Cleber Dioni Tentardini
O presidente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, José Alberto Wenzel, deixou o cargo nesta sexta-feira. A exoneração está publicada no Diário Oficial. Em seu lugar assume Luiz Fernando de Oliveira Branco, ligado ao PMDB.
Geólogo concursado, Wenzel diz que segunda-feira se reapresenta à Fepam – Fundação Estadual de Proteção Ambiental. Ele permaneceu à frente da FZB por oito meses e diz que estava contente com os resultados que vinha obtendo até agora à frente da Fundação. Por isso, se diz surpreso com a decisão de substituí-lo.
“Fui pego de surpresa mesmo, fiquei sabendo da exoneração pelo Diário Oficial. Ainda não sei as razões, mas desconfio que foi por conta do meu discurso na semana passada”, declarou Wenzel, e logo se retirou cabisbaixo.
Em discurso, presidente criticou projeto de extinção da FZB
Na última sexta-feira, dia 22 de julho, o secretário discursou no Palácio Piratini na presença do governador José Ivo Sartori, da secretária Ana Pellini, de outros titulares do governo, e de representantes da FZB.
Wenzel elogiou o plano de ajuste fiscal implementado por Sartori, disse que a Fundação Zoobotânica cortou despesas, redefiniu contratos de terceirizados e estava estudando planos para geração de receita.
“Em relação a 2014, diminuímos em 62,9% as diárias, estamos usando outro conceito, da suficiência critica. Então, o servidor sai a campo, onde está sendo feita a certificação da carne, por exemplo, e ao invés de cobrar por cinco diárias, utiliza duas, os outros dias fica nas dependências da Fepagro, em escolas. A fundação colabora com este projeto com sustentação científica e ambiental. Outro ponto é que reduzimos entre 20% e 25% as despesas com o cancelamento dos motoristas contratados. Além disso, estamos buscando receita com a adoção de espaços por empresas, a aderência de marcas, que é permitido por lei. Tudo para complementar a nossa receita hoje de R$ 5,6 milhões, que vêm principalmente da bilheteria do Zoológico, do Jardim Botânico e do Museu”, discursou.
Wenzel ressaltou a importância dos 500 mil registros catalogados, que vão compor o Sistema Integrado de Gestão Ambiental, para facilitar a sustentação científica dos técnicos responsáveis pelos licenciamentos ambientais, e destacou que a Fundação Zoobotânica está presente em todo o estado, ou com seus técnicos ou através de um convênio com o meio acadêmico.
Ele finalizou com um apelo emocionado ao governador, “uma pessoa correta, verdadeira e do bem”, para que desistisse da ideia de extinção da FZB. “O PL 300 cumpriu com a sua missão, ao permitir que nós pudéssemos nos reorganizar, mas agora, perto de completar um ano da apresentação do projeto, a angústia está evidente, o trabalho está dobrado, e por isso chegamos a um ponto em que precisamos de outro patamar, então eu peço em nome dos servidores da Fundação e principalmente da biodiversidade gaúcha, que seja repensada a questão. Ou pensamos na biodiversidade com seriedade ou nossos netos terão uma resposta que não será boa”.
Funcionários da FZB se solidarizam com Wenzel
Na manhã desta segunda-feira, visivelmente emocionado, Wenzel convocou uma reunião com os funcionários do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais para comunicar a sua saída. Por telefone, informou à direção do Zoológico, em Sapucaia.
Após a rápida reunião, o clima era de desânimo entre os funcionários que passavam pelo hall de entrada no prédio da FZB. Alguns elogiavam o presidente demitido, outros criticavam a decisão da secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini, alegando saber os reais motivos. Os comentários foram rápidos e ninguém quis se identificar.
Suspeita-se que o afastamento de Wenzel possa estar ligado a alguns atritos que teve ao longo dos últimos oito meses com a secretária Ana Pellini. Entre os motivos estariam a elaboração de um projeto de Lei alternativo ao PL 300 – de extinção da FZB -, visando o fortalecimento da instituição. Esse PL foi entregue à secretária no início do ano e não teve novos encaminhamentos.
Também é levantada a questão do espaço maior dado aos técnicos da Fundação para resolverem o problema da pesca das espécies ameaçadas, cujo assunto passou a ser discutido tecnicamente, e não politicamente. Outro ponto que teria desagradado a secretária Ana Pellini refere-se a uma série de propostas enviadas à SEMA para combater o problema do Horto Florestal, ao lado do Zoológico de Sapucaia, incluindo a criação de uma unidade de conservação e a regularização de áreas ocupadas por moradias.
Proposta de extinção da FZB completa um ano
No dia 6 de agosto, sábado da próxima semana, completa um ano que o Projeto de Lei 300 foi protocolado pelo Executivo em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Funcionários da Fundação Zoobotânica devem repetir as mobilizações feitas em 2015, em repúdio às alegações apresentadas pela secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini, para que o PL fosse rapidamente votado pelos parlamentares, sem que houvesse uma ampla discussão com a sociedade.
Várias ações foram realizadas ao longo do segundo semestre do ano passado para pressionar o governo Sartori. No dia 20 de agosto, foi realizada uma audiência pública que lotou as galerias do Auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa. Ao final da audiência, foi entregue aos membros da comissão um calhamaço com dois abaixo-assinados contendo 39 mil assinaturas e correspondências com demonstrações de apoio à Fundação Zoobotânica de 800 instituições, sendo 18 de outros países.
Logo depois, um grupo formado por 20 pessoas, entre representes da entidade ambiental, deputados, professores de universidades públicas e privadas, e pesquisadores da Embrapa, Fepagro e Emater, entregou ao secretário adjunto da Casa Civil, José Kliemann, e à secretária adjunta do Meio Ambiente, Maria Patrícia Mollmann, um documento em que pediam a imediata retirada do PL 300/15. Isso ocorreu dias depois, mas o PL permanece na Assembleia Legislativa.
A Fundação Zoobotânica é vinculada à Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, sendo o órgão responsável pela promoção e conservação da biodiversidade no Rio Grande do Sul. Através do Jardim Botânico, do Parque Zoológico e do Museu de Ciências Naturais, atua nas áreas de pesquisa, educação ambiental, conservação e lazer. A instituição é detentora de coleções científicas de plantas e animais, atuais e fósseis, que subsidiam pesquisas realizadas por especialistas do Brasil e do exterior.
Autor: da Redação
Wenzel é exonerado após discurso em defesa da Fundação Zoobotânica
Wenzel estava à frente da fundação há oito meses / Divulgação O Jardim Botânico é uma das unidades administradas pela FZB / Cléber Dioni Tentardini Metroviários param os trens novamente segunda-feira
Higino Barros
Os metroviários gaúchos farão nova paralisação dos trens da Trensurb na segunda-feira, dia 1º de agosto. Será a segunda paralisação da categoria em dez dias. Os metroviários já haviam cruzado os braços no dia 21 de julho e os trens só funcionaram no horário de pico (das 5h30 às 8h30 e das 17h30 às20h30), por determinação do Tribunal da Justiça do Trabalho. Os trabalhadores pedem 9,28% de reajuste salarial, além de outras reivindicações, e a empresa oferece 8,28% de reajuste.
Se não houver avanço nas negociações, os metroviários discutirão em assembleia geral a possibilidade de fazer uma greve por tempo indeterminado. A Trensurb transporta diariamente cerca de 220 mil pessoas. Segundo o presidente do Sindimetrô/RS, Luiz Henrique Chagas, a população aceitou bem as razões dos metroviários para a greve parcial dos trabalhadores. Segundo o dirigente, só a pressão fará a empresa ceder às reivindicações da categoria.
O Sindicato dos Metroviários publicou uma carta aberta em sua página do facebook.Lula vira réu por tentativa de obstrução da Justiça
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou réu na Operação Lava Jato tentativa de obstrução da Justiça. A denúncia do Ministério Público foi aceita pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília.
Responderão, além do ex-presidente, o ex-senador Delcidio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, o banqueiro Andre Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai. Eles são acusados de tentar obstruir a Justiça tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
São três os crimes citados na denúncia: embaraço à investigação de organização criminosa, que prevê pena de três a oito anos; patrocínio infiel (quando advogado não defende corretamente interesses do cliente – os outros foram considerados coautores), que prevê pena de seis meses a três anos; e exploração de prestígio, que prevê pena de um a cinco anos.
Até o fechamento desta nota o Instituo Lula não havia se pronunciado sobre o caso.Culinária requintada no Centro Cultural CEEE no domingo
Higino Barros
Numa época que não havia patrulha alimentar, saudosos anos 1970, quando criança, Daniel Ninov, na companhia de seus parentes, costumava caçar passarinhos e pegar rãs que se transformariam depois em nutritivas e saborosas iguarias.
Acompanhadas de muita polenta. Isso, claro, em ambiente rural, na serra gaúcha, onde os hábitos alimentares dos descendentes de colonos italianos tornam o momento da refeição não apenas um momento de repor energias no corpo. Mas também um espaço para convivência familiar, descobertas de muitos sabores e outros prazeres de uma refeição farta, nutritiva e sem pressa.
O tempo passou e Ninov veio para Porto Alegre, tocou um restaurante vegetariano nos anos 1980, abandonou essa vertente e a par de sua atividade profissional como funcionário da Prefeitura de Porto Alegre, continuou cozinhando em círculos pequenos e para amigos. Em 2013 cursou a Escola de Educação Profissional de Gastronomia Aires Scavone.
Memória alimentar
Daniel Ninov / Divulgação
Na atualidade Ninov é um cozinheiro cujos pratos são louvados por quem experimentou. É um grupo pequeno, mas que aumenta a cada vez que ele vai para a cozinha. Já que essas ocasiões são certezas de culinária requintada, sabores únicos e uma combinação de beleza visual com alimentos nutritivos.
Tudo isso e um pouco mais estarão presentes no próximo domingo no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, na primeira edição do projeto Cozinha Autoral e Memória Alimentar. A ideia é oferecer num local acolhedor, acessível e onde se respira cultura, uma experiência culinária tão prazerosa que se torne inesquecível. Outras duas edições serão realizadas no final de agosto e em setembro.
Como fazer isso? Daniel Ninov, na conversa, vai dando umas pistas. Primeiro, trabalhar com produtos orgânicos, o máximo possível. Para isso é necessário ter um rede de fornecedores fiéis e variada. Conta também lançar mão da tradição familiar para fazer pratos da memória de todos que gostam de culinária italiana, porém com toques e adaptações que são truques e segredos de chefs de cozinha. Por isso, não adianta perguntar.
Comer com os olhos
Assim, por exemplo, no almoço que acontecerá no Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo será servido como prato principal um matambre que quem já experimentou, diz que é de comer ajoelhado. É uma receita que Ninov aprendeu de um “nono” italiano, no interior da Argentina, temperado com acelga. É o máximo que ele revela. A solução então é saborear essa iguaria da culinária sulista e aguardar a próxima vez.
Finalmente vem o toque da beleza, da parte de comer com os olhos. Ninov se preocupa tanto com a estética do prato que considera metade do prazer de comer, na forma do que lhe é servido. Ele é adepto da máxima que bonito é mais gostoso:
“Prezo muito o valor nutritivo do que cozinho e o visual da comida faz parte do prazer de se alimentar. É uma combinação de apelo aos sentidos em que tudo se completa. Daí vem a ideia de se fazer esse projeto num centro cultural já que não é só o sentido gustativo que é acionado. Outros prazeres são despertados e descobertos”, conclui Daniel Ninov.

Servidores protestam com bolo por um ano de salários parcelados
Os servidores públicos estaduais realizaram uma “festa de aniversário” simbólica em protesto por uma ano de salários parcelados dos servidores do Poder Executivo. O ato ocorreu no Centro Administrativo Fernando Ferrari, na manhã desta sexta-feira. Nesta quinta-feira, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, anunciou que novamente os salários seriam parcelados. O valor da primeira parcela do salário de julho ficou em R$ 650 por matrícula.

Após ato dentro do CAFF, servidores bloquearam a pista da avenida Borges de Medeiros / Thais Ratier
Um grupo de cerca de 300 servidores entrou no CAFF por volta das 11h. Com um bolo de aniversário, eles cantaram “parabéns a você” no saguão do prédio. Representantes sindicais fizeram falas criticando o governador José Ivo Sartori e a política de parcelamento de salário adotada pelo Governo do Estado. O bolo de chocolate foi repartido entre os servidores.
Após o ato simbólico, os servidores saíram do centro administrativo e bloquearam o trânsito da avenida Borges de Medeiros durante cerca de 20 minutos. Houve discussão com alguns motoristas inconformados com o longo engarrafamento que se formou.
Thais Ratier 
Thais Ratier 
Thais Ratier Palestra esclarece o que é o projeto "Escola sem partido"
ANDRES VINCE
O Comitê em Defesa da Democracia realizou palestra sobre o tema “Escola sem partido ou censura do conhecimento?”, nesta quinta-feira, 28 de julho, na Assembleia Legislativa do Estado do RS.
O evento teve como palestrante a professora da Faculdade de Educação da UFRGS, Dra. Russel Teresinha Dutra da Rosa.
A dra. Russel falou por quase uma hora a respeito dos conceitos do projeto, explicitando seu alcance amplo e irrestrito a toda classe educadora e seus efeitos sobre os educandos, frisando a inconstitucionalidade do projeto.
A palestrante destacou que o “escola sem partido” faz parte de um movimento coordenado em diferentes esferas do poder público, com objetivos bastante claros e definidos. Basicamente, o projeto trata de taxar como ideológica qualquer discussão de temas como sexualidade, religião, minorias étnicas e sistemas de governo, por exemplo.
Durante a palestra, dra. Russel citou diversos exemplos dos efeitos práticos caso o projeto venha a ser aprovado, dentre eles, o fato dos pais dos alunos passarem a ter ingerência sobre o conteúdo curricular que julgarem contrários a sua religião ou a sua moral, chegando ao ponto do educador ser pré-notificado (aviso que será processado) pelo fato.
Foi destacado também que a essência do projeto “escola sem partido” se apoia em pesquisas frágeis e sem rigor científico para justificar a regulamentação da nova legislação.
Em nível federal, o projeto já está em tramitação no Senado. Em nível estadual, está tramitando em quase todas as assembleias legislativas do país, já tendo sido aprovada em Alagoas. O projeto já recebeu aprovação em diversas câmaras de municípios com menor densidade populacional.
Segundo a doutora, no dia 13 de Julho de 2016, foi lançada, no Rio de Janeiro, a Frente Nacional contra o Projeto Escola Sem Partido. A frente é composta por entidades sindicais, estudantis, movimentos sociais e partidos políticos. O movimento contrário ao projeto “escola sem partido” buscará comprovar a inconstitucionalidade da matéria e tratará de fazer oposição ativa a aprovação do projeto.
A palestra foi aberta ao público, e logo após a explanação da palestrante, a platéia demonstrou grande preocupação com a aprovação do projeto e concentrou as perguntas nos detalhes do funcionamento da Frente Nacional contra o Projeto Escola Sem Partido, porém, a dra. Russel não pode esclarecer o assunto por ainda conhecer poucos detalhes sobre a frente.
O professor Benedito Tadeu César, encerrou palestra afirmando que o Comitê em Defesa da Democracia colocará em pauta a sua participação na Frente Nacional contra o Projeto Escola Sem Partido.
Confira o artigo “A educação brasileira e a lei da mordaça”, de autoria da dra. Russel, publicado no hotsite do Comitê em Defesa da Democracia.
A integra da palestra pode ser assistida no vídeo abaixo.
O Sentido do Igualitarismo
Duilio de Avila Bêrni – Professor de economia política (UFSC e PUCRS, aposentado). Coautor de “Mesoeconomia” (Bookman, 2011) e “Teoria dos Jogos” (Saraiva, 2014).
Vivemos uma quadra peculiar na vida comunitária do Brasil, aliás, mais apropriado é falar naqueles dois brasis de Jacques Lambert. Num deles, o das lideranças empresariais e seus ventríloquos, há estado em excesso. No outro, veem-se ignorância, violência, corrupção, crime contra o pobre: óbvios indícios de estado escasso. No primeiro, paga-se muito imposto, enquanto que, no Brasil dos miseráveis e pobres, não se observa o princípio tributário de arrecadar conforme capacidade de pagar do indivíduo.
O igualitarismo, a rigor, é uma doutrina político-econômica que quer acabar com qualquer diferença, deseja uma população conformada por indivíduos de renda e atributos idênticos. Quer? Não, claro que não, pois a desigualdade é um fenômeno natural: gordos, possivelmente comem mais que magros, e baixinhos seguramente gastam menos tecido em uniformes escolares que jerivás. Ainda assim podemos defender a concepção de que o alisamento do consumo per capita, ou melhor, as sociedades que garantem a seus membros pequenas diferenças no consumo per capita têm melhor desempenho que as demais. Entretanto apresento dois avisos de alerta. Primeiramente, não defendo o igualitarismo da pobreza, em que todos são iguais perante uma ou duas magras refeições por dia. Além disso, tampouco penso em igualitarismo numa sociedade com baixo grau de cultivo à liberdade pessoal. O crescimento econômico permanente é um projeto de enorme número de simpatizantes, mas, claro, sem unanimidade, pois um crescente número de neomalthusianos considera que é ele que está levando o planeta aos desequilíbrios ambientais que – alegam – culminarão por arruiná-lo. Estes antagonistas do crescimento econômico não percebem que o desenvolvimento sustentado não é incompatível com o capitalismo, podendo servir-se de suas virtudes produtivas para garantir qualidade de vida, ou seja, maior consumo de bens e serviços, mais educação e cultura e, principalmente, maior longevidade.
Unindo o direito à liberdade com os cânones da igualdade, vemos a concepção da sociedade justa concebida por John Rawls (1971). O filósofo americano apresenta um resumo na seguinte listagem:
1. Todos têm igual direito à mais ampla liberdade compatível com a dos demais indivíduos.
2. A desigualdade social e econômica deve ser organizada de modo a:
a) permitir que as oportunidades de emprego sejam abertas a todos e
b) gerar o maior benefício aos detentores de menos posses.
Segue-se que, na sociedade justa, não posso ser dono de escravos nem – ainda bem – deixar-me predar, como uma fração da humanidade tem sido desde tempos imemoriais até o presente. Ponto positivo: não podemos ser escravizados. Mas que dizer de um indivíduo e sua família que gozam da liberdade de praticar um consumo conspícuo, de pompa e ostentação, contrastando com bilhões de pessoas que não transcendem mais que a existência bruta? Estarão eles gozando de um grau de liberdade compatível com as demais famílias? Além da falta de liberdade, a definição de Rawls fala diretamente na desigualdade como inimiga da sociedade justa, mostrando caminhos constitucionais para diminuí-la. O primeiro deles é o combate às sociedades de classes, castas ou estamentos poderosos, como ainda são a indiana e a chinesa, cabendo registrar o nepotismo brasileiro. Espraiando-se pelos três poderes da república, inclusive entrecruzam-se conluios entre juízes e deputados sobre empregos cruzados (parente de um no gabinete do outro, e vice-versa), entre governadores e senadores sobre como distribuir os “cargos em comissão”, e por aí vai.
Por fim, quando Rawls fala em manejo da desigualdade com o objetivo de beneficiar os menos aquinhoados, sou levado a crer que ele está falando numa legislação que contemple um imposto de renda progressivo: uma faixa de isenções para todos, sucedida por uma alíquota reduzida para ganhos reduzidos, mas superiores àquele mínimo que garante a isenção, sucedida por outra alíquota maior para os mais ricos, não incidindo sobre os rendimentos capitulados nas duas alíquotas anteriores, e assim sucessivamente. No tempo dos militares, alíquota máxima era de 50%, tendo caído no governo Sarney aos atuais 27,5%.
Ao refletirmos sobre os contornos rawlsianos da sociedade justa, tomo a liberdade (compatível com a dos leitores…) de apresentar a concepção de David Harvey (1980):
1. Desigualdade intrínseca: todos têm direito ao resultado do esforço produtivo, independentemente da contribuição.
2. Critério de avaliação dos bens e serviços: valorização em termos de oferta e demanda.
3. Necessidade: todos têm direito a igual benefício.
4. Direitos herdados: reivindicações relativas à propriedade herdada devem ser relativizadas, pois, por exemplo, o nascimento em uma família abastada pode ser atribuído apenas à sorte.
5. Mérito: a remuneração associa‑se ao mérito; por exemplo, estivador e cirurgião querem maior
recompensa do que ascensorista e açougueiro.
6. Contribuição ao bem comum: quem mais beneficia aos outros pode clamar por mais recompensa.
7. Contribuição produtiva efetiva: quem gera mais resultado ganha mais do que quem gera menos.
8. Esforços e sacrifícios: quanto maior o esforço, maior a recompensa.
Sem expor contradições quanto à concepção de Rawls, o geógrafo americano confronta-nos com o mecanismo da renda básica universal, estabelecida no Brasil por meio da lei 10.835/2004, muito adequada para substituir o Programa Bolsa Família criado no ano anterior. Com a renda básica, por exemplo, os pobres poderiam comprar alimentos e roupa, ao passo que os ricos podem deixá-la diretamente nas mãos do tesouro nacional à espera do ajuste da declaração do imposto de renda.
Ainda assim, a verdadeira chave da manutenção do traço igualitário não é a renda básica, mas o emprego. Todavia, na sociedade capitalista, a chave do emprego localiza-se no nada livre mercado de trabalho, no jogo das forças da oferta e procura por trabalho. Pois é precisamente aí que reside a fábrica da desigualdade, pois há critérios díspares de remuneração entre as empresas e entre as pessoas. Além disso, os excedentes de oferta de trabalho são proverbiais, sendo raros os períodos em que se observam salários crescendo sob a impulsão de maior demanda por trabalho, e corriqueiros momentos em que alguém deseja um emprego e não encontra. Para este desequilíbrio fundamental na chamada distribuição primária da renda (entre trabalhadores, capitalistas e arrecadação de impostos indiretos pelo governo) criado pelo mercado, só há uma saída: tentar consertá-lo, atribuindo ao governo o papel de empregador de última instância, ou seja, com ações alheias ao mercado de trabalho.
A primeira, mais moderna e necessária, é a criação do Serviço Municipal proposto pelos estudiosos das finanças públicas. Não se trata de “emprego”, no sentido tradicional de trabalho assalariado, salários e ordenados. Sua existência torna-se necessária nos países com tradicionais excedentes de mão de obra, a fim de organizar a vida em sociedade em torno das dimensões econômica e solidária. Não que estas sejam as mais importantes, mas por serem elas dirigidas às necessidades materiais cujo atendimento como resultado da livre ação do mercado é insuficiente. Por exemplo, cuidados sociais (não necessariamente dos familiares) para com jovens e velhos. Além deles, a jardinagem urbana, nas margens de avenidas, estradas e rodovias, etc., são fontes inesgotáveis de ocupação de mão de obra. Ilustra a carência desse encaminhamento do igualitarismo a proliferação do mosquito Aedes Aegyptii, retratando a irresponsabilidade do setor público na coleta e processamento do lixo (perversamente “terceirizado” pelas prefeituras a detentores de empregos precários), do esgoto e da mata ciliar. Seu enquadramento requer trabalho para lixeiros, pessoal de manutenção e jardineiros.
Mesmo neste exemplo ilustrativo, o círculo virtuoso aparece altaneiro: o filho do lixeiro pode estudar violino e o professor de violino pode comprar no açougue do bairro, cujo proprietário está juntando um dinheirinho, contratando uma agência de viagens a fim de enviar sua filha a um passeio no Beto Carreiro (ou na Disneylândia, por quê não?). O despachante da agência de viagem também se beneficiará por ter um emprego, impulsionando o fluxo da renda com a que ele próprio gera, apropria e absorve.
Ainda que idílico, este mundo urdido pelas políticas igualitárias é complementar ao funcionamento do mercado de recursos, em particular, o de trabalho. Mas não precisamos ir muito longe para entender que a distribuição da renda nele engendrada não é capaz de eliminar a desigualdade. Resta, em menor grau, a ação comunitária. E ao estado, além do papel de empregador de última instância, a ação em três frentes: a tributação, o gasto público e o crédito ao emprego autônomo de pequenos empresários. Mas que temos visto durante esses meses de interinidade de Michel Temer e seu governo?
Políticos. São esses os homens que, enquanto estamento, têm uma vida fácil de gravata e ar condicionado no país tropical, que terão régias aposentadorias autoconcedidas e outros privilégios inconcebíveis, disfarçados em direitos. São eles que avalizam as iniciativas de nulo conteúdo fraterno, tratando os pobres, a classe trabalhadora despossuída, como se fosse o inimigo de guerra. São esses homens que estabelecem os “salários” dos juízes e, ao fazê-lo, têm os ganhos destes automaticamente escorrendo sobre si.
Controle reacionário do gasto público por 20 anos? Homens que foram ungidos ao comando com grande ilegitimidade alardeiam o desejo de permanecer por mais de dois anos à frente do poder usurpado. Eles expressam a intenção de condicionar uma geração inteira com reformas malévolas que retiram um bom grau de autonomia decisória dos pilares da despesa pública, a forma regressiva de combater a desigualdade. E no front da redistribuição da renda na linha de John Rawls? Precisamente o oposto: anúncios frequentes de impostos regressivos, como a CPMF, manutenção das isenções fiscais, e uma taxa de juros sobre o crédito à pequena empresa verdadeiramente proibitiva, Ou seja, nem uma palavra sobre uma reforma tributária que substitua os impostos regressivos pelo imposto de renda, sistemáticos anúncios de redução nos gastos públicos, promessas de combate à inflação com a contração da oferta monetária e corte nos direitos trabalhistas e previdenciários.
Com um perturbador índice de desigualdade de Gini, superior aos já elevadíssimos 0,50 de 1959, o Brasil permanece um campeão da falta de oportunidades à maioria da população de todas as idades. Durante os governos Lula e Dilma, houve algumas medidas tíbias na linha de reduzi-la, sendo gradualmente revertidas pelo movimento político que ufana-se de pregar liberdade e democracia, mas permitindo prever mais desigualdade, maus tratos e morte. Recorrem à velha quimera de que o emprego e a renda serão gerados com o crescimento econômico, milagre que nem os vigorosos crescimentos da China ou da Índia têm sido capazes de garantir. Não se dão conta de que a única forma de resgatar as populações carentes é por meio da renda básica, além de emprego publico que seja um colchão voltado à produção de bens públicos (segurança, saneamento) e de mérito (educação, saúde).
Com a saída temporária da presidenta Dilma, o que estamos testemunhando é uma colossal reversão daqueles padrões ameaçados de cortes nos gastos em educação e saúde, na moradia popular e na previdência. Pelo lado da receita, não se profere uma única palavra sobre a transformação de sua estrutura trocando os impostos regressivos por progressivos. Ao contrário, a necessidade de usar impostos regressivos para combater o déficit público. Nada se fala sobre o trio igualitário: imposto sobre a renda, sobre a riqueza e sobre a herança. A matança de pobres especialmente negros tende a continuar, a covarde e sistemática agressão de homens sem caráter à mulher brasileira é uma realidade, a moralidade rançosa no trato da questão do aborto é criminosa e o abatedouro humano em que se transformaram os transportes é formidável. As perspectivas são tristes, o futuro provável é amargo e nossa tarefa na contestação ao golpe é hercúlea.
Andar interditado oferece riscos a estudantes e professores do Paula Soares
Felipe Uhr
Desde terça-feira, dia 26, ninguém sobe no último andar da Escola Estadual Paula Soares, situada no centro de Porto Alegre. A chuva da última segunda
causou danos ao já corroído prédio de quase 90 anos, por volta das 10h da manhã de terça, quando parte do teto cedeu gerando medo entre alunos e professores. À tarde, o andar já havia sido bloqueado. Os alunos foram realocados e turmas foram postas juntas para que todos tenham aula.
Telhado apresenta buracos e pode haver risco de desabamento. Fiação também precária.
Nesta quarta-feira, um engenheiro foi ao colégio e interditou o acesso às sete salas de aula e dois banheiros do último andar. Um levantamento completo de quais obra serão necessárias está em fase de elaboração. A Secretaria de Educação havia informado que o laudo sairia até o final da tarde desta quinta-feira, mas nenhuma nota foi emitida até o fechamento desta matéria.
Na manhã desta quinta-feira, um grupo de alunos e pais se reuniu para denunciar as péssimas condições da instituição de ensino. Queriam fazer uma coletiva com o apoio da diretoria da escola, mas não tiveram sucesso. A vice-diretora do turno da noite, a professora Maria Helena Soares, disse apenas que aguardava a diretora do turno da manhã retornar do 1ªCRE (Coordenadoria Regional de Educação) onde estava abrindo o processo de reclame do dano.
Alunos subindo em andar interditado para pegar material escolar.
No andar afetado se vê de longe as más condições que o tempo impôs ao prédio. Buracos no teto e infiltrações são alguns problemas apresentados. A fiação precária, que causa choque a quem encostar nos corrimãos é outro, porém nenhum problema é novo. Todos eles são bem conhecidos algum tempo. Em 21 anos de escola, Maria Helena não recorda de alguma obra de reparo. “Cada obra precisa de uma série de requisitos já que é um prédio histórico, né”, argumenta ela. O fato é que a escola Paula Soares, hoje, oferece riscos aos seus funcionários e estudantes.
Alguns pais demonstram grande preocupação. É o caso Maria Madalena Gusen. Na terça-feira, ela recebeu um telefonema da filha, de 12 anos, estudante da sexta série do colégio, que estava em uma das salas quando começou a escorrer água e terra. A garota ficou apavorada. “Dá medo de largar os filhos da gente aqui”, lamenta Maria.
Do lado de fora a situação também é precária: redes foram colocadas nas vigas para segurar pedras que caem
Para a estudante de 17 anos do terceiro ano, Luiza Ninov, a situação é preocupante. Luiza estudou todo ensino fundamental em escola particular e desde 2014 está no Paula Soares. Ela considera uma “calamidade” o atual quadro. “Quando eu vim para a rede pública pude perceber o quão ruim é a estrutura apresentada”, criticou a secundarista.
Para o Paula Soares a Secretaria de Educação já destinou R$ 100 mil reais. A vice-diretora Maria Helena teme que esse valor seja insuficiente já para a principal obra, a reforma do telhado. A pasta garante que não haverá problemas de recursos para a obra.
O período técnico irá informar se todo o colégio deverá ser interditado ou apenas parte dele para as obras de restauração.
Uma assembleia será realizada pela comunidade escolar do Paula Soares, nesta sexta-feira, às 18h.

Marchezan quer coligação com PP para viabilizar a candidatura
O apoio do PP pode ser definitivo para a consolidação de uma candidatura própria do PSDB, com Nelson Marchezan Junior encabeçando a chapa.
O candidato afirmou que este é o apoio que falta para a definição de sua candidatura. Os progressistas negociam também com o PDT, de Vieira, e o PMDB, de Melo.
O candidato afirmou que segue conversando com todos os partidos que ainda não definiram posição. O objetivo é “construir uma alternativa politica para Porto Alegre, que não seja ligada ao PT e ao PSOL e que possa buscar uma opção de avanço na gestão.”
Marchezan prefere não comentar a possibilidade de o partido não lançar candidato e compor com outra chapa. “Não estamos trabalhando com outra alternativa, porque consideramos viável a nossa candidadtura”, afirmou Marchezan, que disse ainda que a possibilidade de coligação com a chapa de Melo sequer foi estudada pelo seu partido.
O deputado federal e pré-candidato à Prefeitura Nelson Marchezan Junior participou na manhã desta quinta-feira do evento Fala, candidato, promovido pela Associação Comercial de Porto Alegre.
Marchezan defendeu que Porto Alegre tem que ter um ambiente empreendedor. “As corporações públicas e algumas privadas tomaram conta da coisa pública em Porto Alegre. Para vencer as corporações, tem que ter vontade do prefeito, mas a sociedade tem que se mobilizar.”
Marchezan defendeu a realização de parcerias público-privadas para a realização de melhorias necessárias à cidade. “Tem que ter apoio da iniciativa privada. A prefeitura acha feio colocar um anúncio de uma marca.”
Em relação ao transporte público da capital, Marchezan defendeu o uso das novas tecologias, tanto de aplicativos de transporte individual de passageiros, como de transporte público. “Hoje em Porto Alegre, não se tem nem um aplicativo que te diga o horário do ônibus. Temos que atrair tecnologias de fora, para copiar, para aprender.”
Marchezan defendeu ainda a qualificação do serviço de táxis, através da parceria com empresas, que investiriam o recurso para as melhorias em troca da exploração de publicidade.
O candidato criticou também o transporte coletivo. Para Marchezan, a realizaçãod e um edital para o transporte coletivo foi um “grande avanço”, mas “não evoluímos nos resultados e mantivemos os mesmos operadores do serviço, sem concorrência.”Luciana Genro: "Me vetar nos debates seria uma covardia"
A candidata do PSOL à Prefeitura de Porto Alegre, Luciana Genro comentou a confirmação do apoio da Rede à candidatura de Sebastião Melo.
Uma eventual coligação entre PSOL e Rede garantiria presença de Luciana nos debates. Com pouco tempo de televisão e sem garantia de presença nos debates, a campanha do PSOL vai focar no corpo a corpo da militância e nas redes sociais.
“Sempre tivemos menos tempo de TV que os outros. Minha campanha sempre foi muito pé no barro e vai continuar sendo. Nós temos uma militancia muito ativa e um militante tem um poder de convencimento muito diferente de um cabo eleitoral pago”, afirmou Luciana, que garante que é a candidata com maior força também nas redes sociais.
A lei eleitoral prevê que a coligação tem que ter no mínimo nove deputados federais para ter presença garantida nos debates. Como o PSOL não dispõe deste número, Luciana depende do convite das emissoras e da aprovação de pelo menos dois terços dos adversários. Segundo a candidata, a TV Record e Bandeirantes já confirmaram que a convidarão.
“Vou conversar com todos os candidatos. Me vetar do debate seria uma covardia e uma afronta à população que tem direito de conhecer as propostas de todos”, afirmou.
Com a decisão da Rede de apoiar a candidatura do vice-prefeito Sebastião Melo, o PSOL deve lançar chapa pura, com o deputado Pedro Ruas na vaga de vice. Luciana Genro afirmou que Ruas tem “perfil e abrangência que vão além do eleitorado tradicional do PSOL.”
A candidata disse também que há pontos de convergência entre suas propostas e as de setores que, tradicionalmente tem uma posição diferente da do seu partido, como os comerciários, neste caso. A integração de agentes da EPTC em um plano municipal de segurança pública é uma das propostas presentes no programa de Luciana e nas propostas entregues pela Associação aos candidatos.










