Autor: da Redação

  • Escândalo do DEP: Fortunati diz o que fez um mês depois

    Um mês depois de saber pela imprensa que a limpeza dos bueiros de Porto Alegre, feita por empresas terceirizadas, era superfaturada,  o prefeito José Fortunati convocou uma coletiva para falar das providências que tomou.

    Pretende notificar os engenheiros que eram encarregados de fiscalizar, anunciou novos diretores para o Departamento de Esgotos Pluviais, escolhidos entre servidores de carreira e anunciou um novo organograma para o Departamento de Esgotos Pluviais para a próxima sexta-feira (19).
    Mencionou também um estudo de viabilidade para integrar o DEP ao DMAE, a ser sugerido ao seu sucessor.
    Em nenhum momento, o prefeito cogitou que os serviços devam deixar de ser terceirizados ou assumiu qualquer falha na sua gestão.
    Ladeado pela procuradora-geral do Município (PGM), Cristiane Nery, e o procurador adjunto, Lieverson Luiz Perin, tudo o que fez foi anunciar “ações para a responsabilização dos servidores e empresas envolvidas”.
    Segundo Fortunati, a investigação trabalhou em quatro frentes, ouviu 28 pessoas (servidores, técnicos, gestores e diretores, além dos representantes das empresas contratadas).
    Uma das frentes apurou as denúncias feitas pela imprensa sobre o pagamento de serviços que não foram que não foram feitos.
    A denúncia foi feita no jornal Zero Hora, em 11 de julho, pela repórter Adriana Irion. Ela começou a investigar o caso em fevereiro, depois de um período de chuvas que chamou atenção para a precariedade do escoamento pluvial em várias regiões da cidade.
    Constatou que empresas  terceirizadas cobravam  pela limpeza das bocas de lobo, sem executar o serviço.
    De uma das empresas, a JD Construções, a Prefeitura vai cobrar  o ressarcimento de R$ 2,1 milhões por serviços pagos e não executados, além de dano moral coletivo, com valor a ser definido em juízo.
    De outra, a REF, ainda não sabe o valor. “Outras duas nos procuraram para assinar um termo de ajustamento no qual elas se comprometem a efetivamente prestar o serviço contratado, o que evita o processo e agiliza o serviço”, contou Cristiane Nery.
    Em outra frente, com a Controladoria Geral do Município, foi feita auditoria no contrato de serviços de drenagem da Vila Minuano. Não foram anunciados os resultados da auditoria.
    Uma terceira frente geriu o departamento neste período, coordenada pelo procurador adjunto do Município, Lieverson Luiz Perin.
    E, por fim, a Procuradoria-Geral do Município segue numa investigação mais aprofundada para esclarecer denúncias relativas a todos os 16 contratos do DEP, sua fiscalização e a conduta de ex-diretores do departamento.
    De acordo com o prefeito, todo o material coletado pela PGM será remetido ao Ministério Público Estadual (MP-RS).
    Quanto à gestão do DEP, o procurador-adjunto do Município, que assumiu como interino durante o período de intervenção, falou sobre as principais medidas adotadas.
    Entre elas,  a substituição de todas as chefias das quatro seções de conservação por engenheiros do quadro de servidores e a elaboração de um novo organograma (previsão de publicação até 19/08/2016) e adequação da concessão de funções gratificadas, eliminando a defasagem entre o organograma oficial, o organograma de fato vigente e as reais necessidades do departamento, a adequação no pagamento de horas extras, a descentralização da fiscalização e a centralização das demandas de serviços.
    Lieverson, o gestor do mês da crise, prevê desenvolver um aplicativo, em parceria com a Procempa: “Os veículos serão rastreados e as equipes sairão para a rua com mapa e itinerário dos serviços a serem executados. No local, o responsável vai fotografar e enviar à chefia, que poderá solicitar que seja refeito caso não esteja satisfatório. Isso amplia o controle social sobre a prestação desse serviço”, acredita.
    Discretamente, ao final de uma lista de medidas tomadas e em andamento, foi anunciada no boletim  da Prefeitura uma nova licitação até 15 de setembro, para contratação de serviços de drenagem, já usando tal aplicativo.
    O prefeito encerrou apresentando os dois servidores, ambos engenheiros do quadro da Prefeitura de Porto Alegre, que foram designados para assumirem a direção do DEP.
    O engenheiro civil René José Machado de Souza, servidor há 36 anos, é o novo diretor-geral, e a também engenheira civil Daniela da Costa Bemfica, servidora do DEP desde 1999, nova diretora-adjunta.
    ABAIXO, AS PROVIDÊNCIAS ANUNCIADAS PELA PREFEITURA
    Resultados da investigação:
    1) Encaminhamento das conclusões da sindicância para a Comissão Permanente de Inquérito (CPI) com recomendação de instauração de inquérito disciplinar para apuração de responsabilidades de quatro servidores públicos responsáveis pela fiscalização contratos.
    2) Notificação das empresas JD Construções, Grimon, Ref e Imbil; encaminhamento de suspensão, multa e declaração de inidoneidade da JD e Ref.
    3) Termo de Ajustamento com empresa Imbil com vistas à conclusão dos serviços contratados.
    4) Termo de ajustamento com empresa Grimon para fins de solucionar problemas estruturais na execução da obra da Casa de Bombas da Vila Minuano.
    5) Ajuizamento de ação de improbidade administrativa, cobrando o ressarcimento de valores pagos indevidamente contra empresa JD e servidores envolvidos. Valor: R$ R$ 2.100.000,00 (valor provisório), além de danos extrapatrimonais (dano moral coletivo) com valor a ser fixado pelo juízo.
    6) Ajuizamento ação de improbidade visando ressarcimento dos valores pagos cujos serviços não foram executados contra empresa Ref. Valor: a ser apurado
    7) Continuidade da análise nos demais contratos do departamento.
    8) Representação junto à Promotoria de Defesa do Patrimônio e Especializada Criminal do Ministério Público Estadual para repasse das informações apuradas.
    Medidas de gestão:

    1) Elaboração de novo organograma (previsão de publicação até 19/08/2016) e adequação da concessão de funções gratificadas, eliminando a defasagem entre o organograma oficial, o organograma de fato vigente e as reais necessidades do DEP. Adequação no pagamento de horas extras.
    2) Substituição do diretor de Conservação e designação de engenheiros do quadro de servidores para assumir a chefia das 4 seções de conservação (Centro, Norte, Leste e Sul).
    3) Redesenho de um novo fluxo de serviço, padronizado em todas as seções de conservação, procurando estabelecer pontos de controle nas etapas dos serviços, aumentar o uso de sistemas informatizados, criar um gerenciamento de todas as etapas, procurando dar maior transparência ao cidadão.
    4) Conferência de medições dos contrato 01.041173.10.4 (Limpeza de Equipamentos de Drenagem), empresa J.D. Construções LTDA.
    5) Conferência de três medições do contrato 01.002380.15.3 (Hidrojateamento), empresa JD Comércio e Serviços. Empresa já notificada;
    6) Conferência das medições do 01.013952.15.3 (Reforma geral das CBs), da empresa REF Manutenção e Locação. Empresa já notificada.
    7) Substituição de fiscais de contratos de serviços.
    8) Rescisão do contrato com a JD Construções.
    9) Identificação das bocas de lobo que passam por limpeza (pintura).
    10) Centralização dos pedidos de serviços.
    11) Envio da sindicância referente à Casa de Bombas Minuano para Comissão Permanente de Inquérito (CPI).
    12) Reestabelecimento dos serviços de telefonia e internet na Seção Norte de Conservação.
    13) Conserto dos caminhões-jato que estavam inoperantes por equipes do DMAE (ambos já estão em operação).
    14) Encaminhamento de adesão ao registro de preços vigente para serviços de manutenção de veículos e equipamentos.
    Medidas em andamento:
    1) Agregar tecnologia à fiscalização: Desenvolvimento de aplicativo pela Procempa através do qual será organizado e checado todo o serviço executado pelas empresas contratadas.
    2) Publicação dos editais de licitação até o dia 15 de setembro para contratação dos serviços de limpeza dos equipamentos de drenagem, já prevendo utilização de aplicativo e novo mecanismo de medição que vincula o pagamento diário ao cumprimento de metas preestabelecidas.
    3) Elaboração de diagnóstico da situação das casas de bombas, com vistas a subsidiar plano de recuperação de todo o sistema.
    e todo o sistema.
  • Governo gaúcho e empresas buscam ampliar negócios com a Argentina

    Uma delegação gaúcha de 35 pessoas parte hoje para Buenos Aires, liderada pelo governador José Ivo Sartori. De terça a quinta-feira, estarão em missão junto ao governo argentino, universidades e empresas.
    Sartori espera potencializar as relações econômicas entre o Estado e a Argentina. Na sua avaliação, é uma alternativa de curto prazo para estimular o crescimento econômico do Rio Grande do Sul.
    Uma das metas do governo é reverter o desempenho comercial do ano passado. Em 2015, o Estado exportou US$ 1,27 bilhão para a Argentina, seu principal parceiro no Mercosul, e importou US$ 1,85 bilhão.
    “O foco são as áreas de tecnologia, couro, sapato, transportes e automotiva”, destacou Sartori. “Já conversamos com o embaixador da Argentina no Brasil, que está protagonizando esta aproximação, e temos o aval do governo brasileiro. Queremos também facilitar ainda mais o mercado para os produtos gaúchos.”
    Entre os focos na área de transportes, estão as pontes internacionais, cruzando o rio Uruguai, nos municípios de Porto Mauá e Porto Xavier, na região de Santa Rosa, no Norte do Estado; e em Itaqui, um pouco mais abaixo.
    Passageiros a bordo
    A comitiva parte no vôo comercial da Aerolíneas Argentinas das 12h30. Além do governador, encabeçam a lista de passageiros o senador Lasier Martins e o deputado federal Luis Carlos Heinze.
    Viajam três secretários de Estado: da Agricultura, Ernani Polo; da Cultura e interino do Turismo, Victor Hugo; do Desenvolvimento Econômico, Fábio Branco, e seu adjunto, Renato de Oliveira, coordenador da missão; executivos da Secretaria de Transportes e do Codesul; e dois deputados estaduais da comissão permanente do Mercosul, João Fischer e Luis Augusto Lara.
    Seguem junto os prefeitos de Porto Mauá, Porto Xavier, Itaqui e o de Senador Salgado Filho, que preside a associação dos municípios da Grande Santa Rosa, além de três representantes das associações interessadas nas três pontes.
    São, ao todo, 18 passageiros da área política, acompanhados por mais cinco da equipe de apoio. Segundo o Piratini, integrantes do governo do Estado terão as despesas pagas pelos respectivos órgãos. Já os representantes de entidades, que são 17, custearão seus gastos com passagem, alimentação e hospedagem.
    Integram a delegação dirigentes da Fiesp, da Fecomércio, do Sebrae, da Ufrgs e do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas, além de executivos de empresas – Marcopolo Argentina, Conservas Oderich, Dana Incorporated e Stihl do Brasil.
    Agenda em Buenos Aires
    O primeiro compromisso oficial da missão será na terça-feira (16), às 10h, quando o governador e a comitiva serão recebidos pelo secretário argentino de Planejamento e Políticas de Ciências e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva, Miguel Angel Blesa.
    Às 12h, Sartori se reúne com a governadora da província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal. A intenção é intensificar a cooperação acadêmica, científica, tecnológica, econômica e cultural entre os dois estados. A agenda inclui ainda reuniões nos ministérios da Cultura, Agroindústria, Produção e Transportes.
    Às 15h, a missão gaúcha será recebida pelo ministro de Agroindústria argentino, Ricardo Buryaile.
    Às 16h, o governador e a comitiva serão recebidos pela chanceler Susana Malcorra, ministra das Relações Exteriores e Culto. No encontro, Sartori apresentará a política de desenvolvimento econômico e relações internacionais do Estado e pretende identificar potenciais projetos em comum com a atual gestão do presidente Maurício Macri, que, segundo o Piratini, manifestou interesse em promover a aproximação.
    O governador fará um balanço da missão na quarta-feira (17), às 12h, durante coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil. Ele retorna ao Brasil antes do grupo, para reunião com representantes do Banco Mundial (Bird), dia 18, em Florianópolis (SC).
    Aqui, a agenda completa
    Em maio deste ano, Sartori recebeu o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Alfredo Magariños, para tratar da revitalização do Mercosul. Em julho, o tema foi pauta do encontro do governador com o ministro das Relações Exteriores, José Serra. Também em julho, o governador viajou ao Uruguai.
    Tradicionalmente, os principais produtos gaúchos comprados pela Argentina são: automóveis de passageiros (16%), polímeros de etileno em formas primárias (16%), partes e acessórios de veículos automotivos (8%) e máquinas e aparelhos para colheita ou debulha de produtos agrícolas (6%).
    Os principais produtos importados da Argentina são: veículos automóveis para transporte de mercadorias (50%), automóveis de passageiros (16%), trigo e mistura de trigo com centeio (4%) e cevada (4%).
     
     

  • Burocracia: "É preciso partir da boa-fé do cidadão", diz jurista

    Um anteprojeto de lei de desburocratização em elaboração por uma comissão especial de juristas deve ser entregue no Senado no início de setembro. Ele estabelece as regras para simplificar o acesso aos serviços públicos e a empresas que prestem serviços aos cidadãos.
    “Nesse mês de agosto com certeza essa minuta se converte em anteprojeto e, no mais tardar, na primeira semana de setembro, será entregue ao presidente do Senado”, disse o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Mauro Campbell, que preside a comissão.
    Na sexta-feira (12), a comissão debateu a dispensa de alvarás, certidões, licenças e atestados. Para a professora e jurista Mary Elbe Queiroz, é preciso partir da boa-fé do cidadão. Para ela, a constante exigência desses documentos não soluciona o problema das fraudes e ainda sobrecarrega o cidadão inocente.
    “O atestado de vida, por exemplo. É um absurdo exigir que um velhinho de 90 ou 95 anos saia de casa doente, já com várias deficiências, para comprovar que existe. O Estado que deveria ir até ele ou criar mecanismos para que possa fazer essa consulta.”
    Mary Elbe explicou que o Estado muitas vezes já tem determinadas informações, mas em vez de consultar seus órgãos impõe ao cidadão o ônus de fornecer vários documentos.
    No caso da renovação do passaporte, habilitação e identidade, por exemplo, os juristas defendem, salvo em casos específicos, que seja levado somente o documento anterior.
    “Não deveria ser necessário levar os mesmos documentos já apresentados inicialmente. A administração já tem que ter isso em seu cadastro”, disse Mary.
    Mauro Campbell disse  que o objetivo dos trabalhos é facilitar a vida do cidadão. Segundo ele, a lei deverá trazer sanções para que as regras sejam rigorosamente cumpridas.
    “O importante é que nós não saiamos do princípio-mãe do estatuto que é a palavra do cidadão ter crédito, salvo quando o poder público comprovar o contrário. Tudo virá por consequência disso”, explicou.
    O objetivo da comissão é o de ajudar a desburocratizar a administração pública, melhorar a relação com as empresas, o trato com os cidadãos e promover a revisão do processo administrativo e judicial de execução fiscal. A comissão tem 20 integrantes. O relator é o ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    (Com informações da Agência Senado)

  • Hélgio Trindade lança novo livro sobre os fascistas

    Hélgio Trindade cumpre a promessa e traz a público a análise de entrevistas realizadas entre maio de 1969 e setembro de 1970 com dirigentes integralistas nacionais, regionais e locais, e militantes.
    O livro “A tentação fascista no Brasil: imaginários de dirigentes e militantes integralistas”, será lançado nesta terça-feira (16), na livraria Cultura, às 19hs.
    O lançamento se dá pouco mais de quatro décadas após a publicação de seu livro anterior sobre esta corrente ideológica ultraconservadora, “Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 30”.
    Hélgio Trindade é professor emérito a da Universidade Federal do Rio Grande do Sul onde foi Reitor. É pesquisador Sênior do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFRGS.
  • O império da sucata e a soberania nacional

    Fernando Rosa – jornalista
    Em janeiro de 2009, o embaixador dos EUA no Brasil Clifford Sobel enviou telegramas ao governo Norte-Americano com duras críticas ao Plano Nacional de Defesa do Brasil, anunciado em dezembro de 2008 pelo presidente Lula, segundo noticiou o jornal Estadão, na época. A informação tinha como fonte um conjunto de telegramas vazados pelo site Wikileaks, também responsável por vazar trocas de informações entre o atual presidente Michel Temer e autoridades dos EUA. Segundo a matéria, o relato destacava a preocupação com “o interesse do Brasil em controlar tecnologia nos setores espacial, cibernético e nuclear”.
    Os telegramas também evidenciavam a preocupação – e uma certa ironia – de Sobel com a palavra “independência” que, segundo ele, demonstravam a vontade do Brasil em controlar a produção de armamentos, e com prioridade para alianças com países que transferissem tecnologia. Sobel também destacava a preocupação dos brasileiros com as descobertas de petróleo no mar e a sua utilização como razão urgente para melhorar a segurança marítima. “Essa preocupação se fundiu à busca de duas décadas do Brasil por desenvolver um submarino nuclear, dando um novo ímpeto à pesquisa sobre um pequeno reator para propulsão naval”.
    O embaixador norte-americano também manifestava contrariedade ao Plano pelo seu caráter mais amplo de visão e concepção de segurança nacional. Para ele, “algumas das propostas do plano têm menos a ver em melhorar a estrutura militar e mais com a integração da Segurança Nacional com o desenvolvimento do País”. Em sua “análise”, o plano batizado com o nome de “Paz e Segurança para o Brasil”, dava ênfase em benefícios sociais “em detrimento ao profissionalismo no serviço militar” com o objetivo de minimizar “a capacidade dos militares de se envolverem na área”.
    Ao contrário das especulações do embaixador americano, e do tom de intriga perseguido, o Plano afirmava que “a disposição para mudar é o que a Nação está a exigir agora de seus marinheiros, soldados e aviadores. Não se trata apenas de financiar e de equipar as Forças Armadas. Trata-se de transformá-las, para melhor defenderem o Brasil”. Nesse sentido, o Plano definia que “projeto forte de defesa favorece projeto forte de desenvolvimento. Forte é o projeto de desenvolvimento que, sejam quais forem suas demais orientações, se guie pelos seguintes princípios:
    a) Independência nacional, efetivada pela mobilização de recursos físicos, econômicos e humanos, para o investimento no potencial produtivo do País. Aproveitar a poupança estrangeira, sem dela depender;
    b) Independência nacional, alcançada pela capacitação tecnológica autônoma, inclusive nos estratégicos setores espacial, cibernético e nuclear. Não é independente quem não tem o domínio das tecnologias sensíveis, tanto para a defesa como para o desenvolvimento;
    e ) Independência nacional, assegurada pela democratização de oportunidades educativas e econômicas e pelas oportunidades para ampliar a participação popular nos processos decisórios da vida política e econômica do País. O Brasil não será independente enquanto faltar para parcela do seu povo condições para aprender, trabalhar e produzir.
    A cada dia que passa, mais claras se tornam as evidências do envolvimento externo nas operações golpistas – desde as ações de rua em 2013, passando pela Lava Jato, até o recente “encontro” de John Kerry com José Serra. As manifestações de rua tentaram reproduzir as “primaveras” golpistas, a operação Lava Jato mirou na Petrobras e no Pré-Sal, nas empreiteiras nacionais e no submarino nuclear. Ao mesmo tempo, os chefes do golpe apostam no alinhamento unilateral e suicida aos Estados Unidos, do que não deixa dúvidas a imediata visita do senador Aloysio Nunes (PSDB) ao Pentágono, logo após o afastamento da presidenta Dilma Rousseff.
    Ao mesmo tempo, é cada mais temerária a postura belicista norte-americana para impedir o desenvolvimento de países e regiões, do que são exemplos a destruição do Iraque e da Líbia, e as demais guerras no Oriente Médio. Os exércitos de China, Índia e Rússia, não por acaso três países do BRICS, por outro lado, junto com EUA e França serão as forças armadas mais poderosas do mundo em 15 anos, segundo publicação político-militar “The National Interest”. O que está em jogo, portanto, nesse momento, para os interesses nacionais, geopolíticos e militares, por certo, vai além dos temas da democracia e dos direitos sociais, embora fundamentais.
    O povo brasileiro, em boa parte, nas ruas de todo o país, já demonstrou seu total repúdio ao golpe e aos golpistas interinos; enquanto outra parcela certamente reagirá ainda com mais vigor diante do “pacote de maldades” sociais previsto para o pós-impeachment, se vingar. O mundo, governos, lideranças intelectuais, políticos, artistas, até mesmo dos Estados Unidos, e a mídia internacional em sua grande maioria também identificam como um golpe de estado o que está em curso no país. A CNBB acaba de perguntar “para onde vamos?”, advertindo que “democracia é respeito à vontade do povo” e conclamando “ao diálogo e à busca de soluções democráticas que preservem as conquistas e os direitos do nosso povo”.
    Em 1982, a Guerra das Malvinas sepultou a política de segurança nacional regional e mundial vigente até então, quando os Estados Unidos negaram munição à Argentina, deixando os argentinos à mercê da covarde e cruel agressão dos exércitos da Inglaterra. Da mesma forma o que os EUA pretendem agora, em ultima instância, é transformar o Brasil em comprador de suas sucatas e sobras de guerras superadas tecnologicamente. Pode ser uma ironia a visita do secretário de Estado John Kerry à equipe americana na Escola Naval,  durante as Olimpíadas, no Rio de Janeiro, mas não tem nada de casualidade a perseguição e a absurda pena de 43 anos de prisão ao Almirante Othon, responsável pelo desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro.
    Nos anos 70, o general Ernesto Geisel já havia apostado na multipolaridade, ao abrir relações diplomáticas e comerciais com a China, e na independência tecnológica, ao romper o acordo de fornecimento de material bélico com os EUA, assinando o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, que resultou nas usinas Angra I e II, dando início a moderna indústria bélica nacional. Em sua Política de Defesa Nacional, sancionada em 2005, pelo presidente Lula, o Brasil definiu que “a segurança, em linhas gerais, é a condição em que o Estado, a sociedade ou os indivíduos se sentem livres de riscos, pressões ou ameaças, inclusive de necessidades extremas”. Neste momento em que tentam destruir o Poder e Estado nacional, assim como povo brasileiro, as FFAA não aceitarão o papel de “capitães do mato” do Império colonial, e honrarão a herança de Floriano Peixoto.
    O Plano Nacional de Defesa

  • Cpers vai pressionar partidos políticos nas eleições municipais

    Higino Barros
    Em entrevista na sede do Cpers/Sindicato, a presidente da entidade, Helenir Schürer, fala sobre o cenário da Educação no Rio Grande do Sul, as lutas da categoria, as estratégias dos professores no embate com o governo Sartori, entre outros temas, e manda um recado: os partidos políticos serão pressionados nas eleições de outubro.
    Nunca a Educação foi tão aviltada
    Tenho 32 anos de filiação no sindicato. Entrei quando era professora municipal e se podia nessa condição se filiar ao Cpers. Entrei para o Estado em 1977.  E nunca, nesse tempo que lido com a educação pública, nunca a vi tão aviltada, tão abandonada. Não somente na questão de investimentos, mas também na formação dos professores e funcionários, com recursos humanos. Hoje nós temos a nossa escola desmoralizada, fruto de uma campanha que vem desde os anos 1990, quando as ideias da política neoliberal entraram com força no país. Ela prega que o servidor e a coisa pública, em geral, não serve, não presta.  
    Volta e meia essa ideia reaparece com força e atualmente estamos enfrentando o Projeto de Lei 44/2016, do governo Sartori, que visa a privatização da educação pública. Então são dois movimentos nesse sentido. Um de não investir no setor, sucateando seu aparato físico, e outro de venda, passando a ideia para a opinião pública de que a privatização é a saída para os problemas da educação.
    É uma atitude de desresponsabilização do poder público de sua obrigação constitucional de ser o gestor da educação pública. Dá pena de ouvir o relato de colegas valorosos, apaixonados pela profissão, com todos esses atrasos nos pagamentos, admitirem que pensam em procurar outra atividade para sobreviver, porque não estão aguentando mais a situação. Isso está se tornando cada vez mais frequente e é culpa do governo que se queixa de crise financeira, mas não faz nada certo para resolvê-la. Um Estado que não investe em educação está fadado ao fracasso.    
    Dois projetos políticos divergentes
    A questão do abandono da educação é resultado de um projeto político ideológico. Antigamente, passar no exame de admissão para o ingresso numa escola pública era como passar hoje no vestibular da UFRGS. A escola tinha tal qualidade que suas vagas eram disputadas por todos. Pois isso, por uma ação política planejada, foi sendo sabotado, para se passar a ideia de que se é público é ruim, que só o privado tem coisas boas e positivas.
    Há professores que dizem que não gostam de política. Essa atitude só serve aos maus políticos, que aplaudem esse comportamento, porque para eles é menos um que vai incomodar. E não dá para negar a realidade. Hoje no Brasil e no Rio Grande do Sul existem dois projetos políticos. Um que prega o Estado mínimo e tudo regulado pelo mercado e o outro que entende que o Estado tem que ser indutor de políticas sociais, presente na vida daqueles que têm maior necessidade dessas políticas.
    Pressão sobre os partidos políticos
    Desde que nós assumimos a direção do Cpers, temos uma discussão sobre a necessidade de união entre professores e funcionários. Lutar separados é muito mais desgastante, é muito mais demorado e difícil obter vitórias. Ano passado conseguimos reativar um grande bloco de servidores públicos. Fizemos algumas paralisações conjuntas, mas não greve. Conseguimos barrar algumas coisas que iam ser postas em execução. Principalmente na Assembleia Legislativa, onde o governo tem 36 votos, ou seja, ampla maioria.
    Esse ano estamos avançando na pressão sobre os deputados. Como é que essa convivência funciona? Nós vamos aos gabinetes conversar, somos bem recebidos, ouvidos com atenção, mas na hora da votação, o voto é contra nossos interesses. Então decidimos que nós devemos intervir e influenciar nas eleições municipais, onde esses deputados têm interesses.  Vamos retribuir com voto contrário a todos os partidos que negaram os nossos pleitos. Temos uma campanha pronta dizendo assim aos partidos. No ano passado e nesse ano pedimos os votos dos representantes do PMDB e seus aliados e eles nos disseram não. Agora eles virão a nossas casas, através da propaganda eleitoral, pedir nossos votos. A nossa resposta é não. A resposta tem que ser a mesma que eles nos deram, quando precisamos.
    O sindicato não vai orientar em quem o professor deve votar. Isso é uma decisão pessoal. Mas a pessoa deve ser informada do procedimento do partido daquele político nas questões da educação. Ou seja, nós vamos dizer em que partido não votar. Eles já possuem suas projeções e levantamentos de quantas prefeituras vão ganhar, quantos vereadores terão. Se por uma ação nossa, que eles saibam que foi graças à nossa intervenção, conseguirmos quebrar essas projeções deles, já terá sido uma grande vitória nossa. Já ficarão de barbas de molho, pois os próximos a serem submetidos a essa ação serão os deputados e o governo. Essa é uma semente que vamos plantar agora e ela no futuro vai render bons frutos.
    Desgastes impostos à categoria
    Há colegas que dizem que se isso acontecer não precisaremos fazer greve. Porque a verdade é que os professores e funcionários não gostam de fazer greve. Essa é uma visão equivocada. Greve é o último recurso. O grevista sofre pressão do governo, dos pais dos alunos, do vestibular, da imprensa, entre outros setores. O melhor seria não ter greve. Até pouco tempo atrás se fazia greve pela greve. Ela não era construída na base da categoria. Era a tal da greve de vanguarda, como a gente chama. Se ela tem o conhecimento de toda a categoria, até pode ser uma greve menor, da vanguarda mesmo, mas construída pela base. Não ter ocorrido isso algumas vezes desgastou muito os professores.
    Fizemos essa construção aos poucos. Primeiro foram três dias de greve, depois seis dias, no ano passado. Agora fizemos 54 dias, que poderiam ter ficado em uma semana, se o governo tivesse disposição de negociar, o que não teve. Onde o governo chegou foi simplesmente uma queda de braço conosco e total desrespeito com as famílias dos alunos. O acordo a que o governo chegou com os professores não teve quase custo para ele e poderia ter sido resolvido em uma semana. E o que foi conquistado ficou na garantia de direitos. Não ganhamos nada novo. E o governo só se dispôs a negociar depois que ocupamos o Centro Administrativo, pois nessa ação nós paralisamos o coração do governo. Só por isso eles nos chamaram para negociar, nós temos clareza disso. O que demonstra o total descompromisso do governo com a educação e sua responsabilidade no empobrecimento do Estado e na sua diminuição como um todo.
    Ocupação das escolas por alunos
    O fato mais rico e encantador que vivi nos meus 32 anos de magistério foi que nessa greve houve a ocupação das escolas por alunos e, em grande parte delas, com a participação dos pais. Isso é fruto do incentivo que eles recebem para que reflitam, para que pensem, que tenham uma postura crítica em relação à sociedade. O resto é por conta deles. Da inquietação da idade, da vontade de intervir nas coisas e ser protagonista de suas vidas. Talvez a falta de algumas coisas materiais contribua para que eles ponham em prática o que eles têm de melhor, que é o intelecto. Eles demonstraram disciplina, solidariedade, organização e responsabilidade o tempo todo, que é um exemplo para todos. E houve muitos pais que se juntaram a eles, tornando o processo mais legítimo ainda.
    Os alunos vivenciaram uma experiência única e, pode ter certeza, a escola pública que passou por isso nunca mais será a mesma. Inevitável de agora em diante haver conflitos a serem resolvidos. Porque o empoderamento dos alunos no sistema escolar foi original e irreversível. Agora não tem mais volta. Eles não vão aceitar mais a escola só como um depósito de informação em que eles não abrem a boca. Agora há o fator de pertencimento. A metáfora que faço é essa. Até agora a gente trabalhava com um casulo. Pois o casulo virou borboleta que voa e atingiu uma liberdade onde a natureza estabelece o limite.
    O Cpers está organizando nas escolas, para pais e professores, seminários onde se possa discutir qual a escola de hoje, onde temos consenso que ela está superada e qual a nova escola que surge depois desse processo. Acho que será uma escola riquíssima de debates e de construção do novo. Pena que a gente não possa contar com o mantenedor, já que o projeto dele é acabar com nossa escola.
    Aulas reduzidas com salários parcelados
    Temos consciência de que a recomendação do Cpers para os professores darem aulas com tempo reduzido enquanto os salários são parcelados, acaba impactando no número de aulas que terão de ser recuperadas por causa da greve. A nossa posição é clara e simples. Podemos brigar com quem quiser. Mas não temos direito de prejudicar o aluno. Então até o final do ano letivo, ele terá que ter 200 dias de aulas e 800 horas como estabelece a Lei de Diretrizes e Base. Essa lei será cumprida. Não é orientação nossa e o sindicato não apoia nenhuma ação que retire direito de aluno. Se brigamos por nossos direitos, não tem nenhum sentido não respeitar os direitos dos alunos. É um processo formativo também.
    Campanha “Fora Sartori”
    Vamos formar caravanas para o interior, com a participação de diversas categorias profissionais para discutir sobre a pauta das eleições municipais. Vamos fazer atos nos 42 núcleos do Cpers e estaremos presentes na Expointer. E prosseguindo com a campanha, aprovada pelo nosso Conselho, declarando o governador Sartori inimigo da Educação. Vamos ter um “fora Sartori” também, porque um político que é inimigo da Educação não merece permanecer no cargo. Estamos presentes também na Frente Sindical em Defesa do Serviço Público, participando de todos os debates, atos e discussões.
    Mais do que os servidores, temos que discutir esses assuntos com a população. A grande discussão é sobre o papel das OS, suas representações e suas participações de acionistas. Não podemos repetir a experiência dos pedágios, que foram para mãos de pessoas que tinham participação no governo e depois que saíram foram ganhar muito dinheiro com negócios articulados no poder público. Em Goiás, por exemplo, onde as OS estão em prática, descobriu-se que, de oito existentes, três estavam sob controle de familiares do Carlinhos Cachoeira. Ou seja, é um processo que proporciona desvios sérios.
    Espaço para a oposição
    Nós temos uma oposição à direção do Cpers que nunca vi igual. Fui oposição também aqui, mas nunca me opus à categoria. Nossa oposição atual boicota tudo que é possível. Como informações do sindicato que não chegam a determinados núcleos e escolas. Tivemos que mudar o sistema de envio do nosso boletim oficial, a Sineta, que agora vai para a casa do professor, como forma de garantia que ele a receba. Recentemente parte dessa oposição foi fazer um protesto na frente do Palácio Piratini e ficou falando mal da direção do sindicato, fortalecendo nosso adversário. É uma coisa louca.
    Nós temos espaço para fazer oposição. No próximo ano tem eleição para a direção do sindicato, é normal a disputa do poder. Mas o que não se admite é que nessa luta contra a direção se coloque contra a categoria. A demora no encerramento da greve, quando ela podia ter sido resolvida em menos tempo, ocorreu devido à atuação desses grupos. O prolongamento da greve só aumentou o desgaste da categoria e não mudou nada nas negociações.  

  • Razões de Dilma para recorrer à OEA

    PINHEIRO DO VALE
    Os dois principais líderes petistas, Luiz Inácio Lula da Silva e Aloísio Mercadante, estão tentando convencer a presidente afastada Dilma Rousseff a não chutar o balde ao chamar seus correligionários e ex-aliados às falas antes da votação final do impeachment no plenário do Senado.
    Lula e Mercadante temem que, em vez de ajudar, o estrilo da presidente abra um racha no Partido dos Trabalhadores num momento muito delicado, que é a véspera das eleições. Em centenas de municípios o PT está aliado ao PMDB.
    Essa aliança não pode ser rompida neste momento. Segundo estas avaliações, as bases dos dois partidos já estão em atitude suficientemente hostil entre elas para se agravar a situação.
    Se o “Fora Temer” se converteu num bordão de sucesso nas redes sociais e espaços públicos, para as lideranças petistas está provocando rachadura na aliança numa hora em que o PT se apresenta como a parte mais frágil da aliança, ao contrário das eleições anteriores quando a imagem de Lula predominava e mantinha o PMDB mansinho à sombra.
    A manobra aconselhada pela liderança petista é que Dilma apresente uma denúncia à Organização dos Estados Americanos, com base no Tratado de San José da Costa Rica, denunciando o golpe.
    Se ela efetivamente mandar seus advogados abrirem este processo estará afrontando o Supremo Tribunal Federal, que comanda o processo de impeachment no Senado, mas que poderiam ser uma última instância para determinar a ilegalidade do golpe. Se for à OEA Dilma estará dando uma figa para os ministros do STF.
    Isto pode ser perigoso, pois ainda há uma última esperança de que, na hora “H”, Ricardo Lewandowski, seu antigo aliado, possa bater o martelo de juiz e dar todo o processo golpista por acabado. Esta possibilidade não deve ser afastada, dizem muitos especialistas em Supremo: ao legitimar o processo de impeachment e assumir o comando do Senado o presidente do Supremo adquiriu a legitimidade para implodir a farsa parlamentar.
    Por outro lado, se Dilma optar pela denúncia a um tribunal internacional, mesmo perdendo a boa vontade do Supremo ela estará se vacinando contra o que vêm por aí assim que ela perder o foro hiper-privilegiado de presidente da República.
    Entrando na jurisdição da Justiça sem o foro presidencial, ela poderá ser chamada a responder por campanhas do passado, sem a proteção da marca de largada em 1 de janeiro de 2015, dia de sua última posse.
    Ela sempre poderá, num segundo passo junto à OEA, qualificar-se como perseguida política. Isto já lhe teria sido garantido pelo secretário geral da Organização dos Estados Americanos, o uruguaio Luiz Almagro, ex-chanceler do governo do presidente Pepe Mujica. Em vez de processada criminalmente, seria exilada, fora do alcance da Interpol.
    Aí está o problema, pois seria um ato a ser rejeitado pelo PT para manter a aliança eleitoral com o PMDB valendo para as eleições de outubro.
    Se fosse daqui a três meses, não haveria problema. Agora é um desastre, pois a direção nacional do PMDB poderia retalhar cassando todas essas coligações, deixando o PT na chuva.
    Devido a toda a manipulação da mídia e de certos pseudo-formadores de opinião pública, o PT está no pior momento eleitoral de sua história.
    Não é aconselhável, pensam Lula e Mercadante, chutar o balde neste momento. É por isto que estão tentando acalmar Dilma, pedindo-lhe paciência, pois se o PT pouco lhe ajudou de janeiro de 2015 até hoje, é sua última taboa de salvação. Sem seu partido Dilma pode ser tragada pelo turbilhão político que se avizinha.
    Ela também não se conforma com o resultado prático de sua bancada de defensores na comissão do Impeachment. Falando a linguagem da militância, bradando o vocábulo “golpe” (uma palavra que ofende aos demais senadores) chegaram ao fim do processo pior do que entraram:
    Na admissibilidade Dilma teve 22 votos; na pronúncia caiu para 21. Gol contra. E a tendência é chegar na final com 18 votos.
    Dizem as velhas raposas do Congresso: um governante que não consegue virar cinco votos não tem condições objetivas de  se manter no poder. Mais ainda com uma bancada parlamentar como a dela.
    Tampouco a defesa jurídica conseguiu resultados. Perdeu no STF uma causa ganha, pois é líquido e certo que o processo de impeachment só encontra respaldo na legislação política, mas poderia ser pelo menos contrabalançado nos tribunais, criando um espaço para dúvidas.
    Por fim, dizem, emerge da fumaça a figura da senadora Katia Abreu, ex-presidente da Confederação Nacional de Agricultura e ex-ministra da presidente Dilma. Pelo que ela falou na Comissão de Impeachment pode-se deduzir que as pedaladas do Banco do Brasil foram dadas para atender às suas pressões. Ela foi e continua sendo uma grande aliada da presidente afastada. Com tais amigos…
     

  • Estudo comprova sexismo na cobertura das Olimpíadas

     

    CLARA FERRERO, do El País
    Simone Biles é a grande sensação da ginástica nestes Jogos Olímpicos. A nadadora Katinka Hosszu bateu o recorde mundial dos 400 metros e está cheia de ouros, e a norte-americana Katie Ledecky arrasou na piscina, conseguindo o primeiro lugar — e fazendo história — nos 400m livres.
    Apesar de nos Jogos Olímpicos de 2016 quase 50% dos esportistas serem mulheres (45%, para sermos exatos) e dos impressionantes feitos esportivos que estão conseguindo, muitos meios de comunicação se negam a reconhecê-las como algo mais que um pedaço de carne.
    É o que afirma um estudo da Universidade de Cambridge que acaba de ser publicado e que afirma que a mídia trata de forma diferente a informação esportiva se (oh, que surpresa!) o protagonista é homem ou mulher. É a conclusão a que chegaram depois de analisar 160 milhões de palavras em jornais, blogs e redes sociais.
    Os homens recebem três vezes mais espaço e tempo na informação esportiva do que as mulheres, e pior de tudo, as palavras mais usadas com elas são “idade”, “grávida” ou “solteira”, enquanto “rápido”, “forte” e “fantástico” são os adjetivos mais usados quando se fala deles.
    Esses dados não fazem mais do que certificar o machismo que ainda está presente no âmbito esportivo e que ultimamente está sendo especialmente palpável no tratamento da informação dos Jogos Olímpicos do Rio. É só dar um giro pela Internet para encontrar vários exemplos flagrantes de discriminação e sexismo:

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Allison Stokke, a atleta que vai prender você no salto com vara no Rio 2016 – Marca Buzz
    “Será que Allison é a atleta mais bonita do mundo?” Com esta frase começa um ‘artigo’ do site Marca Buzz cujo único objetivo é coisificar a saltadora Allison Stokke. Sem citar em nenhum momento suas conquistas esportivas, o post se limita a inserir fotos da atleta treinando, retiradas de seu Instagram e acrescentando comentários como: “Sem dúvida está em forma”, “O salto com vara espera por você… e por meio mundo” ou “traga ou não medalha, ficaremos orgulhosos dela”. Outros tantos artigos circulam na rede limitando-se a analisar seu físico. Até sua página na Wikipedia dá mais protagonismo a sua fama na Internet como “ícone sexual” do que em analisar sua trajetória esportiva.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – A “mulher de” que ganhou o bronze – Chicago Tribune
    “A mulher de um jogador dos Bears ganhou hoje uma medalha de bronze na Olimpíada do Rio”, tuitou o Chicago Tribune depois que a atiradora norte-americana Corey Cogdell ficou com o terceiro lugar na categoria de tiro ao prato. Nem esse mérito nem o fato de ter ficado com a mesma medalha nos Jogos de Pequim pareceram suficientes para o jornal para mudar de ideia de apresentá-la como “a mulher de” nas redes sociais. Apesar de o texto escrito pelo jornalista Tim Bannon incluir o nome da esportista no título, abreviou as conquistas anteriores de Cogdell e preferiu destacar que é casada com o jogador de futebol americano do Chicago Bears Mitch Unrein. Os leitores não demoraram para reclamar nas redes sociais, propondo títulos alternativos e denunciando que “seu nome não é ‘esposa de um jogador dos Bears’. Seu nome é Corey Cogdell. Abaixo os títulos sexistas”.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – A goleira “sem complexos” que pesa 98 quilos e come hambúrgueres? – Marca
    O jornal esportivo Marca registrava a surpresa dos fãs diante da “destreza” da goleira do time de feminino de handebol de Angola, Teresa Almeida, apesar de seu “sobrepeso”. “Teve cerca de 34% de acertos, mas o que realmente cativou o pessoal foi sua flexibilidade com o corpo que tem”, diz um artigo totalmente focado no físico da esportista. Por mais que a própria Almeida fale com a publicação sobre seu corpo e dê várias declarações sobre como se sente sendo a “goleira da gordura”, o que verdadeiramente indignou o Twitter foi a forma como o jornal vendeu a notícia nas redes sociais. Os ícones que acompanham o título (a saber: hambúrgueres, batatas fritas e um gato morrendo de rir) só aumentaram a polêmica. O tuíte da discórdia foi apagado.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Hosszu, a nadadora que bateu o recorde mundial “graças a seu marido” – NBC
    No sábado passado, a nadadora húngara Katinka Hosszu quebrou o recorde mundial nos 400 metros, um feito que conseguiu “graças a seu marido”, segundo alfinetou ao vivo Dan Hicks, comentarista da rede de TVNBC. “Ele é a pessoa responsável por este triunfo. É preciso notar como mudou a motivação dela desde que começou a ser treinada por ele. É medo ou confiança o que a está ajudando neste processo?”, comentou o jornalista. Parece que Hicks esqueceu que a nadadora já foi campeã da Europa em 2010 (para citar apenas um dos títulos que ostenta), dois anos antes que seu atual marido começasse a treiná-la e três anos antes de se casar com ele.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – De “gostosas internacionais” a “atletas olimpicamente atraentes” – El Mundo
    A manchete que apresentava as “gostosas internacionais nos Jogos Olímpicos do Rio” foi uma das mais polêmicas. Depois de incendiar as redes sociais, o jornal El Mundo decidiu mudar o título da galeria de fotos para “a lista de atletas olimpicamente atraentes”. O jornal considerou o problema resolvido mantendo na chamada um interessante aviso a Gisele Bündchen: “Que a modelo não se acomode porque esta Olimpíada vem com um forte sex appeal”. As reclamações devido à continuidade do foco sobre o físico das atletas se repetiram no Twitter: “O [termo] ‘gostosas’ incomodou… Melhor colocar ‘olimpicamente atraentes’. + Ideaca, por isso que você é chefe!”, escreveu o usuário. Outros tuiteiros comentaram que o jornal também havia publicado o mesmo ranking na versão masculina (primeiro, também sob o título “gostosões” e, depois, com “atletas olimpicamente atraentes”).
    A Associação para Mulheres no Esportes Profissional (AMDP, na sigla em espanhol) demonstrou sua “raiva” escrevendo uma carta aberta ao jornal com o título Não são gostosas, são atletas e exigiu um “pedido público de desculpas para o tratamento discriminatório, machista, sexista do artigo”, também compilando outros “comentários sexistas” contidos na publicação.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Uma foto de Mireia (muito) infeliz — Marca
    Com o título Os sete dias de Mireia, o jornal esportivo Marca publicou uma foto em que… bem, muitos não demoraram em identificar e denunciar o conteúdo sexual e machista. Os usuários do Twitter perguntaram ao jornal se não havia uma foto melhor para ilustrar a notícia e o diretor da publicação, J. I. Gallardo, disse em um tuíte, que depois foi apagado, que “excitado é o que vê nessa imagem algo mais do que dois nadadores”. Agora, o artigo mostra outra foto.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Katie Ledecky é muito boa porque “nada como um homem” (nossa!) – Ryan Lochte
    Katie Ledecky conseguiu o ouro batendo o recorde mundial nos 400m livres. Esta jovem, que já havia ganhado um ouro olímpico aos 15 anos, tem nove títulos mundiais e bateu 12 recordes mundiais com menos de 20 anos, deve todo seu sucesso ao fato de nadar “como um homem”. Pelo menos, assim afirmou o também nadador Ryan Lochte, destacando que isso é o que a diferencia das outras. “Nada como um homem. Sua braçada, sua mentalidade, sua força… não vi isso em nenhuma outra garota.” Sem comentários.

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – “As bonecas suecas” – Olé
    O jornal argentino Olé apresentou as atletas escandinavas como “as bonecas suecas”. Um “grupo de loiras e de olhos claros que chama a atenção de todos na Vila Olímpica”. Além do título, o conteúdo do artigo cobria o jornal de glória: “Loiríssimas, olhos claros por todos os lados e figuras estilizadas fizeram com que os presentes se virassem para vê-las. Isso não significa que outros países, como o nosso, não tenham suas belezas. Mas as bonecas suecas captam a atenção dos olhos humanos”. Quem se importa como elas competem? Para que divulgar uma notícia que analise suas habilidades esportivas se é possível resolver a coisa com um par de fotos e dois comentários sobre a cor do cabelo?

    Os 9 títulos mais machistas dos Jogos Olímpicos do Rio

    – Atletas que, além de bonitas, são atletas — Vários
    Vários meios de comunicação latino-americanos apresentaram a jogadora de vôlei Winifer Fernández como uma mulher que “não é apenas bonita, mas também muito boa jogadora” (como pode uma atleta profissional ser boa no que faz?). Embora Fernández tenha ficado de fora dos Jogos Olímpicos do Rio, esta e outras manchetes machistas percorreram vários veículos dias antes dos Jogos. Basta colocar seu nome no Google para comprovar que muitas publicações lamentam “não poder ver seu físico desfilar no Rio”, enquanto a apresentam como “a dominicana sexy” ou “a bomba do vôlei que esquenta as redes” sem esquecer de avisar seus leitores: “Cuidado, você pode se apaixonar!”

  • O risco de disrupção na estratégia de aniquilar o PT

    Róber Iturriet Ávilla – Doutor em Economia, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística, diretor sindical do SEMAPI.
    Além de tirar o PT do poder, os grupos mais conservadores querem banir o partido e tudo o que ele representa. Cabe a reflexão do que ocorrerá ao Brasil heterogêneo e desigual caso não haja um substituto à altura que, como a sigla, proponha apenas remédios e ajustes para maior justiça social e menor desequilíbrio econômico
    Desde 2013 o Brasil vive momentos de tensão política e social. Indubitavelmente, o resultado desse processo foi uma derrota política retumbante do governo Dilma Rousseff, do seu partido, o PT, e da esquerda brasileira de uma maneira geral. Essa alteração é complexa e envolve uma miríade de variáveis, as quais podem ser categorizadas com profundidade. Análise essa que escapa dos objetivos deste pequeno texto.
    Entretanto, é possível observar que houve uma derrota no campo das ideias e no imaginário da “opinião pública”, simbolicamente direcionada ao PT. De forma mais abrangente, é possível dizer que a esquerda brasileira perdeu corações e mentes no período recente. A despeito de seus enormes erros na condução do partido e dos governos, a transformação que se deu no poder foi paulatinamente construída pelos conservadores.
    As ideias antagônicas foram constantemente plantadas, de maneira nítida a quem consegue enxergar além das obviedades: seja na mídia tradicional, seja nos partidos políticos, seja no enfoque pontual de problemas estruturais. É do jogo. A disputa de ideias e de versões é constante em qualquer sociedade minimamente sadia e organizada.
    As disputas entre os “progressistas” e “conservadores” não conformam uma especificidade do nosso tempo e tampouco do Brasil. O PT apenas encabeçou um grupo que possui alguma articulação desde o PTB, pelo menos. Podemos chamar esse segmento de “centro-esquerda”, com enraizamento em setores populares. Quer dizer, não são grupos políticos e sociais que buscam acabar com o capitalismo, mas compreendem que existem distorções históricas e mesmo do próprio sistema que requerem interferências de políticas públicas e, portanto, do Estado.
    No campo econômico, particularmente, tais grupos partem da visão de que é preciso correções na distribuição porque o livre mercado tende a concentrar a renda e a riqueza. Seja porque uns capitais são maiores do que outros, seja porque há assimetria na relação capital-trabalho, seja porque os países estão em estágios distintos de acúmulo de capital e, por consequência, de inserção tecnológica.
    No caso do PT, ao longo dos últimos governos, houve uma identificação de grupos populares com as políticas implementadas, como as de transferência direta de renda, elevação do salário mínimo em termos reais e políticas de acesso à educação superior. Sejam esses grupos mais ou menos conscientes disto, os 13 anos de governo “do PT” proporcionaram uma inclusão social nunca ocorrida no Brasil.
    Ao redor do mundo, há segmentos mais à direita que também patrocinam tais políticas. Não por acaso, desde o século XIX, traços social-democratas nasciam na direita e no conservadorismo, o caso alemão é icônico. Remediar os pobres e ampliar direitos sociais, trabalhistas e civis era uma forma de garantir a estabilidade social em um sistema que reproduz cronicamente a desigualdade.
    Sob outra perspectiva, pode-se dizer que dominar grupos sociais exige sacrifício. Aqueles que exercem o poder precisam de consentimento dos dominados. A dominação não ocorre mais através da força bruta, como era nas sociedades mais primitivas. Os dominados precisam se sentir beneficiados com o sistema para que haja estabilidade. Coloquialmente, essa ideia está na analogia de entregar alguns anéis e preservar os dedos.
    Contudo, no caso brasileiro, os grupos políticos que emergem ao poder não parecem ter tais intenções. Os sinais autoritários são claros. Na proibição de protestos nos estádios, na tentativa de restringir o pensamento crítico que contesta a ordem social posta (sob o rótulo de “escola sem partido”) , na constante tentativa de criminalizar e desqualificar a esquerda, seus representantes políticos e intelectuais.
    Além de tirar o PT do poder, os grupos mais conservadores querem aniquilar com o partido e com tudo o que ele representa. O Ministro do STF Gilmar Mendes chegou a ensaiar um pedido de cassação do partido, tal qual ocorreu com os “comunistas” após o golpe de 1964. Eles não querem adversários que contestem seu poder, sua ordem e o modus operandi na Terra Brasilis.
    Suas intenções no campo da organização são igualmente claras: privatizações, perda de direitos sociais e trabalhistas, enxugamento das políticas públicas como saúde, educação e assistência social, redução de salários, congelamento de gastos e sepultamento da constituição de 1988.
    A derrota do PT parece irreversível. É bastante provável que haja uma disputa nas esquerdas pelo seu espólio, ou mesmo internamente, caso o partido sobreviva. Cabe a reflexão, entretanto, do que ocorrerá caso o partido seja banido e não haja um substituto à altura. Ora, o partido nunca foi revolucionário e sempre esteve de acordo com a ordem posta, ele propõe apenas remédios e ajustes para que haja maior justiça social e menor desequilíbrio econômico. É um partido que representa a conciliação de interesses, a partir da voz dos trabalhadores e dos mais excluídos. Sem esse campo político, sob o nome de “PT” ou sob outro agrupamento, a possibilidade de conciliação é mais difícil.
    O Brasil é um país bastante heterogêneo, desigual, com um passivo social de 388 anos de escravidão, com periferias imensas nas principais capitais. É preciso ter em mente que 50% da população recebe menos de R$ 1.300,00 mensais! Na derruba recente, os grupos populares não saíram em massa às ruas para defender o governo, possivelmente por insatisfações diversas, já sentindo os efeitos do austericídio de 2015.
    A partir do momento em que esses grupos sentirem na pele o que representa o aniquilamento da esquerda e sem uma direita consciente de que é preciso atender aos dominados, os riscos de disrupção social não são pequenos. Indaga-se se o caminho escolhido pela elite brasileira de destruir seus adversários é mesmo inteligente. Aniquilar a voz e os direitos dos dominados pode ter efeitos deletérios sobre os interesses de quem executa essas articulações.
    Artigo originalmente publicado no site Brasil Debate

  • Regulamentação do Uber não será votada antes de setembro

    Líderes partidários da Câmara Municipal de Porto Alegre acordaram que o pedido de urgência para a votação do projeto de lei de regulamentação do Uber será apreciado em Plenário na sessão da próxima segunda-feira (15/8).
    Se a urgência for aprovada, será convocada reunião conjunta das comissões permanentes para votação do parecer sobre o projeto.
    A votação do projeto, porém, só ocorrerá quando estiver concluída a reforma do Plenário Otávio Rocha. O final das obras está previsto para 15 de setembro.
    Projeto
    O projeto de regulamentação do transporte de passageiros via aplicativos de internet, como o Uber, é de autoria do Executivo. A matéria entrou em tramitação na Câmara em maio deste ano e está na Comissão de Constituição e Justiça, aguardando resposta da Prefeitura a pedido de diligências solicitado pela CCJ.
    (Fonte: CMPA)