Autor: da Redação

  • Quarto Distrito, "a cereja que falta para comermos o bolo"

    O potencial da região do Quarto Distrito como novo pólo de inovação de Porto Alegre foi o principal consenso entre os debatedores do evento Menu Porto Alegre, realizado nesta terça pela ACPA (Associação Comercial de Porto Alegre). O evento busca criar um espaço de debate em um ambiente descontraído, sempre com uma apresentação cultural na abertura, onde os convidados possam participar, trazendo dúvidas e contribuições.
    O coordenador do Núcleo de Estudos em Inovação (Nitec) da UFRGS, professor Paulo Antônio Lawislak, afirmou que a região é “a cereja que falta para comermos o bolo”. Rafael Prikladnicki, diretor do Tecnopuc, afirmou que a área é dez vezes maior que a ocupada pelo parque tecnológico da cidade e que é necessário que sejam criados outros parques tecnológicos na cidade. A secretária do Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa), Maria Fernanda Bermúdez, destacou táticas da Prefeitura para atrair empresas, como a isenção de IPTU nos primeiros cinco anos para empresas de diversas áreas ligadas à tecnologia.
    “Caminhos da inovação em Porto Alegre” foi o tema da primeira edição do evento. “A primeira de muitas”, garantiu o presidente da ACPA, Paulo Afonso Pereira, explicando que o evento será realizado quinzenalmente até o fim do ano. Para 2017, o plano é aumentar a periodicidade, com edições semanais.
    Zawislak apresentou o relatório “Caminhos da inovação na indústria gaúcha”, de 2015, que é resultado de uma pesquisa realizada com mais 1.500 empresas ao longo de quatro anos. O trabalho reuniu 50 pesquisadores de quatro universidades do estado: UFRGS, PUC, Unisinos e UCS.
    O trabalho constatou um cenário que ainda explora pouco a inovação. A grande maioria dos empreendimentos são de pequenas e médias empresas (87%), com predominância de um modelo de gestão familiar (88%) e que tem o foco nos custos (81%). Para o professor, a questão é focar em agregar valor, em quanto o produto vale, não quanto custa. Zawislak defendeu que o potencial do estado está em buscar produtos diferenciados. “Nós não temos que fabricar o sapato mais barato, temos que fazer o calçado de luxo; não temos que produzir móveis em grande escala, temos que buscar o diferencial.”
    Outro ponto destacado da pesquisa é que em muitos casos, as empresas pesquisadas apontavam aquisição de equipamentos como inovação, focando na inovação do processo quando os maiores resultados costumam vir da inovação do produto e de inovações na área de marketing.
    Para Zawislak, a grande questão do momento é como dar condições para a indústria criativa. O professor citou o surgimento de novas empresas, voltadas à economia criativa, mas defendeu a importância de as empresas que já existem buscarem a renovação.
    O diretor do Tecnopuc, Rafael Prikladnicki, citou o caso de empresas consolidadas no mercado que buscaram o parque tecnológico da universidade, como a Thyssen Krup, que mantém uma sala de inovação, e o grupo Randon. Outro exemplo trazido por Prikladnicki foi o de uma empresa que em 2009 visitou diversas capitais brasileiras com o intuito de instalar sua primeira base no país. Porto Alegre foi a cidade escolhida e, na sequência, veio a expansão por outras cidades brasileiras. Para ele, foram três os principais fatores que atraíram a empresa: nível cultural da população, uma ampla base de recursos humanos e mão de obra qualificada.
    O Tecnopuc foi criado em 2003, com o objetivo de integrar universidade, empresas e governo. Hoje, o parque tecnológico conta com 120 empresas instaladas e já foi premiado duas vezes como melhor parque tecnológico do país.
    Prikladnicki citou alguns exemplos de produtos inovadores desenvolvidos dentro do parque, como a primeira impressora 3D do Brasil. O produto foi desenvolvido pela Cliever, empresa criada dentro da incubadora, por um ex-estudante da universidade, e que hoje funciona de forma independente.
    A secretária do Inovapoa, Maria Fernanda Bermúdez, apresentou o panorama do município em relação à inovação e seus atrativos. Porto Alegre tem hoje 22 empresas em 5 incubadoras. Segundo ela, é a 3ª cidade no país com maior número de PhDs tem mais de mil quilômetros de infovias, enquanto outras capitais brasileiras, como o Rio de Janeiro, por exemplo, possui cerca de 380 quilômetros.
    A visão dos urbanistas

    Os projetos para o Quarto Distrito foram debatidos no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) no dia 21 de setembro, que começou com a palestra “Operação Urbana Consorciada do 4º Distrito: Plano Master”, do arquiteto e professor da UFRGS Benamy Turkienicz. Como debatedores, o arquiteto Iran Rosa e o historiador Francisco Marshall.
    Pela sua localização estratégica e oportunidades espaciais, a área demanda um olhar especial por parte de todos os envolvidos na produção da cidade. O desafio de promover a revitalização urbana e a reconversão econômica foi apresentado por Benamy Turkienicz, envolvendo o processo de proposição de um Master Plan. O professor da UFRGS falou sobre a formulação de uma legislação com os conteúdos de uma Operação Urbana Consorciada, conforme Estatuto da Cidade, para esta parte da cidade.
    “O Quarto Distrito é o filtro de entrada e saída da cidade e podemos pensar como este grande filtro acaba sendo tão degradado, tão pobre de atividades econômicas, já que ele tem altíssima acessibilidade”, observou Benany.
    “Temos obras urbanas que não foram pensadas pelo conjunto municipal, como a ponte do Guaíba, o metrô, e a avenida Farrapos, por exemplo. Porto Alegre teve obras de cunho metropolitano sem nenhuma reação com a trama viária municipal, e por causa desta inércia o setor oeste ficou isolado do resto da cidade”, registrou o professor.
    A estratégia seria criar programas econômicos e sociais em escala regional nas áreas de saúde, tecnologia da informação, economia criativa e educação superior. Como estratégica municipal, a ideia é criar projetos de moradia, serviços, cultura e lazer.
    “A ideia do sistema viário é que possamos ter essa ligação dos principais eixos de articulação municipal com eixos de articulação regional, visando atrair investimentos. Precisamos casar estas malhas e oferecer o que o município já tem, com sinergia dos modais integrados”, destacou.
    Segundo ele, o projeto busca potencializar parcerias públicas e privadas, visando financiamento destas estruturas. “Também queremos estimular a criação de atividades econômicas e sociais, baseado consolidando arranjos produtivos locais”.
    O arquiteto Iran Rosa declarou-se entusiasmado com a alternativa de desenvolvimento urbano, econômico, social e cultural para alavancar um grande processo revitalização num pequeno território da cidade. “A gente teima em acreditar que o projeto será sempre possível, e às vezes é, mas muitas vezes ele vai ser real e nem sempre como a gente pensou. Então, pergunto de que modo este Master Plan vai acontecer e como a cidade vai absorver estas mudanças? E com que base nós podemos sustentar que o Master Plan aconteça com esta integração e eficiência?”
    Benany garantiu que uma das possibilidades é alterar o estatuto da cidade, o que não seria uma novidade brasileira. “Não podemos ficar à mercê do Plano Diretor, que é mecanismo regulador e não tem a capacidade de um projeto de reunir um conjunto de parceiros e atores de uma maneira bem definida com a dimensão tempo. “Temos um caldo altamente realista, por si só o Quarto Distrito tem este potencial”, enfatizou.
    O historiador Francisco Marshall afirmou que é um enorme desafio trabalhar numa área tão degradada, com esgotamento de ciclos sociais e econômicos. “Como ocorrerá a conversão de um bairro que já tem um perfil que não corresponde ao projeto?”, questionou. Para ele, a iniciativa encontra uma cidade com pessoas que estão “escaldadas com projetos como o do Cais Mauá, de baixíssima qualidade arquitetônica e ponto de consistência econômica e escassez de diálogo”.
  • Estudantes criam bloco de papel reciclado que pode ser plantado

    Um grupo de estudantes do Colégio Marista Rosário está lançando um produto inovador. Os alunos arrecadaram mais de 10 quilos de papel, reciclaram e desenvolveram um bloco de anotações que, depois de usado, pode ser plantado. As folhas trazem sementes de girassol e camomila, e quando o papel perde a serventia, pode ser plantado na terra.
    A iniciativa está inserida em um projeto de miniempresas do qual o colégio participa. O grupo de 29 estudantes do segundo ano criou a Vivá S.A/E, que tem como lema “da terra para a terra”. Os blocos custam R$ 10 e podem ser adquiridos na escola ou diretamente com a empresa, através das redes sociais.
    A ideia é um papel que tenha uma vida útil maior e que, quando for descartado, ao invés de se tornar um problema ecológico, volte a ser uma planta. Na próxima leva, os estudantes querem incluir sementes de outras espécies, como temperos.

    Os bloquinhos custam dez reais / Foto: Divulgação/Vivá
    Os bloquinhos custam dez reais 

    A sugestão do produto partiu da estudante do segundo ano do Ensino Médio Luisa Fossatti Chisté Florian. “Eu me dei conta de que eu anotava as coisas e depois que passava a prova, por exemplo, aquele papel ia pro lixo. Assim, nós devolvemos para a natureza o que ela nos dá.” Luisa é a diretora de produção da empresa. Ela pretende fazer faculdade de engenharia de produção, mas ainda não tem certeza em relação à área e acredita que o trabalho na miniempresa ajuda na decisão, pois é uma possibilidade de experimentar.
    A miniempresa dos estudantes rosarienses faz parte de um projeto da Junior Achievement, empresa internacional que realiza parcerias com escolas para desenvolver iniciativas de empreendedorismo. Anualmente, são concedidos prêmios para os projetos de maior destaque. O Rosário foi premiado em 2015 pela miniempresa que criou uma espécie de miniatura de quadro negro para anotações.
    A Vivá funciona como uma empresa de verdade, produz, vende, organiza as finanças e paga contas. A equipe se divide por funções, são quatro diretorias – finanças, recursos humanos, marketing e produção – e tem até presidente, escolhida pelo voto da maioria. O projeto cria ainda despesas como aluguel de sala, com valores simbólicos que, ao fim da execução, serão doados a uma entidade escolhida pelo grupo. Se houver lucro, será dividido entre os acionistas da empresa – cada aluno comprou uma ação e teve de vender outra.
    A presidente da Vivá é a estudante Patricia Carvalho. “O projeto nos proporciona uma simulação bem realista de como é uma empresa”, afirma ela, que diz não temer a possibilidade de a empresa falir. “Quem está na chuva é pra se molhar”, comenta. Além disso, ela destaca a oportunidade criada pelo projeto de conhecer pessoas de outras turmas e até mesmo de outros colégios.
    A equipe da miniempresa tem encontros semanais de cerca de 3h, nas quais são produzidos os blocos. As estudantes garantem que todo mundo tem que colocar a mão na massa, incluindo diretores e a presidente. A comunicação interna funciona também através de grupos no whatsapp. Se o projeto engrenar, as estudantes não descartam dar continuidade ao trabalho da  empresa para além do ambiente escolar.

  • Procissão de motoqueiros para a padroeira deve reunir 20 mil motos

    Higino Barros
    Depois de quase ter sido oficialmente cancelada, por uma série de irregularidades, acontece amanhã, dia 12, em Porto Alegre, a Procissão de Motociclistas em Homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O início do cortejo é previsto para as 8h30 e a duração do percurso é calculada em uma hora e meia.
    Em anos anteriores, o buzinaço das motocicletas em zonas próximas a hospitais, placas dos veículos cobertas para evitar identificação e condutores embriagados, foram algumas das ocorrências negativas, que levaram os organizadores da procissão a pensar em desistir.
    Forma desordenada
    Dois dos principais organizadores, o padre Vanderlei Mengue Bock, de Canoas, responsável pela parte religiosa do evento, e o Sindimoto de Porto Alegre, mesmo com todas as críticas, resolveram continuar participando. Alegam que os motociclistas se reuniriam de qualquer jeito, de forma desordenada, causando mais tumultos ainda.

    Imagem de Nossa Senhora Aparecida / Foto: Guilherme Santos/PMPA
    Imagem de Nossa Senhora Aparecida / Foto: Guilherme Santos/PMPA

    Em 2015, antes do início da procissão, a EPTC registrou dois atropelamentos por motos. Para evitar ocorrências funestas, os clubes e associações de motociclistas fizeram campanhas de conscientização contra tumultos durante todo o ano. O problema maior ocorre com os motociclistas autônomos, parte deles com veículos furtados ou com registro irregular. São minoria, mas promovem a confusão.
    São aguardados cerca de 20 mil motociclistas de todo o Estado, que partem da Rótula das Cuias, na área central, em direção ao Porto Seco, na zona norte da capital. A Brigada Militar e a EPTC fiscalizarão a procissão durante todo o trajeto e prometem punição rigorosa para os infratores.

  • Festa Nacional da Música traz mais de 100 atrações a Porto Alegre

    A Festa Nacional da Música tem um novo palco: a cidade de Porto Alegre, depois de 11 anos acontecendo em Canela, na Serra gaúcha. A Capital é palco até 19 de outubro de apresentações de músicos de todo o país para uma extensa e variada programação musical e cultural. Serão mais de 100 espetáculos, painéis e debates.
    A 12ª edição da Festa Nacional da Música mantém a proposta de reunir músicos renomados e bandas de diferentes gêneros e estilos, bem como intérpretes, compositores, profissionais do show business, da indústria fonográfica, da imprensa especializada em música, dos direitos autorais, técnicos e produtores.
    A programação contempla atividades realizadas nas últimas edições, como a noite de homenagens, o Gre-Nal dos Artistas, shows espontâneos, palestras e bate-papos sobre a indústria fonográfica, sobre composição e as relações da música com a produção de cinema e televisão.
    Com o novo formato, a maior parte das atividades são oferecidas gratuitamente a toda a população. São oito palcos em espaços públicos, como o Parque Farroupilha (Redenção), Largo Glênio Peres, Anfiteatro Pôr-do-Sol, Auditório Araújo Vianna e Cinemateca Capitólio.
    No Cidade da Música, até 15 de outubro, a programação é aberta ao público e especialmente voltada a artistas regionais e locais. Estão sendo realizados shows, concertos, painéis, apresentações de grupos de folclore, de dança, de escolas de samba, festival de bandas marciais, sessões comentadas de filmes, entre outras atrações ligadas à música.
    Clima de Confraternização
    “A Festa da Música se destaca pelo clima de confraternização entre artistas de gêneros e vertentes distintos. Todos os estilos são bem-vindos e têm espaço garantido: da bossa nova ao funk, do samba ao gospel, do sertanejo ao rock”, explica o coordenador geral do evento, Fernando Vieira.

  • Meu voto nulo

    L. A. T. Grassi
    Engenheiro
    Quando escrevo, faz poucos minutos que foi aprovada em primeira votação, pela Câmara Federal, a PEC 141, também chamada PEC da Morte ou da Paralisia, que subordina aos interesses das finanças internacionais, o crescimento da economia e o resgate social brasileiros. É mais um lance da grande operação destinada a repor o Brasil na rota determinada pelo Império, executada interiormente pela vis e subservientes “elites” parlamentar, judiciária, policial, financeira e empresarial com o apoio da imprensa servil.
    Há poucos dias, foi a entrega do petróleo e, com ele, todas as expectativas de redenção da educação, da saúde e da previdência social.
    E antes, o processo que abriu caminho para tudo isso, o golpe travestido de rito legal enfeitado com missangas judiciárias e rotos véus pseudolegais.
    A consolidação do governo ilegítimo e do cumprimento de seus desmandos foi favorecido com a coincidência não tão ocasional com o período das campanhas eleitorais dos municípios. Essas próprias campanhas já tinham sido, com a “mini-reforma política”, reduzidas aos propósitos despolizantes dos novos poderosos (com o impedimento de verdadeiro debate político) e com a campanha midiática em favor dos “novos gestores”, com seu ícone máximo, o prefeito eleito de São Paulo. O processo eleitoral municipal ofereceu, além da distração, para o eleitorado, da preocupação com o grande desmanche nacional, o espetáculo de, mais uma vez, as esquerdas perderem a oportunidade de avançar para uma unidade, mesmo que provisória, em termos de prioridades comuns e tentativas de alianças que efetivamente fizessem frente ao avanço do retrocesso.
    No segundo turno, seguem as eleições municipais a ocupar o lugar privilegiado no debate político. Segue a disputa entre os defensores do “útil” com os que defendem a negação de voto a qualquer um dos candidatos da direita. Os graves e sucessivos acontecimentos nacionais ficam em segundo plano.
    Defendi, imediatamente após a vitória, em Porto Alegre, dos candidatos identificados com o lado golpista, que o mais sensato e politicamente oportuno seria um movimento unitário, suprapartidário, em favor de um voto nulo bem definido, politicamente, contra esse retrocesso que nos leva às piores previsões. Os dois candidatos e seus apoiadores representam exatamente a mesma reprovação e negação de todos os esforços, de todas as medidas, de todas as conquistas e de todas as expectativas vividas nos últimos treze anos. O processo do segundo turno poderia oportunizar a denúncia do que eles representam, as outras faces da tragédia política que vivemos e uma alimentação à retomada da mobilização e, de outra parte, das discussões e reflexões necessárias à qualificação da militância. O voto nulo poderia sinalizar, coletivamente, a oposição a cada uma das medidas já tomadas, ou por tomar, para destruir o projeto de um país mais inclusivo e menos injusto.
    As diversas fases do processo de impeachment oportunizaram, contra todas as dificuldades, ações e movimentos de mobilização e de conscientização (com todos os percalços, com os pequenos ganhos e com as grandes derrotas que ocorreram). Movimentos sociais despolitizados, atores políticos subordinados ao pragmatismo dos acordos e uma militância adormecida, quase toda uma geração encantada por avanços sociais efetivos e indicadores econômicos animadores, muitos desses atores ou segmentos foram despertados, a partir do movimento golpista, para um renascimento de participação e de reencontro com o protagonismo político.
    O susto do processo do impeachment, vestido de legalismo e alimentado pelo messianismo lava-jatista e pela mídia comprometida, trouxe à tona uma nova vitalidade da esquerda que já esquecera o que é luta social.
    Mas a mobilização através das manifestações de rua, de ocupações, de manifestos e de atos culturais, como debates, palestras, lançamento de livros, de comunicação pelas redes sociais etc, tudo isso, que pode e deve continuar, também apresenta seus limites. O “Fora Temer” pode ser ainda válido, mas não basta por si só. Nesse contexto, o movimento pelo voto nulo, como oportunidade de mobilização ganharia sentido de alimentar, em Porto Alegre e algumas outras cidade, uma nova fase da luta contra o golpe e, mais ainda, contra a operação mencionada inicialmente, de reocupação dos destinos nacionais por interesses externos.
    A essas alturas, já ficou bem evidente que a dita operação já obteve mais um êxito, ocasional ou não, ao menos em termos locais. O “grande debate”, a “grande luta” foi substituída pela disputa entre os “pragmáticos” e os “nulistas” (em evidente depreciação do que poderia até ser um debate instrutivo, se auto-limitado).
    E ganha destaque não o debate sobre a tragédia crescente, mas a comparação entre o grau de prejuízo local de cada um dos candidatos. Discutem-se seus currículos políticos, ideológicos, administrativos, suas biografias e até a herança paterna do pretensamente mais moderno. Coteja-se o grau de “populismo” ou de “elitismo” de cada um. Importam os apoios e a possibilidade de contradições nas chapas (em uma; a convivência entre o partido que fez o golpe e o que foi contra; em outra, entre o partido que quer se implantar no estado e o que já está implantado mas não na capital).. Supõe-se que o “menos pior” poderá mudar os rumos de uma política local que tem representado a projeção local dos desmandos estaduais e nacionais.
    Faz-se o prognóstico de que, sem os votos de esquerda, ganhará o “mais pior”, embora não haja nenhuma pesquisa que aponte o favorito.  E se já houver esse favorito, não se sabe porquê os ditos votos de esquerda poderão inverter a situação.
    A essas alturas, mais uma vez as esquerdas (é sintomático que se as nomeie assim, enquanto se fala em “a” direita) estão conseguindo o consenso da desunião. Faltando uns vinte dias para o segundo turno, obviamente perdeu-se a oportunidade de um movimento unitário de resistência ao bloco biface que representa, localmente, todas as forças contra as quais a militância, movimentos sociais e muita gente que foi tocada pela gravidade do golpe foi às ruas, reuniu-se, comunicou-se, lutou e, acima de tudo, manteve as esperanças.
    Certamente, ganhe quem ganhar, mesmo seu projeto local não contemplará mais participação, gestão ambiental, qualificação da educação, política habitacional justa, política urbana não subordinada aos interesses especulativos, sistema de transporte coletivo adequado, redução da violência, atendimento a pessoas em situação de rua etc. Qualquer das chapas concorrente está longe de corresponder a essas expectativas. E no contexto da política de austeridade, de negação à participação e de privatização incentivadas pelo poder central, essa negação da democracia participativa será acentuada e demandará mais resistência, denúncia e oposição.
    Resta a expectativa de que, passadas as eleições, a cidade volte a ser motivada por todos que lutam contra os golpes contra a educação, a previdência social, a saúde e, com toda a probabilidade dentro em pouco, contra outros atentados à legalidade democrática e aos direitos de cidadania. E que, mesmo os que votaram contra “o menos pior”, tenha ganhado ou não, possam voltar a incluir, nas lutas de nível nacional ou estadual, a luta por uma cidade que possa voltar a ser a cidade da esperança e do “outro mundo possível” que já foi um dia.
    Meu voto nulo tem esse significado.

  • A geografia do golpe

    João Alberto Wohlfart – Professor de filosofia
    O golpe aplicado na Presidente Dilma Rousseff, e que decretou o sepultamento da Constituição de 1988, da Democracia e do Estado de Direito, já se apresenta com uma estrutura gigantesca, uma força insuperável e uma penetração intensa em todos os setores da sociedade. Trata-se de um movimento que atinge o campo das mais íntimas relações humanas e familiares, passa por todas as instâncias sociais até as estruturas macroeconômicas transnacionais e transcontinentais. No presente artigo vamos tentar montar o desenho do golpe, a sua abrangência e as suas consequências para a sociedade brasileira.
    O movimento estrutural do golpe começa “longe”, nos países do primeiro mundo, no epicentro do sistema macroeconômico capitalista mundial, imensamente sedento de matéria-prima e de energia para a sua própria sobrevivência. Nos espaços “centrais” do planeta onde está instalado não encontra mais matéria-prima para a exploração capitalista, tendo que apropriar-se de suas reservas em outros espaços e explorá-los intensamente para assegurar o que justifica o sistema capitalista, o lucro sem medida. O golpe está diretamente ligado ao fato de que no chamado primeiro mundo não há mais recursos naturais, num gigantesco movimento de apropriação de megaempresas mundiais na busca destes recursos para a exploração. No momento atual estamos invisivelmente encurralados por um monstro capitalista pronto para explorar e expropriar os recursos subterrâneos, as águas, as terras, as florestas, os rios, os recursos energéticos e aquáticos, a força de trabalho e a inteligência e incorporar tudo na lógica absoluta e incondicional do capital.
    Em termos teóricos, esta configuração econômica é a materialização da ideologia neoliberal, que tem na propriedade privada, na superconcentração de renda, nas privatizações, na financeirização da economia e no espírito individualista os seus dogmas absolutos. Na atualidade, a hegemonia desta posição é tão intensa e assumiu contornos de autoritarismo militar, pulverizando por baixo todas as outras concepções e possibilidades de organização social. Na atualidade, a absoluta hegemonia da ideologia neoliberal se manifesta na privatização global de recursos públicos, na avassaladora introdução de seus fundamentos educacionais nas escolas e universidades e no autoritarismo arbitrário dos poderes estatais.
    O imenso poderio econômico e empresarial de um conjunto de forças econômicas multinacionais está acampando em solos brasileiros. O território nacional está transformado numa base informe destinada à desmesurada exploração capitalista, reduzido a uma colônia sem povo, sem Constituição e sem Direito expropriados pelo grande capital. É a mais gigantesca estrutura de dominação e de exploração jamais vista na história da humanidade, com imensa força para desequilibrar o universo dos nossos ecossistemas, transformar o povo numa massa sem inteligência, aniquilar qualquer tentativa de crítica e de reação e entregar o Brasil nas mãos de poucos grandes proprietários capitalistas. O golpe caracteriza a fome da voracidade capitalista, numa nova fase do neoliberalismo internacional de assalto sobre o Sistema Terra, de intensa massificação das populações e de desconfiguração total da organização social planetária.
    O mostro capitalista aqui em consideração tem as suas representações internas. O alvo direto é viabilizar a exploração dos nossos recursos naturais e a completa alienação da população. Internamente, este sistema é representado pela ultraconservadora configuração do congresso nacional, onde habitam integrantes do neopentecostalismo, do agronegócio, das empreiteiras, das indústrias petrolíferas e do grande sistema privado. Este covil de bandidos políticos legitima legalmente a consolidação da venda do Brasil ao capital estrangeiro e expropriar os recursos que pertencem de direito ao povo brasileiro. O governo federal, que tomou de assalto o mandato da Presidente Dilma Rousseff através da farsa do golpe parlamentar, está aplicando visivelmente os dogmas da política neoliberal, com ações escandalosas que vemos todos os dias. O judiciário e o ministério público federal estão protagonizando uma caçada judicial ao PT e às suas principais lideranças, cujo objetivo explícito é eliminar esta força política.
    Na geografia do golpe não podem ser esquecidos os meios de comunicação social. Numa absoluta monopolização, padronização e uniformização da informação, esboçaram um intenso ataque contra o Governo Dilma, contra o PT e contra Lula, num tom de diabolização e de condenação permanente que incutiu na opinião pública a convicção de que o PT acabou com o país e é responsável único pela corrupção. A população foi de tal maneira imbecilizada e mediocrizada que as conversas entre as pessoas se reduziram a jargões como “faliram a Petrobrás”, “os filhos de Lula são ricos”, “os militares precisam voltar ao poder”… Com a estratégia contínua de ataques contra Lula e o PT, os meios de comunicação social conseguiram ocultar aos olhos do povo a corrupção praticada pelos grupos políticos de direita e a corrupção sistêmica como aquela praticada pelas políticas neoliberais. Os meios de comunicação são decisivos para a ação seletiva do judiciário que coloca na cadeia lideranças de esquerda a partir de boatos e protege os corruptos que habitam os partidos de direita.
    O golpe imbecilizou e mediocrizou a população brasileira. Estamos envolvidos numa cegueira epistemológica absoluta que impossibilita a construção de qualquer conhecimento crítico diante da ditadura na qual vivemos. O povo está cego diante do desmanche do Estado, da entrega de bandeja das riquezas nacionais ao capital estrangeiro, da política de concentração de renda e da retirada de direitos. A cegueira absoluta se completa com o desaparecimento da memória histórica, pois ninguém se lembra dos acontecimentos das décadas de 80 e 90 quando as palavras-chave eram dívida externa, FMI, Banco Mundial e miséria absoluta. Ninguém se lembra das conquistas com o governo Lula, tais como a quintuplicação do Produto Interno Bruto, a formação de significativas reservas internacionais e a superação da dívida externa, a construção de uma nova política internacional com a integração do Brasil na lógica da horizontalização das relações internacionais, a formação de uma ampla classe média, a superação da fome e da miséria e tantas outras. A ignorância absoluta se completa com a legitimação por parte do povo do projeto golpista estabelecido, pois quando fala de corrupção e contra o PT, os falantes repõem exponencialmente a corrupção e sustenta o assalto do país pelo grande capital.
    O golpe desestruturou o perfil da estrutura social brasileira. Os órgãos públicos responsáveis pela guarda da Constituição e do Estado de Direito, tais como o supremo tribunal federal, o judiciário e o ministério público federal a dissolveram e decretaram a sua morte. Estes órgãos se transformaram num partido ultraconservador de direita e viabilizam a destruição da nação com a sua venda e alienação. Já é perceptível a desintegração das relações sociais através de uma intensa massificação da opinião e da incapacidade de organização social. Esperava-se uma espécie de luta de classes, a partir da qual as bases se organizam para lutar contra o projeto de desmantelamento de direitos historicamente adquiridos, mas o povo assiste passivamente e em silêncio, sem capacidade de compreensão e problematização. Seguramente, o discurso antipetista obscurece os olhos do povo e inviabiliza a organização. A  organização das bases foi substituída pelo ódio da classe dominante do Povo e da Democracia e pela paradoxal postura de adoração dos dominados em relação as dominadores.
    Está em jogo a ruptura do contrato social e a entrega incondicional do país à política econômica neoliberal. A política dos juros altos é o principal mecanismo desta política. O povo está sendo expropriado pelos juros que corroem a base econômica e canaliza os recursos para os bilionários da sociedade. É uma lógica econômica invisível, desconhecida, mas caracteriza o principal mecanismo de exploração das massas sociais e de concentração de renda no Brasil e no mundo. A especulação financeira mundial, altamente concentrada no Brasil, é um fator de desequilíbrios sociais, de desequilíbrios ecológicos e de desequilíbrios econômicos em escala global. A principal antinomia dos tempos atuais está polarizada entre o capital financeiro e a estrutura social. No Brasil esta polarização é muito mais profunda, porque a concentração de renda que ela proporciona corrói e dissolve as relações sociais.
    A lógica do golpe atinge diretamente o campo educacional. O modelo de escola, de pedagogia, de conhecimento e de aprendizagem correspondem com o sistema econômico estabelecido, para dar-lhe legitimidade e evitar que seja objeto de qualquer crítica. O projeto escola sem partido é a expressão mais clara desta tendência, pois impõe autoritariamente uma lógica de doutrinação na qual o professor apenas repassa conteúdos. Querem, e isto se escutou falar por aí, a obrigatoriedade do ensino do criacionismo, uma visão conservadora de mundo na qual se sustenta que o mundo está dado pela vontade divina, portanto não pode ser transformado. Fala-se também da neutralidade científica, como se o conhecimento científico e as várias teorias científicas não tivessem nada a ver com a realidade histórica dos homens e com as diferentes concepções de mundo e de sociedade. Num cenário de ditadura como o nosso, a escola se transforma numa referência legitimadora da sociedade estabelecida ao reproduzir os interesses que a movem.
    Depois de conquistarmos com os governos Lula e Dilma um posição privilegiada no cenário internacional, involuímos séculos e nos transformamos numa colônia informe de quinto mundo. O nosso rico sistema de ecossistemas e de biodiversidade se transforma numa materialidade bruta a ser devorada pela voracidade da exploração capitalista. O povo brasileiro, órfão de lideranças e de mediações políticas, se transforma numa massa manipulada sem memória, sem conhecimento sistematizado e sem direitos. Neste contexto de radical ruptura institucional, a tendência é que o povo será amplamente favorável diante das arbitrariedades praticadas pelo governo golpista. Internamente, sobra-nos um cinismo social resultante de uma ampla manipulação da mídia, com a radical dissolução do sistema de relações sociais. No cenário internacional, dissolveram-se as relações fundamentais do Brasil com vários blocos econômicos e políticos, e nos transformamos numa republiqueta de fundo de quintal sem relações internacionais consistentes.
    Todas estas reflexões conduzem à evidência de um pandemônio que está em cima de nós, como uma ave de rapina posicionada para roubar as nossas riquezas. Este gigante de mão invisível tem como corpo o capital financeiro cuja seiva o move, e como estrutura material as megaestruturas empresariais capitalistas transnacionais quase invisivelmente distribuídas por todo o planeta. A sua ação consiste em explorar os recursos naturais ainda existentes, particularmente de olho nos ecossistemas naturais do Brasil e na alienação das massas. Este sistema possui gigantescos tentáculos que multiplicam a sua força invasora e neutraliza qualquer tentativa de resistência. Um tentáculo é o sistema do Estado como um todo, em seus poderes executivo, legislativo e judiciário em conluio para introduzir a sua versão atual arquitetada pelo golpe. Os oponentes são cassados por uma perseguição judicial, rotulados de corruptos e presos sem provas. Outro tentáculo deste sistema são os meios de comunicação social que padronizam a informação e imbecilizam a população o suficiente para se submeter cegamente ao roubo neoliberal. Outro tentáculo são as religiões, que com o seu proselitismo revestem com pele de ovelha e tornam invisível este pandemônio. Outro tentáculo é a mentalidade burguesa, com discurso moralizador, que com o cinismo generalizado reproduz dentro da sociedade este sistema diabólico.
     

  • Estudantes ocupam uma centena de escolas no país contra a PEC 241

    Um grupo de estudantes ocupa a sede da Presidência da República, na Avenida Paulista, desde as 17h30 desta segunda-feira (10). Segundo Henrique Domingues, presidente do DCE Fatec – Diretório Central dos Estudantes da Fatec -, 60 estudantes estão divididos entre o terceiro andar e o hall de entrada do prédio.
    Quase 100 escolas e institutos federais (IFs) estão ocupados em todo o Brasil, segundo a União Brasileira dos Estudantes Secundarista (UBES), em contagem atualizada nesta segunda-feira (10/10).
    A manifestação dos estudantes é contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, contra a Medida Provisória da Reforma do Ensino Médio e contra o Projeto de Lei Escola Sem Partido.
    As ocupações ganharam força hoje, dia em que começou a ser votada hoje na Câmara dos Deputados a PEC 241. A emenda, apresentada por Michel Temer, limita o teto de gastos públicos nas áreas da saúde, educação, segurança, infraestrutura, entre outras, durante os próximos 20 anos. Se aprovada, em dois turnos na Câmara e no Senado, com três quintos dos votos a favor, o limite de gastos só poderá ser reajustado de acordo com a variação da inflação, e engessa o orçamento.
    Até semana passada, quando dados da União Paranaense de Estudantes Secundaristas calculava 48 instituições ocupadas só no Paraná, o protesto focava a Medida Provisória da Reforma do Ensino Médio, apresentada pelo atual governo, em setembro. As mudanças, que começariam a valer a partir de 2018, torna apenas quatro disciplinas obrigatórias,  sendo necessário cursar durante os três anos do ensino médio apenas português e matemática. Disciplinas como filosofia, arte e educação física passarão a ser optativas.
    “Acreditamos que essas propostas não são adequadas para a real mudança da escola pública em nosso país. A mobilização está acontecendo de forma voluntária, onde a conscientização dos estudantes cresce a cada minuto”, explicou a presidente da UBES, Camila Lanes.
    Rio Grande do Sul
    Em Porto Alegre, ainda não houve registro de ocupação. Na cidade, secundaristas foram presos pela polícia militar em junho, denunciados pelo Ministério Público, e tornaram-se réus na 9a Vara Criminal. No Estado, são sete institutos federais ocupados, todos no interior.
    Confira abaixo a lista de escolas e IFs ocupados:
    Paraná
    São José Dos Pinhais
    01. C.E. Elza Scherner Moro
    02. C.E. Afonso Pena
    03. C.E. Padre Arnaldo Jansen
    04. C.E. Costa Viana
    05. C.E. Silveira Da Motta
    06. C.E. Hebert De Souza
    07. C.E. Chico Mendes
    08. C.E. Juscelino K. De Oliveira
    09. C.E. Pe. Antônio Vieira
    10. C.E. São Cristóvão
    11. C.E. Angelina Prado
    12. C.E. Shirley
    13. C.E. Guatupê
    14. C.E. Lindaura Ribeiro
    15. C.E. Estadual Ipê
    16. C.E. Unidade Polo
    17. C.E. Barro Preto
    18. C.E. Zilda Arns
    19. C.E. Tiradentes
    Curitiba
    20. Colégio Estadual Do Paraná
    21. C.E. Algacyr Maeder
    22. C.E. Teobaldo Kletemberg
    23. C.E. Teotônio Vilela
    24. C.E. Ernani Vidal
    25. C.E. Cruzeiro Do Sul
    26. C.E. Benedicto J. Cordeiro
    27. C.E. Brasílio De Castro
    Fazenda Rio Grande
    28. C.E. Cunha Pereira
    29. C.E. Anita Cannet
    30. C.E. Lucy Requião
    31. C.E. Jorge Andriguetto
    32. C.E. Abilio Lourenço
    33. C.E. Décio Dossi
    Ponta Grossa
    34. C.E. Ana Divanir Borato
    35. C.E. Polivalente
    36. C.E. Regente Feijó
    37. C.E. Epaminondas Ribas
    38. C.E. Meneleu Barros
    39. C.E. Pietro Martinez
    40. Instituto De Educação
    Pinhais
    41. C.E. Arnaldo Busato
    42. C.E. Tenente Sprenger
    43. C.E. Daniel Rocha
    44. C.E. Castelo Branco
    45. C.E. Amyntas De Barros
    46. C.E. Mathias Jacomel
    47. C.E. Leocádia Ramos
    Cascavel
    48. C.E. Castelo Branco
    49. C.E. Olinda Truffa
    50. C.E. Wilson Joffre
    51. C.E. Santos Dumont
    52. C.E. Horácio Ribeiro
    53. C.E. Jardim Clarito
    Londrina
    54. C.E. Albino Feijó Sanches
    55. C.E. Maria Aguilera
    56. C.E. Vani Ruiz
    Maringá
    57. C.E. Brasílio Itibere
    58. C.E. Tomaz Edison
    59. C.E. Tânia Varella
    Pato Branco
    60. C.E. De Pato Branco
    61. C.E. Do Campo São Roque
    Colombo
    62. C.E. Helena Kolody
    63. C.E. Vinicius De Moraes
    Matinhos
    64. C.E. Sertãozinho
    Campo Largo
    65. C.E. Macedo Soares
    Piraquara
    66. C.E. Rosilda De Souza
    Marechal Cândido Rondon
    67. C.E. Frentino Sackser
    Mandaguaçu
    68. C.E. Parigot De Souza
    Rio Branco Do Sul
    69. C.E. Maria Da Luz Furquim
    Guaratuba
    70. C.E. Zilda Arns Neumann
    Toledo
    71. C.E. Novo Horizonte
    72. C.E. Atílio Fontana
    Pontal Do Paraná
    73. C.E. Sully Vilarinho
    Universidades Ocupadas
    74. Unioeste – Marechal Rondon
    Minas Gerais
    75. Estadual Central
    76. E.E Ricardo Souza Cruz
    Rio Grande Do Sul
    77. If Farroupilha Campus Alegrete
    78. If Farroupilha Campus São Vicente Do Sul
    79. If Farroupilha Campus São Borja
    80. If Farroupilha Campus Júlios De Castilhos
    81. If Farroupilha Campus Panambi
    82. If Farroupilha Campus Frederico Westphalen
    83. If Campus Santo Augusto
    Goiás
    84. If Aguas Lindas
    Brasïlia
    85. Cem 414 Samambaia
    Rio Grande Do Norte
    86. If Santa Cruz
    87. If Zona Norte
    88. If Parnamirim
    89. If Central
    90. If João Câmara
    Mato Grosso 
    91. Ifmt Campus Confressa
    São Paulo
    Sorocaba
    92. Escola Estadual Ossis Silvestrine
    Pernambuco
    93. If Olinda
    Alagoas
    94. If Satuba

     (Com GGN, RBA e G1)
  • Apenas 25% dos resíduos industriais são tratados no Brasil

    A destinação irregular de resíduos industriais no Brasil gera perdas da ordem de R$ 600 milhões ao ano aos cofres municipais. Segundo estudo da Consultoria Tendências, encomendado pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), apenas 25% de todo material gerado no setor produtivo é tratado corretamente no País.
    De acordo com o levantamento, o Brasil produz 33 milhões toneladas de resíduos industrias ao ano e, deste montante, 25 milhões de toneladas não são tratadas adequadamente, o que não permite a rastreabilidade. E os municípios brasileiros deixam de arrecadar R$ 150 por tonelada.
    Para o presidente da Abetre, Carlos Fernandes, seriam necessários cerca de R$ 3,7 bilhões para tratar adequadamente o material que ainda é descartado de forma irregular. “O imposto para este tipo de serviço no Brasil é da ordem de 15% do valor total do tratamento”, afirma Fernandes. “É necessário, portanto, que o País adote um sistema declaratório nas empresas geradoras, justamente para garantir rastreabilidade dos resíduos e segurança jurídica ao setor produtivo”, acrescenta.
    Para Fernandes, o País precisa de mecanismos de controle mais eficientes na gestão de resíduos industriais. “Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tenha sido um avanço na área de regulação, as autoridades ainda carecem de sistemas de controle e fiscalização junto ao setor produtivo brasileiro”, comenta.
    “O sistema declaratório, obrigação da PNRS e implantado em meio digital em Santa Catarina com a colaboração da Abetre, é uma importante ferramenta para a rastreabilidade de resíduos, trazendo segurança para todos os geradores”, acrescenta.
    Fernandes lembra ainda que o Brasil possui tecnologia de ponta e empresas altamente capacitadas para o tratamento de resíduos e recuperação de áreas contaminadas. “O setor privado de tratamento de resíduos no País é hoje a solução ambiental mais viável e segura economicamente para as empresas geradoras e para os gestores públicos”, conclui.
    (Da Abetre)

  • Conselho do Plano Diretor analisa Cais Mauá e Pontal do Estaleiro

     
    Naira Hofmeister
    A próxima reunião do Conselho do Plano Diretor de Porto Alegre (CMDUA) promete ser quente. Na pauta do encontro dessa terça-feira, 11 de outubro, estão previstas a apresentação do Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) do Parque do Pontal – o antigo Pontal do Estaleiro, complexo comercial a ser construído na beira do Guaíba, entre o Museu Iberê Camargo e o BarraShopping Sul – e o voto do relator sobre o EVU do Cais Mauá.
    Ambos projetos já foram aprovados pela Prefeitura Municipal em um pacotão que incluiu outras intervenções nas margens do Guaíba, como o projeto Gigante para Sempre, que prevê a construção de hotel e shopping na área do Beira-Rio e as fases de revitalização da Orla – uma delas entre o Gasômetro e a Rótula das Cuias, já em execução.
    Embora tenha até 15 dias para concluir sua análise, o relator do EVU do Cais Mauá, o representante do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-RS), Sérgio Korem, acredita que será possível emitir o parecer já na reunião desta semana. “Trabalhei bastante no final de semana e deixei livre a manhã de terça para uma última revisão. Tenho a pretensão de apresentá-lo, sim”, revela.
    O conselheiro, entretanto, admite que só revelará sua conclusão se houver “vencido todos os temas que possam suscitar perguntas” do colegiado. Ele preferiu não antecipar nenhuma de suas conclusões: “O que posso afirmar, preliminarmente, é que a nossa ideia é a de crescimento da cidade”.
    Embora interessado diretamente na aprovação do projeto do Cais Mauá – na semana passada, o empreendedor revelou que teve reunião com o Sinduscon para garantir que todas as empresas contratadas para a execução do empreendimento serão do Rio Grande do Sul –, Korem não vê nenhum impedimento na sua relatoria.
    “De maneira nenhuma me sinto em uma saia justa. Temos uma lista de entidades do Conselho que vão se sucedendo na análise dos processos e casualmente esse caiu para o nosso sindicato. Faremos uma análise correta, defendendo os interesses da cidade, cumprindo nosso papel de cidadãos”, assegura.
    A relatoria dos processos, conforme salientado pelo conselheiro, segue uma ordem pré-estabelecida de rodízio entre os representantes com assento no colegiado.
    Renovação da polêmica
    Enquanto o projeto do Cais Mauá mobiliza coletivos de cidadãos contrários à iniciativa nos moldes como está sendo proposta desde o ano passado, o Parque do Pontal, novo nome do Pontal do Estaleiro, foi a principal polêmica na cidade entre 2008 e 2010.
    Foi tanta pressão popular para que a obra não fosse executada – ela prevê, assim como no Cais Mauá, a construção de edifícios altos nas margens do Guaíba, o que povoca críticas desse setor da sociedade – que o então prefeito, José Fogaça, convocou um plebiscito sobre a intervenção em 2009.
    Entretanto, ao contrário do que ocorre com o Cais Mauá, o assunto vinha tramitando na Prefeitura silenciosamente. No ano passado foram realizadas duas audiências públicas para análise do Estudo de Impacto Ambiental e de seu respectivo relatório (EIA-Rima), mas após esses eventos, muito tumultuados, nada mais se soube do projeto.
    Nesta próxima terça, o próprio empreendedor estará presente na reunião do CMDUA para fazer a intrução à analise do EVU, que será relatado pelo representante da Região 8 do Planejamento.
    Para o relator do processo do Cais Mauá, Sérgio Korem, do Sinduscon, a análise das duas propostas na mesma reunião pode ser positiva. “É difícil analisarmos em conjunto, cada assunto tem um processo separado. Mas se o Conselho decidir por um debate mais amplo, isso pode ser interessante”, acredita.
    O conselheiro ainda salienta que o encontro de ambos projetos no CMDUA não o surpreende. “Estávamos com uma pauta muito trancada, nossa atividade estava quase parando porque havia muita demora na liberação dos processos. Então me parece natural que agora que estejam destravando a tramitação, recebemos muitos grandes empreendimentos para análise”, concluiu.
    A reunião do CMDUA inicia às 18h e pode ser acompanhada livremente pelo público. Na semana passada, em razão da apresentação do EVU do Cais Mauá, houve muitos interessados presentes e a Secretaria de Urbanismo (Smurb) barrou a entrada de quem chegou após às 18h30. A justificativa era que a sala estava com lotação máxima, embora houvesse algumas cadeiras disponíveis e muito público em pé.

  • Natal sem 13o salário para o funcionalismo gaúcho

    Questionado pela imprensa, o secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, confirmou que não há nenhuma garantia do pagamento do 13o salários aos servidores do Estado.
    Em entrevista à Rádio Guaíba na manhã de hoje (10/10), disse que o governo não tem mais onde buscar financiamento: “Estamos em uma situação realmente angustiante. E nos aponta para dificuldades seguramente nos próximos meses, eu não tenho a menor dúvida. E em relação ao 13ª (salário), é aquilo o que a imprensa nacional colocou: são diversos os estados que se encontram em grande dificuldade para fazer o pagamento do 13º e, entre eles, quem sabe um dos mais agudos é exatamente o nosso, lamentavelmente”.
    A Fazenda prevê completar até esta sexta-feira (14) o pagamento dos salários dos servidores do Executivo do mês de setembro. Hoje, mais R$ 200 foram depositados nas contas dos servidores ligados ao Executivo.

     (Fonte: Vitória Famer / Rádio Guaíba)