Autor: da Redação

  • Debate entre Melo e Marchezan será transmitido ao vivo a partir das 14h30

    O horário eleitoral recomeça amanhã em Porto Alegre, mas os debates entre os candidatos a prefeito no segundo turno, Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB), já começaram.
    Hoje o debate é promovido pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon-RS) e pela Rádio Guaíba. Será transmitido ao vivo, a partir das 14h30min, direto do centro de eventos do Sescon-RS, e pode ser acompanhado pelo site do jornal Correio do Povo ou pela página do jornal no Facebook. O debate será dividido em três blocos e terá a mediação do jornalista Felipe Vieira.
    Na abertura do programa, o presidente do Sescon-RS, Diogo Chamun, fará uma pergunta aos dois concorrentes com base no estudo Gestão Pública Eficaz, que foi desenvolvido pela entidade como um conjunto de indicadores econômicos e sociais de apoio à gestão pública. Na sequência, haverá oito rodadas, divididas em três blocos, de perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, cujos temas poderão ser livremente escolhidos pelos debatedores.

    Definimos este formato, que foi aprovado pelos candidatos, por entendermos que o debate ficará muito mais dinâmico e atraente para os ouvintes”, conta o coordenador de jornalismo da Rádio Guaíba, Carlos Guimarães.
    (Fonte: Correio do Povo e Rádio Guaíba)
  • Contra o Retrocesso – Por uma Frente Popular e Democrática em Porto Alegre

    Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo e outros
    O Brasil vive um momento político extremamente grave. O Golpe parlamentar contra a Presidenta eleita foi realizado por uma potente articulação de forças contrárias aos direitos sociais, civis e democráticos. A entrega dos recursos do pré-sal para o grande capital internacional, o afastamento do Brasil de seus parceiros latino-americanos e africanos, a perda de protagonismo do país no contexto mundial, o corte de gastos nas áreas da saúde e da educação, a flexibilização das regras trabalhistas e o abuso da violência estatal e do encarceramento como políticas de Estado mostram que o golpe segue em curso, colocando para o campo democrático e popular o desafio de barrar o seu avanço.
    Há um clima de ódio e de violência instalado no país. O processo de criminalização seletiva e de espetacularização das denúncias contra os integrantes de apenas um partido político, promovido por setores importantes do Poder Judiciário e do Ministério Público Federal, em aliança com as grandes mídias corporativas, tem como objetivo claro transformar as esquerdas e principalmente o PT e suas lideranças nos “grandes inimigos do povo”.
    A discricionariedade na aplicação da Justiça, que desconsidera as graves denúncias envolvendo figuras destacadas do PSDB, do PMDB e do PP, bem como o engajamento do próprio STF na retirada progressiva das garantias processuais e dos direitos individuais revelam o perigo iminente da fascistização das relações sociais e das instituições públicas em curso no Brasil. É nesse contexto que ocorrerá o 2º turno da eleição para a Prefeitura de Porto Alegre, quando deveremos nos posicionar frente aos dois projetos políticos para a cidade mais votados no 1º turno.
    Temos, de um lado, a candidatura de Marchezan Jr., do PSDB, aliado ao PP, que representa um programa de retrocesso em relação não só às conquistas sociais, políticas e econômicas da última década, mas também em relação aos direitos e garantias assegurados pela Constituição de 1988. Essa candidatura tenta angariar votos e conquistar o eleitorado para propostas de submissão das políticas públicas aos princípios da iniciativa privada: privatização do patrimônio público, enxugamento da máquina pública, arrocho do funcionalismo e rebaixamento dos direitos de cidadania a uma pura e simples relação de clientela entre os cidadãos e o Estado, numa postura assistencialista. A vitória dessa candidatura, que conta com forças políticas oriundas da antiga ARENA, significaria a obtenção de uma base sólida na capital do estado para o aprofundamento do golpe e a consolidação do campo neoliberal no Rio Grande do Sul, com todo o retrocesso social, político e econômico que ele representa.
    A coligação Melo e Juliana, por outro lado, em que pesem problemas da cidade não enfrentados pela gestão municipal nos últimos 12 anos e, ainda, a vinculação do partido do candidato a Prefeito ao golpe perpetrado contra a democracia por meio do impeachment, é mais plural, na medida em que conta com a presença de uma liderança do PDT no cargo de vice-prefeita.  O PDT posicionou-se nacionalmente contra o golpe e reconhece a importância da participação popular na gestão pública. A origem pessoal e o vínculo de Melo com setores populares, a trajetória do Prefeito José Fortunatti, afiançador da chapa e historicamente vinculado ao campo democrático e popular, assim como a presença de Juliana Brizola como vice-prefeita, herdeira das propostas avançadas do Brizolismo para a emancipação da cidadania e a afirmação da democracia e da legalidade, não deixam dúvida sobre as diferenças entre as duas candidaturas em disputa. Frente ao retrocesso em curso no país após o golpe e o risco da fascistização crescente de nossas instituições, é fundamental que sejamos capazes, do espaço municipal ao nacional, de somar forças para a defesa da democracia e do Estado de Direito no país.
    Para que Porto Alegre tenha uma perspectiva efetivamente popular e democrática, propomos a constituição de uma frente ampla para barrar o avanço do neoliberalismo mais retrógrado e elitista representado pela candidatura Marchezan, que reúne as forças mais à direita do espectro de posições políticas do Rio Grande do Sul.
    Uma frente popular e democrática em Porto Alegre precisa ter como perspectiva enfrentar com mais determinação os problemas da cidade.
    Porto Alegre precisa enfrentar com firmeza a gestão ambiental do Guaíba e da qualidade da água, dos resíduos sólidos e da qualidade do ar. Nas últimas administrações, a cidade tem sofrido uma espécie de falência da gestão ambiental, que precisa ser revertida diante dos desafios do aquecimento global e do desenvolvimento sustentável.
    A educação municipal, que já foi motivo de orgulho, precisa avançar na qualificação dos professores e na educação de tempo integral. Os projetos de Educação de jovens e adultos (EJA) também merecem investimento e revitalização. As escolas precisam ser capacitadas para se tornarem centros de saberes locais e promotoras da identidade das comunidades.
    A política urbana de Porto Alegre deve retomar o combate à retenção especulativa de imóveis urbanos, a fim de garantir o cumprimento da função social da propriedade e das funções sociais da cidade. Na política habitacional, os projetos de Regularização Fundiária de assentamentos irregulares precisam ser retomados, já que o direito à cidade depende, em boa medida, da segurança da posse na terra conquistada para fins de moradia.  As áreas ocupadas por comunidades tradicionais, como os quilombos urbanos, as terras indígenas e os povos de terreiro, são ainda mais vulneráveis ao assédio do mercado imobiliário e necessitam de urgente atenção na dotação de infraestrutura e serviços, bem como na titulação e proteção contra despejos forçados.
    Da mesma forma, é importante ampliar as possibilidades de acesso regular ao solo urbano para as famílias de baixa renda por meio da oferta de lotes urbanizados em áreas já dotadas de infraestrutura. Porto Alegre precisa ampliar o debate acerca da utilização dos espaços públicos, particularmente em áreas de especial interesse ambiental e cultural, como, por exemplo, o Cais Mauá, devolvendo aos cidadãos o processo de tomada de decisão.
    No plano das políticas para as mulheres, a desqualificação do transporte coletivo e as ameaças de redução de recursos para o SUS e para o ensino público afetam de forma particular as mulheres trabalhadoras da cidade, exigindo a retomada de programas da rede de assistência social e a ampliação das políticas de enfrentamento à violência doméstica e familiar.
    A violência urbana reduz direitos de cidadania de homens, mulheres e jovens que têm o espaço público reduzido pelo medo e pela criminalidade organizada. É cada dia mais urgente a rediscussão do papel do município nas políticas de prevenção à violência, com a ampliação da guarda municipal, integrada com a Brigada Militar na realização do policiamento ostensivo, com características de policiamento comunitário e de proximidade, capaz de administrar conflitos e garantir a ação efetiva do Estado na prevenção ao crime. O mesmo desafio se coloca em relação aos moradores de rua, aos imigrantes e refugiados, pela vulnerabilidade de sua condição de cidadania.
    Algumas políticas específicas precisam ser ampliadas e reforçadas, como o investimento em ciclovias para a criação de alternativas para a mobilidade urbana e a política de proteção animal, voltada para o controle populacional, o tratamento de doenças e o resgate e a adoção de animais em situação de rua, incorporando de forma definitiva novas demandas sociais às políticas públicas do município.
    A retomada da política cultural, com o desenvolvimento de projetos avançados de ocupação do espaço urbano, com a descentralização da produção artística direcionada para os bairros da cidade, é fundamental para estimular o convívio social. Com isso, Porto Alegre poderá retomar suas cores e não sucumbir ao cinza de uma cidade desumanizada, triste e amedrontada.
    Estes são alguns dos principais desafios colocados para a gestão da cidade. Para enfrentá-los, é preciso que seja construída uma frente democrática e popular, contra o retrocesso. Acreditamos que, para construí-la, o único caminho possível no 2º turno das eleições municipais é o voto em Melo e Juliana, para que Porto Alegre possa resistir ao retrocesso jurídico, político e social e se mantenha na defesa da legalidade democrática e das conquistas populares.
    Assinam:
    Ana Costa – Auditora fiscal do trabalho
    Ângela Tavares – Programadora de computador aposentada e militante em movimentos sociais
    Benedito Tadeu César – Cientista Político
    Bernardo Lewgoy – Antropólogo e professor da UFRGS
    Betânia de Moraes Alfonsin – Advogada e professora da PUCRS e da FMP
    Carmen S. de Oliveira – Psicóloga e militante de direitos humanos
    Cátia Simon – Professora da RME/PMPA
    Diego Pautasso – Professor Universitário
    Eny R. Dalmaso – Profa. de História e Filosofia, militante do Cpers Sindicato e movimentos sociais
    Fábio Dal Molin – Psicólogo e professor da FURG
    Gentil Corazza – Economista, professor da UFRGS
    Ivaldo Gehlen – Sociólogo e professor da UFRGS
    Jorge Garcia – Advogado
    Jucemara Beltrame – Advogada
    Júlio Bernardes – Professor de Filosofia, coordenador do Curso de Filosofia do Departamento de Ciências Humanas da UNISC
    Luis Stephanou – Sociólogo
    Maria da Glória Lopes Kopp – Historiadora, doutoranda em Ciências Sociais PUCRS
    Maria Regina Jacob Pilla – Tradutora e escritora
    Marília Veríssimo Veronese –  Psicóloga Social e professora da Unisinos
    Mário Madureira – Advogado
    Milena Dugacsek – Etnomusicóloga
    Patrícia Reuillard – Tradutora e professora da UFRGS
    Paulo de Tarso Carneiro – Bancário aposentado, fundador do PT
    Paulo Timm – Economista
    Rafael Machado Madeira – Cientista Político e professor da PUCRS
    Reginete Souza Bispo – Cientista Social e militante do Movimento de Mulheres Negras
    Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo – Sociólogo e professor da PUCRS
    Rualdo Menegat – Geólogo e professor da UFRGS
    Soraya Vargas Cortes – Socióloga e professora da UFRGS
    Tagore Vieira Rodrigues – Historiador
    Tamara Hauck – Jornalista
    Vinicius Galleazzi – Engenheiro Civil
    Walter Morales Aragão – Professor universitário
    Zoravia Bettiol – Artista plástica
     

  • Luiz Cláudio Cunha assume a Secretaria de Comunicação do CNJ

    O jornalista Luiz Claudio Cunha é o novo secretário de Comunicação do Conselho Nacional de Justiça. A convite da ministra Carmen Lúcia. presidente do STF e do CNJ, ele assumiu o cargo na sexta-feira, 7/10.
    Gaúcho, de Caxias do Sul, aos 65 anos, Cunha é um dos mais experientes jornalistas brasileiros, com passagem pelos principais veículos da imprensa brasileira. Começou a trabalhar aos 18 anos, como locutor de rádio em Londrina, no Paraná.
    Tornou-se nacionalmente conhecido por uma série de reportagens sobre o sequestro de dois asilados políticos uruguaios, em 1978, quando era chefe da sucursal da revista Veja em Porto Alegre. O trabalho, que revelou a chamada Operação Condor, rendeu, a ele e ao fotógrafo J.B Scalco, o Prêmio Esso de Jornalismo.
    Ultimamente, trabalhava na assessoria de imprensa do Senado, lotado no gabinete do senador Randolfe Rodrigues. Assume o cargo num momento em que o desafio principal do CNJ, órgão fiscalizador do poder judiciário, é ampliar a transparência administrativa e processual da Justiça no Brasil.
     
     

  • Sábado ensolarado, parque lotado: blues e jazz até a noite

    O Festival BB Seguridade de Blues e Jazz, do Banco do Brasil com Ministério da Cultura, trouxe músicos brasileiros e nomes da música internacional para o Parque da Redenção no sábado (8/10).
    Começou no final da manhã, com a Orleans Street Jazz Band, tradicional grupo de jazz de rua de São Paulo. Quando terminou, já era noite, e o parque continua lotado, ouvindo Stanley Jordan e Maria Gadú.
    Porto Alegre foi a última cidade da programação do festival, que antes passou por Recife, São Paulo e Brasília.

  • Roda de capoeira recebe músico nigeriano na Redenção

    Matheus Chaparini
    “Vou chamar capoeira, eu vou! Capoeira de Angola, eu vou!” Existe um lugar em Porto Alegre onde os capoeiras se encontram, onde capoeira Angola e contemporânea dialogam, onde diversos grupos se misturam na mesma roda. Um sábado sim outro não, acontece a roda de capoeira da feira ecológica, junto ao Mercado do Bom Fim, no principal parque da cidade, que já foi refúgio dos negros após o fim da escravidão – não sem motivo, o lugar já foi chamado de Campos da Redenção. A iniciativa partiu do capoeirista Maicon Vieira, do grupo Africanamente.
    Cliente assíduo do comércio de orgânicos, Maicon conta que começou a sentir falta do som de berimbau nos sábados de feira. “A capoeira sempre teve essa característica de ser realizada em locais de circulação de público, na feira, no largo, no chafariz. Até porque antigamente a feira era onde as pessoas se encontravam, onde se informavam dos acontecimentos. A feira era a rede social”, afirma. Além disso, ele vê outra ligação entre as duas atividades que acontecem paralelamente. “São duas resistências: as práticas angoleiras, com a cultura de matriz africana, e as práticas agroecológicas, a preocupação com uma boa alimentação.”
    A roda da feira começou em maio de 2014, com a ideia de reunir gente de diferentes grupos. Maicon conta que já chegaram a se reunir quase 60 capoeiristas de 11 grupos distintos em uma mesma roda, no início deste ano. Muitos vêm com as famílias, então é forte a presença das crianças, no colo dos pais, cantando em volta da roda, ou jogando capoeira, no meio dela. A atividade começa pela manhã, atrai a atenção dos passantes e o público vai crescendo.
    Maicon defende o aprendizado da capoeira não apenas como um jogo de movimentos corporais ou uma luta. Ele destaca a importância do que chama de 3R: ritmo, ritual e respeito.
    A Nigéria tá na roda
    Antes de começar a roda de capoeira propriamente dita, neste sábado, o círculo já estava formado e os tambores soando. O músico e produtor nigeriano Ìdòwú Akínrúlí, mais conhecido como Akin, realizava uma breve vivência sobre a cultura yorubá, incluindo uma fala sobre suas raízes e a prática com os instrumentos típicos. É o projeto Tá na roda: práticas angoleiras e outros saberes ancestrais, que acontece mensalmente antes da roda. Às 9h inicia o projeto, a partir das 11h começa a roda de capoeira, que encerra no mesmo horário da feira, às 13h. A partir daí, o clima é de maior descontração e o ritmo é o samba de roda.

    O nigeriano Akin / Foto: Thaís Ratier
    O nigeriano Akin / Foto: Thaís Ratier

    O projeto foi criado este ano e a atividade realizada pelo nigeriano Akin foi a quarta edição. As anteriores tiveram como tema os valores civilizatórios da capoeira, o samba de roda e o makulelê.
    Akin vive em Porto Alegre desde 2012. Saiu de seu país em 2010 e primeiramente foi para Belo Horizonte, onde já viviam dois irmãos seus. Na chegada ao Sul, sentiu uma receptividade muito menor em relação a sua cultura. Enquanto os mineiros se apresentavam curiosos e atentos à história e aos saberes, em Porto Alegre chegou a organizar cursos que tiveram apenas um aluno inscrito. O primeiro grupo que lhe acolheu foi o Africanamente. Ele conta que se sentiu desafiado pela pouco aceitação, e foi justamente o que o levou a escolher Porto Alegre.
    Na Nigéria, Akin teve sua criação marcada fortemente pela presença da religião e da música. Dentro da religião, ocupa o importante posto de babalaô. De família de músicos, ao se estabelecer em Porto Alegre, logo se articulou com diversos artistas locais. Em quatro anos vivendo na cidade, criou pelo menos três projetos que seguem ativos: o grupo de dança Ibeji, o Ògúndabède, que trabalha com teatro e contação de histórias, e o Òséètúrá African Jazz, que mistura jazz com música africana.
    Quando deixou a Nigéria, Akin pode escolher entre Brasil e Estados Unidos, como destino. Preferiu o Brasil, por ver uma semelhança cultural maior. Entretanto, em relação às práticas religiosas viu menos semelhanças do que esperava. Frequentando terreiros mineiros, percebeu diferenças na forma de executar alguns rituais em relação aos seus, na Nigéria, o que gerou um certo incômodo. Deparou-se com diferenças entre a cultura de matriz africana praticada no Brasil e a cultura yorubá, na África. Em Porto Alegre decidiu por não se envolver muito a fundo na religião. “Eu não vim aqui pra tentar corrigir nada, vim pra somar, então eu preferi colocar minhas energias na música.”
    Foto: Thaís Ratier
    Sob os 3R: ritmo, ritual e respeito / Foto: Thaís Ratier

    3R: ritmo, ritual e respeito.
    Na roda, Akin falou sobre a cultura yorubá, “a cultura dos nosso ancestrais, que foram arrastados da África para serem escravizados aqui.” Na sequência, veio uma prática com os tambores, onde o atabaque da capoeira se misturou com o bàtá, o dùndún, o gángan e outros instrumentos trazidos em sua bagagem.
    Akin defende a importância de uma conversa sobre cultura e singificações antes de se executar a música. “A gente não toca só para tirar o som, cada toque tem um significado, cada tambor está falando alguma coisa”, explica.
    À uma da tarde, os feirantes já desmontavam suas barracas, os últimos clientes atrasados tentavam negociar algum desconto nos produtos e a capoeira chegava ao fim. Mas não a roda. Logo um rapaz de dread pegou um atabaque e puxou um canto. “Sou empregado da leste, sou maquinista do trem, vou me embora pro Sertão, que eu aqui não vivo bem. Ô viola…” Estava formado o samba de roda.

  • Pinheiro Salles, da Comissão de Ética da Fenaj, lança livro na Alemanha

    O jornalista Pinheiro Salles, vice-presidente da Comissão Nacional de Ética da FENAJ lança na próxima semana, em Berlim, o seu livro Ninguém pode se calar – Depoimento na Comissão Nacional da Verdade, que lá recebeu o título Es darf niemand schweigen – Eine Aussage vor der Nationalen Kommission für Wahrheit.
     Acompanhado da advogada Kelly Gonçalves, o jornalista fará palestra sobre o golpe de 1964, os 21 anos da ditadura militar e a situação atual do Brasil. Também distribuirá um documento, elaborado pelo Fórum das Trabalhadoras e dos Trabalhadores por Justiça e Reparação de São Paulo. Denunciará a participação de empresários alemães na organização do golpe e no financiamento do aparelho repressivo que sustentou o terrorismo de Estado no Brasil.
    Na Alemanha, Pinheiro Salles e Kelly vão também reforçar a Campanha Internacional pela Libertação dos presos políticos da Reforma Agrária em Goiás: Valdir Misnerovicz, Luiz Batista e Lázaro da Luz. Os militantes estão presos há mais de 100 dias, sob a acusação de “organização criminosa”. A criminalização dos movimentos sociais no Brasil ganhou força com a perseguição aos opositores do golpe que vem sendo implementando no país.
    Levado pelo Projeto Suíço Jovens com Futuro, coordenado por Flueckiger Erich, Pinheiro Salles visitará antigos campos de concentração e homenageará as vítimas do Holocausto. O jornalista informa que, como vice-presidente da Comissão Nacional de Ética e presidente da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás, buscará apoio para as lutas democráticas no país, incluindo a punição daqueles que, durante a ditadura militar, cometeram crimes contra a humanidade.
  • Festival traz shows de blues e jazz para a Redenção no sábado

    O passeio de sábado no parque da Redenção terá uma trilha sonora especial. O Festival BB Seguridade de Blues e Jazz traz grandes nomes da música internacional para o Parque da Redenção ao longo do dia.
    A programação inicia às 11h, com o show da Orleans Street Jazz Band, tradicional grupo de jazz de rua de São Paulo, e se estende até o final da tarde com nomes como Blues Etílicos, Hamilton de Holanda, Stanley Jordan e Maria Gadú.
    O festival é promovido pelo BB seguridade, do Banco do Brasil, junto ao Ministério da Cultura. Porto Alegre é a última cidade da programação do festival, que já passou por Recife, São Paulo e Brasília.
    Confira a programação:
    11h00 – Orleans Street Jazz Band
    11h30 – João Maldonado Trio
    12h30 – O Bando
    13h30 – Hamilton de Holanda
    15h00 – Blues Etílicos
    16h00 – Stanley Jordan e Dudu Lima
    17h30 – Maria Gadú em show de blues com participação de Tony Gordon

  • Sete empresas estão na mira do Procon por cobranças abusivas

    O Procon Porto Alegre instaurou processo administrativo contra sete empresas: Vivo, Claro, BV Financeira, Lojas Lebes, supermercados Carrefour, Hipercard (Itaú) e Losango, por constatar abuso de direito nas cobranças de dívidas destes fornecedores junto aos seus clientes.

    Entre as práticas abusivas utilizadas pelas empresas, estão:

    – a cobrança em momentos inapropriados fora do horário comercial;

    – fornecimento de informações conflitantes sobre os débitos;

    – número exagerado de contatos diários, e

    – utilização de artimanha na consecução das cobranças, sendo empregados diferentes números de telefone da mesma empresa durante os contatos.

    “Tal comportamento normalmente é verificado na fase extrajudicial, ou seja, antes da empresa cobrar a dívida judicialmente do cliente”, destaca o diretor executivo do Procon, Cauê Vieira.

     É vedada pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) prática que configure abuso do direito de cobrar, que exponham o consumidor ao ridículo ou o submetam a constrangimento ou ameaça na cobrança de uma dívida.
    O artigo 71 do CDC prevê pena de detenção e multa ao fornecedor que utilizar, na cobrança de dívidas, ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas, incorretas ou enganosas ou qualquer outro procedimento que exponha o consumidor a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer.
    A atividade comercial de cobrança não pode ultrapassar os limites estabelecidos em lei. “Não é admissível, por exemplo, uma mesma dívida ser cobrada do consumidor por três empresas diferentes no mesmo dia”, salienta Vieira. “Se o cidadão informa pela manhã não dispor de dinheiro para quitar uma dívida, o que levaria uma empresa a acreditar que durante a tarde ele teria? Neste momento nasce a abusividade e a pressão psicológica sobre o consumidor pelo constrangimento ilegal imposto pela empresa de cobrança”.
    Em pesquisa do Procon Porto Alegre no Twitter, que teve 229 participantes, 86% afirmaram já ter recebido ligações, cartas e visitas constrangedoras promovidas pelas empresas.
    Atendimento – O Procon Porto Alegre, vinculado à Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio (Smic) atende ao público na rua dos Andradas, 686, das 10h às 16h. O telefone para informações é (51) 3289-1774. Também atende pelo site www.portoalegre.rs.gov.br/procon e pelo aplicativo App Procon, disponível gratuitamente para sistemas operacionais Android e IOS.
    (Com Maria Teresa Severo, da assessoria de imprensa)
     

  • Feira Ecológica tem degustação e troca de receitas neste sábado

    Como parte da programação do mês de aniversário, a feira ecológica da José Bonifácio realiza neste sábado o evento Troca de Saberes. A atividade é uma parceria dos agricultores com a professora Signorá Peres Konrad, da Unisinos, e contará com a participação de estudantes de graduação em Nutrição da universidade.
    A atividade ocorrerá durante toda a feira, das 7h às 13h, com orientações e degustação de ingredientes da FAE, oferecendo ao público e às estudantes a oportunidade de troca de saberes sobre valores nutricionais e receitas para o preparo de nossos produtos orgânicos.
    A Feira dos Agricultores Ecologistas completa 27 anos no dia 16 de outubro e celebrará ao longo dos sábados deste mês o tema Vivenciando Ciclos, oferecendo ao público oportunidades de integrar ao seu cotidiano saberes que se relacionam com o ciclo do alimento. No dia 15, haverá a celebração do aniversário, com parabéns e bolo.

    Quem estiver passando pela feira poderá degustar produtos e trocar receitas / Laura Neis
    Quem estiver passando pela feira poderá degustar produtos e levar receitas / Laura Neis

  • Morre em Osório Severina, a Rainha Ginga do Maçambique

    Morreu na tarde desta sexta sexta-feira (7/10), aos 83 anos, Severina Maria Francisca Dias, Rainha Ginga do Maçambique de Osório, manifestação cultural que remete às coroações de reis e rainhas negros. Ela estava internada no Hospital de Osório e teve uma parada cardíaca por volta das 13h.
    Nascida em 8 de dezembro de 1932, Severina foi coroada Rainha Ginga na Paróquia da Nossa Senhora da Conceição, hoje Catedral, em 1992. Desde então tinha participação ativa nos festejos do calendário religioso do Município. Ao longo da vida, trabalhou como empregada doméstica e faxineira, aposentou-se pela extinta Companhia Riograndense de Telecomunicações. Severina era moradora do bairro do Caravágio, para onde se mudou ao deixar o Quilombo do Morro Alto.
    Sua filha, Francisca Dias, é a nova Rainha Ginga do Maçambique. Ela já ocupa o posto da mãe na programação deste ano da Festa de Nossa Senhora do Rosário e será coroada no domingo, 9. Francisca já era presidente da Associação Religiosa e Cultural Maçambique de Osório.
    O Maçambique de Osório é uma congada gaúcha responsável pela realização de um ritual religioso afro-católico, através do qual a comunidade negra homenageia os santos de devoção católica negra, como Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. A manifestação ocorre por meio da unidade entre os ritos eclesiais da Igreja Católica e os rituais maçambiqueiros, por meio da percussão dos tambores, dos cânticos e das danças de matriz africana.