Autor: da Redação

  • Onze categorias paralisam Hospital de Clínicas por reposição salarial

    Foi anunciada para esta quarta-feira, das 7h às 19h, uma paralisação dos trabalhadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, orquestrada por onze sindicatos. Apenas atendimentos a pacientes já internados ou urgências serão mantidos.
    Os funcionários planejam fazer um piquete em frente ao hospital, a partir do início da manhã. O mesmo deve ocorrer quinta-feira  no Hospital Cristo Redentor, também por 12 horas. A mobilização pode se repetir todas as quartas e quinta-feiras, até a segunda semana de agosto, em várias unidades de saúde.

    Campanha salarial unificada

    As entidades fazem campanha unificada por reajustes e melhores condições de trabalho. Os sindicatos patronais, Sindiberf e Sindihospa, propõem reajuste máximo de 3,5% em 2016, enquanto as categorias pedem 15%.

    Estão em “estado de greve”, desde junho, cerca de 100 mil trabalhadores no Estado. Decidiram não aceitar menos do que a reposição do índice de inflação no período, que foi 9,91%.
    Os sindicatos envolvidos na campanha são os dos assistentes sociais (Sasers), dos técnicos de segurança do trabalho (Sinditest), dos Administradores (Sindaergs),
    das secretárias e secretários (Sisergs), dos enfermeiros (Sergs), dos engenheiros (Senge), dos médicos (Simers), dos nutricionistas (Sinurgs), dos psicólogos (Sipergs), dos farmacêuticos (Sindifars) e dos técnicos, tecnólogos e auxiliares em radiologia médica (Sinttargs).
     
  • EPTC recebe novo projeto de áreas de treinamento para ciclistas

    Nesta segunda-feira, foi protocolado junto à EPTC um projeto para a criação de Zonas Permanentes de Treinamento para ciclistas. A iniciativa é do advogado e cicloativista Pablo Weiss. O objetivo é dar maior visibilidade aos ciclistas em treinamento.
    O projeto prevê a sinalização de um trecho da Usina do Gasômetro até a Praça Comendador Souza Gomes, na Tristeza, através das avenidas Edvaldo Pereira Paiva, Diário de Notícias, Guaíba, Copacabana e Caeté, retornando pelas mesmas vias até a Rua Estevão Cruz, Av. Pinheiro Borda e Edvaldo Pereira Paiva. O outro trecho previsto é no entorno do Parque Harmonia, compreendendo as avenidas Edvaldo Pereira Paiva, Loureiro da Silva e Augusto de Carvalho.
    O projeto foi entregue ao diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Capelari, que se comprometeu a analisá-lo e marcar novo encontro em 20 dias. Capelari afirmou que o projeto está em análise pelo setor de Engenharia de Trânsito e que “a sinalização teria um caráter mais informativo que regulamentar.”
    O proponente afirma que a ideia não é criar uma novidade, mas “apenas que o órgão de trânsito busque elucidar o motorista em relação a algo que está na lei”. As áreas de treinamento se diferenciam das ciclovias, são pistas para ciclistas que treinam para competição ou que utilizam o ciclismo como exercício e costumam utilizar bicicletas mais velozes que as usadas como meio de transporte pela maioria dos ciclistas.
    Pablo cita o artigo 58, do Código Brasileiro de Trânsito, que prevê que as bicicletas circulem nos bordos da pista de rolamento quando não houver ciclovia ou quando não for possível a utilização desta. “Como um ciclista vai transitar numa ciclovia a 40km/h? Ainda mais nas ciclovias de Porto Alegre, que tem imperfeições, piso irregular, circulação de pedestres, entre outros problemas”, questiona.
    Capelari também defende que o ciclista de alta velocidade não deve transitar pela ciclovia. ”Oferece alto risco aos demais”, afirmou.
    Iniciativa semelhante aguarda resposta da EPTC há 3 anos
    Outra iniciativa semelhante está há 3 anos à espera de uma resposta por parte da EPTC. Em agosto de 2013, o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) protocolou um Pedido de Providências à empresa pública. A solicitação era praticamente a mesma: sinalização da avenida Beira Rio como área de treinamento, além da instalação de um controlador eletrônico de velocidade.
    Os argumentos que embasam os pedidos também se assemelham: o desrespeito de motoristas em relação aos ciclistas que utilizam a pista comum, e o fato de que ciclistas e triatletas utilizam a avenida Beira Rio como local de treinamento há mais de 20 anos, o que recentemente acontece também nas vias do entorno da Câmara Municipal e do Parque Harmonia.
    O diretor-presidente da EPTC afirmou que este pedido será respondido juntamente com o projeto entregue ontem, após análise.
    Projeto das APCCs está na ordem do dia da Câmara

    Projeto do vereador Marcelo Sgarbossa está na ordem do dia na Câmara Municipal / Ederson Nunes
    Projeto do vereador Marcelo Sgarbossa está na ordem do dia na Câmara Municipal / Ederson Nunes

    Também de autoria do vereador Marcelo Sgarbossa, tramita na Câmara um projeto que cria Áreas de Proteção aos Ciclistas de Competição (APCCs). Baseado em uma iniciativa criada no Rio de janeiro, o projeto prevê o isolamento de uma pista para as APCCs na avenida Edvaldo Pereira Paiva e nas ruas ao redor do Parque Germânia com horário sugerido das 4h30 às 7h da manhã.
    Questionado sobre a posição da EPTC em relação ao projeto, Capelari disse não ter conhecimento da íntegra da proposta, mas ponderou que “fazer isolamento de faixa demanda grande ação por parte da EPTC, tem custo elevadíssimo”.
    Pablo Weiss, proponente do novo projeto, preferiu não comentar a proposta do vereador.
    O projeto está na ordem do dia na Câmara Municipal, que está em recesso até o dia 31 de julho.
    Rack nos ônibus

    No início de julho, os vereadores aprovaram por unanimidade o projeto de lei da vereadora Fernanda Melchionna e do ex-vereador Pedro Ruas (ambos do PSol) que obriga a instalação de bike racks nos veículos do sistema de transporte coletivo por ônibus do Município. Também foi aprovada a emenda 1, que inclui “regulamentação, respeitando normas de segurança e mobilidade urbana”.
    Vereadora Fernanda Melchionna na tribuna do plenário
    Vereadora Fernanda Melchionna mostra a experiência paulistana / Foto: Guilherme Almeida/CMPA

    Conforme Fernanda, o objetivo é promover o uso da bicicleta e incentivar a integração entre os meios de transporte. “Faz-se necessária a compreensão do sistema de transporte público como um conjunto de modalidades, seja de transporte de massa, como ônibus e metrô, seja individual, como motocicletas, automóveis e a bicicleta”, afirma.
    O bike rack, que é instalado na parte dianteira dos coletivos, funciona de maneira semelhante aos suportes usados em automóveis e permite que cada ônibus possa carregar até três bicicletas por vez. O mecanismo para destravar o suporte para a colocação e a retirada da carga é acionado pelo motorista do ônibus. Conforme o projeto, a SPTrans, empresa de transporte coletivo local de São Paulo que já tem experiência na instalação de bike racks, estima que toda operação envolvendo a fixação da bicicleta e o embarque do ciclista dure cerca de um minuto.
    Cidades como Paris, na França, e Houston e Los Angeles, nos Estados Unidos, contam com ônibus urbanos adaptados para o transporte de bicicletas.

     

  • Festa para quem toca nos 17 anos do Sessão Jazz

    higino barros
    Nessa quarta-feira, dia 27, estarão sendo celebrados os 17 anos de existência de um programa de rádio que já virou tradição na cidade e uma medida de como, às vezes, Porto Alegre pode ser sofisticada, cosmopolita e bem sucedida em alguns aspectos culturais, como a música.
    O programa “Sessão Jazz”, da Rádio Cultura FM, comandado pelo jornalista Paulo Moreira, é o autor da façanha, comemorado com a pompa e circunstância que merece.
    Na quarta-feira, a partir das 20 horas, no London Pub (José do Patrocínio, 964, Cidade Baixa), o programa será transmitido ao vivo do local, tendo Paulo Moreira como mestre de cerimônias.
    Mais uma vez, como tem acontecido nos aniversários anteriores, a casa deverá estar cheia.
    Afinal, quem gosta de jazz sabe que o Sessão sempre foi sinônimo de bom gosto, rigor na escolha do repertório do programa e conhecimento de causa de quem fala.

    Marmora Jazz vai estar na festa
    Marmota Jazz vai estar na festa

    Assim, vão desfilar no palco da casa dois grupos que representam a nova geração de músicos portoalegrenses – o Jazz à Pampa e o Marmota Jazz – que têm em Paulo Moreira uma referência e um guardião do que se faz de melhor do gênero, na aldeia. Outros músicos que costumam frequentar a cena jazzística da capital gaúcha estão sendo esperados e devem se juntar para animadas jam sessions.
    Encanto instrumental
    Pelos microfones do Sessão Jazz já passaram, praticamente, todos os músicos de jazz do Estado, do País e muitas atrações internacionais, que se apresentam em Porto Alegre. Um comentário é recorrente em todos, principalmente os de fora daqui. Eles ficam absolutamente encantados com a existência de um programa de música instrumental com duas horas de duração, no qual podem mostrar com calma seus trabalhos.
    Paulo e convidados.
    Moreira (esq) com os músicos Júlio Falavigna e Bianca Gismonti, no estúdio da rádio

    O exemplo está no comentário da pianista Bianca Gismonti, filha de Egberto Gismonti, ao participar do programa no último 16 de julho. Ela deixou registrado na sua página do Facebook: “o programa Sessão Jazz, coordenado pelo Paulo Moreira (na FM Cultura de Porto Alegre, de segunda a sexta, das 20h às 22h), é simplesmente incrível! 2 horas de pura música, amizade e fluidez. Amamos participar, obrigada, Paulo!”.
    Da parte dos ouvintes, o entusiasmo é parecido, já que o “jeito Paulo Moreira de ser” é garantia de entrevistas bem conduzidas, memória musical e rigor nas pesquisas.
    Mas nem sempre foi assim. O programa já esteve ameaçado de extinção e foi graças à iniciativa de seus ouvintes que permaneceu na grade de programação da Rádio Cultura FM, emissora do governo estadual. O Sessão Jazz começou em 1999, inicialmente com uma hora de duração, substituindo um espaço de jazz que já havia na rádio, mas sem entrevistas, e gravado.
    Paulo Moreira começou a trabalhar na emissora em janeiro de 1999, como detentor de cargo de confiança, no governo Olívio Dutra, e uma semana depois propôs à direção da rádio na época um programa nos moldes do que existe hoje. O programa estreou em julho e foi ganhando respeito, admiração e ouvintes até que veio a troca de governo em 2003, novo comando na Fundação Piratini, da qual a rádio faz parte, e a decisão da dispensa do responsável pelo Sessão Jazz e a extinção do programa.
    Três ouvintes
    Três ouvintes fiéis do programa, no entanto, não deixaram isso ocorrer: Cláudia Moreira (nenhum parentesco com Paulo), Ernesto Seidel e Alexandre Ludwig protestaram publicamente contra a decisão e organizaram um abaixo-assinado para que ela fosse revertida.
    Em pouco tempo, o endereço eletrônico da Fundação Piratini estava abarrotado de mensagens de apoio ao programa. Com apelos de produtores culturais, músicos e ouvintes de todo o país.
    O Sessão Jazz retornou com a apresentação do seu criador e a partir de 2004 ganhou duas horas de duração.
    Protagonista, na linha de frente da cena jazzística da capital gaúcha, Paulo Moreira considera que a partir de 2005 houve um crescimento desse gênero musical no Rio Grande do Sul, que se reflete no maior número de músicos identificados com jazz, maior número de casas noturnas que abrigam programação voltada ao gênero e número crescente de festivais.
    Ele se lembra de iniciativas pioneiras como o clube Take Five, da pianista Ivone Pacheco, que desde os anos 1970 marca presença na cidade, a abertura de bares como o Café Fon Fon, dos músicos Luizinho Santos e Bety Krieger, e o Café Odeon, além de outras locais que sempre foram abrigos de ouvintes e executores de jazz: “O jazz feito no Sul sempre teve qualidade. Agora chegou o momento de ter mais visibilidade. Há toda uma nova geração de músicos, oxigenando a cena atual, que há dez anos estaria tocando rock, mas que optou pelo gênero, por uma conjunção de fatores – como maior facilidade de intercâmbio entre os músicos, mais acesso a partituras, mais possibilidade de estudo em grandes centros musicais e o interesse do público, disposto a consumir música instrumental, um nicho sempre difícil de ser bem sucedido na indústria cultural. Fico feliz de fazer parte dessa história, mas ela é muito fruto do trabalho de um monte de gente que transitou com paixão por essa trilha sonora”, conclui Paulo Moreira.

  • Ditadura golpista e criacionismo

    João Alberto Wohlfart – Doutor em Filosofia pela PUCRS e professor de Filosofia no IFIBE
    O regime ditatorial ao qual o Brasil atualmente está submetido tenta trazer de volta a antiga e obsoleta doutrina do criacionismo. Aliás, o que facilmente se vê por aí é o retorno de questões há muito tempo superadas e radicalmente antagônicas ao contexto histórico atual. O que há de tradicionalismo, conservadorismo, patriarcalismo e posturas reacionárias retorna com muito mais força em relação às suas manifestações históricas em tempo real. Em instâncias oficiais dos poderes da república é proposto o ensino do criacionismo nas escolas, seguramente com o propósito de dar sustentabilidade religiosa aos interesses econômicos e políticos em jogo.
    Partimos da estruturação da sociedade, onde a infraestrutura é ocupada pela economia e o seu sistema de organização, e a superestrutura é ocupada pelo sistema político, pelas leis, pelo sistema judiciário, pelo sistema de ideias e pela religião. No momento atual, a proposta do criacionismo tem relação direta com a significativa bancada religiosa do congresso nacional, de natureza neopentecostal e ultraconservador que precisa impor uma doutrina religiosa conservadora para legitimar os seus interesses. O criacionismo é uma espécie de névoa espiritual para assegurar a benção divina a um determinado projeto econômico que serve às elites conservadoras do país.
    Dentre os múltiplos retrocessos existentes neste governo golpista, a proposta do criacionismo é expressão doutrinal do conservadorismo político. Trata-se de uma antiga doutrina religiosa segundo a qual a natureza e o mundo foram criados por Deus. Antes do mundo, este Deus é absoluto, imaterial, eterno e intemporal, decidiu criar o mundo como uma esfera rebaixada, contingente e finita. Este mundo saiu de acordo com a mente divina, imprimiu nele uma lei que é imutável e não cabe ao homem a mudança desta trajetória. O homem e a sociedade obedecem a um curso inexorável ao qual simplesmente devem reverência. Para o criacionismo, a estrutura social está estabelecida de acordo com a vontade de Deus, razão pela qual as relações sociais estão divinamente regradas e teologicamente estabelecidas. De acordo com o criacionismo tradicional, as coisas simplesmente são e não podem ser transformadas.
    O criacionismo está ultrapassado do ponto de vista sistemático, histórico e conceitual. Do ponto de vista sistemático, a realidade e os conhecimentos da atualidade são muito mais amplos e complexos que o criacionismo não dá mais conta. Do ponto de vista histórico, está ultrapassado porque temos outras concepções muito mais avançadas e mais adequadas para um mundo em constante transformação, tais como as Teorias da Evolução, as Teorias da Complexidade e dos Sistemas, as Teorias Dialéticas da História, as Cosmologias contemporâneas, apenas para citar algumas. Do ponto de vista conceitual, o criacionismo não dá conta dos conceitos e argumentos requeridos pelos conhecimentos atuais, pois não é capaz de incorporar argumentos que expressam a dinamicidade e complexidade do mundo. De tudo isto, contra um Deus que age externamente em relação ao mundo, as ciências contemporâneas pensam um mundo articulado a partir da imanência de sua própria interioridade cuja força o articula em círculos sistemáticos como a Natureza, a Sociedade, a História e o Universo.
    O criacionismo somente sobrevive nas religiões neopentecostais, nos setores mais conservadores da Igreja Católica e nas mentes dos fiéis mais ortodoxos. Este dogma religioso tem um viés claramente ideológico porque é destinado a encobrir e mistificar a realidade para que ela permaneça intocada, segundo a vontade eterna de Deus. Isto é fundamental para o encobrimento ideológico de interesses econômicos, pois as elites dominantes usam da religião para evitar o despertar da consciência do povo. Uma religião conservadora é tudo o que o sistema econômico precisa para adequar as consciências à realidade estabelecida. No Brasil, muitas religiões catequizam massivamente o povo com um objetivo claramente político, integram a bancada religiosa do congresso nacional e representam os interesses econômicos de uma minoria.
    No contexto de uma onda ultraconservadora, com retrocessos na economia, na religião, na política, na sociedade e no pensamento, chama a atenção o retorno dos fundamentalismos. Trata-se de concepções dogmáticas e autoritárias, verticalmente impostas, com a proibição categórica de manifestações de pensamentos críticos, libertadores e emancipadores. Para que isto seja socializado, pensadores progressistas são objeto de ódio e de preconceitos, tais como Hegel, Marx, Paulo Freire, Einstein etc. Os fundamentalismos se manifestam em vários campos, especialmente no universo intelectual, econômico e religioso. Na dimensão intelectual, a sociedade e as pessoas são cada vez mais impregnadas por visões tradicionais. No campo econômico, retorna uma economia de mercado com as suas regras absolutas e restrição do poder regulador do Estado, que apenas serve aos interesses dominantes. Com uma profunda sensibilidade religiosa, e facilmente manipulado por uma onda religiosa conservadora, o povo facilmente acolhe velhas ortodoxias religiosas nas quais e através das quais sustentam a classe dominante.
    No contexto atual, os fundamentalismos são amplamente apoiados e incentivados pelos Estados Unidos. O fundamentalismo religioso, com apoio forte no criacionismo, forma uma “consciência social” conservadora segundo a qual a base social incorpora uma visão de mundo adequada ao modelo econômico estabelecido. Nunca se viu, como atualmente, a manifestação em conversas espontâneas e em espaços oficiais a expressão de concepções econômicas e políticas ultraconservadoras. A ideologia do golpe estabelecido e os interesses econômicos que se escondem na imanência do mesmo, estão fortemente respaldados pela visão conservadora de mundo e de sociedade, principalmente induzidos pelos meios de comunicação social e pelo fundamentalismo religioso baseado no criacionismo. Com forte repressão ao pensamento crítico e inovador, estabelece-se uma mística social que reproduz os interesses dominantes.
    O fundamentalismo religioso do criacionismo tem incidência na religião. Esta corrente sustenta uma religião que proporciona uma visão estática de mundo, onde tudo está definitivamente dado, diante do qual as pessoas interiorizam o mundo como pronto e acabado. O criacionismo tem incidência forte na política, com representantes que justificam as suas ações a partir de um dogmatismo religioso. Em outras palavras, a corrupção política é escondida embaixo do manto sagrado da religião devocionista e fundamentalista. Disto resulta um Estado teocrático guiado pelos princípios de uma determinada religião, o que facilmente resulta na transformação da economia em religião econômica. A determinante incidência da economia na vida das pessoas e da sociedade, na condição do fenômeno do fetichismo da mercadoria, se transforma numa religião dominadora e mistificadora. E o criacionismo tem incidência forte na dimensão do conhecimento e da cosmovisão. Dela resulta uma visão vertical, estática, autoritária e essencialista do mundo, tudo o que é necessário para dominar as massas.
    O criacionismo proporciona o espetáculo de uma visão vertical de mundo. É o Deus sábio, absoluto e imóvel lá em cima no céu, e nós e o mundo finito e imperfeito cá embaixo. Trata-se de uma estrutura vertical e incomunicável, na qual o mundo é estruturado em estruturas justapostas e irredutíveis entre si. Esta teologia ultraconservadora, traduzida para o universo político e social, resulta num pequeno grupo que manda e dita as regras, e os outros simplesmente precisam acatar e obedecer. Os golpistas têm uma mentalidade autoritária e eles impõem os seus interesses ao povo, odiando a democracia. Do ponto de vista econômico, seguindo os caminhos do criacionismo, o grande capital impõe os seus interesses, independente das regras democráticas e dos anseios do povo.
    O criacionismo que as classes políticas ultraconservadoras querem nos impor é obsoleto, autoritário e ultrapassado, assim como o projeto dos golpistas. Em nome daquele deus representado de barba branca, no melhor estilo de um senhor feudal medieval, querem impor uma moralidade dos bons com a condenação de uma grande população formada por negros, mulheres, jovens, agricultores familiares e índios. Trata-se de uma espécie de maniqueísmo social onde Deus abençoa os “bons” e castiga os “maus”, e encobre os caprichos dos golpistas.
     

  • Eleições 2016: DEM decide apoiar Melo

    Demorou pouco mais de 50 minutos a reunião da Executiva Municipal do Democratas, que decidiu por dar apoio ao vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB).
    A portas fechadas, dentro do gabinete do vereador e presidente municipal do partido, Reginaldo Pujol, dirigentes do partido decidiram por unanimidade o apoio a Melo.
    Pujol explicou a decisão: “Não foi apenas um elemento e sim uma série de fatores, um conjunto de coisas, mas é principalmente o resultado do apoio aos quatro anos de trabalho dessa gestão”.
    Na proporcional, o partido está coligado com PSD e o PHS, mas a ideia é contar com mais um partido que será definido nos próximos dias.
    A decisão da executiva ainda tem de passar pela convenção, no próximo dia 29, na Câmara Municipal. É mera formalidade, já está aprovada, segundo o próprio Pujol.

  • Continua o impasse no Demhab. Prefeitura não quer dialogar

    Sem solução para as demandas dos movimentos sociais por moradia popular, o prefeito José Fortunati  decidiu recorrer da decisão que negou a liminar de reintegração de posse da sede do Departamento Municipal de Habitação.

    No recurso, a Procuradoria alega que a ocupação traz prejuízos ao trabalho. E anexa uma moção de repúdio assinada por coordenadores e conselheiros do Orçamento Participativo, pois entendem que o OP tem sido um instrumento para solicitação de políticas de habitação para a cidade. Novamente, a Prefeitura reitera que só pretende dialogar após a saída dos ocupantes da sede.

    Segundo dados oficiais, 52 mil famílias estão cadastradas em programas de habitação no município de Porto Alegre, das quais 3.330 receberam casas. A previsão é entregar mais 2.100 residências até o final deste ano. Segundo a Prefeitura, o Demhab também já tem aprovados recursos para a construção de mais 1.300 moradias, apesar da suspensão dos repasses do programa Minha Casa Minha Vida.
    À tarde, os manifestantes leram uma carta aberta à Prefeitura, durante entrevista coletiva. “Chegamos ao 11o dia de ocupação e o governo ainda não ouviu nossas reivindicações”, lamentaram. “Se como candidato a prefeito o [Sebastião] Melo não quer dialogar, imaginem se for eleito”, alertou Pepe Martini, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).
    Como apenas o saguão do prédio está ocupado, o trabalho dos servidores continuou  normalmente, pois o acesso deles ao prédio nunca sofreu qualquer restrição, “o que pode ser comprovado pelo ponto eletrônico”, mas o governo decidiu suspender o atendimento externo. Em solidariedade ao movimento, os funcionários do Demhab decidiram paralisar suas atividades.
    Agora, os próprios integrantes do OcupaDemhab recebem quase 200 pessoas por dia, a maioria reclamando de atraso no pagamento do aluguel social. Para eles, é uma política assistencialista, que não traz solução ao problema habitacional.
    “Há anos o Ministério Público tenta abrir a caixa preta do Demhab, para saber quanto é e para onde vai o dinheiro do Fundo de Moradia”, registrou Nana Sanches, do MLB (Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas), um dos três movimentos que promovem a ocupação.
    Uma senhora de cabelos brancos, que não chegou a se identificar, largou o trabalho de crochê por um instante para dizer que há 289 vilas irregulares há 25 anos, e só sai dali quando tiver uma solução encaminhada.

  • No Rio, polícia federal retira artistas do prédio do Ministério da Cultura

    Sarah Fernandes*
    A Polícia Federal desocupou hoje, 25, o Palácio Gustavo Capanema, sede do Ministério da Cultura no centro do Rio de Janeiro. O prédio estava ocupado por cerca de 50 manifestantes há 70 dias, em protesto contra o governo interino de Michel Temer e contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Os ocupantes deixaram o local de forma pacífica e em seguida reuniram-se em assembleia na calçada.
    Os artistas e membros de coletivos culturais saíram repetindo palavras de ordem, em especial “Fora, Temer”, principal bandeira do movimento.
    A tropa chegou por volta das 8h, fortemente armada, acompanhada de um oficial de Justiça, exigindo que todos se retirassem do local em cinco minutos, sem nenhum pertence. Após conversa, foram negociados 30 minutos para que o acampamento fosse desmontado. Uma mulher foi agredida pelos militares e os advogados foram impedidos de entrar, segundo os manifestantes.
    O pedido de reintegração de posse foi feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no último dia 15, argumentando que o movimento estava impedindo o acesso dos funcionários e pondo em risco o patrimônio artístico do local,  incluindo quadros de Cândido Portinari e um tapete de Oscar Niemeyer. “Temos documentado que isso não aconteceu”, disse um manifestante durante a desocupação.
    Nos 70 dias de ocupação, os artistas cariocas promoveram pelo menos mil atividades culturais gratuitas no local, como seminários, shows, aulas, debates e oficinas de capacitação. Calculam que 100 mil pessoas foram mobilizadas. O movimento faz a gestão democrática de três espaços do prédio: pilotis, mezanino e auditório. Em nota, os artistas afirmaram que todos os órgãos que funcionam no edifício mantinham suas atividades regularmente, coabitando harmonicamente com as atividades culturais, artísticas, políticas e sociais da ocupação.
    “Encerramos um ciclo. Subvertemos esse espaço de forma artística e inovadora, como o governo deveria fazer. Aí chegou a polícia fortemente armada quando só precisávamos de diálogo. As pessoas aqui agiam em prol da cultura, em defesa da democracia e contra o governo golpista”, disse um manifestante.
    As mobilizações começaram logo após o anúncio de que Temer iria extinguir o Ministério da Cultura. Ocorreram ocupações em todos os estados, segundo o movimento, com apoio de diversos artistas. Após a reação, Temer desistiu de extinguir a pasta. Ainda assim, os artistas decidiram permanecer nas ocupações em protesto contra o governo Temer, tido como ilegítimo e golpista.
    As ocupações continuam na Bahia e em São Paulo, onde os manifestantes terão até dia 31 para deixar a sede da Fundação Nacional de Artes (Funarte), ocupada desde maio.
    Em Porto Alegre, o prédio do Iphan ficou ocupado pela classe artística de 19 de maio (logo que foi anunciada a extinção do MinC, da qual depois o governo interino voltou atrás), até o último dia 5 de julho.
    *Publicado originalmente na RBA: http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2016/07/policia-federal-desocupa-predio-do-minc-no-rio-de-janeiro-na-manha-de-hoje-5795.html

  • Eduardo Suplicy é carregado por policiais e preso em São Paulo

    O ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi preso na manhã desta segunda-feira, 25, pela Polícia Militar, quando participava de protesto contra uma operação de reintegração de posse na cidade de São Paulo. Ele foi levado para a delegacia de polícia. As informações foram divulgadas no Facebook do próprio senador.
    Ontem, na convenção do partido que definiu a candidatura de Fernando Haddad à reeleição, o nome de Suplicy saiu como um dos candidatos a vereador pelo partido.
    A reintegração de posse foi num terreno por cerca de 350 famílias há três anos na Cidade Educandário, perto da Rodovia Raposo Tavares, zona oeste da capital paulista. Houve troca de tiros após revolta dos moradores, depois que uma criança foi atingida com bomba de gás lacrimogêneo.
    O ex-senador e candidato a vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) acompanhava a ação e tentou impedir a reintegração deitando-se no chão, no quer foi acompanhado pelos que estavam em volta. Fle foi retirado à força por policiais, detido e levado ao 75º DP, do Jardim Arpoador. Foi liberado à tarde.

  • Debates e show no Dia da Mulher Negra, em Porto Alegre e Brasília

    Dois eventos no Centro Municipal de Cultura (av. Erico Veríssimo, 307) marcam o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana, nesta segunda-feira, 25.
    O primeiro é um bate-papo, às 19h, na Biblioteca Pública Josué Guimarães, sobre a escrita e o mercado editorial para autores negros e para mulheres.
    O segundo é o musical As Vozes de Dandara, às 20h, no Teatro Renascença. Ambos têm entrada franca.
    Os participantes do encontro na biblioteca são Luiz Maurício Azevedo, mestre em Comunicação Social e doutorando em Teoria e História Literária; Priscila Pasko, jornalista  idealizadora, editora e repórter do Blog Veredas, espaço que discute e divulga a literatura produzida por mulheres; e Vitor Diel, jornalista que cursa Especialização em Literatura Brasileira.
    Pâmela Amaro, na foto em Carta de Oberá, também canta esta noite no Renascença / Foto: Ana Marchiori e Ana Vianna
    Pâmela Amaro, na foto em Carta de Oberá, também canta esta noite no Renascença / Foto: Ana Marchiori e Ana Vianna

    O musical As Vozes de Dandara homenageia a esposa do líder negro quilombola Zumbi, com quem teve três filhos. Estarão no palco Claudio Quadros, Denizeli Cardoso,  Maria do Carmo, Silvia Duarte, Pâmela Amaro (foto ao lado), Glau Barros e Marieti Fialho.
    Não há registros do local de nascimento da líder Dandara, tampouco da sua ascendência africana. Autores falam em suas habilidades na capoeira e no uso de armas e na condução de mulheres que lutavam contra a escravidão. Ela foi contra a paz assinada por Ganga Zumba com o governo português e terminou morta após a destruição da Cerca Real dos Macacos, que fazia parte do Quilombo de Palmares, onde cresceu.
    Semana negra em Brasília

    Em Brasília, começa hoje o Festival Latinidades, com a celebração do Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. Segundo a organização do evento, a partir das 18h, haverá a ocupação da Rodoviária do Plano Piloto, no centro da capital, com intervenções artísticas, performances e sororidade (união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo)
    Esta é a nona edição do evento criado em 2008 e que se consolidou como o maior festival de mulheres negras da América Latina. Este ano, o tema do festival é a comunicação, com foco no marketing, jornalismo e nas redes sociais.
    O festival segue até domingo, 31, com atividades no Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios: debates, conferências, lançamentos de livros, oficinas, cinema, feiras e shows, além de outras atividades.
    A programação completa está disponível no site www.afrolatinas.com.br.
    Organizado pelo Instituto Afrolatinas, o evento deste ano tem a parceria das Nações Unidas no Brasil e patrocínio do governo do Distrito Federal.
    (Com informações da ABR ePMPA)

  • Partido Novo estreia com 16 candidatos a vereador na Capital

     

    Vem aí o Partido Novo. Ele existe desde 15 de setembro de 2015 e acaba de fazer sua primeira convenção partidária em Porto Alegre. Para sua estreia numa eleição, vai registrar 16 candidatos a vereador.
    O deputado estadual Marcel van Hattem, do PP, e o presidente estadual do PSL, Fábio Ostermann, estiveram entre os simpatizantes que compareceram ao evento, na tarde de sábado, 23, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa.
    Os candidatos são quase todos empresários, administradores ou publicitários. A expectativa do presidente do diretório municipal, Carlos Bonamigo, é ganhar pelo menos 60 mil votos e eleger três vereadores. “É um momento histórico”, emenda o dirigente estadual do Novo, Carlos Molinari.
    Em abril o partido convidou o empresário Eduardo Bier Corrêa, o Dado Bier, 50 anos, para concorrer à Prefeitura de Porto Alegre nas próximas eleições. Ele é filiado, mas declinou, alegando compromissos profissionais.
    O Novo anuncia que quer se diferenciar dos demais partidos com regras como o estatuto contra o carreirismo político: é vedada mais de uma reeleição para um mesmo cargo, e a sustentação financeira deve vir de contribuições de pessoas físicas: cobra mensalidade dos filiados e não utiliza o Fundo Partidário, por exemplo.
    A agremiação foi fundada por 181 pessoas no início de 2011, em sua maioria profissionais liberais, engenheiros, administradores, economistas, advogados e médicos. No pleito deste ano, concorre apenas em capitais.
    Meses antes, voluntários colhiam assinaturas nos parques de Porto Alegre. Um deles explicou ao JÁ que, para ele, “todos os partidos são de esquerda, porque prometem as mesmas coisas”. Eles seguem os princípios do liberalismo e acreditam que o empreenderorismo é o caminho prioritário. Entendem que o Estado deve cuidar explisivamente de segurança, saúde e educação básica. O resto, o mercado resolveria. “Mais trabalho e menos impostos” é um dos seus lemas.
    O presidente nacional da legenda é João Dionísio Amoêdo, executivo com passagens pela presidência do Citibank e do Itaú BBA.