Autor: da Redação

  • Brasileiros agradecem: música e memória do exílio no Chile

    Música e cultura chilena para lembrar um pouco da história política latino-americana. “Brasileiros Agradecem o Chile” é um evento anual que começou e Porto Alegre em 2012. Neste sábado (10), a quinta edição será de novo na cidade, no Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, a partir das 15 horas.
    Após o golpe de 1964, a perseguição política, que quase sempre trazia risco de vida, levou cerca de seis mil brasileiros a se exilarem no Chile. Depois do golpe militar de Pinochet, em 1973, o destino deixou de ser seguro, e os que já viviam lá viveram uma reprise do pesadelo.
    Para conhecer um pouco mais desta história, clique para ver o vídeo.
     
     

  • Sem teto e sem voto, os esquecidos na campanha eleitoral

    MATHEUS CHAPARINI
    As questões de habitação da cidade passam também pela parcela da população que não tem onde morar ou que, por algum motivo psicológico, financeiro ou familiar, optam por ter a rua como casa.
    Nas grandes cidades brasileiras, há um morador de rua  para cada mil habitantes.
    Em Porto Alegre não é diferente: para uma população de 1,4 milhão,  havia 1.347 adultos em situação de rua, segundo o último censo sobre esta população realizado em 2011.
    Trata-se de uma parcela da população pouco lembrada durante as campanhas eleitorais e pouco representativa enquanto eleitorado.
    O voto dos 1.347 adultos que moram na rua não seria suficiente para eleger um vereador na eleição de 2012, quando o candidato eleito com menor votação recebeu 3.311 votos.
    Além disso, o censo de 2011 revelou que apenas 42,7% da população em situação de rua possuía título eleitoral.
    Uma nova pesquisa está em andamento desde janeiro e deve ter seus resultados divulgados entre novembro e dezembro. A pesquisa foi contratada pela FASC e será realizada pela UFRGS.
    Segundo o censo ampliado de 2011, 81,7% desta população é composta por homens.
    Os nascidos em Porto Alegre eram 46,9% do entrevistados.
    Quase metade dos entrevistados, 49,6%, declarou ter dependência química em álcool ou outras drogas e cerca de um terço, ou 33,1%, afirmaram possuir algum tipo de doença mental.
    A comparação com os números coletados em 2007 mostra um envelhecimento desta parcela da população. Os maiores de 60 anos passaram de 3,2% para 7,5% em 2011, um aumento de 39 para 101 pessoas.
    O nível de escolaridade da grande maioria é baixo, 50,5% dos entrevistados possuíam ensino fundamental incompleto.

    Ivaldo Gehlen
    Ivaldo Gehlen, coordenador da pesquisa em andamento na Ufrgs

    Entretanto, o professor Ivaldo Gehlen, do Departamento de Sociologia da UFRGS, salienta que a escolaridade é comparável à da camada mais pobre da população de Porto Alegre.
    “Se pegar os 50% mais pobres, o nível de escolaridade da população de rua é igual ou maior.
    Mesmo o grau de alfabetização (82,3%) é semelhante”, afirma Ivaldo, coordenador da pesquisa em andamento.O professor cita ainda que 12 dos entrevistados afirmaram possuir nível superior completo e que, entre os 62 que não souberam ou não quiseram responder, havia outros que se sabia ter nível superior.
    Uma população que se move
    Para o coordenador nacional do Movimento da População de Rua, os dados disponíveis estão defasados e o levantamento deste ano vai mostrar um crescimento na população em situação de rua. Richard Campos acredita que o número atual esteja entre três e cinco mil.
    Em 2014, aumentou o número de pessoas dormindo nas ruas do centro, resultado de remoções para dar lugar às "obras da Copa"
    Em 2014, aumentou o número de pessoas dormindo nas ruas do centro, resultado de remoções para dar lugar às “obras da Copa”

    “Nós temos convicção de que este aumento é fruto principalmente das remoções que tem acontecido na cidade, das comunidades que moravam e se sustentavam no centro, como a Chocolatão e a Vila Liberdade”, afirma.
    Os números da FASC também apontam para um aumento nesta população. Segundo o presidente da Fundação, Marcelo Soares, 1.685 pessoas se autodeclarara em situação de rua, no Cadastramento Único, realizado pela Prefeitura em abril deste ano.
    O gestor da FASC acredita que o agravamento da crise econômica e o crescimento do desemprego são causas deste crescimento. Os relatórios da entidade apontam também para a expulsão de moradores de comunidades pobres por conta de violência ligada ao tráfico de drogas.
    O sociólogo Ivaldo Gehlen, entretanto, acredita não haver um crescimento significativo no número real de pessoas em situação de rua. Para ele, as constantes mudanças de território criam uma impressão de aumento.
    Sob o viaduto Otávio Rocha, no centro histórico
    Sob o viaduto Otávio Rocha, no centro histórico

    “Eles se reterritorializam na cidade. Em 2007, o estudo mostrou alto índice nos bairros Floresta e Navegantes; em 2011, este índice era baixo, enquanto no Bom Fim e na Santana aumentou muito, no Menino Deus aumentou um pouco também”, afirma.
    Outro exemplo citado pelo professor são as zonas Sul e Norte, onde a primeira pesquisa quase não localizou pessoas em situação de rua, que começaram a aparecer na pesquisa de 2007, e com frequência maior no levantamento mais recente. Essa migração é efeito de vários fatores, um deles, para Ivaldo, é a descentralização dos serviços da Prefeitura. Outro fator citado por ele é um constante giro de pessoas que chegam e deixam a rua, em quantidades semelhantes.
    Capital é pioneira nas pesquisas
    Ivaldo Gehlen é professor do Departamento de Sociologia da UFRGS e um dos coordenadores da pesquisa que está sendo preparada. Participou também das pesquisas anteriores, realizadas em 2004 e 2007. Segundo ele, a capital é pioneira. “A primeira pesquisa quantitativa com população de rua no Brasil foi em Porto Alegre, em 2004”, afirma.
    Ele explica que em 2011 foi realizado um levantamento mais simples, um censo ampliado, abordando as questões básicas, como idade e gênero, acrescentando algumas questões relativas à saúde, por solicitação da FASC. O projeto que está em andamento é mais abrangente e envolve três pesquisas, abordando: as instituições que atuam com a população de rua, os técnicos que trabalham com esta população e a população residente na rua.
    O objetivo destes trabalhos é fazer um levantamento do perfil e das necessidades da população de rua, orientando a criação e aplicação das políticas públicas. Para Ivaldo, há uma compreensão crescente por parte da população em geral dos direitos da pessoa nesta situação. “Não é um ralo que consome recursos, é um cidadão de Porto Alegre, que exerce função, que tem uma maneira de viver e que tem direitos como cidadão, direitos estes que de maneira geral são sonegados”, afirma.
    “Falta vontade política”
    Na visão do Movimento Nacional da População de Rua, a rede de atendimentos da Prefeitura é insuficiente, mas este não é o maior problema. “Tem questões que são estruturais. Existe falta de vontade política no governo para que as Secretarias se comprometam com esta temática”, afirma Richard, que é morador do abrigo municipal Bom Jesus.
    Richard,  um dos líderes do MPR
    Richard, um dos militantes do MPR

    Ele relata diversos problemas no abrigo, como os constantes alagamentos, falta de tratamento adequado em relação aos idosos e encaminhamento de pessoas em recuperação de saúde, vindas de hospitais.
    “Às vezes nos vemos mais como um pronto-socorro que como um abrigo institucional”, define.
    O órgão do Município destinado a atender esta população é a FASC (Fundação de Assistência Social e Cidadania). Entretanto, esta lógica é questionada pela população de rua e veio à tona recentemente na ocupação do Demhab,
    Guilherme Boulos, líder nacional do MTST, fala em aula pública durante o Ocupa Demhab
    Guilherme Boulos, líder nacional do MTST, fala em aula pública durante o Ocupa Demhab

    realizada em conjunto pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), MLB (Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas) e MNPR (Movimento Nacional da População de Rua).
    Richard diz que a relação com os assistentes sociais da Fundação é boa, apesar das condições de trabalho não serem as adequadas. Entretanto, em relação à interlocução com a direção, é diferente. “O atual presidente sofre um descrédito tremendo com a população de rua porque ele se coloca em situações constrangedoras, como tentar intervir em situações que ele não vai dar conta.”
    Torcedores argentinos, no Caminho do Gol, durante a Copa 2014, cedem o cobertor ao morador de rua
    Torcedores argentinos, no Caminho do Gol, durante a Copa 2014, cedem o cobertor ao morador de rua

    Richard cita como exemplo o episódio da ocupação do Demhab: “Ele tentou se colocar como interlocutor e nós dissemos: ’olha, camarada, tu não dás conta das demandas da FASC e vai te intrometer em uma demanda que não é tua?’”
    O presidente da Fundação concorda que a situação da população de rua “não é um problema da FASC, é um problema da cidade de Porto Alegre”. Marcelo Soares diz que considera natural que haja desgastes, mas garantiu que sempre esteve aberto ao diálogo e que a relação sempre foi “saudável e amistosa”.
     

  • Ação quer proibir que políticos ganhem concessões de rádio e tevê

    A ação ajuizada no Supremo Tribunal Federal para impedir que parlamentares possam ser concessionários de rádio e tevê ganhou a adesão da Artigo 19, organização internacional  de defesa da liberdade de expressão.
    A entidade protocolou um amicus curiae (espécie de parecer jurídico) junto à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, ADOF 379, de autoria do PSOL.
    A ação movida pelo partido pede que o STF (Supremo Tribunal Federal) declare inconstitucional a prática que permite que políticos com mandatos eletivos se beneficiem de concessões públicas no setor de radiodifusão.
    Atualmente, uma série de estações de rádio e canais de televisão em cidades de todas as regiões do Brasil são controladas por parlamentares, o que prejudica a pluralidade nos meios de comunicação, violando assim o direito à liberdade de expressão.
    O principal argumento da ADPF 379, e endossado pela ARTIGO 19, é que o artigo 54 da Constituição Federal estaria sendo infringido, já que afirma, de maneira taxativa, que deputados federais e senadores não podem firmar ou manter contratos com “empresa concessionária de serviço público”, categoria que abrange os canais de radiodifusão.
    Outra questão apontada tanto pela ação movida pelo PSOL quanto pelo amicus curiae é a existência de conflito entre os interesses público e privado, uma vez que o processo de autorização de concessão pública na radiodifusão envolve o Congresso. Isto significa que deputados e senadores acabam legislando em causa própria na medida em que autorizam a liberação de concessões públicas de radiodifusão para empresas das quais são donos, ferindo assim outro princípio constitucional: o da impessoalidade.
    A ADPF 379 já recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, e pode ser julgada a qualquer momento.
    Padrões internacionais
    O amicus curiae da ARTIGO 19 lista diversos documentos internacionais para demonstrar os prejuízos à democracia e à liberdade de expressão que a prática proporciona. Entre os documentos listados, está a declaração conjunta adotada em 2003 pelas Relatorias para a Liberdade de Expressão da ONU, OEA e OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) que diz que “as autoridades públicas que exercem algum poder regulatório formal sobre os meios de comunicação devem contar com salvaguardas contra qualquer interferência, particularmente de natureza política ou econômica”.
    Tal afirmação aponta para a necessidade de se preencher uma importante lacuna existente no setor de radiodifusão brasileiro, que seria a criação de um órgão regulador independente da esfera política institucional e com autonomia em relação aos demais poderes. Atualmente, esse órgão inexiste no Brasil.
    Entre outras funções, o órgão regulador se encarregaria de gerir a distribuição, a renovação e o cancelamento de concessões de estações de rádio e canais de TV. Hoje, esse processo está nas mãos do Executivo (via Ministério das Comunicações e Anatel) e do Congresso, o que faz com que as concessões sejam utilizadas como moeda de troca.
    Essa é a linha argumentativa da Recomendação 23, adotada pelo Conselho da Europa em 2000, que também é citada no amicus curiae da ARTIGO 19. No documento, o Conselho da Europa afirma que “os Estados-Membros devem assegurar o estabelecimento e o livre funcionamento das autoridades reguladoras do setor de radiodifusão através da elaboração de um quadro legislativo adequado para este fim. As regras e procedimentos que regem ou afetam o funcionamento das autoridades reguladoras devem afirmar claramente e proteger a sua independência.”
    Para a ARTIGO 19, apenas com um órgão regulador independente é que será possível garantir a pluralidade nos meios de comunicação, elemento este fundamental para que os diversos segmentos sociais exerçam seu direito à liberdade de expressão junto à sociedade.

  • Ocupação Lanceiros Negros segue sem definição

    Eles não querem cair no esquecimento. Durante toda esta quinta-feira (8), as 70 famílias que há dez meses formaram a Ocupação Lanceiros Negros, num prédio abandonado no centro de Porto Alegre, tentaram ser recebidas pelo prefeito José Fortunati ou algum enviado seu, na Prefeitura.
    Como não conseguem interlocução com o governo Sartori, querem que a Prefeitura interceda para dissuadir o governador do pedido de reintegração de posse, suspenso em maio por liminar. O Município poderia, por exemplo, oferecer outro imóvel em permuta ao Estado, para que o prédio permaneça como casa de passagem para famílias em situação de rua, até que encontrem uma solução definitiva.
    Um grupo de trabalho para avaliar essa proposta chegou a ser formado na Prefeitura, com prazo até o final do mandato do prefeito para mas as famílias continuam inseguras. Dormem pensando que a Brigada Militar pode chegar a qualquer momento para desocupar o prédio.
    Cerca de 40 crianças da ocupação estão matriculadas em escolas dos arredores. Querem ao menos a garantia de que poderão permanecer até o final do ano letivo.
    Pela manhã, fizeram um ato público contra o despejo, e receberam apoio dos policiais que também se manifestaram no centro da Capital, distribuindo cruzes e soltando balões, em protesto contra os cortes de investimentos do Estado na Segurança.
    Passaram toda a tarde diante do Paço Municipal.
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  • Schirmer assume Segurança em situação de emergência

    Um ato discreto, no gabinete do governador José Ivo Sartori, deu posse ao novo secretário de Segurança, Cezar Schirmer, nome histórico do PMDB gaúcho, que sai da Prefeitura de Santa Maria com o estigma de “prefeito da tragédia da Boate Kiss”.
    A nomeação de Schirmer  como o novo secretário da Segurança Pública, aunciada por Sartori semana passada, foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quinta-feira (8). “Tenho consciência do desafio que tenho pela frente”, garantiu Schirmer ao tomar posse. “Assumo com o firme propósito de me somar ao governo para vencer esta guerra.”
    Do lado de fora do Palácio, policiais denunciavam à população o aumento da violência urbana no Estado em consequência de cortes radicais nos investimentos em Segurança Pública.
    Das janelas do Palácio Piratini, via-se os balões pretos e brancos que eles soltaram ao ar no final da manifestação.
    Na rua, impossível caminhar sem pisar nas placas coladas registrando as 3.945 mortes violentas nos primeiros 18 meses do governo.
    O governador fez um breve discurso no seu gabinete: “Não se resolve o problema da Segurança sem ter a capacidade de atender às necessidades fundamentais da população”.
    No lado de fora, poucos quarteiros abaixo, a ocupação Lanceiros Negros pedia, em frente à Prefeitura, que o prefeito interceda em favor deles, para que as 70 famílias não sejam simplesmente despejadas, pois não conseguiram ainda nenhuma proposta construtiva do governador.
    Sartori disse ainda, no seu gabinete, que as questões sociais não podem ser dissociadas das questões da segurança.
     

  • Policiais vão às ruas denunciar a violência

    Causaram impactos nas ruas do centro de Porto Alegre, os cartazes colados no chão e as 3.945 cruzes brancas espalhadas na manhã desta quinta-feira (8).
    Eram policiais da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, nas ruas do Centro de Porto Alegre, foram para lembrar o número de mortes violentas no Estado desde o início do governo Sartori, até junho. Nesse ritmo, os policiais estimam cinco mil até o final do ano.
    O ato começou às 9h30 na Esquina Democrática e, a partir dali, começaram a ser espalhadas as cruzes brancas, até chegar à porta do Palácio Piratini. Panfletos distribuídos para a população explicavam as razões dos trabalhadores e a crise na Segurança Pública no Estado, resultado de cortes de investimentos recente e falta de pessoal crônica.
    “Corte de investimentos, a não contratação de servidores e a falta de política de segurança, causaram esse verdadeiro caos de violência”, explicavam.
    cruzes_faixaDurante a manifestação, pessoas que passavam demonstravam apoio e solidariedade aos policiais.
    No caminho, encontraram-se com os manifestantes pedindo solução para a ocupação Lanceiros Negros, no centro, porque não conseguem diálogo com o governo. Para os policiais, criança sem moradia e violência urbana segurança pública são sintomas do mesmo problema.
    No final do trajeto, pontuado pelas cruzes brancas, chegaram à frente ao Palácio Piratini, entre a Assembleia Legislativa e o Palácio da Justiça. Com isso, os policiais queriam mostrar a responsabilidade do governador Sartori e cobrar dos outros poderes uma atitude mais contundente em relação à política pública para segurança de resultados desastrosos do governo do Estado.
    baloes1Para encerrar o ato, foram soltos 3.945 balões brancos e pretos, também simbolizando as vidas perdidas para a violência durante o governo Sartori.
    “O simbolismo do ato é para mostrar à população o que está acontecendo. Não precisa, a população já sabe, mas quem tem que ser alertado é o governador do Estado e sua base aliada, que parece não terem acordado ainda. São 3.945 mortes até junho de 2016”, disse o presidente da UGEIRM/Sindicato, Isaac Ortiz.
    Segundo Ortiz, computando-se os dados de julho, agosto e setembro até agora, o número de assassinatos já passa dos 4 mil. “Vamos chegar a 5 mil brincando até o final do ano”, calcula. “Não adianta nada chamar a Força Nacional, e ele não tira esse decreto que colocou em 2 de janeiro de 2015, que contingenciou todo o trabalho da segurança pública e de outras áreas também”.
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  • Bancários fazem nova rodada de negociações em São Paulo

    No terceiro dia de greve dos bancários no Rio Grande do Sul, 640 agências permaneceram fechadas, segundo dados do Comando Nacional de Greve dos Bancários.
    Em todo o País foram 7.359 agências, centros administrativos, Central de Atendimento (CABB) e Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) que tiveram as atividades paralisadas. Este número equivale a 31,25% do total de agências no Brasil, segundo dados do Banco Central.
    Diante da adesão ao movimento, a Federação Nacional de Bancos chamou os sindicatos para nova rodada de negociação nessa sexta-feira, em São Paulo.
    Desde a data da entrega da minuta de reivindicações dos bancários à Fenaban, no dia 9 de agosto, já ocorreram cinco rodadas de negociações, mas nenhuma proposta satisfatória aos trabalhadores.
    A proposta que a Fenaban apresentou no dia 29 de agosto foi de reajuste de 6,5% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A oferta não cobre, sequer, a inflação do período, projetada em 9,57% para agosto deste ano, e representa perdas de 2,8% para os bancários.
    Entre as reivindicações dos bancários estão: reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90.
    Combatem também práticas abusivas, como assédio moral e sexual, pedem o fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A defesa do emprego também é prioridade, assim como a proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora.
    Lucros exorbitantes
    Com os lucros nas alturas, os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) lucraram R$ 29,7 bilhões no primeiro semestre de 2016, mas, por outro lado, houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, o setor já reduziu mais de 34 mil empregos.
    Desemprego
    Segundo os bancários, o ambiente de trabalho é adoecedor, desgastando a sua saúde física e mental ao longo de jornadas de trabalho extenuantes, sem pausas para descanso, com metas de produção inalcançáveis e cada vez mais crescentes, convivendo com riscos de assaltos e de sequestros e tendo de dar conta de inúmeras tarefas.
    A última estatística divulgada pelo INSS, entre janeiro e março do ano passado, revelou que 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por distúrbios psiquiátricos.
     

  • Brasileira recebe medalha em Congresso Mundial de Conservação

    A agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua recebeu, no dia 6 de setembro, a Medalha comemorativa John C. Phillips 2016, a mais alta condecoração do Congresso Mundial da Conservação 2016.
    Ela é a primeira brasileira e a segunda mulher a receber o prêmio, que desde 1963 reconhece personalidades que se destacam internacionalmente pela contribuição excepcional à conservação da natureza. A primeira mulher premiada foi Indira Gandhi, ex-primeira ministra da Índia, em 1984.
    A condecoração também celebra a vida e trabalho do cientista John C. Phillips, que foi um pioneiro no movimento conservacionista.

    Com atuação decisiva para a criação de diversos parques nacionais e outras unidades de conservação em todo o Brasil, Maria Tereza já participou no conselho de importantes organizações mundiais ligadas à conservação da natureza, como a IUCN, o World Resources Institute (WRI) e World Wide Fund-International. Atualmente ela é membro do Conselho da Comissão Mundial de Áreas Protegidas (WCPA) da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), do Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e do Conselho da Fundação Pró-natureza (Funatura). Também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
    A escolha do premiado é feita por um júri composto por cinco membros do comitê constituinte da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que organiza, a cada quatro anos, o Congresso Mundial da Conservação. Em 2016, o evento acontece em Honolulu, no Havaí, de 1o a 10 de setembro, e reúne os mais importantes representantes e formadores de políticas ambientais de todo o mundo.
    Na opinião da diretora executiva da Fundação Grupo Boticário Malu Nunes, Maria Tereza foi uma das protagonistas centrais de uma época única para a conservação da natureza brasileira. “Com sua contribuição, o Brasil dos anos 1960 evoluiu de um discreto patamar para chegar à década de 1980 entre os países mais avançados em termos de áreas protegidas. Foi um crescimento intenso e consistente, nunca visto antes no nosso país”, comenta a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, instituição da qual Maria Tereza é membro do Conselho Curador desde 1990. Para Malu, a contribuição de Maria Tereza para a conservação da natureza merece ser reconhecida mundialmente e, por isso, a Fundação Grupo Boticário a indicou para a medalha John C. Phillips da IUCN. “E, agora, é com imenso orgulho que recebemos a notícia de sua premiação”, complementa Nunes.
    Premiações
    Além da Medalha John C. Phillips, Maria Tereza já recebeu o prêmio Fred Packard, em 2008, um reconhecimento oferecido pela Comissão Mundial de Áreas Protegidas (WCPA) da IUCN, que reconhece o serviço prestado em prol das áreas protegidas. Em 1999, o prêmio Henry Ford condecorou sua atuação individual, assim como o prêmio Jean Paul Getty para a Conservação da Natureza, considerado o Prêmio Nobel da Ecologia.
    Trajetória pioneira
    Natural de São José do Rio Pardo (SP), Maria Tereza Jorge Pádua é a primeira mulher a ter posição de destaque no setor de conservação e foi pioneira em muitas atividades que realizou. “Quando comecei a graduação havia apenas duas mulheres na turma de Agronomia e quatro na Universidade. Fui a primeira mulher a atuar com parques nacionais na área de conservação da natureza no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e isso se repetiu muitas e muitas vezes, até hoje”, comenta ela.
    Sua trajetória está intimamente ligada à história do Brasil e à luta pela preservação da flora e da fauna nacionais. Formada em Agronomia com mestrado em Ecologia e Manejo de Vida Silvestre, ela começou sua carreira no recém-criado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) em 1968, no qual atuou por 18 anos e fez história. Quando começou seu trabalho, apenas 0,28% da extensão do Brasil era protegido, segundo ela. “Quando saí do IBDF, muitos parques nacionais haviam sido criados. Nós quintuplicamos a área protegida no país e criamos inclusive a primeira reserva biológica marinha: o Atol das Rocas”, conta com orgulho.
    Além de vários parques na Amazônia, região onde não havia unidades de conservação no início da carreira de Maria Tereza, a lista de áreas protegidas criadas por ela incluem a Chapada Diamantina, Serra Geral, Fernando de Noronha, Serra da Capivara (a primeira na Caatinga) e o Pico da Neblina. “De certa forma era fácil escolher as áreas, pois praticamente não havia unidades de conservação no Brasil”, comenta ela. “A dificuldade estava no apoio da população e dos políticos. As pessoas não percebiam a importância das áreas verdes, pois o sinônimo de desenvolvimento para a época era asfalto e concreto”.
    Em 1986, com o apoio de outros conservacionistas, ela criou a Fundação Pró-Natureza (Funatura), a segunda organização não governamental focada em conservação da natureza do Brasil. Grandes conquistas estão no currículo da organização, como a criação das primeiras Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) no Brasil e a criação do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, primeira área protegida nos Campos Gerais. Em fevereiro de 1989 o IBDF foi extinto e cedeu lugar ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A instituição foi presidida por Maria Tereza Jorge Pádua em 1992.
    Entre as diversas realizações de Maria Tereza ao longo de sua carreira, destaca-se a criação de 15 parques nacionais, o apoio em ao menos outros 4 e a implementação de diversas áreas que conservam a natureza local em mais de 9 milhões de hectares. O Projeto Tamar, de proteção de tartarugas marinhas, o Projeto Peixe-boi e o Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação das Aves Silvestres (Cemave) também estão na lista de suas realizações.
    No entanto, para ela, ainda há muito a ser feito. “Meu sonho é que o Brasil investisse em pesquisas direcionadas ao manejo de fauna. Nós já perdemos o bonde da história e as listas de animais ameaçados de extinção estão aí para comprovar isso”, alerta. “Nós já perdemos tanto e vamos esperar mais o que? Já passou da hora de agir”, afirma Maria Tereza Jorge Pádua.
    Maria Tereza Jorge Pádua é membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
  • Entrevista censurada na Rádio da Universidade causa polêmica

    Foi vetada hoje de manhã a entrevista que o cientista político Benedito Tadeu César, professor aposentado da Ufgrs, deu a alunos no programa Entrevista Coletiva, coordenado pela professora Sandra de Deus, na Rádio da Universidade.
    “Ao final da gravação, o André, diretor da rádio, entrou no estúdio e proibiu a veiculação do programa, que deveria ter sido às 11h, alegando que falamos em GOLPE e que há uma lei proibindo que se faça críticas ao presidente da República e se falar em Golpe”, escreveu César em sua página no Facebook.

    Vive-reitor Rui Oppermann / Detalhe de foto de Gustavo Dihel/Ufrgs
    Vive-reitor Rui Oppermann / Detalhe de foto de Gustavo Dihel/Ufrgs

    A rádio fica no Campus Central e, de lá, César dirigiu-se imediatamente à Reitoria, onde soube que o reitor está viajando. O vice-reitor e reitor eleito para o próximo mandato, Rui Oppermann, que estava em reunião, recebeu-o em seguida. Já tinha sido informado do ocorrido.
    “Sua reação foi de desaprovação à atitude coercitiva do diretor da rádio, posicionando-se pela liberdade de expressão e do pensamento crítico na Universidade.
    Informou-me que ouvirá o diretor da Rádio e que, depois de ouvi-lo e, inclusive, ouvir as manifestações que ocorrerão na reunião do Consun, amanhã, será emitido um posicionamento oficial da universidade”, contou o professor.
    Sabendo que César tinha cópia do arquivo de áudio do programa, o vice-reitor expressou sua aprovação à divulgação da entrevista por outras mídias e pelas redes sociais, e reforçou que haverá decisão sobre a veiculação do programa também pela Rádio da Universidade. Clique aqui para ouvir.
    Para César, ocorreram duas graves agressões. A primeira, à autonomia universitária e
    É praxe a professora Sandra de Deus convidar César a participar do programa / Foto Gustavo Diehl/Ufrgs
    É praxe a professora Sandra de Deus convidar César a participar do programa / Foto Gustavo Diehl/Ufrgs

    à missão primordial da universidade, que é o de geração e difusão do pensamento crítico e inovador. A segunda, e igualmente importante, à autoridade docente, uma vez que a professora Sandra de Deus foi agredida em sua autoridade acadêmica, diante de seus alunos e durante uma atividade letiva.
    André Prytoluk, diretor da rádio: "Cumpri a lei"
    André Prytoluk, diretor da rádio: “Cumpri a lei”

     
     
     
    Ouvido pela reportagem do JÁ, André Prytoluk disse que foi ao estúdio atendendo à solicitação da professora Sandra de Deus, que o informou que seria veiculado um programa sobre o impeachment, com citação a partidos. Ele determinou que a entrevista não fosse ao ar baseado na lei 9.504, a Lei das Eleições, de 1997, que, no inciso terceiro do artigo 45, proíbe “veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes”.
    “Eu me baseei unicamente na lei. Como servidor público, sou obrigado a seguir as leis”, argumentou Prytoluk. “O que me levou a essa atitude foi simplesmente obediência civil, se isso fere interesses ou paixões, não posso fazer nada”, concluiu.
    Estudantes de Jornalismo da UFRGS, que foram os entrevistadores, divulgaram nota conjunta, assinada por Aniele Bernst, Letícia Paludo, Luísa Rizzatti, Matheus Nietto, Paloma Fleck e Vinicius Dutra, na qual afirmam:
    “O programa Entrevista Coletiva, gravado nesta manhã na Rádio da Universidade, com o cientista politico Benedito Tadeu César, não foi veiculado porque o diretor da Rádio alegou que a Rádio da Universidade era chapa branca, e que não poderíamos falar “nem bem, nem mal” do governo. Sob a alegação de hierarquias e do respeito ao chefe, referindo-se a Michel Temer, fomos impossibilitados de rodar o programa às 11h. Além disso, falou que existia uma lei que restringia a gente de falar em golpe. Estamos disponibilizando a entrevista inteira para que possam ouvir o material. Na pauta, falamos de crise política das coligações, processo de destituição de Dilma Rousseff, manifestações e previsões futuras para o quadro nacional. Estamos conversando com a professora Sandra de Deus e nos informando das tais leis (se entraram em vigor agora, como afirma o diretor). Lembramos que o jornalismo e o exercício do pensamento crítico são extremamente necessários. Não compactuaremos com leituras que visem a uma interpretação sob o signo da censura”.

  • Investigação nos Fundos de Pensão pode ter impacto maior que petrolão

    As investigações sobre os fundos previdenciários estatais (Petros, Previ, Funcef, Postalis) já resultaram em prisões de executivos que ocupam cargos preenchidos por indicação de partidos.
    As maracutaias envolvem muito mais grana do que o Mensalão, que vai ficando pequeno à medida que se abrem novas caixas pretas.
    O caso dos fundos pode não ter a dimensão financeira do Petrolão, mas é provavelmente mais grave porque tem repercussões múltiplas provocadas pelo encadeamento econômico dos seus investimentos, a maior parte deles voltados para projetos de infraestrutura (usinas hidrelétricas, portos, rodovias e ferrovias), executados a longo prazo por grandes empreiteiras.
    Ao lado do BNDES, do BB e da CEF, os fundos de previdência de órgãos estatais se tornaram os principais financiadores do desenvolvimento brasileiro pela via keynesiana.
    Com ou sem propinas nas jogadas, os fundos perderam dinheiro em projetos atrasados da Eletrobras, Petrobras e particulares (Eike Batista, por exemplo), pois não tiveram a rentabilidade esperada/prometida e ainda pegaram mau tempo pela frente (inflação e recessão).
    Tudo isso reforça a tese neoliberal de que cabe ao Mercado tomar conta da economia. Na real, o problema dos fundos previdenciários vem de longe. Não devemos esquecer o caso da Varig, que deixou um monte de gente na chuva. E o GBOEx?
    Não é à toa que o governo Temer quer reformar a Previdência Social. O objetivo lá adiante é intensificar a privatização do maior número possível de ativos públicos. (Geraldo Hasse)