O comentário de Alexandre Fetter, na rádio Atlântida, do Grupo RBS, provocou indignação, sobretudo de colegas de profissão. Professores da Unisinos lançaram uma carta aberta e o Sindicato dos Jornalistas emitiu uma nota cobrando uma manifestação do Grupo RBS.
O secretário de Comunicação do Estado respondeu em sua página pessoal no Facebook. A jornalista Márcia Martins, em coluna no Coletiva.net, perguntou a Fetter: “Você perdeu totalmente o juízo? Você não tem a mínima noção do poder de formação de opinião de uma rádio como esta onde você trabalha?”.
Nota do Sindicato dos Jornalistas
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors) reforça que luta, acima de tudo, pela liberdade de expressão. Todavia, ela não deve, em hipótese alguma, ser usada como desculpa para incitação à violência. Nossa liberdade de expressão deve respeitar, sobretudo, a integridade das pessoas. Logo, lamentamos profundamente a manifestação pública do comunicador Alexandre Fetter, do grupo RBS, feita na sexta-feira, dia 26, durante o Pretinho Básico, na qual, em discurso apresentado como editorial do programa radiofônico, fez clara incitação à violência, à intolerância e ao crime.
Cabe ressaltar que ele agrediu colegas que são jornalistas, faculdades de Jornalismo, professores, defensores dos Direitos Humanos e outras instituições. Reforçou atitudes contra formadores de opinião que se opõem aos excessos praticados pela polícia, enfatizando que essas pessoas deveriam ser as próximas vítimas. Manifestou-se, ainda, aos “amigos, parentes e familiares destes que aí estão patrocinando e promovendo um massacre urbano lá de dentro dos seus gabinetes”. Para ele, “que sejam vocês as próximas vítimas, seus parentes, seus filhos, seus pais, suas mães. Porque vocês merecem isso”.
O artigo 286 do Código Penal brasileiro deixa claro que não se deve incitar, publicamente, a prática de crime. A atitude ganha gravidade ao levarmos em conta a situação em que se encontra o país e, em especial, o Estado.
Vivemos em uma realidade em que a violência faz vítimas diárias. É preciso mudar esse cenário o mais rápido possível e questionar, sempre, as lideranças. A população não pode ficar refém do crime enquanto o governo do Estado adota uma política de desvalorização do serviço público. Entretanto, a redução da criminalidade nunca se dará por meio de falas de ódio.
Cobramos do grupo RBS uma postura em relação ao ocorrido. O discurso do comunicador foi proferido em uma emissora de rádio, que é concessão pública, logo, não deveria canalizar manifestações de violência.
O Sindjors luta pela verdade dos fatos, pelo fim de preconceitos e da desigualdade, por uma mídia democrática que se preocupe em tempo integral com o bem de toda a população, de todas as classes sociais.
Repercussão
Os docentes da Unsinos destacam que Fetter teria feito “uma sequência de insultos e incitação à violência contra os que supostamente seriam os culpados pelos dados que preocupam a todos”. O texto também registra o quão preocupados os professores ficam com o fato de um radialista de uma emissora com tamanha audiência usar o espaço para contrariar os princípios éticos do Jornalismo.
Após a grande repercussão acerca da sua manifestação sobre violência na última sexta-feira, 26, Alexandre Fetter pediu desculpas no programa Pretinho Básico, desta segunda, 29. Em seu pronunciamento, o comunicador disse que dialogou pacificamente com todos aqueles que se manifestaram, “outros não foram dignos nas suas colocações, estes ficaram sem repostas”.
Na sexta-feira, o radialista do Grupo RBS defendeu que colegas de Comunicação que criticam a Brigada Militar e a Polícia Civil “sejam as próximas vítimas [da violência urbana], que sejam eles a sangrar e deixar suas famílias enterradas”. Durante o programa da Atlântida, o âncora se mostrou indignado com a postura de alguns jornalistas, afirmando ter nojo destas pessoas: “Gente que eu adoraria citar o nome, colegas de profissão que trabalham ali no morro do lado, trabalham aqui, um pouquinho acima, mas não dá, infelizmente”.
A postura de Fetter repercutiu negativamente, inclusive, entre os colegas da RBS, que se sentiram incomodados, pois as críticas dirigidas a ele foram transferidas também para os demais comunicadores. No início do programa da Rádio Atlântida de terça, o radialista falou que, se foi mal-interpretado, gostaria de pedir desculpas, pois não era sua intenção causar a discussão. “Não prego a violência e não quero a morte de ninguém e também sou pai de família. Quero pedir humildemente desculpas, pois trabalho para o bem”, falou.
Nesta terça-feira, 30, o secretário de Comunicação do Rio Grande do Sul, Cleber Benvegnú, se manifestou em relação à carta aberta do comunicador Alexandre Fetter a respeito da onda de violência na Capital. O texto foi lido na última sexta-feira, 26, durante o programa Pretinho Básico, da Rádio Atlântida. Benvegnú publicou seu posicionamento em sua conta pessoal do Facebook, onde desaprovou a conduta de Fetter.
Em um dos trechos, o secretário afirmou que ele e sua equipe também sofrem com as mortes violentas que vêm acontecendo em Porto Alegre. Acrescentou que o sofrimento foi um pouco maior em relação à sugestão de Fetter, de que os profissionais de comunicação e suas famílias, que divergem de algumas opiniões do radialista, fossem as próximas vítimas. “Sim, foi isso que disseste. E não há senso de humor, compreensão, diplomacia ou largueza de espírito que possa considerar essas palavras construtivas. Para um comunicador com a tua experiência, não avaliar tudo isso é incoerente, para dizer o mínimo, com aqueles princípios que referi”, avaliou, e salientou que o comentário não corresponde com o Código de Ética do Grupo RBS, que preza pela vida e pela família.
Relatou, ainda, que a carta aberta foi um pedido de sua equipe a fim de lembrar que “todos fazemos parte da mesma família gaúcha e brasileira – mesmo aqueles que temporariamente estão em um gabinete”. Além disso, destacou que não publicou uma resposta com o objetivo de afastar a atenção dos debates em relação à segurança pública nem pela assessoria de imprensa do governador ter sido chamada de ‘cretina’ pelo comunicador. “Mas considerei que devia escrever, inclusive para dizer que as lágrimas de vocês, por tudo o que aconteceu, também correram em nossos rostos. O Rio Grande do Sul é um só”, finalizou.
Carta dos docentes da Unisinos
Manifestação de Repúdio
Nós, professores de Jornalismo da Unisinos abaixo listados, por iniciativa do grupo, manifestamos nosso repúdio ao conteúdo da “carta aberta” lida pelo comunicador Alexandre Fetter no Programa Pretinho Básico da Rádio Atlântida FM na última sexta-feira, dia 26 de agosto. De acordo com o áudio disponível na página do programa, o “pequeno editorial” teria um caráter de desabafo frente aos casos de latrocínio que aumentam no Estado e um pedido de solução urgente para a escalada da violência.
O que se ouviu, no entanto, foi uma sequência de insultos e incitação à violência contra os que supostamente seriam os culpados pelos dados que preocupam a todos. Dentre eles, os políticos, magistrados e jornalistas (formadores de opinião) que fazem críticas aos excessos da Brigada Militar, acusados pelo apresentador de “proteger bandidos”.
Disse ele: “Não é possível que jornalistas ou formadores de opinião sigam em seus espacinhos públicos batendo na Brigada Militar, na Polícia, em suas práticas de defesa da sociedade, denegrindo (sic) e manchando a imagem da instituição. Tenho mais do que vergonha destas pessoas, tenho nojo destas pessoas, gente que eu adoraria citar o nome, colegas de profissão que trabalham ali no morro do lado, trabalham aqui, um pouquinho acima, mas não dá, infelizmente. Para mim, que gente assim sejam as próximas vítimas, que sejam eles a sangrar e deixar suas famílias enterradas”.
Preocupa-nos sobremaneira que este tipo de manifestação possa ser entendida como Liberdade de Expressão, princípio inalienável da função jornalística e comunicativa. Há que se distinguir que nenhum direito, como o de opinar, pode ser superior ao direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal (Artigo III da Declaração Universal de Direitos Humanos). Direito este aviltado pelo comunicador, que mostrou desejar destruir seletivamente pessoas e pensamentos divergentes dos seus. É fundamental que se diga que a incitação à violência é crime previsto no Código Penal (Art.286).
Ficamos atemorizados com o fato de um comunicador que tem o microfone à disposição numa das rádios de maior audiência neste Estado possa estar usando esse espaço para ir contra os princípios que norteiam a profissão jornalística que, em qualquer situação, devem balizar-se por conduta ética.
Acreditamos que é função de todos os cidadãos estarem atentos aos compromissos assumidos pelos veículos nos seus códigos de ética. A atuação do comunicador vai frontalmente contra o Código de Ética e Conduta e o Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística do grupo RBS disponibilizados para o público. Dentre os princípios, está o de que “A RBS não admite preconceito de qualquer espécie”, e ainda, “As fronteiras de opinião são demarcadas por valores e pela responsabilidade individual. Tais princípios devem ser respeitados por jornalistas e comunicadores, incluindo colunistas e comentaristas regulares ou não”.
Cabe ressaltar que o episódio em questão afronta a Constituição Federal. Em seu artigo 221, inciso IV, ela estabelece que a programação das emissoras de rádio e televisão deve pautar-se pelo “respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.
Por fim, manifestamos toda solidariedade às vítimas desta violência que tem destruído famílias em todos os estratos sociais. Concordamos que a crise da falta de segurança no Rio Grande do Sul é grave, e que exige a colaboração cidadã de todos. As críticas devem ser feitas, mas lembrando que a violência não pode ser combatida com mais violência. O momento requer reflexão, discernimento e ações firmes, embasadas numa cultura de paz.
Alberto Efendi de la Torre
Beatriz Marocco
Beatriz Sallet
Cybeli Moraes
Debora Lapa Gadret
Daniel Bittencourt
Daniel Pedroso
Edelberto Behs
Éverton Cardoso
Felipe Boff
Flavio Dutra
João Damasceno Ladeira
Luciana Kraemer
Maria Clara Aquino Bittencourt
Mariana Bastian
Marlise Brenol
Micael Vier Behs
Nikão Duarte
Pedro Luiz da Silveira Osorio
Ronaldo Henn
Sabrina Franzoni
Sérgio Endler
Sônia Montaño
Thaís Furtado
Autor: da Redação
Postura de comunicador da RBS é condenada por jornalistas
"Força Nacional é um paliativo midíatico", diz manifesto de policiais
“O caos na segurança pública no RS já afetou o trabalho na esfera federal”.
Com essas palavras, o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do RS, Ubiratan Sanderson, iniciou a reunião com os sindicatos e associações do Bloco da Segurança.
Representantes de servidores de todas as áreas envolvidas com segurança decidiram lançar um manifesto para “alertar a população para o caos do setor e cobrar do Poder Legislativo e Judiciário ação para por acabar com o desmonte na área, promovido pelo atual governo gaúcho, através da falta de investimentos e parcelamento dos salários”.
O primeiro tema em debate é a atuação da Força Nacional, que é um paliativo e meio midiático, mas que não resolve a caótica situação na segurança pública.
A falta de investimento em equipamentos, a demora na nomeação de novos servidores, a redução na cota de combustíveis nas viaturas, provocam fechamento de postos de polícia, delegacias e quartéis do corpo de bombeiros.
Em manifesto divulgado em conjunto, as entidades revelam que pesquisa realizada demonstra que 70% da população já foi vítima de crime. Os latrocínios aumentaram 35%, em 2016.
Isaac Ortiz, presidente da UGEIRM, afirmou: “Em 18 meses de governo Sartori, há quase 3 mil homicídios no RS”. Já, o presidente da ABERGS, Ubirajara Ramos, lembrou:
“O corpo de bombeiros está com 52% de déficit no efetivo e quartéis continuam fechando. A Operação Golfinho registrou grande número de mortes no verão passado e não há bombeiros para participarem da operação no final deste ano”.
Para o presidente da ABAMF, está na hora do Judiciário agir. “Há decisões favoráveis aos servidores contra o parcelamento, mas a Justiça está inerte ao descumprimento da decisão pelo governo do RS”.
Leonel Lucas também ressaltou que o Legislativo será informado de todos os atos ilegais do governo gaúcho e que, certamente, podem resultar no impeachment do governador Sartori.
Os representantes da segurança rememoraram que o governo gaúcho aumentou impostos, aumentou os saques dos depósitos judiciais, renegociou a dívida do estado e diminuiu a receita destinada ao pagamento de precatórios. Mas nada disso resultou na mudança da situação financeira do RS. Onde está esse dinheiro? A população e os servidores desejam saber.
O parcelamento e a falta de efetivo são pontos gravíssimos na segurança pública. O número de brigadianos registra um déficit de 50%. Na perícia policial a falta de servidores paralisa serviços. Nos presídios, os agentes penitenciários estão jogados ao risco.
As entidades irão lutar e tomarão todas as providências para que o governo Sartori não jogue a segurança pública do RS, que já foi exemplo para o país, na lista dos piores serviços do mundo. (do site da Abamf)Sindicatos orientam policiais a não participarem do 7 de setembro
A direção da sindicado dos escrivães, inspetores e investigadores deliberou que, devido aos constantes parcelamentos de salários, à crise na Segurança Pública e a situação dos presos em carceragens das delegacias, vai orientar os policiais civis a não participarem das festividades do 7 de setembro e do 20 de setembro no nosso Estado.
No entendimento da UGEIRM, além de este não ser um momento para festividades, é uma incoerência do governo consumir recursos com festividades enquanto os servidores públicos estão com seus salários parcelados.
Além disso, os desfiles de 7 de setembro e de 20 de setembro se enquadram nas orientações da Operação Padrão, de não trabalhar fora do horário de expediente.
A direção da UGEIRM, também deliberou pela ampliação da Operação Padrão “até que seja resolvida a situação dos presos que se encontram nas carceragens das delegacias, de forma ilegal”.
“Essa situação tem colocado em risco a integridade física dos policiais e da população”.
“Apesar de existir uma decisão judicial, que obriga o governo do Estado a solucionar o problema e transferir todos os presos que se encontram a mais de 24 horas nas carceragens das delegacias, a situação só vem se agravando”.
“Na última segunda-feira (29), os policiais estiveram muito próximos de presenciarem uma tragédia. Presos se rebelaram e promoveram uma quebra-quebra no Palácio da Polícia em Porto Alegre. A situação conseguiu ser contornada, mas diante da total depredação das celas, os presos tiveram que ficar detidos em viaturas policiais, representando um risco ainda maior para a população e para os policiais”.
“Devido a essa situação, que beira uma tragédia, e antes que aconteça a morte de um policial ou de um cidadão, a UGEIRM resolveu ampliar a Operação padrão até que não haja mais nenhum preso em delegacias, por mais de 24 horas”.
O dia seguinte
O ex-presidente Lula devolveu Dilma Rousseff ao Rio Grande do Sul tal qual a recebeu, ou seja, livre e desimpedida.
Mesmo com os problemas que teve para chegar à uma solução para o impasse, conseguiu selar o “acordão” e aí está a ex-presidente afastada incólume para seguir o caminho político que desejar.
Fora do cenário nacional de seu partido, daqui para frente, Dilma é um problema para o PT gaúcho resolver. Sua anunciada candidatura ao Senado, em 2018, bate de frente com a do senador Paulo Paim, que se julga no direito à vaga.
Outra alternativa seria o PT concorrer com uma chapa puro sangue, o que dificultaria muito formar uma coligação. Qualquer partido que tenha algo a oferecer no complexo eleitoral (tempo de TV ou votos) dificilmente trocará seu cacife por nada.
Outra alternativa seria lançar Dilma para o governo do Estado, faturando em cima de seu recall de ex-presidente e de vítima de um golpe. Nesse caso a dificuldade é convencer à direção petista gaúcha a dar uma carona nos que estão na fila de candidatos naturais.
Como a reeleição de governador é um estigma ainda invencível, mesmo em baixa o PT acredita que pode disputar com grandes chances o Palácio Piratini.
O problema que ficou foi o “acordão” um tanto mambembe que expôs o acerto entre Lula e Renan Calheiros de forma inconveniente. O plano seria Dilma renunciar no limite e derrubar o impeachment no plenário, com esse resultado que apareceu na votação do Destaque.
Entretanto, Dilma bateu pé, disse que não daria o gostinho da renúncia a Eduardo Cunha e seus aliados do baixo clero (além de tucanos e a direita convencional).
Com isto tiveram, os aliados tiveram de negociar esta saída encontrada, expondo demasiadamente não só os dois partidos (PT e PMDB), como deixaram o presidente doSupremo, Ricardo Lewandowski vulnerável.
No fim das contas, a manobra deu certo: os partidos de oposição desistiram de contestar a decisão na Justiça, pois a vitória certa da inconstitucionalidade seria um tiro pela culatra: derrubada a anistia a Dilma, cairia o impeachment. Com isto ela voltaria ao governo até que nova sessão fosse realizada. Seria muito arriscado. Melhor deixar como está.
Negativo é o cheiro de pizza que se espalhou pelo país. Mas nada que os bons ventos não afastem, mudando o formato das nuvens, como se diz na metáfora política.
E o “Fora Temer”, como fica? Este é outro problema, pois o partido do novo presidente é aliado do PT, como se viu na manobra parlamentar. Além disso, Michel Temer não é candidato à reeleição, o que lhe tira da linha de fogo. Vai começar a pacificação.
Agora será necessário juntar os cacos do desastre e recompor a aliança vencedora nas últimas eleições nacionais. Na verdade, ninguém melhor do que Lula e Temer, dois craques da negociação, para levantar um muro que impeça a volta do tucanato triunfante ao terceiro andar do palácio do Planalto.
Quem viver verá…Operação Padrão na Brigada e na polícia pelo parcelamento dos salários
Brigada Militar, Superintendência do Serviços Penitenciários, Polícia Civil e Instituto de Perícia estão atendendo apenas casos de emergência desde o início da desde o início da manhã desta quinta-feira.
Segundo as entidades representantes das categorias dos funcionários da segurança, é uma operação padrão em protesto pelo parcelamento dos salários imposto pelo governo do Estado.
O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do Rio Grande do Sul (Ugeirm Sindicato), informou em nota que apenas casos graves serão registrados nas delegacias.
Além da paralisação, está marcado para o meio-dia um protesto na Esquina Democrática, no Centro de Porto Alegre.
Nesta quarta-feira (31), os policiais tiveram o valor de R$800,00 depositado nas suas contas. É o sétimo mês consecutivo de parcelamento dos salários dos servidores estaduais. Em resposta, os policiais vão parar por 15 horas nesta quinta-feira (01). A paralisação começou às 6 h da manhã.
A previsão da Secretaria da Fazenda é de que todos os salários estejam quitados até 13 de setembro.
Veja abaixo, as instruções aos policiais para a paralisação:
1 – A paralisação começará às 6 horas e se estenderá até às 21 horas do dia 1º de setembro;
2 – Nossa concentração começará às 6 horas em frente ao Palácio da Polícia;
3 – Às 12 horas serão distribuídos panfletos na Esquina Democrática;
4 – A orientação é para que não haja circulação de viaturas. Todas devem permanecer paradas no órgão a que pertencem;
5 – Não haverá cumprimento de MBAs, mandados de prisão, operações policiais, serviço cartorário, entrega de intimações, oitivas, remessa de IPs ao Poder Judiciário e demais procedimentos de polícia judiciária;
6 – As DPPAs e plantões somente atenderão os flagrantes e casos de maior gravidade, tais como: homicídios, estupros, latrocínios e casos graves de ocorrências envolvendo crianças, adolescentes e idosos, Lei Maria da Penha, além daquelas ocorrências em que os plantonistas julgarem imprescindível a intervenção imediata da Polícia Civil.
7 – É fundamental mantermos o diálogo com a população, explicando os motivos da nossa greve. É preciso mostrar à população que a nossa luta é por uma segurança de qualidade, com um serviço público que funcione. O principal objetivo da nossa paralisação é a garantia da segurança do povo gaúcho.
Nota dos Brigadianos
A Associação dos Brigadianos de Nível Médio divulgou em seu site a seguinte nota:
“Mais uma vez, o governo do RS não cumpre ordem judicial, desrespeita a Constituição Estadual, e não paga em dia os funcionários públicos, que recebem o mês trabalhado quase como esmola. A divulgação de que será depositado na conta dos servidores apenasR$ 800,00 causa revolta no funcionalismo e novas manifestações contra o parcelamento estão sendo debatidas pelas entidades representativas dos servidores do Poder Executivo do RS.
Como um governo pode querer melhorar a situação do estado promovendo atrasos no pagamento dos servidores que impulsionam boa parte do comércio. Isto inibe o consumo, retira pessoas da linha de crédito e distribui dificuldades extras nas famílias.
Já disse o secretário de segurança do RJ José M Beltrame: “Quer melhorar a segurança pública, pague os policiais”.
A ABAMF deixa aqui o protesto dos brigadianos(as), que nunca viram um governo tão cruel como o atual”.
O dia da vergonha nacional
Benedito Tadeu César – Cientista Político e professor universitário
Erramos todos. Tenho repetido esta frase em cada encontro de cientistas políticos nos quais tenho participado desde o início do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e em cada fala que tenho feito nas diversas manifestações públicas contra o golpe de que tenho participado nos últimos meses.
Erramos todos, porque acreditamos que as instituições públicas brasileiras estavam se consolidando no rumo da concretização da democracia no país. A farsa que se desenrolou durante cinco meses diante dos nossos olhos, desde abril deste ano, e que teve seu epílogo no último dia de agosto, foi urdida, construída, mantida e perpetrada no interior das instituições públicas brasileiras e foi desfechada por muitos dos que têm a obrigação legal de preservar a democracia.
Foi a ação conjunta do vice-presidente da República, da maioria esmagadora do Congresso Nacional, de amplos setores do Ministério Público, capitaneados pelo Procurador Geral da República, de muitos integrantes do Poder Judiciário e de uma maioria expressiva do Supremo Tribunal de Justiça (STF), todos defensores jurados da Constituição Federal de 1988, que tornou possível que a farsa da deposição “legal” de uma presidenta da República, eleita por mais de 54 milhões de votos, fosse encenada.
São as instituições públicas brasileiras que estão podres e corrompidas ou, pelo menos, boa parte dos seus integrantes, a começar por aqueles que detêm maior responsabilidade em cada uma delas. Contaram para corrompê-las com os inestimáveis serviços da grande mídia corporativa, controlada por apenas cinco famílias milionárias. Não fosse assim, a democracia teria sido preservada e a vontade expressa pelo voto de milhões não seria afrontada pela ação de uma minoria quatro vezes derrotada eleitoralmente – em 2002, em 2006, em 2010 e em 2014.
Vivemos em um país presidencialista onde, diferentemente dos países parlamentaristas, só o voto popular tem o poder constitucional de eleger e de destituir um presidente da República, por meio de sua não reeleição. Fora disto, só a caracterização expressa e irrefutável do cometimento de um “crime de responsabilidade no exercício da Presidência da República” pode justificar o afastamento do governante.
Destituir uma presidenta da República “pelo conjunto da obra”, como o fizeram os deputados federais e senadores brasileiros, afronta a Constituição vigente no país. A perda da maioria no Parlamento só justifica a retirada e/ou a troca do chefe do Executivo nos regimes parlamentaristas, nos quais os dirigentes são eleitos indiretamente, por indicação do poder Legislativo.
Não basta o cumprimento do ritual jurídico, para justificar e dar roupagem legal e constitucional ao processo fraudulento da destituição de Dilma Rousseff. O mundo todo sabe disto e sua denúncia tem sido expressa por jornalistas independentes e por editoriais dos maiores e mais respeitados veículos de comunicação internacionais. Um julgamento não é lícito apenas pelo cumprimento das regras formais de seu funcionamento. Um julgamento só é lícito quando os argumentos da defesa e da ré são levados em consideração.
Quando os julgadores declaram, antes de ouvir a ré e seus defensores e antes mesmo de conhecer o processo, que condenarão a acusada, esses julgadores devem ser impugnados e o julgamento anulado. Este é o procedimento adotado em qualquer tribunal de justiça honesto, como se espera existir em qualquer país democrático.
Não foi o que se viu no Brasil. Aqui, o presidente do STF, com sua presença e atuação na condução do processo de impeachment, coonestou o golpe e a afronta à democracia, no mínimo, quando admitiu que julgadores que haviam declarado seus votos condenatórios antes de encerrado o processo participassem do processo e condenassem a ré, tal como haviam antecipado que o fariam.
Mais uma vez, as elites políticas e econômicas brasileiras, que controlam as instituições públicas do país, interrompem, por meio de atos ilegais – como o fizeram em 1954, quando Getúlio Vargas foi levado ao suicídio, e em 1964, quando se uniram aos militares para instalar a ditadura que se arrastou até 1985 – o frágil processo de democratização e de construção de instituições e de procedimentos democráticos e de inclusão social neste país.
Encerrou-se hoje, com a conivência ativa de parcelas expressivas de integrantes das instituições públicas brasileiras, o mais longo período democrático durante a história republicana deste país. Encerram-se hoje 31 anos de democracia, construída a duras penas, no Brasil.
Hoje, somos alvo da chacota internacional.
No futuro, a história registrará o dia 31 de agosto de 2016 como o Dia da Vergonha Nacional.Temer confirma mudanças em leis trabalhistas e previdência
Em seu primeiro pronunciamento à nação, como presidente efetivo, Michel Temer disse que “após a decisão democrática” do Senado, é hora de unir o país acima dos grupos.
Mencionou os 12 milhões de desempregados e o déficit de 170 bilhões no orçamento da União, para dar idéia “do peso da responsabilidade” que recai sobre seus ombros a partir de agora.
Enumerou as qualidades – “eficiência, sensatez, diálogo” – necessárias à pacificação do país, mas entre elas não incluiu o combate à corrupção, palavra que não entrou em seu discurso nem em sua primeira entrevista.
Comparou o governo a uma familia que gasta mais do que ganha, para justificar a necessidade de cortar gastos. Citou também como imperiosa a reforma da Previdência, para evitar sua falência.
Disse que “estabilidade política” e “segurança jurídica” são necessárias para atrair os investidores e citou a mondernização da legislação trabalhista e ampliação da livre negociação entre patrões e empregados como uma forma de combater o desemprego.
Concluiu afirmando que o Brasil retomou a auto confiança com o sucesso dos Jogos Olímpico e acenou com a pacificação e reconciliação do país.
Naquele momento, manifestações contra seu governo já ocorriam em vários Estados.Manifestação contra o golpe reprimida com bombas de gás
A manifestação contra o impeachment de Dilma Rousseff partiu do centro de Porto Alegre às 19 horas, seguiu pela avenida João Pessoa, onde surgiram os primeiros distúrbios, quando um grupo atacou o diretório municipal do PMDB. A cortina de ferro foi arrombada e o grupo entrou na sede do partido e quebrou janelas.
Houve tentativa de atear fogo usando um contêiner de lixo, que foi empurrado para o corredor da sede. Os bombeiros foram chamados e o fogo apagado assim que o grupo se dispersou.
Houve intervenção do choque com bombas de gás lacrimogêneo.
Dirigindo-se para a avenida Ipiranga, milhares de manifestantes ( Jornal da Globo estimou em 20 mil), ao chegar na altura da Érico Veríssimo, onde fica a sede da RBS, defrontaram-se com outras forças do batalhão de choque da BM.
Manifestantes de um lado da avenida, na frente do colégio Protásio Alvos gritavam: “RBS golpita, RBS golpista”. Queimaram pneus e os mais exaltados jogaram pedras e garrafas, pelotões policiais protegidos por escudo responderam com bombas de gás lacrimogêneo. Pelo menos cinco bombas foram lançadas, segundo a Rádio Gaúcha.
Por volta das 20h30min, a maioria dos manifestantes começou a dispersar, restando um grupo de umas 50 pessoas, gritando as palavras de ordem, contra o grupo de comunicação. Os demais se reorganizaram e retornaram pela avenida Lima e Silva em direção ao Largo Zumbi dos Palmares.
Festa no Parcão
Houve também comemoração pelo impeachment de Dilma Rousseff em diversas cidades. Em Porto Alegre, os manifestantes vestindo verde e amarelo, munidos de cornetas e fogos, se concentraram no parque Moinho de Ventos. A Banda Loka Liberal cantou paródias contra Lula e o PT.
Iniciada por volta de 18h, a manifestação era saudada com buzinaços pelos motoristas que passavam no local. Antes das 21h, poucos permaneciam no local. Ninguém saudou o novo presidente Michel Temer.
Manifestações em São Paulo
(Da agência Brasil) Manifestação contra a ex-presidenta Dilma Roussef e contra o PT ocorre na Avenida Paulista em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A via está bloqueada pelos manifestantes, que comemoram o impeachment.
Às 18h40, houve confusão entre pessoas contra e a favor do impeachment no local. Um grupo começou a gritar xingamentos contra o PT. A polícia interveio e a confusão foi dispersada.
Dois bonecos foram inflados neste momento, um representando Dilma e outro Renan Calheiros.
O Movimento Brasil Livre (MBL), um dos grupos que apoiou o impeachment da presidenta Dilma Roussef e que participa de um ato hoje na Avenida Paulista, defendeu as reformas pretendidas pelo presidente Michel Temer, tanto na previdência quanto a trabalhista.
“O MBL vai lutar agora pelas reformas necessárias, a reforma da previdência, a reforma política e até mesmo a reforma trabalhista”, disse Fernando Holiday, coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL). “Nós vamos procurar pautar esse governo [Temer] com as reformas liberais que nós consideramos as ideais”.
Holiday disse que o ato em frente à Fiesp é uma comemoração devido ao impeachment da presidenta Dilma Roussef, que, segundo ele, foi a pauta de diversos movimentos de rua ao longo dos últimos dois anos
A Polícia Militar fez um cordão de isolamento entre o quarteirão onde estão os manifestantes pró-impeachment e o quarteirão onde ocorre manifestação contra o impedimento de Dilma. Dois carros da tropa de choque também ajudam no bloqueio.
Movimentos sociais, estudantis e coletivos feministas fizeram manifestação em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) protestando contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e pedindo a saída do presidente da República, Michel Temer.
O protesto, convocado pela internet pelo coletivo Democracia Corintiana, ocupava às 19h30 todas as oito faixas da Avenida Paulista em frente ao museu.
Por volta das 18h30, manifestantes de outro protesto que ocorria na Praça do Ciclista, também na Avenida Paulista, convocada pelo grupo Levante Popular, juntaram-se à que ocorria no Masp.
No início da noite a polícia teve que intervir com bombas de gás para conter os manifestantes que queriam sair do trajeto pré-estabelecido. Não houve feridos.
Manifestações contre o impeachment de Dilma ocorreram no Rio, Recife e em outras capitais. Não se tem notícia de incidente grave até o momento.
Joaquim Barbosa diz que foi "impeachment Tabajara"
O mais contundente ataque ao governo que iniciou às 16 horas desta quarta-feira, com a posse efetiva de Michel Temer na Presidência da República, partiu do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa.
Logo depois da primeira entrevista de Temer, como presidente efetivo, Barbosa postou uma sequência de mensagens arrasadoras no twitter, algumas em inglês e francês.
“Eu não acompanhei nada desse patético espetáculo que foi o “impeachment tabajara” de Dilma Roussef. Não quis perder tempo. Mais patética ainda foi a primeira entrevista do novo presidente do Brasil, Michel Temer…“.
“O homem parece acreditar piamente que terá o respeito e a estima dos brasileiros pelo fato de agora ser presidente. Engana-se.”
“É tão constrangedor! De repente as forças políticas altamente conservadoras tomaram o Brasil. Tomaram tudo”.

“Eles dominam o Congresso. Eles cercam o novo presidente, um político para ser comparado aos velhos “caudillos” da América Latina. Kkkkkkkk”,.
“Eles estão conduzindo os meios de comunicação, incluindo canais de TV. E quer saber? Eles não têm votos! Basta esperar um par de anos!”.Prédio do Julinho será tombado no centenário de Demétrio Ribeiro
No centenário do nascimento do arquiteto e urbanista Demétrio Ribeiro, será tombada uma de suas obras mais conhecidas, o prédio do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o “Julinho”, de 1958.

O arquiteto Demétrio Ribeiro (1916-2003)
O prefeito José Fortunati assinará o ato de tombamento nesta quinta-feira, 1/9 , numa cerimônia no no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS), a partir das 19hs
O Julinho foi fundado em 1900, com o nome de Ginásio do Rio Grande do Sul. Em 1908 foi renomeado para homenagear Castilhos, morto cinco anos antes. Na década de 1930, quase foi privatizado. Um incêndio destruiu sua sede sete anos antes de ser erguido o atual prédio, em estilo moderno. Nesse período, a escola funcionou no prédio do Arquivo Público de Porto Alegre.
As linhas retas da arquitetura foram novidade para o arquiteto quando recém-formado
O Julinho fica em frente à Praça Piratini, entre os bairros Santana e Azenha, onde também está a estátua de Bento Gonçalves. O colégio contribuiu para a urbanização da região. Hoje é a maior instituição de ensino do estado, com cerca de 3.600 alunos matriculados. Até meados da década de 1980 foi um dos melhores colégios da cidade.
Demétrio formou-se no Uruguai sob a influência da escola francesa, sobretudo do estilo conhecido como Art Déco. Quando formou-se, em 1943, e foi ao Rio de Janeiro para validar seu diploma no Brasil, conheceu Oscar Niemeyer, interessou-se pela nova linha e foi tentar compreender as obras de Le Corbusier, o inspirador de todos eles então. Na época em que projetou o prédio do Julinho, também era professor de arquitetura.
SERVIÇO
O que: Centenário de Demetrio Ribeiro e Anúncio de Tombamento do Colégio Estadual Júlio de Castilhos
Quando: Dia 01 de setembro / Quinta-feira
Onde: Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) – Rua General Canabarro 363, Centro Histórico de Porto Alegre.
Horário: 19h30min



