O engenheiro agrônomo, botânico e fotógrafo da natureza Celso Copstein Waldemar expõe na Redenção, só neste domingo, 25, fotos que apresenta como o olhar de um servidor municipal sobre a cidade.
Copstein, que já foi administrador do parque, é servidor da Secretaria de Meio Ambiente. Nascido em Porto Alegre, quer compartilhar com os frequentadores do parque registros fotográficos que vem fazendo já há alguns anos.
“Nossa cidade possui muitas facetas”, destaca — metrópole banhada pelo Lago Guaíba e pelo Delta do Rio Jacuí, tem 72 km de orla, associada e uma rica topografia formada por seus 42 morros graníticos, entremeados por uma densa malha urbana que cobre aproximadamente 2/3 de sua área. O território remanescente possui uma linda paisagem, mescla de um rico panorama agrícola ladeado por cerros cobertos por uma peculiar mata atlântica e por campos nativos de feições subtropicais.
Na complexidade viária de suas ruas e avenidas surgem 628 praças, 8 parques urbanos e 5 unidades de conservação, além de mais de 1 milhão de árvores, o que faz da cidade uma das cidades mais arborizadas do Brasil.
A mostra representa um mosaico de temas e de técnicas fotográficas, na tentativa de abranger a multiplicidade dos cenários.”Efêmera e singular, pretende compartilhar com o público, o olhar registrado por um servidor público da SMAM”.


Autor: da Redação
Domingo no parque com fotos da exposição Porto Alegre Natural
O espetáculo dos ipês roxos na primavera / Foto Celso Copstein Outro ângulo / Foto Celso Copstein No parque / Foto Celso Copstein O lendário pôr-do-sol e a chaminé do Gasômetro / Foto Celso Copstein Prefeitura multada por contratação irregular de estagiários
A Justiça do Trabalho condenou a Prefeitura Municipal de Porto Alegre a pagar indenização de R$ 50 mil, mais multa, por contratação irregular de estagiários. A revelação foi da repórter Bibiana Dihl, da rádio Guaíba, na sexta-feira, 23/9.
Por decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT4), os órgãos da administração municipal terão que realizar processo seletivo com critérios definidos previamente em edital – tanto para renovação de contratos quanto para admissão.
Atualmente, são cerca de 3 mil estagiários na Prefeitura – média de 500 admissões por mês.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) sustenta que o modo de contratação realizado atualmente, com triagem de currículos e entrevista, possibilita a utilização das vagas de estágio para fins eleitorais e financiamento de campanha. MPT são os princípios da Administração Pública previstos na Constituição Federal – legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.Na decisão, o MPT imputou indenização de R$ 50 mil por dano moral coletivo, mais multa por descumprimento de R$ 5 mil por estagiário indevidamente admitido. Os valores serão revertidos ao Fundo Municipal do Direito da Criança e do Adolescente (Funcriança), que financia projetos ligados à promoção, proteção e defesa dos direitos da criança do adolescente.Conforme o MPT, o município se recusou a firmar Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
(Da Rádio Guaíba)Guarda Municipal assumirá posto policial da Redenção no domingo
A Guarda Municipal vai assumir no domingo, 25, o posto abandonado pela Brigada Militar no Parque Farroupilha em abril. Será as 10h30.O posto foi construído em 1987 com contribuições dos moradores e comerciantes do bairro. Mas, em abril, o governo Sartori, diante da escassez de policiais, resolveu que os brigadianos passariam a atuar em unidades móveis.O pequeno prédio, conhecido como “postinho da Brigada”, será utilizado para paradas estratégicas de equipes da Guarda Municipal, que se revezam para o atendimento na Redenção e região.De acordo com Fábio Ferigolo, chefe de Equipe Operacional da Guarda, os patrulhamentos serão intensificados, durante as 24 horas do dia.
Esta não é a primeira vez que a Guarda Municipal tem um ponto fixo na Redenção. Entre 1981 e 1986, os agentes ficavam na sede administrativa do parque, exceto em 1984, quando abrigaram-se no Parque Ramiro Souto.Arquivado processo contra Moro por vazamento de conversa de Dilma
Do jornal GGN
Sergio Moro, simbolo da Lava Jato, se livrou de um processo por ter vazado um grampo presidencial envolvendo conversa entre Dilma Rousseff e Lula porque, segundo o juiz da ação, a operação na Petrobras não obedece ao ordenamento comum e o Supremo Tribunal Federal perdoa esse tipo de desvio de conduta quando é para um bem maior.
O pensamento do desembargador federal Rômulo Pizzolatti foi ratificado pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), que manteve, nesta quinta (22), por 13 votos a um, o arquivamento da representação contra Moro interposta por 19 advogados, em abril deste ano.
Moro vazou a conversa entre Lula e Dilma a GloboNews às vésperas da ex-presidente nomear seu antecessor para a chefia do Ministério da Casa Civil. A imprensa tratou o caso como uma escandalosa tentativa de dar foro privilegiado a Lula e livrá-lo das mãos do juiz da Lava Jato. A consequência foi Lula ter sido impedido de assumir a pasta. Ambos foram alvo de pedido de investigação do Ministério Público Federal por obstrução de Justiça.
Em junho, o corregedor-regional da 4.ª Região decidiu arquivar as reclamações contra Moro. Os 19 advogados recorreram, solicitando a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz e seu afastamento cautelar da jurisdição até a conclusão da investigação.
Segundo o pedido, Moro teria cometido “ilegalidades ao deixar de preservar o sigilo das gravações e divulgar comunicações telefônicas de autoridades com privilégio de foro.” Além disso, as interceptações teriam sido feitas sem autorização judicial.
Segundo Pizzolatti, “não há indícios de prática de infração disciplinar por parte de Moro”.
Para ele, a Lava Jato “constitui um caso inédito no Direito brasileiro, com situações que escapam ao regramento genérico destinado aos casos comuns.”
“A publicidade das investigações tem sido o mais eficaz meio de garantir que não seja obstruído um conjunto, inédito na administração da justiça brasileira, de investigações e processos criminais, a Operação Lava-Jato, voltados contra altos agentes públicos e poderes privados até hoje intocados”, avaliou Pizzolatti.
O desembargador ainda disse que o Supremo permite, em “casos excepcionais”, a violação de correspondência, para que a garantia constitucional não constitua instrumento de práticas ilícitas.
“Em tal contexto, não se pode censurar o magistrado, ao adotar medidas preventivas da obstrução das investigações da Operação Lava Jato”, concluiu o desembargador.
Com informações do EstadãoHabitação em Porto Alegre: quase 300 mil vivem em áreas irregulares
Sem título de propriedade, sem serviços básicos, sob ameaça de remoção, eles formam uma sub-cidade à margem da cidadania
São 484 núcleos e vilas irregulares em Porto Alegre , segundo o Mapa da Irregularidade Fundiária, feito pelo Demhab. Totalizam mais de 75 mil domicílios, onde moram quase 300 mil habitantes*.
Esses números indicam que nos últimos 30 anos houve um aumento de 361 vilas e núcleos irregulares em Porto Alegre, o que corresponde a um crescimento de 291%, nos últimos 30 anos, quase 10% ao ano. Essa taxa equivale a cinco vezes mais do que o crescimento total da população, que é menos de 2% ao ano no período.
Uma política excludente, reiterada nas últimas décadas, obrigou a população mais empobrecida a “optar pela irregularidade”. O poder público foi sempre ágil na remoção dos moradores, mas lento e quase sempre precário no reassentamento deles.
Além da situação irregular quanto á propriedade, estima-se que entre 16 a 18 mil famílias (cerca de 70 mil pessoas) moram em áreas de risco, sob ameaça constante de deslizamento de terra, de inundação e outros.
*Os números são de um estudo de 2009, os mais recentes disponíveis no site do Demhab.
Com os recursos atuais, solução só em 64 anos
Quase ausente do noticiário e, por conta disso, quase ausente das campanhas eleitorais, a questão da habitação popular em Porto Alegre é crônica e cresce sem parar.
Não é à toa que se vê tanta gente dormindo na rua e que as notícias de “invasões” pipocam no noticiário de todos os dias.
Em 2016, segundo o Movimento Nacional de Luta pela Moradia, há em Porto Alegre 26 ocupações com processos de reintegração de posse correndo na Justiça. Duas apenas são áreas públicas, as demais são propriedades privadas.
Pesquisas indicam a maioria dos atuais ocupantes são egressos de outras ocupações, de onde foram expulsos mediante a reintegração de posse. Muitos estão em programas de reassentamento que estão paralisados ou nunca saíram do papel.
Na ocupação do terreno da ex-Avipal na Cavalhada, por exemplo, cerca de 80 famílias eram oriundas da vila do Resvalo, um casario que ocupava as encostas de um valão à margem do arroio Cavalhada.
Com as obras do PISA, que canalizou o riacho, aumentou o risco de inundação e eles foram removidos. A liberação do dinheiro rendeu notícia, o reassentamento ficou pela metade.
O PISA cadastrou 1.680 famílias de quatro vilas que seriam removidas.
Pouco mais de 300 foram reassentadas na Vila Nova e na Vila Hípica. Os restantes receberam um insuficiente bônus moradia por seis meses, e muitos seguiram na condição de ocupantes.
O problema das remoções e reassentamentos, que geram sem-teto, tem raízes históricas em Porto Alegre.
Foram manchetes em 1952 as remoções dos casebres do entorno da Doca das Frutas, para fazer o novo Cais. As manchetes eram favoráveis, mas os jornais não deixaram de registrar “atos arbitrários e desumanos”.
Outro evento marcante foi o programa “Remover para Promover” que levou, em fevereiro de 1967, as primeiras famílias da Ilhota, na Cidade Baixa, para a então remota Restinga, na zona rural. Em quatro anos, os recursos deram para transferir 390 famílias. Estavam cadastradas mais de mil.
A maioria dos moradores da Ilhota e de outras seis vilas removidas de áreas urbanizadas (atual Erico Verissimo), que resistiam em ir para um lugar ermo, sem nada, acabaram se dispersando, dando origem a outras ocupações.
Cinco anos depois, em 1972, a Secretaria da Saúde registrava 124 núcleos e vilas irregulares, com quase 20 mil domicílios e quase 100 mil habitantes.
Uma pesquisa de 2005 registrou 486 núcleos ou vilas que tinham 17% dos domicílios de Porto Alegre e abrigavam 21,4% da população “vivendo em situação de habitação irregular”.
Dois anos depois, o Demhab foi incumbido de fazer o Plano Municipal de Habitação de Interesse Social, o PMHIS-POA.
Uma equipe de 30 pessoas de sete órgãos do Estado e do Município, coordenadas por Silvio Carpenedo, montou o Mapa da Irregularidade Fundiária: havia 75 mil domicílios, onda viviam 288 mil pessoas em áreas irregulares, muitas vezes em risco, sempre com total deficiência de serviços.
Segundo o estudo, para resolver minimamente o problema seriam necessários R$ 2,5 bilhões, o que demandaria 64 anos se fosse mantida a média de investimentos em habitação na última década.
O que é irregular
Os estudos da prefeitura falam “núcleos e vilas irregulares” para designar as áreas de ocupação precária, sem propriedade legalizada, sem serviços urbanos, muitas vezes nem água ou luz. A legislação municipal usa o termo “assentamentos autoproduzidos”, utilizado pelos movimentos sociais. Um núcleo pode ter de duas a 50 moradias. Acima disso é genericamente vila.A moralização dos pobres
Marilia Verissimo Veronese
Doutora em Psicologia Social pela PUCRS. Professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da UNISINOS
As classes médias e altas estão sempre prontas a uma cruzada pela moralização dos pobres. Para elas, existe o bom pobre e o mau pobre: o primeiro é humilde, servil, respeitoso com “os de cima”, aceita trabalhar à exaustão por uma remuneração baixíssima, não reclama da sua condição. Está sempre agradecido/a pelo (pouco) que lhe concedem os mais aquinhoados.
Se ganha roupas que saíram do armário de seus patrões (mais para liberar espaço do que para aquecer alguém), fica agradecido e deixa-os com a sensação agradável de serem boa gente, gente caridosa. Toma o elevador de serviço, exclusivamente, e concorda que mobilidade social só através de muito trabalho duro (sem, obviamente, comentar que trabalha duríssimo a vida toda e a mobilidade raramente vem). Se for religioso e atribuir à vontade de deus a desigualdade social, tanto melhor! E se contar como, na favela ou periferia onde reside, alguns de seus vizinhos são preguiçosos e não gostam de serviço pesado, passam o dia a tomar cerveja fiada no boteco e por isso é que não vão pra frente, ganha o prêmio de “pobre ideal”! Ninguém comenta que ele/a trabalha duro pra caramba e também mora ali, não conseguindo se mudar para mais perto do trabalho. E toma ônibus lotado e demorado todo dia.
As mães de filhos de pais diferentes são apontadas como responsáveis pelo abandono dos homens com quem se envolveram, afinal, “não se deram ao respeito”. Se, desesperada e exausta, ela apela para um aborto clandestino na oitava gravidez e morre de hemorragia, dirão: “Bem feito. Assassina”. Poucos falam do homem que a abandonou, e ninguém comenta que a filha ou esposa do patrão também já fizeram aborto, pagando 5.000 reais na clínica chique do doutor rico que sai nas colunas sociais; para essas, afinal, está liberado. E segue a hipocrisia. As classes abastadas são protegidas por vários privilégios, como uso de sofisticados – e caros – recursos jurídicos para evitar a imputabilidade de crimes*. Não por acaso as prisões estão cheias de pobres. Tolamente, acredita o senso comum que pobre comete mais crime. Tsc, tsc, tsc… a ingenuidade beira a idiotice, às vezes.
Enfim, o bom/a boa pobre entra quietinho/a pela porta dos fundos, limpa a privada da madame e não reclama nunca. Faz hora extra sem receber pagamento extra nem adicional noturno, vai no sábado “quebrar um galho” lavando a louça na festa pela qual receberá pouco e… pronto! Medalha no peito pelos serviços prestados à ideologia justificadora da realidade social baseada numa falsa meritocracia – que na verdade é muito mais por herança do que por esforço. E não me refiro somente à herança em bens ou dinheiro, casas e carros; mas também a herança de um capital social/cultural e de um preparo para “vencer na vida” que começa quando se está ainda dentro do útero materno. Desde então, em classes favorecidas socioeconomicamente, já está sendo planejado para o bebê que vai nascer um futuro, uma formação cuidadosa e segurança afetivo-financeira. Isso tudo será transmitido pelo afeto, no cotidiano, antes da idade escolar. O valor atribuído pelo sujeito a si mesmo – ou suas expectativas em relação ao que pode alcançar na vida – são construídos nesse processo, desde muito cedo, interiorizadas nas disposições profundas de cada um/a (o habitus de Pierre Bordieu).
A outros/as, porém, caberá um lugar desqualificado e desprotegido no mundo, na divisão social do ensino formal e do trabalho. Apesar da abissal diferença entre a qualidade das escolas que frequentarão, haverá quem diga que o sucesso escolar só depende do aluno e do esforço pessoal nos estudos. Começando a trabalhar cedo, sem tempo para aprimorar-se e submetido a uma dura rotina, será mesmo que o pobre disputará com o rico, por exemplo, uma vaga na universidade em igualdade de condições? Eu acredito que a resposta é um rotundo NÃO. Ah, mas “cotas” é discriminação, repetirão solenemente, acreditando-se paladinos da justiça e da igualdade de oportunidades.
Existem exceções? Por certo que sim. Existe mesmo quem não queira trabalhar ou esforçar-se, entre os pobres (e entre os ricos!); assim como existem os heróis que conseguem a mobilidade social pelo trabalho duríssimo e muito sacrifício (caminhou 10 km após o trabalho, à noite, para estudar… carregou pedras, chorou sangue e venceu na vida… e outras histórias, narradas sob som de violinos, que trazem lágrimas aos olhos das gentes de boa-fé que não tiveram de passar por isso). Mas a condição de exceção desses heróis – “o marido da prima da minha vizinha era engraxate e agora é empresário bem-sucedido e blábláblá…” – confirma a regra que rege a reprodução das desigualdades materiais e imateriais. E a imensa maioria deverá seguir seu destino de “vida de gado”, servindo aos interesses dos de cima e sendo cordatos, puros, servis e humildes.
Caso não aceitem ocupar esse lugar e mostrem seu descontentamento de várias formas, legais e ilegais, aí se transformarão nos “maus pobres”. São aqueles que não têm um comportamento “certinho” como descrito acima. Bebem, vão a bailes funks, tem comportamento sexual livre (esse último ponto, como desqualificação, vale especialmente para as mulheres, claro). Não aceitam trabalhar arduamente numa atividade que consome a saúde, remunera mal e exige horas em transportes coletivos apinhados de gente. Não admitem humilhações, reagindo a elas; vão à praia em lugares “de gente de bem”, atrapalhando o lazer destas com sua “feiura de pobre” e o potencial “perigo” que representam. Falam alto, fazem “barraco”, não “se enxergam”. Podem até vender droga para os filhos das elites que adoram se chapar ou mesmo fazer arrastão em Ipanema, no Leblon e outros lugares reservados aos bem aquinhoados da sociedade. Pobre bom é pobre que faz fila pra receber sopão, de cabeça baixa, lá na periferia onde “é seu lugar”.
Mas pobre politizado também pode ser um mau pobre. Caso exija direitos básicos – como acesso à terra, trabalho e moradia e se una a movimentos sociais, – é demonizado pela “ousadia” e chamado de “vagabundo” que quer mamar nas tetas do Estado ou de algum empresário ou fazendeiro rico, “direito”. Curioso que estes últimos, ao receberem polpudos incentivos fiscais por parte do Estado, ao terem suas dívidas perdoadas, ao sonegarem impostos necessários à manutenção dos serviços públicos essenciais, não são tidos como sanguessugas de nada. Ao contrário, teriam “direito” por serem “dos grandes” que “chegaram lá”. Alguém já viu panela batendo para a não reconhecida corrupção presente no rentismo, que corrói o orçamento nacional via juros da dívida e vampiriza a riqueza produzida por todos que é concentrada por poucos?* Não. As panelas só batem quando a mídia corporativa fala em corrupção, especialmente de quem tentou minorar ao menos um pouco a desigualdade que castiga o país há cinco séculos. E que seja bem espetacularizada, para lavar a alma do pessoal rico e fino de camisa da CBF, que pode se achar novamente super honesto.
Nos anos 80 foi cunhado o Termo “Belíndia”: poucos vivendo como na Bélgica, muitos vivendo como na Índia. Aliás, isso me lembra uma história, contada alegremente por um sujeito bon-vivant, em casa de parentes, após uma viagem dele ao belo país asiático. Relatava, encantado, que hospedado em casa de amigos, ao chegarem de um passeio as 4 horas da manhã, com fome, os donos da casa acordaram os empregados para fazerem sanduíches. “Eles estão aqui para isso”, justificaram os patrões. O hóspede abastado adorou, achou o máximo da gentileza e hospitalidade!
Eu só teria a dizer pra ele o seguinte: Quer um sanduíche as 4 da manhã, mané? Vai pra cozinha e faz! Trabalhador tem direito a uma noite de sono para descansar da jornada. Escravidão é uma coisa profundamente imoral e indigna, e quem contribui conscientemente com ela, ou com uma situação análoga, idem. Condições degradadas e humilhantes de existência humana têm quase sempre a participação ou aquiescência das “gentes de bem”, por que será?
E não são só os pobres que têm sua avaliação severa feita por essas “pessoas de bem”. Os gays (LGBTs em geral) também são hierarquizados pela sua atitude diante da sociedade. O bom gay é discreto; “fica na dele/a”; não fala da sua orientação sexual, não reivindica igualdade, não deseja trocar carinhos com o parceiro/a em público, não “ofende” os bons costumes pretendendo formar família, adotar crianças que eventualmente héteros abandonaram ou não puderam cuidar. Caso seja militante, ocupe a esfera pública, demande iguais condições de vida e cidadania, lute por direitos civis e dignidade, pelo direito de vivenciar plenamente sua identidade de gênero e orientação sexual, será demonizado, difamado e, em casos extremos, agredido ou até morto. A expectativa de vida entre os travestis é de 35 anos, dá pra acreditar? Enquanto a média da população brasileira gira em torno de 75 anos! Claro que há aí profundas desigualdades territoriais, de classe, sexo, gênero, origem étnico-racial (em Alagoas, por exemplo, é de 66 anos). Mas 35, nem na república dos Sarney ou dos Collor. Afirmam alguns, convictos – embora sem provas – que não há nada disso, que é só mimimi, que há uma ‘ditadura gay’ em curso etc.
A compreensão dos processos históricos que geram as desigualdades, a solidariedade ampliada (não só para “iguais”, familiares e amigos), a aceitação da igualdade na diferença como valor central, a promoção da justiça e de um projeto mais generoso de sociedade, aberto a tod@s, parecem horizontes distantes demais do Brasil atual. O “laboratório” desse país é visto nas mídias e redes sociais e em vários contextos que frequentamos diariamente.
Pesquisando nesse laboratório real e virtual (que também é concreto), concluo que muitas pessoas que se consideram a nata da sociedade ajudam a reproduzir, nos seus modos de vida, injustiças, segregações, elitismos, falsas meritocracias e muito sofrimento humano. A verdade que lhes escapa é que são sacolé de ki-suco se achando sorvete italiano de alta qualidade, para usar uma metáfora que eles provavelmente entenderiam. Porque sutileza e sensibilidade não é mesmo com eles. E agora a pior notícia: os sacolés podem ser qualquer um/a de nós, “bons cidadãos e tementes a deus”.
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Bancários vão se reunir em São Paulo para definir rumos da greve
Para se contrapor ao endurecimento nas negociações com a Federação Nacional do Bancos, o Comando Nacional dos Bancários decidiu se reunir na próxima segunda-feira, em São Paulo. Os dirigentes sindicais vão avaliar as paralisações e mobilizações da que eles consideram a maior greve da história da categoria e definir os próximos passos.
A pauta de reivindicações foi entregue aos bancos no dia 9 de agosto, mas a Fenaban não apresentou proposta que contemple as reivindicações dos bancários. Houve oito rodadas de negociação sem sucesso. Mesmo após recordes diários de agências e locais de trabalho paralisados, os bancários reclamam que os bancos insistem em se manter em silêncio e tentam desestruturar o movimento grevista.
Última proposta
A última proposta da Fenaban foi de reajuste de 7% no piso e verbas salariais (vales e auxílios) e abono de R$ 3.300,00. Os bancários rejeitaram esta proposta na reunião de 12/9. Depois disso, não houve mais nenhuma sinalização de disposição para negociar por parte da Fenbaban.
Em Porto Alegre e região metropolitana, área de abrangência do SindBancários, no 17º dia de greve, 297 agências ficaram fechadas, totalizando, 1.007 no Rio Grande do Sul. Em todo o Brasil, 13.159 agências foram fechadas.
Nessa quinta-feira os bancários da capital gaúcha se integraram à agenda do Dia Nacional de Lutas e Paralisações, chamado pelas Centrais Sindicais. Eles percorreram também diversas agências de bancos, convocando maior adesão ao movimento
Sindjors repudia decisão de juíza de acusar jornalista
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors) expressa sua indignação com a decisão da 9ª Vara Criminal do Foro Central. A juíza titular Cláudia Junqueira Sulzbach acolheu a denúncia contra Matheus Chaparini e outras nove pessoas presentes na ocupação da Secretaria da Fazenda do Estado, no dia 15 de junho.
Desde o início da operação deflagrada pela Brigada Militar para desocupar o prédio da Secretaria da Fazenda, onde se encontravam estudantes secundaristas, o repórter do Jornal Já se identificou e, mesmo assim, foi preso juntamente com os estudantes e com o cinegrafista independente Kevin D’Arc, de São Paulo, que filmava em diversas cidades do país para um documentário sobre as ocupações nas escolas.
Na ocasião, foram detidas 43 pessoas. Os 33 menores de idade foram liberados no Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) e seus inquéritos foram arquivados pela Promotoria da Infância e da Juventude do Ministério Público. Os maiores foram detidos por cerca de 14 horas e, agora, se tornaram réus no processo por dano qualificado e desobediência.
Chaparini estava no local a trabalho, cobrindo a ocupação para o jornal JÁ. Os vídeos gravados pelo repórter mostram que ele se identifica como profissional de imprensa diversas vezes, o que é ignorado pelos policiais. Também o advogado dos estudantes e a conselheira tutelar que acompanhavam a desocupação o identificam como jornalista. E ele já havia entrevistado oficiais do comando militar diversas vezes.
Apesar das manifestações do jornal JÁ, do Sindicato dos Jornalistas, da Associação Riograndense de Imprensa, da Federação Nacional dos Jornalistas e de outras entidades da sociedade civil, que atestaram que o repórter estava no exercício de sua profissão, o boletim de ocorrência feito pela Brigada Militar enquadrou Chaparini como manifestante, o delegado que fez o inquérito manteve esse entendimento, assim como o promotor e, agora, a juíza.
– O que incrimina o repórter Matheus Chaparini são as cenas que ele colheu com o celular, da truculência dos policiais com estudantes, a maioria menores de idade, sentados no chão em protesto pacífico. Os jatos de spray de pimenta no rosto das meninas, como se fossem baratas. Triste democracia essa em que um jornalista é incriminado porque não obedece à ordem de ficar longe dos fatos – manifestou-se Elmar Bones, editor do Jornal Já.
Sindjors acompanha o caso
Desde o dia da prisão de Chaparini, o sindicato tem acompanhado o caso. No Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado de 25 a 27 de agosto, em Goiânia, apresentou a moção de repúdio à prisão e ao indiciamento do jornalista gaúcho, que foi aprovada por unanimidade. O documento manifesta seu repúdio à posição do governador José Ivo Sartori, que, na condição de comandante em chefe da BM, autorizou a ação e não se sensibilizou mesmo após a divulgação dos vídeos que mostram as arbitrariedades cometidas pela polícia, e cobra o arquivamento do caso e um pedido de desculpas formal do governo do Estado.
– O que está acontecendo no Rio Grande do Sul é um ataque à liberdade de expressão e de imprensa. As autoridades seguem negando o erro que cometeram, uma vez que Matheus estava no pleno exercício da função e se identificou. O governador José Ivo Sartori, que é pai de jornalista, deve um pedido de desculpas aos jornalistas gaúchos e brasileiros. Vamos nos manter atentos – comenta o presidente Milton Simas.
Pesquisadora monta mapa da contaminação por agrotóxico no Brasil
Um pessoa morre no Brasil a cada dois dias e meio por doenças diretamente decorrentes do uso de agrotóxicos. A pesquisadora Larissa Mies Bombardi, professora de Geografia Agrária da USP, que montou um mapa da contaminação por agrotóxicos, diz que a realidade é muito mais grave do que ela conseguiu computar.
Isso porque muitas pessoas não chegam a procurar o Sistema Único de Saúde (SUS) e muitos profissionais ignoram os sintomas provocados pelos venenos, que se confundem com doenças corriqueiras. A projeção é de que, se houve registro de 25 mil pessoas atingidas entre 2007 e 2014, o número real pode chegar a 50 vezes mais, o que resulta em 1,25 milhão de casos em sete anos.
Larissa leva em conta os registros do Ministério da Saúde para enfermidades agudas, ou seja, aquelas direta e imediatamente conectadas aos agrotóxicos. As doenças crônicas, aquelas provocadas por anos e anos de exposição aos venenos, entre as quais o câncer e a depressão, ficam de fora dos cálculos. “Esses dados mostram apenas a ponta do iceberg”, diz ela.
Ainda assim, mostram que o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos desde a década passada, quando superou os Estados Unidos. A cada brasileiro cabe uma média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a duas garrafas e meia de refrigerante, ou a 14 latas de cerveja.
Em breve, todo o material reunido por Larissa será público. O livro Geografia sobre o uso de agrotóxicos no Brasil é uma espécie de atlas sobre o tema. Será um desenvolvimento do Pequeno Ensaio Cartográfico Sobre o Uso de Agrotóxicos no Brasil, já lançado este ano, com dados atualizados e mais detalhados. No período abrangido pela pesquisa, 2007-2014, foram 1.186 mortes diretamente relacionadas aos venenos. Ou uma a cada dois dias e meio.
“Isso é inaceitável. Num pacto de civilidade, que já era hora de termos, como a gente fala com tanta tranquilidade em avanço de agronegócio, de permitir pulverização aérea, se é diante desse quadro que a gente está vivendo?”, indagou a professora no programa De Olho nos Ruralistas.
O papel do agronegócio
Larissa fala de agronegócio porque é exatamente esse modelo o principal responsável pelas pulverizações. Os mapas mostram que a concentração dos casos de intoxicação coincide com as regiões onde estão as principais culturas do agronegócio no Brasil, como a soja, o milho e a cana de açúcar no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. No Nordeste, por exemplo, a fruticultura. A divisão por Unidades da Federação e até por municípios comprovam com exatidão essa conexão.
A pesquisadora compara a relação dos brasileiros com agrotóxicos à maneira como os moradores dos Estados Unidos lidam com as armas: aceitamos correr um risco enorme. Quando se olha para um dos mapas, salta à vista a proporção entre suicídio e agrotóxicos. Em parte, explica Larissa, isso se deve ao fato de que estes casos são inescapavelmente registrados pelos órgãos públicos, ao passo que outros tipos de ocorrências escapam com mais facilidade. Mas, ainda assim, não é possível desconsiderar a maneira como distúrbios neurológicos são criados pelo uso intensivo dos chamados “defensivos agrícolas”, termo que a indústria utiliza para tentar atenuar os efeitos negativos das substâncias.
Soja, milho e cana, nesta ordem, comandam as aplicações.
Uma relação exposta no mapa, que mostra um grande cinturão de intoxicações no centro-sul do país. São Paulo e Paraná aparecem em destaque em qualquer dos mapas, mas a professora adverte que não se pode desconsiderar a subnotificação no Mato Grosso, celeiro do agronegócio no século 21.
O veneno está na cidade
A entrevista da pesquisadora ao programa De Olho nos Ruralistas foi numa gravação para o piloto de um programa de TV pela internet. Na mesma época, a Rede Globo destinou um de seus espaços mais nobres, o intervalo do Jornal Nacional, a uma campanha em favor do “agro”.
No mesmo dia da entrevista, 27 de junho, o Diário Oficial da União trouxe a sanção, pelo presidente provisório, Michel Temer, da Lei 13.301. Em meio a uma série de iniciativas de combate à dengue e à zika, a legislação traz a autorização para que se realize pulverização aérea de venenos em cidades, sob o pretexto de combate ao mosquito Aedes aegypti. A medida recebeu parecer contrário do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, posição que foi ignorada por Temer.
Larissa considera que a medida representa um grande retrocesso e demonstra preocupação pelo fato de a realidade exposta em seus mapas ser elevada a potências ainda desconhecidas quando se transfere um problema rural para as cidades. “O agrotóxico se dispersa pelo ar, vai contaminar o solo, vai contaminar a água. O agrotóxico não desaparece. Ao contrário, ele permanece”.
(Com João Peres/ Do De Olho nos Ruralistas/ via Carta Campinas)
Moro pede desculpas e libera Mantega depois da reação da opinião pública
Até mesmo apoiadores de Michel Temer reagiram contra a prisão do ex ministro Guido Mantega na manhã de hoje, no Hospital Albert Einstein, onde ele acompanhava a esposa com câncer e foi detido pela Lava Jato.
Ao voltar atrás e liberar Mantega, por volta das 14 hs, o juiz Sérgio Moro desculpou-se dizendo que não sabia que Mantega estava no hospital acompanhando a mulher, que se encaminhava para uma cirurgia.
O juiz Sérgio Moro não disse o que imaginou que o ex-ministro estaria fazendo num hospital, ao não encontrá-lo em casa, às 6 horas da manhã.
Senadores petistas ouvidos pela Agência Brasil após a revogação da prisão consideram que a revogação da prisão temporária do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pelo juiz federal Sérgio Moro no início da tarde mostra que a detenção foi “arbitrária”.
