
O premiado jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, publicou em sua coluna no site The Intercept uma análise fria e sem filtros dos dados da pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo neste final de semana, referentes a opinião dos brasileiros em relação à situação política e econômica brasileira.
Greenwald acusa a Folha de SP de distorcer os dados e critica a manipulação editorial dos resultados.
Confira o artigo completo aqui.
Autor: da Redação
Greenwald acusa Folha de SP de fraude em pesquisa
Glenn Greenwald | Foto: AP Photo/Kin Cheung Reintegração de posse do Demhab vai para análise do Ministério Público
FELIPE UHR
Pelo menos até sexta-feira, a ocupação no Departamento Municipal de Habitação vai continuar. Até lá, o processo em que a Prefeitura pede a reintegração de posse do prédio estará em análise do Ministério Público. Só depois disso, ao regressar para as mãos da juíza Karla Aveline, ela decidirá se aceita ou não o pedido.
Karla e o promotor de Habitação do Ministério Público, Heriberto Roos Maciel, estiveram nesta manhã nas dependências do Demhab, onde fizeram uma inspeção judicial. Passaram por todas os setores, onde trabalham cerca de 400 servidores. O prefeito José Fortunati, que havia mandado fechar o prédio, determinou que os funcionários retornassem ao trabalho. Continua suspenso o atendimento externo. Segundo a diretora-geral da autarquia, Luciane Skrebsky Freitas, isso “é inviável”. Segundo ela, há atraso na entrega de aluguéis sociais e de outros serviços.
A juíza e o promotor ouviram diversos servidores, que se declararam a favor dos manifestantes, e que disseram não se incomodar com a ocupação, enquanto outros falaram que não se sentem confortáveis com a presença das cerca de 70 pessoas que ocupam o saguão do prédio. Alguns também reclamam não terem recebido nenhum comunicado oficial da Prefeitura. “A gente fica sabendo se temos que ir trabalhar ou não no boca-boca”.
Juíza Karla Aveline, da 5a Vara da Fazenda Pública (à direita), ouviu representantes dos movimentos ocupantes. Foto: Pepe Martini/MTST
Ao final da visita, líderes dos movimentos ocupantes, representantes do governo e do Judiciário reuniram-se na sala da Coordenação de Assuntos Jurídicos e Regularização Fundiária, onde assinaram o termo de inspeção judicial. No termo, a juíza anota que foi “inexitosa a conciliação”. Ao Jornal JÁ, disse que a inspeção “foi muito proveitosa”.
Foram avaliados alguns pontos da ocupação: o acesso do prédio pelos servidores, como está o atendimento ao público e a preservação do ambiente.Danilo Ucha será sepultado às 11 horas desta quinta-feira
A capela J do cemitério São Miguel e Almas será pequena para abrigar todos os amigos e colegas que irão se despedir do jornalista Danilo Ucha, morto ao amanhecer de hoje, enquanto dormia, em casa.
Durante a manhã, a notícia correu o Rio Grande do Sul. O velório começa às 15h30. O sepultamento será às 11h de amanhã, para esperar familiares que moram fora e estão a caminho.
Aos 72 anos, mais de 50 anos de profissão, começou a trabalhar no jornal A Plateia, de Santana do Livramento, sua cidade natal. Passou por quase todas as redações gaúchas e várias sucursais: Diário de Notícias, Folha da Tarde, Veja, Zero Hora, TVE, Radio Farroupilha, Radio Guaíba, O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil, correspondente em Porto Alegre para o Correio da Manhã (RJ). Foi um dos dirigentes da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (Coojornal) e cobriu a guerra das Malvinas, nos anos de 1980. Publicou vários livros e assinava a coluna Painel Econômico no Jornal do Comércio de Porto Alegre há 14 anos.
Ucha preparava-se para comemorar, em agosto, 30 anos do seu Jornal da Noite, impresso mensal. Deixou pronta a edição comemorativa. Amante da gastronomia, mantinha o blog cordeiro&vinho.
Esteve, na tarde de terça-feira, 19, na posse do novo presidente do BRDE. Mais tarde, comentou em casa que precisava acordar cedo, porque iria começar um novo trabalho pela manhã.
Ucha estava com a saúde fragilizada, era diabético, hipertenso e passara recentemente por uma cirurgia cardíaca. Deixa a mulher, Maria Jair Fontoura Mazzei, com quem vivia desde 1964, cinco enteados, 11 netos e 8 bisnetos.
Deixou escrito o próprio epitáfio, que chamou de epígrafe: “A palavra do revolucionário morreu na boca fuzilada”.Conjuntura política e cena vindoura
Róber Iturriet Avila – Doutor em Economia, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística.
Dilma Rousseff sofreu uma derrota enorme e não tem como retomar seu governo. Ainda que o Ministério Público Federal proponha o arquivamento das ações de “crimes de responsabilidade”. Houve, na verdade, uma derrubada do poder de uma classe por outra. As “classes populares” que vinham perdendo espaço dentro do próprio governo Dilma foram completamente desalojadas. Tal alteração foi viabilizada por uma série de descontentamentos da opinião pública, não cabe aqui detalhar profundamente. No congresso nacional, os conservadores, os milionários e seus representantes estão com maioria absoluta. A população, adormecida e paulatinamente emburrecida, naturalizou o processo.
Em pouco mais de dois meses o governo Temer mostrou claramente a que veio: privatizações, perda de direitos sociais e trabalhistas, enxugamento do Estado, ou seja, das políticas públicas como saúde, educação e assistência social. O salário mínimo pode ter uma variação negativa em 2017 após mais de 20 anos crescendo. O governo propôs congelamento de gastos (ou seja, de serviços públicos) para os próximos 20 anos. Foi proposta a elevação da idade mínima de aposentadoria para 70 anos a partir de 2036. Como descalabro final, em forma de chacota, aparece uma notícia de jornadas de trabalho de 80 horas semanais. E é claro, tudo isso ao tempo em que é abafada toda a bandalheira que existe no Brasil desde 1500, alterando as leis anticorrupção e colocando engavetadores nos postos-chaves.
Tudo leva a crer que após a derrubada definitiva, essa aliança entre os conservadores, os financistas, os milionários, grupos evangélicos e midiáticos destruirá também o que restará de povo no poder: a constituição de 1988. Eles querem tornar o País mais “competitivo” (lucrativo!) e atropelar a distribuição de renda feita pelo Estado, viabilizar terceirizações em massa, a qual reduzirá de forma rápida o salário médio. Ampliar a jornada de trabalho e jogar a aposentadoria para o além-túmulo. Sucatear e precarizar as políticas públicas que restarem com um congelamento por 20 anos consecutivos.
Na cena internacional, um claro alinhamento aos Estados Unidos e um afastamento dos BRICS e dos países da América Latina. Em paralelo, a intenção de privatizar o petróleo do pré-sal, reduzindo ou restringindo ao máximo os repasses desses recursos a fins sociais. Todo esse processo apequenou o Brasil no cenário externo, a tal ponto de ser visto como uma região sem civilidade e sem respeito à democracia, “a Turquia não é um país da América Latina” para ter um golpe de Estado.
O projeto de lei “escola sem partido” é uma tentativa de ideologizar as crianças desde sempre, como já são, mas agora sem permitir o contraditório e o acesso a outras interpretações da realidade que não as hegemônicas. Banir visões que contestam o que está posto e criticam a organização social, política e econômica. Isso é uma restrição de liberdade de expressão em lei! Eles querem robôs que não pensam!
A notícia de sexta-feira, de um professor universitário expulso de forma sumária do Brasil por ter sido condenado na França é no mínimo estranhíssima. Podemos estar assistindo o início da perda de direitos civis no Brasil.
Temo que os dias à frente sejam mais cinzas.
Parte superior do formulárioDesmonte do Estado ameaça as próximas gerações
Eduardo Maretti
Da RBA
A Plataforma Política Social e o Le Monde Diplomatique Brasil promoveram na noite de segunda (18), em São Paulo, o seminário “Austeridade Contra a Cidadania: O Desmonte do Estado Social”, em que se discutiu a conjuntura política do país com o governo interino de Michel Temer e as implicações de sua política na sociedade. Participaram do debate o ex-ministro da Saúde (2007 a 2010) José Gomes Temporão e os economistas Sérgio Gobetti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e Sérgio Haddad. A mediação foi do também economista Eduardo Fagnani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Segundo os analistas, o país passa por grave momento político-institucional e a supressão de direitos e conquistas ameaça seriamente as próximas gerações. Temporão falou da gravidade do cenário a partir da visão do governo interino, segundo a qual é preciso diminuir os gastos com saúde, de acordo com o princípio de que “não cabe no orçamento”. No Brasil, 52% dos gastos com saúde são de origem privada, enquanto 48% vêm do setor público. Na Inglaterra, 85% dos gastos são públicos.
“Deveríamos estar como a Inglaterra. Para isso, deveríamos ampliar os gastos públicos, mas vai-se diminuir. O setor conservador vê a saúde como um gasto. A distorção que já existe vai ser ampliada se as propostas do governo forem implementadas”, disse Temporão.
Ele lembrou que o ministro interino, Ricardo Barros, propõe “planos de saúde baratinhos para desafogar o SUS”. “Não satisfeito, disse que a maioria dos pacientes imaginam que estão doentes. Enquanto isso, para usufruir de um plano de saúde do Senado, basta exercer o mandato por 180 dias. O país vive um sistema de castas.”
Na sexta-feira (15), Barros disse que o brasileiro tem uma cultura de fazer exames desnecessariamente e que a maioria dos pacientes “imagina” doenças, aumentando os gastos públicos.
Temporão destacou ainda a agenda liderada por parlamentares da bancada BBB (bala, boi e bíblia) no Congresso. Hoje, há cerca de cinco dezenas de projetos de lei que buscam destruir os direitos alcançados e impedir a conquista de novos. Ele citou propostas “pelo porte de armas, restrições ainda maiores sobre a legislação medieval que temos sobre o aborto, aniquilação do SUS, revisão da Lei Maria da Penha, aprovação de ‘Escola sem Partido’”, entre outras. “É uma agenda muito preocupante da direita ou extrema-direita”, afirmou.
Na educação, as perspectivas não são menos sombrias, segundo a palestra de Sérgio Haddad. Segundo ele, o país volta a uma aliança já conhecida no Ministério da Educação, formada pelo PSDB e DEM.
A privatização volta a ser uma diretriz de Estado, o que pode ser observado em textos publicados pela imprensa. Ele mencionou artigo de Alexandre Schneider, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, na gestão de Gilberto Kassab, que, na semana passada afirmou no jornal Folha de S. Paulo: “Chegou o momento de discutir com a sociedade brasileira a cobrança de mensalidade nas universidades públicas”.
Por trás dessa sugestão, a ideia é desmontar um sistema educacional sistêmico e universal, “focando” em uma área em detrimento do todo. No caso, a justificativa de cobrar mensalidades na universidade pública seria a de que o Estado precisa ter dinheiro para o ensino básico. “Essa lógica que predominou no governo Fernando Henrique Cardoso deve se impor em época de restrição orçamentária. Vamos viver um tempo de ‘focalização’ e se pode ver isso nos debates colocados na mídia” disse Haddad. “Estamos vendo uma crescente presença do setor privado nas estruturas que definem as políticas de educação.”
Ao lado das questões econômicas, há hoje no país a preocupante escalada censória e ideológica, simbolizada pela proposta Escola sem Partido, que se alastra por legislativos municipais, estaduais e federal. Fora todas as consequências na educação, “o ministério e as secretarias contarão com organismos de delação”, disse Haddad, em referência ao artigo 8° do PLS 193/2016, que tramita no Senado, e prevê: “O ministério e as secretarias de Educação contarão com um canal de comunicação destinado ao recebimento de reclamações relacionadas ao descumprimento desta lei, assegurado o anonimato”.
Economia
Já Sérgio Gobetti, do Ipea, teceu uma série de críticas à condução da política econômica não apenas pelo governo Dilma Rousseff, mas também pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o Brasil é um dos poucos países do mundo que não tributam dividendos para acionistas que recebem transferências de lucros, e os governos petistas não enfrentaram a situação. “Passamos 12 anos de governo sem enfrentar isso e nem mesmo colocar no debate.”
De acordo com Gobetti, o grupo dos muito ricos do país é formado por 70 mil pessoas que receberam, em média, R$ 4 milhões, cada um, por ano, e pagaram 6% sobre esse valor. O grupo de pessoas da alta classe média, formado por quem ganha de R$ 200 mil a R$ 300 mil por ano, desembolsa 12% em média. “A alta classe média vive de salários, que é tributado pelo Imposto de Renda, enquanto os muito ricos vivem de aplicações financeiras ou de dividendos. Isso é algo escandaloso.”
Segundo os dados disponíveis, esses 70 mil contribuintes concentram pouco menos de 25% da riqueza no país. “Não existe paralelo no mundo de países que disponibilizam estatísticas como essas”, disse Gobetti.
Ele criticou também algumas políticas econômicas e opções dos governos petistas, como “a obsessão em não fazer nada que contrariasse o mercado”. Um dos equívocos, segundo ele, foi a desoneração da folha, pela qual o governo pretendeu incentivar o crescimento. “A desoneração começou na indústria, se estendeu para o turismo, aos hotéis, bares e restaurantes, comércio varejista e construção civil. A cereja do bolo foram os meios de comunicação. A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), comandada pela Rede Globo, foi lá, pediu e levou.”
Segundo Gobetti, a desoneração da folha, que o governo decidiu fazer em 2011, quando a indústria estava muito fragilizada, principalmente pela concorrência chinesa, custou R$ 25 bilhões por ano para o governo.Justiça diz que horário para fechar bares é assunto do Executivo
A 4ª Vara da Fazenda Pública indeferiu ação do Ministério Público que trata da limitação do horário de funcionamento de bares noturnos no Centro Histórico de Porto Alegre. De acordo com o Juiz Fernando Carlos Tomasi Diniz, a determinação de horários cabe exclusivamente ao Executivo, “não ao Judiciário e tampouco ao Ministério Público”.
Ainda segundo o magistrado, “a alegação de que a violência no cenário urbano da capital, especialmente a insegurança pública instalada no Centro Histórico, se deve ao movimento em torno das casas noturnas, é meramente subjetiva”. Reconhecendo a possibilidade de a premissa ser verdadeira, o Juiz Fernando Diniz considera, no entanto, que “admiti-la, porém, de plano afigura-se temerário”.
(Fonte: Tribunal de Justiça)Estudantes fazem manifestação contra criminalização dos protestos
Estudantes do Comitê de Escolas Independentes (CEI) se reuniram na esquina democrática, centro de Porto Alegre, e marcharam até o Ministério Público, Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, pedindo o arquivamento do processo de indiciamento dos oitos estudantes que ocuparam a Secretaria da Fazenda, no dia 15 de junho e dois profissionais que cobriam o fato: o jornalista Matheus Chaparini e o cinegrafista Kevin D’arc.

Vestidos de preto e carregando um caixão, escrito democracia, eles fizeram uma pequena encenação, pediram o direito pelo manifesto à educação e criticaram o governo Estadual e a Brigada Militar.
Após o teatro, os estudantes iniciaram a marcha. À frente, três estudantes com máscaras de caveira, um vestido de vermelho segurando a balança da justiça e dois de preto.
Ao longo do trajeto vários cantos foram entoados. “Eu apanhei, eu resisti, bate de novo que não vou sair daqui” e “A luta não se reprime, protesto não é crime” foram ouvidos várias vezes.
Alguns estudantes mascarados picharam o logo do CEI e os dizeres “Arquiva MP”. Até a chegada no Ministério Público, os próprios secundaristas iam fechando as ruas para que o grupo passasse, a EPTC só chegou às 17h40 já na Aureliano.
Na entrada do prédio do poder judiciário, os estudantes acenderam velas e as prenderam em um montinho de terra colocados em cima da calçada. Um jogral reivindicando o direito de se manifestar e protestar, pedindo o arquivamento do inquérito, foi realizado. Depois alguns secundaristas discursaram no mega-fone. O jornalista Matheus Chaparini também discursou. ” Fazer protesto não é crime, jornalismo também não” encerrou o repórter que foi preso enquanto trabalhava.
Imprensa foi impedida de entrar no prédio
Após algum tempo, três estudantes e um advogado foram recebidos pelo sub-procurador de relações, Fabiano Dallazen. A imprensa foi impedida de entrar para acompanhar a reunião. Dallazen informou que até a próxima sexta-feira, o MP irá informar a data que os indiciados do caso poderão falar com o promotor que irá ou não aceitar a denúncia.
A manifestação acabou logo depois que os três estudantes voltaram da reunião e o grupo se dispersou no Largo Zumbi dos Palmares.
Dez pessoas estão indiciadas por 4 crimes: dano qualificado ao patrimônio público, resistência, associação criminosa e obstrução do trabalho.
Encenação remeteu à agressão com gás de pimenta. Foto: Taís Ratier
PMDB gaúcho mostra força na posse de Odacir Klein no BRDE
Geraldo Hasse
A posse de Odacir Klein para um mandato rotativo de 18 meses na presidência do BRDE na tarde de terça, 19, foi uma inequívoca demonstração de força do PMDB gaúcho. Faltaram lugares no auditório do 14º andar da sede na Rua Uruguai 154 no centro de Porto Alegre. “Estou vendo secretários de Estado de pé nos corredores”, disse Klein ao final de seu discurso de posse. Ele recebeu o cargo de Neuto do Conto, representante político de Santa Catarina. Dentro de 18 meses, a Presidência passará ao paranaense Orlando Pessutti.
Klein assina o termo de posse. Foto: Karine Viana/Palácio Piratini
Emocionado ao assumir um dos cargos mais importantes de sua carreira – vereador aos 21 anos, foi prefeito de Getulio Vargas, deputado, secretário de Estado, ministro, presidente do Banrisul e de órgãos de classe como a Fecotrigo e a Abramilho –, Klein se declarou “grato, muito grato” ao governador Ivo Sartori por confiar-lhe a cadeira gaúcha na direção do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul; agradeceu também aos ex-governadores Pedro Simon e Germano Rigotto, por ajudá-lo em momentos difíceis de sua vida.
Os dois chefes do PMDB gaúcho estavam na primeira fila do auditório, lotado por uma rara coleção de figuras ilustres da vida política e empresarial do Estado. O prefeito José Fortunati, sem partido, estava à vontade na mesa principal. Também estiveram presentes emissários do Rio e de Brasilia. O diretor Ricardo de Souza Ramos trouxe “o abraço da presidenta Maria Silvia Bastos Soares ao maior parceiro de fomento do BNDES”.
Fabio Medina, representando a Advocacia Geral da União, falou em nome do presidente interino Michel Temer. Em seu discurso lido, ao elogiar o enfoque do BRDE, ele apresentou uma pérola do vernáculo: “Não é despiciendo lembrar que as pequenas e médias empresas representam 27% do PIB e 52% dos empregos no Brasil”.
Restou uma única dúvida: se tamanha afluência foi provocada pelo prestígio político do velho “modebra” Odacir Klein ou pela força do BRDE, que emprestou R$ 2,6 bilhões em seu último exercício fiscal. O BRDE foi fundado em junho de 1961 pelos governadores Leonel Brizola, Celso Ramos e Nei Braga.
Declarado inviável na onda da privatização dos anos 1990, foi salvo da liquidação por um acordo entre os três estados e a União. Com a capitalização dos lucros, tem um capital de quase R$ 1 bilhão. Com três agências nas capitais do Sul, possui cerca de 500 funcionários voltados preferencialmente para o fomento de pequenas e médias empresas, cooperativas e prefeituras municipais.
Depois de oito discursos que se estenderam por mais de uma hora, o governador teve o bom senso de poupar os ouvidos da plateia de redundâncias sobre a excelência do sistema financeiro do Estado – o tripé formado pelo Banrisul, o Badesul e o BRDE. Pegando um mote dado por Neuto do Conto, que nasceu em Encantado e foi embora para Chapecó há 60 anos, Sartori declarou finda a diáspora gaúcha. “Milhares de gaúchos como Neuto foram embora do Rio Grande do Sul levando capitais, tecnologia e mão-de-obra para ajudar a desenvolver outras regiões do Brasil. Nós nos orgulhamos disso, mas chegou a hora de reconhecer que essa diáspora teve um preço. O Rio Grande precisa da união dos gaúchos para voltar a crescer.”MP vai ouvir indiciados pela ocupação do prédio da Secretaria da Fazenda
O Ministério Público vai ouvir os indiciados pela ocupação da Secretaria da Fazenda, antes de decidir sobre o inquérito policial que pede o enquadramento de todos – oito estudantes, o cinegrafista Kevin Darc e o jornalista Matheus Chaparini, do jornal JÁ – em quatro crimes.
A informação foi dada pelo sub-procurador de assuntos institucionais do MP, Fabiano Dallazen, ao receber três representantes dos estudantes que, nesta terça-feira, fizeram uma manifestação pelo centro de Porto Alegre, pedindo a anulação do processo.
A ocupação ocorreu no dia 15 de junho. Durou pouco mais de duas horas e foi dissolvida por intervenção da Brigada Militar. Quarenta e três pessoas foram presas, a maioria menores de idade. Os dez maiores de idade, entre eles o repórter do JÁ, foram incriminados: dano ao patrimônio público, associação criminosa, resistência e obstrução do trabalho policial.
Segundo a assessoria de imprensa do MP, o promotor que cuidará do caso ainda não está definido. Dallazen avisará os indiciado, por meio dos advogados, até a próxima sexta-feira, sobre a data da reunião.
O protesto no centro de Porto Alegre foi organizado pelo CEI (Comitê de Escolas Independentes) e marchou da Esquina Democrática, onde ser reuniu por volta das 16h, até a sede do Ministério Público, na avenida Aureliano de Figueiredo Pinto.
Fepam autoriza construção de terminal portuário em Canoas
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu licença autorizando a empresa Nidera Sementes a construir um terminal portuário em Canoas, à beira do Rio do Sinos, para recebimento, armazenamento e expedição de grãos.
“O empreendimento é de grande importância, pois irá retirar das rodovias centenas de caminhões que hoje transportam grãos para o porto de Rio Grande, otimizando a utilização das hidrovias no Estado”, argumenta a secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e presidente da Fepam, Ana Pellini.
O terminal terá capacidade para armazenar de 90 mil toneladas de grãos. Terá cais de atracação, sistemas de recebimento, pesagem, amostragem, transporte e armazenamento de grãos, além de prédio administrativo.
Vai operar na estrada da Prainha, com acesso pela rodovia do Parque. Terá uma área construída de mais de 56 mil metros quadrados e ocupará uma área total superior a 140 mil metros quadrados. Prevê contratar 62 funcionários.
O empreendedor deverá submeter à aprovação do Departamento de Biodiversidade da Sema, projeto de Reposição Florestal Obrigatória em que se comprometerá com o plantio de 764 mudas de espécies nativas da região.Outras contrapartidas ao município de Canoas incluem obras de revitalização da Prainha, como a pavimentação do acesso ao local e estruturação da rede de esgoto.
A Nidera é uma empresa de origem holandesa quase centenária. Em 1930, uma parte da família mudou-se para Argentina e inaugurou a Nidera S.A., em Buenos Aires. Em 1950, passou a fazer negócios com o Brasil e na década de 60 a empresa estabeleceu um escritório em São Paulo.
Em 1980, a Nidera adquiriu as operações da baiana Brasil Óleo de Mamona (BOM). Em 2005, a partir da compra das operações de sementes de uma multinacional alemã do setor agroindustrial, surgiu a Nidera Sementes, para investir em pesquisa genética para o mercado do país.
Três anos mais tarde, o aquecimento das exportações brasileiras de grãos levou a Nidera a criar a Nidera Brasil Grain and Oil (BG&O). Segundo a empresa, é a trading que mais cresce no país.
Em 2010, a empresa criou uma nova unidade de negócios focada em Nutrientes e Proteção de Cultivos, a Nidera NPC. “Da semente ao grão, a Nidera está presente em toda a cadeia do agronegócio”, anuncia a empresa.
Hoje, tem no Brasil uma dúzia de unidades de pesquisa e de beneficiamento de soja e milho, além de lavouras (duas ficam no norte gaúcho).



Vestidos de preto e carregando um caixão, escrito democracia, eles fizeram uma pequena encenação, pediram o direito pelo manifesto à educação e criticaram o governo Estadual e a Brigada Militar.
