invadir a Assembléia. Cinco pessoas sairam feridas (quatro homens do Batalhão de Choque e um bombeiro), segundo informação da GloboNews. Os manifestantes chegaram a derrubar a grade instalada na frente da Assembléia durante o feriado.
    Os protestos foram marcados também por agressões a jornalistas, entre eles o repórter Caco Barcellos, da Rede Globo, que foi hostilizado e atingido na cabeça por um cone de sinalização e teve que sair escoltado sob os gritos de “golpista, golpista”.
    As agressões ao repórter refletem uma rejeição crescente à atuação da imprensa nos últimos eventos políticos, principalmente a Rede Globo, que teve papel decisivo no processo que culminou com a queda da presidente Dilma Rousseff e mantém uma cobertura hostil ao ex-presidente Lula.
    Um estudo do sociólogo e cientista político João Feres Junior divulgado ontem esquentou ainda mais os ânimos. Feres Junior analisou as transmissões do Jornal Nacional da Globo entre dezembro de 2015 e agosto deste ano e concluiu que nesse período o JN divulgou um total de 13 horas de noticiário negativo em relação a Lula. Foram 185 noticias negativas, 71 neutras e apenas uma favorável ao ex-presidente.