Autor: da Redação

  • Análise das metas dos programas de Sebastião Melo e Nelson Marquezan Jr. para a Educação

    Jorge Barcellos – Historiador, Mestre e Doutor em Educação
    As propostas dos candidatos no ciclo de políticas
    A abordagem do ciclo de políticas públicas formulada pelo sociólogo inglês Stephen Bown e Richard Bowe é útil para avaliar o teor das metas propostas dos candidatos à eleição para Prefeitura de Porto Alegre no campo da educação. Segundo os autores, as propostas dos candidatos constituem a primeira etapa do ciclo de políticas públicas porque constituem as “intenções” dos candidatos que orientarão a ação da Secretaria Municipal de Educação e demais burocratas encarregados de implementar sua política educacional. No entanto, os próprios autores alertam que tais definições não devem ser rígidas, já que ‘há uma variedade de intenções e disputas que influenciam o processo político”.
    Para os autores, segundo a interpretação do Doutor em educação e professor do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Jeffeson Mainardes, a formulação de políticas públicas de educação não pode excluir totalmente de sua formulação os interesses dos “profissionais que atuam nas escolas” e uma forma de diferenciar as propostas é determinar em que medida eles são envolvidos nas metas das políticas propostas. Para isso, o autor destaca que Bown & Bowe indicam dois tipos de textos comuns para a elaboração de tais programas, apontados por Roland Barthes, o writerly e readerly:
    “Um texto readerly (ou prescritivo) limita o envolvimento do leitor ao passo que um texto writerly (ou escrevível) convida o leitor a ser co-autor do texto, encorajando-o a participar mais ativamente na interpretação do texto. Um texto readerly limita a produção de sentidos pelo leitor que assume um papel de “consumidor inerte”. Em contraste, um texto writerly envolve o leitor como co-produtor, como um intérprete criativo. O leitor é convidado a preencher as lacunas do texto. ”
    Considerando este ponto de partida, identifico neste artigo os conteúdos e estilos das propostas para compreender o contexto da formulação política educacional dos candidatos Sebastião Melo e Nelson Marquezan Jr em seu contexto, conforme apontam os autores, que  “writerly e readerly podem aparecer de diferentes formas”, podem ser usados ao mesmo tempo em uma proposta, ou emergirem nos estilos adotados pelos candidatos no contexto  eleitoral, podendo ser mais democrático, para angariar votos para depois, em outro contexto, como no exercício do governo, assumirem seu viés autoritário.
    Um dos pontos importantes apontado por Mainardes no pensamento de  Bown & Bowe para esta análise é sua reflexão sobre o que eles definem como contexto de influência, isto é, para avaliar metas dos candidatos a prefeito precisamos fazer um exercício para localizar o campo ideológico onde insere-se a proposta eleitoral, o contexto em que um grupo de interesse, seja como partido desafiante ou da continuidade, afirma-se e se movimenta. É esse contexto que define o centro de cada proposta eleitoral em disputa para educação, e isso significa explorar o significado das finalidades sociais da educação e o que significa ser educado como a base real das propostas de políticas educacionais de um candidato. Quer dizer, cada proposta em disputa apresenta metas a serem atingidas que ocultam a concepção de educação e processo de ensino. O discurso do candidato desafiante usa de argumentos mais amplos que o discurso da continuidade para mostrar sua superioridade em relação as propostas do candidato da continuidade nas arenas públicas dos profissionais de ensino enquanto que o discurso do candidato da continuidade usa argumentos que combinam interesses novos e projetos em andamento.
    A análise das propostas: neoliberalismo gradual ou radical?
    Analisando as metas dos programas de Sebastião Melo (PMDB) e de Nelson Marquezan Jr (PSDB), a que tipos de textos correspondem e que características apresentam suas propostas?
    A primeira característica é que ambas propostas são marcadas pela contradição de serem alinhadas a uma visão neoliberal de educação ao mesmo tempo que buscam incorporar reivindicações dos professores em menor grau. Isso significa que compartilham, em menor ou maior grau, de uma proposta que vê como finalidade da educação a necessidade de ser alinhada à formação de mão de obra e veem o objetivo de ser educado na criação de um cidadão subordinado ao sistema capitalista e não crítico. Nos termos dos autores, entretanto, diferenciam-se no uso de argumentos e na intensidade de suas propostas: enquanto o texto da proposta que representa a continuidade é um texto voltado para aprofundar de forma gradual a política em andamento, o texto desafiante usa também de argumentos mais amplos e supostamente democráticos para mostrar sua superioridade, que, no entanto, contradiz-se com outras medidas defendidas no próprio conjunto de metas e termina por constituir-se numa proposta de avanço radical em termos neoliberais.
    Isso fica evidenciado na proposta de Sebastião Melo (PMDB) para a educação quando o candidato defende “qualificar o aprendizado nas escolas municipais, com ênfase no ensino de Português e Matemática”. A qualificação é uma política defendida pelos educadores, mas por que estas só estas duas disciplinas ficam em evidência? A resposta é que elas são as mais importantes para o sistema produtivo, enquanto que disciplinas como história, filosofia e sociologia, já objetos de reforma pela PEC do Ensino Médio, de seu próprio partido, são descartadas porque colaboram na formação crítica dos cidadãos.  Adiante, enquanto que o candidato defende que o “foco na qualificação da educação e na acessibilidade são o caminho para um futuro melhor para nossa cidade”, quer dizer, enquanto defende nas metas de acessibilidade na educação, o próprio candidato minimiza este caráter quando foca em disciplinas específicas e não numa grade curricular ampliada, perspectiva que acredita melhor para a conquista de votos. O problema é: qual é a proposta de ensino de qualidade de Sebastião Melo?
    A proposta de Marquezan, ao contrário, propõe uma visão democrática de gestão, já que afirma que irá “dialogar com professores e gestores para corrigir os gargalos da educação municipal”, sugerindo, nos termos dos Bown & Bowe, que o candidato se movimenta num contexto político superior, e portanto, mais democrático, mas este objetivo é negado logo adiante, quando no mesmo programa de metas do candidato desafiante, afirma que quer “estruturar o Currículo a partir da definição das habilidades e competências a serem desenvolvidas, criando um padrão de orientação para os professores”. Quer dizer, se propõe a dialogar, mas, adiante, assume o papel autoritário de definidor dos padrões a serem obedecidos pelos professores no seu processo de ensino. Essa estratégia é muito mais perversa do que a do candidato da continuidade porque oculta a face dissimulatória do seu programa, mostra na superfície seu programa foi feito para cativar audiências enquanto impõe no seu interior um processo centralizado, radical e autoritário de gestão.
    Entre intenções subjetivas e metas bem definidas
    Já a proposta de metas do candidato Sebastião Melo, ainda que compartilhe com Nelson Marquezan Jr o campo da direita, em alguns momentos revela sutis diferenças que podem justificar para o eleitor a escolha entre um e outro. A razão das diferenças entre uma e outra proposta pode ser explicada pelo campo em que se apoia o candidato da continuidade: enquanto Sebastião Melo tem Juliana Brizola, do PDT, um partido ligado visceralmente ao campo da educação, Nelson Marquezan possui Gustavo Paim, do PP, um partido ligado visceralmente à defesa do capital. Repercussões destas posições podem ser encontrada em outra meta presente em ambas propostas, a defesa da bandeira da educação em tempo integral.
    A diferença é sutil nos programas dos candidatos, mas merece reflexão.  Enquanto Melo aponta como meta geral “ampliar por meio de novos convênios a escola em tempo integral, que já atinge toda a rede pública, focada no esforço escolar no turno inverso, com atividades como reforço escolar, letramento, artes, esporte, lazer, educação ambiental, inclusão digital, entre outros”, Marquezan divide a mesma meta em duas, ainda que complementares, de “ampliar oferta de educação em tempo integral e de reforço no contraturno escolar” e “oferecer atividades extracurriculares, estimulando a interação com as famílias e a comunidade nas escolas”.  Mas há uma diferença: enquanto Melo define o currículo a partir de uma visão ampliada de educação que inclui, artes, esporte, lazer e educação ambiental, Marquezan silencia quais serão as atividades e não explica como se daria a interação com as famílias e as comunidades, ainda que desejável. Fica a questão em aberto no programa de Marchezan: as atividades seriam voltadas para a formação cidadã ou para o mercado de trabalho? Para Melo, neste aspecto, ao contrário das ênfases que defende em outra meta, indica que formação geral predomina, enquanto Marquezan silencia.
    Outra meta proposta pelos candidatos no campo educacional encontra-se nas demandas para o público de 0 a 3 anos. Nesse campo, há uma notável diferença entre as propostas dos candidatos. Enquanto que Melo promete “garantir vagas nas creches para 100% das crianças na faixa de 0 a 3 anos, oferecendo tranquilidade para às mães trabalhadoras”, Marquezan fala em “ampliar o atendimento para crianças de 0 a 3 anos em creches, qualificando e aumentando os convênios”. Observe que enquanto o primeiro apresenta uma meta objetiva, o segundo apresenta uma intenção, mas Marquezan leva vantagem no quesito educação de 4-5 anos, não mencionada nas metas do candidato da situação e defendida por ele, ainda que apenas novamente na forma de intenções de “acelerar o processo de ampliação da oferta de pré-escola, para atendimento da totalidade das crianças de 4 e 5 anos.” A vantagem desta meta termina por ser equilibrada pela contraposta por Melo por outra que não consta do programa de Marquezan, de “aumentar a qualificação dos espaços físicos das escolas, com acessibilidade plena decorrente da inclusão de alunos com necessidades especiais.”Nesse sentido, é uma diferença significativa, já que a inclusão é uma bandeira dos movimentos sociais.
    O ponto de conexão: o discurso gerencialista
    A segunda característica neoliberal que os programas revelam é a defesa de princípios como competitividade, mérito e eficiência. O objetivo é instaurar um tipo novo de gerencialismo nas escolas, que nos termos da educadora Raewyn Connell (2010) se revela quando “certas competências docentes, como a experiência prévia, são desvalorizadas em prol de práticas gerenciais pouco específicas, como “inovação” e “empreendedorismo”. Entre essas competências está o treinamento para novas tecnologias que emerge nas metas dos programas. Esse elemento aparece nas metas do programa de Sebastião Melo quando o candidato afirma que dará “atenção na formação das pessoas, com treinamento para novas tecnologias”. Essa postura tem repercussão na política de investimentos da escola, pois seleciona os ambientes, no caso o tecnológico, que deverão ser objeto de modernização e oculta que outros espaços podem sofrer abandono, já que afirma que seu objetivo é ”modernizar os espaços tecnológicos das escolas, com laboratórios de informática, lousas interativas, acesso pleno à Internet e incentivo à robótica”.
    Outra característica preocupante desta característica que emerge nas propostas dos candidatos é a “cultura de auditoria” que promovem,  nos termos de Connell (2010), onde o centro das políticas educacionais se foca na promoção de avaliações sistemáticas “com especial atenção à produção de dados quantitativos” . Essa filosofia introduz e transforma avaliações escolares em formas de auditorias, isto é, introduz uma cultura de avaliação autoritária caracterizada pela eleição de ”testes nacionais, o ranqueamento de escolas (entendidas como empresas que competem entre si)”. A consequência é que “tanto escolas quanto professores são estratificados a partir da lógica empresarial de profissionais bem ou mal sucedidos em função de seu próprio mérito”.
    Essa característica aparece no projeto de Sebastião Melo quando o candidato aponta que seu objetivo é “diminuir a repetência escolar, com melhoria na nota do IDEB. A meta é que a nota seja 6 no ano de 2022, correspondendo à qualidade de ensino dos países desenvolvidos”. Essa estratégia é aprofundada, por outro lado, no programa de Marchezan, quando ele aponta como objetivo “aumentar a frequência e a periodicidade das avaliações, monitorando a evolução dos resultados e garantindo a efetiva aprendizagem dos alunos. ” Ambos candidatos adotam a estratégia neoliberal de controle, seja através da aferição externa, por meio de nota do IDEB, seja por avaliações internas e monitoramento de resultados. Que papel resta ao professor no processo de ensino? Esse gerencialismo é maior no programa de Nelson Marquezan, já que o candidato também opta pela ênfase em “desenvolver programa de formação de professores e gestores”, que dizer, o candidato divide o universo escolar entre aqueles que ministram conteúdos e portanto, obedecem e aqueles que administram e gerenciam, e portanto exercem poder. Fim da gestão democrática de ensino. Não passa pela concepção do candidato Nelson Marquezan Jr que o professor é também um gerente dos seus processos de trabalho, a ideia de autonomia da escola ou que as decisões podem ser democraticamente compartilhadas com os estudantes. Nesse sentido, em termos de políticas educacionais, o projeto de Marquezan é pior que o de Melo porque afeta mais a construção da democracia na escola.
    Em ambos projetos, observa-se a ausência notável de metas quanto a valorização profissional dos profissionais de ensino, seja em termos de progressões para professores, valorização salarial, estabelecimento de políticas de formação continuada entre outros, outro indicador notável do caráter neoliberal de ambas propostas.
    Avaliando as propostas dos candidatos, apesar de ambos compartilharem uma concepção neoliberal e produtivista em educação, o candidato Sebastião Melo (PMDB) se sai melhor que seu oponente no campo das metas de educação propostas pelas seguintes razões: a) defende a meta de uma escola integral de formação geral enquanto que seu oponente silencia; b) defende a meta de universalização do acesso para crianças de 0 a 3 anos, enquanto seu oponente subjetiva a meta; c) defende a qualificação de espaços escolares com acessibilidade, reivindicação dos educadores e d)reivindica uma cultura da auditoria menor na escola que o projeto de seu oponente, valorizando a autonomia escolar defendida pela escola cidadã.
    FONTES:
    MAINARDES, Jefferson. Abordagem do ciclo de políticas públicas: uma contribuição para a análise de políticas educacionais. Educ. Soc., Campinas, vol. 27, n. 94, p. 47-69, jan./abr. 2006 . Disponível em http://www.cedes.unicamp.br
    http://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/08/09/as-politicas-neoliberais-na-educacao-um-panorama-geral/
     
     
     
     

  • Nem Melo, nem Marchezan: o equívoco do manifesto “Por uma Frente Popular e Democrática em POA"

    Miguel Idiart Gomes – Estudante de Ciências Sociais na PUCRS
    O resultado eleitoral em Porto Alegre traduziu a falta de representatividade de todos os partidos políticos. Nenhum candidato fez mais votos que brancos e nulos, demonstrando a falta de legitimidade de quem vai assumir o paço municipal. A partir dessa leitura, atribuir a esquerda como responsável por uma vitória das candidaturas do Marchezan (PSDB) ou Melo (PMDB) significa mais uma manobra de culpar o PT e a esquerda pelo resultado.
    A carta intitulada Frente Popular Democrática, assinada por intelectuais, usa a denominação da chapa PT/PCB das eleições de 1989 em Porto Alegre. Compara candidatura de Melo e Juliana (PMDB/PDT), com de Marchezan (PSDB/PP); argumenta que o PDT posicionou-se, nacionalmente, contra o golpe; e acrescenta que Juliana é “herdeira das propostas avançadas do Brizolismo para a emancipação da cidadania e a afirmação da democracia e da legalidade”.
    Com todo respeito que tenho aos trabalhistas históricos e a trajetória de lutas do PDT no país a carta esquece de avaliar o posicionamento da deputada Juliana na base do governo Sartori (PMDB) na Assembleia Legislativa. Um exemplo foi a votação da Lei de Diretrizes Orçamentária de 2015, na qual ela votou a favor do congelamento dos salários e a perda dos direitos trabalhistas no RS. A aprovação do tarifaço nesse ano pela base do Sartori é outro exemplo em que a neta do Brizola votou pelo aumento das alíquotas do ICMS, o imposto sobre gasolina, álcool, telecomunicações e energia elétrica comercial e residencial acima de 50 kw.
    A trajetória do trabalhismo e da liderança de Brizola não combina em nada com o apoio a uma candidatura de um partido protagonista de um golpe de estado.
    A carta argumenta “a origem pessoal e o vínculo de Melo com setores populares”, mas não enxerga o enquadramento das lideranças do Orçamento Participativo e a corrupção em diversas secretarias, com investigações da Polícia Federal, Tribunal de Contas e Ministério Público. Listo alguns casos de investigação: Operação Rodin – investiga o contrato sem licitação por R$ 11,3 milhões; Operação Pathos – investiga desvio de pelo menos R$ 9 milhões pelo Instituto Sollus, contratado sem licitação para gerir o Programa Saúde da Família; denúncias de desvios e de corrupção na SMAM que resultaram na prisão e indiciamento de secretário do PMDB; o rompimento do conduto Álvaro Chaves, confirmando suspeitas de irregularidades nas obras do SócioAmbiental; o milionário contrato para conclusão do novo Sistema Integrado de Administração Tributária, o SIAT, foi suspenso pelo Tribunal de Contas por que houve indevida dispensa de licitação; o caso da Procempa, em que o presidente jogou dinheiro pela janela. Também a denúncia de desvio de R$3 milhões por mês na Carris. O caso mais recente é do Departamento de Esgotos Pluviais, em que identificaram um prejuízo de mais de R$2 milhões para os cofres público.
    Diante desses fatos, a gestão onde Melo é o vice-prefeito, contratou, indiscriminadamente serviços terceirizados que culminaram em desvios de recursos públicos sem precisar privatizar.
    Os dois partidos, PT e Psol, tomaram a decisão acertada de orientar sua militância em não votar nem no Melo, nem no Marchezan. Aliás, o segundo turno ocorre no momento em que o golpe avança a galope com a provação da PEC241, onde o PMDB e o PSDB aprovaram o congelamento dos recursos na Saúde e Educação. Eles governam juntos o país e o Estado e serão aliados em Porto Alegre, independente do resultado do pleito. Eles têm lado e não é o das classes populares e nem trabalhadora.

  • Aprovados no concurso para a Guarda Municipal protestam nesta sexta-feira

    Os quase trezentos aprovados no último concurso público para a Guarda Municipal de Porto Alegre farão um protesto nesta sexta-feira, às 16h, em frente à Prefeitura. O grupo reclama do aumento da violência e exige que o executivo municipal nomeie os aprovados. Segundo o movimento, todas as etapas foram concluídas, faltando apenas o chamamento.
    O concurso foi realizado em 2015 e teve 289 aprovados. Atualmente a Guarda Municipal dispões de 484 servidores, embora o quadro funcional preveja 632, segundo a própria instituição. O movimento defende ainda que, pela lei federal 13.022, de 2014, que institui o estatuto das guardas municipais, a entidade poderia ter até 1.500.
    O ato visa atrair atenção da população de Porto Alegre para a necessidade de reforçar os quadros da Guarda Municipal, bem como inserir a corporação nas políticas de segurança pública, em parceria com os órgãos estaduais.

    Panfleto distribuído pelo movimento dos guardas concursados à espera de nomeação
    Panfleto distribuído pelo movimento dos guardas concursados à espera de nomeação

  • Kadão lança “A força do tempo – Histórias de um repórter fotográfico brasileiro”

    Poucos profissionais do fotojornalismo no Brasil conseguem ter em suas biografias duas características que marcam a trajetória do porto-alegrense Ricardo Chaves, o Kadão: participar ativamente da História que se desenrola em frente à sua câmara fotográfica e deixar que essa História invada sua vida através da paixão, das amizades criadas na correria do jornalismo e nas experiências que acabam também por fazer parte dessa mesma História.
    Kadão registrou o contemporâneo de sua cidade, Porto Alegre, do Rio Grande do Sul, do Brasil e de diversas partes do mundo ao longo de mais de 40 anos. Fotografou líderes mundiais, nacionais e locais; momentos políticos marcantes; eventos esportivos de diferentes níveis; personalidades e pessoas comuns; o cotidiano dos locais onde trabalhou e morou. Em qualquer uma dessas realidades, deixou não só a marca de fotojornalista como também a de seu humanismo marcante.
    Segundo o jornalista, curador e crítico de fotografia Rubens Fernandes Júnior, Ricardo Chaves é da época em que o fotojornalismo assumiu definitivamente sua condição de trazer em cada imagem informações que, de alguma forma, impactassem o leitor. “Ele soube fazer isso com maestria e pontuou sua presença na imprensa brasileira com imagens que ajudam a contar a história recente do Brasil.”
    capa-kadao-chavesEssa trajetória levou-o ao livro-documento “A força do tempo – Histórias de um repórter fotográfico brasileiro”, no qual imagem e texto se completam, ajudando a contextualizar cada flagrante reproduzido ou fotografado pelo autor. Na obra, a vida pessoal de Kadão Chaves, desde que nasceu em Porto Alegre em 1951, se mistura com sua vida profissional, iniciada em 1969 e que, depois de passar pelas redações jornais e revistas nacionais, como Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Veja, IstoÉ, retornou, em 1992, à sua cidade natal para assumir o cargo de diretor de fotografia de Zero Hora – e hoje assina a coluna Almanaque Gaúcho.
    O livro de Kadão Chaves, ilustrado com centenas de imagens, foi produzido pela Quati Produções Editoriais, sob selo da Libretos Editora, com financiamento do Fumproarte, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A edição é de Pedro Haase Filho e o design gráfico de Clô Barcellos.
    Kadão autografa o livro hoje, a partir das 19h30, no Átrio do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa (avenida Independência, 75).

    Ficha técnica“A força do tempo – Histórias de um repórter fotográfico brasileiro”
    Autor: Kadão Chaves
    Editora: Libretos
    184 páginas
    Formato: 20 cm x 25 cm
    ISBN: 978-85-5549-014-9
    Preço de venda: R$ 50,00
    Financiamento: Fumproarte
    O autor

    Ricardo Chaves, o Kadão, nasceu em Porto Alegre, em 21 de julho de 1951. Começou sua trajetória profissional em 1969, quando se tornou auxiliar de laboratório e, depois, fotógrafo no jornal Zero Hora. Saiu de ZH para trabalhar com Assis Hoffmann na Agência Focontexto, que atendia as sucursais de jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo na capital gaúcha. Em 1972, foi contratado como fotógrafo da sucursal do Jornal do Brasil. Dois anos depois, passou a ser freelancer para as revistas Veja, Placar e Quatro Rodas, entre outras, da Editora Abril. Na sequência, foi efetivado como fotógrafo da Veja na sucursal de Porto Alegre. Em 1981, transferiu-se para a sucursal da revista no Rio. Saiu da Veja em 1984, indo para a revista Isto É, na qual assumiu, primeiro, como editor adjunto e depois como editor de fotografia, em São Paulo. Em meados de 1988, recebeu convite da Agência Estado (O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde) para trabalhar na sucursal de Brasília. Voltou para São Paulo em 1991, como um dos editores de fotografia da Agência Estado. Em maio de 1992, retornou para Porto Alegre ao assumir o cargo de editor de fotografia de Zero Hora.
    Kadão participou de algumas mostras de fotografia no Brasil e no Exterior. Fez ainda cinco exposições individuais:Uruguai, imagens de uma história recente (1980), Sonhos ao Sol (1987), F-1 – Vida de Cigano (1992), Além da Utopia (1994) e Vietnam – Tempo de Viver (1998). No ano de 1998, foi um dos fotógrafos convidados da II Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, onde expôs três trabalhos na coletiva Mostra Brasil. Em março de 1999, participou, em Porto Alegre, da exposição Os Gaúchos na Bienal de Curitiba II. No mesmo ano, foi um dos autores na 9ª Edição da Coleção Masp/Pirelli, participando da coletiva, do catálogo e tendo seus trabalhos incluídos no acervo do Masp. Em 2003, participou da edição e teve fotos publicadas no livro Cenas da Vida Gaúcha, produzido com material da equipe de fotógrafos dos jornais do Grupo RBS (Zero Hora, Pioneiro, Diário de Santa Maria e Diário Gaúcho). Em junho de 2005, convidado pela embaixada do Brasil Suriname, realizou a exposição Retratos do Brasil e ministrou workshop em Paramaribo. Em 2007, co-editou e publicou fotos no livro Imagens Gaúchas, da RBS Publicações. Sob os auspícios do grupo espanhol Innovation Media Consulting, realizou trabalhos de consultoria na área de fotografia para os jornais El Caribe, na República Dominicana, Diário de Notícias, na Ilha da Madeira/Portugal, Correio, em Salvador, Diário do Norte, de Maringá, e A Tribuna , de Vitória. Também participou como jurado, desde 2010, das últimas edições do Prêmio Conrado Wessel, de Fotografia, em São Paulo, a mais importante e prestigiada distinção da fotografia brasileira. Como convidado especial, foi um dos expositores na mostra Shangai, evento da 4ª edição do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre (o FestFoto POA), em 2010. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Ari de Jornalismo – categoria Webjornalismo, em parceria com a repórter Kamila Almeida na reportagem Quartos Vazios.
    Em 2013, Kadão Chaves foi o fotógrafo homenageado da 7ª edição do FestFoto POA, quando também apresentou uma retrospectiva de sua trajetória profissional na exposição A Força do Tempo, no Museu de Arte Contemporânea, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Joaquim Felizardo, na categoria fotografia. De 2010 a 2014, escreveu e editou a coluna Reflexo, sobre fotografia, publicada mensalmente no extinto caderno Cultura, do jornal Zero Hora. Atualmente, edita no mesmo jornal a página diária Almanaque Gaúcho, sobre história e memória regional.

  • Magda Renner, pioneira da ecologia

    Porto Alegre perdeu uma das suas mais ilustres cidadãs. Magda Renner morreu na madrugada de segunda para terça-feira (11/10), aos 90 anos.
    Tinha 48 anos quando começou a  militar na Ação Democrática Feminina, fundada no dia 13 de março de 1964, poucos dias antes do golpe militar, para  ” promover a cidadania através de programas educativos e projetos sociais, dirigidos à mulher”.
    Chocava a atitude daquela senhora da elite local nas vilas discutindo controle da natalidade e nos jornais condenando a  Nestlé por induzir às mães a não amamentar seus bebês.
    A grande mudança, no entanto, ocorreria em 1972, quando assistiu a uma palestra de José Lutzenberger, que havia recém fundado a Associação Gaúcha de Proteção Ambiental, a Agapan, e falava de um desafio maior do que todos – estancar a degradação do meio ambiente.
    A ADFG voltou-se fortemente à luta ambiental criticando as políticas de desenvolvimento adotadas sem sustentação ecológica ou social. A partir dali, passou a outra metade da vida militando pelo que hoje se chama desenvolvimento sustentável, numa época que não se usava nem o termo ecologia.
    Promoveu o primeiro projeto de separação do lixo em Porto Alegre e passou a atuar em foros internacionais contra a pobreza e a favor das questões ambientais. Poliglota, o escritório da ADFG em Porto Alegre transformou-se em centro de articulação mundial.
    Com Giselda Castro como vice-presidente, a ADFG aderiu aos Amigos da Terra Internacional (FOE). Durante a Constituinte de 1987/1988, Magda participou de diversos colegiados – entre as causas, a luta contra os agrotóxicos (até então chamados de “defensivos agrícolas”) e a criação da legislação estadual, entre 1982 e 1984.
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  • As mãos sujas

    Paulo Timm
    Economista
    Outro dia li uma advertência de um analista dizendo que a esquerda brasileira devia ler mais Becket. : “Fracasse outra vez. Fracasse melhor!”
    Prefiro recomendar Sartre, meio esquecido das gerações mais jovens mas que teve um papel fundamental na minha. Preconizava ele que não éramos apenas livres, mas seres condenados à liberdade, mas não uma liberdade vazia, uma liberdade irmã gêmea da responsabilidade. Esta ideia está muito bem ilustrada em sua peça AS MÃOS SUJAS, da qual retiro a citação abaixo. Mas aproveito para ilustrar o caso com a lembrança de um filme da Alemanha Oriental, cujo nome já não me lembro, que vi há muitas décadas. O filme retrata um campo de concentração, reduto último da barbárie humana. Nele, há a necessidade de haver alguém que organize o desespero e negocie com os nazis questões tanto cotidianas, como vitais, inclusive os escolhidos para o chuveiro da morte. Quem era este personagem? Um velho comunista. Ele, além de um homem livre e consciente, sabia que lhe cabia a dura responsabilidade do ofício que o destino lhe reservara. Sartre nos ajudou, com Malraux, mais do que os Manuais da URSS de Marxismo Leninimso, o que signficava SER COMUNISTA.
    ———–…
    Mãos sujas
    http://mitosemetaforas. blogspot.com.br/20…/…/maos- sujas.html 
    “Na peça de teatro “As mãos sujas”, Jean-Paul Sartre apresenta o choque entre as visões políticas pragmática e idealista. Hugo, jovem idealista, recebe ordem de seu partido para matar Hoederer, líder da mesma facção, considerado traidor dos ideais revolucionários, por ter feito conchavos com os adversários. Para cumprir sua missão, ele vai trabalhar como secretário de Hoederer. Porém, aproximando-se deste, passa a admirá-lo, embora discorde de sua estratégia política. A política, segundo Hugo, é uma ciência capaz de demonstrar que uma pessoa tem razão e que as outras se enganam. Para ele é inaceitável que um partido revolucionário chegue ao poder à custa de traficâncias, e que Hoederer se utilize do partido para fazer uma política colaboracionista, afrontando o programa partidário de implantação do socialismo por meio da luta de classes. O jovem, que não esconde sua opinião diante do chefe, ouve deste o seguinte”:

    HOEDERER: (…) Como tu prezas a tua pureza, meu filho! Que medo que tens de sujar as mãos! Pois bem, fica puro! Quem é que aproveitará com isso, e porque é que vem então meter-te conosco? A pureza é uma ideia de faquir e de monge. Vocês, os intelectuais, os anarquistas, utilizam-na como um pretexto para não fazer nada. Não fazer nada, ficar imóvel, apertar os cotovelos ao corpo, usar luvas. Pois eu tenho as mãos sujas. Até aos cotovelos. Mergulhei-as na merda e no sangue. E depois? Imaginas que se pode governar inocentemente?

    as-maos-sujas_jp-sartre

  • Tensão marca voto favorável do relator ao Cais Mauá

     
    Naira Hofmeister
    Em uma sessão tensa, ocorrida na véspera do feriado de 12 de outubro, o representante do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado (Sinduscon-RS) no Conselho do Plano Diretor, Sérgio Korem, emitiu parecer favorável ao projeto de revitalização do Cais Mauá, em Porto Alegre.
    “Cumpre com todas as definições do Plano Diretor”, justificou Korem, para em seguida completar: “Eu tenho vontade de ter esse porto na cidade, para os meus filhos desfrutarem”.
    Antes mesmo da abertura da reunião já era possível notar a apreensão dos presentes na sede da Secretaria de Urbanismo – na semana anterior, quando os representantes do consórcio compareceram ao Conselho para introduzir o debate, integrantes de coletivos contrários à construção de shopping, espigões e estacionamento na área foram barrados porque a sala estava com a lotação esgotada.
    Dessa vez o público externo era menor, embora os militantes tenham marcado presença. Também havia representantes dos poderes Executivo e Legislativo, o que intrigou o conselheiro Diaran Laone Camargo, da RP7: “Quando são projetos de interesse da prefeitura, a sala fica cheia. Mas se é para a comunidade…”.
    A apresentação do voto tomou cerca de 50 minutos da reunião, o que provocou protestos: “Presidente, todo mundo quer falar”, interferiu Paulo Jorge Amaral Cardoso, da RP5.
    O relator foi instado a acelerar sua leitura, mas não cedeu à pressão e leu todas os condicionantes apontadas pelas secretarias municipais ao licenciamento do projeto e o parecer do Conselho do Patrimônio Histórico Cultural sobre a restauração dos armazéns tombados.
    “Minha obrigação como cidadão era fazer uma análise bem detalhada, não só porque o projeto exige, mas porque estamos esperando por isso há muitos anos”, argumentou Korem.
    Voto de minerva permite fala da comunidade
    O momento mais tenso, entretanto, se deu quando um representante da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e do coletivo A Cidade que Queremos pediu a palavra para criticar o empreendimento.
    Embora previstas no regimento do Conselho do Plano Diretor, intervenções do público devem primeiro ser aprovadas pelo pleno – e os 18 conselheiros que votaram dividiram-se; nove concordaram com a abertura, outros nove foram contra.
    O voto de minerva coube ao vice-presidente do colegiado, o representante da Associação Gaúcha dos Advogados de Direito Imobiliário Empresarial, José Euclésio dos Santos, que assumiu os trabalhos na ausência do titular, o secretário de Urbanismo José Luiz Fernandes Cogo. “A mesa decide conceder a palavra”, anunciou.
    O eleito pelo movimento para falar por três minutos foi o procurador do Estado Silvio Jardim, que provocou os conselheiros: “Vocês sabem que há uma recomendação do Ministério Público de Contas para que não se liberem intervenções na área? Que o contrato entre o Estado e o empreendedor já está na sua quarta versão e que nenhuma das disposições contratuais foram cumpridas até hoje? Que esse consórcio já mudou sua formação diversas vezes e que tem entre seus integrantes empresas envolvidas na Lava a Jato e na operação Fundo Perdido, da Polícia Federal? Que não há dinheiro nem para restauras os armazéns?”.
    Embora estivesse presente na sessão o diretor de Operações do Cais Mauá, Sérgio Lima, coube ao titular do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais da Prefeitura Municipal (Gades), Edemar Tutikian, rebater as acusações.
    Além de informar aos presentes que o pedido de liminar referido por Jardim não foi acatado pelo conselheiro do Tribunal de Contas Alexandre Postal e que as indagações do MP de Contas “vão tramitar normalmente”, Tutikian defendeu o consórcio.
    “Se houver problemas com a empresa, ela vai se manifestar no momento adequado. Sobre os recursos para a obra, não há como fazer a captação sem que o licenciamento esteja concluído. Nosso debate aqui deve ser sobre o uso do solo. Ao Estado cabe fiscalizar”, defendeu.
    Processo está a disposição da população
    Ao final, embora houvesse inscrições de conselheiros para comentar o voto do relator, o pleno decidiu não iniciar o debate na noite de terça, uma vez que houve um pedido de vistas da RP1, conforme havia sido combinado previamente. As representantes da Metroplan e da Ufrgs também haviam solicitado vistas, e a decisão da mesa foi conceder vista compartilhada a todos os conselheiros.
    “Além disso, gostaria de esclarecer que qualquer cidadão pode entrar em contato conosco para analisar o processo”, anunciou o conselheiro da RP1, Daniel Nichelle, que está com a guarda dos papéis.
    A RP1 agendou uma reunião aberta para debater o projeto com a comunidade na próxima segunda-feira, 17 de outubro, no Plenarinho da Câmara de Vereadores.
    O conselheiro tem até 15 dias para entregar seu parecer sobre o projeto, que pode ou não ser acatado pelo relator. “Mas é possível pedir diligências também, o que aumentaria o prazo”, explica o vice-presidente, José Euclésio dos Santos.
    Como o tempo da sessão foi extrapolado pelo debate sobre o Cais Mauá – e outros projetos também importantes para o conselho, como o novo modelo de cálculo do Solo Criado que está sendo proposto pelo colegiado – a apresentação do Estudo de Viabilidade Urbanística do Parque do Pontal (antigo Pontal do Estaleiro) ficou agendada para a próxima semana.

  • Movimento Autônomo prova que resistência não se faz com números

    ANDRES VINCE
    Fim de tarde de terça-feira,  véspera de feriado, esquina democrática. Poucas  pessoas atenderam ao chamado feito pelo Movimento Autônomo para os protestos contra a aprovação da PEC 241 e pela defesa do voto nulo no segundo turno das municipais. Mas, o baixo comparecimento não abateu o ânimo de participantes.
    A boa disposição dos poucos presentes foi suficiente pra levar o grupo a sair em marcha pelas avenidas da cidade, carregando uma faixa com os dizeres “nenhum direito a menos” e gritando palavras de ordem contra os desmandos dos governos de todas as esferas.

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    Marcha percorreu diversas avenidas da Capital

    A marcha seguiu sempre acompanhada por um significativo aparato policial, certamente em número maior do que os próprios manifestantes.
    O manifesto ocorria  normalmente, com as tradicionais cantorias e pichações de mensagens de protesto, quando uma das manifestantes foi atropelada por um carro na esquina da João Pessoa com a Venâncio Aires, próximo à Fadergs.
    Manifestantes pararam a motorista e exigiram que ela ao menos levasse a manifestante ferida ao Pronto Socorro. Inicialmente ela se prontificou a ajudar e deixou que a ferida e outra manifestante subissem no seu carro para irem ao HPS. Porém, duas quadras adiante parou o veículo e ordenou que as meninas descessem do carro, alegando que precisava ir trabalhar.
    A manifestante ferida não quis ser identificada, porém, declarou que tanto o carro, como a motorista já estão identificados e que tomará as devidas providências em relação ao atropelamento e omissão de socorro.
    O pelotão de choque aproveitou a confusão causada pelo atropelamento para formar um cordão de isolamento na Venâncio Aires,  na altura da Fadergs.
    O grupo de manifestantes se aglutinou novamente e postaram-se com a faixa diante do pelotão. O grupo não parecia intimidado pela presença da Choque. A tensão foi aumentando a medida que os manifestantes não pareciam nem um pouco dispostos a recuar.
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    Pelotão de Choque tenta isolar os manifestantes | Foto: Thais Ratier

    O confronto era iminente. E não tardou em começar. Gás de pimenta foi jogado pela BM nos manifestantes.  Recuo momentâneo dos manifestantes, para logo em seguida voltar para junto da linha formada pela Choque . Nova investida da BM, novo recuo, para um novo retorno dos manifestantes para junto da linha de escudos.
    E o ato de resistência foi se repetindo até que a linha da Choque recuou e liberou o caminho. Só não se sabe se foi pelo fim do estoque de gás pimenta ou se pela constante lembrança que estavam ali defendendo quem parcela seus salários.
    Animados pela vitória simbólica os manifestantes seguiram a caminhada com o objetivo de dispersar na rótula da João Alfredo com a República. Nesse ponto, um pequeno grupo de manifestantes permaneceu concentrado por mais algum tempo, enquanto avaliavam os resultados do movimento e as próximas ações.
    Foi quando receberam a informação que algum veículo da RBS havia twitado que a BM havia dispersado os manifestantes com gás de pimenta e que o protesto havia se encerrado ali.
    Revoltados com a notícia falsa, os remanescentes decidiram que não iriam aceitar a manipulação sem dar uma resposta. Numa ação rápida e fulminante dirigiram-se à sede da RBS na Érico Verissimo onde queimaram gasolina em frente ao prédio e picharam a fachada com a inscrição “RBS MENTE”.
    Alguns participantes do Movimento Autônomo dizem que o ato não foi premeditado pelo grupo e negam ter participado da autoria desse manifesto na sede da RBS, porém, o fato foi que ele existiu, e, com certeza, terá consequências, como a criminalização ainda maior dos movimentos sociais em todos os veículos do grupo de comunicação.
    Até onde esse jogo de ação e reação vai levar ao certo não se sabe. O que se sabe é que esse pequeno grupo demonstrou que as ações impopulares do Estado não irão passar sem resistência.
    Confira a galeria de fotos de Thais Ratier:
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  • Cisne Branco volta com passeios gratuitos em agradecimento à cidade

    O Barco Cisne Branco volta a navegar pelo Guaíba no feriado desta quarta-feira (12), com os passeios diários Navegando pelo Guaíba (às 10h30, 15h, 16h30)  e Happy Hour, com duas horas de duração, a partir das 18h.
    Neste Dia das Crianças, que tem até 10 anos de idade não paga ingresso. O primeiro passeio Happy Hour da temporada terá música ao vivo com voz e violão de Daniel Schmidt e Laura Terra.
    Até o dia 19, o Cisne Branco oferecerá dois passeios diários gratuitos à população (às 9h e às 13h30). Foi a forma que os empreendedores encontraram para agradecer as manifestações de apoio que receberam da cidade.
    A embarcação, que opera há 38 anos, retoma os passeios turísticos pelo Guaíba depois de passar oito meses em restauração devido às avarias que sofreu no temporal de 29 de janeiro. A embarcação retornou ao Cais do Porto em 27 de setembro, quando foi oficialmente reinaugurada, e ficou atracada por uma semana para finalizar seu processo de modernização. O retorno da navegação e da programação de passeios fluviais acontece após a liberação da vistoria da Capitania dos Portos, garantindo que a embarcação tem totais condições para a navegação com passageiros a bordo, cumprindo todas as normas de segurança.
    Entre outras novidades, o Cisne Branco volta às águas com uma capacidade aumentada para transportar com segurança 300 passageiros,  sistema de som e luz, banheiro adaptado e uma programação definida até março de 2017. Para conferir, clique aqui.
    (Fonte: PMPA)

  • Jornalistas também escrevem livros para as crianças

    Anderson Scardoelli, do Comunique-se

    Feriado de Nossa Senhora Aparecida? Que nada! Para o público infantil, 12 de outubro é o Dia das Crianças. Para quem tem responsabilidades com os pequenos – caso deste redator que conta com dois sobrinhos -, o mercado editorial surge como opção interessante (e educativa) para presentes. Pensando em auxiliar na compra para a data festejada pela galerinha e, além de tudo, estimular a leitura desde cedo, o Portal Comunique-se lista 10 livros infantis escritos por jornalistas – obras que têm tudo para cair no gosto até dos adultos.

    Confira a seleção:
    Adriana Carranca – Malala, a menina que queria ir para a escola
    Um livrorreportagem para crianças. É assim que O Globo define Malala, a menina que queria ir para a escola, livro de Adriana Carranca. Lançada em 2015, a obra conta a história real da garota paquistanesa Malala Yousafzai, que foi baleada em 2012, quando tentava estudar – ato proibido pelo grupo terrorista Talibã, que tomava conta da região do Vale do Swat. A jornalista foi à região dias após o atentado contra a jovem. O livro, além de endossar que a personagem principal da história foi a pessoa mais jovem a ganhar o Nobel da Paz, apresenta a localidade como terra habitada por reis e rainhas, “como nos contos de fadas”.
    Aline Bordalo e Alexandre Araújo – Onde a coruja dorme e outras histórias
    Passar de forma descontraída o conhecimento adquirido com anos de cobertura no meio esportivo para as crianças. Essa foi a missão do casal Aline Bordalo e Alexandre Araújo com o lançamento de Onde a coruja dorme e outras histórias, livro que chegou ao mercado no mês passado. Conforme registrado pela reportagem do Portal Comunique-se, a obra “apresenta contos que fazem referência a expressões ligadas ao futebol e ao mundo animal, apresentando novos significados para os termos”. Dessa forma, frases típicas do esporte dão nomes a capítulos, como “O frango que queria ser goleiro” e “Om drible da vaca”.
    Dad Squarisi – Deuses do Olimpo
    Jornalista e professora de redação, Dad Squarisi também é reconhecida por publicar livros com dicas de gramática. Em 2014, porém, deixou o tema de lado para apresentar trabalho voltado aos leitores infantis e juvenis. No livro Deuses do Olimpo – pra gente pequena e gente grande também, ela convida o público a mergulhar no “universo mágico da Grécia Antiga”. Com o tema, a história relata a origem dos principais personagens da mitologia, como Hermes (o deus da comunicação), Atena (deusa da sabedoria) e Zeus (o deus supremo e dono do raio)
    Junião – Meu pai vai me buscar na escola
    A estreia do jornalista e ilustrador Antonio Carlos de Paula Júnior, o Junião, como escritor infantil aconteceu em julho deste ano, com o lançamento de Meu pai vai me buscar na escola. A história foca na relação de uma criança de três anos, que começa a descobrir o mundo ao lado de seu pai. A dupla de protagonistas desbrava tudo de uma cidade: “as ruas, as pessoas e as criaturas, a arquitetura, tudo o que pode ser visto e aquilo que só dá para imaginar”, conforme registrou Fausto Salvadori, colega de Junião na Ponte Jornalismo, ao comentar o trabalho literário.
    Mariza Tavares – Os do meio
    “É uma história que tem muitos irmãos, irmãs e famílias. Eles não moram todos juntos, não. Cada família vive na sua casa. Mas todos esses irmãos e irmãs são parecidos numa coisa: eles não nasceram primeiro e também não são os caçulas. Essa é a história dos do meio. E de como isso às vezes pode ser muuuito complicado!”. Referente ao livro Os do meio, a afirmação é da jornalista Mariza Tavares, autora da obra lançada em junho, que decidiu escrever para as crianças depois de uma amiga lhe contar os problemas que estava enfrentando com a filha “espremida”, como brincou a escritora.
    Míriam Leitão – A perigosa vida dos passarinhos pequenos
    “Mestre do Jornalismo” de forma dupla no Prêmio Comunique-se, devido ao seu trabalho como jornalista de economia na mídia “falada” e na “escrita”, Míriam Leitão deixou os números e a cobertura sobre economia de lado em parte de 2013. Naquele ano, ela apresentou seu primeiro livro voltado ao público infantil. Na ocasião, disse à reportagem do Portal Comunique-se que o seu desejo com a obra era “brincar com as crianças”. O faro jornalístico, porém, não ficou de lado na estreia como escritora de crianças: pois para contar a relação das pequenas aves com a natureza, realizou pesquisas e entrevistou ornitólogos (especialistas em pássaros).
    Ricardo Viveiros – O poeta e o passarinho
    Jornalista com meio século de carreira e escritor com mais de 30 livros publicados, Ricardo Viveiros tem, entre as suas produções, trabalhos dedicados ao público infanto-juvenil. É o caso de O poeta e o passarinho, no qual relata que as duas personagens principais ficam “fortes a partir do momento em que se encontram”, que é quando o bichinho cai na janela no artista. Com um ajudando o outro, “vivendo um existir solidário, livre e feliz”, a história, contudo, relata que, depois de se recuperar da queda, o pássaro deixa o amigo para trás, volta a bater as asas e voa para longe.
    Rogério “Rofa” Araújo – Rofinha e seus amigos de oito patas
    O amor de uma criança por cachorros é o que move Rofinha e seus amigos de oito anos. O livro lançado em outubro de 2015 foi escrito por Rogério Araújo, mais conhecido como “Rofa”, dando a entender que o personagem que aparece no título é uma espécie de seu alter ego infantil. Fora do público juvenil, o autor tem trabalhos em que aborda a atuação da imprensa – Mídia, benção ou maldição – e outras dezenas de publicações
    Thalita Rebouças – Uma fada veio me visitar
    “É fada”, título do filme estrelado youtuber Kéfera Buchmann. Em cartaz nos cinemas, a história foi baseada no livro Uma fada veio me visitar, da jornalista e reconhecida escritora dedicada a trabalhos voltados ao público infantil. “O estilo descontraído e o talento inconfundível para tratar de assuntos que interessam ao universo adolescente continuam presentes no novo livro. E agora com um toque de magia”, afirma a equipe da Rocco ao apresentar a publicação que – assim como nas telonas – destaca o inesperado encontro de uma garota com uma “fadinha espevitada”
    Ziraldo – O Menino Maluquinho
    “Na grande obra infantil de Ziraldo, verso e desenho contam a história de um menino traquinas que aprontava muita confusão. Alegria da casa, liderava a garotada, era sabido e um amigão. Fazia versinhos, canções, inventava brincadeiras. Tirava dez em todas as matérias, mas era zero em comportamento. Menino maluquinho, diziam. Mas na verdade ele era um menino feliz”. É dessa forma que a Saraiva apresenta o livro que ganhou destaque ao ter versão cinematográfica. A publicação conta com textos e ilustrações de um dos mais reconhecidos escritores e cartunistas do país.
    (De Anderson Scardoelli, do Comunique-se)