Autor: da Redação

  • Primeira mostra de teatro no Espaço de Arte em Viamão

    Nesta terça-feira, dia 1º de novembro, os alunos da unidade do Espaço da Arte de Viamão, junto ao Colégio Marista Graças, sobem ao palco do Centro Cultural da instituição para a sua Mostra de Teatro.
    O evento vai contar com três espetáculos: “A Chave de Tudo”, do grupo Atchim, “Como se joga esse jogo”, do Sem Querer, e “O amor não é lindo”, do 100 sentidos, convidado da noite, vindo de Novo Hamburgo.
    Os ingressos tem o valor de R$ 15,00 e podem ser adquiridos na hora ou com os alunos de Viamão.
    Esta será a primeira Mostra dessa unidade, já que o Espaço da Arte firmou uma parceria com o Colégio Marista Graças em abril de 2016. As aulas são coordenadas por Fernando Tepasse, diretor executivo do Espaço da Arte, com apoio da monitora Lili Deon.
    Elas acontecem sempre às terças-feiras, na sala dos espelhos, no ginásio de esportes da escola, e são destinadas a estudantes da instituição.
    A peça “A Chave de Tudo”, do grupo Atchim, começa quando duas irmãs têm a missão de colocar definitivamente fora as bonecas que estão guardadas no sótão. Essa simples ação, no entanto desencadeia uma incrível e mágica aventura. As meninas são feitas reféns pelas bonecas, que ganham vida e exigem como resgate a realização de todos os seus desejos.  Será que a magia da criança que habita o coração de todos prevalecerá e ajudará as irmãs? Encante-se com essa linda história de respeito, amor e esperança.
    “Como se joga esse jogo?”, do grupo Sem Querer, aborda o período da pré-adolescência e o emocionante momento do primeiro beijo. Quando uma turma de amigos decide fazer a festa do beijo para comemorar a véspera de feriado, surge um empecilho: há um “Boca Virgem” no meio deles. Como as meninas se recusam a beijá-lo, a festa fica comprometida, porém com a ajuda de suas irmãs mais novas eles encontram uma solução para este problema. “Como é que se joga esse jogo?”, escrita por Fernando Tepasse, é uma comédia contagiante, leve e surpreendente, que fará o público reviver momentos memoráveis de sua adolescência.
    O grupo 100 Sentidos apresenta a peça “O amor não é lindo”. Inspirada no filme de animação “A noiva cadáver”, tem como personagem central Regisnelson, um jovem desprovido de beleza que sonha em arranjar uma namorada. Sua trajetória muda quando encontra a “Noiva”, uma alma penada que precisa subir ao altar para ir para o céu, mas como fazer uma morta se casar com um ser vivo?
    A peça brinca com a relação entre a vida e a morte, além de falar sobre relações familiares e bullying. Essa obra já recebeu 17 prêmios em Festivais de Teatro em 2015 e 2016 e é encenada por 20 jovens alunos, ex-alunos do Colégio Marista Pio XII e convidados. A direção também é de Fernando Tepasse.
    (com informações da assessoria de imprensa)

  • Justiça manda Banrisul indenizar cliente por longa espera na fila

    Uma cliente do Banrisul receberá 3 mil reais de indenização por danos morais por aguardar mais de 2 horas por atendimento, sem que fosse oferecido lugar para sentar e sem acesso ao banheiro. O caso aconteceu em dezembro de 2014.
    A decisão foi da 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
    O juiz considerou que a situação vivida pela cliente extrapola o mero aborrecimento. “Ficou clara a situação de angústia e constrangimento pela qual a consumidora foi submetida”, disse Atila Alexandre Nunes, coordenador do Reclamar Adianta, ong de defesa do consumidor.
    O banco refutou as alegações. Testemunhas trazidas pela instituição bancária disseram que o movimento no dia fora atípico e que havia apenas um servidor nos caixas. O uso do único banheiro disponível (o outro estava em reforma) só seria possível com acompanhamento de funcionário.
    Depois de ter o pedido negado na Comarca da cidade, a cliente recorreu ao Tribunal requerendo indenização por danos morais.
    O desembargador Ergio Menine, relator do recurso, foi duro com o banco.  “na medida em que, embora seja uma das instituições com maior patrimônio e margem de lucro do país, oferece atendimento deficitário aos seus usuário/clientes”.
    (Com informações do programa Reclamar Adianta na Rádio Bandeirantes AM 1360 (RJ).

  • Cartilha orienta sobre uso da Lei de Acesso à Informação

    Já está disponível na internet (veja aqui) a segunda edição do Guia Prático da Lei de Acesso à Informação (LAI), uma cartilha elaborada pela Artigo 19, com orientações sobre como usar a lei brasileira que regulamenta o acesso a informações públicas.
    Publicado pela primeira vez em 2012, o Guia Prático lista as obrigações que a LAI determina a órgãos públicos, oferece um modelo pronto para quem quiser realizar um pedido de informação e ainda ensina como fazer um recurso para os casos em que um órgão público negar acesso a uma informação.
    Além disso, a publicação também traz um breve panorama internacional sobre legislações e princípios que dispõem sobre o direito à informação e informa o procedimento para se fazer denúncias e acionar órgãos de Justiça em caso de descumprimento da LAI.
    “Queremos que essa cartilha sirva de instrumento para qualquer pessoa que deseja obter uma informação junto a órgãos públicos brasileiros, fazendo assim valer seu direito à informação”, afirma Joara Marchezini, oficial de Acesso à Informação da Artigo 19.
    Segundo Joara, o objetivo da cartilha também é o de expandir o conhecimento da LAI junto a outros públicos. “Buscamos elaborá-la com uma linguagem bem didática, visando com isso facilitar o uso da LAI por pessoas comuns. Hoje o que temos visto é que a lei acaba sendo mais usada por jornalistas, advogados e membros da sociedade civil. Queremos ampliar esse público”, conclui.
     

  • Elza Soares apresenta A Mulher do Fim do Mundo quinta-feira no Unimúsica

    Encerrando a série de 35 anos do projeto Unimúsica, Elza Soares volta a Porto Alegre, apresentando seu mais recente álbum A Mulher do Fim Mundo, nesta quinta-feira, 3. A Em abril, a cantora incendiou o público que lotava o Teatro do Bourbon Country. Agora, Elza Soares se apresenta no Salão de Atos da UFRGS, no último espetáculo da série “Sobre a palavra futuro”, que celebra os 35 anos do projeto realizado pelo Departamento de Difusão Cultural da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS com parceria da Fundação Médica do Rio Grande do Sul.
    O entrada custa um livro em bom estado e as senhas serão distribuídas a partir das 9h desta segunda-feira, 31. A expectativa é de que sejam muito disputados os 1.173 lugares do Salão de Atos. Em maio, as entradas para o show de Maria Betânia esgotaram em menos de duas horas, havia uma fila desde a madrugada.
    O 34º álbum da carreira da cantora, apresenta 11 canções com letras críticas e atuais que jogam luz sobre a vida urbana de São Paulo a partir de temas que tratam de preconceito racial, violência doméstica e social, narcodependência, sexo e morte.
    As composições são nomes da nova cena musical paulistana como José Miguel Wisnik, Cacá Machado, Clima, Douglas Germano e Alice Coutinho, Rodrigo Campos, Rômulo Fróes e Kiko Dinucci.
    No espetáculo, Elza permanece sentada em um trono metálico cercado por sacos plásticos de lixo preto. O cenário, a luz e as projeções são assinadas por Anna Turra. A intérprete contracena com Rodrigo Campos, Rubi, Rafa Barreto, Felipe Roseno, Luque e com o diretor geral do espetáculo, Guilherme Kastrup. O repertório traz músicas do novo álbum, além de incluir sucessos da carreira da cantora, como Malandro, A Carne e Volta por cima.
    Elza é uma das maiores personalidades da história da música popular brasileira. Em 2000, ela foi reconhecida pela BBC Londres como a Melhor Cantora do Milênio. Dois anos depois, foi eleita a Cantora do Ano no primeiro Prêmio Rival BR com o álbum Do cóccix até o pescoço. Desde 2015, o espetáculo e o disco homônimo do álbum A mulher do fim do mundo, foram aclamados pelo público e causaram enorme impacto na crítica brasileira, resultando nos prêmios de Melhor Show Nacional, da Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo, de Melhor Álbum, pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e de Melhor Álbum de 2015 e Melhor Música de 2015 com Maria da Vila Matilde pela revista Rolling Stone Brasil.

  • Açorianos de Música homenageia o centenário do primeiro samba gravado

    Em sua 25ª edição, o Prêmio Açorianos de Música 2015/2016 homenageia o centenário do primeiro samba gravado no Brasil, “Pelo telefone”. O compositor porto-alegrense Nelson Coelho de Castro também será homenageado.
    “Pelo telefone” foi a primeira canção registrada como samba na Biblioteca Nacional. Foi registrado em novembro de 2016 e lançado em janeiro do ano seguinte. Inicialmente, a autoria foi assinada pelo sambista Ernesto dos Santos, o Donga. Posteriormente, foi incluído o jornalista Mauro de Almeida como compositor. Entretanto, vários outros compositores já reivindicaram a autoria do samba.
    O Prêmio Açorianos de Música entregará troféus em 26 categorias. A cerimônia acontece no dia 1º de novembro, a partir das 20h30, no Teatro Renascença (av. Erico Verissimo, 307). A festa contará com apresentações de Wilson Ney, Monica Tomasi, Ana Lonardi, Bloco Tamborim, Eduardo Pitta, Mariana Bavaresco e Oficina Choro e Samba do Santander Cultural.
    Além das homenagens, o prêmio fará três menções especiais: aos 35 anos do Unimusica,projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que figura entre os principais destaques da programação musical de Porto Alegre, para o violonista argentino radicado no Rio Grande do Sul, Lucio Yanel, que influenciou o estilo interpretativo de muitos artistas do cenário regional e instrumental, como Yamandú Costa e para o StudioClio Instituto de Arte e Humanismo, pela contribuição à cultura de Porto Alegre nos últimos 11 anos.

  • A crise fiscal e dos serviços públicos do Rio Grande do Sul: elementos para o debate

     

     
    Róber Iturriet Avila
     
    Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística e Diretor sindical do SEMAPI.
     
    João Batista Santos Conceição 
    Graduando em ciências econômicas na Universidade do Vale do Rio dos Sinos e bolsista FEE/FAPERGS.
     

    Os gaúchos merecem saber o retorno dos “incentivos fiscais”
    Os incentivos fiscais são renúncias previstas na legislação tributária, reduzindo, portanto, a arrecadação do Estado que é formada através do recolhimento de impostos dos cidadãos. Esses incentivos fiscais não são homogêneos[1].
    As desonerações fiscais do estado do Rio Grande do Sul no ano de 2015 totalizaram R$ 8,98 bilhões, representando 29,68% da arrecadação tributária. Somente o ICMS representou 89,99% dessas desonerações[2]. Ao passo que o IPVA e o ITCD representaram 8,84% e 1,44% das desonerações fiscais (RIO GRANDE DO SUL [a]; 2016).
    Muitas dessas desonerações fiscais estão previstas na Constituição Federal e na Constituição Estadual. Ao mesmo tempo, o Poder Executivo, seja em nível nacional ou em nível estadual, pode enviar um projeto de lei para revisar tais desonerações fiscais. Contudo, há algumas desonerações de caráter social, envolvendo produtos da cesta básica, trigo, medicamentos, entre outros. Por outro lado, existem algumas desonerações mais questionáveis, como a isenção do ICMS e do IPTU para igrejas e templos religiosos, desoneração sobre a produção de vinho e de sacolas plásticas, por exemplo.
    Há uma parte importante dessas desonerações fiscais nos quais o Estado gaúcho tem ingerência. É o caso dos créditos presumidos. Em 2015, esse segmento das desonerações foi de R$ 2,51 bilhões. São desonerações concedidas pelo Estado com o intuito de atrair investimentos e estimular determinados setores da economia. Assim, é “presumido” o ICMS de uma empresa que pretende se instalar ou ampliar a produção.
    Entram na categoria do crédito presumido o Fundopem e o Fomentar. Conforme os restritos dados divulgados pela Secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, o Fundopem recebeu mais de R$ 570 milhões de desonerações fiscais via credito presumido no referido ano.
    Em um momento de escassez clara de recursos e de dificuldades do estado prestar os serviços mais básicos, caberiam revisões de desonerações fiscais concedidas, algumas das quais com pouca transparência e rara informação sobre o retorno social e econômico dessas renúncias. O gráfico abaixo explicita que as desonerações fiscais em relação à arrecadação total do estado do Rio Grande do Sul são ascendentes no período exposto.
    desoneracoes1
    Servidores públicos na ativa no Estado do Rio Grande do Sul
     Não é incomum identificar certo desconforto de membros da sociedade com reposições salariais de funcionários públicos e com os serviços prestados pelo Estado. Essa temática é complexa e envolve uma miríade de variáveis que não serão exauridas neste pequeno texto. Ainda assim, um olhar sobre alguns dados auxilia em uma reflexão mais lúcida.
    O número de servidores públicos na ativa no estado do Rio Grande do Sul é um deles. No gráfico abaixo é possível observar a trajetória de queda nos servidores ativos, incluindo servidores da administração direta dos três poderes, Ministério Público, autarquias e fundações. O Gráfico explicita também que a relação funcionários públicos estaduais/população total cai persistentemente ao logo do período, com uma exceção leve em 2012[3].
    vinculos-servidores
    Entre janeiro de 2015 e agosto de 2016 (20 meses), o número de servidores ativos na secretaria de educação (majoritariamente professores) caiu 9.987 (-10,0%). No mesmo período, os inativos aumentaram em 5.625, ou seja, 4.367 saíram da folha de pagamento. Na Brigada Militar houve uma redução de 3.994 servidores (-16,8%). Os brigadianos aposentados aumentaram em 2.567, assim, 1.427 saíram da folha por outros motivos. Já na Polícia Civil a redução foi de 685 servidores (-11,1%). No mesmo período, os servidores ativos vinculados à secretaria da saúde diminuíram em 452 (-9,9%), já os inativos aumentaram 139.
    Nessa medida, ignorando-se os óbitos de inativos, 43% daqueles que saíram da secretaria da educação não se aposentaram. Já na Brigada Militar, foram 35%. Na secretaria de saúde foram 69,24%.  Não é descabida a hipótese de que o corte de horas extras, o não pagamento de promoções, o fim do abono que policiais militares aposentáveis recebiam para continuar a ativa e o parcelamento de salários incentivaram o desligamento voluntário (RIO GRANDE DO SUL [b], 2016).
    Alguns dados de 2016 ainda não estão fechados, sobretudo das autarquias e fundações. Entretanto, de janeiro a agosto, 8.148 pessoas saíram da ativa apenas na admiração direta. Desses, 4.354 se aposentaram, os demais 3.794 se exoneraram ou faleceram. Cabe destacar que os servidores da área da segurança, incluindo agentes penitenciários e instituto geral de perícias, e os da secretaria da educação representavam 81,68% de todos servidores públicos ativos do estado do Rio Grande do Sul em agosto de 2016. Verificando-se os dados desde 2000, é notável que a taxa de variação negativa no número de servidores ativos se repete em dois anos consecutivos (2015 e 2016) e com índice não observado na série. Tais informações podem embasar reflexões acerca dos impactos deste expressivo processo de desligamento sobre os serviços básicos prestados à população, tanto no presente, quanto no futuro, uma vez que alterações na educação, por exemplo, são percebidas em um período mais extenso.
    vinculo2
    No intuito de subsidiar conclusões acerca do retorno dos tributos pagos, é interessante observar os custos de algumas categorias dos servidores. Atualmente os salários de todos estão disponíveis. Os dados abaixo consideram as médias nos valores totais das vantagens, excluindo contribuições de assistências médicas, encargos e 13º salário. Eles se referem a agosto de 2016. Nos dados da Assembleia Legislativa, não estão computados os salários dos deputados estaduais.
     

    • Tribunal de Contas do Estado: R$ 19.751,95
    • Ministério Público: R$ 17.463,61
    • Assembleia Legislativa: R$ 14.276,93
    • Poder Judiciário: R$ 12.341,30
    • Polícia Civil: R$ 9.820,72
    • Secretaria da Saúde: R$ 6.428,24
    • Brigada Militar: R$ 5.833,43
    • Poder Executivo (média geral): R$ 4.262,65
    • Secretaria da Educação: R$ 2.625,84

     
    As disparidades salariais são bastante nítidas. Há diferenças também nos níveis de qualificação e do serviço em si. Ainda assim, frisa-se que a queda de servidores ocorreu de maneira expressiva nas áreas de educação, segurança e saúde, as quais possuem médias salariais menores com relação aos demais poderes. Saliente-se também nas categorias que não estão submetidas ao parcelamento de salários, não houve alteração importante no quadro.
    O debate aqui proposto é extenso e envolve outros elementos não considerados com a devida profundidade. De toda sorte, as informações acima auxiliam em algumas reflexões acerca da crise do estado do Rio Grande do Sul, traz também indicativos de fontes de receitas possíveis, caso algumas desonerações sejam revistas. A crise das finanças públicas ocorre ao tempo em que há redução de servidores públicos e elevação das desonerações fiscais.
    Além disso, a redução do número de servidores sinaliza que uma eventual piora dos serviços públicos tem relação com a redução de pessoal nas respectivas áreas. Cabe aventar que a referida alteração esteja associada ao desalento monetário, uma vez que foram nas áreas com menores salários que se observou quedas acentuadas em servidores ativos.
    Referências
     
    RIO GRANDE DO SUL (a).  Demonstrativo das isenções fiscais do RS. Setembro – 2016. Disponível em:  http://www.al.rs.gov.br/FileRepository/repdcp_m505/CFPFC/Nota%20T%C3%A9cnica%20e%20Demonstrativo%20Desonera%C3%A7%C3%B5es%202015.pdf . Acesso em 05 out. 2016.
    RIO GRANDE DO SUL (b). Secretaria da Fazenda. Transparência fiscal. Disponível em: <http://www.sefaz.rs.gov.br/Site/MontaMenu.aspx?MenuAlias=m_bp_bip_a2008>. Acesso em 27 out. 2016.
     
    [1]  No Rio Grande do Sul, eles acontecem através de quatro formas: i) isenção de impostos; ii) base de cálculo reduzida; iii) crédito fiscal presumido e; iv) estatutos da microempresa e da empresa de pequeno porte (Simples Nacional).
    [2] Para se ter um comparativo, em São Paulo, as desonerações fiscais do ICMS no ano de 2015 foram de 11,30% da arrecadação potencial A arrecadação potencial no Rio Grande do Sul foi de 22,94% no ano de 2015.
    [3] Os dados englobam os três poderes do estado do Rio Grande do Sul, mas não incluem as empresas e outras instituições de economia mista, as quais possuem receitas próprias e, na maior parte, são lucrativas.

  • Quem trabalha mais? Analise da produção legislativa de Sebastião Melo e Nelson Marquezan Jr.

    Jorge Barcellos – Doutor em Educação
    Fundamentação metodológica
    Os candidatos a Prefeito de Porto Alegre reivindicam em sua propaganda política que são grandes trabalhadores. Uma das formas de verificar isso é analisar sua produção legislativa. Reunimos aqui os dados disponíveis nos sites da Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Câmara dos Vereadores para apresentar dados brutos de produtividade parlamentar. O objetivo é realizar a comparação entre a produtividade dos candidatos a Prefeito da Capital. Se realmente afirmam que são grandes trabalhadores para a cidade, que experiência de trabalho, como ela emerge em termos de sua produtividade legislativa? Há em suas proposições, elementos que permitam indicar qual candidato tem maior conhecimento da cidade?
    Minha metodologia de pesquisa considerou o fato de que Sebastião Melo, antes de ser vice-prefeito, foi vereador por 3 mandatos (2001-2004, 2005-2008 e 2009-2012), o mesmo número de mandatos de Nelson Marquezan Jr, Deputado Estadual por um mandato (2007-2010) e Deputado Federal por dois (2011-2014, 2015-2018), sendo o último em andamento. Considero para título de comparação que os dois candidatos tiveram o mesmo tempo para dedicar-se a produção legislativa e, portanto, produzir proposições que beneficiassem Porto Alegre. Com três mandatos cada um, ainda que o terceiro mandato de Marquezan Jr esteja inconcluso e, portanto, o candidato ainda possa elaborar novos projetos, considero que se o candidato vier a ser eleito como anuncia, terá de renunciar a parte de seu segundo mandato e com isso o total de sua produção tenderá ser equivalente aos dados pesquisados, com poucas diferenças significativas. Isso reforça o significado da análise da sua produção como conjunto.
    Os dados foram analisados em estado bruto, como são encontrados nos respectivos sites. Correspondem ao meu levantamento primário, sem revisão aprofundada dos conteúdos das proposições e não fazem diferença entre aprovados, rejeitados ou vetados, o que exigiria mais tempo de investigação, impossível em função da necessidade de apresentar tendências para o eleitor na campanha que finaliza. Nesse sentido, eventuais lacunas e erros de classificação de poderão ter ocorrido, e são responsabilidade exclusiva o autor, ainda que não prejudicam o mapeamento de tendências e grandes dados reunidos. Há, por exemplo, uma notável dificuldade de classificar os bairros de determinadas proposições, devido a recente reforma da nomenclatura feita na capital, e por esta razão, eventualmente, ruas que receberam benefícios por proposições podem ter sido lançadas em bairros próximos aos atuais. Nesse caso, preferiu-se seguir exatamente o termo do bairro como aparece nas Ementas, sem correção. Reuniram-se as proposições que na sua maioria, preencheram os requisitos de comparação, isto é, estavam presentes em ambos candidatos. Eventualmente, proposições menores foram alocadas no quesito “outras proposições”, por sua natureza. Consideramos Emendas e Substitutivos como peças processuais, seguindo a praxe da Câmara Municipal de Porto Alegre, ainda que possam ser identificados como proposições individuais, nos demais níveis de poder.
    Avaliar a produção legislativa em instituições tem sido um objetivo recente dos cientistas políticos, principalmente no campo dos Estudos Legislativos. Regra geral, os estudos neste campo analisam o comportamento das instituições do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado) e das Assembleias Legislativas com poucos estudos sobre Câmaras Municipais. Além disso, estudos comparativos entre produção legislativa de instituições de diferentes níveis de governo raramente são produzidas e envolvem problemas para o pesquisador, que necessita identificar a nomenclatura e a forma de indexação dos dados nos diversos portais da internet. Exemplos de análise são os estudos de Paolo Ricci em “A produção legislativa de iniciativa parlamentar no Congresso brasileiro” artigo da obra O Senado Federal Brasileiro e o pós-constituinte (Senado Federal, Brasília, 2008), que analisou as diferenças e similaridades entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal nas propostas parlamentares entre 1991 e 2003 ou o estudo de Luis Gustavo de Mello Grohmann “O processo legislativo no Rio Grande do Sul” da coletânea “O poder legislativo nos Estados”, de Fabiano Santos, onde o autor dá atenção a importância de se classificar a produção legislativa através do levantamento da produção por tipo e assunto.  É o que de forma limitada tentamos neste estudo.
    Após o mapeamento de toda a produção por categoria, selecionei para análise inicial os dados de 3 tipos de proposições nos diversos níveis de ambos candidatos à Prefeito: Projeto de Lei do Legislativo, Projeto de Emenda à Lei Orgânica e seus equivalentes a nível Estadual (Constituição Estadual) ou Federal (Emenda à Constituição Federal) e Pedidos de Providência. Apesar de terem sido também reunidos dados de proposições como Projetos de Resolução, Requerimentos e Pedidos de Informação, além de indicações do poder municipal e do poder estadual, estes não foram objeto de uma análise mais aprofundada. É importante dizer que elas são importantes, mas preferimos tendo em vista o curto tempo, centralizar nosso esforço naquelas que consideramos principais. É importante salientar proposições que não se enquadram nesta tipologia principal, foram reunidos na categoria “proposições diversas”, que reúne desde Propostas de Fiscalização e Controle à Reclamações, proposições especificas encontradas na Câmara dos Deputados Federais e sem equivalente nos demais âmbitos que, o que só foi possível devido a seu reduzido número de ocorrências, o que, evidentemente, pode ser objeto de crítica.
    Escolhi entre as proposições destacar em um mesmo nível Pedidos de Providência e Indicações, pois entendi que estas proposições oferecem mais condições de análise para a atuação política dos candidatos a nível local. Analisei de forma geral temas dos PLCL e PLs, além dos Pareceres emitidos pelos candidatos em processos, o que dá uma notável equivalência a análise da produção entre os candidatos. Finalizei com o que considerei o critério distintivo da atuação entre os dois candidatos para Porto Alegre: a produção de Pedidos de Providência. Uma curiosidade observada é que, enquanto que o Regimento Interno da Câmara Municipal de Porto Alegre e da Câmara dos Deputados prevê Pedidos de Providência como um instrumento parlamentar na sua relação com o executivo para o atendimento de demandas da população, o Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul não possui. Isto resulta em significativo prejuízo da atuação do candidato Nelson Marquezan Jr para sua ação política direta sobre as necessidades da capital, ao contrário do candidato Sebastião Melo, que dispôs e utilizou deste recurso como vereador.
    No primeiro acesso ao sistema da Câmara dos Deputados, encontramos 589 proposições do candidato Nelson Marquezan Jr, já que pela página do candidato na seção “Projetos de Minha Autoria”, os resultados aparecem brutos, o sistema oferece simultaneamente a produção de emendas, declaração de voto, emendas de redação final, substitutivos e votos em separado, o que dificulta a comparação com o candidato Sebastião Melo. A separação só é possível pelo acesso a atividade legislativa, que distingue as proposições. Daí a decisão do cruzamento de ambos acessos, forma de ter uma visão geral de peças como emendas do conjunto da obra numa primeira leitura. Isso não significa que o candidato Melo não tivesse produção significativa neste campo. O problema é como discriminá-la na produção geral para termos equivalência entre os candidatos, pois estaria longe da disponibilidade de tempo desta pesquisa o trabalho de verificar, na Câmara Municipal, processo a processo, as emendas propostas por Sebastião Melo, já que o acesso pela internet da Câmara Municipal não oferece esta informação. Por esta razão, optamos por suprimir esta categoria de dados de produção, das Emendas, Subemendas e Substitutivos, consideradas aqui como peças de proposições, pela ilustração por um exemplo equivalente, os Pareceres, peças que estão disponibilizadas nos Relatórios da Câmara Municipal para o candidato Melo e no sistema da Câmara dos Deputados. Assim, chegamos a uma igualdade de proposições. A metodologia poderá ser discutida posteriormente, mas acredito que os efeitos serão mínimos nos valores apontados e defendemos as tendências gerais de produção, onde nossa conclusão é que não temos dúvidas quanto a superioridade de produção de Sebastião Melo.
    O candidato Marquezan Jr poderá considerar que nossa opção pelos Pedidos de Providência como a categoria fundamental de análise lhe é injusta. De fato, localizar a contribuição de qualquer um dos candidatos é difícil, há outras formas de trabalho parlamentar, como os discursos de plenário, as atividades diárias, etc. O problema é que, ainda que Indicações esta não esteja prevista no Regimento Interno da Assembleia Legislativa, onde ficou por apenas uma legislatura, está no da Câmara dos Deputados, onde o candidato desafiante passou o maior tempo de sua experiência legislativa e poderia ter usado mais. Não o fez. São proposições que atuam diretamente no cotidiano do morador da cidade, pedidos de melhorias de serviços públicos, etc.  Os dados foram levantados no período de 25 a 27 de outubro e analisados no dia 28 e são preliminares, merecem uma nova discussão. São, no entanto, indicativos poderosos da atuação parlamentar. Dizem-nos quem trabalha mais e quem trabalha menos.  Os dados relativos à produção de Sebastião Melo foram pesquisados junto ao site da internet da Câmara Municipal de Porto Alegre, bem como aos Relatórios de Gestão disponíveis na Biblioteca da Câmara.
    Análise da produção geral:
    Foi identificada uma notável diferença de produção legislativa entre os candidatos. O candidato Sebastião Melo (PMDB) foi o que teve maior produção legislativa, com 1249 proposições na Câmara Municipal. O total de proposições do candidato Nelson Marquezan Jr informada pelo site da Câmara dos Deputados é de 589 proposições e na Assembleia Legislativa, 22, mas a forma como são organizados os dados da Câmara dos Deputados inclui peças que compõem de proposições, como Emendas, Pareceres, relatoria de processos, que para efeitos deste estudo, foram considerados em separado apenas os Pareceres. Isso não tira a vantagem do candidato Nelson Marquezan Jr: mesmo que estas peças fossem incluídas no total de proposições, ainda assim o candidato Sebastião Melo estaria em vantagem.
    Em termos de número de proposições, Melo é o que mais produziu ao longo de 3 legislaturas ou 12 anos. Das proposições analisadas e retirando as peças de proposições, foram 1294 proposições contra 374. Isto significa que do total de proposições apresentadas e consideradas válidas nesta pesquisa da produção dos candidatos, Sebastião Melo concentra 77,5% da produção enquanto que Nelson Marquezan Jr concentra 22,7%, quer dizer, Melo produziu 3 vezes mais do que Marquezan Jr enquanto esteve no legislativo. Mesmo que se considere o total, neste estudo desmembrado para ser avaliado na categoria respectiva de pareceres, o que daria como resultado para Marquezan Jr de 611 proposições (589 na Câmara dos Deputados e 22 na Assembleia Legislativa), ainda assim o candidato Sebastião Melo estaria em vantagem, com cerca de 200%: quer dizer, no mínimo, Melo trabalhou o dobro de Marquezan Jr.
    Pela categoria da natureza da proposição e por candidato, Melo lidera com os Pedidos de Providência, com 502 pedidos correspondem a cerca de 38,7% das suas iniciativas, seguidas de Proposições diversas com 26,3%, Pedidos de Informação, com 14,3% e demais proposições. Já Marquezan Jr produziu mais requerimentos, que compõem cerca de 47,5% de sua produção, seguidos de respectivamente 10% de Pedidos de Informação e Projetos de Lei do Legislativo com 10,9%. Observe que estes percentuais são internos a produção de cada candidato: quando comparados os candidatos entre si, os percentuais variam e aí observamos diferenças notáveis. Na produção total, isto é, na soma da produção de ambos os candidatos, os respectivos percentuais em cada categoria revelam novamente a superioridade do candidato Sebastião Melo: este possui 5,6% dos Projetos de Lei enquanto que seu adversário a metade, isto é, 2,4% do total.
    Marquezan Jr possui ainda os menores indicadores na comparação das demais proposições. Enquanto Melo exerceu sua função fiscalizadora, com cerca de 11,1% de proposições da categoria Pedidos de Informação, Marquezan Jr atende apenas por 2,3% dos pedidos. Isto é, Melo exerceu a função fiscalizadora pelo menos 5 vezes mais que Marquezan Jr! Melo ainda é superior nas proposições relativas à Projetos de Lei Complementar, com 1,8% do total e Indicações, com 0,6%. Só há duas modalidades em que Marchezan foi superior a Melo: Requerimentos (47,5%) e Projetos de Emenda à Constituição (29,1%).
    Tabela I Quadro geral das Proposições por candidato

    CandidatoSebastião MeloNelson Marquezan Jr
    ProposiçõesTotalPercentualTotalPercentual
    Projetos de Lei do Legislativo947,2%3710,2%
    Pedidos de Providência50238,7%20,5%
    Proposições diversas *34126,3%20,5%
    Pedidos de Informação18614,3%3910,1%
    Requerimentos896,8%17847,5%
    Projetos de Resolução262%41%
    Projetos de Lei Complementar do Legislativo302,3%10,2%
    Indicações110,8%20,5%
    Projeto de Emenda à Lei Orgânica/Constituição151,1%10929,1%
    Subtotal 11294100%370100%
    Subtotal 2A+B=1664
    Total 77,5% 22,7%

    * Proposições diversas, excluídas Emendas, Substitutivos e Congêneres, considerados peças internas de processos
    Tabela II -Quadro geral das proposições tomados no conjunto

    CandidatoSebastião MeloNelson Marquezan Jr
    ProposiçõesTotalPercentualTotalPercentual
    Projetos de Lei do Legislativo945,6%372,2%
    Pedidos de Providência50230,1%20,1%
    Proposições diversos34120,4%20,1%
    Pedidos de Informação18611,1%392,3%
    Requerimentos895,3%17810,6%
    Projetos de Resolução261,5%40,2%
    Projetos de Lei Complementar do Legislativo301,8%30,05%
    Indicações110,6%20,1%
    Projeto de Emenda à Lei Orgânica/Constituição150,9%1106,5%
    Total129477,3%37022,7%

     
    Análise das proposições PLCL
    A produção de projetos de lei complementar é um importante indicador de atuação dos parlamentares. A lei complementar é uma lei superior à lei ordinária, e por esta razão, exige quórum qualificado. É também uma lei de maior abrangência, exigindo um notável aumento das competências do legislador para sua criação. O candidato Sebastião Melo foi o que teve maior produção de PLCLs, com 90% do total de proposições, ou 30, contra seu adversário, Nelson Marquezan Jr, com apenas 3 proposições: uma na Assembleia Legislativa e 2 na Câmara dos Deputados. Além disso, a superioridade também se deve ao número de temas abordados: enquanto Sebastião Melo atuou em seis áreas especificas com suas propostas, o candidato desafiante atuou em apenas 2.
    Os campos de atuação na produção de PLCL são diferentes. Sebastião Melo concentra 9 projetos de sua produção (30%) em projetos que se dedicam a aprimorar a questão urbana enquanto que seu oponente concentra seus 2 (77%) projetos na questão das limitações orçamentárias. Sebastião Melo também se destaca na produção de legislação referente ao aprimoramento legislativo, com 10 proposições sob o formato de PLCL, enquanto seu desafiante não possui nenhuma. Isso não significa que Nelson Marquezan Jr não tenha proposições em defesa do aprimoramento legislativo, o que de fato ocorre em outras proposições do candidato na Câmara dos Deputados, mas elas não estão neste tipo de proposição. É preciso também considerar a distorção que a análise estatística também produz: apesar de Nelson Marquezan Jr dedicar 33% da sua produção de PLCL a defesa da questão social, superior à produção de Sebastião Melo, onde o tema ocupa 16,6% das proposições, ocorre que a distorção ocorre por conta do reduzido número de proposições do candidato desafiante, que tem apenas 1 projeto relacionado ao tema social, enquanto Sebastião Melo possui 5 projetos. É cinco vezes mais.
     
    Tabela III – Temas de proposições: Projetos de Lei Complementar do Legislativo

    CandidatoSebastião MeloNelson Marquezan Jr
    Proteção ao trabalhador (proteção do trabalhador da construção civil):13,3%
    Lei Orçamentária26,6%277,7%
    Questão social (comércio ambulante)516,6%133,3%
    Questão urbana (alteração de regimes urbanísticos, regularização de obras, imóveis abandonados)930%
    Impostos (organização de tributos, dispensa de corte d’agua por carência)26,6%
    Aprimoramento legislativo (consolidação das leis, burocracia, concursos públicos, transparência)1033,3%
    Subtotal30100%3100%
    SubtotalA+B33
    Subtotal3090%310%

     
    Análise dos Projetos de Lei do Legislativo
    Foram identificadas 16 categorias. Novamente, o candidato Sebastião Melo tem maior performance, com presença em 12 delas, enquanto que o adversário Nelson Marquezan Jr possui presença em 8 delas. Nesse campo, o maior número de proposições de Melo foi o de denominação de ruas, que chegou a 32% das suas proposições, inexistindo no candidato Melo equivalente. Já o candidato Nelson Marquezan Jr apresenta o maior número de proposições na temática orçamento público, em suas formas de transparência pública e controle, correspondendo a 24% das proposições do candidato.   Mas é importante lembrar que o candidato Marquezan Jr está em grande desvantagem também neste quesito: tomando-se o conjunto das proposições, sua produção corresponde a 29% das proposições, enquanto Sebastião Melo, detém 71% das proposições, mais do que o dobro. É importante observar também o campo em que se situam as proposições desta modalidade: enquanto o candidato Marquezan Jr apresentou uma notável concentração de proposições de natureza econômica, dos 37 PLLs, 27 são deste campo, enquanto que o candidato Melo concentrou sua iniciativa no campo social: dos seus 94 PLLs, 76 das suas proposições de PLLs são neste campo.
    Tabela IV: Temas de proposições PLL

    CandidatoSebastião MeloNelson Marquezan Jr
    CategoriaTotal%Total%
    Orçamento público: acompanhamento, formas de transparência e controle:55,3%924,3%
    Questão social88,5%38,1%
    Impostos e finanças11,06%38,1%
    Urbanismo22,1%
    Segurança88,5%410,8%
    Saúde44,2%
    Cidadania22,1%
    Transporte99,5%
    Nomes de ruas3132,9%
    Homenagens1212,7%
    Finanças Públicas616,2%
    Cultura99,5%
    Educação33,1%
    Economia616,2%
    Aperfeiçoamento da burocracia38,1%
    Controle do exercício profissional38,1%
    Subtotal por candidato94100%37100%
    SubtotalA+B131
    Total71%29%

     
    Pareceres:
    Pareceres constituem o trabalho técnico do legislador na análise da matéria legislativa. Deles depende a aprovação ou rejeição de um projeto de lei. Aqui, é um exemplo da matéria legislativa, do trabalho legislativo, equivalente a produção de emendas, subemendas e substitutivos, no trabalho parlamentar. São peças que integram o projeto de lei.
    Os pareceres, tomados como exemplo, mostram notável diferença entre o trabalho dos candidatos. Enquanto que o candidato Sebastião Melo produziu ao longo do seu trabalho como vereador 199 pareceres, Nelson Marquezan Jr produziu 111. O trabalho de Melo corresponde a quase o dobro do trabalho dedicado por Nelson Marquezan Jr, respectivamente 64% e 36% do total de proposições.
    Tabela V: material processual: Pareceres

    PareceresTotal%
    Sebastião Melo19964%
    Nelson Marquezan Jr11136%
    Total310100%

     
    Pedidos de Providência e Indicações
    Ainda que o candidato Nelson Marquezan Jr aponte que em suas propostas beneficiou, por exemplo a Vila Iapi, numa primeira leitura, não encontrei a proposição de que se trata afirmação. O que não significa que não exista, pois poderiam estar em uma proposição cujo conteúdo não foi usado em nossa tabulação, que é geral e preliminar. Mas o que chama a atenção é que, dispondo de instrumentos que à distância, como Indicações, poderiam colaborar com a questão local, Marquezan Jr silencia. Não usa. Mostramos na tabela I os termos e não é necessário tabula-los: Nelson Marquezan Jr produz 2 indicações e 2 pedidos de providência, salvo melhor juízo.
    É notável, tendo em vista a natureza da proposição, o resultado da análise das Proposições de Pedidos de Providência para revelar o alcance local das propostas do candidato Sebastião Melo, que revelam o conhecimento dos bairros da capital. Não há proposição equivalente na produção legislativa de Nelson Marquezan Jr. Por isto que, ainda que estando em um nível diferente de Poder, Marquezan Jr poderia ter utilizado ferramentas simples da técnica legislativa para revelar seu interesse pela capital, como indicações. Entendo que não o fez. Isso para mim é um indicador significativo da diferença entre os candidatos, da diferença entre aqueles que trabalham pela capital e aqueles que a desconhecem.
    Sebastião Melo foi autor de 502 Pedidos de Providência em 12 anos de vereança. A maior parte delas, 47% ou 236 PPs, dedicados à recuperação das ruas da cidade, 14,5% ou 73PPs destinados a limpeza de praças, terrenos e ruas, além de remoção de lixo e 8,5% ou 43 PPs destinados a medidas de saneamento da cidade. Quer dizer, ao longo de sua trajetória, Melo cuidou da urbanização da capital diretamente, com pedidos que foram atendidos (esta também é uma informação que a pesquisa revela) pelos Prefeitos à época. Mais: é notável que tenha proposto inúmeras vezes a construção de espaços e instituições públicas por esta via de acesso ao Poder Executivo, seja para construção de creches e espaços de lazer, em cinco proposições.
    Ainda há um notável mapa de atuação na capital que os PPs revelam: os bairros beneficiados (tabela 7). Ainda que nossa classificação apenas siga as indicações constantes na própria ementa das Proposições e hajam bairros ou loteamentos que já fazem parte de outros desde a última reforma da lei de bairros, quer dizer, dos 81 bairros oficiais, conforme o site da Prefeitura, Melo atuou para beneficiar 73, mais de 90%, enquanto que Marchezan, em sua propaganda de TV, afirma ter beneficiado o IAPI, ou apenas 1. Isto pode ser reavaliado em números, mas já é um indicador importante. Além disso, reunindo numa aproximação preliminar os bairros em grandes grupos, de classe A, B e C, numa divisão geral e apenas sugestiva dos bairros listados, onde Petrópolis é considerado  classe A, Cidade Baixa, classe B, Restinga, classe C, e assim por diante, temos a Tabela 7 onde se pode constatar que a maior parte da atuação e dos beneficiários dos PPs de Sebastião Melo encontra-se entre as classes B e C, 68% das proposições, contra 32% para as classes A. Ou seja, Sebastião Melo, no seu trabalho de legislador, procurou atender as necessidades das populações mais pobres da cidade.
    Tabela VI – Pedidos de Providência de Sebastião Melo

    Pedidos de ProvidênciaTotal%
    Limpeza de praças, terrenos, calçadas, ruas e remoção de lixo7314,5%
    Saneamento, medidas para eliminar alagamentos, limpeza de boca de lobos, canalização de ralos438,5%
    Medidas para melhoria do transporte, instalação de semáforo, lombadas e faixas de pedestres203,9%
    Instalação de placas de ruas, ônibus e parquímetros101,9%
    Pavimentação do passeio público e conservação de ruas23647,1%
    Construção de espaços públicos de lazer, construção de creches e criação de postos de saúde51%
    Poda e retirada de árvores234,5%
    Iluminação pública, troca de lâmpadas275,3%
    Instalação de redes de esgoto novas71,3%
    Ações de fiscalização, segurança e vistoria224,3%
    Total502100%

     
    Tabela VII – Bairros beneficiados

    BairrosTotal%
    Mario Quintana40,8%
    São Geraldo40,8%
    Lomba do Pinheiro30,6%
    Assunção489,5%
    Nonoai122,4%
    Tristeza336,5%
    Jardim Santa Isabel40,8%
    Cristal102%
    Pedra Redonda30,6%
    São João234,6%
    Teresópolis51%
    Belém Velho51%
    Vila Ipiranga51%
    Petrópolis61,1%
    Bom Fim112,1%
    Bom Jesus10,2%
    Auxiliadora30,6%
    Santo Antônio20,4%
    Ipanema448,8%
    Pedra Redonda20,4%
    Ponta Grossa81,6%
    Três Figueiras10,2%
    Jardim Cascata51%
    Serraria10,2%
    Santa Cecília10,2%
    Espirito Santo10,2%
    Medianeira20,4%
    Ipê20,4%
    Cidade Baixa20,4%
    Vila Nova10,2%
    Iapi152,9%
    Lami40,8%
    Vila Conceição10,2%
    Guarujá122,3%
    Campo Novo20,4%
    Hípica10,2%
    Independência10,2%
    Itu Sabará10,2%
    Chapéu do Sol10,2%
    Menino Deus20,4%
    São José20,4%
    Glória71,4%
    Jardim do Salso10,2%
    Rubem Berta479,3%
    Espirito Santo10,2%
    Jardim Carvalho61,1%
    Boa Vista10,2%
    São Geraldo61,1%
    Morro Santana40,8%
    Alto Petrópolis91,8%
    Cristo Redentor51%
    Aberta dos Morros30,6%
    Protásio Alves40,8%
    Partenon152,9%
    Camaquã51%
    Cel. Aparício Borges20,4%
    Ilha da Pintada10,2%
    Mato Sampaio10,2%
    Sarandi173,3%
    Navegantes81,6%
    Centro183,5%
    Floresta51%
    Chácara das Pedras10,2%
    Belém  Novo30,6%
    Agronomia20,4%
    Bom Jesus81,6%
    Restinga51%
    Passo da Areia10,2%
    Mont Serrat10,2%
    Vila Nova10,2%
    Cavalhada10,2%
    Cruzeiro do Sul30,6%
    São Geraldo20,4%
    Não identificado132,5%
    Total502100%
    Total de bairros73

     
    Tabela VIII: Pedidos de Providência /Bairro/classe social beneficiada

    Classe socialTotal%
    Classe A16532,8%
    Classe B e C33768,2%
    Total502100%

     
    Conclusão:
    Nestas eleições, a esquerda vive seu momento Westword. O seriado se passa no velho oeste e isto lembra em muito como vivemos estas eleições locais, com sua violência real e simbólica. Como no seriado, os cidadãos decidirão domingo sobre um mundo de mentiras da propaganda política com candidatos agindo como os anfitriões, com suas narrativas para agradar os cidadãos.  Mas da mesma forma que seu criador do parque, Robert Ford (Anthony Hopkins), queria uma vida que se aproxime da humana, a esquerda queria a proposta que mais se assemelhasse a boa politica. Não conseguiu. Agora enfrenta o dilema de decidir entre duas propostas que critica, alinhadas no espectro do liberalismo ao ultra neoliberalismo. Para mim, os dois são adversários políticos da esquerda: resta saber se o voto nulo, onde irá lavar as mãos, é a melhor estratégia, ou, como defendo, adote o voto útil como opção pelo “menos pior”.
    Nossa opção pelo “menos pior” indica Sebastião Melo. A pesquisa mostra que o eleitor que é responsável por quem escolhe e por quem não escolhe, pode usar como critério sim aquele que trabalhou a favor das comunidades. Com voto nulo ou branco, no fundo, aceita que quem ganhar deve ganhar. E quem ganhar, poderá dizer que ganhou também com o seu voto. “Votar é inevitável” diz Joaquim Falcão. Por isso o Comitê Suprapartidário em Defesa da Democracia, que reúne setores da esquerda, posicionou-se contra o voto nulo e indicou o voto em Sebastião Melo. Mostro neste estudo que há razões no trabalho legislativo do candidato que justificam esse voto. Enquanto que a esquerda vê em seu opositor o pior dos oponentes por sua submissão radical das políticas públicas à princípios da iniciativa privada, por representar setores da antiga Arena e aceitar apoios de setores da extrema direita, reconhecemos que a coligação Melo e Juliana, por outro lado, tem problemas reais, muitos, mas a Frente a considera “mais plural, na medida em que conta com a presença de uma liderança do PDT no cargo de vice-prefeita.”. E lembra que “o PDT posicionou-se nacionalmente contra o golpe e reconhece a importância da participação popular na gestão pública”, além da história pessoal de Melo, sempre junto a setores populares. Agora tem mais um argumento: Melo foi um notável trabalhador da cidade.
    É preciso ao menos, para a esquerda, garantir uma vitória: que seja contra a proposta pior, a ultra neoliberal. Uma vitória de cada vez. Diz o pai de Dolores no seriado “O Inferno está vazio e os demônios estão todos aqui!”, verdadeiro espelho desta eleição para a esquerda. Mas há diferenças. É preciso valoriza-las.

  • “Filhos deste solo”: uma viagem fotográfica pelo Extremo Sul

    Paisagens e personagens

    • Um dos maiores artesãos de facas do Brasil;
    • A paisagem de pântanos do Parque Nacional da Lagoa dos Peixes, um dos maiores refúgios de aves migratórias deste hemisfério;
    • Uma fisioterapeuta de cavalos que desafia a supremacia masculina do tradicionalismo gaúcho;
    • A praia mais extensa do mundo: com 254 quilômetros, a praia do Cassino tem ventos tão fortes que permitem andar de bicicleta sem pedalar;
    • Um escultor de ossos de baleia que vive no Chuí.

    A viagem, feita a bordo de um dos primeiros exemplares do Discovery Sport fabricado no Brasil, é a quarta e última do projeto Filhos deste Solo, uma homenagem da montadora britânica à garra, determinação, confiança do brasileiro e uma forma de celebrar a primeira fábrica da Jaguar Land Rover no Brasil, inaugurada em junho, em Itatiaia (RJ). A viagem, que poderá ser acompanhada em tempo real pelas redes sociais da Land Rover resultará também em um programa de mesmo nome, que irá ao ar em novembro pelo Canal Off, da Globosat, com criação e produção da Bossa Nova Films, e direção de Georgia Guerra-Peixe e Fábio Meirelles.
    Luciana Whitaker, uma fotógrafa que deixou o fotojornalismo no Rio de Janeiro para desbravar o Alasca e seus esquimós, será a protagonista da expedição que irá de Porto Alegre ao Chuí para mostrar paisagens (especialmente off road) e personagens locais com histórias interessantes para dividir.
    Com Luciana ao volante, a viagem pelo sul do País começará pela cidade de Feliz, onde a fotógrafa visitará Ismael Biegelmeier, um dos maiores artesãos de facas do Brasil, que lhe mostrará suas técnicas de manufatura em troca de saber um pouco sobre as facas dos esquimós. No retorno a Porto Alegre, a expedição passa por uma ponte de ferro, patrimônio histórico da humanidade e por Viamão.
    No segundo dia, ela encontrará o atleta Leandro Raí, que pratica stand up paddle, rapel e mergulho e sonha atravessar, praticando o esporte, a maior lagoa da América do Sul: a Lagoa dos Patos. Com Leandro, Luciana viaja até Itapuã contornando o rio Guaíba e visita a pousada São Francisco para conhecer sua centenária proprietária, Dona Esmerilda.
    Na sequência, Luciana segue para Tavares, para conhecer o ambiente e a gastronomia da fazenda Lagoa da Palha e para conhecer uma gaúcha que, como ela mesma, se atreveu a aventurar-se por terrenos dominados por homens. Enquanto Luciana rompeu a visão tradicional de que viajar sozinha é coisa de homens, Juliana Osório, de 28 anos, decidiu dedicar-se aos cavalos numa profissão bastante incomum: fisioterapeuta de equinos. As duas mulheres compartilharão suas histórias enquanto cavalgam e Luciana demonstra como realiza seu inusitado trabalho.
    O quarto dia revela magníficas e pouco conhecidas paisagens do Rio Grande do Sul, localizadas na da região de pântanos e lagoas do Parque Estadual da Lagoa dos Peixes, um dos mais importantes refúgios de aves migratórias da América do Sul, usado, em diferentes estações do ano, como ponto de descanso por cerca de 30 espécies de aves do hemisfério Norte e cinco do Sul. A região também é berçário de espécies marinhas como tainha e linguado. A fauna e flora peculiar do parque são explicadas pelo biólogo marinho Duane, que acompanhará Luciana até seu destino final, no Chuí, por 254 quilômetros da praia do Cassino, a mais extensa do mundo. Ali, a intensidade dos ventos é tamanha que, muitas vezes, é possível andar de bicicleta sem precisar pedalar.
    No Chuí, a expedição encontrará o último personagem da viagem: Hamilton Coelho, artista sexagenário que se dedica à escultura com restos de naufrágios e ossos de baleia depositados na praia pela maré. O entorno de sua casa converteu-se em museu, com suas obras espalhadas pelo terreno. O intercâmbio de experiências entre Luciana e Hamilton promete ser intenso, afinal a fotógrafa é uma militante preservacionista que viaja regularmente ao Alasca para registrar o impacto das mudanças climáticas no gelo e na fauna, enquanto o artista trabalha com conscientização ambiental de crianças.
    A fotografa
    dsc01420Coragem seria a palavra para definir Luciana que, aos 21 anos, largou a vida de fotojornalista no Rio de Janeiro por uma aventura gelada no Alasca, que durou 11 anos, de 1996 a 2007. Lá conheceu seu marido, teve dois filhos e desenvolveu sua paixão pelos povos e suas culturas. Começou pelos esquimós Iñupiag e hoje se considera uma etnóloga. Autora de dois” que envolvem fotografia, jornalismo e coragem – entre os quais Onze anos no Alaska, Luciana não parou mais de viajar para conhecer outros povos e culturas. Cair na estrada, quebrar paradigmas e se reinventar permanentemente são os elementos que definem suas opções de vida.
    Programa “Filhos deste solo”
    A jornada “Filhos deste solo”, que leva o mesmo nome do programa de TV que será veiculado no Canal OFF em novembro de 2016, contempla quatro expedições com as primeiras unidades de seus veículos nacionais – Range Rover Evoque e Discovery Sport. O objetivo é mostrar a grande diversidade, não apenas de paisagens, praias e montanhas, mas principalmente de povos e culturas que existem no Brasil. A ideia é mostrar os primeiros modelos que saíram da fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, mais do que serem feitos no Brasil, são produzidos por brasileiros, e para brasileiros. Criação e produção da Bossa Nova Films, com direção de Georgia Guerra-Peixe e Fábio Meirelles.
    A fábrica
    ldd06923A Jaguar Land Rover é a maior fabricante de automóveis do Reino Unido. A empresa possui duas marcas ícones da indústria automotiva britânica: Jaguar, com veículos esportivos de alta performance, e Land Rover, referência mundial em veículos utilitários esportivos (SUV)premium. Controlada pelo grupo indiano Tata Motors, a companhia conta com mais de 37 mil colaboradores em todo o mundo e comercializa seus produtos em mais de 180 países. Possui hoje quatro unidades fabris no Reino Unido, uma na China, em sociedade com empresa local, uma unidade de montagem local na Índia, uma no Brasil, em Itatiaia, Rio de Janeiro (a única 100% da empresa fora do Reino Unido) e uma em construção na Eslováquia. Presente há mais de 25 anos no Brasil, a Jaguar Land Rover conta com 35 concessionários no país.
     

  • A polêmica do voto nulo

    Paulo Timm – Economista
    O cientista político Benedito Tadeu César fez uma conclamação contra o voto nulo em Porto Alegre. Volto ao assunto em  apoio à sua posição.
    Sempre que a esquerda se isolou – e está caminhando de novo pra isso – liquidou-se.
    Em 1954 , antes do suicídio de Vargas, os comunistas o combatiam como um emissário do imperialismo. Diante das manifestações populares na morte do Velho, tiveram que mudar de posição.
    Antes disso, em 1935,  os comunistas também.haviam se isolado na tentativa de assalto ao poder e pagaram um preço alto. Não compreenderam as profundas mudanças que se estava processando com a Revolução de 1930, para a qual, inclusive, Prestes havia sido convidado para comandá-la. Conta-se que chegou a vir à Porto Alegre para encontro com Vargas. Um bom relato desses episódios está no livro ‘OS CAMARADAS’, escrito por William Waack com o filho de Prestes, graças aos arquivos soviéticos liberados em Moscou.
    Em 1968, depois do golpe de 1964, que havia varrido a economia com as reformas liberais de Roberto Campos, houve o repique retardatário da campanha do VOTO NULO em 1970, defendida por BRIZOLA, a esquerda se isolou de novo. Deu no que deu… ANOS DE CHUMBO.
    A razão disso é que o grande desafio brasileiro ainda  é o do DESENVOLVIMENTO e a construção da difícil DEMOCRACIA entre nós, para o que precisamos de um amplo ARCO SOCIAL e de sólidas alianças POLÍTICAS, como os que conseguimos na redemocratização que culminou na Constituinte de 88. É disso que se trata, de novo.
    A hora não é de ‘reconstruir’ o PT, pois ele não está destruído, como o catastrofismo proclama. Tem história, tem organização e envergadura nacionais, tem grandes lideranças regionais, tem, enfim, um papel importante se não cair na tentação infantil de se isolar em defesa de ‘princípios’. Nada que uma boa autocrítica não resolva. E , veja-se, nem sou do PT, nem defendo a Política Econômica implantada pela Presidente Dilma. Mas defendo a sobrevivência da Política como um caminho para a saída da CRISE.
    Aliás, há uma velha tradição que diz que, com amigos, a gente faz é festa. Política, se faz, com adversários. Gente que não pensa nem age como a gente. E se faz com a cabeça, não com o baixo ventre. E quando eles, adversários, porventura, se convertem em inimigos, prossegue a Política ‘por outros meios’, isto é, com a guerra.
    A questão crucial, portanto, é, sempre, saber se já começou a hora da guerra, pois ela implica em sérias consequências. Uma delas, é o sacrifício da verdade; outra, é que jamais sabemos de antemão como ela vai se desenvolver, quantos vai matar, e quando vai acabar.

  • Treme o governo Temer

    Pinheiro do Vale 
    O governo Temer treme. Na semana que vem, um dia depois de Finados, o governo ilegítimo do PMDB poderá ver assinada sua sentença de morte e iniciar sua derrocada afundando-se na ingovernabilidade e acabar expulso do Palácio do Planalto pelo improvável Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Quem diria?
    O primeiro choque virá do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), um dispositivo que impede a pessoas acusadas na Justiça de ocupar cargos de vice-presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.
    Por isto que o então presidente da Câmara, o então deputado Eduardo Cunha, foi impedido de exercer o cargo. Não cassado nem deposto, apenas foi afastado para que o País não corresse o risco de ser governado por uma pessoa acusada de ter cometido crimes.
    Se bastou para Cunha, vale para Renan. Ele é o segundo na linha de sucessão. O STF não vai cassar seu mandato; apenas transfere o poder para seu vice-presidente, senador Jorge Viana, do PT do Acre, ex-governador de seu estado e eminência da Oposição. É aí que a porca torce o rabo.
    A se manter esta agenda, a ADPF entrará em plenário, no Supremo, dia 3 de novembro. Se Renan cair, Viana assume a Presidência do Senado. Então desaba todo o programa econômico de Temer, pois ficará na mão do petista a tramitação da PEC 241. É um tiro no coração.
    A PEC da Morte não é apenas um programa de arrocho orçamentário. Vai além. No curto prazo seu valor é demonstrativo para o Brasil e o mundo do poder real do governo ilegítimo. Veja o que a aprovação da PEC diz: Dilma caiu porque não conseguia aprovar sequer um tema por maioria simples; Temer entra, faz passar toda a agenda (dezenas de MPs e vetos) contida e ainda altera a Constituição à hora e como bem quiser.
    É muita força política, diz a todos, desprezando os números catastróficos da popularidade (aprovação na linguagem do IBOPE) e as manifestações das ruas e ocupações de mais de mil escolas em todo o País gritando “Fora Temer” e “abaixo a PEC 241”.
    A questão é que sem Renan, leia-se a confraria do PMDB/PSDB, a casa cai. Viana e a aguerrida bancada oposicionista poderão, mesmo minoritários do plenário, retardar, embaraçar, obstaculizar e, por fim, derrubar a ratificação da PEC aprovada na Câmara. A derrota da PEC é a pá de cal na cova do golpismo.
    Caindo a 241, zerada ‘ “reforma”, vem baixo a “equipeconômica” do ministro Henrique Meirelles, o fiador do governo ilegítimo junto ao sistema financeiro. Dólar nas alturas, disparada da dívida, credibilidade no chão. Um quadro desestabilizador irrefutável.
    Entretanto, enquanto tudo isto não acontece, Michel Temer tem uma maioria confortável no Senado. Quanto poderá fazer um presidente hostil? Esta é a questão. Na Câmara a arapuca que Cunha deixou armada não funcionou. E no Senado? Estabelece-se o clima de horror na aliança golpista.
    No Senado será diferente. Na Câmara, ao montar sua chapa rebelde, Cunha olhou para o outro lado da rua na Praça dos Três Poderes e viu que perigo corria a presidente Dilma Rousseff, que tinha uma raposa à espreita no seu galinheiro. Com as barbas de molho, escolheu para vice-presidente a figura esdruxula do histriônico deputado Waldir Maranhão (PP/MA).
    Entretanto, não deu certo. Nem mesmo o baixo clero engoliu Maranhão e tomaram o poder na mesa deixando o sucessor legítimo de fora. Golpe dentro do golpe.
    Isto não se reproduz com Jorge Viana, um ex-governador reeleito e aprovado nos dois mandatos em seu estado (fez o sucessor). Na Mesa Diretora, uma figura irrepreensível, respeitado por todas as correntes, isento quando dirige os trabalhos. Um verdadeiro estadista. Não dá para comparar com Maranhão.
    Viana, contudo, estará em minoria, apoiado numa bancada aguerrida, mas com suas lideranças bastante agastadas por debates ríspidos com as bancadas golpistas.
    Por outro lado, o senador acreano não pode ser removido simplesmente. Embora afastado, Renan Calheiros ainda será o presidente, tal qual foi Cunha no seu ocaso. Viana só pode ser substituído se o titular renunciar à Presidência.
    No caso de renúncia, haveria nova eleição, pois cai a Mesa. Entretanto, ninguém espera que o senador alagoano abra mão de suas prerrogativas antes de esgotar todos recursos. Nesse cenário, Renan fica até fevereiro de 2017, quando se extingue seu mandato. Ou seja: o tempo vai correr contra o governo.
    A verdade é que ninguém esperava por esta peça incluída no enredo pela presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia. Esta ação estava lá há tempos, dormindo.
    Soterrada a PEC 241, Meirelles pede as contas, Temer treme. Sua “base” ancorada na poderosa e numerosa ala fisiológica dos minipartidos da direita, que já demonstrou sua perfídia quando abandonou a base aliada do governo Dilma cooptada por tucanos e peemedebistas, é um castelo de cartas. Os rastros da traição ainda estão bem visíveis no gramado do Palácio do Planalto.
    Temer terá que se arrastar até 31 de dezembro. Virado o ano, muda o processo eleitoral: na falta de um vice, a eleição para o Executivo será indireta, no Congresso. Nenhuma força, nem mesmo a oposição, quer ir para as ruas pedir votos agora. A direita tem medo que o repúdio ao governo seja um tiro pela culatra; a oposição ainda tem o lombo doendo pela sova que levou nas eleições municipais. Melhor um acordão.
    Já na virada do ano, poderá desabar sobre o presidente ilegítimo a impugnação da chapa vencedora em 2014. No TSE os procuradores estão assoprando as cinzas e reacendendo as brasas. Logo-logo volta a labareda.
    Caso Renan seja torrado, será necessário encontrar um nome que preencha as pré-condições para uma situação tão delicada. Deve ser uma pessoa que responda a uma reputação ilibada, notório saber, acima de todas as controvérsias. Não é difícil supor que poderiam repetir a fórmula da 1945, quando o poder foi depositado no colo do presidente de Supremo, ministro José Linhares. Deve ser uma pessoa que se sustente não só pelas qualidades individuais, mas também respaldada pela representatividade institucional. Quem seria? Vamos ver.