Autor: da Redação

  • Quinteto de Cordas Rapsódia faz concerto no Museu da Comunicação JHC

    Quinteto é formado por integrantes da Ospa de diferentes gerações. Foto Ana Eidam/Divulgação

    No próximo sábado, dia 8, às 18h, o Museu da Comunicação José Hipólito da Costa recebe o Quinteto de Cordas Rapsódia, formado por premiados músicos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) de diferentes gerações na Série Música de Câmara
    Quinteto Rapsódia.
     
     
    Composto por Danilo Campos Vieira (violino), Carlos Sell (violino), Velitchka Filipova (viola), Filip Filipov (violoncelo) e Eder Kinappe (contrabaixo), o grupo apresenta um programa especial para a formação camerística. No repertório, peças de Bach, Dittersdorf, Foerster e Piazzolla. O recital tem entrada franca e integra a Série “Música de Câmara da Ospa.
     
    O programa inicia com arranjos de uma emblemática obra de Johann Sebastian Bach (1685-1750): “Brandenburg Concerto No.3 ”. De natureza única, a peça faz parte de uma coleção dedicada à música câmara que figura entre as mais respeitadas produções do período Barroco. Depois, o grupo interpreta “Quintet Nº6 em Sol Maior” de Carl Ditter von Dittersdorf (1739 – 1799), prolífico compositor e violinista austríaco. “Andante Cantabile ed Allegrett”, de Josef Bohuslav Foerster (1859 – 1951), dá continuidade à apresentação. A composição data do final do século XIX  e nunca foi gravada no Brasil. O recital termina em grande estilo, com uma das obras mais emblemáticas de Astor Piazzolla (1921 – 1992): “Adiós Nonino”, tango escrito em homenagem ao pai do compositor
    SERVIÇO
    Recital da Ospa no Museu da Comunicação José Hipólito da Costa
    Quando: 08 de setembro, sábado
    Horário: 18h
    Local: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa
    (R. dos Andradas, 959- Centro Histórico, Porto Alegre – RS)
    ENTRADA FRANCA
    PROGRAMA
    Johann Sebastian Bach: Brandenburg: Concerto Nº3 (Arranjo Merle J.Isaac)
    Carl Ditter von Dittersdorf: Quintet Nº6 em Sol Maior
    Josef Bohuslav Foerster: Andante Cantabile ed Allegretto
    Astor Piazzolla: Adios Nonino
     
     
     

  • Facada em Bolsonaro pode radicalizar a eleição

    Num ato de campanha, quando era carregado por correligionários na rua em Juiz de Fora (MG) o candidato Jair Bolsonaro foi ferido no abdomen com uma faca, na tarde desta quinta-feira.  Inicialmente considerado “superficial” por um de seus filhos, o ferimento exigiu que o candidato passasse por uma cirurgia de emergência, pois teria atingido o fígado.
    O homem que esfaqueou o candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), na tarde desta quinta-feira, durante evento em Juiz de Fora, na Zona da Mata, foi identificado, capturado e agredido por militantes. Pouco depois, ele foi preso pela Polícia Militar. Veja o vídeo abaixo.

    A Polícia Militar confirmou que o candidato foi ferido mas não soube informar a gravidade dos ferimentos. Bolsonaro foi atacado enquanto era carregado por apoiadores durante caminhada na Região Central de Juiz de Fora, entre as Ruas Halfeld e Batista de Oliveira.
    O deputado mineiro Léo Portela (PR) acompanhou Bolsonaro até o hospital. Segundo ele, o candidato foi atendido e recebeu pontos. “Ele passa bem”, afirmou o parlamentar. Horas antes do ataque, Bolsonaro havia feito um post sobre a violência em seu Twitter. “Impunidade, desarmamento, indicações políticas e corrupção geraram e continuam alimentando os maiores problemas do Brasil: violência, ineficiência do Estado e desemprego.
    Pelo Twitter, o filho do candidato, deputado Flávio Bolsonaro (PSL) pediu orações. “Foi apenas superficial e ele passa bem. Peço que intensifiquem as orações por nós”, escreveu. O outro filho dele, Eduardo Bolsonaro, que é deputado federal, também pediu orações.

    O autor da agressão foi identificado: Adelio Bispo de Oliveira foi ‘capturado’ e golpeado por apoiadores de Bolsonaro. Em seguida, foi apreendido pela Polícia Militar. O caso será conduzido pela Polícia Federal.
    Quem é Adelio?
    Adelio Bispo de Oliveira é morador de Montes Claros. Nas redes sociais, ele já publicou fotos em atos políticos contrários ao presidente Michel Temer (PMDB).
    A foto de Adelio foi divulgada pela própria Polícia Militar de Minas Gerais.

    (Com informações do Estado de Minas)

  • Manifestantes promovem "Lulaço" no shopping Praia de Belas

    Com a presença do trompetista Fabiano Leitão, um grupo de partidários do ex-presidente Lula promoveram um “Lulaço” no shopping Praia de Belas, ao meio dia desta quinta-feira.
    Articulando-se pelas redes sociais, os lulistas foram chegando em pequenos  e se concentraram na frente das lojas Riachuelo, cujo proprietário, o empresário Flávio Rocha, é um anti-petista ferrenho.

    Com o trompete, que ficou famoso por aparecer nas externas dos repórteres da Globo, Fabiano puxou o gingle das campanhas petistas: “Ole, ole, olá, Lula, Lula”, cantado por todos.
    Depois, reunindo umas 100 pessoas, o grupo caminho até o TRF4, o tribunal que condenou o ex-presidente no caso do triplex do Guarujá, onde foi repetido o protesto.

  • Ciro ganha mais votos que Haddad na primeira pesquisa sem Lula

    O candidato do PDT, Ciro Gomes, cresceu 3 pontos alcançando 12% das intenções de voto. Fernando Haddad, que substitui Lula na chapa do PT, ganho 2 pontos, chegando a 6%. O cenário eleitoral, no entanto, é de pouca clareza.
    Há um mês da eleição mais importante desde a redemocratização, os eleitores que vão votar nulo ou branco e os que ainda não sabem em quem votar foram quase um terço do eleitorado.
    Este não é o único fator que mostra o grau de indefinição, quando restam apenas 30 dias de campanha. Para começar, esta foi a primeira pesquisa sem um cenário com o ex-presidente Lula como candidato. Lula apareceu na liderança em todas as pesquisas em que incluíram seu nome entre os candidatos.
    Sem Lula, Jair Bolsonaro, o segundo colocado, lidera, ganhando mais 2% em relação à última pesquisa, em 20 de agosto. Líder disparado nas intenções para o primeiro turno, Bolsonaro, no entanto, parece não ter chance no segundo turno. No confronto direto, ele perde para Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alkmin e só empata com Fernando Haddad, que entrou na campanha agora, com a exclusão de Lula.
    A pesquisa, que esteve embargada e deu margem a muitas especulações e questionamentos, mostra uma distribuição pequena dos votos de Lula por quase todos os candidatos, revelando que a transferência dos mais de 30% de votos que ele obteve em todas as pesquisas ainda não é perceptível.
    Mesmo somando os pontos ganhos por todos os candidatos que subiram, esse total é pouco mais de 10%,  indicando espólio eleitoral do ex-presidente ainda está quase intocado.
    Ciro Gomes foi o mais favorecido: ganhou três pontos passando de 9 para 12%, igualando Marina Silva, que fez os mesmos 12% da pesquisa de agosto. Até Geraldo Alkmin que parecia empacado ganhou 2 pontos e chegou a 9%  das  intenções de voto
    O vice de Lula, Fernando Haddad, agora na cabeça da chapa ganhou apenas 2 pontos, chegando a 6%.
    Alvaro Dias, do Podemos, ficou no mesmo lugar, com 3%, João Amoedo do Novo, saiu do 1% para 3%, Meirelles, do MDB, foi de 1 para 2%. Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU) e João Goulart Filho (PPL) não pontuaram.
     
    O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 142 municípios entre 1º e 3 de setembro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o protocolo BR-05003/2018. A pesquisa Ibope foi contratada pelo jornal O Estado de S.Paulo e pela TV Globo.

  • A obra de Caio Fernando Abreu no Sarau Voador, do Venezianos Pub

    Escritor gaúcho, Caio F., é debatido de vários ângulos. Foto: Divulgação

    O Sarau Voador – Literatura e Improvisos Transcriados faz nessa quarta-feira, dia 5, seu primeiro pouso no Venezianos Pub Café, localizado na Cidade Baixa, para homenagear Caio Fernando Abreu. Os ingressos custam R$ 20,00.
    Com o tema “Para Caio F.”, Deborah Finocchiaro e Roger Lerinarecebem a astróloga Amanda Costa, o jornalista e ator Ivan Mattos, o poeta Ricardo Silvestrin e o músico Angelo Primon. O artista visual Alexandre Carvalho pousa, mais uma vez, com o Sarau Voador, para fazer ilustrações ao vivo.
    Passados 22 anos de sua morte, Caio Fernando Abreu segue presente na cultura brasileira. É um dos autores mais populares das redes sociais e entre os jovens, talvez por sua marcante solidariedade ao leitor. Entre conversas e reflexões, suas obras mostram nitidamente que crises aparentemente pessoais podem também ser descritas e vividas por outros.
    Caio abandonou os estudos em letras e artes dramáticas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mudou-se para São Paulo em 1968, para fazer parte da primeira redação da revista Veja. Dramaturgo, escritor de ficção, jornalista, tradutor, cronista e contista, venceu três vezes o Jabuti, principal premiação literária brasileira, pelos livros Triângulo das Águas (1983), Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988) e Ovelhas Negras (1995). Entre suas várias publicações, Morangos Mofados (1982), um livro de contos, o lançou ao sucesso de público e foi aclamado pela crítica.
    A personalidade marcante transbordou para suas palavras. A homossexualidade e a AIDS foram abertamente faladas numa época em que ainda era um assunto “proibido”. Segundo Luiz Schwarcz, publisher do Grupo Companhia das Letras, que já editou a obra de Caio, “ele tinha uma personalidade oscilante. Às vezes muito para baixo, às vezes muito para cima. Parecia flutuar sobre a realidade com aquela echarpe, seu tom de voz toda cheia de contradições. Caio foi um porta-voz de sentimentos, sensações e bandeiras que vão permanecer para outras gerações”.
    SERVIÇO
    O Que: Sarau Voador – Edição “Para Caio F.”
    Quando: 05 de setembro | quarta-feira | 20h
    Onde: Venezianos Pub Café (Rua Joaquim Nabuco, 397 – Cidade Baixa)
    Ingresso: R$ 20,00.

  • Exposição celebra os 80 anos de Henrique Fuhro

    Mostra fica até 14 de outubro no Memorial do Rio Grande do Sul.

    A exposição começa nessa quarta-feira, dia 05 e traça um panorama das obras do multifacetado artista gaúcho que conquistou visibilidade no cenário brasileiro . O marchand Renato Rosa, curador da mostra, apresenta mostra panorâmica de trabalhos do artista plástico gaúcho Henrique Fuhro (1938-2016), que completaria 80 anos no dia 14 de outubro deste ano. As imagens selecionadas exibem pinturas, desenhos e gravuras – que podem ser apreciadas até 14 de outubro-, no primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico, Porto Alegre, RS. A expografia tem a assinatura de Cláudio Schapke. A entrada é franca.
    Fuhro, o biógrafo da solidão, por Jacob Klintowitz:
    “(…) A obra de Fuhro é construída numa técnica primorosa, severa, econômica. A complexa visão do artista foi sustentada por meios adequados criados por ela mesma. Nos últimos anos o motivo dos instrumentos musicais tornou-se uma constante. Um novo personagem do artista. É uma metáfora de oculta doçura: é possível criar uma música nova para a vida, quem sabe um solo improvisado de jazz, música que ele tanto amou. O artista nos deixou fragmentos do nosso tempo. Improvisos fulgurantes de um solo que só ele podia executar…”.
    O curador destaca a originalidade das telas, marcadas por um forte estilo pessoal, individualizado pela potencialidade das imagens. “Nessa fruição o público verá uma obra de qualidades únicas, frente às quais se torna impossível sermos indiferentes, porque parte de um princípio básico em arte: comunicabilidade/diálogo” – revela Renato Rosa.
    Tocaia, obra que está na mostra./Divulgação

    Quem é
    Artista autodidata. Pintor, gravador, desenhista e professor. Iniciou aprendizado em pintura em 1954, em Porto Alegre. Ainda nos anos 1950 dedica-se ao exercício da gravura, especialmente a xilogravura. Participa de salões a partir de 1957 e integra a Associação Francisco Lisboa, em 1958. Fez parte da 1ª Feira de Gravura, 1º SalãoPan-americano de Arte e Salão da Câmara Municipal. É um dos pioneiros professores do Atelier Livre de Porto Alegre. Estudou litografia com Danúbio Gonçalves em 1964.
    No ano seguinte, realiza sua primeira exposição individual na Galeria Cândido Portinari, em Porto Alegre. Em 1967, recebe o 1º prêmio de gravura no Salão Cidade de Porto Alegre. Desde então acumula diversas premiações em salões de arte. Tem trabalhos incluídos no álbum “Dez Gravadores Gaúchos”, 1965, editado por Júlio Pacello (São Paulo); I Bienal Nacional de Artes Plásticas de Salvador; recebeu o prêmio “EX-AEQUO” na 2ª Exposição da Jovem Gravura Nacional no MAC de São Paulo, expôs na IX Bienal Internacional de São Paulo.
    Obteve premiações em Belo Horizonte, Curitiba; II Bienal de Artes Plásticas da Bahia em 1968; Coletiva de Arte Brasileira na Universidade de Stanford, Califórnia; Prêmio de Isenção de Júri no Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro; individual no Rio na Galeria Celina, 1969; prêmio de gravura no Salão de Campinas; integra a representação brasileira na II Bienal Latino-Americana Del Grabado em San Juan, Porto Rico, em 1970, mesmo ano que é escolhido com mais 30 artistas para a representação nacional na 11ª Bienal Internacional de São Paulo (1971); Exposição Pan-americana de Artes Gráficas em Cali, Colômbia e Prêmio de Aquisição no I Salão de Artes Visuais da UFRGS, Porto Alegre. A partir da década de 1970 dedica-se também ao desenho e retorna à pintura. Participa da XIII Bienal de São Paulo, 1973. Bienal Latino-americana de São Paulo, SP; Coletiva na Bélgica Créativitè Dans L´ArtBrésilien Contemporain, Musees Royaux de Beaux Arts de Belgigue, 1978; realiza exposição itinerante entre Campinas, Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo e Porto Alegre com a série de gravuras “Fair Tênis”; El Grabado Brasileño Contemporáneo, 1984, itinerante do Itamarati exibida nas Américas e países africanos. Dividiu, na década de 1990, exposição de gravuras emMontevidéu com Iberê Camargo e Danúbio Gonçalves. É verbete no “Dicionário de Artes Plásticas no Brasil”, de Roberto Pontual; “Dicionário de Artes Plásticas no RS, de Renato Rosa e Décio Presser; “História da Arte Brasileira”, de Pietro Maria Bardi; “História Geral da Arte no Brasil”, de Walter Zanini; “Mestres do Desenho Brasileiro”, “Artistas Gravadores Brasileiros”, ambos de Jacob Klintowitz, “A criação Plástica em Questão”, de Walmor Ayala, “A Gravura no Rio Grande do Sul 1900-1900” de Carlos Scarinci. Está catalogado no MARGS, Pinacoteca Rubem Berta, Pinacoteca Aldo Locatelli, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea do Paraná e na Universidade de Stanford (Califórnia), entre outros.
     Sobre o curador
    Renato Rosa é natural de São Gabriel/RS (1946). Durante a década de 1960 fez teatro profissional em Porto Alegre e, em 1969, começa a trabalhar com artes plásticas. Organizou a primeira exposição de fotojornalismo no estado, “Diagrama 11”, em 1970, no Círculo Social Israelita. Em 1971 estagiou na Petit Galeria, de Franco Terranova, no Rio de Janeiro. Nesse ano dirige sua primeira galeria, Cyclo, em Porto Alegre. Entre 1973 e 1978 dirigiu a Galeria do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil-RS), trazendo pela primeira vez ao RS artistas como Volpi, Paulo Roberto Leal, Farnese de Andrade, Octávio Araújo, Rebolo, Zaragosa, Caulos e Pietrina Checcacci. Em 1977 estagiou na Galerie L’Oeil de Boeuf, Paris. Realizou a primeira exposição de João Câmara no RS para a Escola de Artes da UFRGS, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, com litografias da série “Cenas da Vida Brasileira”, em 1980.
    Entre 1981 e 1984 dirigiu o Espaço Cultural Yázigi e a Galeria de Arte do Clube do Comércio. Registrou na imprensa o perfil de artistas gaúchos e nacionais nos anos 60, 70 80 e 90. Foi membro de júri em diversos salões de arte. Em 1985 inaugurou a Agência de Arte, onde apresentou a série “Rua 57”, de Siron Franco, e “Cadernos de Guerra”, de Carlos Scliar. Foi curador do Espaço Cultural Henrique Bertaso, da Livraria do Globo, em Porto Alegre. Atualmente está radicado na cidade do Rio de Janeiro, onde atua na Bolsa de Arte do Rio de Janeiro.
    Henrique Fuhro – 80 anos
    Mostra panorâmica de pinturas, desenhos e gravuras do artista plástico
    Curadoria: Renato Rosa 
    De quarta-feira (5) a 14 de outubro, de terça a sábado, das 10 h às 18 h, domingos e feriados, das 13 h às 17 h, com entrada franca. 
    Memorial do Rio Grande do Sul (primeiro andar)

  • Mateus Bandeira: "A mudança não virá dos partidos tradicionais"

    Mateus Affonso Bandeira, pelotense, de 49 anos, é formado em Informática pela Católica de Pelotas, com estudos complementares, entre outros, na Harvard Business School.
    Fez carreira no serviço público, como  Auditor fiscal e chegou a diretor do Tesouro, mas desligou-se para se dedicar à consultoria de empresas.
    Foi secretário do Planejamento no governo Yeda Crusius, e presidente do Banrisul. Agora, pouco antes de virar a curva do meio século de vida, estreia na política, como candidato ao governo do Estado pelo Partido Novo.
    Estimular o empreendedorismo, vender todas as estatais, reforçar parcerias do estado com a iniciativa privada, são propostas que apresenta aos eleitores. São tópicos que desenvolve nesta entrevista exclusiva ao JÁ.
    JÁ: O sr. defende um estado mínimo, quer dizer, um estado para quem precisa?
    MB: Exatamente o contrário. A gente prega o cidadão máximo. Tirar o estado de onde
    ele atua, sem atender o cidadão que precisa dele. O estado atua hoje em
    segmentos que não tem nada a ver com as necessidades básicas do cidadão. Mineração de carvão, distribuição de gás e energia elétrica (a CEEE gera a cada ano um prejuízo de meio bilhão de reais), correios, perfuração de poços de petróleo. Com isso deixa de cumprir a sua função mais essencial. Iss é o estado mínimo, o estado que não garante o básico.
    JÁ. Como tem que ser o estado?
    MB: Um estado que não se meta na vida das pessoas e não atue em áreas onde o setor privado é mais eficiente.  Estado eficiente é o que prega o Partido Novo, focado em segurança e acesso a saúde para quem não pode pagar. Queremos encerrar o ciclo da velha política, dos políticos profissionais que governaram para si e distribuíram privilégios para poucos.
    JÁ: O sr tem muitas propostas semelhantes às de Sartori. Qual a sua diferença em relação a ele?
    MB: Somos quilometricamente distantes do que propõe Sartori, embora haja algumas
    convergências. O Sartori começou seu governo em 2015 concedendo aumento de salário para quem ganha mais. Quando eu estive no governo, a frente do Tesouro Estadual e do Planejamento, entre 2007 e 2009, foram as únicas vezes em que as contas chegaram no azul. Sabe por quê? Nós enfrentamos as corporações, seguramos as despesas públicas. Não permitimos a concessão de reajustes. Essa é a diferença que eu tive no quesito de organizar as contas públicas. Sartori, com atraso, também percebeu que a despesa não poderia ser maior do que a receita. Há outras diferenças. Sartori propõe o Regime de Recuperação Fiscal, mas se recusa a privatizar o Banrisul. Nós não. Ele defende a manutenção do controle estatal do Banrisul, mas vende ações do banco abaixo do valor patrimonial.
    JÁ: O sr. reconhece alguma coisa boa no governo dele?
    MB: É preciso reconhecer que Sartori, em algumas coisas, agiu corretamente, coisas,
    por exemplo, que lá no governo Yeda nós não tivemos capacidade política para fazer,
    como, por exemplo, a aprovação do regime de previdência complementar, um projeto
    elaborado por nós, apresentado por mim, e que eu liderei, inclusive, mas não tivemos
    maioria na Assembléia. Outro exemplo é a Lei de Responsabilidade Fiscal, que escrevi enquanto diretor do Tesouro, também rejeitado na Assembleia, mas que o governo Sartori resolveu aprovar. Enfim, este Regime de Recuperação Fiscal está na direção correta, mas em marcha lenta. E não conseguiu fazer um plebiscito sobre as estatais. Faltou determinação, arrojo, ousadia, vontade política em chamar a sociedade para participar do debate. Essas companhias são geralmente capturadas pelos partidos políticos que se apropriam delas. Sartori não entende isso, não tem este convencimento. Ele quer privatizar a CRM porque é uma empresa que vende um único produto para um único cliente. Nós queremos privatizar todas as companhias porque não é papel do estado cuidar de empresas. Outra diferença em relação a Sartori, é que nós não fazemos coligação em troca de tempo em TV e rádio, pouco importando o tempo que teremos, mínimo, seis segundos. A vantagem de não ter tempo de TV e rádio é que gravamos toda a nossa participação em 30 minutos.
    JÁ: Embora no governo da Yeda, o sr. nunca chegou a flertar com o PSDB?
    MB: Nunca fui do PSDB. O governo da Yeda também era formado por pessoas de
    outros partidos e por técnicos, entre os quais me incluo, que compunham o governo.
    Aliás, eu estava no governo federal, do Lula, quando ela me convidou. Eu fui um
    servidor público de carreira da Fazenda. Comecei em 1993 e passei por vários governos: Collares, Brito. No governo Olívio Dutra, do PT, eu me afastei, fui cedido para a CEEE. Depois me licenciei, fui estudar no exterior. Mas nunca fui do PSDB. Fui do Tesouro, e lá os tucanos diziam que eu era petista e os petistas diziam que eu era tucano.
    JÁ: Neste estado cidadão que o sr. prega, o que deveria ser
    tratado como política de estado?
    MB: Há vários temas que perpassam os governos. São questões de princípio e que
    devem estar presentes em qualquer governo. Por exemplo, o princípio da responsabilidade fiscal, do dinheiro público, das prioridades. No governo, quem gasta
    mais do que arrecada deveria ser preso. É por isso que também não dá pra culpar só o Sartori, pois as despesas foram infladas por medidas tomadas no governo anterior.
    JÁ: O sr. poderia especificar mais o seu projeto para a educação.
    MB: Podemos começar pelo diagnóstico: a educação pública estatal é um desastre no
    Brasil inteiro. E os dados do Ministério da Educação, via Indeb, confirmam isto. Temos
    uma política de educação fracassada. Basta olhar para os números e constatar que nós estamos formando analfabetos funcionais. Então, temos um problema sério, pois a educação é o principal desafio de longo prazo do país. Dito isso, educação é tão importante que não pode ficar na mão do estado. Esta é a nossa crença.
    JÁ: Por que não pode ficar na mão do estado?
    MB: Por que ela acaba sendo capturada pelos políticos e pelos sindicatos, que não estão preocupados com a questão da aprendizagem, mas com seus interesses. Outra distorção na educação decorre do nosso sistema de previdência: a aposentadoria precoce dos professores. A maioria é mulher e se aposenta com dez anos menos, 25 anos. Elas se aposentam com 50 e vivem até os 80. É por isso que em 2017, dos 8,5 bilhões gastos pelo estado na rubrica educação no RS, cerca de cinco bilhões eram destinados às aposentadorias e pensões. Ou seja, consomem-se recursos dos impostos para pagar aposentadoria, e não educação.
    JÁ: Como o sr. pretende resolver todos estes problemas?
    MB: Nós propomos quatro pontos principais no nosso plano de educação: 1) introduzir o vaucher (vale) escola, algo bem sucedido em alguns países, e que aqui foi
    experimentado no ensino superior, o Pró-uni. Vamos fazer isso no ensino básico. Trata-se de comprar vaga em escola privada de boa qualidade para as demandas. É a melhor forma que existe, rapidamente, de diminuir a distância que existe entre a qualidade do ensino público e do ensino privado;  2) outro modelo é charter school. Neste o estado entrega o orçamento e a gestão para uma entidade filantrópica ou privada, mas cobra desempenho e transparência;  3) municipalização das escolas estaduais. Temos um pouco mais de 900 mil alunos inscritos na rede estadual de ensino. Destes, 510 mil são de ensino fundamental que deveriam estar nas mãos do municípios que, estando mais próximos da comunidade, têm mais facilidades de implantar medidas que melhorem a gestão das escolas; 4) colocar mecanismos básicos de gestão na rede estadual de ensino médio. Introduzir plano de metas e desenvolver ações específicas. Também montar sistemas de incentivos. Em suma, fazer gestão como se faz nas empresas e na rede privada de ensino. Sem direção, sem meta, não se sabe se houve ou não melhorias.
    JÁ: A saúde também está bastante sucateada…
    MB: O orçamento para a Saúde no Rio Grande do Sul é de aproximadamente R$ 4 bilhões. Não é pouca coisa. Mas, mais uma vez, falta gestão e falta inteligência na
    alocação dos recursos. Basicamente o que o estado faz é regulação e contratualização com entidades filantrópicas, com hospitais beneficentes ou privados para atender as demandas regionalmente. Não existe nenhum trabalho de mapeamento da demanda com a oferta de serviços. Boa parte destes serviços contratualizados foi feita no passado por indicação política. Saúde no século XXI, como fazem nos países desenvolvidos, é tecnologia, boa gestão e prevenção. O que falta é inteligência.
    JÁ: No que tange as especializações, há muita carência de recursos e equipamentos para o atendimento no interior do estado.
    MB: Claro. É por isso que existe fila de espera enorme para procedimentos de alta e
    média complexidade. Tenho acompanhado bastante isto como membro consultor do
    Hospital Moinhos de Vento. Existe uma carência de profissionais especializados para
    atender no SUS. Estes profissionais não vão para o interior e isso gera uma fila
    gigantesca pra este tipo de consulta. Estudos mostram que 60 por cento daquilo que é encaminhado para a fila de espera pode ser resolvido na atenção primária. Como é que o Reino Unido resolveu isso? Introduzindo mais telemedicina para que os profissionais mais especializados, aqueles que atendem somente nos grandes centros, possam, junto com o profissional da saúde local,orientar na resolução do problema, só recomendando o encaminhamento para consultas especializadas quando for absolutamente necessário. Outra medida seria dotar as Unidades Básicas de Tratamento (UBS) com equipamentos para resolver coisas mais simples – exame de sangue, eletrocardiograma, raio x, evitando que o paciente necessite ir para outro local e aguardar numa fila de espera. Depois, existe o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (PROADI-SUS), do Ministério da Saúde, que permite através isenção de impostos que hospitais de alto padrão (Albert Einstein ou Sírio-Libanês, por exemplo) façam filantropia e atendam a população mais carente, permitindo a realização de exames que através de SUS levaria meses ou anos para serem realizados. Isso pode ser feito aqui. Buscar, no âmbito do PROADI, parceria com estes grandes hospitais privados e assim poder utilizar equipamentos de ponta, que são caríssimos, destas instituições. A ideia é fazer mais com os mesmos recursos. Inteligência e gestão O atual governo não avalia o que é prestado ao cidadão.
    JÁ: O tema da segurança tem dominado todos os debates.
    MB: Segurança é a maior preocupação dos gaúchos, dos brasileiros. Pela primeira vez
    nós temos Porto Alegre incluída na lista das 50 cidades mais violentas do mundo, é a
    trigésima nona. Proporcionalmente – média de 40 homicídios por grupo de 100 mil habitantes –se mata mais aqui do que no Rio de Janeiro que vive uma falência geral e sob intervenção. Andar em Porto Alegre dá medo. Houve casos em que as quadrilhas levaram bloqueador de celular para a cidade em que agiam, ninguém conseguiu chamar a polícia. Pra nós a segurança é tão prioritária quanto botar as contas em ordem. Não dá para esperar. Não vamos deixar a população morrer. São várias as razões da escalada do crime. O estado enfraqueceu e perdeu a capacidade
    para investir nas polícias e no sistema prisional. As leis contra o crime são muito
    brandas. Do outro lado houve o fortalecimento das facções criminosas. Elas ampliaram seus negócios e ganharam receitas adicionais como o contrabando de cigarros do Paraguai, onde a tributação é 17 por cento, contra 70 por cento da nossa. Hoje, quase 50 por cento do mercado de cigarros é contrabando. Tornou-se a principal fonte de financiamento do crime organizado no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. As facções se empoderaram, disputam territórios, são extremamente violentas. Este contrabando também acabou com 30 mil empregos formais na indústria do tabaco. Isto significa menos 550 milhões de impostos no Rio Grande do Sul. Prejuízo para 75 mil famílias gaúchas que plantam fumo.
    JÁ. Como o sr. pretende enfrentar a criminalidade?
    MB: O combate ao crime comum se faz com policial na rua. Já a luta contra o crime
    organizado – drogas, contrabando, assalto a bancos – se faz com inteligência,
    monitoramento. É fundamental investir nas polícias judiciária e científica, melhorar o
    grau de elucidação dos crimes que hoje é de cinco por cento: o sujeito tem que cometer 20 crimes para ser pego uma vez. Ou 20 criminosos cometem crimes e a gente só pega um deles. Tem que colocar tecnologia, gestão, melhorar os processos e montar uma força tarefa permanente que reúna e integre dados de todas as forças policiais. Para tanto é preciso recompor os efetivos, mas com treinamento adequado, da polícia civil e da Brigada Militar. Isto, em parte, é feito através de incentivos que freiem as aposentadorias precoces ou reconduza ao trabalho aqueles que querem voltar. Atualmente, para cada 100 reais que se gasta com policiais na rua, gasta-se 200 com policiais aposentados. Para se ter uma ideia, hoje, a folha da Brigada Militar é de R$129 milhões mensais para os ativos, e de R$ 280 milhões para os inativos.
    Também não adianta prender num dia e o juiz soltar no outro porque as prisões estão
    lotadas. Para acabar com esta desculpa vamos construir seis penitenciárias, uma delas com regime disciplinar diferenciado para isolar comandantes de facções.Também queremos retomar o projeto de uma Parceria Público Privada (PPP) prisional. Conheci este sistema no Reino Unido e nos Estados Unidos. Fiz um projeto quando era secretário do planejamento para desativar o Central, mas o governo seguinte não deu continuidade. Este modelo tradicional de prisão está falido. É preciso organizar um local onde o preso seja obrigado a trabalhar e garantir o seu sustento. Também é preciso elevar o custo para quem comete crime. As penas estão muito brandas. Nos Estados Unidos, em alguns estados, aplicava-se a lei Three Strike out. Ou seja, prisão perpétua para o indivíduo que comete o mesmo crime três vezes. Não há ressocialização para este nível de reincidente. O que existe no Brasil é impunidade em massa , e não encarceramento. Devemos acabar com o abrandamento de penas, como o indulto (para nós um insulto) de Natal, pois soltam os bandidos no final do ano. Terminar com a saídas temporárias, coisas esquizofrênicas, como o caso da Suzane von Richtofen, que matou os pais e saiu no dia das mães. Essa é a nossa lei penal. Tem que mudar isso. Prender mais, a gente prende muito pouco.
    JÁ: Como fica a questão do funcionalismo público?
    MB: O principal problema é o regime de aposentadoria em relação ao setor privado. Porque esta discrepância entre os que se aposentam pelo INSS, aos 65 anos, com salários menores, e um juiz com R$ 40 mil? Por que este instrumento de desigualdade? Um por cento entre os mais ricos no Brasil é formado majoritariamente por servidores públicos. Se não mudar esta regra de aposentadoria o estado, em breve, não vai ter mais capacidade de financiar despesa pública. De nada adiantará aumentar a carga tributária, pois chegará a curva de Laffer, onde quanto mais se cobra, menos se arrecada.Vamos chegar a Revolução de Atlas (referência ao livro A revolta de Atlas de Ayn Rand). O Rio Grande do Sul vai virar uma Grécia sem a União Européia para ajudar. No serviço público só devem ficar aqueles das áreas onde não dá para delegar: educação, saúde, segurança. A reposição de servidores deve ser só nestas áreas.
    JÁ: No atual governo o salário dos servidores é parcelado. Como será no
    seu?
    MB: Se o Sartori pudesse, ele pagava em dia, não iria enfrentar este desgaste numa
    eleição. Durante algum tempo os salários dos servidores continuarão a atrasando. Só um ignorante, que não entende nada de finanças, ou um demagogo, pode dizer que irá acertar isso logo.
    JÁ: E o que o sr. tem a dizer sobre o Regime de Recuperação Fiscal proposto por
    Sartori?
    MB: É o único caminho que a gente tem a curto prazo para colocar as finanças em
    ordem. É o alívio no serviço da dívida, três bilhões por ano, e isso pode permitir que as
    mudanças, que as reformas sejam feitas num ambiente de normalidade. Sem isso não
    dá. E é bom porque exige que o estado corra atrás das privatizações. Caso contrário o
    estado se torna ingovernável. Pretendo manter a alíquota de ICMS, mas enviarei uma
    proposta a Assembléia para que seja estabelecida uma redução gradual, 25 por cento,
    ano a ano, até voltar ao patamar original, para ter competitividade.
    JÁ: O Novo é tido como um partido de empresários. Isto é bom para atrair
    investimento?
    MB: Não, ele é composto por elementos de todos os segmentos sociais. Montamos um partido porque a mudança só pode vir através de um partido. Ela não virá dos tradicionais, todos eles envolvidos com corrupção. Tem algumas diferenças. O Novo não usa dinheiro público, do fundo partidário, eleitoral. Entende que os partidos são
    organizações privadas, assim como os clubes de futebol, as igrejas. Não tem o menor
    sentido tirar dinheiro da população para financiar partido político. Este dinheiro, cerca
    R$1,8 bilhão, poderia ter ido para a Educação, para a Saúde, para a Segurança. O Novo se financia só com doações voluntárias. Somos pessoas que querem resgatar o país de volta destes que nos roubaram. O novo é a única alternativa de renovação, pois é composto por pessoas que nunca se candidataram a nada. Quanto a outra questão, o que atrai investimento, empreendedor, é baixa carga tributária, baixa complexidade da legislação, e um ambiente de negócios que facilite a vida. Temos uma legislação ambiental estúpida, que trata todo mundo que quer produzir como um inimigo do meio ambiente, um aparato fiscal que trata de maneira hostil quem produz, quem trabalha. E trata todos aqueles que produzem riqueza como inimigos da sociedade. O Novo quer reverter isso. Garantir um ambiente mais simples, mais justo, com facilidades para quem quer empreender, com menos burocracia, menos alvará, etc.
    JÁ: Também há muita polêmica em relação a lei Kandir.
    MB: Há muita falácia em torno da Lei Kandir, que a União nos deve. A lei desonerou
    produtos semielaborados.e que são importantes na pauta de importações do Rio Grande do Sul.. Ao desonerá-los tornou-os mais competitivos e se exporta mais. Nos primeiros anos – década de 90 do século passado – houve perdas e a União ressarciu uma parte. Depois, como se exportou mais, este dinheiro retornou para a nossa economia, pois cresceu o consumo. Aí o governo federal diminuiu as compensações. Há um projeto de lei de ressarcimento e o RS receberia R$ 9 bilhões, R$ 900 milhões ano – contra os R$200 milhões que recebe atualmente – o que já está de bom tamanho. A gente perdeu muito mais com a redução das transferências do Fundo de Participação dos Estados por conta das desonerações do que com a Lei Kandir. E ninguém fala disso, ficam naquele lero-lero, porque não conhecem finanças. O problema é o tamanho da despesa pública. Porque a receita que vier da União virá de nós. Todos falam de dinheiro como se ele saísse do nada, desse em árvores. Quando as pessoas pedem o impossível, só os mais mentirosos se elegem, frase de Tomas Sowell, um economista americano. (na verdade é “só os mentirosos podem satisfazê-las”).
    JÁ: O sr ficou 24 horas no ar, na live, conversando com internautas. Como foi a
    experiência?
    MB: 24 horas no ar, mas 36 acordado. Tive o acompanhamento de 400 mil pessoas.
    Gravamos aqui em casa. Tive a ideia quando estava separando uns dvds para os meu
    filhos e vi a capa do House of Cards e pensei, vou fazer isso agora, já que não tenho
    tempo no rádio e na TV. Trata-se de um episódio da quinta temporada, 53, onde o
    governador de Nova Iorque concorre contra o Francis Underwood (personagem fictício
    e protagonista da série), e fica 24 horas no ar. O Beto Sousa topou e montou todo o
    aparato para gravar. E dê-lhe cafezinho, redbull e chimarrão. Foi difícil. Mas valeu.
    JÁ: O sr. faria alguma coligação no segundo turno, ou apoiaria algum partido que
    tivesse mais afinidade com as suas convicções liberais?
    MB: O eleitorado que disputamos é aquele do eleitor que está cansado da política e dos políticos tradicionais, mas quer votar. Também corremos o risco que esta descrença vire voto branco,nulo, ou, simplesmente, o eleitor se ausente. Disputamos o eleitorado que não quer votar mais no PT, no PMDB ou no PSDB. Todos estes partidos se tornaram uma mesma geleia. Todos eles têm o seu corrupto de estimação. Há um eleitorado que quer votar em gente ética, que está fora deste jogo político. Ou seja, as pessoas cansaram dos partidos tradicionais. Eu não sou um político profissional e não quero fazer da política um meio de vida. Vou me candidatar uma única vez. Se eu ganhar, vou governar e será o maior desafio da minha vida. Se eu não ganhar, estou fora, e na próxima eleição ajudo outro. Não conversei com nenhum dirigente de partido. Nossa aliança é com a sociedade. Não queremos fazer coligações espúrias. Agora, depois de ganhar as eleições nós vamos chamar os deputados que tiverem alinhamento com o que precisa ser feito. Uma coisa tenho certeza: vou para o segundo turno.

  • Discussão sobre agrotóxicos racha Câmara Setorial de Abelhas do RS

    O agrônomo Nadilson Ferreira, doutor em polinização por abelhas, parecia a pessoa certa no lugar certo até ser afastado do cargo de coordenador da Câmara Setorial de Abelhas, Produtos e Serviços da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.
    Após ocupar o posto por quatro anos, esse PhD criado em Recife foi defenestrado por pretender direcionar ao Conselho Estadual do Meio Ambiente a demanda dos apicultores por normas de controle no uso de agrotóxicos em lavouras e pomares.
    Na primavera-verão de 2017, produtores de mel do Pampa reclamaram das perdas de milhares de colméias após pulverizações químicas de lavouras de soja.
    Até o início de 2018, era consenso na Câmara que a fixação de normas de proteção às abelhas não caberia à Secretaria da Agricultura e, sim, ao Consema.
    Numa reunião da Câmara Setorial em janeiro, surgiram questionamentos levantados por representantes da Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul (Farsul).
    Em abril, vencido o prazo para fechar a minuta do documento a ser encaminhado ao Consema, Ferreira perdeu o cargo por insistir na defesa da apicultura, a prima pobre do agronegócio.

    Nadilson Ferreira (foto Tânia Meinerz)

    “Não me disseram, mas é evidente que eu estava incomodando”, diz ele, salientando que atuava democraticamente em busca de um consenso aparentemente inconveniente para o setor agrícola, representado não apenas por agricultores, mas por uma frente formada por comerciantes de insumos, empresas de aviação agrícola, fabricantes e vendedores de máquinas rurais e, sobretudo, a indústria de produtos químicos eufemisticamente denominados “defensivos vegetais”.
    No lugar de Ferreira, agora incumbido de coordenar o programa Mais Água, Mais Renda, da Secretaria da Agricultura assumiu temporariamente Aldo Machado dos Santos, apicultor em São Gabriel, presidente da Cooperativa de Apicultores do Pampa e ex-presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul, que congrega cerca de 90 asssociações de apicultores.
     
    “Eu vou jogar o jogo pra ver até onde eles pretendem chegar”, disse Santos ao JÁ. Nesse jogo evidentemente desigual, ele não dispõe de apoio unânime de todos os líderes da apicultura, atividade que mobiliza cerca de 40 mil produtores de mel e envolve mais de 100 mil pessoas no Rio Grande do Sul.
    No ano passado, Santos foi um dos apicultores que mais tiveram perdas de enxames por contaminação de agrotóxicos. Natural de Lajeado mas atuando em São Gabriel há mais de 30 anos, Santos fez por conta própria um mapeamento das principais floradas apícolas do Pampa.
    O jogo é realmente complexo. O agronegócio, que engloba toda a cadeia rural e os diversos interesses situados antes do plantio e depois das colheitas, não quer se submeter a regras que gerem obstáculos a seu laissez faire.
    No entanto, a ampla rede de empresas fabricantes de insumos (adubos, máquinas, sementes e produtos químicos) não pode ignorar o interesse dos agricultores nos serviços de polinização praticados pela abelhas melíferas e as nativas, sem ferrão.
    Umas mais, outras menos, todas as culturas agrícolas se beneficiam das visitas das abelhas, que também polinizam a vegetação nativa, garantindo sua perpetuação. Baseado nisso o cientista Albert Einstein declarou: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade não terá mais do que quatro anos de vida”.

  • PT mantém estratégia e anuncia novos recursos para ter Lula candidato

    O candidato a vice-presidente na chapa do PT, Fernando Haddad, anunciou na tarde desta segunda-feira 3 que o PT vai entrar com recursos para tentar manter a candidatura do ex-presidente Lula à presidência.
    Após visita ao ex-presidente na prisão, em Curitiba, Haddad afirmou que “Lula tomou a decisão de peticionar junto à ONU para que se manifeste sobre a decisão das autoridades eleitorais brasileiras” em relação à sua candidatura.
    Outro movimento será apresentar junto ao STF “dois recursos, com pedido de liminar, tanto na esfera eleitoral quanto na criminal para que ele tenha o direito de registrar sua candidatura no prazo que foi dado de dez dias” e não tenha que ter o nome substituído neste prazo, como determinou o TSE.
    “Essas são as decisões do presidente, em defesa de sua dignidade, do seu pleito e em respeito à soberania do povo de escolher o presidente da República”, acrescentou Fernando Haddad.
    Após praticamente o dia inteiro reunido com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Polícia Federal, em Curitiba, nesta segunda-feira (3), o candidato a vice na chapa, Fernando Haddad, falou à imprensa. Disse  que Lula decidiu interpor dois recursos no Supremo Tribunal Federal (STF) e um na Organização das Nações Unidas por seus direitos civis e políticos.
    Em primeiro lugar, será encaminhada uma petição junto ao Comitê de Direitos Humanos da ONU para que o órgão se manifeste a respeito da decisão “das autoridades eleitorais brasileiras, em relação à determinação de que sua candidatura fosse registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
    A segunda medida será interpor dois recursos com pedido de liminar no STF, nas esferas criminal e eleitoral, “para que ele tenha o direito de registrar a candidatura no prazo de 10 dias e não haja a necessidade de substituí-lo”, disse o ex-prefeito paulistano e ex-ministro.
    Questionado sobre a possibilidade de as liminares serem negadas, Haddad disse que o trabalho está sendo feito “a cada etapa, de acordo com os fatos novos”. “Não imaginávamos que o Brasil contrariaria uma determinação de um organismo internacional, um tratado que subscrevemos e foi aprovado no Congresso Nacional. Vamos esperar a reação do Supremo e na sequência damos novos esclarecimentos.”
    Segundo ele, o pedido de liminar acompanha os recursos devido ao pouco tempo para o fim do prazo de 10 dias dado pelo TSE ao julgar o registro da candidatura.
    “Temos até terça-feira da semana que vem para que os pedidos sejam julgados pelo menos liminarmente. Vamos tomar as providências para que o povo possa escolher o próximo presidente.”
    Sobre a adequação das propagandas da coligação no horário eleitoral, ele explicou que o prazo para a substituição do material foi “muito exíguo” e foram levadas ao tribunal todas as medidas adotadas no sentido de fazer os ajustes em TV, rádio e internet.
    (Com informações da RBA)

  • Liminar derruba proibição do glifosato

    O desembargador federal Kássio Marques, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília, derrubou a liminar que suspendia o uso do herbicida glifosato no país.

    A suspensão havia sido determinada no início de agosto pela juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura. A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu no TRF-1.

    O glifosato é um herbicida utilizado em importantes lavouras brasileiras, especialmente na soja, principal produto de exportação do país. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se declarou contra a proibição do herbicida.

    Na decisão, o desembargador Kássio Marques disse que a suspensão do glisofato seria prejudicial para a economia do país. Ele acrescentou que o produto já foi aprovado pelos órgãos competentes, que atestaram não haver no glisofato riscos à saúde.

    “Nada justifica a suspensão dos registros dos produtos que contenham como ingredientes ativos abamectina, glifosato e tiram de maneira tão abrupta, sem a análise dos graves impactos que tal medida trará à economia do país e à população em geral”, afirmou o desembargador.

    “Os produtos que contém os princípios ativos ora questionados, para obterem o registro e serem comercializados, já foram aprovados por todos os órgãos públicos competentes para tanto, com base em estudos que comprovaram não oferecerem eles riscos para a saúde humana e para o meio ambiente, estando em uso há vários anos”, concluiu Marques.

    A AGU destacou que, se a decisão não fosse cassada, o Brasil seria o primeiro país a restringir totalmente o uso de glifosato, o que levaria muito provavelmente a maior parte dos produtores a deixar de utilizar a modalidade de plantio direto e voltar a preparar, em alguma medida, o solo, com evidentes perdas para o meio ambiente (erosão, diminuição do teor de matéria orgânica do solo, aumento do consumo de combustível etc.).