Autor: da Redação

  • Isabel Sommer fecha sucessões de ações artísticas na mostra ‘Ciclo’

    Imagens e sons compõem “Ciclo”, novo projeto de Isabel Sommer que fecha uma sucessão de ações de investigações, a partir do projeto “Acúmulos”. A reflexão da artista parte do processo percebido de seu trabalho, que naturalmente cumpriu o seu ciclo: o caráter orgânico e natural gerou um novo estado. A artista ateia fogo aos seus acúmulos, e mesmo tornando-se poeira, as noções de início e fim se tornam secundárias, o resíduo perdura, assim como a impossibilidade de definir suas transformações ao longo do processo artístico. A exposição tem abertura no dia 5 de setembro, a partir das 19h, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75) e tem visitação de terças a sábados, das 9h às 18h e domingos e feriados, das 14h às 18h, com entrada franca.
    “Ciclo” fecha uma sucessão de ações que foram iniciadas com o projeto “Acúmulos”, em que a artista criou 400 sachês de grandes proporções. Após apresentá-los em algumas exposições, o trabalho naturalmente cumpriu sua função e por seu caráter orgânico, transformou-se, com o passar do tempo, já que houve sua deterioração, como também sua “destruição” por agentes do meio (traças e outros insetos). Nessa reflexão dos ciclos, Isabel Sommer ateia fogo aos resíduos que outrora foi o seu trabalho e mesmo tornando-o poeira, questionamentos são estabelecidos: as noções de início e fim se tornam secundárias, o resíduo perdura, assim como a impossibilidade de definir suas transformações ao longo do processo artístico.

    Quem é
    Natural de Esteio, onde reside atualmente, Isabel Sommer é Bacharel em Artes Visuais (2009) com especialização em Pintura, Gravura e Processos Híbridos (2011), ambos pela Feevale. Desenvolve pesquisa em pintura e seus diversos desdobramentos. Através da intervenção urbana ampliou seu trabalho com novas experiências e incursões em espaços diversos. Produções relevantes: “Impregn-ações”, “Flutuações”, “Cuida-se”, “Troca-se”, “Empresta-se”, “Ando Sonhando” (projeto contemplado pelo MinC/Cultura 2014 em Porto Alegre, em parceria com Vera Junqueira), “Percurso”, “Ocupação 192”, “Acúmulos”, “Fragmentos de um Novo Território” e “Sonhos em Trânsito” (projeto contemplado pelo Procultura do Governo do Estado do RS/Porto Alegre).Participou de exposições individuais e coletivas em Porto Alegre, São Leopoldo, Montenegro, Novo Hamburgo, Lajeado, Cachoeirinha, Pelotas, Caxias do Sul, Montenegro e Florianópolis. No teatro, compôs o cenário do espetáculo “Hallucionation”, do grupo Neelic, em 2012.
    SERVIÇO:
    Dia: 5 de setembro de 2018 (quarta-feira) .
    Hora: a partir das 19h.
    Local: Centro Histórico-Cultural Santa Casa (avenida Independência, 75), Centro de Porto Alegre.
    Visitação: De 6 de setembro a 25 de novembro.
    Funcionamento: De terças a sábados, das 9h às 18h e domingos e feriados, das 14h às 18h

  • Linha d’Água” e “Sem Identificação”, séries fotográficas de Gilberto Perin, no MARGS.

    “Linha d’Água” e “Sem Identificação” são duas séries de fotografias que serão expostas por Gilberto Perin, nas Salas Negras do MARGS, com abertura no dia 5 de setembro (quarta-feira), às 19 horas. Os dois conjuntos, segundo Perin, têm como ponto em comum “uma visita às salas escuras da alma, com se expressou o cineasta Ingmar Bergman se referindo ao sentido da Arte”.
    Na primeira série  Linha d’Água’ são apresentados 25 dípticos onde Gilberto Perin cria uma autoficção com associações e vivências reais ou fictícias. As imagens têm a reminiscência como elemento catalizador mas, muitas vezes, a fronteira entre a realidade e a ficção é indefinida e nebulosa. “Portanto, o voo – ou o mergulho – é livre”, explica o fotógrafo.
    A ideia de utilizar a relação entre duas imagens é encontrar novos significados para cada fotografia ao se combinar com outra, ganhando um novo significado numa forma de poética visual. As fotografias colocadas lado a lado podem estimular ao espectador a sua própria ficção nas imagens associadas à infância, vida adulta ou envelhecimento.
    O fotógrafo russo Nikita Pirogov diz que “o díptico é a combinação do passado e do presente, das tradições e das suas novas ramificações. Os dípticos foram utilizados pela primeira vez na Grécia Antiga, muito antes da invenção da Imprensa. Eles vieram na forma de duas ou mais placas de argila para o texto de gravação ou imagens”.

    Exposição SEM IDENTIFICAÇÃO. Foto Gilberto Perin/Divulgação

    Sem Identificação”, a segunda série que Gilberto Perin apresenta, é uma crítica irônica e reflexiva de um tempo desconcertante, repleto de informações e mensagens visuais. Perin, junto aos os modelos que posaram nus, criou fotografias explorando imagens icônicas ou, simplesmente, imagens que surgiram espontaneamente no momento do ensaio fotográfico.
    Em tempos de selfies, “Sem Identificação” tem concepção simples e direta onde a nudez é apenas a parcela aparente daquilo que não é revelado sobre a nossa identidade e pensamento. Gilberto Perin através de suas imagens pergunta “que indivíduos somos nessa sociedade que têm impulsos tão primitivos a ponto de anular a identidade do outro?”.
    “Linha d’Água” e “Sem Identificação” – Fotografias de Gilberto Perin
    Abertura: 5 de setembro (quarta-feira), 19 horas.
    Visitação: 6 de setembro a 4 de novembro de 2018.
    Horários: terças a domingos, 10 às 19 horas.
    Museu de Arte do Rio Grande do Sul – Ado Malagoli
    Praça da Alfândega – Centro Histórico
    Porto Alegre – RS – Brasil
    Apoio Cultural: Armazém da Impressão e Pepperoni Filmes
    Apoio: Café do MARGS, Arteplantas, CMPC Celulose Riograndense, AAMARGS.
    Patrocínio: BRDE, Banrisul Consórcio, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Sulgás.
    Realização: MARGS e Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
    Divulgação: Lelei Teixeira – 99319 – 3330
    Gilberto Perin, formado em Comunicação Social pela PUC-RS (1976), fotógrafo, diretor de cena e roteirista.
    Algumas exposições individuais: “Fotografias para Imaginar” (2013 e 2015), no Instituto dos Arquitetos do Brasil e Pinacoteca Aldo Locatelli, as duas em Porto Alegre: “Vestiário” (2013), no Museu do Futebol de São Paulo; “Camisa Brasileira” (2010 a 2018), Porto Alegre, no interior do Rio Grande do Sul, na França e Itália; “Conexões Infinitas” (2009), no Centro Cultural Erico Verissimo, em Porto Alegre.
    Algumas coletivas: “Queer Museu” (2017 e 2018), em Porto Alegre e no Parque Laje no Rio de Janeiro; “A Fonte de Duchamp, 100 Anos de Arte Contemporânea”, MARGS, Porto Alegre; “Objectif Sport” (2016), circuito internacional da Aliança Francesa, em Porto Alegre na Galeria La Photo; “Manifesto: Poder, Desejo, Intervenção” (2014), MARGS, Porto Alegre; “The Beautiful Game: o Reino da Camisa Amarela” (2014), Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, Porto Alegre; “De Humani Corporis Fabrica”, MARGS, Porto Alegre; “Cromo Museu” (2012), MARGS, Porto Alegre.
    Dois livros de fotografias publicados: “Camisa Brasileira” (2011); e “Fotografias para Imaginar” (2015). Tem fotografias publicadas em jornais e revistas brasileiras e do Exterior; além de fotografias em capas de livros e obras em museus, entidades culturais e coleções particulares.
     
     

  • TSE estabelece multa de 500 mil para cada propaganda da candidatura Lula

    O  Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou suspender uma propaganda eleitoral no rádio que apresenta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT à Presidência.

    A decisão, expedida domingo à noite, é do ministro Luís Felipe Salomão, acatando uma denúncia do partido Novo.

    Salomão fixou multa de R$ 500 mil para cada vez que a peça for reproduzida.

    A propaganda de Lula como candidato do PT à presidência está proibida desde a madrugada de quando o TSE impugnou por seis votos a um a candidatura do ex-presidente.

    O programa do PT dizia que “a ONU [Organização das Nações Unidas] a mais importante organização do mundo já decidiu, Lula pode ser candidato e ser eleito presidente do Brasil”.

    Para o ministro Luís Felipe Salomão, “as transcrições do programa de rádio veiculado não parecem deixar margem a dúvidas, no sentido de que estão sendo descumpridas as deliberações do Colegiado”.

    “De fato, o programa expressamente faz referência a Lula como candidato a presidente – de maneira enfática –, em frontal oposição ao que foi deliberado pela Corte”, escreveu ainda na decisão.

    Os advogados da chapa deverão apresentar a defesa em dois dias, mas a decisão tem validade imediata.

  • "A mais profunda e doída divisão nas correntes de esquerda"

    Umas das críticas mais contundentes à insistência do PT na estratégia de levar a candidatura Lula até o fim vem do professor Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político, de 82 anos.
    Numa de suas últimas manifestações nas redes sociais ele diz que com seu “duplo discurso de insultar o Judiciário e a ele recorrer com a linguagem das Vossas Excelências, com derrota após derrota, também não impediu o PT, e Lula, de promoverem a mais profunda e doída divisão nas correntes de esquerda do País”.
    A nota foi escrita depois do julgamento da candidatura Lula no TSE:
    “O assunto jurídico está superado. A vitória moral do Fachin é tão relevante quanto minha decisão de não comprar os discos do Lobão. Não altera nada na alternância dos dias e das noites. Persistir nesse “diálogo” entre eles próprios é conversa de médiuns para platéias crentes de que os mortos queridos permanecem zelando por eles e, vez por outra, batendo um papinho com os familiares ainda encarnados.
    O caráter dos magistrados não afeta em nada a eficácia das decisões, assim como urna eletrônica não filtra caráter, só votos.
    O fato irremediável, irreversível, imexível é que Lula não será candidato, algo decidido em 2016, não agora.
    O que agora foi decidido é que o PT não tem como continuar mobilizando o seu eleitorado e apoiadores mediante a possibilidade de uma sessão mediúnica com eficacia sobre o mundo real.
    Eleição não é sessão espírita – ainda quando a doutrina do espiritismo seja verdadeira.
    A nota do PT é inintelígivel: o que significa, agora, continuar com Lula até o fim? O que quer dizer lutar por todos os meios possíveis até a posse de Lula na Presidência da República?
    Vão pegar em armas? E que papel continuará a fazer Fernando Haddad, indo a lugares onde nunca esteve, não conhece a comida local e tem dificuldade de entender a pronúncia? Como irá se apresentar?
    A ousada ideia de transferência dos votos de Lula para Haddad conflita com a declaração de ir com Lula até o fim: ou Lula é Haddad ou vice-versa.
    Dois Lulas e nenhum Haddad não é promessa a ser levada a sério.
    A nota do PT coroa sua falta de noção desde o golpe de 2016: primeiro, o otimismo infundado de que o Judiciário conteria a fúria curitibana; segundo, que o temor das massas enfurecidas impediria os irresponsáveis procuradores da Lava Jato de incapacitarem a vida política de Lula.
    O ridículo do powerpoint que passou incólume pela justiça não provocou no PT senão achincalhe, sem perceber a extensão da ousadia da Lava Jato com a complacência do Judiciário; a escuta ilegal da conversa presidencial, motivo de prisão em país democrático, mereceu apenas um pito em Moro, sinal alarmante de que era verdade o que dizíamos desde o início: o alto e médio escalões do Judiciário estão comprometidos com a expulsão da forças populares do circuito legal do poder.
    A prisão de Lula sem que o mundo viesse a baixo também não ensinou nada ao PT nem a sua militância fanatizada, com o estímulo de Lula.
    O duplo discurso de insultar o Judiciário e a ele recorrer com a linguagem das Vossas Excelências, com derrota após derrota, também não impediu o PT, e Lula, de promoverem a mais profunda e doída divisão nas correntes de esquerda do País.
    Hoje, comemoram o campeonato mundial de 6X1 contra, exercitando a linguagem do ódio contra juizes preconceituosos, outros de caráter hesitante, e prometendo arrebatar o Judiciário, o Executivo e a Presidência com o apoio de multidões de almas penadas que, a bem da verdade, mas ignorada pelo PT, não deram as caras.
    Continuam acreditando que os rebelados se levantarão das tumbas e apavorarão um Judiciário desalmado. Outra vez, será tudo em vão.
    Quando é que o PT e seus militantes pintados para a guerra se darão conta de que só metem medo à própria esquerda dissidente, e apenas por isso, porque é dissidente? O PT e membros estão a um passo de convocarem à mesa da fé o espírito autoritário do antigo Partidão.
    O PT e os cronistas de boa fé permanecem na senda de conduzir toda a esquerda ao inferno. Que, esse sim, existe.
     

  • Museu Nacional em chamas é o retrato do Brasil de 2018

    O incêndio que destruiu quase todo o acervo do Museu Nacional na noite deste domingo, no Rio, é o “retrato” do Brasil de 2018, submetido a uma política de desmonte dos serviços públicos em todos os níveis.
    O Museu não tinha prevenção e os bombeiros, quando o incêndio se alastrou, não tinham água para conter o fogo.
    “Todas as unidades (da universidade) estão afetadas por esse política”, segundo o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, à qual o Museu é vinculado.
    “Este incêndio sangra o coração do país,” disse o reitor.
    Leher reconheceu a falta de condições para enfrentar uma emergência desse porte. “Reconhecemos o trabalho valoroso do Corpo de Bombeiros, mas percebemos claramente que faltou uma logística e uma capacidade de infraestrutura.”
    Sem água nos hidrantes, o incêndio avançava enquanto os bombeiros aguardavam a chegada de carros-pipa enviados pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio (Cedae).
    Bombeiros, professores e técnicos do museu dizem que ainda conseguiram salvar algumas peças do acervo, composto por milhões de obras e documentos.
    Mas, segundo o diretor de Preservação do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, João Carlos Nara, “o dano é irreparável”. 
    “Infelizmente a reserva técnica, que esperávamos que seria preservada, também foi atingida. Teremos de esperar o fim do trabalho dos bombeiros para verificar realmente a dimensão de tudo.
    “É uma edificação muito antiga que foi concebida em um contexto em que não existia o uso de energia, muito menos o uso intensivo de energia como são as edificação acadêmicas, que têm laboratórios, área administrativa, informática”, afirmou Nara.
    Ele também afirmou que as instalações do museu contavam com uma brigada de incêndio que realizava “trabalho sistemático” junto ao Corpo de Bombeiros e à Defesa Civil, e que os extintores estavam “em ordem”.
    Para a ex-secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura Ivana Bentes, não é possível atribuir à tragédia a um suposto “descaso” da UFRJ. “Não existe política pública para manter e conservar nosso patrimônio. É o mesmo descaso com o patrimônio, a pesquisa, a ciência e tudo que é público. O Museu sobrevive com o mínimo de recursos do Estado.”
    Ela lembra que até mesmo o público chegou a contribuir com “vaquinha” para ajudar na manutenção do museu, e disse que tragédias dessa dimensão podem ocorrer em outras instituições que vivem na mesma situação. “São incêndios e tragédias que não são ainda mais frequentes nem sabemos porquê. Na adversidade vivemos e as universidades fazem muito e muitíssimo com muito pouco.”
    Segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC-RJ), desde 2014, o “Governo Federal não faz os repasses apropriados para a manutenção do Museu”. O órgão também declarou que o incêndio “é um símbolo do descaso do governo atual com a nossa cultura, ciência e patrimônio.”
    Perdas
    Com 20 milhões de peças e documentos, tratava-se do quinto maior museu do mundo em acervo. Suas obras contavam uma parte importante da história antropológica e científica da humanidade. Talvez o exemplo mais emblemático seja o fóssil com mais de 11 mil anos de Luzia, a mulher mais antiga das Américas, cuja descoberta nos anos 1970 reorientou todas as pesquisas sobre a ocupação da região.
    Ali também estava a reconstrução do esqueleto do Angaturama Limai, o maior dinossauro carnívoro brasileiro, com quase todas as peças originais, algumas com 110 milhões de anos. O sarcófago da sacerdotisa Sha-amun-em-su, mumificada há 2.700 anos e presenteada a Dom Pedro 2º em 1876, nunca tinha sido aberto. A coleção de múmias egípcias e a de vasos gregos e etruscos evidenciam o perfil transfronteiriço do acervo, que também abrigava o maior conjunto de meteoritos da América Latina.
    Menos de 1% dessas obras estava exposta ao público. Centro de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Museu Nacional é uma referência para pesquisadores das mais diversas áreas, como etnobiologia, paleontologia, mineralogia, antropologia, entre outras.
    “Todos que por aqui passem, protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir seu próprio futuro.” Após o incêndio que destruiu o Museu Nacional neste domingo, a frase inscrita em lápide na entrada do local soa como um grito de socorro.

  • Eleições 1989: Ulysses Guimarães, o senhor Diretas, foi abandonado na estrada

    Em 1989, a primeira eleição direta para presidente após o golpe de Estado de 1964 se deu num clima de euforia, principalmente entre os que lutaram contra a ditadura militar.
    Os dois maiores partidos, PMDB e PFL, que somavam mais de 350 parlamentares no Congresso Nacional se uniram numa chapa, quer tinha à frente o nome mais emblemático da oposição ao regime militar: o deputado Ulysses Guimarães, apelidado Senhor Diretas por sua luta pela volta do voto popular, presidente do Congresso que fez a Constituição democrática de 1988.
    Além disso, pela maioria que tinham os dois partidos da aliança, Ulysses tinha o maior tempo no horário eleitoral no rádio e na TV, iniciado no dia 15 de setembro, sem a censura. Juntos, ele e seu vice, Aureliano Chaves, somavam 38 minutos na televisão, diariamente.
    Só ele, Ulysses tinha 22 minutos diários mais do que o dobro dos dez minutos reservados ao ex-governador de Alagoas e candidato pelo PRN (em coligação com PTR, PST e PSC), Fernando Collor de Mello, o caçador dos “marajás” que viria a ocupar a Presidência da República.
    A decepção dos peemedebistas históricos com o resultado da votação no primeiro turno foi tremenda: Ulysses recebeu pouco mais de 4% dos votos.
    Ele terminou em sétimo lugar, na última colocação dos principais candidatos, entre as 22 chapas que participaram da disputa.
    A derrocada foi atribuida ao fracasso do Plano Cruzado, que tentou conter a inflação galopante, e o desgaste do governo de José Sarney, que assumiu a Presidência após a morte de Tancredo Neves, eleito presidente pelo Colégio Eleitoral em 1985.
    Na verdade, a candidatura de Ulysses foi minada por vários fatores: ascensão de Collor apoiado ostensivamente pela mídia, a divisão dos votos oposicionistas com a entrada em cena de personagens como o carismático líder trabalhista Leonel Brizola (PDT),que retornara do exílio, e o ex-prefeito e senador por São Paulo Mário Covas (PSDB).
    Também viu a entrada de uma nova estrela no cenário político, o metalúrgico Luíz Inácio da Silva, o Lula, oriundo do novo sindicalismo brasileiro e candidato de uma “Frente Brasil Popular” (PT, PCdoB e PSB);.
    Foi Lula quem acabou chegando ao segundo turno, superando Brizola, para enfrentar Collor.
    A propaganda de cada um dos três candidatos — Lula, Brizola e Covas — também teve disponível apenas a metade do tempo ocupado por Ulisses no rádio e na TV: dez minutos. O mesmo espaço receberam Paulo Maluf (PDS), Afif Domingos (PL-PDC) e Affonso Camargo (PTB).
    Ex-governador de Minas Gerais e vice do último general presidente, João Figueiredo (1979-1985), Aureliano Chaves, o candidato a presidente pelo PFL, amargou um desempenho ainda pior do que o de Ulysses. Ele não alcançou 1% dos votos e foi o nono colocado.
    No dia 15 de novembro de 1989, na primeira eleição para presidente desde 1960, quando os brasileiros escolheram Jânio Quadros, o tempo ocupado pelos candidatos na propaganda eleitoral gratuita não foi determinante.
    O inesquecível jingle de Ulysses (Bote fé no velhinho/o velhinho é demais/Bote fé no velhinho/que ele sabe o que faz…), criticado por muitos, ficou na memória de uma geração e marcou a sua última e melancólica campanha.
    Ulysses Guimarães morreu três anos depois num acidente, quando o helicóptero em que viajava caiu no mar perto de Angra dos Reis, seis dias depois de ele ter completado 76 anos. Seu corpo nunca foi encontrado..

  • "Ampliar a campanha Lula Livre, esticar a corda"

    Em artigo nas redes sociais, o historiador Valter Pomar, da direção nacional do PT resumiu a decisão do partido depois da decisão do TSE que por seis votos a um, impugnou a candidatura do ex-presidente Lula, em sessão que terminou na madrugada de sábado.
    Segundo Pomar, a estratégia de seguir com Lula candidato até esgotar todos os recursos segue inalterável e o partido deve retomar a palavra de ordem: “Eleição sem Lula é fraude”.
    Eis um trecho do artigo citado:
    “Não aceitar o TSE como última instância. Esticar a corda. Ganhar tempo. Aumentar a pressão internacional. Ampliar a campanha Lula livre. 
     
    No dia 2 de setembro e nos proximos dias, na Avenida Paulista e noutros locais do país, é preciso realizar atos políticos e culturais estilo “lulaços”. 
     
    No dia 7 de setembro, por exemplo no Ipiranga, realizar um ato em defesa de um novo Grito da Independência, na linha “os filhos teus não fogem à luta”, com o mesmo padrão daquele realizado nos Arcos da Lapa.
     
    No dia 13 de setembro devemos fazer um movimento do tipo “vamos visitar o Lula em Curitiba”. 
     
    E continuar colocando a campanha Lula na rua.
     
    Portanto, nada de jogar a toalha. Não estávamos e não estamos “cumprindo tabela”.
     
    Um de nossos objetivos segue sendo tentar empurrar a decisão para depois do dia 17 de setembro, para garantir que Lula esteja na urna.
     
    E mesmo que não tenhamos êxito neste objetivo, precisamos deixar claro para a maioria a violência que está sendo cometida, não contra Lula, não contra o PT, mas contra o povo.
     
    Temos que voltar a usar a palavra de ordem “eleição sem Lula é fraude”.
     
    Isto não significa necessariamente que devamos boicotar ou votar nulo. Pode ser, pode não ser. Isso não é uma questão de princípio, é uma questão tática.
     
    Mas mesmo que decidamos participar, a denúncia da fraude precisa ser feita.
     
    Lula é a única alternativa que tem começo, meio e fim. 
     
    Todos os cenários sem Lula envolvem tantas incertezas, que seu desfecho mais provável é o aprofundamento da crise. 
     
    Ou seja: ou é Lula, ou nada poderá ser como era antes”.
    Argumentos da defesa de Lula para manter a estratégia: 
    No mérito, tivemos o voto do Fachin. Um voto longo e profundo. Desconstruiu o voto do Barroso. Mostrou que não fazia sentido em tratar a decisão do Comitê da ONU como algo menor;
    2. Na prática, isso significa que aumenta nossa chance no STF. Até a própria Rosa concordou com quase tudo que o Fachin disse. Discordou em ponto menor, superável no STF;
    3. No STF vamos ter que contar com o sorteio. Carmem e os três do TSE estão excluídos. Ficam Lewandowski e Marco Aurélio, Toffoli e Celso. 
    4. Pediríamos uma liminar para Lula ficar candidato até, pelo menos, o julgamento dos embargos de declaração. Ou até o STF decidir. Vamos avaliar bem o melhor caminho jurídico que devemos seguir para manter a disputa pelo restabelecimento da candidatura Lula vivo;
    5. Rosa Weber foi a única que respeitou o art. 16-A – que autoriza seguir em campanha até o final.
    6. Barroso inovou para dizer que a decisão do TSE seria a última. Mesmo sendo a primeira, no caso. Mudaram a jurisprudência das eleições presidenciais. Aqui temos uma chance no STF.
    7. Com isso, nosso prazo de substituição de dez dias começou a contar. Temos até dia 12 – se não conseguirmos uma liminar.
    8. A decisão não era clara sobre o uso do horário eleitoral neste período de dez dias. Estava mais para tela azul, mas decidimos (com Gleisi e Haddad) apostar na ambiguidade. No final, Raquel Dodge pediu para que fosse deixada a “tela azul” até a substituição. Era o que estavam decidindo;
    9. De madrugada fiz uma questão de ordem que já estava preparada. Para dizer que Haddad seguia candidato a vice e o tempo é da coligação. Os Ministros pediram um tempo para pensar. Reuniriam-se secretamente para deliberar. E voltaram com a decisão segundo a qual o horário é da coligação.
    10. Assim, temos o horário e Lula pode aparecer 25% como apoiador do vice. Será um “vice avulso”. O tempo todo podemos dizer que estamos recorrendo (o que é verdade) para que Lula volte como candidato. E pode mesmo voltar. Da parte jurídica é isso.

  • Queda nos investimentos e na indústria estão puxando o PIB para baixo

    Os dados do PIB divulgados na sexta-feira,31, pelo IBGE confirmaram aquilo que já vinha se prenunciando: o segundo trimestre de 2018 contribuiu com praticamente nada para a trajetória de recuperação da economia.
    O PIB variou só +0,2% frente ao primeiro trimestre do ano, já descontados os efeitos sazonais, com muitos de seus componentes tendo resvalado novamente para o terreno negativo.
    É fato que o segundo trimestre sofreu adversidades excepcionais com a paralisação do transporte de carga rodoviário, que interrompeu por mais de dez dias o fluxo normal de mercadorias e insumos e, consequentemente, a própria produção.
    Entretanto, não é de agora que o desempenho da economia tem se mostrado insatisfatório. Na série com ajuste sazonal, o PIB ficou virtualmente estagnado nos últimos três trimestres (0%; +0,1% e +0,2%).
    Já em relação ao mesmo período do ano anterior, o dinamismo foi cortado pela metade ao passar de +2,1% no 4º trim/17, para +1,2% no 1º trim/18 e então para +1% no 2º trim/18.
    Esta evolução está associada à perda de força de dois dos mais importantes motores de propulsão do crescimento econômico, o investimento, do lado da demanda e a indústria, do lado da oferta.
    Os investimentos, isto é, a formação bruta de capital fixo, caíram 1,8% no 2º trim/18, na esteira da deterioração das expectativas.
    Porém, este foi apenas o episódio mais grave de uma sequência de resultados nada favoráveis, como mostram abaixo as variações com ajuste sazonal.
    Na comparação interanual, apesar de ainda haver bases de comparação muito baixas, tampouco o investimento vem conseguindo adicionar vigor a sua reativação, crescendo em torno de 3,7% desde final de 2017.
    Com isso, a taxa de investimento permaneceu em 16% do PIB, bem abaixo dos níveis pré-crise (mais de 20% entre 2010 e 2014).
    No segundo trimestre de 2018, já descontados os efeitos sazonais, o PIB da indústria total registrou retração de 0,6% depois de ter ficado praticamente estável nos primeiros três meses do ano (variou só +0,1%).
    No caso da indústria de transformação, o quadro é ainda pior: queda tanto no primeiro (-0,4%) como no segundo trimestre (-0,8%) de 2018.
    A sequência de resultados na comparação interanual também mostra que o setor vem esmorecendo: +2,7%; +1,6% e +1,2% para o PIB da indústria total do 4º trim/17 até o 2º trim/18 e +6%; +4% e apenas +1,8% para o PIB manufatureiro.
    Diante desses resultados, não há dúvidas de que o motor industrial da economia vem reduzindo a marcha. Como consequência, o PIB não deslancha, ainda que alguns ramos do setor de serviços, como telecomunicações, atividades imobiliárias e atividades financeiras e de seguros tenham conseguido reforçar seus resultados no 2º trim/18.
    (Do Boletim do IEDI)

  • Uber adota a Orla

    “Porto Alegre está vencendo paradigmas para avançar no interesse público”, disse o prefeito Nelson Marchezan Júnior durante assinatura do termo de adoção da Orla do Guaíba na manhã desta sexta-feira, 31, pela empresa Uber.
    Durante a cerimônia realizada na área adotada foi entregue uma instalação conhecida como selfie point, local onde os frequentadores podem posar para fotografias, em um monumento símbolo da cidade e com vista do Guaíba.
    O secretário municipal do Meio Ambiente, Maurício Fernandes, disse que este tipo de parceria é fundamental para entregar à população locais públicos de qualidade. “Sem recursos públicos, estamos proporcionando à população um local limpo, seguro e com uma infraestrutura de qualidade”, afirmou.
    A partir de agora, a Uber fica responsável pelos serviços de conservação da área, que inclui paisagismo, gramados e canteiros; limpeza e recolhimento de lixo; zeladoria e limpeza de banheiros e vestiários; e manutenções corretivas no piso.
    O secretário municipal de Serviços Urbanos, Ramiro Rosário, lembrou que com estas atribuições passando para a iniciativa privada, outras áreas de Porto Alegre serão beneficiadas. “As equipes que realizavam a limpeza e varrição do local poderão ser deslocadas para outros pontos. Isto significa pelo menos 30 quilômetros a mais de vias atendidas na Capital”, exemplificou.
    Além do parque da Orla, fazem parte da adoção pela Uber a praça Júlio Mesquita, as rótulas do Gasômetro e das Cuias, e o canteiro central da avenida Edvaldo Pereira Paiva.
    O secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, acredita que o processo representa uma mudança na cultura da cidade. “Porto Alegre começou a entender o potencial que tem as parcerias para a cidade. Uma obra que nasceu cheia de polêmicas está sendo entregue com unanimidade”, lembrou.
    Além do selfie point, foram instaladas placas informativas sobre as obras de arte já existentes no parque, como o mirante “Olhos Atentos”, e placas de divulgação da marca Uber, previstas como contrapartidas da adoção.
    O gerente-geral da Uber para a Região Sul, Fábio Plein, anunciou que, na próxima fase de intervenções, a Orla ainda ganhará novos bancos, balizadores indicando a distância na pista de caminhada e totens com carregadores de celular por energia solar. “Para nós, a oportunidade de adotar esse espaço é uma forma de celebrar junto com a população este novo momento da relação da cidade com o Guaíba”, afirmou.
     
    A nova orla do Guaíba foi entregue à população no dia 29 de junho. Batizada de Orla Moacyr Scliar, o espaço conta com ciclovia e passeio público, mirantes, ancoradouro para barcos de passeios turísticos, bares e um restaurante panorâmico.
    Participaram do evento o secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro de Lemos; o secretário de Comunicação, Orestes de Andrade Jr.; o secretário adjunto de Parcerias Estratégicas, Fernando Dutra; diretor de Promoção Econômica, Luís Antônio Steglich Costa; diretor de Turismo, Roberto Snel; diretor de Trabalho, Emprego e Renda, Leandro Balardin; diretor de Esportes, Celso Piaseski; diretora administrativo e financeiro da EPTC, Milene Hartmann, vereador Felipe Camozzato; ex-secretário de Relações Institucionais e Articulação Política, Kevin Krieger; presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Isatir Bottin Filho; presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Maria Fernanda Tartoni; diretor do Sindicato da Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região, Edemir Simonetti; diretor comercial da empresa Melnick Even, Carlos Augusto Rosa, o vice-presidente de Marketing e Mídia do Sport Club Internacional, Otávio Rojas e a representante da OAB, Marília Longo do Nascimento.
    (Com informações da assessoria)

  • Livro-reportagem narra história de resistência das fundações estaduais

    Chega às livrarias este mês uma minuciosa cobertura jornalística sobre o processo de extinção das fundações públicas estaduais, organizada no livro Patrimônio Ameaçado, com selo da JÁ Editores. O lançamento ocorre no dia 13 de setembro, a partir das 18h, no Parangolé Bar *, em Porto Alegre.
    O jornalista Cleber Dioni Tentardini acompanhou durante três anos os movimentos de resistência que se mantêm e ainda questionam na Justiça a drástica decisão e a falta de argumentos razoáveis do governo Sartori para o encerramento das atividades de oito fundações estaduais e uma companhia – Cientec, Piratini, FEE, Metroplan, FZB, FDRH, Fepagro, Feeps e Corag.
    O livro-reportagem traz entrevistas com dirigentes, servidores e comunidade intelectual, que alertam para as perdas imensuráveis com o fim de instituições que há mais de meio século prestam relevantes serviços aos governos e à população: o acervo e a experiência que se dispersam, as pesquisas que se truncam, as séries estatísticas que se perdem, a produção de conhecimento que estanca.
    A obra, de 200 páginas, muito bem ilustrada, conta um pouco da história de pioneirismo dessas instituições e mostra que a extinção pura e simples, feita de forma improvisada, com a distribuição de suas atribuições, serviços e funcionários estáveis para outros órgãos da administração direta, representa grave ameaça a um patrimônio público, material e imaterial, cujo valor é incalculável.
    “Serão perdas que se incorporam a um período histórico de retrocessos, sem que se perceba claramente o quanto significam. Mais tarde, as novas gerações vão se dar conta de que houve um tempo sem rumo, em que andamos para trás”, afirma o editor, jornalista Elmar Bones.
    A série jornalística que dá nome ao livro revela aos leitores detalhes das coleções científicas e o trabalho realizado nos diversos setores do Museu de Ciências Naturais, Jardim Botânico e Parque Zoológico, as três instituições vinculadas à Fundação Zoobotânica. Esse especial, publicado no site do jornal JÁ, desde agosto de 2015, conquistou quatro prêmios nos principais concursos jornalísticos do Estado em 2017.
    Patrimônio Ameaçado traz ainda uma síntese das ações do Ministério Público Estadual e das negociações das entidades sindicais com o governo e os processos judiciais, nas esferas civil e trabalhista, alguns ainda em andamento, como este trabalho, que está aberto para constante atualização.
    O livro teve edição gráfica de Andres Vince, revisão de Tetê Martins e colaboração dos jornalistas Geraldo Hasse, Tiago Baltz, Felipe Uhr e Mateus Chaparini.
    * Parangolé Bar fica na avenida Lima e Silva, 240, bairro Cidade Baixa.