Autor: da Redação

  • MP denuncia dez por ocupação da Sefaz, entre eles o repórter do JÁ

    O Ministério Público denunciou à Justiça os dez maiores presos durante a ocupação da Secretaria da Fazenda, por um grupo de estudantes. Entre os denunciados está o repórter do Jornal JÁ, Matheus Chaparini, que trabalhava cobrindo a ocupação. O cineasta independente Kevin D’arc também está entre os denunciados.
    Todos foram denunciados por dano qualificado e desobediência. A denúncia é assinada pelo promotor Luís Felipe Tesheiner. Agora cabe à Justiça aceitar ou arquivar a denúncia.
    Na ocasião foram detidas 43 pessoas. As acusações em relação aos 33 menores de idade foram arquivadas pela Promotoria da Infância e da Juventude.

  • Fundação Zoobotânica e Fepam realizam Jornada de Iniciação Científica

    Começou nesta terça-feira a XII Jornada de Iniciação Científica – Meio Ambiente, promoção conjunta da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB) e Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (Fepam). O evento conta com o apoio do CNPq e Fapergs e, neste ano, também da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).
    Mais de 70 trabalhos serão apresentados nos cinco dias de evento, que, segundo uma das coordenadoras da Jornada, a bióloga Janine Oliveira Arruda (FZB), tem como objetivo a valorização da Iniciação Científica nas atividades de pesquisa especialmente dos alunos de graduação, bolsistas da Fapergs e do CNPq. “Esse evento é anual e, além de divulgar a iniciação científica, facilita a integração e troca de informações entre as diferentes instituições, bolsistas e pesquisadores, atuantes na área ambiental”, ressalta.
    A abertura contou com uma rápida intervenção do novo presidente da Fundação Zoobotânica, Luiz Branco.Seguiram-se três palestras com o tema “Áreas Contaminadas: diagnósticos e soluções”, apresentadas pela bióloga Vera Maria Ferrão Vargas (Centro de Ecologia/Ufrgs), pelo engenheiro químico Mário Soares (Fepam) e pela engenheira agrônoma Daiana Althaus (PPG Ciência do Solo/Ufrgs).
    A Jornada é desenvolvida por meio de apresentações orais, com discussão dos trabalhos em sessões temáticas, distribuídas pelas seguintes subáreas de conhecimento: Botânica/Ecologia Vegetal, Ecologia/Zoologia de Invertebrados, Ecologia/Zoologia de Vertebrados, Ecotoxicologia, Educação Ambiental, Engenharia Ambiental, Genética Ambiental/Toxicológica, Geoquímica Ambiental, Ecologia Aplicada, Gestão Ambiental, Microbiologia Ambiental, Paleontologia e Química Ambiental.
    A programação geral está disponível aqui. Mais informações sobre o evento podem ser encontradas nos telefones (51) 3226-5633 / 3384-5285 ou pelo e-mail: jornada.fzbrs.fepam@gmail.com.

  • Novo presidente ainda não assumiu a Fundação Zoobotânica

    Cleber Dioni Tentardini
    Desde que sua nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado, na última sexta-feira, 29, o presidente da Fundação Zoobotânica, Luiz Fernando Branco, ainda não assumiu o cargo. Ou, pelo menos, não se apresentou oficialmente aos funcionários do Jardim Botânico, Parque Zoológico e Museu de Ciências Naturais, as três instituições responsáveis pela promoção e conservação da biodiversidade no Rio Grande do Sul.
    Ele tem circulado desde segunda de forma anônima pelo Jardim Botânico, que abriga a sede administrativa da Fundação. Nesta terça, Branco participou timidamente da abertura da XII Jornada de Iniciação Científica – Meio Ambiente, organizada pela FZB e pela Fepam  – Fundação Estadual de Proteção Ambiental.
    O novo presidente chegou acompanhado da chefe de gabinete da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lilian Zenker, que representava a titular da pasta, Ana Pellini. Saudou as cerca de 50 pessoas presentes, entre funcionários da FZB, professores e estudantes universitários, comentou que é de família de produtores rurais, com formação técnica agrícola e engenheiro agrônomo.
    Sem falar diretamente no ambiente pouco animador que pode ter encontrado na Fundação, depois da saída repentina de José Alberto Wenzel, que pegou todos os funcionários de surpresa, inclusive o próprio presidente afastado, Branco disse que deve ter havido um ruído na comunicação porque até então o presidente era interino. “O governo está nomeando agora um presidente efetivo, saindo desta interinidade”, declarou, informando que a porta da presidência estaria sempre aberta para os servidores.
    Wenzel, que é ligado ao PSDB e chegou a ocupar a Casa Civil no governo Yeda, ficou oito meses à frente da Fundação Zoobotânica. Branco é do PMDB, partido do governador Sartori, e já ocupou cargos na Assembleia Legislativa.
    O temor que ronda os servidores da FZB é o Projeto de Lei nº 300, que determina a extinção da Fundação, e segue em tramitação na na Assembleia Legislativa. O PL está há vários meses aguardando parecer do deputado Jorge Pozzobom (PSDB).
    Em nota, servidores elogiaram gestão de Wenzel
    Ainda na sexta-feira, pegos de surpresa com a exoneração de Wenzel, a Associação dos Funcionários da Fundação Zoobotânica publicou uma nota em que lamentou a demissão do presidente e elogiou sua gestão. Confira a íntegra:
    JOSÉ ALBERTO WENZEL, UM PRESIDENTE LOUVÁVEL!
    Em 29 de julho de 2016, o Presidente da Fundação Zoobotânica (FZB), José Alberto Wenzel, foi surpreendido pela sua exoneração noticiada no Diário Oficial. Ao invés de uma nota de repúdio, tecemos aqui uma de louvor àquele que, durante sua curta permanência de oito meses, foi um grande presidente para esta instituição. Coordenou a elaboração e apresentação de um Projeto de Lei de fortalecimento da FZB, alternativo àquele que propõe a sua extinção. Na sua gestão foram reduzidos os gastos e a meta orçamentária do governo foi superada. Promoveu discussões internas relativas ao sistema ambiental integrado, destacando o papel da FZB como instituição de pesquisa e apoio técnico. Firmou convênios com diversas instituições, incluindo a proposta de um curso de pós-graduação com a UERGS. Construiu uma solução conjunta com o corpo técnico de funcionários para o grave problema da Reserva Florestal, junto ao zoológico, propondo uma Unidade de Conservação. Formou um grupo de trabalho para a elaboração de um estudo visando à restauração da floresta ciliar do rio Jacuí. Concedeu o apoio necessário à conclusão de grandes projetos, como o RS Biodiversidade. Sua gestão foi marcada pela verdade, transparência e pelo profundo respeito aos funcionários. Tratava a todos da mesma forma, de jardineiros a diretores. Através da valorização do conhecimento técnico e do trabalho em grupo, devolveu o sentimento de dignidade aos funcionários desta fundação. Poucos fizeram tanto em tão pouco tempo, um presidente louvável. Por fim, continua sendo um grande defensor da FZB e, sobretudo, do meio ambiente. Nossa profunda gratidão pela sua dedicação e exemplo.

  • Se a Trensurb não ceder, metroviários farão greve por tempo indeterminado

    Depois de realizar a segunda paralisação parcial dos trens em 11 dias, nesta segunda-feira, os metroviários gaúchos marcaram nova assembleia geral da categoria para o próximo dia 16. Na data, os trabalhadores vão discutir a realização de uma greve por tempo indeterminado. Se a Trensurb não ceder em sua proposta salarial, a categoria deve entrar em greve ainda em agosto.
    Os metroviários pedem 9,28% de reposição salarial. A Trensurb oferece 8, 28%. A empresa alega que a paralisação dos seus empregados é danosa aos usuários e sem sentido porque a definição do reajuste está a cargo da Justiça do Trabalho. Cerca de 100 mil passageiros deixaram de ser transportados por dia, causando o prejuízo de R$ 170 milhões, segundo a Trensurb.
    Já os trabalhadores denunciam a falta de profissionais nas bilheterias das estações e de seguranças, já que as ocorrências de violência nos locais de trabalho aumentaram consideravelmente. Segundo o presidente do Sindimetrô/RS, Luis Henrique Chagas, os passageiros dos trens apoiam o movimento, entendendo que ele é feito também por melhorias no serviços da Trensurb e na defesa de um transporte público e de qualidade.

  • Eleições Municipais: PDT e PP se decidem nesta quarta

    Nesta quarta-feira, PP e PDT definem quem irão apoiar nas eleições municipais para a Prefeitura de Porto Alegre. O PP decide se engorda ainda mais a chapa do vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) ou se apoia o deputado federal Nelson Marchezan Jr (PSDB). Nesta segunda-feira, a votação que elegeria o apoiado acabou empatada: 53 votos para cada lado. Amanhã uma nova eleição será feita junto com a convenção municipal.
    O deputado estadual Marcel Van Hattem (PP), que teve seu nome cogitado para concorrer ao pleito, já se manifestou a favor do deputado e disse que irá tentar convencer seus correligionários de partido a votarem com ele.
    Já o PDT define quem será o vice de Sebastião Melo. Mauro Zacher é o favorito do PDT de Porto Alegre para compor a chapa, mas Juliana Brizola também está na disputa. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, desembarca amanhã em Porto Alegre onde, pela manhã, se reúne com a cúpula e decide quem irá ser o indicado. à tarde, a decisão será oficializada na convenção do partido
     

  • A educação brasileira e a lei da mordaça

    Russel Dutra da Rosa

    Professora da Faculdade de Educação da UFRGS

    O Brasil tem uma história de escolarização tardia, pois, ainda na década de 1980, 50% da população que entrava na escola não passava do primeiro ano primário e somente 28% da população escolar concluía o oitavo ano do antigo Ensino de Primeiro Grau. O quadro triste da educação brasileira só começou a ser revertido a partir da democratização do país e da promulgação da Constituição Federal, de 1988; do Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, legislação esta que vem sustentando os esforços para a superação da exclusão e do fracasso escolar.
    Nesse contexto, vem sendo observada a expansão de matrículas nos sistemas de ensino e a produção de estratégias de permanência e de promoção dos jovens nas instituições educativas. Dentre essas estratégias estão o programa de transferência de renda, Bolsa Família, e o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, incluindo a educação Pré-escolar e o Ensino Médio como níveis de ensino obrigatórios e que exigem investimentos por parte do poder público.
    Mas a educação nacional ainda enfrenta inúmeros problemas como a falta de professores, a inexistência de quadros suficientes para o atendimento de disciplinas da área de Ciências da Natureza, a fragilidade de políticas de formação continuada, o descumprimento da lei de 2008 do piso salarial. Além disso, muitos docentes precisam atuar em diversas instituições com cargas de trabalho de até 60 horas semanais, atendendo um número de alunos por turma incompatível com o acompanhamento individualizado de suas aprendizagens.
    Os problemas nas escolas e o movimento dos estudantes
    Russel_Protesto4No final do primeiro semestre de 2016, o movimento de ocupação das escolas públicas estaduais no Rio Grande do Sul, composto por estudantes da Educação Básica, reivindicava melhores condições de estudo e atendimento das demandas dos professores e demais servidores. Pediam a nomeação de docentes concursados para todas as matérias de ensino; a contratação de monitores; o pagamento integral dos salários; merenda escolar com qualidade nutricional apropriada; recursos para a manutenção das instalações escolares; adequações arquitetônicas que produzam a acessibilidade e a independência de pessoas com deficiência e o arquivamento de dois projetos de lei: PL 44/2016 que pretende transferir recursos públicos para Organizações Sociais privadas realizarem a gestão escolar, incluindo a contratação de diretores e professores sem concurso público; e o PL 190/2015 com o programa Escola sem Partido.
    O que é Escola sem Partido?
    Escola sem Partido (ESP) é um movimento inspirado no norte-americano “No Indoctrination” e tem por objetivo protocolar projetos de lei a fim de incluir, nas diretrizes e bases da educação nacional, um programa que visa censurar a liberdade de expressão do professor, por tomar o estudante como audiência vulnerável à doutrinação política e ideológica. O movimento atua em todas as esferas do governo, já tendo protocolado quatro projetos na Câmara dos Deputados e um no Senado, no âmbito federal. Na esfera estadual, são 12 projetos protocolados até o momento com um aprovado no estado do Alagoas. E na esfera municipal 2 projetos foram aprovados em Santa Cruz do Monte Carmelo-PR e Picuí-PB.
    Russel_Protesto2Porém, não só os professores serão afetados. O movimento pretende que os princípios do programa ESP sejam aplicados aos livros didáticos e paradidáticos; ao ENEM e vestibular; às provas de concurso para o magistério; e ao ensino superior. O projeto ESP veda o estudo de conteúdos que estejam em conflito com as convicções religiosas e morais das famílias, como saúde sexual e reprodutiva, e propõe a delação anônima de professores às secretarias de educação, disponibilizando um modelo de notificação extrajudicial que visa coagir os professores através da ameaça de penas que vão da impossibilidade de exercício profissional à prisão e perda de patrimônio.
    Na publicação eletrônica “extra.globo.com”, pode ser encontrado um exemplo de prática pedagógica que o movimento combate, a partir de questão de uma prova com o seguinte texto introdutório:

    O processo de globalização, que vive o mundo de hoje, propõe como elemento de estabilidade social, econômica e política, o velho paradigma das leis de mercado. (…) sobrevive só quem tem competência.
    A partir dessa introdução é feita a seguinte solicitação:
    Considerando o texto acima, podemos afirmar que o capitalismo fundamenta a lógica imoral da exclusão. Justifique tal afirmativa.

    Segue, então, a resposta de uma estudante à questão da prova, a qual o ESP considera como correta:

    Não concordo que o capitalismo fundamenta a lógica imoral da exclusão. Muito pelo contrário. O capitalismo amplia empresas, gerando assim, empregos. O capitalismo dá oportunidades a todos, diferente do comunismo e socialismo que não deu certo em nenhum país. A exclusão não está relacionada ao capitalismo, porque ele não gera pobreza. Fica pobre quem quer, pois ele gera oportunidades. E também tem a meritocracia, que deve ser vista como um plus na sociedade, pois quando se recebe uma oportunidade é possível alcançá-la com mérito e dedicação.

    Clique aqui para ver a matéria publicada pelo jornal Extra, da Globo.
    O exemplo sugere que o ESP confunde fatos e conhecimentos sociológicos com meras opiniões, sem embasamento na realidade. Nessa concepção, é possível imaginar que um professor seria considerado doutrinador se abordasse a usurpação das riquezas dos povos colonizados e escravizados que foi usada para produzir as revoluções industrial e tecnológica de impérios europeus. Ou se mencionasse o genocídio de populações africanas e indígenas ainda em curso. Também poderia ser acusado se apontasse que a taxa de desemprego no Brasil é maior entre os negros do que entre os brancos.
    Provavelmente, seria considerada ideológica a informação de que as mulheres recebem salários menores do que os homens para desempenhar as mesmas funções. Ou ainda que pessoas da comunidade LGBT sofrem discriminação em escolas e em centros de saúde. Portanto, as desigualdades sociais produzidas ativamente ao longo da história, de acordo com o ESP, não são fatos, são opiniões e o seu estudo é visto como ideológico.
    Quais as ações do ESP e seus patrocinadores?
    O movimento interferiu na redação do Plano Nacional de Educação retirando as metas e estratégias de promoção de equidade étnico racial e de gênero. Processou o INEP, órgão responsável pelo ENEM, por incluir o tema da violência contra a mulher na redação e por considerar o critério de avaliação (respeito aos direitos humanos), como doutrinação de esquerda.
    Russel_Protesto3O ESP é patrocinado pelo Instituto Liberal e entre seus apoiadores estão integrantes da frente parlamentar religiosa. Essa frente é formada, principalmente, por deputados evangélicos, mas, também há deputados católicos, luteranos e batistas. O movimento também conta com o apoio da bancada ruralista, que é contrária à demarcação de terras indígenas e quilombolas e da bancada que defende a indústria de armas, além do Movimento Brasil Livre (MBL) e dos Revoltados Online, os quais disseminam propostas e atividades que mesclam liberalismo e fascismo.
    Mas, o projeto não conta apenas com o apoio de movimentos que buscam agir pelos meios legais. O texto dos projetos pode conferir legitimidade a posições de extrema direita, as quais motivam delinquentes a cometer delitos como: intimidar alunos que participaram de ocupações de escolas; invadir a UNB, onde agrediram estudantes com armas de choque; espancar um aluno indígena, matriculado no curso de medicina veterinária, em frente à casa do estudante da UFRGS; e assassinar um estudante negro e homossexual no campus da UFRJ.
    O que mais o ESP esconde?
    Os projetos de lei do ESP ferem o artigo 5 da Constituição Federal:

    IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
    IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
    XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.

     
    E também o artigo 206, inciso II, o qual garante a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber” para garantir o preparo para o exercício da cidadania. Também estão em desacordo com a Lei e as Diretrizes que incluem a história e a cultura afro-brasileira e indígena nos currículos. E se opõem às metas do Plano Nacional de Educação (2014-2024) de superação das desigualdades educacionais pela erradicação de todas as formas de discriminação, respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental. Ataca a meta de valorização dos profissionais de educação pela promoção da saúde e da integridade física, mental e emocional, pois a delação anônima e os riscos de processos produzem um ambiente de insegurança e desconfiança nas instituições educacionais.
    O ESP se opõe a uma regulamentação legal que, desde a constituição de 1988, expressa as lutas e conquistas de movimentos sociais e o cumprimento de acordos internacionais dos quais o país é signatário.
    Em contraponto ao ESP foi criada a Frente Nacional Escola sem Mordaça, agregando entidades representativas de professores e estudantes que buscam resistir aos retrocessos que o ESP tenta impor.

  • MP arquiva acusações contra adolescentes detidos na Sefaz

    O Ministério Público arquivou as acusações contra os estudantes menores de idade detidos durante a ocupação da Secretaria da Fazenda, no dia 15 de junho. A decisão é do promotor Alexandre da Silva Loureiro, da Promotoria da Infância e da Juventude. Os 33 estudantes eram acusados de esbulho possessório. Nenhum deles será representado criminalmente.
    Na ocasião, um grupo de estudantes ligados ao Comitê das Escolas Independentes ocupou a Secretaria da Fazenda, em uma manifestação. A Brigada Militar entrou no prédio e retirou os estudantes, e outros dez maiores de idade. Os adolescentes foram conduzidos à Deca (delegacia de menores) pela Brigada Militar. O expediente policial foi enviado pela Polícia Civil ao Ministério Público, que poderia oferecer a denúncia ou arquivar. O promotor decidiu pelo arquivamento.
    A decisão é da quarta-feira, mas foi levada ao conhecimento aos defensores dos estudantes somente nesta segunda-feira (1/8), informou a advogada Jucemara Beltrame.

  • Audiência pública debaterá regras para eventos de rua

    Nesta quarta-feira, 3, uma audiência pública na Câmara Municipal de Porto Alegre discute a minuta de decreto que cria regras e cobranças para a utilização de espaços públicos. A minuta, distribuída pelo gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo em maio, gerou grande discussão, principalmente por parte dos artistas que utilizam a rua como palco. Em junho, diversos grupos realizaram um ato cultural em frente à Prefeitura, em protesto contra a iniciativa.
    A minuta de decreto prevê que “a realização de eventos nos logradouros públicos de Porto Alegre depende de prévia autorização” e, ainda, que o uso do espaço público seja cobrado pela Prefeitura.
    No Largo Zumbi dos Palmares, por exemplo, ficaria proibido o uso de qualquer instrumento musical ou equipamento sonoro, exceto em eventos organizados pelas associações de moradores locais, direcionados à luta contra qualquer discriminação racial e eventos da Semana da Consciência Negra. O texto determina também o horário para a realização de eventos entre as 8h e as 22h, salvo eventos tradicionais como natal e ano novo.
    A minuta veio a público quase um ano após outro texto semelhante, também distribuído pelo gabinete de Melo. O texto anterior regulamentava a Lei dos Artistas de Rua (Lei 11 586/2014). O novo texto é ainda mais abrangente, incluindo “atividade recreativa, política, cultural, religiosa, esportiva ou promocional, comunitária ou não.”
    O vice-prefeito Sebastião Melo se manifestou, reiterando “o compromisso, assumido no ano passado, de não regulamentação da Lei dos Artistas de Rua”. O vice, agora candidato a prefeito, alega que o objetivo do decreto é agilizar o processo de autorização dos eventos.
    No ano passado, a proposta gerou a mobilização de diversos grupos culturais da cidade, que realizaram um cortejo pelas ruas da região central. Uma audiência pública também foi realizada, e lotou o Teatro Renascença. Na ocasião, o vice-prefeito negou qualquer tentativa de regulamentação da Lei dos Artistas de Rua.

  • Cpers: aulas de meia hora em protesto contra salários parcelados

    Professores do ensino público gaúcho estão dando aulas com tempo mais reduzido, como forma de protesto contra o atraso nos salários do funcionalismo público, decretado pelo governo estadual.
    Em vez de períodos de 50 minutos, as aulas duram 30 minutos. Nem todas as escolas estão pondo em prática essa recomendação, já que os professores terão também de recompor as aulas paralisadas nos 48 dias de greve da categoria. A maioria dos professores, porém, estão acatando a redução do tempo das aulas, segundo o Cpers/Sindicato.
    Para a próxima quinta-feira, dia 4, dia que está prevista uma grande paralisação de servidores da área da Segurança, o Cpers orientou os professores a não comparecerem às escolas. Assim como recomenda aos pais dos alunos a não levarem os filhos aos estabelecimentos de ensino, por falta da anunciada ausência de policiais.
    Nessa segunda-feira pela manhã, integrantes do Cpers estiveram no aeroporto Salgado Filho, para pressionar os deputados federais gaúchos a votar contra o PL 257/2016.
    Na avaliação da presidente do sindicato dos professores, Helenir Schürer, “este projeto acaba com o serviço público e retira direitos adquiridos dos servidores públicos estaduais”.

  • Servidores do Ministério Público em vigília contra PL 257

    Quem esteve hoje na sede do Ministério Público Estadual (avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, 80), em Porto Alegre, encontrou um grupo grande de servidores da instituição realizando uma vigília pública contra o Projeto de Lei Complementar 257/2016, posto em votação nessa segunda-feira.
    Promotores, procuradores, estagiários e terceirizados também participaram do ato, já que o projeto, se aprovado, afetará a todas as categorias da Justiça.
    O Sindicato dos Servidores do Ministério Público (Simpe-RS) e a Associação dos Servidores do Ministério Público (Aprojus), promotoras da vigília na capital gaúcha, também enviaram representações a Brasília, para acompanhar os desdobramentos da votação na Câmara dos Deputados, em conjunto com a Federação Nacional dos Servidores dos Ministérios Públicos (FENAMP) e demais entidades que representam os servidores públicos.
    Ajuste fiscal
    O presidente do Simpe/RS, Alberto Ledur, que foi à capital federal, lembra que o PL adota uma política de ajuste fiscal e controle de gastos, de redução do papel do Estado e estímulo à privatização, contratação só de terceirizados e, principalmente, de corte de direitos dos servidores públicos.
    “A proposta proíbe reajuste salarial, progressão na carreira, concurso público, nomeações dos já aprovados em concurso, incentiva a demissão voluntária, acaba com a licença-prêmio, obrigatoriedade de demissões de comissionados, efetivos e até membros para adequação aos limites impostos, só para citar alguns dos prejuízos dos servidores”, disse Ledur.