Autor: da Redação

  • Defensoria Pública quer saber o que os gaúchos pensam dela

    A Defensoria Pública contratou uma pesquisa de opinião para saber o que os gaúchos pensam da instituição. Os pesquisados percorrerão 40 cidades.
    A iniciativa faz parte do Projeto de Modernização Institucional (PMI), que tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além da percepção da população sobre a instituição, a pesquisa levantará dados que auxiliarão na melhor divulgação da Defensoria Pública, ampliando o acesso à Justiça.
    A pesquisa está sendo feita em visitas a residências e prevê ouvir dois mil entrevistados que responderão a 41 perguntas sobre seu perfil, sobre a Defensoria Pública e sobre como buscam informações.
    Os entrevistadores estão identificados com crachá e colete da Promáxima, empresa contratada para fazer a pesquisa, e vão portar uma carta de referência do Defensor Público-Geral do Estado. Para confirmação dos dados do entrevistador, a Defensoria Pública disponibilizou as linhas de telefone (51) 3210.9440 (horário comercial) e (51) 8494.2557 (plantão).
    Para a realização da pesquisa, o Estado foi dividido em sete mesorregiões, conforme estratificação do IBGE: Metropolitana, Nordeste, Noroeste, Sudeste, Sudoeste, Centro Ocidental e Centro Oriental.
    De acordo com o coordenador técnico da Promáxima, Raffael Escarpini, o nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro de 2,09%. De acordo com o cronograma dos trabalhos, os resultados da pesquisa serão divulgados ainda em 2016.
    Os principais objetivos da pesquisa são conhecer a opinião dos gaúchos, em especial dos que se encontram em situação de necessidade ou vulnerabilidade, sobre o papel da Defensoria Pública do Estado como instituição essencial e como instrumento de acesso à justiça e à cidadania; identificar oportunidades de aperfeiçoamento dos serviços prestados pela instituição, mediante a avaliação dos resultados da pesquisa; e possibilitar o melhor direcionamento da divulgação das ações da Defensoria nos canais de comunicação mais utilizados pelo público-alvo da instituição.
    Roteiro passará pelas cidades listadas abaixo:
    1. Alvorada
    2. Bagé
    3. Bento Gonçalves
    4. Cachoeira do Sul
    5. Canguçu
    6. Canoas
    7. Carazinho
    8. Caxias do Sul
    9. Cruz Alta
    10. Erechim
    11. Farroupilha
    12. Gravataí
    13. Ibirubá
    14. Ijuí
    15. Jaguarão
    16. Lajeado
    17. Marau
    18. Nova Prata
    19. Novo Hamburgo
    20. São Leopoldo
    21. Palmeira das Missões
    22. Passo Fundo
    23. Pelotas
    24. Porto Alegre
    25. Rio Grande
    26. Santa Cruz do Sul
    27. Santa Maria
    28. Santa Rosa
    29. Santana do Livramento
    30. Santiago
    31. Santo Ângelo
    32. São Borja
    33. São Gabriel
    34. São Lourenço do Sul
    35. Sapucaia do Sul
    36. Teutônia
    37. Tupaciretã
    38. Uruguaiana
    39. Vacaria
    40. Viamão
  • Os tubarões estão de volta

    Marino Boeira – Jornalista, publicitário e professor universitário
    No passado, as pessoas chamavam de tubarões, os comerciantes que roubavam no peso, colocavam água no leite e “esqueciam” de lançar alguns ganhos em seus livros-caixa. Eram tubarões pouco agressivos, se analisados pelos critérios atuais.
    Hoje, eles não são chamados mais de tubarões. São grandes empresários, que dispõe de equipes de advogados e economistas para encontrar brechas nas leis que lhes permitam pagar menos impostos e investir mais nas bolsas do mundo inteiro.
    Patrocinam programas de aperfeiçoamento nas empresas, criam fundações com seus nomes para descarregar impostos que não querem pagar, são considerados benfeitores nas suas cidades, mas – muito além dos antigos comerciantes – são grandes tubarões, predadores do dinheiro público.
    Como têm grande influência nos meios de comunicação, no parlamento e até no judiciário, em vez de condenados, são muitas vezes condecorados e transformados em exemplos de bons cidadãos.
    Embora se conheçam os nomes de muitos deles, apontá-los é sempre um risco porque em torno deles existe uma grande rede de proteção e para defendê-los está sempre a postos um exército bem pago de advogados, publicitários e jornalistas.
    Quando morrem, depois de uma longa e bem gozada vida, diferente em benesses do que a da maioria das pessoas comuns, viram nomes de rua e até de escolas e se transformam em exemplos para as próximas gerações.
    Mas, como grandes predadores, eles acabam sempre deixando rastros que se tornam visíveis para quem estiver interessado em descobrir.
    Segundo o Sindicato dos Técnicos Tributários da Receita estadual, que investiga estes rastros, a sonegação do ICMS no Estado já chegou a 4 bilhões e meio de reais apenas nos oito primeiros meses do ano.
    Para que a população possa acompanhar como está sendo lesada, um painel chamado “sonegômetro” foi instalado no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, com a computação do dinheiro que o Estado deixa de arrecadar e que poderia ser usado para aumentar a segurança nas ruas e pagar melhor os professores.
    No Brasil, segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda, a sonegação já chegou a este ano a 340 bilhões de reais e a tendência é que chega 500 bilhões até o fim do ano.
    E quem sonega são sempre os grandes empresários e não mais aquele dono boteco do bairro.
    Os alienados que saem as ruas, batendo panelas e protestando contra a corrupção de alguns poucos, esquecem de conferir os números que poderiam orientar melhor sua indignação.
    Um deles, de uma fonte insuspeita, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP, diz que o custo médio da corrupção no Brasil, em valores de 2013, foi de 67 bilhões de reais.
    É só comparar e ver quem faz mais mal ao Brasil.
    Corrupção: 67 bilhões de reais
    Sonegação: 500 bilhões de reais
    Enquanto isso, Temer e seu Ministro da Fazenda pretendem fechar as contas da União arrochando salários e aumentando a idade das aposentadorias.
    Faz sentido, já que um dos objetivos do golpe que levou Temer ao Palácio do Planalto é impedir de vez qualquer ideia que ponha em risco os ganhos dos nossos grandes tubarões.

  • Cais Mauá: MP pede que Justiça suspenda "qualquer intervenção"

    O Ministério Público de Contas voltou a cobrar esclarecimentos sobre o negócio envolvendo o Cais Mauá. Desta vez, pede ao Tribunal de Contas que suspenda, por medida cautelar, a autorização para qualquer intervenção na área, uma vez que o caso torna-se a cada dia mais nebuloso e os esclarecimentos pedidos há mais de um ano não foram dados.
    O MPC já se manifestou a respeito em julho e dezembro de 2014 e novamente em julho do ano passado, quando apontou diversas questões pendentes e defendeu que “a autoridade competente promovesse a integral apuração das ocorrências contratuais e adotasse as medidas correspondentes”.
    Agora, a promoção 166/2016, divulgada quarta-feira (14), destaca que a determinação do conselheiro-relator para que fossem adotadas as providências recomendadas em 2015 foi respondida com o mero envio do relatório do Grupo de Trabalho criado sob coordenação da Secretaria Estadual dos Transportes e Mobilidade.
    “Todavia, referido grupo não tem caráter executivo ou deliberativo, constituindo-se, tão somente, em instrumento de apoio às decisões da Superintendência de Portos e Hidrovias – SPH, sendo que não se tem notícia nos autos de quaisquer providências posteriores.”
    Mais de cinco anos depois da assinatura do contrato, “permanecem sem resolução questões com significativo potencial para comprometer a viabilidade do empreendimento”.
    “Até o presente momento, não há comprovação de que tenham sido aportados ou garantidos recursos suficientes para a execução das obras, seja por financiamento, seja por qualquer outra forma”, o que é exigido no contrato. O conselheiro relator Alexandre Postal nota que é “duvidosa a capacidade financeira da arrendatária em executar o projeto”.
    A Prefeitura também está em falta. O projeto está inserido em Área de Interesse Cultural – AIC, segundo consta do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre – PDDUA. A Prefeitura deveria ter encaminha à Câmara Municipal, em 2013, o regime urbanístico atualmente aplicável à área, o que ainda não aconteceu.
    Além disso, se aprovado o projeto de lei que tramita na Câmara para tombamento do Armazém 7 do cais, situado na área prevista para a construção do centro comercial, alterará necessariamente os planos do empreendimento.
    Na condição de arrendante, compete à SPH apurar as “ocorrências contratuais”, e adotar as respectivas medidas administrativas necessárias para a regularização.
    Em 17/07/2015 o MPC já alertava: “em que pesem os consistentes elementos indicativos de enquadramento que poderiam resultar na rescisão do contrato firmado, pronuncia-se a necessidade de, em nome dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade – antes de se cogitar da adoção da medida extrema de fixação de prazo para a adoção de medidas voltadas à rescisão contratual –, o Tribunal oportunizar ao Gestor que providencie a verificação e os ajustes necessários quanto ao adimplemento contratual, mantendo-se o acompanhamento quanto aos desdobramentos”.
    Se a situação não mudar, “há de se cogitar de retomar a alternativa manifestada pelas Áreas Técnicas, de rescisão contratual“.
     
     
     
     
     
     

  • Lula na mira do Ministério Público

     
    A prisão do ex-presidente Lula com base nas acusações do Ministério Público do Paraná é muito improvável: o acusado não tem contas no exterior nem está envolvido nos negócios explícitos que levam empreiteiros, lobistas e tesoureiros para trás das grades.
    Até essa ação drástica, a Justiça ainda terá de juntar provas muito bem provadas, e não apenas convicções de detetives ensandecidos. Além disso, o motivo das preventivas (ou temporárias, como hoje se chamam) é a possibilidade concreta de fuga.
    Dizer que Lula pode se exilar num país amigo é muito pouco. Seria necessário demonstrar que ele teria meios de se esconder fora do País. Daí o agravante das contas em bancos estrangeiros. Isto ele não tem. Portanto, por enquanto é só fumaça.
    O que parece concreto é a implosão do sistema de presidencialismo de coalizão. Já tem gente dizendo que está na hora de invocar o espírito do falecido deputado Raul Pilla para trazer de volta sua emenda parlamentarista.
    Há uma hipocrisia circulante, fazer democracia de massa sem dinheiro. A tal lei moralizadora em vigor, proibindo o financiamento de campanha por pessoas jurídicas, já está causando horror em certos círculos moralistas: na periferia das megacidades estão aparecendo denúncias de fundos de campanha nutridos por fontes do crime organizado.
    A escolha de Sofia: empreiteiras corruptas ou criminosos profissionais? Assim é a política eleitoral. Por isto as propostas de votos distritais, eleições por listas e outros sistemas que vigoram com grande êxito nos países avançados estão ganhando corpo.
    Em resumo: o ataque a Lula desencadeia uma avalancha que pode levar consigo todo o sistema em vigor. E só o que seus adversários queriam era evitar sua candidatura em 2018, criando um empecilho ao registro de sua candidatura.
    Parecer ser este o objetivo dos templários de Curitiba: inviabilizar na justiça uma candidatura que, eleitoralmente, seria muito forte, talvez imbatível.
    Assim como acreditavam que o impeachment de Dilma repetiria o passeio que foi o impeachment de Collor, pensavam que botar Lula ao alcance da ficha limpa sairia tão barato quanto barrar prefeitos e candidatos suspeitos do baixo clero.
     

  • Crise nas finanças do Estado: 2017 pode ser pior

     
    O governador Ivo Sartori não alcançou o principal objetivo de sua viagem a Brasília esta semana: a indenização do Estado por obras em estradas federais, anunciada antes da viagem e, depois, esquecida.
    É uma pendência de quase 30 anos, que remonta ao  mandato de Pedro Simon, o primeiro do PMDB nesta série, que parece interminável, de governos que sucumbem ao déficit crônico.
    Pelos cálculos da Fazenda estadual a dívida chega aos R$ 2 bilhões, mas com a metade disso o governo gaúcho se daria por satisfeito.
    Sartori esteve com quem pode resolver, o todo poderoso chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro dos Transportes. Ao que tudo indica, a investida foi frustrada.
    Em consequência acendeu-se a luz vermelha no caixa do Tesouro e em alguns gabinetes ganhou força a ideia de aprovar uma mudança na lei, estendendo para o dia 15 do mês seguinte a data limite para pagamento dos salários de cada mês.
    Com isso o governo ganharia uma margem que permitiria até um mês de atraso no pagamento ao funcionalismo.
    É mais uma gambiarra para fazer frente a uma situação financeira que, longe de melhorar, se agrava clamorosamente.
    O comportamento da receita, apesar das boas safras, está a indicar que o tarifaço, em vigor desde o início do ano, está produzindo o seu efeito mais perverso que é aprofundar a recessão,  com  a consequente queda na arrecadação de impostos.
    Isso num momento em que as possibilidades de receitas extraordinárias se esgotam  – a última delas foi a venda da folha de pagamentos para o Banrisul – ao mesmo tempo em que as primeiras previsões para o ano que vem indicam condições climáticas adversas para a safra de grãos, que ainda é o principal motor da economia regional. (EB)
     

  • Há 120 anos, Porto Alegre votou pela primeira vez

    O voto não era secreto. Poucos foram às urnas para eleger o carioca José Montaury, que seria sete vezes reeleito.
    A cidade ainda curava as feridas de 31 meses de guerra civil, a mais sangrenta que o Rio Grande do Sul viveu, com um saldo de dez mil mortos*.
    Porto Alegre ficou distante das maiores barbaridade – as degolas em massa, por exemplo – mas registrou assassinatos e tiroteios no centro da cidade.
    A paz era recente, a manifestação política ainda era inibida, havia muitos líderes exilados. Fora isso, o voto não era obrigatório. A oposição não apresentou candidato e fez campanha pela abstenção. Por isso pouca gente compareceu às urnas naquele setembro de 1896.
    Era a primeira eleição direta para prefeito da história da cidade.
    As regras eram bem diferentes das atuais. Em primeiro lugar, mulher não votava e não era votada. O voto feminino só entrou nas urnas brasileiras trinta e oito anos depois, na Constituição de 1934.
    Em segundo lugar, o voto não era secreto, era “a descoberto”. Toda cidade ficava sabendo quem votou em quem.
    Em terceiro lugar, quem alistava os eleitores, decidia quem estava habilitado a votar e coordenava o processo eleitoral eram funcionários do governo, fato sempre denunciado ela oposição.
    Ao todo estavam qualificados para votar 5.746 eleitores, distribuidos em 23 mesas de 10 seções eleitorais. Menos de 10% dos habitantes da capital.
    Menos de 10% da população tinha direito a voto
    Com 64 mil habitantes, Porto Alegre não tinha mais do que 5.746 eleitores aptos a votar naquela primeira eleição para prefeito, em 1896. Ou seja: o total dos que podiam votar não alcançava dez por cento da população. E mais da metade destes não exerceram o recém conquistado direito de voto.
    Candidato único, pelo Partido Republicano, José Montaury foi eleito com 2.393 votos, o que significa que apenas 42% dos eleitores qualificados compareceram às urnas.
    Os nove conselheiros (atuais vereadores) eleitos eram todos, como Montaury, do Partido Republicano Riograndense, que dominava o governo do Estado, sob o pulso de Julio de Castilhos.
     

    Carioca, de 38 anos, o primeiro prefeito
    No dia 1 de outubro de 1896, a foto de Montaury na capa do Correio do Povo causou sensação em todo o Estado. Mostrava o primeiro eleito da capital, mas era a primeira vez que um jornal local estampava uma foto. O jornal completava um ano de vida e comemorava com a inovação de um “retrato” na capa.
    José Montaury
    José Montaury

    A matéria dizia: “José Montaury de Aguiar Leitão é natural do Rio de Janeiro, solteiro, tem 38 anosa, é engenheiro. Reside há anos aqui, desde quando veio como diretor da Comissão de Terras e Colonização. Eficiente, digno de confiança dos governos da Monarquia e da República… alheio às lutas da política partidária…”
    De  fato, Montaury mostrou ser tudo isso. Principalmente, honesto, pois governou por 27 anos e morreu, em 28 de setembro de 1939, “pobre e modestamente”, segundo registrou Walter Spalding,  em sua Pequena História de Porto Alegre. Quando deixou a prefeitura levou consigo somente seus vencimentos do último mês: 400 mil réis.
    Na segunda eleição de Montaury, em 1900, também sem adversário, ele fez 3.900 votos. Só na quarta eleição consecutiva, Montaury enfrentou um adversário, o engenheiro Antão de Faria. As críticas dos opositores centravam-se no falto de ele ser “carioca e solteiro sem sequer ter residência fixa aqui em Porto Alegre”. Não adiantou,  ele teve 5.106 votos contra apenas 392 dados a Faria.
    Na  quinta eleição também não teve adversário, mas na sexta aparece novo opositor, Antonio Moraes Fernandes. Seu curto e incisivo programa de ação era: “Acabar com a tirania borgista através de uma revolução”.
    Fez apenas 622 votos. Montaury fez mais de 6.000. A revolução que seu adversário pregava chegaria sete anos depois (1923) e decretaria o fim da ditadura republicana, mas ainda deu tempo para um sétimo mandato de José Montaury.

     
    Ninguém saía de casa sem chapéu
    O  28 de setembro de 1896 foi “uma segunda feira sem sol”. A votação começou as 9 da manhã. Alguns eleitores se dirigiram às mesas a bordo dos maxambombas, os bondes puxados a burro. Muitos foram a pé, outros em carroças, charretes ou tílburis, os taxis da época, puxados a cavalo (o primeiro carro só apareceria na cidade dez anos mais tarde).
    Damas bem vestidas, com suas sombrinhas e longos vestidos, apenas desfilavam ao lado dos homens que iam votar. Estes sempre com algo em comum: o chapéu. Ninguém saía de casa sem chapéu, muito menos para votar.
    foto-136fApesar de hostilidades verbais, no dia da votação não houve registro de incidentes e os eleitores compareceram calmamente às eleições.
    À noite, quando as redações dos jornais preparavam o noticiário sobre a votação, às 22 horas , irrompeu um grande incêndio na cidade: três armazéns queimaram totalmente na rua Sete de Setembro. No dia seguinte, os primeiros resultados parciais, saíram na imprensa com o mesmo destaque dado ao incêndio.
    Estupro, suicídio, maus tratos a animais, falta dágua: o cotidiano nos jornais
    Embora fosse uma mudança histórica – a primeira vez que os cidadãos iam eleger seu prefeito – os jornais da época deram pouco destaque ao pleito municipal.
    Uma semana antes da votação, a grande polêmica era um “grave incidente” ocorrido na igreja das Dores: o defloramento da menor Clementina pelo vigário Bartholomeu”, noticiada pelo Correio do Povo.

    Um dos jornais da época
    Um dos jornais da época

    No mais, as notícias eram corriqueiras:  a  moradora da Azenha que tenta se matar ingerindo “cabeças de phosphoros de pau”; reclamações contra “imperícia ou malvadez” dos cocheiros das linhas de bondes puxados a burro; multa para a contratante da iluminação a querosene “por terem sido encontrados apagados três lampeãoes na praça Menino Deus…”
    Os críticos falavam em “cidade aldeia”, tamanha era a carência dos básicos serviços de infraestrutura em Porto Alegre nessa época.
    Em todas as publicações, muito destaque para as chegadas e partidas dos vapores no porto, com lista de passageiros e tudo. Afinal, a vida econômica da cidade dependia do porto.
    Manchete também para a falta de água no Moinhos de Vento  e avenida Independência. Água que não era tratada. Apenas coletada no canal central do Guaiba e decantada.
     
     

  • Clio Beleza participa da Fenac Sul Beleza 2016

    A estética Clio Beleza tem presença confirmada na Fenac Sul Beleza 2016. A feira de de beleza acontece de 6 a 8 de novembro, no centro de eventos da Fenac, em Novo Hamburgo. A educadora física Clio Sthal, proprietária da Clio Beleza, participa nos três dias de evento. No primeiro dia às 19h30, no segundo às 14h e no encerramento às 19h30.
    personalangelsClio apresenta o projeto Personal Angels, que reúne exercícios físicos, massagem e ginástica facial. A apresentação contará com palestra, música, teatro e demonstração de técnicas.
    A Sul Beleza é uma feira de negócios, que reúne dezenas de profissionais e empresas de áreas como beleza, higiene pessoal, perfumaria, cosméticos, estética.
    jabf-setembro2016_06_2

  • Fernandes Vieira: O shopping é a rua

    jabf-setembro2016_06Os comércios de rua são antigos, existem desde muito antes de alguém ter a ideia de colocar um monte de lojas e cinemas e estabelecimentos de alimentação todos em um mesmo lugar, climatizado, onde não se ve a luz do dia, criando os famosos shoppings centers. Os shopping tiveram sua fase de esplendor, mas já dão sinais de declínio. Isto no mundo inteiro. E em Porto Alegre não poderia ser diferente.
    Na capital que concentra a maior quantidade de shoppings por habitante, o comércio de calçada começa a retomar um glamour que lhe foi tomado temporariamente pelos centros comerciais.
    No Bom Fim, as lojas de rua sempre foram a tônica do comércio. O bairro nunca teve um shopping. “Acho que o público aqui do bairro não quer um shopping não. As pessoas estão buscando as lojas de rua”, comenta Priscila Zanetti, proprietária da Oi Gracia.
    Há cerca de dois anos, Priscila se mudou com sua loja da Cidade Baixa para o Bom Fim. Um dos fatores que pesou na escolha do novo local foi a tradição do comércio de calçada. Ela conta que chegou a ser procurada por um grande centro comercial para migrar sua loja, mas preferiu ficar na rua.
    A Fernandes Vieira tem um comércio diversificado, é um shopping na rua, com vista para o parque. As esquinas com a Osvaldo, Henrique Dias e Vasco da Gama concentram a maior parte dos estabelecimentos, encontra-se de tudo: pet shop, loja de roupa, para homens e mulheres, comida de vários tipos, bares, bolaria, supermercado, loja de colchões, uma tradicional casa de produtos judaicos, dentre outros.
    Um dos mais tradicionais é a delicatessem Le Chain, especializada em produtos judaicos, que funciona há 23 anos. A mais nova habitante da rua é a Lux, loja especializada em vestidos, com produção própria, que foi inaugurada no dia 11 de agosto.
    Outra característica destes estabelecimentos é a possibilidade de integração com o espaço público. A Fome de Bolo, por exemplo, utiliza bancos em parte da calçada e também para estacionar a bicicleta de entregas. A bolaria está em ampliação, assumindo a loja do lado, onde funcionava a Pano Pop, que passou a ocupar outra loja próxima juntamente com a Beatnik.
    Na entrada da loja Minimim, a criatividade chama atenção de quem passa. Ao lado da porta, há uma cabana montada, o caminho que leva da rua à porta do estabelecimento é um jogo de amarelinha e os bancos são troncos de árvores com almofadas que simulam cogumelos estilo desenho animado. O ambiente é convidativo para o público alvo: as crianças.
    Com suas calçadas arborizadas, comércio diversificado e boa localização, desembocando no parque, a Fernandes Vieira é uma rua agradável e convidativa para quem mora, trabalha, vai às compras e mesmo para quem está só de passagem.
    Vestidos estampados
    Há dois anos a Oi Gracia se mudou da Joaquim Nabuco, na Cidade Baixa, para a Fernandes. O movimento da rua foi um dos atrativos, o resultado foi satisfatório. A loja trabalha com vestidos estampados de tamanho único. Além dos modelos disponíveis na loja, a cliente pode misturar modelos e encomendar uma peça exclusiva.

    Priscila Zanetti e Laura Miolo, proprietárias da Oi Gracia
    Priscila Zanetti e Laura Miolo, proprietárias da Oi Gracia

     
    Aniversário e ampliação
    Em agosto, a Fome de Bolo completou um ano, celebrado com evento na calçada em frente à loja, no dia 12. Além da festa, a data marca a ampliação da loja, que dobrou o espaço físico e a equipe. Além da venda no balcão dos bolos de 400 e 800g, a loja já fornece também para cafés, como o Cantante, na Fernandes, e o Josephynas, na João Telles.
    Daniela Pessuti, da Fome de Bolo
    Daniela Pessuti, da Fome de Bolo

    Três pernambucanos insurgentes no Bom Fim
    A rua foi criada em 1896, pelo então intendente Dr. João Luiz de Faria Santos, segundo o livro Guia Hisótirco de Porto Alegre, do historiador Sérgio da Costa Franco. Através do Ato nº7, de 10 de abril daquele ano, Faria Santos nomeou três novas ruas na região do Bom Fim: Fernandes Vieira, Felipe Camarão e Henrique Dias; um português, um índio potiguar e um africano, escravo liberto. Os três foram combatentes da Insurreição Pernambucana, na metade do século XVII, que culminou com a expulsão dos holandeses, que ocupavam algumas regiões do Nordeste brasileiro, principalmente Recife e Olinda.
    João Fernandes Vieira
    João Fernandes Vieira

    João Fernandes Vieira foi um português de origem controversa, nascido na Ilha da Madeira, em 1610. É provável que tenha nascido Francisco de Ornelas e mudado de nome posteriormente. Migrou para Pernambuco aos dez anos de idade, onde trabalhou como assalariado, obteve prestígio, fez fortuna em poucos anos e tornou-se um homem importante da sociedade pernambucana. Combateu como voluntário, defendendo os portugueses na invasão holandesa, em 1630. Depois passou a manter boas relações com o Governo Holandês, de quem foi homem de confiança. Gozava da consideração dos dois lados.
    Quando a insatisfação dos senhores de engenho de Pernambuco em relação ao governo holandês se intensificou, especialmente após a partida de Maurício de Nassau para a Holanda, em 1644, se afastou dos holandeses e tornou-se um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana. Ocupou também diversos cargos públicos.
    João Fernandes Vieira morreu no dia 10 de janeiro de 1681, em Olinda. Em 2012, ele e outros combatentes da Insurreição tiveram seus nomes escritos no Livro dos Heróis da Pátria.
  • Fechado por vandalismo, banheiro do parque reabre após reparos

    Na madrugada desta quarta-feira, 31, um dos banheiros da Redenção foi atacado por vândalos. O banheiro ficou interditado por um dia e a reabriu após reparos nas instalações e substituição de equipamentos roubados.
    O que chamou a atenção da nossa reportagem ao verificar a situação do banheiro foi o cuidado da Luciane Carvalho, terceirizada da Cootravipa, responsável por cuidar do sanitário. Além de bem limpo, o banheiro havia sido enfeitado com flores por Luciane.

  • Julinho é tombado pelo Patrimônio Histórico da cidade

    O prédio do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, uma das principais construções modernistas da cidade, foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Município. O tombamento faz parte das comemorações do centenário de nascimento do arquiteto e urbanista Demétrio Ribeiro, autor do projeto. A cerimônia foi realizada na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, do qual Ribeiro foi presidente.
    O projeto de tombamento foi elaborado pela Coordenação da Memória Cultural, da Secretaria Municipal da Cultura (SMC). Trata-se da segunda construção em estilo modernista tombada na Capital, depois do Hipódromo do Cristal.
    Fundado em março de 1900 por João José Pereira Parobé, até o final dos anos 80, o Julinho era conhecido como “Escola Padrão”. Em 1908, foi renomeado para homenagear o político gaúcho Júlio de Castilhos.
    Após perder a sede anterior em um incêndio, em 1958 o colégio passou a ocupar o prédio projetado por Demétrio Ribeiro e pela arquiteta Enilda Ribeiro.